Nepotismo?
- Autor do post:Aluysio Abreu Barbosa
- Post publicado:25 de maio de 2010 - 18:59
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Não é só a vereadora Odisséia Carvalho (PT) quem vai processar aqueles que julga tê-la ofendido. Segundo garantiu na manhã hoje, a própria Rosinha Garotinho (PMDB), tanto Odisséia, quanto seu colega de oposição Abdu Neme (PSB) serão processados criminalmente. Ao lado do procurador geral do município, Francisco de Assis Pessanha Filho, a prefeita garantiu que as ações contra a vereadora e o vereador não ficarão apenas na ameaça.
Odisséia será inquirida a provar as acusações que fez na tribuna da Câmara no dia 11, quando disse que recursos do governo Rosinha estariam sendo desviados para a campanha de Garotinho a governador. Já Abdu será processado pelo “trote” que fez para conferir a eficiência do programa “Emergência em Casa” (aqui). Nem o fato do ex-aliado ter feito a ligação no telefone, no gabinete e diante do presidente da Câmara, Nelson Nahim (PMDB), atenuam a conclusão de Rosinha:
— Temos a ligação gravada. O vereador, que também é médico, fez um trote para um serviço de atendimento de emergência. E isso é crime!

Além das acusações de nepotismo contra o líder governista Jorge Magal (PMDB), que teria um irmão trabalhando na Emhab e outro na Emut, o vereador Rogério Matoso (PPS) também voltou suas baterias, na sessão da manhã de hoje, na Câmara, contra Kelinho (PR). Da tribuna, o oposicionista aconselhou o colega da situação a abrir a Bíblia em Judas, 16, onde consta:
— Os tais são murmuradores, são descontentes, andando segundo as suas paixões. A sua boca vive propalando grandes arrogâncias; são bajuladores dos outros, por motivos interesseiros.
Não se sabe se Kelinho conhece o versículo de cor, mas de qualquer maneira, optou por responder:
— Deixa isso pra lá! Deixa isso pra lá!!!…

Além das denúncias de nepotismo no governo Rosinha com dois irmãos do seu líder Jorge Magal (PMDB), a vereadora Odisséia Carvalho (PT) também usou a tribuna para garantir que irá processar os oito jovens que, na segunda-feira da semana passada, dia 17, durante uma audiência sobre exploração infantil na Câmara, estavam em cima de um trio elétrico, diante ao antigo Fórum, gritando palavras de ordem e fazendo acusações contra a petista. Segundo ela, os oito seriam estaudantes do grupo que teria perdido o poder da Federação dos Estudantes de Campos (FEC), a partir de denúncias de emissão irregular de carteiras estudantis.
Todos os oito teriam sido filmados com celulares e identificados, enquanto usavam o trio para acusar a vereadora de corrupção nas eleições municipais de 2008 e para o diretório local do PT, em 22 de novembro de 2009, vencida pelo marido de Odisséia, professor Eduardo Peixoto, em 22 de novembro do ano passado, como este blog adiantou com excluvidade naquele mesmo dia (aqui).
Após o anúncio de Odisséia, o presidente da Câmara, Nelson Nahim (PMDB), disse que já havia ligado ao presidente do PR, Wladimir Garotinho. Segundo o tio, o sobrinho garantiu que o partido nada teve a ver com a iniciativa. Em conversa por telefone com este blogueiro, agora há pouco, Odisséia retrucou:
— Se não foi o PR, quem foi então? Quem deu o dinheiro para bancar o trio? Os estudantes, com certeza, não foram!
Em comentário a este blog (aqui), o André Cruz, secretário de Formação Política da executiva municipal do PT, já havia falado sobre o caso, no mesmo dia em que ocorreu a manifestação ofensiva contra Odisséia. Segundo informou o jornalista Alexandre Bastos, esses oito jovens pertenceriam ao grupo que já fez o mesmo tipo de ato contra o ex-governador Anthony Garotinho (PR), a quem agora estariam ligados. Isso depois de já terem servido ao deputado federal Arnaldo Vianna (PDT) e depois ao então prefeito Alexandre Mocaiber (PSB).
Não por outro motivo, em seu blog, no último domingo, Bastos os classificou como “Juventude de aluguel” (aqui). Aliás, segundo o jornalista, eles nem são mais tão jovens assim…

Atualizado às 21h48: Um ruído de comunicação entre este blogueiro e o jornalista da Folha Renato Wanderley, que cobriu a sessão da Câmara de hoje, provocou um equívoco quanto à autoria das denúncias de nepotismo no governo Rosinha, que emprega irmãos do seu líder Jorge Magal (PMDB). Na verdade, quem fez a acusação, na tribuna do Legislativo, foi unicamente a vereadora Odisséia Carvalho (PT), sem a participação do seu colega de oposição Rogério Matoso (PPS). Segundo esclareceram os próprios Matoso e Odisséia, o primeiro subiu a tribuna para responder às críticas que sua mãe, Ana Regina Fernandes, sofreu num programa da rádio O Diário, no último sábado, com a participação de Magal. Rogério lembrou que quando Ana Regina era titular de Promoção Social de Mocaiber, ela chegou a trabalhar na secretaria com um irmão de Magal, cujo nome não revelou.
Aproveitando o gancho de Matoso, Odisséia subiu à tribuna para dizer que estranhava o fato de tantos irmãos de Magal trabalharem na Prefeitura, pois além do que trabalhou com a mãe de Matoso, a petista citou dois que são DAS-7 do governo Rosinha: Amaro Santana Azeredo e Henrique Santana Azeredo. O primeiro foi nomeado supervisorde Serviços Municipais do Parque São Mateus, com publicação em Diário Oficial (DO) de 18/03/09; enquanto o segundo é supervidor de Serviços Gerais do Parque Lebret, com nomeação publicada no DO de 26/03/09.
Os dois, segundo Odisséia, configurariam o caso de nepotismo cruzado. Segundo o Blog do Bastos divulgou (aqui), cada um receberia em torno de R$ 1,5 mil por mês.
Antes de ser DAS de Rosinha, Odisséia lembrou que Amaro chegou a trabalhar na Empresa Municipal de Habitação (Emhab), na gestão do petista Hélio Anomal, durante o governo Mocaiber. A petista disse também ter notícia de que outro irmão de Magal, de nome Rui, trabalharia na Empresa Municipal de Transportes (Emut).
O líder do governo Rosinha, pelo menos hoje, ficou sem dar resposta…

Uma briga dentro na Peper’s Club, no ponto mais badalado da av. Pelinca, na madrugada de hoje, terminou com a morte de Natanael Odilon Pereira da Silva, de 29 anos. Ele se envolveu numa confusão dentro da boate, foi posto para fora pelos seguranças, saiu e voltou com uma faca. Tentou entrar novamente e discutiu com os seguranças. Um policial militar, lotado em Macaé, interveio e pôs fim ao problema com um tiro na cabeça de Natanael. Legítima defesa, como alegou o PM???
Identificado, assim como sua lotação, no blog Campos 24 Horas (aqui), pelo jornalista Fabiano Venâncio, a ação do cabo PM Gandra foi questionada pela jornalista Jane Nunes, no blog Estou Procurando o que Fazer (aqui): “É preciso que os responsáveis pela segurança sejam pessoas mais preparadas e equilibradas para saber atuar em situações de conflitos, sem a necessidade de tirar a vida de qualquer pessoa”. E a blogueira não está sozinha. Na Folha Online (aqui), foram vários os comentaristas que seguiram a mesma linha de raciocínio:
— Precisava atirar na cabeça?? O cara com uma faca e ele com uma ARMA DE FOGO. Quem é o mais “FORTE”? — indagou Edi Cardoso.
— Falta de treinamento adequado dos PMs — concluiu Desorre Fioravanti.
— O quê, um PM lotado em Macaé estava em uma área de lazer, portando arma de fogo? — questionou Antonio Sodré.
— Todos os casos são iguais… os PMs sempre dizem que foi em legítima defesa… já está manjada essa desculpa — lembrou Ana Paula de Spuza.
— Que KÔ deste PM, atirar pq o cara tava com uma faca? Bastava 1 tiro para cima e o cara se tremia e soltava a faca, com certeza! Caso não desse jeito, um tiro no pé seria solução, ora! Mas na cabeça? Para o PM vai dar Pizza com certeza! — apostou Enoque Teles da Silva.
— Legítima defesa não é “uso moderado de meios que repelem justa agressão”, ou algo do tipo? E um headshot é legítima defesa onde? Cada uma viu… Se fosse um coitado ia se lascar pra defender essa tese no tribunal do júri, mas como é um PM duvido que dê em alguma coisa — lamentou Julio Mendel da Silva.
— Isso é um absurdo!!! PM atira no estudante como se ele fosse um bandido…Não podemos nem confiar na segurança esses PM precisam ser mais preparados para entra na corporação (…) Em quem podemos confiar???? — perguntou Roberta da Hora Damasceno.
— Ele não precisava atirar na cabeça para conter o rapaz! Hoje nós mães temos mt medo quando nossos filhos saem para se divertir. Já não bastando os bandidos ainda tem os policiais despreparados — advertiu Elisete de Oliveira Leitão.
— Esse PM tinha que pedir reforço e não agir dessa maneira. Será que se fosse filho dele agiria da mesma forma? Total despreoparo desse PM — acusou Marcos Antonio Gomes.
— Três coisas não podem ser discutidas: a alienação de quem porta uma faca num local de festa, o despreparo do policial e a imbecilidade de quem atribui ao estado a culpa! — sentenciou José Armando Ribeiro Barreto.
— De qualquer forma, o policial deveria esgotar c/ sua voz, sua autoridade, obedecendo a reação do esfaqueador. Ou seja: Vai atacar? Tiro na perna — explicou Fábio Aquino da Silva Tavares.
Um bom exemplo do que alega o Fábio, foi dado recentemente, por um sargento da PM, que no último dia 5 pôs fim à tentativa de assalto a uma lan house, na rua João Maria, após trocar tiros com dois assaltantes, baleando ambos nas pernas. O fato foi noticiado pela Folha, em sua edição impressa do dia seguinte.
Diante do constraste entre as duas ações, cabe a pergunta óbvia: Se um PM é capaz de deter dois assaltantes, portando armas de fogo, atirando em partes não letais dos seus corpos, como outro PM não é capaz de conter uma única pessoa, com uma faca, a não ser com um tiro na cabeça???
Atualização às 21h11: O blog Campos 24 Horas, que revelou o nome do PM (Gandra) que matou Natanael com um tiro na cabeça, informou agora há pouco (sem horário da atualização) que este último seria lutador e teria participado de um torneio de submission. Ademais, a repórter da Folha Valquíria Azevedo descobriu junto à Faculdade de Direito de Campos que Natanael havia trancado sua matrícula no 3º período do curso, em 2007, sendo portanto um ex-estudante de Direito, diferente do que informou inicialmente este blog. Em todo o caso, nenhuma das duas novas informações invalida a pergunta final do post original, feita a partir das participações de vários leitores da Folha Online e no contraponto entre duas ações de policiais militares em Campos: “Se um PM é capaz de deter dois assaltantes, portando armas de fogo, atirando em partes não letais dos seus corpos, como outro PM não é capaz de conter uma única pessoa, com uma faca, a não ser com um tiro na cabeça???”

A partir de hoje e até 11 de julho, estarei dividindo minhas atenções entre este Opiniões e o Folha na Copa (aqui), assim como meu parceiro aqui e lá, o chargista José Renato. Além dele, no Folha na Copa farei também companhia a Paulo Roberto Rangel, Matheus Nandy, Igor Siqueira, Christiano Barbosa, Luiz Costa e Alexandre Bastos. A maioria possui blog próprios, como é o caso dos quatro últimos, respectivamente titulares do Blogesportes (aqui), Ponto de Vista (aqui), Na Geral (aqui) e Blog do Bastos (aqui).
Na torcida pelo bom futebol, mais do que necessariamente pelo Hexa, vamos todos juntos com você, leitor, mergulhar nesses 30 dias em que são construídos e desfeitos os mitos…

Desde que Laura Ferraz me avisou, no fim da noite de ontem, da morte de Mônica Simões, tenho pensado no que dizer sobre ela. Poderia dizer, como disse ao Luiz Costa, em matéria publicada hoje na Folha, que ela foi a maior corretora de anúncios que vi nestas duas décadas em que atuo profissionalmente na mídia de Campos. Poderia dizer que foi uma mulher socialmente revolucionária, a primeira que vi falar abertamente sobre sexo, brincando com isso com um despudor que a misoginia costuma segregar como privilégio exclusivo de homens. Poderia dizer que foi uma mulher que amava a vida e construiu a sua sozinha, ascendendo de telefonista da Folha a maior publicitária dos 33 anos de história deste jornal por seus próprios méritos, sem ajuda de nenhum homem, ainda que tenha encontrado a paz ao lado de Rui, após ter ido morar em Macaé. Poderia dizer que não sei o que direi à minha mãe quando ela chegar de viagem, ainda sem saber da morte de quem amava como uma filha. Poderia dizer que, diferente de Mônica, sou homem e fraco, e por isso não tive coragem para ir ao seu velório ou ao seu enterro. Mas de tudo que poderia dizer, acho que nada traduz melhor o que sinto do que aquilo que Chico Buarque — este tradutor de nós todos — disse em letra e música:
Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu…
A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega o destino prá lá…
Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração…
A gente vai contra a corrente
Até não poder resistir
Na volta do barco é que sente
O quanto deixou de cumprir
Faz tempo que a gente cultiva
A mais linda roseira que há
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a roseira prá lá…
Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração…
A roda da saia mulata
Não quer mais rodar não senhor
Não posso fazer serenata
A roda de samba acabou…
A gente toma a iniciativa
Viola na rua a cantar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a viola prá lá…
Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração…
O samba, a viola, a roseira
Que um dia a fogueira queimou
Foi tudo ilusão passageira
Que a brisa primeira levou…
No peito a saudade cativa
Faz força pro tempo parar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a saudade prá lá …
Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração…