Sinal divino???

Horizonte de Campos no final da tarde de hoje (foto de Antonio Cruz)
Horizonte de Campos no final da tarde de hoje (foto de Antonio Cruz)

 

Para os materialistas, a foto do horizonte de Campos, feita no final da tarde de hoje, pelo repórter-fotográfico Antonio Cruz, foi só o prenúnico da chuva que caiu pesada e rápida, ameaçando reedição no correr desta noite. Para quem, no entanto, crê em algo mais, os céus que se desenham sobre a planície goitacá, enquanto se discute no planalto central a emenda de partilha dos royalties, pode significar muitas outras coisas…

O jeito é esperar para ver com um olho no céu e outro na tela da TV Câmara…

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Ironia: Supremo também quer saber como são gastos os royalties

Levados pelo governador Sergio cabral à reunião de hoje, com o ministro Gilmar Mendes, os prefeitos Riverton Mussi, Carla Machado, Rosinha Garotinho e Armando Carneiro, depois de dizer quanto perdem com a partilha dos royalties, agora terão que revelar onde e como gastam os recursos do petróleo (foto de Carlos Magno/Secom)
Levados pelo governador Sergio cabral à reunião de hoje, com o ministro Gilmar Mendes, os prefeitos Riverton Mussi, Carla Machado, Rosinha Garotinho e Armando Carneiro, depois de dizer quanto perdem com a partilha dos royalties, agora terão que revelar onde e como gastam os recursos do petróleo (foto de Carlos Magno/Secom)

 

Como, ao que tudo indica, será mesmo aprovada a emenda da partilha dos royalties que agora se discute na Câmara, o caminho seguinte dos municípios e estados produtores já começa a ser trilhado no Supremo Tribunal Federal (STF). Depois de receber ontem o vereador campista Rogério Matoso (PPS), em meio a uma comitiva de legisladores dos estados do Rio, Espírito Santo e São Paulo, o presidente do STF, ministro Gilmar Mendes, recebeu hoje uma comissão de prefeitos da região, comandada pelo governador Sergio Cabral.

Apesar de receber de Rosinha Garotinho (PMDB), Carla Machado (PMDB), Armando Carneiro (PSC) e Riverton Mussi (PMDB) um relatório com as perdas reais, respectivamente, de Campos, São João da Barra, Quissamã e Macaé, caso a divisão dos royalties seja mesmo aprovada, Gilmar Mendes cobrou dos prefeitos da Organização dos Municípios Produtores de Petróleo (Ompetro), um levantamento pormenorizado, com a descrição dos investimentos em projetos e obras.

Enquanto preparam o relatório mais detalhado, não deixa de ser irônico constatar que, na tentativa de manter os recursos do petróleo, os prefeitos da região vão finalmente revelar ao Supremo o que seus munícipes sempre cobraram, sem êxito, desde que a política dos roaylties foi implantada, em 1989, e reforçada, em 1997: saber onde e como é gasto o dinheiro.

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Odisséia determina os fatos para CPI dos Royalties

Na insistência em sua luta pela instalação da CPI dos Royalties, antecipada por este blog no post abaixo, a vereadora Odisséia Carvalho acabou de divulgar uma nota oficial (aqui) em seu blog, o “Nós mulheres”, também hospedado no site da Folha. Vamos a ela:

 

NOTA OFICIAL DO GABINETE DA VEREADORA ODISSÉIA CARVALHO DO PT.

Por odisseia, em 10-03-2010 – 15h55

Na iminência de perdermos significativa quantia dos royalties, que causaram extremo sacrifício a nossa comunidade, o Gabinete da Vereadora Odisséia do PT, comunica a todos e todas que recorrerá a todos os meios políticos e jurídicos para que se instale na Câmara Municipal de Campos dos Goytacazes, uma Comissão Parlamentar de Inquérito, CPI, para apurar as denúncias de que esses recursos foram desperdiçados ao longo de 20 anos.

É fato determinado que essa cidade possui um dos piores índices de IDH do Estado e do País, e o fato de haver milhares de famílias inscritas em programas de renda mínima, tanto municipais(cheque-cidadão), quanto federais(bolsa-família)é prova irrecusável de que o dinheiro(mais de 6 bilhões de reais, nos últimos 10 anos), não prestou ao fim o qual deveria se destinar, o bem da população, principalmente, os mais carentes.

É fato determinado que a municipalidade não desenvolveu ou incentivou, como todo esse dinheiro, a criação de empregos, ou alternativas sustentáveis de desenvolvimento, limitando-se a entregar esse dinheiro a fundo perdido em aventuras empresariais como fábricas de fraldas e macarrão, dentre outras, que nunca reverteram em tributos e em postos de trabalho, os milhões ali alocados.

É fato determinado que as mesmas empresas denunciadas nos esquemas da Campos Luz, Fundação da Infância e Juventude e Fundação Zumbi, continuam a contratar com o poder público municipal, ainda que pesem suspeitas das licitações que participaram, o que configura por si só, um ato de que põe em risco o erário.

É fato determinado que até hoje, com quase um ano de funcionamento, a sociedade não saiba quantos milhões são repassados às empresas de transporte coletivo, no programa Cartão Cidadão.

É fato determinado que o atendimento de saúde não é condizente com uma cidade que tem orçamento aproximado de 1.4bilhão de reais.

É fato determinado que a terceirização da merenda, com o valor por aluno dez vezes superior ao que era destinado  a alimentação, que inclusive foi premiada, nacionalmente, é um indício de que os recursos estão a serviço de alimentar outros interesses.

O que precisamos, então, determinar, é quem, onde, quando e por que, recebemos bilhões, e vivemos de esmolas.

Conclamamos a sociedade civil organizada, sindicatos, associações de moradors, universitários, estudantes secundaristas, conselhos de classe, e todos os que desejam romper de uma vez com os laços do atraso e do passado.

A CPI é o instrumento onde podemos sacudir as entranhas deste “monstro devorador de verbas públicas” que se tornou as nossas administrações,demonstrando total irresponsabilidade com o dinheiro público.

Temos a responsabilidade e o dever de lutar pela transparência do uso desses recursos,sabermos como e onde estão sendo aplicados.
Quem não luta por seus direitos, vive à espera de favores.

Odisséia Carvalho,

Vereadora do PT/Campos dos Goytacazes

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CPI dos Royalties: 432 mil assinaturas

Mesmo que Marcos Bacellar (PT do B) volte atrás e se solidarize com a imperdoável hesitação de Abdu Neme (PPS), Dante Lucas (PDT) e Jorge Pé no Chão (PT do B), e que Rogério Matoso (PPS) volte de Brasília sem se solidarizar com a exigência popular pela satisfação pública devida da real aplicação dos recursos do petróleo no município, Odisséia Carvalho (PT) vai propor a CPI dos Royalties. Ele apresentará o requerimento na próxima semana, quando também deve acontecer a audiência pública aprovada ontem pela Câmara, para tratar do assunto.

Seis são os vereadores ditos de oposição. Seis são os votos necessários para se instalar uma CPI. Mais de seis são os “fatos determinados” (não “determinantes”, como o blog disse ontem) exigidos pelo art. 32 da Lei Orgânica de Campos, nítidos às retinas de oposição e situação, para se instalar a CPI sobre a aplicação dos recursos do petróleo nesta e em outras gestões municipais.

Dentro dessa matemática, mesmo que Odisséia não consiga na Câmara outra assinatura à CPI, além da sua, não estará sozinha. Para saber onde foram e continuam sendo aplicados os bilionários recursos dos royalties, com retorno ao município invisível a quem tem olhos de ver, assinam juntos cerca de 432 mil campistas.

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Abdu, Dante e Pé no Chão: A oposição que não quer CPI

Oposição que não quer saber onde e como é gasto o dinheiro dos royalties: Abdu Neme, Jorge Pé no Chão e Dante Pinto Lucas (fotos de Antonio Cruz, divulgação e Rodrigo Silveira)
Oposição que não quer saber onde e como é gasto o dinheiro dos royalties: Abdu Neme, Jorge Pé no Chão e Dante Pinto Lucas (fotos de Antonio Cruz, divulgação e Rodrigo Silveira)

 

Adbu Neme (PSB), Dante Pinto Lucas (PDT) e Jorge Pé no Chão (PT do B). Estes foram os três vereadores que, mesmo se dizendo de oposição, se negaram a apoiar a criação da CPI dos Royalties na Câmara. Proposta pela vereadora petista Odisséia Carvalho e exigida pela esmagadora maioria da população de Campos, para finalmente se saber onde e como este e outros governos municipais aplicaram e aplicam os recursos do petróleo, o requerimento da CPI contou com o apoio apenas do vereador Marcos Bacellar (PT do B).

Sem a presença de Rogério Matoso (PPS), que estava em Brasília, levando a questão dos royalties ao Supremo Tribunal Federal (STF), e com a estranha vacilação de Abdu, Dante e Pé no Chão, Odisséia foi obrigada a se contentar com o requerimento de uma audiência pública, aprovado, mas ainda sem data. O “prêmio de consolo” da audiência foi decidido um pouco antes antes da sessão de ontem, numa reunião da bancada de “oposição”, noticiada com exclusividade pelo blog (aqui).

Marcada inicialmente para hoje, a nova reunião da “oposição” foi adiada para a tarde da próxima sexta, dia 12, visando aguardar a chegada de Matoso, que ficou em Brasília para acompanhar hoje a votação da proposta de emenda constitucional para partilha dos royalties, na Câmara Federal.

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Câmara: royalties e IPTU a meia bomba

Anunciada na edição da Folha do último sábado e mesmo com uma oposição com número de votos suficiente para aprová-la, a proposta de CPI que Odisséia para saber onde são gastos os royalties em Campos, acabou se tornando um pedido de audiência pública ainda sem data (foto de Antonio Cruz)
Anunciada na edição da Folha do último sábado e mesmo com uma oposição com número de votos suficiente para aprová-la, a proposta de CPI que Odisséia para saber onde são gastos os royalties em Campos, acabou se tornando um pedido de audiência pública ainda sem data (foto de Antonio Cruz)

 

Com o perdão ao leitor Luís Fernando, acabou de acabar a sessão na Câmara de Campos. Noves fora as esperadas acusações de Marcos Bacellar (PT do B) contra o promotor Leandro Manhães, que já ganharam o contorno de uma briga pessoal de parte a parte, a temperatura foi muito aquém do esperado.

Quanto aos royalties, no lugar do requerimento de CPI para investigar onde e como são aplicados os recursos do petróleo, Odisséia Carvalho (PT) e Abdu Neme (PSB) fizeram o pedido de uma audiência pública para tratar da questão, com técnicos da Petrobras, do governo municipal e representantes da sociedade civil organizada. Sobre o IPTU, o novo texto está sobre análise do departamento jurídico da Câmara, mas Odisséia adiantou que se parece muito com o texto proposto e aprovado em 2008, com exercício em 2009.

Como são necessários seis assinaturas para se aprovar uma CPI, exatamente o número de vereadores ditos de oposição, parece que estes vão deixar de passar uma chance histórica de se passar a limpo a real aplicação dos royalties no município. Aliado e médico do ex-governador Garotinho nos tempos que este não era ex, Abdu chegou a dizer que não cabe CPI, porque não haveria nenhum “fato determinante” para sua instalação. Numa cidade em que a Folha previamente anuncia a Odebrecht como vencedora de uma licitação de 318 milhões para construção de casas populares, depois repartida com a uma empreiteira local dos amigos da prefeita; em meio a todo esse clamor popular pela satisfação devida da aplicação dos royalties e diante da possibilidade de perdê-los, entre outros motivos, pela orgia com dinheiro público em municípios pouco responsáveis; realmente fica difícil saber o que os vereadores de oposição consideram um fato determinante. De qualquer maneira, eles se reunem novamente, amanhã à tarde, para debater a questão…

Quanto ao IPTU, bem, esperemos que o corpo jurídico da Câmara, após ignorar solenemente a inconstitucionalidade óbvia da última proposta, dessa vez faça o dever de casa direito.

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Royalties: detalhes do acordo Lula-Cabral

Hoje, em Itaocara, entre o o vice Pezão, o secretário de Agricultura Cristino Áureo e mais de 15 prefeitos fluminenses que foram dar apoio à sua reeleição, o governador Sergio Cabral demonstrou tranquilidade em relação aos royalties (foto de Ricardo Avelino)
Hoje, em Itaocara, entre o o vice Pezão, o secretário de Agricultura Cristino Áureo e mais de 15 prefeitos fluminenses que foram dar apoio à sua reeleição, o governador Sergio Cabral demonstrou tranquilidade em relação aos royalties (foto de Ricardo Avelino)

 

Se valer o acordo do governador Sergio Cabral com o presidente Lula, o estado do Rio e os municípios produtores vão manter os royalties das jazidas de petróleo já exploradas na Bacia de Campos, deixando a divisão só para o pré-sal. Para honrar esse acordo, se a Câmara aprovar amanhã a emenda constitucional pela partilha integral dos royalties, proposta pelos deputados Ibsen Pinheiro (PMDB/RS) e Saulo Queiroz (PPS/WG), Lula teria que vetar. Caso o presidente não vete ou a Câmara derrube seu veto, Cabral recorrerá ao Supremo Tribunal Federal (STF), não mais para garantir apenas os royalties atuais para o estado do Rio, mas em busca também do pré-sal.

Hoje, em Itaocara, onde inaugurou a segunda fase do projeto Rio Rural e recebeu apoio de mais de 15 prefeitos fluminenses à sua reelição, o governador reafirmou várias vezes que acredita na palavra de Lula. Ou seja: se a Câmara aprovar a proposta de emenda, sofrerá o veto presidencial. No caso da derrubada do veto, a briga sairá do discurso dos políticos e partirá para a interpretação da letra da Constituição, pelos ministros do STF. E não mais pelos royalties já pagos, mas pelo bolo que será distribuído ainda por várias décadas.

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Royalties: Cabral tem acordo com Lula

Sergio Cabral está tranquilo em relação à manutenção dos royalties aos estados e municípios produtores. Foi isso que o governador garantiu agora há pouco ao Renato Wanderley, jornalista da Folha, durante entrevista em Itaocara, no lançamento da segunda fase do projeto Rio Rural naquele município. Cabral revelou ter um acordo com o presidente Lula, a quem acompanhou ontem em diversos eventos na cidade do Rio, garantindo que a partilha dos royalties proposta pelo deputado federal Ibsen Pinheiro (PMDB/RS) se dará apenas nas novas jazidas de petróleo do pré-sal.

É esperar para ver, muito embora a segurança do governador sirva para aliviar um pouco as tensões da região.

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Engolir sapos — Arte que dá voltas…

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Há que se elogiar o compromisso de Rosinha não só como prefeita de Campos, mas sobretudo como presidente da Organização dos Municípios Produtores de Petróleo (Ompetro), por ter engolido seu orgulho e vaidade pessoais ao falar com Lula sobre royalties, ontem, na Leopoldina, por intermédio de Sergio Cabral. É que apenas algumas horas antes, o presidente e o governador desceram a lenha, publicamente, nas administrações estaduais do casal Garotinho, durante comício de inauguração de obras do PAC (aqui).

Deve ser mais ou menos o que sentiu o secretário municipal de Finanças, Marcos Esqueff, ao ser publicamente desautorizado pela prefeita Rosinha, numa entrevista coletiva, em 29 de janeiro, quando ela voltou atrás na cobrança do IPTU abusivo e ilegal que sua administração queria impor sobre Campos (aqui). Naquela oportunidade, Esqueff também aguentou calado e continuou no governo, assim como Rosinha, ontem, continou pacientemente esperando a chance de falar com Lula.

Como se vê, além de necessária ao desempenho da função pública, engolir sapos é uma arte que também dá voltas…

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CPI dos Royalties é questão de tempo…

Em relação à CPI dos Royalties que Odisséia quer propor, são necessárias seis assinaturas, exatamente o número de vereadores da bancada de oposição. Como um deles, Rogério Matoso, está em Brasília, seria necessário esperar o retorno do vereador do PPS para aprovar a CPI, muito embora sua necessidade deva dominar hoje os debates no plenário da Câmara Municipal, na sessão que se inicia daqui a pouco, a partir das 18h.

A discussão deve ser quente, até porque Rosinha já se posicionou publicamente contrária à CPI, no último sábado, em programa de rádio. Muito embora a postura da prefeita seja estranha, até porque a investigação teria como alvo o destino dado aos royalties pelas administrações municipais passadas, a aprovação da CPI deve ser mera questão de tempo, seja pela pressão da sociedade, seja porque parece já ter, de antemão, o número de assinaturas necessário para ser instalada.

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