Flávio no Financial Times como “forte candidato” a presidente do Brasil
Flávio competitivo no Financial Times
Em sua edição de ontem (7), o jornal britânico Financial Times disse que a família Bolsonaro estava “politicamente acabada”. Mas que “a seis meses das eleições presidenciais brasileiras, Flávio Bolsonaro, o filho mais velho, de temperamento mais ameno, emergiu (confira aqui) como um candidato altamente competitivo”.
Plataforma semelhante à de Jair
Segundo o influente jornal britânico, “a plataforma (de Flávio) é semelhante à de seu pai: uma mistura de posições de extrema-direita em questões sociais e de combate ao crime, com visões de centro-direita sobre a economia, além de uma crença fervorosa de que Bolsonaro pai foi condenado (por tentativa de golpe de Estado) injustamente.”
El Salvador será aqui?
O Financial Times destacou que, na segurança pública, Flávio busca uma medida de força como o encarceramento em massa do presidente de El Salvador, Nayib Bukele. E enfrentaria o crime no Brasil “com jovens de 16 anos sendo julgados como adultos e a idade mínima para crimes como homicídio e estupro reduzida para 14 anos”.
O que pesquisas de abril dirão?
Quem é contra essas propostas terá que arrumar, nos seis meses até a urna, argumentos mais convincentes do que “fascista” ou tentar relativizar a misoginia do “bem” (confira aqui) de uma Erika Hilton. As pesquisas de abril dirão. A depender se Flávio baterá teto de intenção ou se seguirá a tendência de ascensão desde dezembro de 2025.
Lula e seu ministro da Comunicação e marqueteiro, Sidônio Palmeira
Lula 3 mal até nas suas pesquisas
Não foi só nas sete pesquisas presidenciais de março (confira aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui) que Flávio Bolsonaro (PL) cresceu nas intenções de votos, enquanto Lula (PT) patina desde 2025, em oscilação de queda. Nas pesquisas qualitativas realizadas pelo ministro da Comunicação Sidônio Palmeira, a grande maioria dos eleitores também sinaliza (confira aqui) insatisfação com o Lula 3.
Lula irritado com má fase
Ministro e marqueteiro de Lula, Sidônio não teria conseguido tirar das pesquisas qualitativas explicações para a rejeição ao atual Governo Federal. O fato é que as últimas pesquisas quantitativas a presidente, algumas delas com Flávio já liderando numericamente um eventual segundo turno, têm (confira aqui) irritado bastante Lula.
Ações, até aqui, sem efeito
Nem o início da isenção de Imposto de Renda (IR) a quem ganha até R$ 5 mil, válido desde janeiro, foi capaz de dar fôlego ao Lula 3. Os reajustes de programas sociais, habitacionais e a criação de novos benefícios às classes socioeconômicas baixa e média-baixa também não se refletiram, até aqui, na popularidade do presidente.
“O apressado come cru e quente”, advertiu (confira aqui) na segunda-feira (6) o ex-governador Anthony Garotinho (REP). “Não é apressado, meu amado pai, é ser responsável. A cidade não pode ficar sem deputado federal, mas você e Clarissa permitiram isso na última eleição e a cidade sofre”, respondeu (confira aqui) o filho ex-prefeito, Wladimir Garotinho (PL).
Garotinho questiona Wladimir
O embate se deu nas redes sociais de Garotinho, em que ele postou: “Aconselhei, mas cada um decide o que vai fazer de sua vida política. Serei candidato a governador se tiver eleição direta em julho, em outubro serei candidato a deputado federal. Mas (Wladimir) escolheu disputar com o pai podendo ficar na Prefeitura. Por que será?”
Wladimir questiona Garotinho
“Sempre tive minha definição e fui claro, enquanto você (Garotinho) não decide que cargo disputar. Hora deputado, hora governador e hora senador. Já que tem tantas opções, escolha aquela que não cause mais um conflito na sua família. Terá meu total e irrestrito apoio, como sempre teve”, disse Wladimir, pré-candidato a deputado federal.
George Gomes Coutinbho, cientista político e professor da UFF-Campos
Da psicanálise à ciência política
“Creio que colegas da psicanálise, diante dessa relação edipiana, teriam muito a dizer. Todavia, na minha seara e abrindo mão de Freud, o que pai e filho fazem é usar as redes sociais para criar constrangimentos mútuos e interferir a tomada de decisão do outro”, avaliou o cientista político George Gomes Coutinho, professor da UFF-Campos.
São os votos em disputa
“Isso é fazer política, em termos bastante diretos. Saímos de Sófocles (autor da tragédia ‘Édipo Rei’, em que pai e filho disputam o mesmo trono) para entrar em uma competição marcial pelos votos do eleitor. Que podem não ser suficientes para eleger dois Garotinhos ao Legislativo Federal. É isso que está em disputa”, concluiu George.
Hamilton Garcia, cientista político e professor da Uenf
Caráter patrimonial-familiar
“A fala de Garotinho, censurando o filho por postular volta à Câmara Federal sem seguir sua orientação, é típica de briga partidária. Como no Brasil a maioria dos partidos tem forte caráter patrimonial-familiar, então a divergência assume a forma de ‘desavença familiar’” analisou o cientista político Hamilton Garcia, professor da Uenf.
Personagens diferentes, mesma estrutura
“A questão já havia aparecido quando Wladimir cogitou pela primeira vez se afastar do cargo, e se baseou na experiência de Garotinho (confira aqui) com seus vice-prefeitos Sérgio Mendes e Arnaldo Viana. Os contextos e os personagens são diferentes, mas a estrutura é a mesma: uma municipalidade empoderada por royalties”, concluiu Hamilton.
Falecido precocemente, aos 30 anos, em um trágico acidente com o avião de pequeno porte que pilotava, na última sexta-feira (3), no Rio Grande do Sul, em que morreram também os outros três ocupantes, Nélio Maria Batista Pessanha (confira aqui) terá sua missa de sétimo dia celebrada nesta quinta (9). Que começa às 19h, na Igreja do Salesiano, na avenida Dom Bosco, nº 49, Parque Tamandaré.
Seus pais, os jornalistas Jô Siqueira e Luiz Costa, seus irmãos Ana Luíza e Adriano, e demais familiares convidam todos os amigos para orar em agradecimento pela vida e em intenção da alma de Nelinho, como ele era carinhosamente conhecido desde criança.
Sociólogo, professor da UFF-Campos e escritor, Fabrício Maciel é o convidado do Folha no Ar desta quarta (8), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3.
Ele dará, sob a perspectiva da esquerda universitária goitacá, a perspectiva do novo governo (confira aqui, aqui, aqui e aqui) do industrial do açúcar Frederico Paes (MDB) em Campos.
Fabrício também falará da eleição a governador-tampão do RJ, com regras a serem definidas (confira aqui) pelo Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quarta, e as consequências desses movimentos na eleição a governador do RJ (confira aqui e aqui) em outubro. Assim como a disputa pelas duas cadeiras que o estado (confira aqui e aqui) elegerá ao Senado.
Por fim, com base nas sete pesquisas nacionais de março (confira aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui), o sociólogo tentará analisar a tendência presente de crescimento de Flávio Bolsonaro (PL) nas intenções de voto contra Lula (PT), na disputa a presidente da República.
Quem quiser participar do Folha no Ar desta quarta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebooke no YouTube.
A perspectiva do governo Frederico Paes (MDB) em Campos (confira aqui, aqui, aqui e aqui), as consequências a ele via royalties do petróleo (confira aqui) a partir da guerra dos EUA e Israel ao Irã, e as pré-candidaturas (confira aqui e aqui) a deputado federal e estadual de Campos e região.
A eleição a governador-tampão do RJ, provavelmente em junho e com regras a serem definidas (confira aqui) pelo Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quarta-feira (8), a eleição a presidente da Alerj após a cassação e nova prisão (confira aqui) do ex-deputado Rodrigo Bacellar (União), e as consequências desses movimentos na eleição a governador do RJ (confira aqui e aqui) em outubro.
Por fim, a partir das sete pesquisas de março (confira aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui), a projeção das eleições a presidente da República, daqui a menos de seis meses e hoje polarizada entre Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). E a eleição às duas cadeiras que o RJ (confira aqui e aqui) elegerá ao Senado.
Esses serão os temas em debate no Folha no Ar desta terça (7), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3, entre o radialista Cláudio Nogueira e os jornalistas Aluysio Abreu Barbosa e Hevertton Luna.
Criança de redação e piloto de avião na vida adulta, Nélio Maria Batista Pessanha (Foto: Arquivo de família)
(A Nélio, Ícaro, Jô, Luiz e Dora)
Numa aula do curso de comunicação da Fafic, me lembro de um professor falando da magia do ambiente de uma redação de jornal. E do fascínio de quem entra nela pela primeira vez. Lógico, falava de si próprio e da grande maioria que só conhece empiricamente numa redação no início da juventude e da carreira profissional de jornalista. Mas não falava sobre a experiência mais restrita das crianças de redação.
São os filhos de pais jornalistas. Por isso criados, desde a infância, em contato direto com aquele ambiente fervilhante de informações e discussões de pauta, de êxitos e frustrações diárias na função primeva de contar as histórias da tribo em torno de uma fogueira. Aos quais, na Idade Contemporânea e sob luz elétrica, uma redação de jornal acaba virando, pelo convívio, só mais um cômodo da casa, como sala, cozinha ou quarto.
Nelio Maria Batista Pessanha, o Nelinho, filho único da jornalista Jô Siqueira e do jornalista Luiz Costa, que teria mais dois filhos em outro casamento, foi uma dessas crianças de redação. Que conheci ainda bem pequeno na redação da Folha da Manhã. Na qual Jô e Luiz foram crias entre os anos 1980 e 1990 do grande jornalista Aluysio Barbosa, o bom, meu homônimo e pai.
Apesar da forte ligação com os pais, sobretudo com a mãe, que o criou exemplarmente, após a separação de Luiz, Nelinho nunca quis ser jornalista. Desde a criança de redação que foi, falava em ser piloto de avião. Mas, diferente de outras crianças, de redação ou não, que abandonam os sonhos iniciais no caminho natural dos anos, Nelinho investiu a vida no seu primeiro e único sonho. E o fez realidade.
Infelizmente, essa conquista de Nelinho do qual sua mãe, seu pai, e seus dois irmãos, Ana Luíza e Adriano, tanto se orgulhavam, numa fatalidade, custou-lhe a vida, aos 30 anos, na queda do avião de pequeno porte que pilotava, na última sexta-feira (3), na cidade de Capão da Canoa, no Rio Grande do Sul. E no qual também morreram os empresários Déborah Belanda Ortolani, Luis Antonio Ortolani e Renan Saes.
Eu, como meu irmão Christiano, também fomos crianças de redação. Como meu único filho, Ícaro, com mãe também jornalista da Folha, Dora Paula. Desde que ele nasceu, em 15 de julho de 1999, retracei o plano de voo da minha própria vida: não mais o do sol, em torno do qual, em nossos delírios de ego, orbita o universo; mas o de lua, passando a orbitar devotamente em torno de algo muito maior.
Ícaro Paes Pasco Abreu Barbosa, no pôr do sol de 31 de dezembro de 2022, no Arpoador, no que seria o seu último réveillon (Foto: Aluysio Abreu Barbosa)
Contra minha vontade, Ícaro seguiu meus passos: uma criança de redação que se tornou jornalista. Desde que morreu com apenas 23 anos, em 13 de maio de 2023, ele é a primeira coisa que penso, toda vez que acordo, e a última, antes de dormir e vir “brincar com meu sonhos”, como o Menino Jesus de Alberto Caeiro, heterônimo do luso Fernando Pessoa. Será assim, tenho certeza, com Nelinho. A aplacar a mais indizível das dores humanas em Jô e Luiz.
Recentemente, assisti ao filme “Hamnet: A Vida Antes de Hamlet” (2025), da diretora chinesa Chloé Zhao, que concorreu aos Oscar de melhor filme este ano e teve mais sete indicações, mas só levou o merecido prêmio de melhor atriz, com irlandesa Jessie Buckley. Que interpreta Agnes, esposa do dramaturgo William Shakespeare, e dá à luz seus três filhos: Susanna e os gêmeos Judith e Hamnet.
Cena da peça “Hamlet” encenada no filme “Hamnet”
Com apenas 11 anos, Hamnet morre, provavelmente de peste bubônica, em 1596. Não por coincidência de datas, tema e da homonímia quase exata, Shakespeare escreve “Hamlet” entre 1599 e 1601. A tragédia definitiva do maior dramaturgo da literatura ocidental é encenada pela primeira vez em 1602 e tem sua primeira versão publicada em 1603.
No filme “Hamnet”, quando sai da sua interiorana Stratford-upon-Avon, junto de seu irmão, onde a família de Shakespeare sempre residiu e o próprio viria a falecer anos depois, para assistir essa primeira encenação de “Hamlet” em Londres, Agnes de início não entende e até se revolta. Porque é o filho, de nome quase idêntico ao que perdera na vida real, que sobrevive após a morte do pai na peça, também chamado Hamlet.
Uma lua e um Atlântico banhado de prata, em Atafona, na Sexta-Feira da Paixão, para Nelinho e Carozão (Foto: Aluysio Abreu Barbosa)
Só no desenrolar da trama, onde o próprio Shakespeare (interpretado por outro irlandês, Paul Mescal) encarna o fantasma do Hamlet pai, é que Agnes entende: Na arte que o marido criou não para imitar a vida, mas para reinventá-la, é o pai que morre antes, não o filho.
Embora Jô, Luiz, Dora e eu trabalhemos com a escrita, certamente, nenhum de nós tem o talento de Shakespeare. Mas, também certamente, temos o mesmo lancinante desejo. Sem poder mais ter Nelinho e Carozão ao lado, poder abraçá-los, beijá-los, sentir seus cheiros, nos resta o plural da saudação de Horácio, melhor amigo de Hamlet, após o filho também morrer ao final da tragédia: “Boa noite, doces príncipes!”
“Ao mesmo tempo em que você tem esse crescimento de Flávio e essa consolidação dentro do bolsonarismo, você tem do outro lado três movimentos que vão fazendo o Governo Federal piorar na visão pública.” Foi o que diagnosticou (confira aqui), em entrevista ao Folha no Ar da última terça-feira (31), o cientista político Bruno Soller.
Estrategista eleitoral, comentarista político de veículos de mídia nacionais como Metrópoles, Estadão e Record, ele é também diretor do instituto de pesquisa Real Time Big Data, entre os mais conceituados do país. E seguiu enumerando esses movimentos negativos ao Lula 3, refletidos em todas as pesquisas presidenciais até aqui:
— O primeiro deles, em janeiro, um monte de conta para pagar e a lógica de que é um governo que só aumentou o imposto das pessoas. Número dois, escândalos de corrupção do tamanho do mundo: caso Master e caso INSS. Um envolvendo o filho do presidente e o outro envolvendo o STF, que para a maioria das pessoas está mancomunado com o poder vigente — disse Bruno à Folha FM 98,3. Ele seguiu:
— E a terceira coisa, que é muito importante. Vamos lembrar que nós tivemos, na Marquês de Sapucaí, um desfile em que o presidente Lula foi homenageado por uma escola, a Acadêmicos de Niterói (confira aqui, aqui e aqui seus efeitos imediatos nas pesquisas presidenciais de fevereiro). E ali não foi só uma homenagem ao Lula, foi um ataque, em parte, a uma porção da população brasileira cada vez mais crescente, que é a evangélica. O Lula, depois daquele ato, nos nossos trackings (monitoramentos em tempo real), perdeu de 9% a 11% de apoio entre os evangélicos.
Elio Gaspari, jornalista e escritor
Na quarta-feira de 1º de abril, quem também escreveu (confira aqui) sobre os movimentos negativos do Lula 3 foi o grande jornalista Elio Gaspari. Referência não só do jornalismo brasileiro, é o autor da obra definitiva, dividida em cinco livros e muito acima de qualquer historiador tupiniquim, sobre a nossa última ditadura militar (1964/1985):
— Lula resolveu culpar os endividados pelo endividamento da população. Nas suas palavras: “Tudo a gente vai comprando. É R$ 50 ali, R$ 30, R$ 40. Parece que não é nada. Mas quando chega no final do mês, a somatória dessa quantidade de pouquinhos vira grande. E a gente começa a ficar zangado. ‘Trabalhei o mês inteiro, recebi meu salário e não sobrou nada’. Aí quem vocês xingam? O governo” — transcreveu Gaspari em sua coluna de quarta. Que seguiu em sua análise:
— Culpar a população por um problema é a marca dos governantes tontos. E Lula não está tonto porque o endividamento das famílias aumentou. O que o leva a culpar o povo são as pesquisas. Segundo a pesquisa AtlasIntel (de março, confira aqui), a desaprovação do governo chegou a 54% e além disso, uma simulação do segundo turno da eleição mostrou-o tecnicamente empatado com Flávio Bolsonaro. O presidente tem 46,6% das intenções de voto e Bolsonaro II ficou com 47,6%. Diferindo de seu pai, que aproveitava qualquer oportunidade para fazer campanha, seu filho está jogando parado.
Citada pelo Gaspari, a AtlasIntel é só uma das sete pesquisas presidenciais (confira as demais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui) realizadas em março. Feitas por institutos diferentes, com metodologias diferentes, todas apontam como tendência inequívoca o crescimento de Flávio, enquanto Lula patina no teto, oscilando para baixo, desde 2025. O filho 01 do ex-presidente também terá que bater no teto de intenções de voto. Mas quando? E de quanto seria?
Com base na AtlasIntel, o teto não só de Flávio, mas da oposição no primeiro turno, poderia ser esses 54% que hoje desaprovam o Lula 3. Mas isso não é conta exata, pois sempre há eleitores que, mesmo desaprovando o governo de turno em tentativa de reeleição, não veem nome melhor ou menos pior nas opções de oposição. Confira no infográfico abaixo:
(Infográfico: Joseli Matias)
O maior desafio de Lula não está no primeiro turno, onde ainda lidera numericamente, mesmo que já em empate técnico com Flávio na margem de erro das pesquisas. Mas no provável segundo turno, onde ficou numericamente atrás de Flávio, embora também em empate técnico. Não só na AtlasIntel, divulgada em 25 de março, mas também na pesquisa do instituto Paraná, divulgada na terça (31). Confira nos dois infográficos abaixo:
(Infográfico: Joseli Matias)
(Infográfico: Joseli Matias)
As simulações de segundo turno das pesquisas AtlasIntel (Flávio 47,6% x 46,6% Lula) e Paraná (Flávio 45,2% x 44,1% Lula) não são o pior problema à reeleição do atual presidente. Mas o fato de que, no cruzamento da Paraná com outra pesquisa de março, a Quaest, divulgada no último dia 11, Lula não merece ser reeleito a uma maioria dos brasileiros que cresce nos últimos dois meses.
Na série Quaest, Lula não merece ser reeleito em março para 59% dos eleitores. São 3 pontos a mais que os 56% que achavam o mesmo em janeiro. Na série Paraná, Lula não merece ser reeleito em março para 53,3% dos brasileiros. São 2,3 pontos a mais que os 51% que achavam o mesmo em janeiro. Esse ponto em elevação, hoje entre 53,3% e 59% dos que hoje acham que Lula não merece ser reeleito, é o teto da oposição. Confira no infográfico abaixo:
(Infográfico: Joseli Matias)
É certo que, a partir de amanhã (5), dia seguinte ao limite de desincompatibilização, quando cessar de vez o medo de enfrentar um Tarcísio de Freitas (REP) a presidente com apoio dos Bolsonaro, o marqueteiro de Lula, Sidônio Palmeira abrirá com mais força a caixa de ferramentas contra o telhado de vidro de Flávio. De rachadinhas, parentes de milicianos como assessores e evolução patrimonial incompatível aos vencimentos.
Mas o dano já está feito. Não só com o desfile carnavalesco de 16 de fevereiro em homenagem a Lula e em ataque os evangélicos, como o da ala “famílias em conserva”. A pesquisa Quaest de março revelou de onde saiu a maioria das intenções de voto a Flávio, de dezembro, quando foi lançado pré-candidato a presidente pelo pai, a março.
Ala “neoconservadores em conserva” do desfle da Acadêmicos de Niterói na Marques de Sapucaí, em homenagem a Lula, a crítica aberta à família. Que é a instituição que todas as pesquisas de opinião mostram ser a mais respeitada pelos brasileiros (Foto: Reprodução)
A Quaest divide o eleitor brasileiro ideologicamente em três grupos quase iguais em tamanho: 33% de esquerda (19% de lulistas + 14% não lulistas), 33% de direita (21% não bolsonaristas + 12% bolsonaristas) e 32% de independentes. Estes são o centro, que migrou a Bolsonaro em 2018 e a Lula em 2022, elegendo ambos presidentes.
Nesse voto de centro, em um segundo turno com Lula (confira aqui), Flávio cresceu 9 pontos dos 23% que tinha em dezembro aos 32% de março. No mesmo eleitor independente e no mesmo cenário de segundo turno, Lula caiu 10 pontos dos 37% de dezembro aos 27% de março. Foi do centro que saíram os dois dígitos do crescimento de Flávio nos três últimos meses. Confira no infográfico abaixo:
(Infográfico: Joseli Matias)
Esse é o estrago identitário já causado a Lula não só pela alegoria debochada das “famílias em conserva”, como pelos ataques abertamente misóginos da deputada trans Erika Hilton (Psol/SP). Que, ao tomar posse como presidente da comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara Federal, tentou reduzir agressivamente, aos berros, mulheres biológicas de oposição a… “pessoas que gestam”.
— Erika Hilton é uma forte cabo eleitoral do Flávio. A massa que vota no Lula é conservadora, não é ideológica. A gente tem que parar com isso. A esquerda UFRJ, USP, UFF é muito pequena no Brasil. O voto do Lula é popular, das camadas mais baixas da população, que é conservadora. É onde está o maior índice de pessoas que rejeitam o casamento entre pessoas do mesmo sexo e o aborto — constatou o cientista político Bruno Soller, diretor do instituto Real Time Big Data, no Folha no Ar da última terça.
Por que, nas sete pesquisas presidenciais de março (confira aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui) feitas por institutos diferentes, com metodologias diferentes, Flávio Bolsonaro (PL) apareceu empatado tecnicamente com Lula (PT) nas simulações de segundo turno, numericamente à frente em algumas? A resposta não está só no crescimento de Flávio, mas no aumento da maioria que acha que Lula não merece ser reeleito e desaprova o seu governo.
Pesquisas Paraná e Quest: maioria acha que Lula não merece reeleição — Na pesquisa do instituto Paraná de março divulgada na quarta (31), o atual presidente não merece ser reeleito para a maioria de 53,3% dos brasileiros, enquanto merece para 43,7% (9,6 pontos percentuais a menos). Na pesquisa Quaest divulgada em 11 de março, os resultados foram ainda piores à reeleição. Que Lula não mereceria para 59% dos eleitores, merecendo para apenas 37% (22 pontos a menos).
Cresce maioria contrária à reeleição de Lula — Vista na comparação com as pesquisas anteriores dos mesmos dois institutos, a tendência é de aumento nesses números contrários à reeleição do atual presidente. Na série Paraná, Lula não merecia renovar o mandato para 51% dos brasileiros em janeiro, 2,3 pontos a menos que os 53,3% de março. Na série Quaest, o petista não merecia se reeleger para 56% dos eleitores em janeiro, 3 pontos a menos que os 59% de março.
Cai minoia a favor da reeleição de Lula — Por outro lado, na série Paraná, Lula merecia ser reeleito para 45,3% da população em janeiro, minoria que caiu 1,6 ponto nos últimos dois meses, até os 43,7% que ainda acham o mesmo em março. Já na série Quaest, o atual presidente merecia renovar o mandato para 40% dos brasileiros em janeiro, minoria que caiu 3 pontos nos últimos dois meses, até os 37% que ainda acham o mesmo em março.
Crescimento de Flávio = desaprovação à reeleição e ao Lula 3 — O crescimento nas intenções de voto de Flávio deriva não só da diminuição na minoria dos eleitores que acham que Lula não merece ser reeleito. É também fruto do crescimento na desaprovação do atual Governo Federal.
Cresce desaprovação ao Governo Federal — Em dezembro, quando Flávio foi lançado pré-candidato a presidente pelo pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o Lula 3 era desaprovado pela maioria apertada de 50,9% do brasileiro na série de pesquisas Paraná. Três meses depois, essa maioria subiu 1,1 ponto até os 52% que desaprovam o Lula 3 em março.
Tendência de aumento na desaprovação em três pesquisas — A mesma tendência de aumento na desaprovação do governo Lula é confirmada nas séries de pesquisas Quaest e AtlasIntel. Pela Quaest, o Lula 3 era desaprovado pela minoria apertada de 49% dos eleitores em dezembro. Que, três meses depois, cresceu 2 pontos até a maioria também apertada dos 51% que desaprovam em março.
(Infográfico: Joseli Matias)
AtlasIntel: 54% desaprovam o Lula 3 — Já na série de pesquisas presidenciais AtlasIntel, os que desaprovavam o atual Governo Federal já formavam uma maioria apertada de 51% da população em dezembro. Que ficou mais folgada ao crescer 3 pontos, três meses depois, até os 54% que desaprovam o Lula 3 em março.
Dados da pesquisa Paraná de março — Com margem de erro de 2,2 pontos para mais ou menos, a pesquisa Paraná de março consultou presencialmente 2.080 eleitores de 26 estados e Distrito Federal, entre os últimos dias 25 e 28. E foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-00873/2026.
Dados das pesquisas Quaest e AtlasIntel de março — Com margem de erro de 2 pontos para mais ou menos, a Quest de março consultou presencialmente 2.004 eleitores de todo o Brasil, entre os últimos dias 6 e 9, com registro BR-05809/2026 no TSE. Com margem de erro de 1 ponto para mais ou menos, a AtlasIntel de março consultou digitalmente 5.028 eleitores entre os últimos dias 18 e 23, com registro BR-04227/2026 no TSE.
Divulgada ontem (31), a pesquisa do instituto Paraná foi a sétima nacional do mês de março a registrar o mesmo quadro de empate técnico ou numérico entre Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) em um eventual segundo turno presidencial. Mas, se todos os levantamentos registram a tendência de crescimento de Flávio, ele já aparece numericamente à frente no segundo turno de outubro na pesquisa Paraná: 45,2% a 44,1% do petista (1,1 ponto atrás, em empate técnico).
Lula atrás de Flávio no segundo turno também na AtlasIntel — A outra pesquisa de março que também registrou Flávio numericamente à frente de Lula, em mais um empate técnico, na simulação de segundo turno, foi (confira aqui) a AtlasIntel: 47,6% a 46,6% do atual presidente (exato 1 ponto atrás). Outras pesquisas de março colocaram os dois em empate exato em um eventual segundo turno presidencial, como (confira aqui) a Quaest: Lula 41% a 41% Flávio.
(Infográfico: Joseli Matias)
Flávio cresce em todas as pesquisas — O que todas as sete pesquisas de março registraram é o crescimento rápido de Flávio nas intenções de voto, desde que foi lançado pré-candidato a presidente pelo pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em 5 de dezembro. Na pesquisa Paraná divulgada ontem o 01 perderia o segundo turno para Lula em dezembro por 44,1% a 41,0%, 3,1 pontos atrás. Em março, Flávio liderou o segundo turno por 45,2% a 44,1%, crescimento de 4,2 pontos sobre Lula em apenas três meses.
Lula lidera ao primeiro turno em empate técnico com Flávio — Como também em todas as demais seis pesquisas de março, Lula ainda lidera a corrida eleitoral ao primeiro turno na Paraná, com 41,3% de intenção, mas também em empate técnico com Flávio, que teve 37,8%, 3,5 pontos a menos. Atrás deles, vieram os ex-governadores de Goiás e de Minas, respectivamente, Ronaldo Caiado (PSD), com 3,6%, e Romeu Zema (Novo), com 3,0%; Renan Santos (Missão), com 1,2%; e o ex-ministro Aldo Rebelo (DC), com 1,1%, todos os quatro em empate técnico.
(Infográfico: Joseli Matias)
Dados da pesquisa Paraná — Com margem de erro de 2,2 pontos para mais ou menos, a pesquisa Paraná consultou presencialmente 2.080 eleitores de 26 estados e Distrito Federal, entre 25 e 28 de março. E foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-00873/2026.
Felipe Fernandes, cineasta publicitário e crítico de cinema
Amizade no fim do mundo
Por Felipe Fernandes
Quando olhamos em retrospecto para o cinema sci-fi que trata do fim do mundo por causas aparentemente naturais, percebemos que, em geral, são obras mais densas, sustentadas por aspectos científicos, dramáticos e até filosóficos sobre a iminência da finitude e tudo o que essa situação envolve.
Em “Devoradores de Estrelas”, esses elementos também estão presentes. Mas o que realmente diferencia a obra é uma leveza inesperada, um bom humor quase injustificado. Que, provavelmente por isso, funciona muito bem.
Baseado no livro de Andy Weir e com roteiro do experiente Drew Goddard, dupla responsável pela adaptação de “Perdido em Marte” (uma espécie de “filme irmão”, ainda que ali o humor não funcione com a mesma força), o longa trabalha com duas linhas narrativas. É uma escolha inteligente para a construção do personagem e da situação, além de contribuir para um ritmo mais dinâmico.
A história se inicia com Ryland acordando no espaço, sem saber quem é ou o que está acontecendo. Aos poucos, o espectador descobre junto com ele o problema em que está envolvido e completamente sozinho. Essa trama principal se intercala com flashbacks que revelam o objetivo da missão e explicam como ele foi parar ali.
A estrutura narrativa se mostra eficaz. Além de evitar a monotonia inerente ao isolamento do protagonista, permite um desenvolvimento mais aprofundado do personagem e de suas relações na Terra, algo essencial para o impacto emocional do filme.
Weir e Goddard também acertam na construção de Ryland: um cientista desacreditado pela comunidade científica por conta de uma teoria controversa, que se torna professor. E, justamente por pensar fora dos padrões, acaba recrutado para uma missão global de salvar o Sol e, consequentemente, a vida na Terra. É em uma de suas aulas que surge a apresentação do problema central, uma solução de roteiro eficiente que integra a exposição de forma orgânica à narrativa.
O filme ganha ainda mais força com a introdução de Rocky, um alienígena em situação semelhante à do protagonista. O apelido surge de sua aparência, em uma homenagem ao famoso boxeador e rapidamente os dois constroem uma amizade baseada tanto nas diferenças quanto nas inesperadas semelhanças.
Em paralelo, se desenvolve a relação entre Ryland e Eva, uma das líderes da missão, inicialmente retratada como fria e pragmática. Aos poucos, essa imagem se desconstrói, e sua conexão com o protagonista ressignifica acontecimentos importantes na reta final da história.
Um dos grandes méritos do filme é transformar conceitos científicos em elementos dramáticos envolventes. O suspense nasce da resolução de problemas científicos, o que reforça sua identidade. Essa abordagem se conecta diretamente com a relação entre Ryland e Rocky, o verdadeiro centro emocional da obra. Nada como o fim do mundo para começar uma amizade.
“Devoradores de Estrelas” é uma ficção científica que se apoia em ideias, emoções e na força das relações humanas (e não humanas), oferecendo uma experiência mais reflexiva e repleta de bom humor. Com uma atuação sólida de Ryan Gosling e uma narrativa que equilibra ciência e sensibilidade, o longa se mostra ao mesmo tempo inteligente e acessível. Um filme sobre salvar o mundo, mas, acima de tudo, sobre empatia, cooperação e aquilo que nos torna humanos.
Por Aluysio Abreu Barbosa, Cláudio Nogueira, William Passos e Gabriel Torres
Eduardo Paes (PSD), hoje, é favorito em todas as pesquisas (confira aqui) a governador do RJ sobre Douglas Ruas (PL), candidato do bolsonarismo. “Mas quem está achando que vai ser lavada está muito equivocado”. Foi a advertência feita ontem pelo cientista político Bruno Soller, diretor do instituto de pesquisa Real Time Big Data, em entrevista ao programa Folha no Ar. Ele também analisou a pré-candidatura do ex-governador Cláudio Castro (PL) e de outros nomes a senador.
No plano local, o diretor do instituto de pesquisa nacional analisou o ex-governador Anthony Garotinho (REP) a governador e a senador. E prometeu colocar o nome do político de Campos nas próximas consultas estaduais Real Time Big Data. Ao microfone da Folha FM 98,3, Bruno também analisou as dificuldades que todas as pesquisas mostram à reeleição presidencial de Lula (PT). Cuja definição projetou no embate de grandes rejeições contra Flávio Bolsonaro (PL). Com pouca chance, hoje, a uma terceira via.
Bruno Soller, cientista político, diretor do instituto de pesquisa Real Time Big Data, estrategista eleitoral e analista político da Record, Metrópoles e Estadão (Foto: Divulgação)
Taxa de conhecimento a governador e Paes no segundo turno — “A coisa mais importante que a gente tem que analisar agora é o grau de conhecimento desses candidatos. Enquanto Eduardo Paes é bem conhecido da população fluminense, o Douglas Ruas é desconhecido: 40% da população dizem não conhecê-lo suficientemente para opinar (na pesquisa Real Time Big Data de março), porque ele é um sujeito ainda absolutamente desconhecido da grande maioria da população. O que a gente tem que analisar nessa pesquisa? O Eduardo Paes tem uma fatia do eleitorado que tende a caminhar com ele. Isso está posto. Se a gente tiver um segundo turno no Rio de Janeiro, uma vaga é do Eduardo Paes. Não tem como a gente brigar com isso. Está ali. Do outro lado, existe um contingente gigante da população que não sabe o que fazer. Que está aí esperando um nome.”
Eleição imprevisível — “A gente tende a ter um enfrentamento entre o grupo dominante de poder hoje do governo do estado do Rio, que é expresso na pré-candidatura do Douglas Ruas, contra o Eduardo Paes. É uma eleição imprevisível. Mesmo com o Eduardo hoje tendo uma grande vantagem numérica nas pesquisas sobre o Douglas (46% a 13% e 42% a 11%, mais de 30 pontos de vantagem, nos dois cenários de primeiro turno da Real Time Big Data de março), há uma tendência de polarização nacional também, que pode influenciar nesse jogo.”
Importância da Baixada Fluminense — “Não à toa o Eduardo Paes foi buscar uma vice (Jane Reis, MDB, irmã do ex-prefeito de Duque de Caxias Washington Reis) com essas características: da Baixada Fluminense e evangélica. Porque existe aí uma força eleitoral muito grande. Só que o Douglas não é da Baixada. É da região metropolitana do Rio, lá de São Gonçalo, onde o pai dele é o prefeito (Capitão Nelson, PL). Mas que também é uma cidade que repete características socioeconômicas da Baixada Fluminense. Portanto, eu acho que a eleição no Rio de Janeiro está absolutamente aberta, apesar dos índices numéricos hoje apontarem para um favoritismo muito grande do Eduardo Paes.”
Sem lavada a governador do RJ — “A tendência, repito, é de que nessa eleição o Eduardo segue como favorito, até porque o governo Cláudio Castro tem muita rejeição também (44% de desaprovação da Real Time Big Data de março). O Eduardo sai como favorito, mas quem está achando que vai ser lavada está muito equivocado. Essa eleição tende a apertar e pode ser que haja uma surpresa e um candidato ligado ao bolsonarismo, impulsionado pela força segurança pública, evangélicos e Bolsonaro, surpreenda na eleição do Rio de Janeiro.
Segundo voto ao Senado e olho em Pimental — Essa eleição para o Senado tem uma peculiaridade muito grande, que é o tal do segundo voto. Esse segundo voto ele mata qualquer instituto de pesquisa, porque é uma loucura. Se você olhar, o segundo voto tem 35% do eleitorado no primeiro cenário que fala branco, nulo ou não sabe. Ou seja, um terço das pessoas que são perguntadas não tem ainda um segundo voto. E isso muda qualquer eleição. O que me parece, pelo que a gente vê dos movimentos aqui da pesquisa, é que você tem um Rodrigo Pimentel (ex-capitão do Bope, sem partido) com uma capacidade muito grande de crescimento. É um nome que a gente tem que ficar de olho caso venha a ser candidato. Pode ter um segundo voto de muita gente, do lado da direita, do lado da esquerda, por ser um personagem que está acima dessa disputa ideológica.”
Paes pode puxar Pedro Paulo a senador — “Esse processo da escolha ao Senado Federal no Rio de Janeiro vai ser muito impactado, não tenho dúvida nenhuma, pelo jogo nacional e pelo jogo estadual, de governador. Essas duas posições vão alavancar os nomes para o Senado Federal. Você vê o Pedro Paulo (deputado federal, PSD), que ainda é um desconhecido da grande maioria da população. Ele tem alguma penetração no eleitorado e pode ser impulsionado por uma candidatura do (seu aliado) Eduardo Paes. O Eduardo pode puxá-lo, caso faça uma campanha “Olha, quem vota Eduardo Paes para governador, vota no Pedro Paulo para o Senado”.
Castro favorito a senador — “Caso Cláudio seja o candidato, ele surge como favorito (ao Senado). De resto, é todo mundo muito igual. E a política vai fazer com que mais alguém vire favorito ou não no processo eleitoral. O jogo é muito aberto para o Senado, quando a gente pensa que 62% do eleitorado não decidiu ainda em quem votar para governador, que dirá para senador.”
Pacificação (confira aqui) de Garotinho e Wladimir — “Não os conheço, mas torço pessoalmente para que o Anthony Garotinho e o Wladimir, como pai e filho, não estejam nunca separados. Isso eu acho que é importante como questão humana, acima de qualquer coisa. É pai e filho. Isso é um exemplo para o resto do mundo, do Brasil. Todos são figuras políticas importantes e tomara que estejam sempre juntos e que as diferenças de opinião não façam com que eles estejam atritados. Pessoalmente torço para isso.
Rejeição de Garotinho — “Do ponto de vista da análise política, qual é o desafio do Anthony Garotinho? É superar uma rejeição. Não tem a dúvida de que ele tem intenção de voto. É um sujeito que tem um conhecimento do estado inteiro do Rio de Janeiro. Ele não precisa se apresentar para as pessoas, mas ele precisa romper uma barreira hoje, que é uma barreira de rejeição, que ficou em função de diversas denúncias que o envolveram durante todo esse processo. Durante todo o período que se teve e que foi criando uma camada de rejeição de parte da população em relação a ele. Isso fez com que ele tivesse algumas derrotas amargas na política, acho que talvez a maior delas foi não ter sido eleito nas últimas eleições (a vereador do Rio de Janeiro, em 2024), não só no cargo majoritário (em 2014, a governador, não foi ao segundo turno). Acho que isso foi uma derrota pessoal para ele.”
Garotinho a governador? — “O desafio dele é se mostrar competitivo para um segundo turno. Não me parece que uma eleição no Rio de Janeiro se decida em um turno só. E para você ser competitivo no segundo turno, precisa ter 50% mais um. Você precisa ter maioria. Então, o Anthony Garotinho precisa, e talvez em uma candidatura dessas agora, de teste (a governador-tampão, com regras a serem definidas pelo Supremo Tribunal Federal no dia 8) em uma eleição fora de tempo que a gente chama, ele possa testar um pouco dessa rejeição. Tentar diminuir essa rejeição para virar competitivo. A pouca opção, vamos dizer assim, com os nomes postos, sem empolgar tanto o eleitorado, ele talvez seja uma alternativa.”
Por que Garotinho ficou fora da pesquisa Real Time Big Data de março a governador e senador? — Acho que é um nome que tem que ser considerado. A partir do momento que ele coloca o seu nome. No ano passado, chegamos a testá-lo para governo, mas com um certo recuo dele de candidaturas majoritárias a gente deixou de testar. O Republicanos tinha no nome do (ex-prefeito do Rio) Marcelo Crivella o nome principal para uma disputa ao Senado. Mas acredito que em uma próxima pesquisa a gente vá fazer. Eu acho que é fundamental. Inclusive, alertar aqui: é bom que a nossa conversa fique agravada, para eu botar a nossa estatística, quando ela for montar o formulário, ela lembrar que a gente tem que colocar também o nome do Anthony Garotinho como um possível candidato ao Senado ou até mesmo ao Palácio da Guanabara.”
PSD lança (confira aqui) Ronaldo Caiado a presidente — “Quando você lança um Caiado, que já foi candidato a presidente em 1989, as pessoas enxergam ele dentro de uma raia dessa polarização (da direita). O PSD ficou com três pré-candidatos a presidente da República, sem ter nenhum por seis meses. Se o PSD tivesse, lá atrás, definido um nome, trabalhado esse nome, talvez hoje a gente estivesse discutindo um nome de terceira via na cabeça das pessoas. Mas o Caiado vai tentar se construir nisso. Vai ter um pouco mais de dificuldade pela trajetória dele. Ele é visto como alguém dentro de um bloco. Pode ser que se construa? Pode. Tem espaço.”
Governo Lula rejeitado pela população — “Nós estamos vivendo um governo Lula (desaprovado por mais de 50% dos brasileiros em todas as sete pesquisas nacionais de março) que é rejeitado pela população. A gente só tem espaço para discutir a alternativa porque o governo vigente não entrega o que a população espera. Porque se o governo estiver entregando, não tem para ninguém, o Lula está reeleito. Mas não está entregando. Este é o problema do Brasil hoje. As pessoas votaram no Lula na eleição passada com a expectativa de que a vida pudesse voltar aos patamares de quando ele foi presidente lá atrás. E isso não aconteceu.”
“Povo não come PIB” — “Não adianta o discurso do governo ser; “Olha, pleno emprego, o Brasil avança”. Eu vou lembrar uma frase de uma petista famosa, a Maria da Conceição Tavares, que faleceu recentemente, economista e filiada ao PT. Ela dizia: “O povo não come PIB”. Ela dizia isso para criticar o (então governo) Fernando Henrique. Vamos dar essa mesma frase para criticar o Lula. O povo não come PIB. As pessoas querem saber. No final do mês, tem o dinheiro no bolso ou não tem o dinheiro no bolso? Minha vida melhorou ou não melhorou? As pessoas estão insatisfeitas e é isso que está acontecendo com o governo Lula.”
Crescimento e rejeição de Flávio — “A sorte do Lula é que a escolha prioritária da oposição é de um nome que tem muita rejeição também, que é um Bolsonaro. Vocês aqui do Rio sabem quem é Flávio Bolsonaro porque ele é senador daqui. Qualquer nome que fosse um Bolsonaro estaria na posição que ele está hoje. Não é só pelo que representa politicamente, representa no nome o que é o bolsonarismo. Então o Flávio está crescendo dentro de uma raia que está posta na sociedade e que teve 49% dos votos na eleição passada, no segundo turno. Então o bolsonarismo existe, ele está presente, ele vai crescer, o Flávio vai crescer.”
Disputa de rejeições — “A discussão que a gente vai ter daqui para frente, caso uma terceira via não se consolide, vai ser novamente uma disputa de rejeições. O Felipe Nunes, meu colega da Quaest, fez um livro em que ele fala sobre a calcificação do voto. Eu iria mais além do que uma calcificação do voto. A gente tem hoje isso de pertencimento social. Tem gente que não é Bolsonaro, mas ela quer ser Bolsonaro porque a turma dela é Bolsonaro. Tem gente que não é Lula, mas ela vira Lula porque toda a turma dela é Lula. Nós estamos vivendo um momento de pertencimento. Que é mais ainda do que calcificação, porque calcificação é pedra que, se bater, uma hora ela quebra. Não é isso. É pertencimento.”
“Escolher, de novo, o menos pior”? — “Posso estar muito equivocado, mas pelo que eu tenho visto, não acredito que a gente vai ter uma ruptura, ainda mais sendo uma terceira via (Caiado ou Romeu Zema, do Novo) dentro de um espectro ideológico (da direita). Acho que a gente caminha novamente para uma polarização e nós vamos ter que escolher, de novo, entre o menos pior. O que é muito ruim para a sociedade brasileira. Vai ser uma disputa, de novo, entre dois polos que neste momento ainda estão mais negativados do que estiveram em 2022. Porque nós estamos vindo de uma década de que a vida não melhora. Uma década em que a gente teve quatro presidentes da República, Dilma, Temer, Bolsonaro e Lula. E a vida das pessoas não melhorou.”
Dificuldades do governo Lula — Ao mesmo tempo em que você tem esse crescimento de Flávio e essa consolidação dentro do bolsonarismo, do Flávio, você tem do outro lado três movimentos que vão fazendo o Governo Federal piorar na visão pública. O primeiro deles, em janeiro, um monte de conta para pagar e a lógica de que é um governo que só aumentou o imposto das pessoas. Número dois, escândalos de corrupção do tamanho do mundo. Caso Master e caso INSS. Um envolvendo o filho do presidente e o outro envolvendo o Supremo Tribunal Federal, que para a maioria das pessoas está mancomunado com o poder vigente. Então isso acaba influenciando o Lula. E a terceira coisa, e que é muito importante. Vamos lembrar que nós tivemos, na Marquês de Sapucaí, um desfile em que o presidente Lula foi homenageado por uma escola, a Acadêmicos de Niterói. E ali não foi só uma homenagem ao Lula, foi um ataque, em parte, a uma porção da população brasileira, que é cada vez mais crescente, que é a evangélica. O Lula, depois daquele ato, nos nossos trackings (monitoramentos em tempo real), perdeu de 9% a 11% de apoio entre os evangélicos.”
Nível de rejeição — “(Na pesquisa Nexus divulgada na segunda-feira) 48% das pessoas rejeitam o Flávio Bolsonaro e 49% rejeitam o Lula. Isso significa que 51% do eleitorado poderia votar no Lula e 52% do eleitorado poderia votar no Flávio. Ou seja, no limite do limite, eles podem ganhar uma eleição. Qual é o problema do Lula? O Lula está hoje sentado na cadeira e ele é o responsável pela situação política brasileira. É ele. A caneta está na mão dele. Então, o julgamento se dá mais em cima dele do que qualquer outra pessoa. Esse é o grande drama do Lula.”
Erika Hilton, deputada trans presidente da Comissão das Mulheres na Câmara Federal — “É uma forte cabo eleitoral do Flávio. Inclusive porque o eleitor do Lula, a massa que vota no Lula, é conservadora. O eleitor do Lula não é ideológico. A gente tem que parar com isso. O voto ideológico é muito pequeno. A esquerda UFRJ, a esquerda USP, ela é muito pequena no Brasil. O voto do Lula é um voto popular, das camadas mais baixas da população, e que é conservadora. É onde está o maior índice de pessoas que rejeitam o casamento entre pessoas do mesmo sexo, que rejeitam o aborto. E esse eleitor não vota no Lula pelas pautas progressistas do PT.”