Homofobia tem liberdade de expressão?
Entre os comentários gerados no blog, têm surgido algumas discussões interessantes, entre elas a provocada pelo leitor Márcio, que defendeu como direito de liberdade expressão o discurso de homofobia-evangélica-eleitoral na chamada Caravana pela Paz (aqui), realizada pelo pré-candidato do PR ao governo do estado, Anthony Garotinho. Por entender que o assunto tem relevância de post, passemos à reprodução dos comentários do leitor e deste blogueiro…
Tb existe a liberdade de expressão,todo mundo tem direito de de dizer o que acha sobre casamento de gays,tem oa que são a favor e os que são contra,isso é uma questão de opinião e não preconceito.Nada contra recursos públicos para os eventos dos GLS,mas é inaceitável o SUS bancar cirurgia de troca de sexo,ao mesmo tempo que o governo alega não ter dinheiro para o reajuste dos aposentados,além do caos na saude no Brasil.
Caro Márcio,
Sou radicalmente a favor da união de vida entre duas pessoas que assim desejam, sejam ou não do mesmo sexo. Não vejo como a coletividade, aprovando por princípios pessoais ou não esta união, tenha direito a arbitrar sobre isso. O que vc diria se o Estado (ou seu vizinho) se negasse a reconhecer, por exemplo, a sua união, ou considerá-la, digamos, de segunda classe em relação ao Direito Civil, mesmo sendo montada no respeito aos direitos alheios e, sobretudo, em desejo e sentimento recíprocos? A liberdade de expressão só é um direito intocável enquanto respeita limites como este. Não é onipotente, como não deve ser, por exemplo, para um nazista, um racista, ou qualquer outro preconceituoso, incluindo seu vizinho e o Estado, independente da ideologia ou fé. Tanto pior quando o preconceituoso pretende usar como base a vida e pregação libertárias de certo rabi da Galiléia, que desfez os preconceitos do seu tempo diante de uma prostituta, de um coletor de impostos, de um homem de outra fé, de todos os doentes, dos miseráveis, da face de César estampada numa moeda e dos dois ladrões que o acompanharam em sua morte.
E a coisa ainda é muito pior quando, como os homens do Templo de ontem e hoje, o uso do divino é feito com desavexado objetivo de política terrena. Há dois mil anos, por exemplo, foi o que gerou a crucificação daquele mesmo rabi.
Da teologia ao estado laico, como é o nosso, a união entre duas pessoas, independente de sexo, já é uma conquista de vários tribunais brasileiros. Nosso Judiciário, graças a Deus, não tem esperado a morosidade do Legislativo nessa questão, impondo a regulação social da jurisprudência à omissão da lei. Seja por decisão judicial ou humanidade de base, é um direito que precisa ser preservardo. E quem se coloca contra ele, é, sim, um preconceituoso; pois tem, sim, preconceito. Moralmente, está próximo de quem se nega a dar uma vida digna aos aposentados ou o direito de acesso à medicina a todos, sonegado em vários lugares do Brasil, como têm sido caso destacado, por exemplo, da saúde pública de Campos.
Grato pela colaboração e abraço!
Aluysio







