Quaest: Lula se recupera e Flávio bate teto antes de Vorcaro

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Em 28 de abril, com base nos números das pesquisas presidenciais Atlas e Nexus (confira aqui) daquele fim do mês passado, a Folha perguntou: “Flávio Bolsonaro (PL) bateu teto nas intenções de voto contra Lula (PT)?”. Segundo a pesquisa Quaest de maio parece mostrar não só que Flávio bateu teto, como a recuperação de Lula.

Quaest antes de Vorcaro — Feita entre 8 e 11 de maio, a nova pesquisa Quaest foi divulgada (confira aqui) na manhã da última quarta-feira (13). Na tarde do mesmo dia, o site Intercept divulgou áudio e mensagens de texto (confira aqui) entre Flávio e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro de 16 de novembro de 2025, um dia antes da prisão do segundo pela Polícia Federal (PF), quando tentava fugir do país.

Dinheiro para o filme de Bolsonaro — “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”, escreveu Flávio em mensagem a Vorcaro. Que se comprometeu a repassar US$ 24 milhões (R$ 134 milhões à época), para a produção do filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Efeitos só nas próximas pesquisas — Negado inicialmente, o pedido de dinheiro ao dono do liquidado Banco Master para o filme foi depois admitido por Flávio. E caiu como uma bomba em sua pré-campanha a presidente. Cujos efeitos reais no eleitor, sobretudo de centro (33% do eleitorado) e da direita não bolsonarista (21%), só serão conhecidos nas próximas pesquisas.

Lula  42% a 41% Flávio no segundo turno — Antes da revelação do fato e da medição dos seus efeitos nas próximas sondagens, após ser passado numericamente por Flávio em abril (confira aqui), Lula já tinha surgido na pesquisa Quaest de maio à frente de um provável segundo turno: 42% do petista a 41%.

Lula oscila para cima e Flávio para baixo — Na série Quaest, Lula oscilou 2 pontos para cima sobre os 40% que tinha em abril, na simulação de segundo turno contra Flávio. Que oscilou 1 ponto para baixo, em relação aos 42% que tinha abril. O fato é que, antes da revelação das mensagens com Vorcaro, Flávio e Lula estavam e se mantiveram em empate técnico entre abril e maio.

Lula 3 cresce 3 pontos em aprovação — Dentro da margem de erro de 2 pontos para mais ou menos da Quaest, os movimentos eleitorais são reflexo de outros. Fora da margem de erro, o governo Lula teve queda real de 3 pontos na desaprovação: dos 52% de abril aos 49% de maio. E sua aprovação cresceu os mesmos 3 pontos no mesmo período: de 43% aos atuais 46%.

Empate técnico entre desaprovação e aprovação — Hoje, a exatos 4 meses e 19 dias da urna de 4 de outubro, o Lula 3 tem um empate técnico entre desaprovação (49%) e aprovação (46%). Não é ideal para uma reeleição, mas os 3 pontos de diferença atuais são menos preocupantes que os 9 pontos a mais de desaprovação (52% a 43%) ao atual Governo Federal em abril.

De onde veio a recuperação de Lula? — Antes da revelação das mensagens e áudios trocados entre Flávio e Vorcaro, de onde veio essa recuperação de popularidade de Lula? Segundo a Quaest de maio, veio da expectativa pelo programa federal Desenrola 2.0, para uso de saldo do FGTS na quitação de dívidas, da redução da maioria dos que acha que o preço dos alimentos subiu e de um cabo eleitoral improvável à esquerda brasileira: Donald Trump.

Desenrola 2.0: boa ideia para 50% — Na Quaest, a maioria de 57% dos brasileiros já ouviu falar do Desenrola 2.0, contra 43% que não. São 50% os que acham o programa federal uma boa ideia, enquanto 22% acham que ajuda um pouco, mas não resolve o problema das dívidas, e outros 23% que acham uma má ideia, porque estimula as pessoas a se endividar de novo.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Proibir apostas online ao benefício é certo para 79% — Em outra pergunta da Quaest, 38% dos eleitores acham que o Desenrola 2.0 vai ajudar muito a tirar as pessoas das dívidas, com 27% achando que vai ajudar pouco e 33% que não vai ajudar. À pergunta se acha certo proibir apostas online a quem aderir ao programa, uma maioria expressiva de 79% acha que sim, com apenas 16% contra.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Preço dos alimentos: cai a maioria que acha que subiu — A maioria também expressiva dos brasileiros ainda acha que o preço dos alimentos subiu em relação ao último mês: hoje, são 69%. Mas caíram 3 pontos em relação aos 71% que tinham a mesma percepção em abril.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Preço dos alimentos = aprovação de governo — Foram os mesmos 3 pontos de crescimento nos que acham que o preço dos alimentos ficou igual: de 18% em abril a 21% de maio. Esses 3 pontos para baixo e para cima na sensação sobre o preço dos alimentos se repetiram de maneira exata na queda de reprovação e crescimento da aprovação ao Lula 3.

Trump volta a ser cabo eleitoral de Lula — Por fim, Trump. Após ter sido cabo eleitoral de Lula entre julho e outubro de 2025, ao ameaçar o Brasil com tarifaço se Bolsonaro fosse condenado por tentativa de golpe de Estado, mas recuando após a condenação no Supremo Tribunal Federal (STF) em 11 de setembro daquele ano, o presidente dos EUA ajuda novamente o petista em 2026.

A 43%, Lula sai mais forte do encontro com Trump — Perguntados pela Quaest se sabem do encontro entre Lula e Trump, na Casa Branca, em 7 de maio, outra expressiva maioria dos brasileiros respondeu que sim: 70%. Os que não sabiam eram 30%. Em outra pergunta, 43% acham que Lula saiu mais forte do encontro. Só 26% acham que o petista saiu mais fraco e outros 13% que saiu igual.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

A 60%, Lula e Trump foi bom para o Brasil — Em outra pergunta da pesquisa Quaest, a maioria de 60% acha que o encontro entre Lula e Trump foi bom para o Brasil. Só 18% acham que foi ruim, com 10% achando que não foi bom nem ruim.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

A 56%, relação do Brasil deve ser de aliado dos EUA — Na Quaest de maio, outra maioria de 56% dos brasileiros acha que a relação do presidente do Brasil com o dos EUA deveria ser de aliado. São 13 pontos a mais, após o encontro, que os 43% que achavam isso em abril. Os que acham que a posição deveria ser independente são 29%, 11 pontos a menos que os 40% que achavam isso em abril.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Resumo da ópera Lula e Trump — Os que acham que a posição do presidente do Brasil deveria ser opositor ao dos EUA são só 6%, 3 pontos a menos que os 9% que achavam o mesmo na Quaest de abril. Em resumo, a maioria dos brasileiros soube do encontro, acha que Lula saiu mais forte dele, que foi bom para o Brasil e que o petista tem relação de aliado com Trump.

Lula à frente dos demais no segundo turno — Com esses três fatores ao seu favor, expectativa pelo Desenrola 2.0, percepção do preço dos alimentos e o encontro com Trump, Lula ficou à frente, fora da margem de erro, dos demais possíveis adversários em um segundo turno. No qual o petista liderou por 44% a 37% (7 pontos à frente) de Romeu Zema (Novo), 44% a 35% (9 pontos à frente) de Ronaldo Caiado (PSD) e 45% a 28% (17 pontos à frente) de Renan Santos.

Lula à frente ao primeiro turno — Lula também liderou, fora da margem de erro, as consultas espontânea e estimulada ao primeiro turno. Na estimulada, com apresentação dos nomes dos candidatos, o petista tem 39% das intenções de voto, contra 33% de Flávio (6 pontos atrás). Ambos seguidos por Zema e Caiado, 4% cada, e Renan, com 2%, estes três em empate técnico.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Lula cresce na espontânea o que ganhou em aprovação — Houve oscilação para cima de Lula (37% a 39%, 2 pontos) e Flávio (32% a 33%, 1 ponto) na estimulada ao primeiro turno. Mas foi na espontânea, onde o eleitor fala da própria cabeça em quem vai votar e revela intenção consolidada, que o petista foi de 19% em abril a 22% em maio. Cresceu os mesmos 3 pontos que ganhou em aprovação de governo e da queda na maioria que acha que o preço dos alimentos subiu.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Flávio e Lula lideram rejeição — Índice negativo fundamental à definição do segundo turno, por fixar o teto de crescimento dos dois candidatos que passam pelo primeiro turno, a rejeição passou a ser liderada numericamente — mesmo antes da revelação das suas mensagens pedindo dinheiro a Vorcaro — por Flávio: 54% dos brasileiros que o conhecem, não votariam nele. Ficou em empate técnico com Lula, só 1 ponto atrás: 53% de rejeição.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Em queda, 55% ainda acham que Lula não merece reeleição — Numa disputa entre rejeições tão altas, como foi em 2022, há maioria nos 55% que, na Quaest de maio de 2026, acham que Lula não merece mais 4 anos como presidente. Mas são 4 pontos a menos do que os 59% que achavam isso em abril. Os que acham que o petista merece ser reeleito, hoje, são 41%. Em relação aos 38% que achavam isso em abril, é um crescimento dos mesmos 3 pontos ganhos na aprovação de governo.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Empate técnico no medo que geram Bolsonaro e Lula — Divulgada horas antes das mensagens entre Flávio e Vorcaro, a Quaest perguntou ao eleitor o que dá mais medo entre Lula ou Bolsonaro: 44% ficaram com a segunda opção. É outro empate técnico, só 2 pontos acima dos 42% que temem mais o petista.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Dados da pesquisa — A Quaest ouviu presencialmente 2.004 eleitores entre 8 e 11 de maio, com margem de erro de 2 pontos para mais ou menos na pesquisa. Que foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-03598/2026.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Governo Frederico, STF na política e eleições no Folha no Ar desta 6ª

 

(Arte: Hevertton Luna)

 

Advogado, ex-procurador-geral de Campos no governo Wladimir Garotinho (PL) e chefe de gabinete do prefeito Frederico Paes (MDB), Matheus José é o convidado para encerrar a semana do Folha no Ar nesta sexta (15), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3.

Com sua perspectiva de dentro da administração, ele avaliará o primeiro mês do governo Frederico em Campos e falará dos seus principais desafios até 2029.

Como jurista, Matheus também avaliará como as decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), que tem ministros com suspeita (confira aqui, aqui e aqui) de envolvimento pecuniário com o liquidado Banco Master, tem interferido diretamente na política nacional (confira aqui e aqui) e estadual (confira aqui, aqui e aqui).

Por fim, com base nas pesquisas e fatos (confira aqui) mais recentes, ele tentará projetar as eleições a presidente da República (confira aqui, aqui, aqui e aqui), governador (confira aqui) e senadores (confira aqui) do RJ, além de deputados federais e estaduais de Campos e região.

Quem quiser participar do Folha no Ar desta sexta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook e no YouTube.

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Quaest: Flávio bate teto e Lula tem recuperação de abril a maio

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Em 28 de abril, com base nos números das pesquisas presidenciais Atlas e Nexus daquele fim do mês passado, a Folha perguntou (confira aqui): “Flávio Bolsonaro (PL) bateu teto nas intenções de voto contra Lula (PT)?”. Segundo a pesquisa Quaest de maio divulgada hoje (13) parece mostrar não só que Flávio bateu teto, como a recuperação de Lula.

Segundo turno: Lula oscila para cima e Flávio para baixo — Na série Quaest, após ser passado numericamente por Flávio em abril (confira aqui), Lula surge em maio à frente de um provável segundo turno: 42% do petista a 41%. O primeiro oscilou 2 pontos para cima, sobre os 40% que tinha em abril, enquanto Flávio oscilou 1 ponto para baixo, dos 42% de abril. Os dois estavam e se mantêm em empate técnico.

Cai reprovação e cresce aprovação ao Lula 3 — Dentro da margem de erro de 2 pontos para mais ou menos da Quaest, os movimentos eleitorais são reflexo de outros. Fora da margem de erro, o governo Lula teve queda real de 3 pontos na desaprovação: dos 52% de abril aos 49% de maio. E sua aprovação cresceu os mesmos 3 pontos no mesmo período: de 43% aos atuais 46%.

Empate técnico entre desaprovação e aprovação — Hoje, a exatos 4 meses e 22 dias da urna de 4 de outubro, o Lula 3 tem um empate técnico entre desaprovação (49%) e aprovação (46%). Pode não ser o ideal para uma reeleição, mas os 3 pontos de diferença atuais são menos preocupantes que os 9 pontos a mais de desaprovação (52% a 43%) ao atual Governo Federal em abril.

Lula à frente dos demais no segundo turno — Lula ficou à frente, fora da margem de erro, dos demais possíveis adversários testados em um segundo turno. No qual o petista liderou por 44% a 37% (7 pontos à frente) de Romeu Zema (Novo), 44% a 35% (9 pontos à frente) de Ronaldo Caiado (PSD) e 45% a 28% (17 pontos à frente) de Renan Santos.

Estimulada ao primeiro turno — Lula também liderou, fora da margem de erro, as consultas espontânea e estimulada ao primeiro turno. Na estimulada, com apresentação dos nomes dos candidatos, o petista tem 39% das intenções de voto, contra 33% de Flávio (6 pontos atrás). Ambos seguidos por Zema e Caiado, 4% cada, e Renan, com 2%, estes três em empate técnico.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Lula cresce na espontânea — Houve oscilação para cima de Lula (37% a 39%, 2 pontos) e Flávio (32% a 33%, 1 ponto) na estimulada ao primeiro turno. Mas foi na espontânea, onde o eleitor fala da própria cabeça em quem vai votar e revela a intenção de voto consolidada, que o petista teve crescimento real: 3 pontos dos 19% de abril aos 22% de maio.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Flávio e Lula lideram rejeição — Índice negativo considerado fundamental à definição do segundo turno, por fixar o teto de crescimento dos dois candidatos que passam pelo primeiro turno, a rejeição passou a ser liderada numericamente por Flávio: 54% dos brasileiros que o conhecem, não votariam nele. Ficou em empate técnico com Lula, só 1 ponto atrás: 53% de rejeição.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Dados da pesquisa — A Quaest ouviu presencialmente 2.004 eleitores entre 8 e 11 de maio, com margem de erro de 2 pontos para mais ou menos na pesquisa. Que foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-03598/2026.

William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE

Análise do especialista — “A Quaest de maio de 2026 mostra o retorno da liderança numérica de Lula sobre Flávio no segundo turno, que permanecem tecnicamente empatados dentro da margem de erro. Flávio tinha 2 pontos de vantagem em abril. Ainda no segundo turno, Lula abre 7 pontos de vantagem para Zema, 9 pontos de vantagem para Caiado e 17 pontos para Renan Santos. Outra novidade da pesquisa de maio é que a rejeição de Flávio está 1 ponto acima da de Lula, que estava estava 3 pontos acima da rejeição de Flávio em abril. A aprovação ao governo Lula subiu 3 pontos com a desaprovação caindo 3 pontos na comparação com a pesquisa do mês passado”, resumiu William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística na IBGE.

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Douglas Ruas herda plano de Bacellar a governador barrado no STF

 

O presidente da Alerj, Douglas Ruas, o ex Rodrigo Bacellar, ministro do STF Alexandre de Moraes e o ex-governador Cláudio Castro (Montagem: Joseli Matias)

 

Grande vantagem de Paes

Na última pesquisa a governador do final de abril, do instituto Quaest, em seus três cenários estimulados ao primeiro turno, Eduardo Paes variou (confira aqui) de 34% a 40% nas intenções de voto. Já Douglas Ruas variou de 9 a 11%, 25 a 30 pontos atrás. No segundo turno, Paes bateria o adversário por 49% a 16%, 33 pontos de vantagem.

 

Ruas herda plano de Bacellar

Ruas tenta herdar o plano arquitetado (confira aqui) pelo ex-presidente da Alerj Rodrigo Bacellar (União) para disputar contra Paes a governador. Após Thiago Pampolha (MDB) trocar o cargo de vice-governador pelo de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE), o presidente da Alerj assumiria como governador para concorrer ao cargo na cadeira.

 

Com Bacellar, plano faz água

Com Bacellar, o plano começou a fazer água quando ele assumiu interinamente como governador e exonerou (confira aqui) o ex-prefeito bolsonarista de Duque de Caxias Washington Reis (MDB) da secretaria estadual de Transportes. E com isso, melou o acordo pelo apoio dos Bolsonaro (confira aqui) para ter chance na eleição a governador contra Paes.

 

Naufrágio com Unha e Carne no STF

O naufrágio de Bacellar viria com a Operação Unha e Carne, quando ele foi preso pela primeira vez (confira aqui), solto pela Alerj, e preso novamente na terceira fase da operação. Tudo no âmbito do STF, sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental 635, a ADPF das Favelas.

 

Moraes e Dino x bolsonarismo

Com ministros do STF agindo de politicamente com cada vez menos constrangimento, Moraes é próximo, na Corte e sua Primeira Turma, de Dino; que sempre foi aliado de Lula. Com os dois ministros trabalhando para manter Couto governador, trabalham também eleitoralmente (confira aqui) contra o bolsonarismo em níveis estadual e nacional.

 

Mortes multiplicam votos?

Diferente de Bacellar após exonerar Reis, Ruas tem o apoio dos Bolsonaro. O que ainda pode fazer com que cresça nas pesquisas. Mas, sem sentar na cadeira de governador até outubro, não poderá fazer (confira aqui) operações policiais como a das comunidades do Alemão e Penha, em outubro de 2025, que matou 122 e fez Castro decolar (confira aqui) nas pesquisas.

 

Popularidade de Castro minada

As exonerações de apadrinhados do grupo de Castro e da Alerj na máquina estadual podem ser uma medida popular de saneamento. Como, junto com a renúncia do próprio Castro na véspera (confira aqui) de ser cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pelo escândalo Ceperj, têm minado a popularidade do ex-governador nas pesquisas (confira aqui) a senador.

 

Contradições dos magistrados

Mas é relevante saber que o Couto hoje saneador como governador interino e até ontem presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Rio (TJRJ), quase dobrou os gastos deste em (confira aqui) pagamento de benefícios. De R$ 490,7 milhões em 2024 a R$ 879,9 milhões em 2025 com “penduricalhos”. Que, no STF, são combatidos por… Flávio Dino.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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STF manterá Couto governador até outubro por Lula e Paes?

 

 

Ministro de STF Flávio Dino, desembargador e governador interino Ricardo Couto, Lula e Eduardo Paes (Montagem: Joseli Matias)

 

STF mantém Couto governador

No último dia 15, o blog projetou (confira aqui): “Uma intervenção do Supremo Tribunal Federal (STF) no sentido de manter o desembargador Ricardo Couto governador do estado do Rio de Janeiro até as eleições diretas ao cargo em outubro”. Passado quase um mês, nada indica que a projeção vá se alterar nos quatro meses e 22 dias até a urna.

 

Beneficiários: Lula e Paes

A manutenção de Couto, que passou a ser bem vista pela população pelas quase duas mil exonerações que promoveu (confira aqui, aqui e aqui) na máquina estadual, tem dois beneficiários políticos: o presidente Lula (PT), pré-candidato à reeleição; e seu aliado e ex-prefeito carioca Eduardo Paes (PSD), pré-candidato a governador.

 

Lula apertado, Paes folgado

Em todas as pesquisas até aqui, as situações presentes de Lula e Paes são diferentes. O petista aparece em empate técnico com Flávio Bolsonaro (PL) num provável segundo turno (confira aqui, aqui e aqui) em todos os levantamentos. Já o ex-prefeito lidera com folga todas as pesquisas estaduais, com possibilidade de se eleger (confira aqui) em turno único a governador.

 

Como Paes pode expor Lula?

Se tivesse sua vantagem na corrida a governador encurtada pelo deputado estadual bolsonarista Douglas Ruas (PL), Paes tenderia a esconder o apoio a Lula. Que precisa encurtar a vantagem que os Bolsonaro tiveram sobre ele no RJ de 2022, para tentar compensar um encolhimento do PT no Nordeste e vencer a disputa nacional em 2026.

 

Vantagem dos Bolsonaro no RJ

No segundo turno presidencial de 2022, Jair Bolsonaro (PL) perdeu nacionalmente por apenas 1,8 ponto para Lula. Mas o venceu no RJ por 13,06 pontos: 56,53% a 43,47% dos votos válidos. Na pesquisa Quaest de abril, a vantagem se mantém (confira aqui) em 2026: Flávio tem hoje 45% de intenção no RJ, os mesmos 13 pontos à frente dos 32% de Lula.

 

Ruas fora do governo por vista de Dino

Couto é mantido governador, a despeito de Ruas ter sido eleito presidente da Alerj (confira aqui) e entrado na linha sucessória para concorrer a governador no cargo após a renúncia de Cláudio Castro (PL), por um pedido de vista no STF (confira aqui) do ministro Flávio Dino. Que era ministro da Justiça de Lula antes de ser indicado por ele ministro do STF.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Cinema sem som e com luz acesa em sala no Partage

 

Cine Araújo do Partage Campos (Foto: Divulgação)

 

É precário o preparo de pessoal do Cine Araújo no Partage Shopping. Na sessão das 13h20 de “Zico, o samurai de Quintino”, dirigido por João Wainer, primeiro começaram a exibir os trailers no último sábado (9) sem som. E, depois, a exibir o filme com as luzes acesas. As falhas sucessivas só foram sanadas após reclamações dos clientes.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Lideranças e cinema negros e eleições no Folha no Ar desta 4ª

 

(Arte: Joseli Matias)

 

Antropóloga, socióloga, professora da UFF, diretora e roteirista de curtas-metragens e militante do movimento negro, Luane Bento dos Santos é a convidada do Folha no Ar desta quarta-feira (13), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3.

Ela falará das “Trajetórias de Vidas e Lutas das Lideranças Negras de Campos dos Goytacazes” como projeto de iniciação científica que coordena na UFF. E do projeto de extensão desta nas escolas públicas de Campos, usando o cinema negro brasileiro para falar de intolerância e liberdade religiosa, além da sua própria experiência como diretora e roteirista dos curtas-metragens “Memórias Trançadas” (confira aqui) e “Manifesto Omolu” (confira aqui).

Por fim, com base nas pesquisas mais recentes, Luane dará suas impressões das eleições de outubro a presidente da República (confira aqui, aqui, aqui e aqui), governador (confira aqui), senadores (confira aqui) e deputados federal e estadual do RJ.

Quem quiser participar do Folha no Ar desta quarta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook e no YouTube.

 

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Prefeito Frederico recebe PT de Campos e Sindipetro NF

 

Tezeu Bezerra, Guilherme Cordeiro, Frederico Paes, Sergio Borges e Danilo Dutra, em reunião na tarde de hoje, no gabinete do prefeito (Foto: Divulgação)

Uma reunião da tarde de hoje aproximou o governo municipal Frederico Paes (MDB) e o PT de Campos. Com o prefeito, se reuniram o presidente municipal da legenda Danilo Dutra, e os petroleiros Sergio Borges, Tezeu Bezerra e Guilherme Cordeiro, respectivamente, coordenador geral, diretor financeiro e diretor administrativo do Sindipetro NF, todos também petistas.

Na conversa, foram elencadas possibilidades de parceria. Como a assistência aos assentados rurais do município pela secretaria de Agricultura de Campos e uma parceria técnica entre o Sindipetro NF e a Ompetro (Organização dos Municípios Produtores de Petróleo e Gás Natural da Bacia de Campos), do qual Frederico também é presidente.

Os petistas também indagaram sobre a liberação dos seus secretários e subsecretários à campanha presidencial de outubro, polarizada em todas as pesquisas entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), que cada um apoiar pessoalmente. E tiveram sinal verdade de Frederico. Ele lembrou que há petistas e bolsonaristas fervorosos em sua equipe de governo. E que todos poderão apoiar quem quiserem a presidente.

Por fim, Tezeu também lembrou sobre a adequação do município à possível aprovação do Projeto de Lei Complementar nº 185/2024, que regulamenta a aposentadoria especial dos agentes comunitários de saúde e de combate às endemias. A proposta garante aposentadoria com salário integral e reajustes iguais aos da ativa aos agentes que cumprirem requisitos mínimos de idade e tempo de serviço. Frederico ficou de colocar seu chefe de gabinete, o ex-procurador Matheus José, para estudar o caso.

 

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Lula em empate técnico no 2º turno com Flávio, Ciro, Caiado e Zema

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Primeira pesquisa presidencial após o Senado recusar no dia 29 (confira aqui) o nome de Jorge Messias, feita por Lula (PT), ao Supremo Tribunal Federal (STF), o Real Time Big Data trouxe hoje a primeira pesquisa presidencial de maio, a menos de 5 meses da urna de 4 de outubro. Numericamente atrás de Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno, mas na margem de erro, Lula hoje teria empate técnico com outros três nomes: o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) e os ex-governadores Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo).

Segundo turno: Flávio 44% a 43% Lula —  Hoje, a exatos 5 meses e 20 dias da urna do segundo turno, de 25 de outubro, na sua simulação pela Big Data, Flávio teve 44% contra 43% do atual presidente. A vantagem de 1 ponto do filho 01 do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) está na margem de erro da pesquisa, de 2 pontos percentuais para mais ou menos.

Flávio cresce, Lula oscila — Na comparação da série Big Data, após a recusa da indicação de Lula ao STF no Senado, o senador Flávio teve crescimento real (acima da margem de erro) de 3 pontos sobre os 41% que tinha em março em um segundo turno contra Lula. Este, por sua vez, oscilou (dentro da margem) 1 ponto para cima dos 42% que tinha há dois meses.

Lula 43% a 43% Ciro — Atrás numericamente de Flávio no segundo turno, Lula teve na simulação deste um empate exato com Ciro Gomes: 43% a 43%. Mesmo lançado a presidente pelo PSDB, Ciro, no entanto, lidera as pesquisas para tentar voltar a ser governador do Ceará.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Lula em empate técnico no segundo turno também com Caiado e Zema — Na mesma simulação de segundo turno presidencial, Lula ficou numericamente à frente de Ronaldo Caiado (43% a 42%, 1 ponto de vantagem) e de Romeu Zema (43% a 39%, 4 pontos de vantagem, no limite da margem de erro) em empates técnicos.

Lula, acima da margem de erro no segundo turno, só de Renan —  Nas cinco simulações de segundo turno testadas pela Big Data de maio, Lula só teve superioridade além da margem de erro contra o presidenciável Renan Santos (Missão). A quem o petista bateria por 48% a 24%, 24 pontos de vantagem.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Lula lidera ao primeiro turno — Lula, no entanto, continua liderando, fora da margem de erro, todos os cenários de primeiro turno. Tanto na consulta espontânea, no qual o eleitor fala da própria cabeça em quem vai votar, revelando intenção de voto consolidada, quanto nos dois cenários de consulta estimulada, com a apresentação dos nomes dos possíveis candidatos.

Espontânea — Na espontânea ao primeiro turno da Big Data, Lula teve 31% de intenção de voto consolidada, contra 24% de Flávio, 7 pontos de vantagem. Mas, como Jair Bolsonaro, mesmo preso por tentativa de golpe de Estado, teve 3% de intenção, estes somados naturalmente a Flávio, configurariam outro empate técnico deste com Lula.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Primeiro turno sem Ciro — Nos dois cenários de consulta estimulada ao primeiro turno, sem Ciro, Lula teve 40% de intenção. Foi seguido por Flávio (34%, 6 pontos atrás), Caiado (5%), Zema (4%) e Renan (3%). Os últimos três, em empate técnico.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Primeiro turno com Ciro — No cenário estimulado de primeiro turno com Ciro, Lula caiu dois pontos, ainda na liderança fora da margem de erro, e teve 38% de intenção. Foi seguido por Flávio (33%, 5 pontos atrás), por Ciro, Caiado e Zema (com 4% cada um), e Renan (3%). Os últimos quatro, em empate técnico.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Lula e Flávio lideram também rejeição — Índice considerado fundamental à definição do segundo turno, por limitar o teto de crescimento dos dois candidatos que passam pelo turno inicial, a rejeição é liderada numericamente por Lula, com 44%. Ficou em outro empate técnico com Flávio, com 41% de rejeição, 3 pontos a menos. Em 3º lugar ficou Ciro, com 5% no índice negativo.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Lula 3 desaprovado por 52% dos brasileiros — A dificuldade à reeleição de Lula, antes e depois de o Senado rejeitar sua indicação ao STF, permanece reflexo da desaprovação popular ao seu governo. Que hoje, na Big Data, é desaprovado pela maioria apertada de 52% dos brasileiros, 10 pontos a mais do que a minoria ainda relevante de 42% que aprova. Outros 6% não souberam responder.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Dados da pesquisa — A pesquisa Real Time Big Data ouviu 2.000 eleitores, de todas as regiões do Brasil, entre 2 e 4 de maio. Com margem de erro de 2 pontos para mais ou menos, foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-03627/2026.

William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE

Análise do especialista — “A Real Time Big Data de maio testou dois cenários de primeiro turno e cinco de segundo turno. Ao primeiro turno, Lula lidera por diferença entre 6 e 5 pontos. Já nos cenários de segundo turno, Lula empata tecnicamente com Flávio Bolsonaro, Ciro Gomes, Ronaldo Caiado e Romeu Zema. Já com Renan Santos, tem vantagem de 24 pontos. Ainda nos cenários de segundo turno, Flávio aparece na frente de Lula, com vantagem numérica de 1 ponto. Lula empata numericamente com Ciro Gomes, abre vantagem de 1 ponto sobre Caiado e de 4 pontos sobre Zema. Fator importante na definição do voto no segundo turno, Lula e Flávio também empatam tecnicamente na rejeição, mas Flávio aparece com vantagem de 3 pontos”, resumiu William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE.

 

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Senado encomenda funeral do Lula 4 com Lula 3 ainda vivo

 

Lula e Alcolmbre trocam segredos ao pé do ouvido no tempo ainda recente em que os presidentes da República e do Senado eram aliados políticos

 

Na noite da última quarta-feira (29), Lula (PT) sofreu a maior derrota política dos seus três governos. O Senado presidido por Davi Alcolumbre (União/AP) recusou (confira aqui) a indicação do presidente da República, do seu Advogado-Geral da União (AGU), Jorge Messias, para ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). O que não acontecia no Brasil República desde o séc. 19.

Messias chegou a ter sua indicação ao STF aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, por 16 votos a 11. Mas não foi recebido pelo presidente da Casa, praxe quebrada que anunciava o porvir. No plenário da Câmara Alta da República, a indicação de Lula foi recusada por 42 votos contra, 34 a favor e uma abstenção.

Histórico é um adjetivo muito vulgarizado. Mas classificar como histórico o que aconteceu na noite de quarta, independe de simpatia política. Seu contexto e possibilidade foram antecipados na coluna Ponto Final (confira aqui) em 22 de novembro de 2025; portanto, exatos cinco meses e uma semana antes do fato:

“Em seu auge, nos dois primeiros governos, entre 2003 e 2010, Lula dificilmente cometeria o erro pragmático de perder as duas Casas Legislativas da República. A última vez que o Senado rejeitou uma indicação presidencial ao STF foi em 1894, há 131 anos (132 em 2026), no governo Floriano Peixoto. É um peso histórico relevante. Como Davi Alcolumbre é um relevante contrapeso presente.

Hoje improvável, a rejeição do Senado à indicação de Messias ao STF seria catastrófica a Lula na busca da reeleição (…)

Messias é o ‘Bessias’ que a divulgação da ligação da então presidente Dilma Rousseff (PT) e Lula, para tentar livrar este da Lava Jato, tornou famoso em 2016. O fato de o indicado de hoje ao STF ser tão ‘terrivelmente evangélico’ quanto André Mendonça por Jair Bolsonaro (PL) em 2021, pode ter pragmatismo eleitoral. Se mais ou menos que a pauta do Senado, o tempo dirá (…)

No mundo dos homens, parece prevalecer hoje em Lula o trauma da prisão. Pelo qual ter nomes da sua confiança pessoal no STF parece garantir um sono mais tranquilo. Às portas da cadeia, Bolsonaro (seria encarcerado horas depois, naquele mesmo dia 22 de novembro) que o diga. Mas perder o apoio do Senado, com a Câmara já perdida, pode gerar muita intranquilidade até 2026 ao atual ocupante do Palácio do Planalto. A ver.”

Pelo visto na quarta, já em 2026, logo após as duas pesquisas eleitorais divulgadas esta semana, Atlas e Nexus, indicarem que Flávio Bolsonaro (PL) tinha (confira aqui) batido no teto de intenção de voto a presidente, enquanto Lula começava, ainda que timidamente, a recuperar aprovação de governo, o Senado desceu a marreta sobre a cabeça do petista. E não faria isso com o presidente da República se projetasse a sua reeleição.

Em aliança com Flávio, entre bolsonarismo e Centrão, Alcolumbre agiu por preferir que o indicado ao STF fosse o aliado e ex-presidente do mesmo Senado, Rodrigo Pacheco (PSB/MG). Que, por incrível que pareça, é também aliado de Lula. Que trabalha para lançar o ex-senador a governador em Minas. E ter um palanque no estado em que o último que perdeu lá e conseguiu se eleger presidente foi Getúlio Vargas, em 1950.

A derrota histórica de Lula no Senado não tem só as digitais de Alcolumbre e Flávio. Por incrível que pareça, segundo os próprios governistas, o ministro do STF Alexandre de Moraes também trabalhou pela recusa de Messias. Porque este se aliou ao também ministro do STF André Mendonça, indicado por Bolsonaro e que trabalhou abertamente para tentar virar votos de senadores evangélicos de direita a favor do AGU de Lula.

Além de evidenciar o racha dentro do STF, no qual Mendonça é visto como antagonista por Moraes, ficou a didática lição à esquerda que aclamava o último como “herói da democracia”. Por quê? Porque foi vítima e algoz, na transposição do limite entre justiça e justiçamento, da tentativa de golpe de Estado de Bolsonaro. A despeito de Moraes ter sido indicado ao STF pelo ex-presidente “golpista” Michel Temer (MDB).

E por que Mendonça é visto como opositor por Moraes na mais alta Corte da República? Porque o primeiro assumiu no STF a relatoria do escândalo do Banco Master. No qual estão enfiados até o pescoço não só Moraes, cuja esposa recebeu módicos R$ 80,2 milhões do Master por supostos serviços de advocacia, como seu colega de toga Dias Toffoli.

Reprovado duas vezes em concurso para juiz de primeira instância em São Paulo, Toffoli foi indicado ao STF por Lula em 2009. Por quê? Porque também tinha sido antes seu AGU. Antes de Toffoli ter sido expelido da relatoria do caso Master no STF pela opinião pública em fevereiro deste ano, o resort Tayayá, da sua família, no Paraná, teve uma parte adquirida por um fundo ligado ao Master, por também módicos R$ 35 milhões.

Como meia Brasília, de ministros do STF a grandes nomes do Centrão ao PT, Alcolumbre também está ligado ao Master. Presidido em 2024 por seu aliado e ex-tesoureiro de campanha, Jocildo Lemos, e com seu irmão Alberto Alcolumbre no Conselho Fiscal, o Amapá Previdência (Amprev) investiu também módicos R$ 400 milhões do dinheiro dos seus servidores estaduais no hoje falido Master.

Noves fora qualquer juízo moral, foi o Master, estúpido!

Lula sempre foi conhecido pela inteligência política. E sua insistência com Messias ao STF pode ter sido tudo, menos inteligente. Atributo que, em seu desfecho histórico na quarta, não faltou a Alcolumbre, a Flávio e, quem diria, ao “herói da democracia” Moraes. Com novo episódio no Congresso na quinta (30), que derrubou (confiar aqui) o veto de Lula ao PL da Dosimetria, a favor dos condenados no STF por tentativa de golpe de Estado.

O Senado encomendou o funeral de um Lula 4 com o Lula 3 ainda vivo. Como fez em 1894, quando recusou a indicação de Barata Ribeiro, hoje nome de rua em Copacabana, ao STF e sedimentou naquele mesmo ano o fim do governo do “Marechal de Ferro” Floriano Peixoto. No Brasil de 132 anos depois? Saberemos nos próximos cinco meses e poucos dias, até o voto popular de outubro.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Felipe Fernandes — “Michael”: A reconstrução do mito

 

 

Felipe Fernandes, cineasta publicitário e crítico de cinema

A reconstrução do mito

Por Felipe Fernandes

 

“Michael” é um filme que atingiu todas as minhas expectativas e isso não necessariamente é algo positivo. Trata-se de uma cinebiografia chapa-branca que usa a relação de Michael com o pai como foco dramático e recorta sua trajetória desde o início dos Jackson 5 até sua emancipação definitiva, já no auge da carreira solo (não por acaso, o filme se chama apenas Michael).

A relação entre o protagonista e o pai é praticamente o único conflito da narrativa. Fora isso, Michael surge como alguém dotado de um dom divino: tudo o que toca vira ouro, tudo o que faz dá certo. O resultado é um filme dramaticamente vazio. Fica a sensação de que o pai era muito pior na vida real. Ainda que seja retratado como o vilão, tudo parece suavizado, afinal, trata-se do pai de boa parte dos produtores do filme.

A obra insere diversos “easter eggs” (se é que posso chamar assim): o vitiligo, o incômodo com o nariz, e referências a Peter Pan, mencionadas em várias ocasiões. Isso culmina em uma cena constrangedora, em que vemos um Peter Pan muito semelhante à imagem do protagonista no fim da vida (período que não é abordado no filme).

Outro problema recorrente nesse tipo de cinebiografia, que também aparece aqui, são as cenas que tentam explorar o processo criativo do artista. São momentos em que o personagem tem sucessivas epifanias, numa tentativa de justificar sua genialidade, quase como se fosse fruto de um sopro divino, algo que o próprio protagonista chega a mencionar em uma determinada cena.

De positivo, destacam-se as atuações dos dois atores que interpretam o protagonista. Tanto o jovem Juliano Valdi, que interpreta Michael ainda criança, quanto o estreante Jaafar Jackson (sobrinho de Michael), que dá vida ao personagem em sua fase adulta, ambos têm muito carisma. E Jaafar é um achado, não só pela semelhança física, mas ele praticamente incorpora o protagonista.

As cenas musicais (e são muitas) também se sobressaem, conseguindo elevar o filme e reproduzir (dentro do possível), o que era Michael Jackson no palco. No geral, entre bons momentos e algumas sequências bastante constrangedoras (a peruca de Miles Teller é inacreditável), o filme se constrói como uma costura de cenas dramáticas que tentam dar conta da trajetória do biografado, mas principalmente funcionam como ponte entre uma música e outra, afinal, os grandes sucessos precisam estar presentes.

É uma produção de alto valor técnico, mas pobre do ponto de vista dramático. É um filme que quer celebrar, não investigar. E talvez o maior problema seja esse. Michael Jackson é uma figura tão complexa, contraditória e culturalmente gigantesca que uma abordagem “segura” inevitavelmente parece insuficiente para dar conta da magnitude do artista.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

Confira o trailer do filme:

 

 

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Paes tem grande vantagem a governador, mas eleição está aberta

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

O ex-prefeito carioca Eduardo Paes (PSD) segue favorito em mais uma pesquisa a governador do RJ. Na Quaest divulgada (confira aqui) na última segunda-feira (27), em três cenários estimulados ao primeiro turno de 4 de outubro, daqui a exatos cinco meses e cinco dias, ele liderou entre 34% e 40% das intenções de voto.

Paes tem 25 a 33 pontos de vantagem sobre Ruas ao 1º e 2º turno — Na Quaest do final de abril, Paes hoje tem vantagem entre 25 a 30 pontos do segundo colocado, o presidente da Alerj, deputado Douglas Ruas (PL), que variou de 9% a 11% de intenção nos três cenários de primeiro turno. Já no caso do segundo turno, marcado para 25 de outubro, Paes hoje bateria Ruas por 49% a 16%, vantagem de 33 pontos.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Ruas em empate técnico com Garotinho e Witzel — A liderança de Paes aos cenários de primeiro e segundo turno, hoje, é muito além da margem de erro de 3 pontos para mais ou menos da Quaest. No cenário 1 ao primeiro turno, a segunda colocação de Ruas (9%), no entanto, se dá em empate técnico com dois ex-governadores: Anthony Garotinho (REP), com 8%; e Wilson Witzel (DC), com 3%. Mas nenhum dos dois foi testado em cenário de segundo turno.

O espaço de Ruas em relação a Paes — Apesar da grande vantagem, Paes tem a terceira maior rejeição: 40% dos fluminenses que o conhecem, não votariam nele. No índice negativo, ele só perde para Garotinho, campeão de rejeição, com 65%; e Witzel, com 51%. Ruas tem só 17% de eleitores que o conhecem e não votariam, com outros 71% que não o conhecem. O que é um grande espaço a ser explorado na campanha, comparado aos 12% que não conhecem Paes.

O obstáculo de Ruas: Castro — Apesar do considerável espaço para crescer, Ruas tem um obstáculo também considerável para tentar explorá-lo como candidato do ex-governador Cláudio Castro (PL). A maioria de 53% dos fluminenses respondeu “não” à pergunta da Quaest: “Você acha que Castro merece eleger um sucessor que indicar?”. Os que responderam “sim” são uma minoria de 36%.

Eleição matematicamente aberta — A consulta espontânea Quaest, em que o eleitor fala da própria cabeça em quem vai votar, revelou um empate técnico, no limite da margem de erro, entre Paes, com 8% de intenção de voto consolidada; e Ruas, com 2%. Mas os 81% dos fluminense que se dizem ainda indecisos revelam uma eleição ainda completamente aberta em sua matemática.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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