Frederico: “Garotinho senador e Wladimir federal seria melhor dos mundos”

 

Por Aluysio Abreu Barbosa, Cláudio Nogueira, Hevertton Luna e Gabriel Torres

 

Qual o melhor dos mundos para o governo Frederico Paes? Garotinho eleito senador da República e Wladimir sendo deputado federal”. Foi o que pregou na manhã de ontem (10), em mais de duas horas de entrevista ao Folha no Ar, o novo prefeito de Campos. Com base na sua experiência de vice-prefeito até Wladimir renunciar ao cargo no último dia 2, visando se candidatar a deputado federal em outubro, mas também de ex-dirigente hospitalar, Frederico foi categórico: Uma cidade que tem um terço do orçamento gasto em saúde, não pode faltar nada (…) Não vai faltar, porque eu não vou admitir”. Também industrial, ele falou de projetos para reindustrializar o município, de agricultura, da relação com os vereadores, de segurança no Centro da cidade, de choque de ordem, do “calo” do transporte público, da reforma da ponte Barcelos Martins, do convite a Rosinha para integrar seu governo e refirmou ao pregar a unidade do seu grupo político: “Wladimir, politicamente, é o nosso líder”.

 

Prefeito Frederico Paes ontem (10) no estúdio da Folha FM 98,3 (Foto: César Ferreira/Secom)

 

Origem política — “Muita gente me conhece como produtor rural, engenheiro agrônomo e presidente da Coagro, mas queria falar do Frederico Paes político. Nunca abordei isso e hoje perguntam ‘quem é esse vice que assumiu a Prefeitura?’. Tem gente que não me conhece ainda. Meu pai foi vereador na década de 1970 por 12 anos, presidente da Câmara de Campos por duas gestões e tinha um orgulho imenso. Eu andava no Boulevard, mesmo depois que meu pai saiu da política, sem nunca perder uma eleição, e chamavam ele de “presidente”. Eu, muito pequeno, não entendia e ele falou que foi presidente da Câmara. Meu pai falava muito orgulho de ter sido político.”

Continuidade — “A gente tem que entender que não dá para fazer tudo ao mesmo tempo. Nós pegamos uma cidade destruída em 2021. Wladimir sempre coloca isso e é verdade. Não tinha dinheiro para nada, com duas folhas e meia de pagamento atrasadas, as UBS todas fechadas, destruídas, os hospitais caíram em pedaços, chovia no HGG. Foi há cinco anos, mas aquilo chocou todo mundo. O governo Wladimir e Frederico fez muito nessa época. Agora, é dar continuidade ao que deu certo.”

Reindustrialização — “Por exemplo, o que não conseguimos fazer, foi a instalação de uma ZEN (Zona Especial de Negócios) na Baixada Campista. Para quem conhece, do lado de Macaé, em Rio das Ostras, que tem uma ZEN. São empresas que vêm para servir, no caso de Macaé, servir a Petrobras, na época que foi instalada. A nossa ideia é trazer essas empresas e indústrias para servir ao Porto do Açu. E agora ao nosso também futuro Complexo Farol/Barra do Furado, que tem investimento privado de quase R$ 1 bilhão. Inicialmente vai ser para desmontar navios e plataforma. Vai trazer milhares de empregos na construção e também depois na efetivação do serviço. Temos, na Baixada, a possibilidade da reindustrialização da nossa cidade.”

Transporte público — “Temos que encarar os problemas. O Wladimir nunca escondeu e, inclusive na campanha, que o transporte público é calo no sapato do nosso governo. Wladimir me pediu isso na nossa conversa de transição, e falou: ‘É uma coisa que incomoda nosso governo, mas que nós vamos encarar de frente’. Nós já implementamos um estudo, porque sou engenheiro e tenho que trabalhar com técnica. Só que, às vezes, a técnica atrapalha um pouquinho porque ela demora. Alguém pode falar: ‘Vamos sair, comprar ônibus, fazer isso, fazer aquilo’. Eu preciso que as pessoas que conheçam no Brasil sobre transporte público me dêem a solução, porque não é uma solução fácil. Não estou parado, estou procurando. Quando você tem hoje o modelo de Campos com van e ônibus. Não é fácil trabalhar com essas duas situações. O transporte público é problema nacional, não é desculpa.”

Saúde pública — “Apesar de ser engenheiro, fui diretor do Hospital Plantadores de Cana durante 20 anos. Por mais que a gente faça, saúde sempre precisa de atenção especial. Nós reformamos os dois hospitais grandes. A urgência do Ferreira Machado é um exemplo de qualidade. Tomara que ninguém precise ir lá conhecer, mas é um exemplo de qualidade. Nosso HGG, hoje, é um exemplo de estrutura, assim como nossas UBSs e UPHs. Só que a reclamação na saúde, ela vai ser eterna. Eu vou dizer porque também, como diretor do hospital que eu fui. Ninguém vai ao hospital para passear ou para tomar café. Vão porque estão doentes ou um ente querido. A pessoa já chega ali com um nível de estresse altíssimo. Precisamos entender que essas pessoas precisam de acolhimento e carinho. No sentido de resolver o problema de saúde, claro, mas precisa de um acolhimento. Nossos queridos funcionários públicos fazem isso, mas a gente pode capacitar melhor.”

Prioridade — “Uma cidade que tem um terço do orçamento gasto em saúde, não pode faltar nada. Já tive reunião com nossa equipe e é inadmissível que falte qualquer coisa de assistência à saúde no município de Campos. ‘Frederico, você vai resolver isso com a varinha mágica?’ Não, eu sou gestor. Eu vou resolver e é uma promessa fiz a mim mesmo. Não pode uma saúde que gasta mais de R$ 1 bilhão de reais por ano faltar qualquer coisa dentro do hospital. Alguém vai falar hoje na minha rede social que estava faltando isso e aquilo. Não vai faltar, porque, de novo, eu não vou admitir. Quem me conhece como gestor sabe que não sou mais duro que ninguém, mas sou cobrador. O nosso pessoal é muito bom e competente. Vou dar condição a eles de cobrar a quem de direito de não faltar nada na saúde de Campos. Vai resolver isso em um mês ou seis meses? Não sei, mas é uma prioridade minha, do nosso governo, e o Wladimir também me pediu muito isso.”

Gratidão a Rosinha — “Foi feito um convite à ex-governadora Rosinha (para a secretaria de Trabalho e Renda). Quem não quer ter uma ex-governadora da nossa equipe? Tenho muita gratidão por ela ter ajudado o Hospital Plantadores de Cana lá atrás, que estava e ela, como prefeita, não ajudou a Frederico, mas o hospital a soerguer a maternidade. Transformamos um hospital que estava fechando na maior maternidade do interior do estado do Rio de Janeiro. Hoje é a única maternidade pública de Campos, porque apesar de ser filantrópico, atende 97% aos SUS. Quem me ajudou a fazer isso foi a Rosinha. São 450 crianças que nascem lá por mês.”

Rosinha não pode ainda assumir — “Convidei porque entendo que com sua competência ela poderia ajudar o governo. Nós não sabíamos, nem eu nem ela, mas a Rosinha está com um problema jurídico para ser equacionado. Assim que for equacionado, se Deus quiser, ela vai entrar no governo sim. Não sei qual é o tipo de ação, mas é um problema que ela não pode assumir, acho que da época de governadora. Peço desculpas aqui porque me precipitei. Ela confirmou, mas a gente não sabia. Logo no outro dia, uma advogada informou que ela não poderia. Mas, de qualquer forma, eu espero que resolva o problema.”

“Eu vou cobrar!” — “As outras mudanças pontuais serão feitas ao longo do nosso governo. E dentro daquilo que eu falei, não só na saúde, mas no governo inteiro, eu vou cobrar resultados. É o governo Wladimir Garotinho dando continuidade, mas é a gestão Frederico Paes. A minha gestão e a minha cara vão estar no governo. Brinquei em uma reunião interna que o Raúl Gil falava: ‘Pegue seu banquinho e saia de fininho’. Eu vou cobrar! ‘Frederico, possibilidade de você ser candidato em 2028 à reeleição?’ Talvez sim, mas eu não vou fazer um governo para isso. As pessoas que me conhecem sabem disso. Se o povo entender que a minha forma de fazer gestão vale a pena lá em 2028, eu vou seguir. Se não entender, vou chegar para Wladimir e falar: ‘Bota outra pessoa. Eu fiz o que eu acho que tinha que ser feito’. Não vou governar pensando em reeleição.”

Equipe — “Eu ajudei sim a montar a equipe. O Wladimir me deu a liberdade na saúde e na agricultura de montar equipe. Lá no início do governo, eu diria que não houve transição do prefeito anterior. O Wladimir me consultava das pessoas que a gente colocava. A equipe hoje é muito boa. Não estou falando aqui para agradar e nem passar a mão na cabeça de ninguém. Temos pessoas da equipe do governo Garotinho e da Rosinha que são pessoas experientes, capacitadas e preparadas. É o chamado cabeça branca. Esse foi um erro do governo Rafael Diniz. Colocou um monte de jovem. A gente precisa da empolgação do jovem, da força de trabalho, das ideias novas, mas precisa do chamado cabeça branca na experiência. É muito ruim você ter uma equipe boa quando muda o governo e desmonta a equipe. É uma equipe preparada. Nossos secretários são preparados e dedicados. Eu vou cobrar as pessoas do meu estilo. Vamos ter a reunião de secretariado semana que vem e vou dizer o meu modus operandi de trabalhar. A equipe do governo Wladimir e agora do governo Frederico. Eventualmente algumas mudanças podem ocorrer sim, mas seriam muito pontuais.

Centro de Campos — “Eu pessoalmente tenho estudado a questão de centros que foram perdendo ao longo do tempo a expressividade de comércio e de pessoas circulando. Não é um problema de Campos, mas principalmente depois da Covid. Nós temos que reinventar o Centro de Campos. Não adianta falar: ‘Vou trazer o comércio de volta para cá’. Eu acho que, tecnicamente falando, a gente precisa trazer pessoas para o Centro e as pessoas consomem. Dois anos e oito meses é muito pouco tempo, mas o que a gente pode buscar e já implantar é um projeto futuro para isso. Por exemplo, o Centro do Rio fez isso. A gente precisa estudar para trazer pessoas para morar no Centro em prédios que anteriormente eram comércio.”

Segurança no Centro — “Nós agora temos aqui a comandante Renata, do Batalhão da Polícia Militar. A questão da segurança é uma obrigação do Estado, da Polícia Militar, mas com uma integração com a nossa Guarda Municipal, a gente pode, sim, trazer mais segurança para o Centro da cidade. Já pedi uma reunião com a comandante Renata, provavelmente na semana que vem, com a nossa força de segurança, o capitão Levino, da Guarda Municipal. Para gente ver, de forma técnica, como pode melhorar a segurança, principalmente no período noturno.”

Choque de ordem — “Eu me surpreendi com Cabo Frio. Uma cidade organizada e a praia organizada. E isso às vezes é impopular. Quando o prefeito vai implementar esse choque de ordem, passa por mobilidade urbana, ocupação correta de espaços e isso no início pode parecer impopular. E o Dr. Serginho (prefeito de Cabo Frio) ficou impopular, sim, no início. Mas, como eu disse, talvez ele não esteja pensando em reeleição, mas pensando em fazer uma boa gestão. Ele implantou e hoje uma pessoa de lá que eu conheço, de uma classe menos favorecida economicamente, está muito feliz porque está tendo geração de emprego e de renda. Essa questão do choque de ordem não é fácil. Às vezes é, de certa forma, impopular, mas quando as pessoas de bem veem que a cidade está mais arrumada, que a cidade está com mobilidade melhor e se desenvolvendo para a maioria. Porque, normalmente, essa impopularidade é para uma minoria às vezes barulhenta que não quer que você ordene.”

 

Página 2 da edição de hoje (11) da Folha da Manhã

 

 

Frederico Paes no Folha no Ar de ontem (Foto: César Ferreira/Secom)

 

“À disposição da Justiça” — “Já pedi à nossa Procuradoria para marcar uma reunião eu diria genérica, porque são muitos assuntos, com todos os juízes de Campos, o Ministério Público de e também com a Defensoria. Qual o seu objetivo? É colocar a Prefeitura à disposição da Justiça de Campos, do Ministério Público e da Defensoria, para ver de que forma a gente pode ter como ouvir as demandas. Muitas vezes a Defensoria Pública ou Ministério Público entram com uma ação, a Justiça gasta energia enorme e tempo para, às vezes, atender uma ação de um cidadão. Isso pode, através de um colegiado, ser atendido.”

Gestão — “A gestão é uma só. Pode ser pública, privada, de um restaurante, de um hospital, de uma usina ou de uma prefeitura. Gestão é uma só. Administração é que é diferente. Pelas questões legais, a administração pública é diferente da administração privada. O que eu pretendo implantar é a nossa gestão Frederico Paes. Porém, com respeito às questões públicas. Então, sendo bem direto eu acho que a gente pode fazer, sim, através desse choque de ordem, uma melhoria para a maioria da população.”

Experiência privada e pública — “Na vida empresarial eu também passei por muita coisa, muitas experiências positivas e negativas, que fazem a gente amadurecer. E também essa minha experiência como vice-prefeito e aí, citando o Wladimir, eu tive a oportunidade de ver o que dá certo e o que não dá certo. Nosso governo vai ser um governo de continuidade, porém, implementando a nossa gestão. E essa experiência que eu tinha com mais de 30 anos no setor privado, mais esses cinco anos e três meses no setor público, como vice-prefeito, deixando a modéstia de lado, me capacita hoje para fazer uma boa gestão.”

Assistência Social — “Hoje entendo que assistência é necessária. Por exemplo, nós agora reinauguramos o Restaurante do Povo, que é o antigo Restaurante Popular. Tive a oportunidade, junto com o Wladimir e o deputado Bruno Dauaire, de reabrir. Agora nós reformamos com a parceria com o governo do Estado. Eu convidei os meus três filhos para ir lá conhecer. Por quê? Porque quem come ali é quem precisa comer. Tem Prefeitura em Ação, o Morar com Saúde, diversos programas que levam a Prefeitura a quem precisa, aos bairros mais carentes. Aí vem aquela velha máxima: ‘Tem que ensinar o cara a pescar’. Mas antes o cara precisa antes do peixe para se alimentar e depois aprender a pescar. Então a gente pretende, sim, fazer com que as pessoas, se Deus permitir, dependam cada vez menos do assistencialismo. Mas, enquanto precisem, que tenham essa assistência.”

Pré-candidaturas locais a deputado federal e estadual — “Temos que pensar nos pré-candidatos locais, seja para deputado estadual ou federal. O pré-candidato de fora aparece de quatro em quatro anos para pedir voto, talvez traz algum benefício momentâneo ao eleitor, e depois some. Então o eleitor precisa entender que quando você tem um candidato da sua cidade, da sua região, você tem como cobrá-lo durante o mandato. Quando é uma pessoa de fora que vem para cá pedir voto, você só vai poder cobrá-lo daqui a quatro anos porque ele é de outra região, de outra cidade, e não tem contato.”

Garotinho — “O Garotinho tem muita força. Então ele pode ser pré-candidato, sim, se tiver eleição direta para governador. Pode dar trabalho, ir para o segundo turno, pode tudo. Garotinho tem tamanho. Se não for a governador, ou até em outubro, para ser senador da República. Eu imagino que o Garotinho, sendo senador, teria um benefício para o Estado do Rio e para Campos enormes. Então, qual o melhor dos mundos para o governo Frederico Paes? Garotinho eleito senador da República e Wladimir sendo deputado federal. Campos teria um ganho enorme nisso. Não que não podemos eleger até dois deputados federais. Mas seria um desperdício do potencial do Garotinho para se eleger senador. Clarissa (Garotinho) teve 1 milhão e 200 mil votos (em 2022). E se não fosse o Daniel Silveira, que estava com impedimento jurídico, hoje ela seria senadora.”

Risco de rompimento — “Wladimir e Frederico Paes são pessoas diferentes. E nessa equação, vamos chamar assim, são duas pessoas que querem o bem da cidade. São duas pessoas que entendem que juntos vão trazer benefícios para o povo de Campos. São duas pessoas que trabalham durante cinco anos e três meses trazendo benefícios à população. Então não tem porquê haver qualquer tipo de rompimento no sentido de que eu hoje pertença a um grupo político. Falo isso com orgulho. O Garotinho falou: ‘O Frederico não tem grupo político’. Com todo respeito ao governador, eu tenho. Hoje eu pertenço ao grupo político. O grupo político não é meu, é nosso. Nós criamos isso. Se hoje o Wladimir, politicamente, é o nosso líder, eu ajudei a construir isso durante cinco anos e três meses. Wladimir não trabalha sozinho, ninguém faz nada sozinho, nós temos uma equipe de governo e um grupo político forte.”

Ponte Barcelos Martins — “Quando o ex-governador Cláudio Castro esteve aqui para lançar o batalhão em Guarus, nós pedimos a ele um auxílio. Porque aquilo ali é uma obra grande, não é só um pilar que cedeu, já teve um problema passado e agora está tendo outro. Então não podemos fazer uma reforma. É uma ponte importante para a população de Campos. São mais de 15 mil (que a usavam diariamente). Já foi feito o estudo e o levantamento. Estou respondendo diretamente aqui às pessoas. Nós já colocamos como medida emergencial e já foi decretada emergência pela Prefeitura. O Governo do Estado acatou e a obra vai ser feita. Quando eu falo obra, é uma obra grande, então nós vamos preparar a ponte para não acontecer de novo. Não adianta fazer uma obra provisória e daqui a pouquinho dar um problema. A segurança é prioridade. Então eu sei que hoje está causando transtorno, mas podem ter certeza que a ponte vai ser reformada o mais breve possível.”

Mandato-tampão a governador — “Eu acho que não é questão de preferência, é o que a Justiça determina. Apesar dos problemas que a gente está vendo do Supremo, nada melhor do que a mais alta corte do Brasil. O que a lei determina é o que tem que ser feito. Se eu prefiro direta ou indireta? Eu acho que não é assim. A lei tem que ser cumprida.”

Royalties — “Nós conseguimos, no governo Wladimir e Frederico, de 2021 para cá, reverter a dependência dos royalties. Quando a gente entrou, praticamente 70% ou 60% da nossa arrecadação total era dos royalties. Hoje é em torno de um terço, ou seja, 30% e poucos que a gente tem de royalties. Se tirar vai fazer falta? Um terço praticamente depende dos royalties. Então, diversos programas sociais, na própria saúde, são necessários ainda os royalties. Claro que a gente tem que trabalhar, como Wladimir vinha trabalhando, para depender menos.”

Agricultura — “A secretaria de Agricultura hoje é um exemplo do nosso governo. Pegamos a secretaria destruída, não tinha nada. Era uma casa velha atrás do Horto. Hoje nós temos uma secretaria com técnicos, engenheiros agrônomos, veterinários, técnicos e advogados. O professor Almy à frente da secretaria. É uma equipe técnica especializada. Desenvolvemos e melhoramos a questão do leite em Campos, abacaxi com muita força, cana-de-açúcar, bovinocultura de corte, agora a soja chegando com força também e eucalipto. Então nós demos realmente uma virada de chave na agricultura de Campos. Às vezes a pessoa não enxerga, porque a agricultura, e eu sou agricultor, sou engenheiro agrônomo, mas a agricultura não se faz a curto prazo. É médio e longo prazo.”

Patrulha rural — “Nós compramos mais de 150 equipamentos. Moto de enveladura, patrol e caminhão. Capacidade do Wladimir de conseguir emenda parlamentar. Grande parte do recurso que veio para a gente comprar esse equipamento, diversos tratores. Vamos entregar as chamadas patrulhas rurais. São equipamentos conjuntos para atender o produtor. Nós conseguimos isso através de emenda parlamentar que Wladimir teve a capacidade de buscar.”

Defesa dos royalties — “Campos tem que brigar pelos royalties o Estado do Rio também. Isso atinge não só o governo, atinge o cidadão. E eu confio muito no dr. Ricardo Couto. É o nosso presidente do TJ, é o governador do exercício. Estive lá como presidente da Ompetro, com o procurador-geral do estado do Rio de Janeiro, o doutor Renan, com mais 14 prefeitos representando os municípios. E foi mostrado ao dr. Ricardo Couto um estudo sobre o impacto nos municípios com a perda dos royalties, que é uma catástrofe. Eu tive a oportunidade de falar com o governador que é direito constitucional. Ele sabe disso como desembargador, está na Constituição. O Supremo Tribunal Federal vai ser votar no dia 6 de maio, já está em pauta para ser julgada a ação de inconstitucionalidade dessa lei que foi de 2012. Faço aqui uma reflexão para os amigos de casa. O presidente do TJ, um homem conhecedor da lei, que faz uma visita, há 20 dias atrás à Brasília, ao (ministro e presidente do STF, Edson) Fachin. Duas semanas depois, a Carmen Lúcia, que é a relatora do processo, bota em votação. Uma coisa que estava sob liminar desde 2012. Acho que vem notícia boa.”

Cofinanciamento da saúde — “Tivemos a oportunidade de falar com o governador do Estado sobre o cofinanciamento, que Campos este ano não recebeu nada da saúde. A saúde é tripartite. O Estado e a União tem que botar. Tem, não é favor. Todos eles têm que botar dinheiro. O Estado do Rio, infelizmente, não botou nada em Campos. Eu vou reivindicar isso veementemente e, se necessário, tornar público. Tem cidade no Estado do Rio que recebeu R$ 200 milhões de cofinanciamento. Por que Campos não recebeu nada? No ano passado, Wladimir teve um embate sobre isso enorme com o (ex-)deputado Rodrigo Bacellar na época, que travou o cofinanciamento de Campos. Uma política horrível.”

Diálogo com vereadores — “Nós vamos dialogar com todo mundo, oposição e independente. E muitas às claras, trazendo benefícios para o povo. Agradeço aos vereadores da base pelo apoio que sempre nos deram. Vou citar três nomes, por ilustração. O Fred Rangel (PP), que é o nosso presidente, o Dudu (Azevedo, REP), que é o atual líder de governo, e o Juninho Virgílio (Podemos), que foi até agora há pouco e vai ser nosso secretário de governo. Eu vou dizer aos 25 vereadores que quem quiser o bem de Campos, converse com o Frederico. Pode procurar que a gente senta para conversar. Agora, oposição só por ser oposição, ficar falando mal dos outros, isso é muito feio. Não contem comigo para isso. Eu não vou rebater isso em rede social. Quer o bem da cidade? Traz projeto. Se for um projeto bom, seja da oposição da situação, nós vamos aprovar e executar.”

Eleição a governador aberta — “A eleição está aberta. Douglas Ruas é uma pessoa que não é conhecida ainda da população. Aqui não é juízo de valor, é só uma opinião de um eleitor, não do prefeito de Campos. Se falasse isso há dois meses ou três meses, era pule de 10: Eduardo vai ganhar. Hoje existe uma força e uma classe política forte que estão apoiando a pré-candidatura do Douglas Ruas. Existe uma consolidação do Eduardo Paes, quatro vezes prefeito do Rio de Janeiro. É muito conhecido e agora lançou como pré-candidata a vice a irmã do Washington Reis, a Jane Reis. Acredito que teremos a oportunidade de ouvir as propostas.”

Peso do interior — “O interior vai ter um peso enorme nessa eleição. A Baixada Fluminense e o Rio de Janeiro podem se anular. Vai ter um equilíbrio pela própria força do Washington Reis, levando o voto para o pré-candidato Eduardo Paes. Para simplificar, pode ser que a cidade do Rio de Janeiro e a Baixada se neutralizem em termos de voto, e o interior vai pesar. Está aberta a eleição no Estado do Rio. Os pré-candidatos vão ter que sentar com os prefeitos, levar a proposta ao eleitorado. E, de novo, o Estado do Rio precisa dar uma guinada na história porque a gente precisa ter um governo forte politicamente e que olhe para o interior. Eu tenho esperança que a política no estado do Rio possa tomar novos rumos.”

Aposta no segundo turno e apoio a governador — “Isso é pule de 10 para mim: a eleição (a governador em outubro) em dois turnos. Frederico Paes não pode revelar voto, mas o prefeito de Campos vai analisar o que é melhor para a cidade. Eu não posso pensar em mim, mas no povo de Campos. Nós vamos observar, conversar, entender as propostas, o que é melhor para Campos. De novo, eu sou o prefeito da cidade de Campos. Eu não sou prefeito de A, B ou C. O que for melhor para a cidade nós vamos entender, vamos analisar e vamos seguir essa linha.”

Pacto — “Eu queria aqui agradecer e dizer para você, cidadão de Campos, cidadão de bem. Porque tem gente que não quer o bem e não vem comigo. Quem quiser o bem de Campos, vem com o Frederico Paes. Nós vamos procurar fazer uma gestão para as pessoas. Não vamos acertar nunca tudo, erro faz parte da vida. Mas podem ter certeza, com Deus no coração, com Deus à frente, nós vamos fazer o melhor. Eu prometo uma coisa a vocês, político faz promessa, mas eu prometo para minha família, para o povo de Campos: o que puder me esforçar e me dedicar para fazer uma boa gestão para vocês eu vou fazer.”

 

Página 3 da edição de hoje da Folha da Manhã

 

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Flávio cresce nos 51,5% dos brasileiros que não querem um Lula 4

 

(Infográfico; Joseli Matias)

 

De onde estão saindo as intenções de Flávio Bolsonaro (PL), em crescimento de cerca de dois dígitos (confira aqui) em todas as pesquisas presidenciais, de dezembro até este início de abril? Sem os antolhos de alguns torcedores lulopetistas em seu negacionismo tosco de Instagram, que até pouco tempo atrás creditavam aos bolsonaristas, hoje são 51,5% os brasileiros que acham que Lula (PT) não merece ser reeleito presidente.

Hoje, minoria de 45% acha que Lula merece novo mandato — Na pesquisa nacional Ideia (confira aqui) divulgada ontem (8), a primeira de abril, com margem de erro de 2,5 pontos para mais ou menos, fora dela é a minoria ainda relevante de 45%, 6,5 pontos a menos, que responderam “sim” à pergunta: “Lula merece outro mandato?” Outros 3,5% não souberam responder.

Tendência do presente desfavorável à reeleição (I) — Na comparação entre as pesquisas mensais Ideia deste ano eleitoral de 2026, as tendências também não são favoráveis à reeleição de Lula. Em janeiro, 50% dos brasileiros achavam que ele não merecia outro mandato. Eles oscilaram 1,5 ponto para cima aos 51,5% de abril. Também em janeiro, eram 47% os que achavam que o atual presidente merecia se reeleger. Eles oscilaram 2 pontos para baixo aos atuais 45%.

Teto de Flávio e toda a oposição no prmeiro turno: 51,5% — Entre estes 51,5% que hoje acham que Lula não merece outro mandato, estão as intenções de voto que migraram rapidamente a Flávio. E pode ser o teto tanto deste, quanto de todos os outros candidatos de oposição somados no primeiro turno: os ex-governadores de Goiás e Minas, respectivamente, Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo); o empresário Renan Santos (Missão) e o ex-ministro Aldo Rebelo (DC).

Teto quase igual nos que desaprovam o Lula 3: 51% — Esse possível teto da oposição nos eleitores que não querem um Lula 4 (51,5%) tem número quase exatamente igual aos 51% que hoje desaprovam o Lula 3, na mesma pesquisa Ideia de abril. Os que aprovam são uma minoria de 45%, também relevante, mas 6 pontos abaixo e fora da margem de erro. Outros 4% disseram não saber.

 

(Infográfico; Joseli Matias)

 

Tendência do presente desfavorável à reeleição (II) — Na comparação entre as pesquisas mensais Ideia deste ano eleitoral de 2026, as tendências novamente são desfavoráveis à reeleição de Lula. Em janeiro, 50% dos brasileiros desaprovavam a maneira como ele lida com seu trabalho de presidente. Eles oscilaram 1 ponto para cima aos 51% de abril. Como, em janeiro, eram 47% os que aprovavam o Lula 3. Eles oscilaram 2 pontos para baixo aos atuais 45%.

Dados da pesquisa — Com margem de erro de 2,5 pontos para mais ou menos, a pesquisa Ideia ouviu 1.500 eleitores de todos o Brasil por telefone, entre os dias 3 e 7 de março (anteontem). E foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-00605/2026.

 

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Prefeito Frederico Paes fecha a semana do Folha no Ar nesta 6ª

 

(Arte: Joseli Matias)

 

Novo prefeito de Campos, empossado (confira aqui) no último dia 2, Frederico Paes (MDB) é o convidado para fechar a semana do Folha no Ar nesta sexta (10), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3.

Ele dirá o que muda e o que continuará do governo Wladimir (PL), que saiu do cargo como pré-candidato a deputado federal em outubro, nos próximos dois anos e oito meses do governo Frederico em Campos.

O prefeito também analisará como sua experiência empresarial, à frente da Coagro e da antiga usina Sapucaia (confira aqui), e como ex-gestor do Hospital Plantadores de Cana (HPC), poderá ser aplicada à frente da administração pública municipal.

Por fim, Frederico analisará as chances de sucesso das pré-candidaturas a deputado federal e estadual de Campos e região. E, além de analisar as regras do Supremo Tribunal Federal (STF) a serem ainda definidas (confira aqui) a eleição de governador-tampão fluminense, tentará projetar, com base nas pesquisas mais recentes, as eleições de outubro a governador (confira aqui e aqui) e senador do RJ (confira aqui e aqui) e a presidente da República (confira aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui e aqui).

Quem quiser participar do Folha no Ar desta sexta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook e no YouTube.

 

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Arthur Soffiati — Um pulo nos anos 1950 de Jack Arnold

 

“O incrível homem que encolheu”, de 1957, considerado a obra-prima do diretor Jack Arnold, hoje injustamente esquecido

 

Arthur Soffiati, historiador, professor, escritor, ambientalista e crítico de cinema

Um pulo nos anos de 1950

Por Arthur Soffiati

 

Havia muitas casas cinematográficas na década de 1950. Não seria possível visitar todas numa breve crônica. É preciso escolher uma. Escolhi a casa de Jack Arnold, nascido em 1916 e falecido em 1992. Quem assisti a um filme dele atualmente talvez conclua tratar-se de um diretor de filme B, com recursos risíveis. Luto contra o presentismo.

É preciso situá-lo em sua época. Terminada a Segunda Guerra Mundial, em 1945, a Guerra Fria travada entre Estados Unidos e União Soviética levantou três temas para o cinema: 1- uma possível nova guerra mundial, agora com armas nucleares; 2- os perigos decorrentes das pesquisas científicas, sobretudo com o átomo; e 3- perigos decorrentes de viagens espaciais. Este último camuflou muitas vezes a ameaça representada pela União Soviética, mas também perigos que poderiam decorrer da expansão espacial, que estava em curso.

Jack Arnold se destacou com filmes sobre os perigos das pesquisas científicas sem ética e o contato com ETs. Destaco três marcas particulares do cineasta, que chegou a contar com bons orçamentos e a dirigir filmes antológicos. Em “A ameaça que veio do espaço” (1953) e em “Tarântula” (1955), ele segue o padrão de muitos filmes estadunidenses da década de 1950: um evento que pode ganhar a atenção do mundo ocorre numa cidadezinha do interior.

Em “A ameaça…”, um cientista renomado vai morar numa pequena cidade do deserto do Arizona. Um belo dia, o casal presencia uma bola de fogo no céu caindo numa cratera. Seria um asteroide? O cientista descobre que se trata de uma nave espacial. Ele entre em contato com os tripulantes, que, como em “Vampiros de Almas” (1956), os ETs podem assumir a forma de homens e mulheres para não serem notados. Mas eles não pretendiam pousar na Terra. Não eram invasores. Tudo não passou de um acidente. O roteiro se baseia em história de Ray Bradbury.

Em “Tarântula”, cientistas trabalham num laboratório perdido no meio do deserto do Arizona, fazendo experiências para aumentar a oferta de alimentos a uma população terrestre que cresce em progressão geométrica. A intenção é boa, mas o resultado não. É preciso contar com o erro, que consiste na produção de um hormônio que aumenta animais e deforma humanos.

O perigo é representado por uma tarântula que escapa de jaula e ganha proporções gigantescas. Nesses dois filmes, Arnold demonstra seu amor pelo deserto e seus habitantes. O deserto não é apenas um cenário, mas também personagem. A tarântula não é má. Ela é apenas vítima da ciência. Mas precisa ser destruída. Para tanto, é necessário o uso de napalm. Nesse filme, Arnold lança o jovem Clint Eastwood.

Em “O monstro da lagoa Negra” (1954), o diretor deixa o deserto e se enfurna na Amazônia, embora tenha simulado o ambiente equatorial na Flórida. Um cientista descobre uma garra em suas escavações e busca auxilio de especialistas. Trata-se de fóssil do Devoniano, período geológico que parece ter chamado a atenção do cineasta.

Pesquisas feitas numa lagoa evitada por nativos revelam um “monstro” meio peixe, meio humano. Em todos os filmes de Arnold, há uma mocinha do tipo violão com soutien de enchimento. O mostro se apaixona por ela. O filme tem uma cena que chamou a atenção de Ingmar Bergman. O filme teve mais duas continuações com os mesmos truques, mas sem o mesmo sucesso do primeiro.

Em “O incrível homem que encolheu” (1957), considerado sua obra-prima, uma nuvem radioativa atinge um homem e provoca nele um processo de encolhimento progressivo. Sua esposa acredita que ele tenha sido devorado pelo gato da casa, mas ele está no porão procurando sobreviver. Depois de enfrentar uma aranha (mais uma vez ela) com uma agulha e de matá-la, seu encolhimento prossegue. Trata-se de um filme existencial em que um homem é lançado pelo acaso numa aventura não-humana.

Por fim, o retorno à paleontologia e ao Devoniano em “O monstro sanguinário” (1958). Um cientista trabalha com um celacanto, peixe do Devoniano. Aos poucos, vai descobrindo que contatos com resíduos do peixe provocam involução. Ele mesmo é vítima desse retrocesso evolutivo e provoca sua morte. Esse filme pode perfeitamente ser enquadrado na categoria B.

Arnold enveredou pelo faroeste, com “Balas que não erram” (1959). Na Inglaterra, dirigiu, ainda em 1959, a comédia “O rato que ruge”, com Peter Sellers em início de carreira. Na televisão, dirigiu episódios de “Perry Mason”, “Peter Gunn”, “A família Sol-Lá-Dó” e outros. Aos poucos, foi esquecido.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

Confira o trailer do clássico “O incrível homem que encolheu”:

 

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Matheus José — O poder requer contenção

 

 

 

Matheus José, advogado

O poder requer contenção

Por Matheus José(*)

 

Sábio imperador da Roma Antiga, ao chegar ao poder, conversando com um seleto grupo de colaboradores, demonstrou a decepção decorrente da conclusão de que vários de seus antecessores abusaram, atuaram além dos limites de poderes que lhes foram conferidos.

Optando trilhar um caminho diferente, criou uma espécie de “pequeno conselho”, o qual era composto por cinco conselheiros de confiança, no intuito de se discutir diversas questões importantes. Porém, acima de tudo, o Imperador fechou uma questão rígida: na abertura dos trabalhos, esses conselheiros deveriam, custe o que custar, sem receio de desgaste para com o Imperador, proceder ao “Lembrete da Contenção” com frases tais como “Lembre-se: você é apenas um homem”, “O poder requer contenção”, “Apesar do Poder que tens, saibas que ele não é absoluto e infinito”.

Uma das ideias centrais de Montesquieu (1689-1755) é a premissa de que “só o poder controla o poder”. Esta forte premissa foi cunhada em nossa Constituição da República. Deveria ser diretriz estruturante de todo detentor de poder. Fazer valer seu juramento. Honrá-lo! Exercer seu poder com responsabilidade e adequada contenção. Nunca abusar ou se omitir de exercê-lo. Mais nociva à República do que o abuso explícito de poder é, muitas vezes, a omissão deliberada no exercício dos freios e contrapesos. Uma verdadeira cumplicidade estrutural voltada à preservação de privilégios e à blindagem de quem excedeu seus limites, que tem gerado atualmente na erosão da legitimidade das instituições detentoras de poder em nosso país.

 

O Legado de Jürgen Habermas – O que deixamos de aprender?

Falecido no último 14 de março, nascido na Alemanha em 1929, Habermas viveu o nazismo quando jovem. Integrante da Escola de Frankfurt, desenvolveu seu trabalho visando criar mecanismos contrários ao autoritarismo, populismo irracional e abuso de poder. Propôs “mudança estrutural na esfera pública” e uma adequada “teoria do agir comunicativo”, titulando nesses termos duas das suas principais obras.

Em uma humilde pontuação, extrai-se de suas obras que uma sociedade só evolui de forma consistente quando o debate público é efetivamente democrático, íntegro e coerente. Seja na esfera do debate público, decisões administrativas de gestores, decisões judiciais (artigo 926 do CPC, Lenio Streck). Ou seja, nas decisões de poder que geram impacto na vida das pessoas, na coisa pública e na credibilidade das instituições detentoras dos poderes da República, há um claro atraso na inserção de tais conceitos qualitativos.

Sem isso continuaremos dissipando tempo e energia em meio a escândalos e debates descomprometidos com a efetiva verdade conceitual e justeza das coisas. Sem contenção do poder e sem integridade no debate público, não há legitimidade. E sem legitimidade, não há República que se sustente.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Governo Frederico Paes e eleições no Folha no Ar desta quinta

 

(Arte: Joseli Matias)

 

Industrial do açúcar e presidente do Sindicato da Indústria Sucroenergética do Estado do Rio de Janeiro (Siserj), Geraldo Hayen Coutinho é o convidado do Folha no Ar desta quinta (9), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3.

Ele dará, sob a perspectiva do seu setor, a perspectiva do novo governo (confira aqui, aqui, aqui e aqui) do também industrial do açúcar Frederico Paes (MDB) em Campos.

Geraldo também falará da eleição a governador-tampão do RJ, com regras a serem definidas hoje (8) pelo Supremo Tribunal Federal (STF), e as consequências desses movimentos na eleição a governador do RJ (confira aqui e aqui) em outubro. Assim como a disputa pelas duas cadeiras que o estado (confira aqui e aqui) elegerá ao Senado.

Por fim, com base nas sete pesquisas nacionais de março (confira aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui) e na primeira deste início de abril (confira aqui), ele analisará a tendência presente de crescimento de Flávio Bolsonaro (PL) nas intenções de voto contra Lula (PT), na disputa a presidente da República.

Quem quiser participar do Folha no Ar desta quinta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook e no YouTube.

 

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Flávio segue crescendo em abril e passa Lula ao segundo turno

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Em tendência de crescimento contra Lula (PT) em todas as sete pesquisas presidenciais de março (confira aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui), Flávio Bolsonaro (PL) continua em ascensão neste início de abril. A seis meses da urna de outubro, foi isso que revelou a pesquisa do instituto Ideia divulgada hoje. Na qual, de janeiro a abril, Flávio cresceu 9,8 pontos na simulação de segundo turno com Lula. A quem hoje bateria numericamente por 45,8% a 45,5%.

Atlas e Paraná também com Flávio à frente no segundo turno — A diferença de apenas 0,3 pontos é matematicamente desprezível, em empate técnico na margem de erro de 2,5 pontos para mais ou menos da pesquisa Ideia. Porém, se todos as pesquisas registram o crescimento de Flávio, duas outras já o tinham revelado numericamente à frente em março, também em empate técnico, no segundo turno contra Lula: AtlasIntel (Flávio 47,6% a 46,6% Lula) e Paraná (Flávio 45,2% a 44,1% Lula).

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Lula lidera em empate técnico ao primeiro turno — Na pesquisa Ideia, Lula continuou liderando numericamente as consultas espontânea (32,6% a 19,4% de Flávio, 13,2 pontos atrás) e estimulada, com a apresentação dos nomes ao eleitor, ao primeiro turno. Mas, na estimulada, em outro empate técnico na margem de erro com Flávio, que teve 37% de intenção de voto, 3,4 pontos abaixo, contra os 40,4% do petista.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Flávio cresceu 13,3 pontos na espontânea e 9,4 na estimulada — Na série de pesquisas mensais Ideia desde janeiro, no entanto, a mesma tendência de crescimento real de Flávio também se repete nas consultas espontâneas e estimulada ao primeiro turno. Na espontânea, que revela o voto consolidado, Flávio saltou 13,3 pontos dos 6,1% em janeiro aos atuais 19,4%. Já estimulada ao primeiro turno, Flávio saltou 9,4 pontos dos 27,6% de janeiro aos atuais 37%.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Lula patina nos três últimos meses — No mesmo período de três meses, Lula patinou nas mesmas consultas das pesquisas Ideia. Na espontânea, oscilou 0,6 ponto para cima entre os 32% de intenção que tinha em janeiro aos atuais 32,6%. Já na estimulada ao primeiro turno, o petista oscilou 0,8 para cima, entre os 39,6% de janeiro aos atuais 40,4%.

Lula lidera rejeição, seguido por Flávio — Índice considerado fundamental para a definição do segundo turno, a rejeição registrada em abril pela Ideia é liderada por Lula: 44,2% dos brasileiros, hoje, não votariam nele. Em segundo lugar, mas fora do limite da margem de erro, ficou Flávio, com 37,5% de rejeição, 6,7 pontos a menos que o petista.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Os demais na rejeição — A lista do índice negativo na pesquisa Ideia seguiu com os ex-governadores de Goiás e Minas, respectivamente, Ronaldo Caiado (PSD), com 20,4% de rejeição, e Romeu Zema (Novo), com 17,5%; o empresário Renan Santos (Missão), com 16%; e o ex-ministro Aldo Rebelo (DC), com 11%. Outros 2,2% dos brasileiros disseram não rejeitar ninguém.

Dados da pesquisa — Com margem de erro de 2,5 pontos para mais ou menos, a pesquisa Ideia ouviu 1.500 eleitores de todos o Brasil por telefone, entre os dias 3 e 7 de março (ontem). E foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-00605/2026.

William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE

Análise do especialista — “A pesquisa Ideia de abril testou o confronto de Lula com cinco candidatos no campo da direita no segundo turno. Em todos os cenários testados, Lula patina e os adversários cresceram em intenção, na comparação com março. O teto de intenção de Flávio Bolsonaro segue desconhecido e que a Meio de abril é a primeira do instituto a registrar vantagem numérica dele sobre Lula no segundo turno, ainda, porém, dentro da margem de erro. A pesquisa também registrou que Lula é o nome mais rejeitado pelo eleitorado”, resumiu William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE.

 

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Flávio como “candidato altamente competitivo” no Financial Times

 

Flávio no Financial Times como “forte candidato” a presidente do Brasil

 

Flávio competitivo no Financial Times

Em sua edição de ontem (7), o jornal britânico Financial Times disse que a família Bolsonaro estava “politicamente acabada”. Mas que “a seis meses das eleições presidenciais brasileiras, Flávio Bolsonaro, o filho mais velho, de temperamento mais ameno, emergiu (confira aqui) como um candidato altamente competitivo”.

 

Plataforma semelhante à de Jair

Segundo o influente jornal britânico, “a plataforma (de Flávio) é semelhante à de seu pai: uma mistura de posições de extrema-direita em questões sociais e de combate ao crime, com visões de centro-direita sobre a economia, além de uma crença fervorosa de que Bolsonaro pai foi condenado (por tentativa de golpe de Estado) injustamente.”

 

El Salvador será aqui?

O Financial Times destacou que, na segurança pública, Flávio busca uma medida de força como o encarceramento em massa do presidente de El Salvador, Nayib Bukele. E enfrentaria o crime no Brasil “com jovens de 16 anos sendo julgados como adultos e a idade mínima para crimes como homicídio e estupro reduzida para 14 anos”.

 

O que pesquisas de abril dirão?

Quem é contra essas propostas terá que arrumar, nos seis meses até a urna, argumentos mais convincentes do que “fascista” ou tentar relativizar a misoginia do “bem” (confira aqui) de uma Erika Hilton. As pesquisas de abril dirão. A depender se Flávio baterá teto de intenção ou se seguirá a tendência de ascensão desde dezembro de 2025.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Lula em má fase até nas pesquisas internas do seu marqueteiro

 

Lula e seu ministro da Comunicação e marqueteiro, Sidônio Palmeira

 

Lula 3 mal até nas suas pesquisas

Não foi só nas sete pesquisas presidenciais de março (confira aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui) que Flávio Bolsonaro (PL) cresceu nas intenções de votos, enquanto Lula (PT) patina desde 2025, em oscilação de queda. Nas pesquisas qualitativas realizadas pelo ministro da Comunicação Sidônio Palmeira, a grande maioria dos eleitores também sinaliza (confira aqui) insatisfação com o Lula 3.

 

Lula irritado com má fase

Ministro e marqueteiro de Lula, Sidônio não teria conseguido tirar das pesquisas qualitativas explicações para a rejeição ao atual Governo Federal. O fato é que as últimas pesquisas quantitativas a presidente, algumas delas com Flávio já liderando numericamente um eventual segundo turno, têm (confira aqui) irritado bastante Lula.

 

Ações, até aqui, sem efeito

Nem o início da isenção de Imposto de Renda (IR) a quem ganha até R$ 5 mil, válido desde janeiro, foi capaz de dar fôlego ao Lula 3. Os reajustes de programas sociais, habitacionais e a criação de novos benefícios às classes socioeconômicas baixa e média-baixa também não se refletiram, até aqui, na popularidade do presidente.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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“Come cru” x “amado pai” entre Garotinho e Wladimir a federal

 

 

Garotinho e Wladimir (Foto: Instagram)

Come cru x amado pai

“O apressado come cru e quente”, advertiu (confira aqui) na segunda-feira (6) o ex-governador Anthony Garotinho (REP). “Não é apressado, meu amado pai, é ser responsável. A cidade não pode ficar sem deputado federal, mas você e Clarissa permitiram isso na última eleição e a cidade sofre”, respondeu (confira aqui) o filho ex-prefeito, Wladimir Garotinho (PL).

 

Garotinho questiona Wladimir

O embate se deu nas redes sociais de Garotinho, em que ele postou: “Aconselhei, mas cada um decide o que vai fazer de sua vida política. Serei candidato a governador se tiver eleição direta em julho, em outubro serei candidato a deputado federal. Mas (Wladimir) escolheu disputar com o pai podendo ficar na Prefeitura. Por que será?”

 

Wladimir questiona Garotinho

“Sempre tive minha definição e fui claro, enquanto você (Garotinho) não decide que cargo disputar. Hora deputado, hora governador e hora senador. Já que tem tantas opções, escolha aquela que não cause mais um conflito na sua família. Terá meu total e irrestrito apoio, como sempre teve”, disse Wladimir, pré-candidato a deputado federal.

 

George Gomes Coutinbho, cientista político e professor da UFF-Campos

Da psicanálise à ciência política

“Creio que colegas da psicanálise, diante dessa relação edipiana, teriam muito a dizer. Todavia, na minha seara e abrindo mão de Freud, o que pai e filho fazem é usar as redes sociais para criar constrangimentos mútuos e interferir a tomada de decisão do outro”, avaliou o cientista político George Gomes Coutinho, professor da UFF-Campos.

 

São os votos em disputa

“Isso é fazer política, em termos bastante diretos. Saímos de Sófocles (autor da tragédia ‘Édipo Rei’, em que pai e filho disputam o mesmo trono) para entrar em uma competição marcial pelos votos do eleitor. Que podem não ser suficientes para eleger dois Garotinhos ao Legislativo Federal. É isso que está em disputa”, concluiu George.

 

Hamilton Garcia, cientista político e professor da Uenf

Caráter patrimonial-familiar

“A fala de Garotinho, censurando o filho por postular volta à Câmara Federal sem seguir sua orientação, é típica de briga partidária. Como no Brasil a maioria dos partidos tem forte caráter patrimonial-familiar, então a divergência assume a forma de ‘desavença familiar’” analisou o cientista político Hamilton Garcia, professor da Uenf.

 

Personagens diferentes, mesma estrutura

“A questão já havia aparecido quando Wladimir cogitou pela primeira vez se afastar do cargo, e se baseou na experiência de Garotinho (confira aqui) com seus vice-prefeitos Sérgio Mendes e Arnaldo Viana. Os contextos e os personagens são diferentes, mas a estrutura é a mesma: uma municipalidade empoderada por royalties”, concluiu Hamilton.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Missa de 7º Dia de Nelinho às 19h desta quinta, no Salesiano

 

Falecido precocemente, aos 30 anos, em um trágico acidente com o avião de pequeno porte que pilotava, na última sexta-feira (3), no Rio Grande do Sul, em que morreram também os outros três ocupantes, Nélio Maria Batista Pessanha (confira aqui) terá sua missa de sétimo dia celebrada nesta quinta (9). Que começa às 19h, na Igreja do Salesiano, na avenida Dom Bosco, nº 49, Parque Tamandaré.

Seus pais, os jornalistas Jô Siqueira e Luiz Costa, seus irmãos Ana Luíza e Adriano, e demais familiares convidam todos os amigos para orar em agradecimento pela vida e em intenção da alma de Nelinho, como ele era carinhosamente conhecido desde criança.

 

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Governo Frederico e eleições no Folha no Ar desta quarta

 

(Arte: Joseli Matias)

 

Sociólogo, professor da UFF-Campos e escritor, Fabrício Maciel é o convidado do Folha no Ar desta quarta (8), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3.

Ele dará, sob a perspectiva da esquerda universitária goitacá, a perspectiva do novo governo (confira aqui, aqui, aqui e aqui) do industrial do açúcar Frederico Paes (MDB) em Campos.

Fabrício também falará da eleição a governador-tampão do RJ, com regras a serem definidas (confira aqui) pelo Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quarta, e as consequências desses movimentos na eleição a governador do RJ (confira aqui e aqui) em outubro. Assim como a disputa pelas duas cadeiras que o estado (confira aqui e aqui) elegerá ao Senado.

Por fim, com base nas sete pesquisas nacionais de março (confira aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui), o sociólogo tentará analisar a tendência presente de crescimento de Flávio Bolsonaro (PL) nas intenções de voto contra Lula (PT), na disputa a presidente da República.

Quem quiser participar do Folha no Ar desta quarta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook e no YouTube.

 

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