Por que ser contra a CPI?
Quando se constata quais governos seriam alvo da CPI dos Royalties (aqui) que vereadora Odisséia Carvalho (PT) vai propor na próxima terça (Rosinha, Mocaiber, Henriques, Mocaiber, Campista e Arnaldo) dá até para desconfiar o que receiam os vereadores que se dizem de oposição, mas não abraçaram a idéia. Dante Pinto Lucas (PDT) e Jorge Pé no Chão (PT do B) cumprem o terceiro mandato, enquanto Marcos Bacellar (PT do B) e Abdu Neme (PSB) estão no segundo. Todos eles participaram da base de apoio da base de apoio do governo Alexandre Mocaiber (PSB), enquanto os dois primeiros deram também sustentação à gestão Arnaldo Vianna (PDT).
Assim, se houve má aplicação ou desvio do dinheiro dos royalties nessas duas gestões, eles seriam inevitavelmente afetados, ainda mais se a investigação da CPI esbarrase, por exemplo, em dinheiro advindo do petróleo sendo usado para custear as emendas individuais milionárias que o governo de Mocaiber destinava aos vereadores (inclusive os dois de oposição: Nelson Nahim e Edson Batista) para garantir uma vida pacífica na Câmara. Vereador de primeiro mandato, a hesitação de Rogério Matoso pode residir no fato da sua mãe, Ana Cristina Fernandes, ter sido secretária de Promoção Social de Mocaiber. Ela chegou a ser investigada na Operação Telhado de Vidro, sendo depois inocentada na Justiça.
E a situação? Mais de uma pessoa já lembrou que se o governo Rosinha foi honesto na aplicação dos royalties nesse seu primeiro ano de gestão, os vereadores que lhe dão apoio nada teriam a temer. Muito pelo contrário, se a retórica dos discursos governistas for verdadeira, se houve desvios dos royalties nas administrações Arnaldo e Mocaiber, mas não na de Rosinha, sua bancada deveria não só apoiar a CPI, como encabeçá-la.
Como isso não ocorre, como desde que propôs a CPI, Odisséia passou a sofrer ataques no rádio, tanto por parte de Rosinha, quanto de Garotinho, a lógica indica que o discurso do casal na gestão dos royalties é diametralmente oposto à sua prática.






