“A foto saiu legal” — Afilhados, filho e a América do Sul de Messi

 

 

Aos 54 anos, era a primeira vez em quatro décadas que assistiria a uma Copa do Mundo do futebol como torcedor comum. A última tinha sido em 1986, aos 14 anos. Quando passou dois dias chorando por saber que seu ídolo, Zico, seria culpabilizado pelo pênalti que perdeu no tempo normal do Brasil e França nas quartas de final.

Por amor ao futebol e a lida de jornalista que abraçaria no início da juventude, desde a Copa de 1990 passou aquela e todas as demais tendo que escrever sobre os jogos. Saber e relatar em texto: Quem marcou o gol? Como? Com que perna? De cabeça? Quem deu o passe? Como? Com que perna? Houve falha na defesa? De quem?

É um tipo de audiência hiperfocada que não permite conversa paralela ou ingestão de bebida alcoólica. Desta, se permitiria duas exceções pela data: 24 de junho, dia de João Batista, do seu aniversário e de Messi. Assim, bebeu e sofreu ao completar 18 anos no 1 a 0 da Argentina que eliminou o Brasil nas oitavas de final da Copa de 1990. Com gol de Caniggia, após jogada brilhante de Maradona, que literalmente acabou com a festa.

Como bebeu e foi mais feliz no 24 de junho de 1994, Copa seguinte, quando o Brasil e Camarões pelo segundo jogo da fase de grupos foi assistido, em meio a amigos, numa casa em Atafona que o Atlântico levaria. Anos depois dos gols de Romário, Márcio Santos e Bebeto definirem o placar. Numa campanha que marcaria a primeira conquista de uma Copa do Mundo pelo Brasil que testemunhou. Cuja final contra a Itália assistiu com seu pai.

Fora essas duas exceções, escrevendo para jornal impresso e, depois, para site e blog, Copa do Mundo era trabalho. E, mesmo que muito prazeroso, sem direito a festa ou bebedeira. Mas com direito a edição extra de jornal na Copa de 2002, no Japão e Coreia do Sul, pelos horários dos jogos entre a madrugada e início da manhã brasileiras. Em que o Brasil de Rivaldo e Ronaldo Fenômeno também seria campeão.

Capa da Folha da Manhã da edição de 1º de julho de 2006

Na Copa seguinte, de 2006, no dia do jogo pelas quartas de final entre Brasil e França, editou a capa do jornal de alto a baixo, nos cantos opostos, com as fotos recortadas de perfil de Ronaldo e Zidane, se encarando e sorrindo, com o título “Quem vai rir hoje?”. Zidane riu por último. Mas aquela capa depois integraria o livro “As Melhores Primeiras Páginas dos Jornais Brasileiros”, da Associação Nacional de Jornais (ANJ), editado em 2010.

Naquela Copa de 2006, em que Zidane foi expulso na final após se deixar levar por uma provocação e dar uma cabeçada no peito do zagueiro Materazzi, contra a Itália e que deu a esta ao título, arriscou publicar o vaticínio no rescaldo do Mundial. Com a aposentadoria do craque francês, o maior jogador de futebol da Terra seria Messi.

Vinte anos depois, na Copa de 2026, já tinha marcado viajar a Argentina, Uruguai e Chile, entre julho e o início de agosto com o afilhado, irmão materno do seu único filho, falecido precocemente em 2023 e com quem já tinha conhecido os três países. Como não poderia cobrir profissionalmente toda a Copa, optou em vê-la como espectador normal. E se limitou a comentários episódicos em jornal, rádio, streaming e TV.

Ainda no Brasil, o 24 de junho de 2026 traria outro jogo do Brasil em Copa do Mundo. Talvez a melhor atuação de um time envelhecido, com alguns ex-jogadores em suposta atividade. Foi contra a Escócia, na terceira partida da fase de grupos. Em que Vini Jr., único craque brasileiro dessa Copa, marcou dois gols dos 3 a 0. Com Matheus Cunha completando o placar.

Também ainda estava no Brasil quando este foi eliminado por 2 a 1 pela Noruega em 5 de julho, pelas oitavas de final. Com dois gols do viking Haaland e um, de pênalti, do ex-jogador mais emblemático da sua geração fracassada. Não por falta de talento, mas de caráter, evidenciada mais uma vez na discussão patética com o goleiro norueguês.

Padrinho e afilhado desembarcaram do Rio em Buenos Aires no dia 10. No dia seguinte, assistiram ao Argentina e Suíça, pelas quartas de final, do quarto do hotel. Este, dolosamente escolhido pela proximidade com o Obelisco, no cruzamento das avenidas Corrientes e 9 de Julho, ponto nevrálgico das comemorações argentinas no futebol.

Comemoração brasileira do gol de Álvarez na prorrogação do Argetinha e Suíça, na avenida Corrientes e com o Obelisco ao fundo, à 0h33 da madrugada fria de 12 de julho em Buenos Aires

Com o empate de 1 a 1 no tempo normal, gols do argentino Mac Allister e do suíço Ndoye, padrinho e afilhado saíram para ver na rua a prorrogação, em meio à multidão hipnotizada por cada tela de TV disponível. Foi pela réstia de visão à distância de uma delas, numa calçada da Corrientes, que assistiram ao golaço do centroavante Julián Álvarez. E, mesmo antes do apito final, partiram para a comemoração no Obelisco.

Quando voltavam, encararam o mar albiceleste de gente que desaguava ao Obelisco na direção contrária, até onde a vista alcançasse pela longa e larga Corrientes. No caminho, um torcedor abraçou o jornalista de férias e gritou eufórico: “Argentina campeona, papá!” Padrinho e afilhado brasileiros se converteram. E só quando voltaram ao hotel souberam do gol final de Lautaro, já nos descontos da prorrogação.

Flamenguistas no Estádio Centenário de Montevidéu em 14 de julho de 2026, contrstuído para a primeira Copa do Mundo em 1930 e one o Flamengo foi campeão da Libertadores da América pela primeira vez, em 23 de novembro de 1981, com dois gols de Zico

Cruzaram a imensidão do Rio da Prata por ferry de Buenos Aires a Montevidéu no dia 14. Quando deixaram as malas no hotel e foram ao Estádio Centenário, erguido para a primeira Copa do Mundo, em 1930. Que o padrinho tinha conhecido com seu filho, irmão do afilhado, alguns anos antes. Naquele mesmo dia, veriam depois a Espanha do maestro Rodri anular a temida França de Mbappé, batida com relativa facilidade por 2 a 0.

No dia 15, pegaram o carro alugado em que o padrinho os conduziu pela estrada na imensa planície de aluvião uruguaia, maior que a goitacá na mesma proporção em que o Paraíba do Sul vira um córrego diante do Prata. Foram a Colônia de Sacramento, espécie de Paraty fluvial. E escolheram o restaurante Qué Tupé, que o padrinho também conhecera anos atrás com o filho, para assistir à outra semifinal, entre Argentina e Inglaterra.

Aluysio e Aquiles no restaurante Que Tupe, em Colônia de Sacramento, já no início da noite de 15 de julho no Uruguai, após a Aregntina bater a Inglaterra de virada e se classificar à final da Copa do Mundo de 2026

Em jogo tenso, a Inglaterra abriu o placar com o gol do atacante Gordon, pouco antes dos 10 minutos do segundo tempo. E estacionou um daqueles típicos ônibus britânicos e vermelhos de dois andares em frente ao seu gol. Até que aos 39 de etapa final, Messi driblou dois marcadores na direita e passou a Enzo Fernández em frente à meia lua da área. Que bateu forte para quebrar a primeira janela do tal ônibus.

Após uma bola argentina na trave, um Messi de 39 anos, já nos descontos do tempo normal, correu atrás do rebote. Novamente da direita, ele novamente driblou dois marcadores. E cruzou de perna destra, a supostamente ruim de um canhoto. A trajetória milimétrica da bola encobriu o goleiro e um zagueiro antes de chegar à perfeição na cabeça de Lautaro. Que capotou o ônibus inglês e pôs a Argentina na final.

Com camisas de Messi e Maradona, padrinho e afilhado brasileiros comemoraram com os argentinos no restaurante uruguaio. Após o jogo, retornaram no carro alugado, chegando noite alta em Montevidéu. Dois dias depois voltaram de ferry a Buenos Aires. De onde tomaram avião no sábado do dia 18, véspera da final, a Bariloche.

Brasileiros no aquece da torcida albiceleste antes da final da Copa do Mundo entre Argetina e Espanha, na fria praça aberta do Centro Cívico de Bariloche, ás margens do lago , aonde voltariam para acompanhar a prorrogação do jogo, em 19 de julho de 2026

Mais uma vez, viram o tempo normal de jogo no quarto do hotel. Em um 0 a 0 em que a Espanha controlou a posse de bola, impedindo-a de chegar a Messi como fizera com Mbappé. Após a expulsão de Enzo Fernández nos descontos, foram ver a prorrogação em meio aos milhares de argentinos reunidos diante do telão, sob o frio de 0 °C, no espaço aberto da praça do Centro Cívico da cidade, às margens do lago Nahuel Huapi.

Ao final dos 15 minutos do primeiro tempo da prorrogação, o dito popular foi confirmado: “Água mole em pedra dura tanto bate até que fura”. Ou no castelhano de espanhóis e argentinos: “La gota de agua perfora la roca no por su fuerza, sino por su constância”. Em passe de cabeça de Niko Williams dentro da área, o também atacante Fernan Torres marcou de pé direito o gol da Espanha.

No segundo tempo da prorrogação, mesmo com um homem a menos, a Argentina teve duas chances claras de empatar e levar a decisão à disputa de pênaltis. Uma com o zagueiro Senesi, dentro da pequena área. A outra com o atacante Simeone, que chutou por cima do gol, numa sobra de bola adiante da marca do pênalti.

Ao apito final, com a segunda Copa do Mundo da Espanha, padrinho e afilhado brasileiros testemunharam os aplausos de orgulho dos argentinos. Naquela praça de Bariloche talvez mais fria com a derrota justa, viram apenas um torcedor albiceleste caído em prantos. Como o padrinho por conta de Zico em 1986, 40 anos antes.

Messi disputou três finais de Copa do Mundo e ganhou uma, marcando dois gols na de 2022, quando conduziu a Argentina ao título. Por isso, fica abaixo de Pelé e apenas dele. Que disputou duas finais de Copa e levou ambas, em 1958 e 1970, marcando três gols no conjunto. Em 1962, se contundiu e desfalcou o time já no segundo jogo do Brasil, campeão pelas pernas tortas do gênio de Mané Garrincha.

O padrinho de 54 anos não viu Pelé jogar. O afilhado de 17 sequer viu o Brasil levar uma Copa. Mas ambos tiveram da América do Sul a certeza: não viram ou verão um gênio do futebol como Messi. Vê-lo diante da sua torcida, mesmo aos 39 anos, tabelou com a xará do carrasco espanhol, a brasileira Fernanda Torres, ao ser indicada ao Oscar que não levou: “A vida presta!”

Em Bariloche, o padrinho comprou um bonequinho de Messi com a Copa na mão esquerda. Com o qual tencionava presentear outro afilhado, ainda criança pequena, quando voltasse ao Brasil. Mas, refletindo sobre o que testemunhara, tomou o presente a si. De volta à casa, deu morada ao pequeno Messi diante do porta retrato na sala com a foto do filho bebê e Zico.

Outro craque, Manoel de Barros versejou da estante: “A foto saiu legal”.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Lula lidera todos os cenários de 1º e 2º turno, mas Flávio se recupera

 

Lula e Flávio Bolsonaro (Montagem: Joseli Matias)

 

Na última quarta-feira (5), quando passou a faltar menos de dois meses à urna de 4 de outubro, as novas pesquisas Ideia (confira aqui) e Quaest (confira aqui) de agosto trouxeram projeções de primeiro e segundo turno parecidas, com Lula liderando todos os cenários. Mas com tendências diferentes: favoráveis a Lula na Ideia e favoráveis a Flávio Bolsonaro (PL) na Quaest.

Pedro Doria, jornalista e diretor do Canal Meio, parceiro das pesquisas do instituto Ideia

“Agosto mostra o melhor retrato de Lula em oito edições (das pesquisas mensais Ideia desde janeiro). A aprovação (do governo) está em 48,5%, a maior da série, contra 49% de desaprovação. E 48% dizem que ele (Lula) merece continuar, também o maior número que já medimos”, resumiu o jornalista Pedro Doria, diretor do Canal Meio.

Na aprovação do governo Lula, a Ideia de agosto trouxe algumas oscilações nos números em relação a julho, mas todas dentro da margem de erro de 2,5 pontos da pesquisa. A desaprovação ao Lula 3 oscilou 0,5 ponto para cima: de 48,5% aos 49% atuais. E a sua aprovação oscilou 2 pontos para cima: dos 46,5% aos atuais 48,5%.

Se a tendência da aprovação do governo Lula foi de estabilidade na série Ideia, ela permaneceu numericamente estática na Quaest. Entre julho e agosto, os que aprovam o Lula 3 eram e permaneceram 48%, como os que desaprovam eram e permaneceram 47%.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

A importância da métrica é óbvia em qualquer pleito com a possibilidade de reeleição: governo aprovado popularmente tende a renovar mandato, governo desaprovado arruma as malas. Com 0,5 ponto a mais de desaprovação na Ideia e 1 ponto a mais de aprovação na Quaest, um eventual Lula 4 hoje se equilibra com um pé em cada barco.

Diretor do Canal Meio, quem tem feito as pesquisas em parceria com o instituto Ideia, Doria também destacou os 48%, número mais alto desde janeiro, dos brasileiros que acham que Lula merece outro mandato. Mas que ainda estão 2,4 pontos atrás, em empate técnico na margem de erro, dos 50,4% que acham que ele não merece.

Esse equilíbrio quanto a Lula merecer ou não outro mandato na série Ideia, porém, não existe na Quaest. Nela, fora do limite da margem de erro de 2 pontos para mais ou menos da pesquisa, a maioria de 55% dos brasileiros acha que Lula não merece. São relevantes 14 pontos a mais que a minoria de 41% que acha que ele merece.

Mesmo que as novas pesquisas Ideia e Quaest tenham sido feitas no mesmo período de tempo, entre 31 de julho e 3 de agosto, são resultados bem diferentes. E, talvez, resultados de metodologias diferentes: a Ideia ouviu 1.500 eleitores por telefone, enquanto a Quaest entrevistou 2.004 eleitores de maneira presencial e domiciliar.

Comparadas com as pesquisas do mês anterior de cada instituto, as tendências também são diferentes sobre Lula merecer ou não outro mandato. Na Ideia, os que acham que não merece oscilaram 0,6 para baixo: de 51% em julho a 50,4% em agosto. E os que acham que merece oscilaram 2,3 pontos para cima: de 45,7% aos atuais 48%.

Já na série Quaest, a tendência é francamente desfavorável a Lula. Os que acham que ele não merece outro mandato de presidente tiveram crescimento real (acima da margem de erro) de 4 pontos: de 51% dos brasileiros em julho aos 55% de agosto. E os que acham que ele merece quedaram os mesmos 4 pontos: de 45% aos atuais 41%.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Da estabilidade na aprovação de governo, em equilíbrio com a desaprovação, e dos resultados conflitantes sobre Lula merecer ou não outro mandato, o fato é que ele liderou todos os cenários ao primeiro e segundo turnos testados pela Ideia e a Quaest de agosto. E sempre com vantagem acima da margem de erro das duas pesquisas.

Na Ideia de agosto, Lula liderou com 34,4% a consulta espontânea (em que o eleitor fala da própria cabeça em quem votará, na intenção consolidada) contra 23% de Flávio, 11,4 pontos atrás. Na série Ideia, Lula oscilou 1,6 ponto para cima sobre os 32,8% de julho. E Flávio teve crescimento real de 2,7 pontos sobre os 20,3% do mês anterior.

Na Quaest de agosto, Lula liderou com 25% a consulta espontânea a presidente, contra 18% de Flávio, 7 pontos atrás. Mas essa diferença era de 12 pontos na Quaest de julho, quando Lula tinha 26% e oscilou 1 ponto para baixo em agosto, enquanto Flávio tinha 14 pontos e teve crescimento real de 4 pontos no mesmo período.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Na consulta estimulada, com a apresentação dos nomes dos candidatos, ao primeiro turno da Ideia de agosto, Lula liderou com 43% de intenção de voto. Ficou 8 pontos à frente de Flávio, que teve 35%. Por desistência de pré-candidatos presentes na consulta de julho, a Ideia não fez comparação para extrair as tendências do último mês.

Na consulta estimulada Quaest ao primeiro turno, Lula liderou com 39% de intenção. Ficou 9 pontos à frente de Flávio, com 30%. Mas a Quaest revelou tendências na comparação com sua pesquisa de julho. Quando Lula tinha 40% e oscilou 1 ponto para baixo, enquanto Flávio tinha 28% e oscilou 2 pontos para cima em agosto.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Se nenhum outro candidato, além de Lula e Flávio, teve dois dígitos de intenção de voto nas consultas espontânea e estimulada ao primeiro turno, a soma de todos os candidatos de oposição, no entanto, indica matematicamente a necessidade do segundo turno presidencial. Que está marcado para 25 de outubro.

Na Ideia, a soma dos 10 presidenciáveis de oposição ao primeiro turno deu 51%, contra os 43% de Lula, 8 pontos a menos. Na Quaest, a soma dos 11 presidenciáveis de oposição ao primeiro turno deu 43%, 4 pontos a mais que os 39% de Lula. Se um candidato não tem mais votos que todos os demais, há segundo turno.

Tanto a Ideia quanto a Quaest testaram, cada pesquisa, quatro cenários de segundo turno. E Lula também liderou todas as simulações, acima da margem de erro. Mas diferente de Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão), Flávio também é, hoje, o nome da oposição mais competitivo ao segundo turno.

Nas simulações de segundo turno da Ideia, Lula bateria Flávio por 48,5% a 43% (5,5 pontos de vantagem, só 0,5 ponto acima do empate técnico no limite da margem de erro da pesquisa), Caiado por 48,5% a 40% (8,5 pontos de vantagem), Zema por 48,5% a 37% (11,5 pontos de vantagem) e Renan por 48% a 34,7% (13,3 pontos de vantagem).

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Nas simulações de segundo turno da Quaest, Lula bateria Flávio por 44% a 39% (5 pontos de vantagem, só 1 ponto acima do empate técnico no limite da margem de erro da pesquisa), Caiado por 45% a 37% (8 pontos de vantagem), Zema por 46% a 34% (12 pontos de vantagem) e Renan por 45% do petista a 35% (10 pontos de vantagem).

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Também houve discrepâncias nas duas pesquisas de agosto entre as tendências atuais de um eventual segundo turno entre Lula e Flávio em outubro. Na Ideia, Lula teve crescimento real de 3,5 pontos dos 45% de julho aos 48,5% de agosto, enquanto Flávio também teve crescimento real de 3 pontos dos 40% de julho aos 43% de agosto.

Se, na série Ideia, Lula e Flávio estão ambos em tendência de crescimento para um turno extra, essa tendência na Quaest é só do filho 01 do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Flávio cresceu 2 pontos dos 37% de julho aos atuais 39% em um segundo turno contra Lula, enquanto este perdeu 1 ponto no mesmo período: de 45% aos atuais 44%.

Felipe Nunes, cientista político e diretor do instituto Quaest

“Desde que Flávio foi indicado pelo pai (em dezembro), ele veio crescendo, até que em maio aconteceu o ‘Dark Horse’ (cinebiografia de Jair em que Flávio pediu dinheiro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro) e se viu um processo de degradação dele nas intenções de voto”, relembrou o cientista político Felipe Nunes, CEO do instituto Quaest.

“E agora, de julho para agosto, o que a gente vê é uma oscilação. O Flávio vai de 28% para 30% (de intenção de voto ao primeiro turno), dentro da margem de erro, e o Lula de 40% a 39%. Por que estou chamando esse movimento, que ocorreu numericamente na margem de erro, de recuperação (de Flávio)?”, indagou o cientista político.

“Porque há todo um conjunto de fatores na pesquisa (Quaest de agosto) que mostram como as coisas se movimentaram do mês passado para cá. Quando a gente olha para o segundo turno, a vantagem de Lula para Flávio, que já foi maior, também se reduziu (de 8 pontos em julho para 5 pontos em agosto)”, explicou o CEO da Quaest.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Lula lidera, mas Flávio diminui vantagem ao 1º e 2º turno

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Hoje (5), a 1 mês e 29 dias da urna de 4 de outubro, foram divulgadas duas pesquisas presidenciais de agosto. Além da Ideia (confira aqui), saiu também a nova Quaest. Embora nela Lula (PT) também lidere todos os cenários de primeiro e segundo turnos, a maioria dos 55% dos brasileiros acham que ele não merece mais 4 anos como presidente. Contra a minoria de 41% (14 pontos a menos) que acham que merece.

Tendências ruins a Lula — As tendências da resposta à pergunta também não foram boas ao petista. Na série histórica das pesquisas Quaest, cresceram 4 pontos os que acham que o petista não merece mais quatro anos: dos 51% de julho aos 55% de agosto. E, no mesmo período, caíram os mesmos 4 pontos os que acham que ele merece: de 45% aos atuais 41%.

Lula lidera ao primeiro e segundo turno — Os dois movimentos foram fora da margem de erro de 2 pontos para mais ou menos da nova pesquisa Quaest de agosto. Ainda assim, fora da margem de erro também foi a liderança de Lula na consulta espontânea e estimulada ao primeiro turno. Assim como ele também liderou fora da margem de erro os quatro cenários ao segundo turno.

Lula lidera espontânea, mas vantagem sobre Flávio cai — Na espontânea, em que o eleitor fala da própria cabeça em quem votará e revela a intenção consolidada, Lula teve 25%, 7 pontos a mais que os 18% de Flávio Bolsonaro (PL). Mas essa vantagem era de 12 pontos há um mês. No qual, Lula perdeu 1 ponto: dos 26% de julho aos atuais 25%. E Flávio cresceu 4 pontos no período: de 14% a 18%.

Lula lidera estimulada, mas vantagem sobre Flávio cai — Na estimulada ao primeiro turno, com a apresentação dos nomes dos candidatos, Lula lidera com 39% de intenção, 9 pontos a mais que os 30% de Flávio. Mas essa vantagem também era de 12 pontos há um mês. No qual Lula também perdeu 1 ponto: de 40% de julho aos atuais 39%. E Flávio ganhou 2 pontos no mesmo período: de 28% a 30%.

Lula lidera segundo turno contra Flávio, mas vantagem cai — Ao segundo turno, Lula também liderou contra Flávio: 44% a 39%. São 5 pontos de vantagem, só 1 ponto além do empate técnico no limite da margem de erro. Essa vantagem era de 8 pontos há um mês. No qual Lula também perdeu 1 ponto: de 45% de julho aos atuais 44%. E Flávio também ganhou 2 pontos no período: de 37% a 39%.

Lula lidera segundo turno contra Caiado, Zema e Renan — Lula também liderou os cenários de segundo turno da Quaest de agosto contra Ronaldo Caiado (PSD), por 45% a 37% (8 pontos de vantagem); contra Romeu Zema (Novo), por 46% a 34% (12 pontos de vantagem); e contra Renan Santos (Missão), por 45% do petista a 35% (10 pontos de vantagem).

Dados da pesquisa — A nova pesquisa Quaest entrevistou de maneira presencial e domiciliar 2.004 eleitores de 120 municípios de todo o Brasil, entre os dias 31 de julho e 3 de agosto. E foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-06591/2026.

William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE

Análise do especialista (I) — “Na Quaest de agosto, Lula tem 9 pontos de vantagem sobre Flávio no primeiro turno e 5 pontos no segundo turno. A pesquisa testou um cenário de primeiro turno e quatro de segundo turno. Lula liderou todos, mas Flávio se mantém altamente competitivo”, resumiu William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE.

 

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Lula tem 48% para outro mandato com 50,4% ainda contra

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

A maioria apertada de 50,4% dos brasileiros ainda acha que o presidente Lula (PT) não merece outro mandato. Mas em empate técnico com os 48% que acham que ele merece, o maior número do petista na série histórica das pesquisas presidenciais do instituto Ideia, que repete mensalmente a pergunta aos eleitores desde janeiro.

Lula lidera todos os cenários — Esse foi o quadro da nova pesquisa Ideia divulgada hoje, 5 de agosto, a um mês e 29 dias da urna de 4 de outubro. A diferença apertada sobre um novo mandato ao atual presidente, porém, se alarga favoravelmente a ele na simulação de primeiro turno e nas quatro de segundo turno. Lula lidera todos os cenários, além da margem de erro.

Ao primeiro turno — Na pesquisa estimulada (com apresentação dos nomes dos candidatos) ao primeiro turno, Lula tem hoje 43% de intenção de voto. São 8 pontos de vantagem sobre os 35% de Flávio Bolsonaro (PL), que foi seguido à distância por Ronaldo Caiado (PSD), com 5,7%; Renan Santos (Missão), com 4,7%; e Romeu Zema (Novo), com 2,6%.

Segundo turno à vista — Apesar da vantagem, os 43% de Lula ao primeiro turno são 8 pontos menos que os 51% de todos os outros 10 presidenciáveis somados. O que, matematicamente, torna muito provável a necessidade do segundo turno, marcado para 25 de outubro, para definir a eleição presidencial.

Lula lidera ao segundo turno — Nos quatro cenários de segundo turno da pesquisa Ideia de agosto, Lula bateria Flávio por 48,5% a 43% (5,5 pontos de vantagem), Caiado por 48,5% a 40% (8,5 pontos atrás), Zema por 48,5% a 37% (11,5 pontos atrás) e Renan por 48% a 34,7% (13,3 pontos atrás).

Flávio é o mais competitivo na oposição — Além de ser o único candidato, além de Lula, que performa em dois dígitos no primeiro turno a presidente, Flávio ficou a apenas 0,5 ponto de um empate técnico com o petista no segundo turno. O que é uma diferença decimal além do limite da margem de erro de 2,5 pontos para mais ou menos da nova pesquisa.

Lula em tendência de crescimento — Quanto às tendências do último mês, Lula cresceu além da margem de erro em todas as quatro simulações de segundo turno. O petista ganhou os mesmos 3,5 pontos, dos mesmos 45% de julho aos mesmos 48,5% de agosto, contra Flávio, Caiado ou Zema. Já no segundo turno contra Renan, Lula cresceu 3 pontos no período: 45% a 48%.

Oposição cresce menos — Menos que Lula, três dos seus quatro adversários testados também cresceram em um segundo turno contra o presidente. Entre julho e agosto, Flávio ganhou 3 pontos (40% a 43%), Caiado ganhou 2,4 pontos (37,6% a 40%) e Renan ganhou 1,7 pontos (33% a 34,7%). Só Zema patinou: tinha e manteve 37% em um segundo turno contra Lula.

Batalha de rejeições de 2022 a 2026 — Apesar da vantagem de Lula, tudo indica que, com Flávio como principal adversário, a eleição presidencial será como a que Jair Bolsonaro (PL) perdeu por pequena margem no segundo turno de 2022: uma batalha entre duas enormes rejeições. Em 2026, 48% dos brasileiros rejeitam Flávio, só 0,6 ponto a menos que os 47,4% que rejeitam Lula.

Dados da pesquisa — A nova pesquisa Ideia ouviu, em entrevistas telefônicas, entre 31 de julho e 3 de agosto, 1.500 eleitores de todo o Brasil, distribuídos de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios (Pnad) de 2025 do IBGE. E foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-04579/2026.

William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE

Análise do especialista (I) — “A Ideia de agosto testou um único cenário de primeiro turno e quatro cenários de segundo turno. Ao primeiro turno, Lula lidera por vantagem de 8 pontos sobre Flávio. No segundo turno, por sua vez, a vantagem de Lula para Flávio cai para 5,5 pontos”, destacou William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE.

Análise do especialista (II) — “Contra Caiado, que só alcança 5,7% de intenção de voto no primeiro turno, a vantagem de Lula sobe a 8,5 pontos no segundo turno. Contra Zema, que registra apenas 2,6% de intenção no primeiro turno, a vantagem de Lula no segundo turno é ainda maior: 11,5 pontos. E contra Renan Santos, com apenas 4,7% no primeiro turno, Lula lidera no segundo turno por 13,3 pontos de vantagem”, concluiu William.

 

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Brasil de Vini x Noruega de Haaland — Matar ou morrer no domingo?

 

Os craques Erling Haaland e Vini Jr. na disputa da Champions da Europa por seus respectivos clubes, Manchester City e Real Madrid, voltam a se cruzar neste domingo para matar ou morrer por Noruega e Brasil na Copa do Mundo (Foto: Reprodução)

 

 

Antes, durante e após o Brasil e Noruega

 

A partir das 17h de Brasília neste domingo (5), o que esperar do Brasil de Noruega pelas oitavas de final da Copa do Mundo? Futebol não é matemática. Não ter certezas objetivas é seu maior atrativo e encanto. Mas sempre será ditado pelos números finais do placar. Seja em tempo normal de jogo, prorrogação ou disputa de pênaltis.

Há placares simbólicos. E o Brasil de Carlo Ancelotti reúne números históricos. A Seleção é a única com 5 Copas. E seu técnico italiano é o único com 5 Champions da Europa. Copa do Mundo e Champions têm a característica comum: são definidas em jogos de mata-mata. Na Copa, aliás, só “um mata, nada mais”, como frisou Ancelotti.

Para matar ou morrer contra a Noruega, Ancelotti deve ir a campo com Danilo Santos, do Botafogo, no lugar de Paquetá, do Flamengo, fora do jogo e talvez da Copa por contusão. É uma opção mais cautelosa do que adaptar o atacante Martinelli como meia. Ou que já entrar em campo com o jovem centroavante Endrick.

Os destaques brasileiros são os atacantes Vini Jr. e Rayan e o meia Bruno Guimarães. Desde a estreia contra Marrocos, Vini é o craque e artilheiro do time, com 4 gols. E Guimarães, com 4 assistências, o grande garçom. Enquanto Rayan, escalado desde a Escócia com a contusão de Raphinha, é o querer dos 19 anos injetado na veia do Brasil.

E na Noruega? O centroavante Erling Haaland tem 60 gols em 53 jogos por sua seleção, média de 1,13 gol por jogo. E tem 5 gols em 4 jogos só nesta Copa do Mundo, média de 1,25 por jogo. O que, em tese, impõe a qualquer time adversário a obrigação de fazer o mínimo de 2 gols para tentar vencer. Essa é a expectativa do Brasil ao domingo.

A Noruega não é só Haaland. Que tem a companhia de Sorloth, centroavante deslocado à direita; e Nusa, único do seu time a ter o drible como característica, pela esquerda. A criação das jogadas do ataque fica por conta de Odegaard. Como a armação do time é tarefa do meia Berg — não Berger, volante de marcação.

É um ataque poderoso, reforçado com o apoio dos laterais Wolfe e Pedersen. Mas, entre estes e os zagueiros Heggem e Ajer, a Noruega tem brechas na defesa. Que levou 8 gols em 4 jogos na Copa, média de 2 por jogo. Mesmo sem contar seu time reserva que tomou 4 da França, a Noruega sofreu gol em todos os jogos; até do Iraque.

O Brasil levou 2 gols na Copa de 2 bons times: 1 do Marrocos e 1 do Japão. Ambos em bolas perdidas no lado direito. O defeito pode ser fatal, sobretudo diante de Haaland. Que terá um velho conhecido no outro lado do campo, nos duelos dos clássicos entre Manchester City e Arsenal pela Premier League: o zagueiro Gabriel Magalhães.

 

A disputa particular entre o zagueiro Gabriel Magalhães e o centroavante Haaland, pelo clássico Arsenal e Manchester City da Premier League, pode ser reeditada no Brasil e Noruega pela Copa do Mundo (Foto: Reprodução)

 

O Brasil nunca venceu a Noruega: em 4 jogos, foram 2 empates e duas derrotas, uma na Copa de 1998. Em 2026, Haaland dá medo: 18 gols e 5 assistências em 33 jogos, média de 0,69 participação em gol por jogo. No ano, Vini tem 22 gols e 6 assistências em 37 jogos, média de 0,75. Medo por medo, os números do brasileiro dão mais.

Independentemente de quem passar e quem ficar na Copa após o apito final do Brasil e Noruega, Vini e Haaland, como o centroavante inglês Harry Kane, conseguiram ser protagonistas numa Copa protagonizada por uns tais Lionel Messi e Kylian Mbappé. Agora ou em qualquer tempo em que se tenha jogado futebol, é algo para poucos.

 

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Bené lidera ao Senado, seguida de Crivella, Canella e Pedro Paulo

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Benedita lidera ao Senado

Pode não ter a grande vantagem de Eduardo Paes a governador, mas a deputada federal Benedita da Silva (PT) também lidera, fora da margem de erro, a corrida por uma das duas cadeiras do RJ ao Senado. Na mesma pesquisa do instituto Paraná de julho, em dois cenários estimulados, a petista liderou entre 33,0% a 34,9% de intenção.

 

Crivella, Canella e Pedro Paulo

No cenário 1 da pesquisa de julho, atrás de Bené (33,0%) veio o também deputado federal Marcelo Crivella (REP), com 25,9%. Na disputa pela 2ª cadeira ao Senado pelo RJ, ele ficou em empate técnico com o ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella (União), com 21,9%; e outro deputado federal, Pedro Paulo (PSD), com 21,5%.

 

Canella e Pedro Paulo

No cenário 2 da pesquisa de julho, atrás de Bené (34,9%) e sem Crivella, Canella e Pedro Paulo repetiram o empate técnico e quase numérico. Pré-candidato a senador pelo União do ex-presidente da Alerj Rodrigo Bacellar, Canella teve 25,3% de intenção, contra 25,0% de Pedro Paulo como pré-candidato a senador de Eduardo Paes.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Tendência de estabilidade

No cenário 1 ao Senado, a tendência entre junho e julho foi de estabilidade. Benedita perdeu 1,2 ponto: 34,2% a 33,0%. E os demais pré-candidatos mais bem cotados oscilaram só nas casas decimais: Crivella de 26,0% a 25,9% (- 0,1 ponto), Canella de 21,3% a 21,9% (+ 0,6% ponto) e Pedro Paulo de 20,7% a 21,5% (+ 0,8 ponto).

 

Cai vantagem de Bené

No cenário 2 ao Senado, os movimentos foram mais amplos entre junho e julho, ainda que todos também dentro da margem de erro. Não para Benedita, que perdeu quase o mesmo: 1 ponto, de 35,9% a 34,9%. Mas para Canella, que ganhou 1,7 ponto: 23,6% a 25,3%. Como para Pedro Paulo, que ganhou 2,2 pontos: 22,8% a 25,0%.

 

Pleito aberto ao Senado

Embora haja favoritos nas consultas estimuladas da pesquisa Paraná às duas cadeiras que o RJ elegerá ao Senado, a consulta espontânea revela incerteza matemática ainda maior do que para governador. Com 3,0% de intenção cristalizada a Benedita e 2,2% a Canella, a esmagadora maioria de 84,3% hoje não sabe em quem votará a senador.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

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Paes a governador mais de 36 pontos à frente no 1º e 2º turno

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Paes favorito a 3 meses da urna

Hoje, faltam 3 meses para as eleições de 4 de outubro. E, se fosse hoje, o ex-prefeito carioca Eduardo Paes (PSD) se elegeria governador do RJ. É o que mostrou a 1ª pesquisa de instituto de credibilidade neste mês de julho. Em seus dois cenários estimulados ao primeiro turno, Paes teve de 50,7% a 54,2% de intenção de voto.

 

Pesquisa de julho

Foi o que revelou a pesquisa do instituto Paraná que, entre 29 de junho e 1º de julho, entrevistou presencialmente 1.600 eleitores de 60 dos 92 municípios do estado do Rio. Com margem de erro de 2,5 pontos percentuais para mais ou menos, foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo RJ04259/2026.

 

O 2º mais de 36 pontos atrás

Presidente da Alerj, Douglas Ruas (PL) continua em 2º lugar na corrida a governador. Entre 13,8% e 14,6% de intenção nas duas consultas ao primeiro turno, Ruas ficou entre 36,9 e 39,6 pontos percentuais atrás de Paes. Que bateria o deputado também em um eventual segundo turno, por 62,1% a 23,9%, diferença de 38,2 pontos.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Garotinho na briga e não testado

No cenário estimulado de primeiro turno em que teve seu nome testado, o ex-governador Anthony Garotinho (REP) ficou numericamente atrás, mas em empate técnico com Ruas: 13,8% deste, 4 pontos à frente dos 9,8% do político de Campos. Ainda assim, Garotinho não foi testado pela pesquisa no segundo turno contra Paes.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Tendências ao 1º turno (I)

Na série do instituto Paraná, os três primeiros colocados na corrida a governador do RJ apresentaram tendência de crescimento ao primeiro turno. Entre junho e julho, Paes foi de 48,3% a 50,7% (+ 2,4 pontos) e Ruas foi de 12,6% a 13,8% (+ 1,2 ponto), enquanto Garotinho ganhou menos: só 0,6 ponto de 9,2% aos atuais 9,8% de intenção.

 

Tendência ao 1º turno (II)

No cenário estimulado ao primeiro turno sem Garotinho, Paes e Ruas também apresentaram tendência de crescimento na série Paraná. Entre junho e julho, o ex-prefeito carioca foi de 53,0% a 54,2% (+ 1,2 ponto), enquanto o presidente da Alerj foi de 13,2% a 14,6% (+ 1,4 ponto) na intenção de voto a governador do RJ.

 

Paes sobe, Ruas cai ao 2º turno

Na simulação ao segundo turno da série do instituto Paraná, Paes também teve tendência de crescimento. Entre junho e julho, ele foi de 60,0% a 62,1% (+ 2,1 pontos) de intenção a governador do RJ. E, único adversário testado no eventual turno extra com Paes, Ruas teve tendência de queda: de 24,5% aos atuais 23,9% (- 0,6 ponto).

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Garotinho lidera rejeição

Fundamental para a definição do segundo turno, a rejeição teve mais uma vez Garotinho como líder: 39,8%. Ele foi seguido no índice negativo pelo também ex-governador Wilson Witzel (DC), com 24,8%; por Paes, com 17,9%; e por Ruas, com 10,5% no índice negativo.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Pleito aberto a governador

Apesar do favoritismo de Paes nas consultas estimuladas ao primeiro e segundo turno, como em suas tendências, a consulta espontânea revelou um pleito matematicamente ainda aberto. Falando da própria cabeça em quem votar a governador, se Paes também lidera com 15,4%, a expressiva maioria de 71,7% dos eleitores disse ainda não saber.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

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Felipe Fernandes — A humanidade e o desconhecido em “Dia D”

 

 

Felipe Fernandes, cineasta publicitário e crítico de cinema

A humanidade e o desconhecido

Por Felipe Fernandes

 

Embora tenha dirigido obras de diversos gêneros, a ficção científica parece ser o porto seguro de Steven Spielberg. Para onde ele frequentemente retorna a fim de realizar filmes bastante distintos, que lhe permitem explorar temas recorrentes em sua filmografia, como o fascínio pelo desconhecido, a infância, a família, a tecnologia e a condição humana.

Seu novo filme, “Dia D”, parte de uma história criada pelo próprio diretor, que constrói um thriller inspirado na lenda da aparição de alienígenas no Novo México, na década de 1940, incidente considerado o marco inicial da ufologia moderna e alvo de décadas de teorias conspiratórias sobre o acobertamento da existência de vida extraterrestre. Trata-se de uma história já enraizada no imaginário popular estadunidense, embora hoje menos presente na cultura pop.

O filme brinca com as teorias da conspiração e com o estranhamento em situações bizarras. Que acontecem sem muitas explicações, enquanto dois grupos correm contra o tempo para lidar com a informação e com a exposição das provas de vida extraterrestre.

A obra dialoga com um mundo polarizado e com a forma como essa descoberta poderia impactar uma sociedade em permanente estado de emergência. O filme gira em torno dessas questões, ao mostrar como tal revelação poderia afetar aspectos morais, religiosos e sociais, além de resgatar um tom de esperança e fé na humanidade, elemento mais presente nos filmes mais antigos do diretor.

Dentro dessa atmosfera de estranheza, Spielberg trabalha um tom cômico, quase juvenil, sobretudo por meio da protagonista. Essa comicidade recebe o reforço da trilha sonora do genial John Williams, que aqui entrega uma de suas composições mais esquecíveis.

O filme possui um ritmo urgente, uma correria incessante, com pessoas se deslocando de um lado para o outro, mas essa urgência pouco se justifica narrativamente. O artefato alienígena, que permite aos indivíduos adquirir certas habilidades, acaba funcionando como uma muleta para criar tensão e oferecer ao vilão algum recurso, já que sua organização é formada por incompetentes nos mais diversos níveis.

Toda essa questão do diálogo entre espécies é interessante, mas é impossível não traçar um paralelo com “Contatos Imediatos do Terceiro Grau”, clássico grandioso do diretor que aborda tema semelhante de forma muito mais original e inventiva. Nesse sentido, o longa parece quase uma atualização daquele filme, ao refletir as ansiedades do século XXI: o medo da desinformação, das teorias conspiratórias e da fragmentação social.

O roteiro do experiente David Koepp, parceiro habitual do diretor, é inteligente ao reunir uma dupla principal formada por um hacker, responsável por decifrar códigos, e uma jornalista, encarregada de comunicar. Essas características são essenciais para o andamento da trama. Ainda assim, o filme carece de bons personagens. Em meio a tanta correria e estranheza, é difícil criar uma conexão com qualquer um deles.

Isso se torna mais evidente no terço final da obra, quando Koepp e Spielberg abandonam a ambiguidade que havia tornado a jornada intrigante e passam a explicar a origem dos fenômenos, os segredos governamentais e as motivações por trás da “Grande Revelação” por meio de diálogos e longas cenas expositivas. Soma-se a isso uma aceitação quase imediata por parte da população, numa ingenuidade digna de filmes infantis.

“Dia D” é menos um filme sobre extraterrestres e mais uma reflexão sobre a humanidade diante do desconhecido. Spielberg demonstra, mais uma vez, que a ficção científica é um gênero poderoso para discutir a condição humana e o desejo universal de encontrar algo maior do que nós mesmos.

A sensação é a de assistir a um cineasta outrora fascinado pelo desconhecido que tenta racionalizar o mistério até esvaziá-lo. Em vez do sucessor espiritual de “Contatos Imediatos do Terceiro Grau” que prometia ser, “Dia D” acaba se aproximando de um exercício incapaz de recuperar a magia, a ambiguidade e a capacidade de assombro que fizeram de Spielberg um dos grandes mestres da ficção científica.

 

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Confira o trailer do filme:

 

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Arthur Soffiati — A conexão sueca sem spoiler de streaming

 

O ator sueco Henrik Dorsin é o protagonista do filme como o diplomata Gösta Engzel (Foto: Divulgação)

 

Arthur Soffiati, historiador, professor, escritor, ambientalista e crítico de cinema

A conexão sueca

Por Arthur Soffiati

 

O filme “A conexão sueca”, dirigido por Thérèse Ahlbeck e Marcus Olsson, que também são autores do roteiro, foi lançado em 2026 e só é encontrado numa plataforma digital cujo nome não divulgo.

Os nazistas promoveram uma caça impiedosa aos judeus e foram julgados e condenados no Tribunal de Nurenberg quando derrotados na Segunda Guerra Mundial. O filme mostra como o nazismo perdeu a noção de humanidade. Não é nada novo no mundo ocidental.

Mata-se um boi com toda a tranquilidade. O entendimento é que se trata de um animal inferior que existe para nos fornecer carne. É o que ainda pensamos sem o mínimo sentimento de culpa. Então, para matar uma pessoa ou os representantes de uma cultura, animalizamos o ser humano.

O ocidente procedeu assim no período colonial e mesmo depois dele. Os nativos dos continentes que não o europeu eram sub-humanos. Não tinham religião. Se tinham, suas divindades eram demoníacas. De mesma forma, eram vistos os africanos escravizados, mesmo que se convertessem ao cristianismo.

Os judeus, que tanto sofreram com a pecha de inferiores sob o nazismo, não estariam tendo o mesmo comportamento da Alemanha nazista com os palestinos? Sempre há vozes que duvidam dos argumentos governamentais. O filme mostra um oficial alemão revelando, horrorizado, o plano de extermínio dos judeus.

Recentemente, o ex-premiê de Israel Ehud Olmert escreveu um artigo condenando a política de limpeza étnica praticada pelo governo de Israel em relação aos palestinos. E há vários casos. Oskar Schindler, industrial alemão e membro do partido nazista, salvou muitos judeus do extermínio. Até mesmo João Guimarães Rosa salvou alguns judeus.

Outros casos de pessoas que não acreditaram na sub-humanidade dos judeus também se empenharam em salvá-los do extermínio nazista. Um deles foi o sueco Gösta Engzell, representado por Henrik Dorsin, no filme “A conexão sueca”. Ele era um burocrata no ministério das Relações Exteriores da Suécia que se convenceu do horror que era o racismo nazista e se empenhou em salvar judeus dentro da Alemanha e dos países invadidos por ela.

A Suécia manteve-se neutra na Segunda Guerra Mundial. Engzell e sua equipe, agindo por meios oficiais, conseguem salvar muitos judeus. Não o que desejavam, mas um bom número. Ele sofria como as pessoas que reconhecem humanidade nos outros sofrem por se sentirem impotentes e limitados.

O futuro secretário-geral da ONU Dag Hammarskjöld é também representado no filme, que se destaca pela agilidade. Os cortes e a montagem lhe conferem essa agilidade. A câmara se movimenta com rapidez. Certos conceitos de diplomacia são estampados de forma escrita na tela. A importância dada a documentos é grande. Afinal, o filme enfoca relações diplomáticas.

Apesar da agilidade, pode-se acompanhar o roteiro. A atuação dos artistas não é exemplar, mas convincente. Não deve agradar a apreciadores de filmes românticos, pois fica difícil o romantismo quando se aborda um genocídio, qualquer que seja ele.

 

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Confira o trailer do filme:

 

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Após Ancelotti virar o jogo, Brasil quebra escrita e encara outra

 

Ancelotti e Casemiro têm relação de confiança desde os tempo de ambos no Real Madrid

 

 

Fraqueza e força do Brasil

Na segunda (29), a classificação do Brasil às oitavas evidenciou suas maiores fraqueza e força até aqui nesta Copa do Mundo. A fraqueza é a saída de bola, que gerou o gol do Japão. E a força veio do banco. De onde o italiano Carlo Ancelotti virou o jogo e mostrou porque é o único técnico cinco vezes campeão da Champions da Europa.

 

Saída de bola

Como em sua estreia na Copa, no 1 a 1 com Marrocos, contra o Japão o Brasil também entregou a bola que acabaria em suas redes. Em passe errado do lateral Danilo ao japonês Sano, que conduziu a bola até bater de fora da área para abrir o placar no 1º tempo. E foi seguido o tempo inteiro por Casemiro, que já tinha amarelo e nada fez.

 

Virtudes de Ancelotti

Pela passividade, Casemiro foi para o intervalo com 213,5 milhões de brasileiros pedindo sua substituição. Mas foi mantido pelo italiano para empatar o jogo de cabeça, aos 11’ de um 2º tempo em que o Brasil se impôs. Também pela entrada do centroavante Endrick no lugar do meia Paquetá, contundido, em substituição ousada.

 

Martinelli e Bruno Guimarães

Aos 19’, enquanto os mesmos 213,5 milhões de brasileiros pediam a entrada de Neymar ou Luiz Henrique, Ancelotti levou a campo outro atacante: Martinelli. E coube a ele, aos 51’ do 2º tempo, virar o jogo a caminho da prorrogação. Concluiu dentro da área o passe açucarado de Bruno Guimarães, que já soma 4 assistências na Copa.

 

Quase gol de antologia

O Brasil impôs as cinco estrelas da sua camisa ao Japão, em jogo complicado, por conta do seu técnico italiano. Que ainda viu Vini Jr. quase marcar um gol para a antologia das Copas, após matar a bola entre as pernas do marcador, acelerar pela esquerda, driblar outros dois e concluir para o goleiro Suzuki desviar com a ponta dos dedos à trave.

 

Há 24 anos

O Brasil não virava um jogo eliminatório de Copa do Mundo há 24 anos, desde outro 2 a 1: contra a Inglaterra, nas quartas de final da Copa de 2002. Cuja final em que bateria a Alemanha por 2 a 0 para conquistar o Penta foi também a última vez que o Brasil conseguiu vencer uma seleção europeia em jogo eliminatório de Copa do Mundo.

 

As escritas e a Noruega

A 1ª escrita de 24 anos foi quebrada pelo Brasil na virada sobre a seleção asiática pela 16 avos. Com a mesma duração, a 2ª escrita espera a Noruega da máquina de gols Haaland, às 17h de domingo (5), pelas oitavas. Diferente do Japão, o histórico é francamente desfavorável ao Brasil: em quatro jogos, são duas vitórias norueguesas e dois empates.

 

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Brasil de Vini Jr. entre a Escócia e matar ou morrer com o Japão

 

 

Que Brasil após a Escócia?

A vitória de 3 a 0 do Brasil sobre a Escócia, na noite da última quarta (24), serviu a dois tipos de esperança. De um lado, com a primeira atuação consistente do Brasil na Copa, após exibições ruins no empate com o forte Marrocos e na vitória sobre o frágil Haiti. Do outro, a quem quer convencer que o Brasil já seria um dos favoritos ao Mundial.

 

O craque

Craque decisivo do Brasil na Copa, Vini Jr. marcou 4 gols e deu uma assistência em 3 jogos. E passou a figurar, ao lado de Jairzinho em 1970, de Romário em 1994 e de Ronaldo Fenômeno e Rivaldo em 2002, entre os 5 únicos jogadores da história do futebol brasileiro a marcar gols em todos os jogos da fase de grupos em Copas.

 

Os outros destaques

Como Jairzinho, Romário, Ronaldo e Rivaldo acabaram campeões, natural que o brilho individual de Vini embale sonhos. Mas futebol é esporte coletivo. A consistência do Brasil contra a Escócia se deu porque, diferente dos jogos contra Marrocos e Haiti, os atacantes Rayan e Matheus Cunha e o meia Bruno Guimarães também se destacaram.

 

O garoto e o garçom

Atleta do inglês Bournemouth, cria do Vasco e substituto do contundido Raphinha, que não vinha jogando bem, Rayan é um garoto de 19 anos que pedia passagem. Do inglês Newcastle, o volante Bruno Guimarães termina a fase de grupos como maior garçom do Brasil na Copa. Tem 3 assistências, duas contra a Escócia.

 

Matheus Cunha e Ancelotti

Já Matheus Cunha, do Manchester United, rendeu bem em novidade tática do técnico italiano Carlo Ancelotti. Escalado não como atacante, mas como 4º homem de meio de campo, em losango que repete o trabalho do treinador no Real Madrid na temporada 2023/2024, quando foi campeão da Espanha e da Europa. E Vini Jr. também brilhou.

 

O maestro do Japão

Reforçar o meio de campo parece ser opção aconselhável para o próximo adversário do Brasil. Na eliminatória 16 avos, às 14h de Brasília na segunda-feira (29), contra o Japão. Que, entre outras coisas, se caracteriza pela boa técnica e mobilidade no meio de campo. Com destaque a Kamada, do inglês Crystal Palace, camisa 15 e maestro da sua seleção.

 

Histórico x passado recente

Olhado o histórico do confronto, o Brasil não teria por que se preocupar. Em 16 jogos, venceu 12, com 3 empates e só uma vitória do Japão. Só que esta ocorreu justamente na última partida, em amistoso de 14 de outubro de 2025, dentro de Tóquio, numa merecida virada de 3 a 2, após o time treinado por Ancelotti chegar a vencer por 2 a 0.

 

Entrosamento

Introdutor do futebol profissional no Japão dos anos 1990, onde é tão ídolo quanto no Flamengo, o ex-craque Zico alertou sobre uma vantagem japonesa: constância. Sua seleção é treinada há oito anos em trabalho autoral de Hajime Moriyasu. É entrosamento bem maior do que os 13 meses de Ancelotti à frente do Brasil permitem.

 

Contras e prós

Além da aplicação tática e rapidez que caracterizam os times orientais, o Japão tem uma seleção muito bem treinada, com 11 titulares atuando em clubes da Europa e que herdou de Zico o bom trato com a bola. O Brasil tem um time em ascensão, mais qualidade individual, um craque até aqui decisivo e a camisa bem mais pesada.

 

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