Donald Trump e Frederico Paes (Montagem: Joseli Matias)
Guerra, tática e estratégia
No séc. 18, o general prussiano (alemão) Carl von Clausewitz fundamentou, em seu livro “Da Guerra”, a teoria militar. Na qual definiu a guerra como “a política por outros meios”. Como também conceituou as diferenças entre tática, que tem foco no imediato da batalha atual; e estratégia, cujo foco é o objetivo geral da campanha.
Tática de “valente” e nenhuma estratégia
Comandante em chefe do maior poder militar já visto na Terra, Donald Trump repete na guerra o que o fez chegar aonde chegou na política. É a tática do “valente” de pátio de escola do ensino fundamental. Que, errático, revela a ausência de pensamento estratégico das ações militares dos EUA, em parceria com Israel, contra o Irã.
A tática do Irã
Sem capacidade bélica para enfrentar verticalmente EUA e Israel, o Irã revelou sua tática: horizontalizar o conflito, levando-o com mísseis e drones a países vizinhos do Oriente Médio. Sobretudo aqueles que têm bases militares dos EUA. E joga parado ao fechar o Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do petróleo consumido no mundo.
A estratégia do Irã
A estratégia do Irã é vencer os gigantes militares EUA e Israel pelo cansaço, com a escalada do preço do barril do petróleo nas bombas de combustível do planeta. Enquanto Trump se deslumbrou com a captura do ex-líder venezuelano Nicolás Maduro em 3 de janeiro, e achou que teria no Irã outra Venezuela.
Trump aprende diferença
A colonização espanhola da Venezuela, como a portuguesa no Brasil, começou no séc. 16. Como a independência das duas ex-colônias se deu nas primeiras décadas do séc. 19. A unificação dos povos medos e persas sob Ciro, o Grande, se deu em 550 a.C. Trump, no comando de outra ex-colônia na América, começa a aprender a diferença.
Não um país, uma civilização
EUA e Israel não enfrentam no Irã um país, mas uma civilização: a persa, islâmica desde o séc. 7, de língua e etnia não árabes. Moldado desde a Antiguidade no enfrentamento a gregos e romanos, o Irã enfrentou em guerra o vizinho Iraque, apoiado pelos EUA nos tempos em que estes tinham o ditador Saddam Hussein como aliado, de 1980 a 1988.
Desde 2,5 mil anos atrás
Se EUA e Israel mataram o ex-líder do Irã Ali Khamenei desde 28 de janeiro, isso não mudou nada, diferentemente da Venezuela, na estrutura de poder iraniano. Mesmo aqueles que antes protestavam contra o regime dos aiatolás parecem reconhecer que, agora, o inimigo comum é o poder estrangeiro invasor. É assim há mais de 2,5 mil anos.
Trump abandonado por Europa e China
Com sua tática de “valente” de pátio escolar e nenhuma estratégia, Trump vê agora os EUA abandonados em sua aventura no Irã pelos parceiros europeus da Otan. Assim como pela China, a quem Trump pediu ajuda para tentar abrir o Estreito de Ormuz. Ao que Pequim respondeu com um silêncio muito eloquente geopoliticamente.
Estratégia eleitoral de Israel
Neutralizar o Irã, que não reconhece o Estado de Israel, interessa a este. Cujo controverso primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, que estava com o mandato a perigo, pode ser beneficiado pela guerra nas eleições ao Knesset (Parlamento de Israel) em 27 de outubro, quatro dias após o provável segundo turno presidencial do Brasil.
Irã racha base Maga de Trump
Só que atacar o Irã pouco ou nada interessa aos EUA e seus eleitores. Aos quais Trump pediu votos a presidente em 2025 prometendo deixar o país fora de guerras evitáveis. No próprio movimento Maga (“Make America Great Again”, “Faça a América Grande de Novo”) descontentes passaram a chamá-lo de Miga (“Make Israel Great Again”).
Trump acuado em várias frentes
Se já vinha perdendo popularidade por seu envolvimento na rede de pedofilia do ex-amigo Jeffrey Epstein e pelo assassinato de estadunidenses natos pela sua milícia anti-imigração dos ICE, Trump tende a ser afetado não só por colocar os interesses de Israel sobre os dos EUA. Mas pelo preço subindo nas bombas de diesel e gasolina do país.
Bem diferente da Venezuela
Abandonado por aliados externos e internos, Trump vive o dilema: matou rapidamente o líder do Irã. Que, diferentemente da Venezuela, ignorou as ameaças do invasor e elegeu o filho de Ali, Mojtaba Khamenei, novo líder do país. Cuja organização, através da Guarda Revolucionária, é descentralizada e tem a insubmissão como regra.
Preço eleitoral para Trump
Diferente de Netanyahu, Trump não tem dividendos eleitorais no Irã. E o preço tende a ser cobrado nas midterms (eleições parlamentares do meio de mandato presidencial) de 3 de novembro. Quando os estadunidenses elegerão todas as 435 cadeiras da Câmara de Representantes (deputados federais) e 35 das 100 cadeiras do Senado.
Donald “Lame Duck”?
Se perder a maioria legislativa após já ter sido barrado pela Suprema Corte conservadora dos EUA em seus tarifaços, Trump pode ter a segunda metade do seu último mandato de presidente no que os estadunidenses chamam de “Lame Duck” (“pato manco”). Lá ou aqui, seria uma piada pronta a alguém batizado Donald.
Lucro a Campos e petrorrentistas?
A Campos e demais municípios petrorrentistas da região, a falta de estratégia de Trump no Irã tende a se refletir favoravelmente na arrecadação de royalties e participações especiais (PEs) do petróleo. O preço do barril Brent já acumula valorização de 40% nos últimos 18 dias de conflito, ficando ontem (17) entre 100 e 102 dólares.
Após Wladimir com Putin, Frederico
A estratégia milenar de resistência do Irã, estrangulando no presente o escoamento de petróleo no Estreito de Ormuz, é favorável aos municípios petrorrentistas do NF. Como Wladimir foi favorecido pelo xará Putin, na invasão da Rússia à Ucrânia em 2022, Frederico Paes deve assumir como prefeito de Campos com royalties em alta.
Felipe Fernandes, cineasta publicitário e crítico de cinema
“A Noiva!”: A subversão de Mary Shelley
Por Felipe Fernandes
Criada em 1935, “A Noiva de Frankenstein” surge como continuação cinematográfica do sucesso “Frankenstein”, de 1931. O filme utiliza um dos acontecimentos do clássico de Mary Shelley para seguir com a trágica história da criatura, apresentando uma personagem com pouquíssimo tempo de tela, mas que deixou sua marca pelo visual marcante e pelas diversas questões envolvendo sua criação.
Passado quase um século, a atriz, roteirista e diretora Maggie Gyllenhaal resgata a personagem e busca subverter tudo o que conhecemos sobre ela, ao adicionar temas bastante atuais em uma releitura estilizada. Que mistura diversas referências na tentativa de dar à personagem o destaque que ela nunca teve.
O filme abre com Mary Shelley em uma espécie de limbo e, a partir dele, ela passa a narrar a verdadeira história da Noiva, que, em tese, sempre foi a história que ela quis contar em sua obra literária. A trama se passa na Chicago dos anos 30, curiosamente o mesmo período em que os filmes da Universal foram lançados, mas principalmente um momento que reforça a mistura de estética gótica com noir que o filme explora ao longo da narrativa.
Repleto de homenagens (principalmente às mulheres), o filme parte de uma premissa muito parecida com a produção de 1935. No entanto, ao contrário daquele, em que acompanhamos a busca do monstro de Frankenstein por uma noiva, aqui vemos as consequências do nascimento da nova criatura, que, sem memórias anteriores à sua morte, aceita em um primeiro momento a condição que lhe é imposta. Aos poucos, porém, ela retoma sua personalidade por meio de suas atitudes e resgata sua verdadeira natureza.
O filme trabalha a rebeldia por meio de uma estética alternativa e de personagens que desafiam o papel que a sociedade tenta impor a eles. Para isso, mistura diferentes gêneros, horror, comédia e musical, culminando em um filme policial que parece um pastiche de Bonnie and Clyde. Alguns dos melhores momentos acontecem justamente quando o filme se permite ser mais fantasioso.
Frankenstein (que aqui ganha o nome de seu criador) é apresentado como um homem solitário, com um lado mais humano, melancólico e complexo. Em sua solidão, ele desenvolve um apreço pelo cinema, interagindo com os filmes e imaginando-se naquele mundo de espetáculo onde tudo parece ser belo e perfeito. Nesse sentido, é interessante como ele cria e narra para a Noiva um falso passado que eles nunca tiveram, construindo a narrativa de uma vida que sempre desejou, mas que, devido à sua aparência, nunca pôde viver.
A cena do musical pode parecer estranha em um primeiro momento, mas a bela coreografia (impossível não lembrar de Thriller) e a direção de Gyllenhaal fazem dela o ponto alto da narrativa. É justamente nesse momento que ocorre o ponto de ruptura. Até ali, Frankenstein era o protagonista do filme; a partir daí, a história se torna mais violenta e a Noiva assume o centro da narrativa.
A Noiva passa a ser uma mulher que não se lembra de seu passado, mas está disposta a escrever sua própria história. Nem mesmo a morte foi capaz de destruir sua personalidade, e ela segue em busca de sua identidade, de seus desejos e de sua liberdade.
A jornada do casal pelos Estados Unidos, deixando um rastro de violência em uma sociedade que não apenas não os respeita, mas também abusa da mulher, acaba criando uma espécie de fascínio entre outras mulheres (principalmente as marginalizadas) que iniciam uma espécie de revolução armada feminina. Trata-se de uma subtrama mal construída, que tenta estabelecer uma crítica social, mas acaba se tornando confusa e frágil em um longa já repleto de elementos. Com isso, desperdiça a oportunidade de explorar de forma mais profunda as reais consequências de uma personagem tão deslocada dentro do período histórico em que a trama se passa.
“A Noiva!” é, portanto, uma releitura moderna e ousada do mito criado por Mary Shelley em Frankenstein. Em vez de repetir a história tradicional do monstro e sua companheira, o filme transforma a narrativa em algo mais político, estilizado e centrado na autonomia feminina. Utiliza a clássica história de monstros para falar sobre identidade, liberdade e sobre quem tem o direito de decidir o próprio destino. O resultado é um filme estiloso, provocador e um tanto bagunçado, que por vezes se perde na mistura de tantos elementos, mas que tenta dar um novo significado ao mito de Frankenstein ao mudar o foco para a versão feminina do personagem.
Arthur Soffiati, historiador, professor, escritor, ambientalista e crítico de cinema
Os dinossauros
Por Arthur Soffiati
O ótimo filme de ficção “Jurassik park” (1993), misturando drama com pitadas cômicas, foi seguido de mais cinco filmes meio desastrados. Filmes que pareciam arrancar roteiros estapafúrdios em busca do sucesso do primeiro. Agora, Steve Spielberg, presente como diretor dos dois primeiros e produtor em todos os seis filmes, lança, como produtor executivo, “Os dinossauros” (disponível na Netflix), um documentário com quatro episódios sobre a era Mesozoica, em que os dinossauros se destacaram. Terão mesmo dominando completamente? Os quatro episódios constituem a primeira temporada, mas, tendo sido abordados o Triássico, o Jurássico e o Cretáceo, os três períodos do Mesozoico, haverá mais o que contar?
São 165 milhões de anos tratados com a mais aprimorada tecnologia. A pesquisa foi intensiva e o material mereceu a melhor computação gráfica. Examinada cientificamente, a era coloca o tiranossauro rex em seu devido lugar. Ele só aparece no fim do Mesozoico e não trava mais a célebre luta com o estegossauro (que já estava extinto) ou com o tríceratops. Ele era astuto, como várias outras espécies, e atacava de surpresa, sem lutas titânicas. O mais interessante é que, no contexto geral de dinossauros, o tiranossauro é mais uma espécie.
O primeiro episódio começa após a crise do Permo-Triássico, a mais destruidora da história da Terra. Cerca de 90% das espécies foram extintas. Os répteis antigos desapareceram, mas algumas espécies sobreviveram. Elas darão origem aos dinossauros. Caberia um tratamento dessa crise, ainda que mínimo.
No todo, o que chama a atenção não são as espécies, seu sucesso em se acasalar ou não, sua alimentação omnívora, herbívora ou carnívora. O que mais se destaca para o observador atento são os cenários. Aquilo que vemos como pano de fundo dos animais, como acontece ainda hoje, inclusive para humanos. Na história da Terra, o cenário é, na verdade, o principal personagem. Ele não está parado. Transforma-se de forma avassaladora. Aquecimento e resfriamento do planeta, chuvas intensas que duram um milhão de anos, gases tóxicos desprendidos do subsolo, avanço e recuo dos mares, fratura e afastamento dos continentes. Um animal tem medo e sente dor. Mas o cenário, tornado ator, é insensível. Ele destrói e cria novos ambientes, ensejando a extinção e a constituição de espécies.
Outro aspecto a ser observado é a concepção de história. Comumente, fala-se que um evento mudou completamente o rumo da história como se já conhecêssemos seu percurso. Em relação ao nosso sistema solar, à Terra e a todas as formas de vida, podemos afirmar que existe um princípio e um fim. Não sabemos o que acontece no meio. O que acontecer integrará a história, e não a mudará. Parece também que o enfoque da série está muito centrado no hemisfério norte, como a valorizar o papel dos Estados Unidos, que só se constituirá milhões de anos depois. A maior espécie de dino foi o argentinossauro, encontrado no atual território da Argentina. Ele não merece a mínima referência no documentário.
Por fim, o asteroide que colide com a Terra e sela o fim dos grandes dinossauros. A vida continuou, apesar do baque. O documentário mostra que as aves são os dinossauros do nosso tempo, mas, em momento algum, esclarece a diferença entre dinossauros e outros répteis. O brontossauro e o tiranossauro rex foram dinossauros, mas o pterossauro e o mosassauro não. Continuamos aguardando essa diferenciação e espera-se que um próximo documentário enfoque o Paleozoico, a era em que os organismos pluricelulares se desenvolveram e que teve o mais trágico final da história da Terra.
Alcimar das Chagas Ribeiro, economista, professor da Uenf e diretor do Núcleo de Pesquisas Econômicas dirigido para o Estado do Rio de Janeiro (Nuperj)
Contribuições para o debate econômico sobre o estado do Rio de Janeiro
Por Alcimar das Chagas Ribeiro
O estado do Rio de Janeiro com suas contradições econômicas precisa estar no centro do debate orientado para o norteamento das possíveis alternativas de mudanças estratégicas, visando a sua recondução ao status que lhe é devido.
Inicialmente, um recorte da análise conjuntural pode ser útil na formulação de um diagnóstico mais expressivo da real dinâmica econômica interna e da sua capacidade de fixação de riqueza. Os dados recentes definem um sistema econômico muito dependente das atividades petrolíferas de natureza finita e sem o necessário comprometimento geracional. Evidencia-se o predomínio do fundamento extrativista.
O estado tem o quarto maior PIB per capita, entre as unidades da federação, com um valor de R$73.052,55 superando a média nacional em 35,5% em 2023, segundo dados do IBGE. A atividade petrolífera exerce papel preponderante na formação da mesma riqueza. Segundo dados da ANP de 2025, o estado atingiu a média de produção mensal de petróleo e equivalente de 4.174.189,39 barris/dia, representando 85,34% da produção nacional.
Importante observar que o estado esteve no centro do processo da produção de petróleo off-shore, através da bacia de Campos, desde o final dos anos 1990, cuja trajetória ascendente chegou em 2010 com uma produção equivalente a 85% da produção nacional. A partir desse ponto teve início o processo de declínio gradativo da produção, atualmente representando menos de 20% do total nacional.
Entretanto a sorte não abandou o Rio de Janeiro que com a descoberta da Bacia de Santos em 2007, cuja abrangência se espraia do Rio de Janeiro a Santa Catariana, novamente colocou o estado na rota das grandes produções petrolíferas do país.
A evidência é corroborada pelas indenizações de Royalties que somaram R$16.029.174.888,21 em benefício do estado, equivalentes a 75,85% do total das remunerações realizadas no país em 2025, enquanto que as participações especiais fruto da produtividade da bacia injetaram mais R$7.519.799.369,46 no orçamento estadual no mesmo ano.
Diante do quadro de robusta formação de riqueza no estado, os resultados oriundos da aplicação desses mesmos recursos são extremamente tímidos. Em 2025, a produção industrial geral no estado cresceu 5,1% com base no ano anterior. O crescimento foi puxado pela produção da indústria extrativa que cresceu 8,9%, seguido pela indústria de transformação com crescimento de 0,9% no mesmo período. Neste grupo, os setores com as maiores taxas de contribuição foram: fabricação de máquinas e equipamentos com crescimento de 23,6%; fabricação de outros equipamentos de transporte, exceto veículos automotores com crescimento de 16,8%; manutenção, reparação e instalação de maquinas e equipamentos com crescimento de 13,1% e fabricação de produtos alimentícios com crescimento de 6,4% no ano. Já os setores tradicionais de confecção de artigos do vestuário e acessórios e fabricação de bebidas regrediram 9,2% e 5,3%, consecutivamente, no mesmo período.
O setor comercial apresentou um nível de volume de vendas em queda de 1,3% em 2025 com base em 2024, enquanto o setor de serviços apresentou um índice de volume positivo com crescimento acumulado de 1,7% no ano, puxado pelo grupo de atividades de transporte, serviços auxiliares ao transporte e correio com crescimento de 10,4% e serviços prestados as famílias com crescimento de 2,4% no ano.
Complementarmente, os vínculos ativos registraram 4,7 milhões de empregos formais no estado em 2024, com importante concentração nas atividades de serviços no nível de 47,25%, seguido da administração pública no nível de 18,48% e do comércio com participação de 17,55% do total. Não podemos deixar de observar que parte expressiva do setor de serviços opera com baixo padrão tecnológico e baixo rendimento salarial. Por outro lado, a segunda maior expressão em termos de emprego formal é a administração pública com uma participação relativa maior que a atividade comercial.
As contradições avançam quando observamos que a indústria de transformação absorveu somente 8,8% do emprego formal no estado e a agropecuária 0,6% do total.
O contexto traçado nos permite afirmar, sem margem de erro, que o problema do Rio de Janeiro está longe de ser a falta de receita para dar conta de seus gastos. A aceitação dessa hipótese pressupõe fechar os olhos para a ineficiente gestão fiscal, cujo custeio não guarda coerência com as receitas, além da falta de comprometimento em relação a formulação de um efetivo planejamento estratégico voltado para as necessárias transformações estruturais.
O necessário planejamento de longo prazo assume responsabilidade com a integração territorial, identificando e orientando a combinação dos recursos tangíveis e intangíveis a partir do conhecimento cientifico. Estamos falando de uma política de estado e não de governo, onde as instituições devem ter um papel preponderante no processo de governança.
O fortalecimento institucional e o reconhecimento do importante papel do empreendedorismo estão no centro do problema. A expectativa de receita aumentada é função da introdução de uma estrutura consistente de negócios novos e/ou antigo, amparados no conhecimento cientifico com capacidade de eliminar os reais gargalos relacionados a escala, gestão, tecnologia, mercado, etc.
É urgente a necessidade de equilíbrio no jogo de poder da sociedade fluminense para que possa ocorrer a ascensão das organizações não governamentais. O equilíbrio de forças tende a criar condições favoráveis para as unidades produtivas que realmente geram e fixam riqueza. A descentralização de poder incentiva e protege inciativas empreendedoras capazes de alavancar o desenvolvimento econômico no território. Este estágio representa a condição de êxito de uma sociedade que substitui o retrógado perfil extrativista pelo perfil de uma sociedade inclusiva. Nesta, as distorções econômicas e sociais são minoradas em benefício de uma sociedade mais justa, menos desigual.
Na última quarta-feira (11), finalmente foi divulgada uma pesquisa de instituto de credibilidade a governador e senador do RJ, a primeira deste ano eleitoral de 2026. A governador, a Real Time Big Data confirmou (confira aqui) a vantagem do prefeito carioca Eduardo Paes (PSD) na disputa, que variou de 42% a 46% de intenção de voto em dois cenários estimulados (com a apresentação dos nomes dos candidatos) ao primeiro turno de 4 de outubro, daqui a exatos 6 meses e 21 dias.
Douglas Ruas no primeiro turno — Além de Paes, o único nome a pontuar com dois dígitos de intenção nos mesmos dois cenários de primeiro turno foi Douglas Ruas (PL), deputado estadual licenciado como secretário das Cidades do governo Cláudio Castro. Pré-candidato do bolsonarismo a governador, Ruas variou de 11% a 13%. Ou seja, a vantagem de Paes hoje sobre ele variou de 31 a 33 pontos.
(Infográfico: Joseli Matias)
Paes e Ruas no segundo turno — Na simulação de segundo turno do Big Data, Paes bateria Ruas por exatos 51% a 19%. São 32 pontos de vantagem a governador do atual prefeito carioca. Outros 19% de eleitores não souberam responder, com 11% que disseram que votarão nulo ou branco.
Rejeição — Índice negativo considerado fundamental à definição do segundo turno, por fixar o teto de crescimento dos dois candidatos que o disputam, a rejeição tem o ex-governador Wilson Witzel (DC) na liderança: 52% dos fluminenses não votariam nele a governador. Ele foi seguido por Paes, com 39%; pelo ex-presidente da Alerj André Ceciliano (PT), com 38%; pelo vereador carioca Wilson Siri (Psol), com 26%; e Ruas, com 23%, ou 16 pontos a menos de rejeição que Paes. O que, em tese, pode ser uma vantagem ao pré-candidato do PL na disputa de um eventual segundo turno.
(Infográfico: Joseli Matias)
Eleição matematicamente aberta — Na pesquisa espontânea Big Data, onde o eleitor fala da própria cabeça em quem pretende votar, revelando a intenção de voto consolidada, Paes foi o único a pontuar com dois dígitos: 12%. Ruas ficou em 3º lugar, com 2%, mas tem chance de absorver os 4% de Castro, que é pré-candidato ao Senado e o apoia. De qualquer maneira, os 64% que dizem ainda não saber em quem votarão revelam uma eleição ainda completamente aberta.
(Infográfico: Joseli Matias)
Pesquisa também em Campos — Divulgada na quarta, a pesquisa Real Time Big Data ouviu 2.000 eleitores de 53 dos 92 municípios fluminenses, inclusive de Campos, entre os dias 9 e 10 de março. Com margem de erro de 2 pontos para mais ou menos, foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo RJ-04191/2026.
Análise do especialista — “A Real Time Big Data de março de 2026 confirma a liderança de Eduardo Paes, mesmo com o nome de Douglas Ruas já apresentado e concorrendo com outros candidatos. Quando aparece, André Ceciliano (PT) empata tecnicamente com Douglas Ruas na 2ª colocação. No cenário de segundo turno a vantagem de Paes é de 32 pontos. Por outro lado, o ainda atual prefeito carioca tem rejeição maior e desconhecimento menor do eleitorado, o que poderá levar a redução da vantagem de Paes daqui até a urna de outubro deste ano. Outro detalhe que merece atenção e que tende a favorecer Ruas é o fato da segurança pública, de maneira isolada, ser a prioridade do eleitor fluminense para o próximo governador”, resumiu William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE.
CLÁUDIO CASTRO LIDERA CORRIDA A SENADOR
Mesmo com a possibilidade de ficar fora do páreo eleitoral de 4 de outubro, se for condenado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no caso Ceperj, o atual governador Cláudio Castro (PL) lidera a corrida por uma das duas cadeiras ao Senado pelo RJ. Foi o que revelou a pesquisa Real Time Big Data (confira aqui) divulgada na quarta, onde Castro variou de 23% a 24% nos dois cenários a senador.
Castro lidera a senador, seguido de Crivella, Pimentel e Benedita — Com margem de erro de 2 pontos para mais ou menos, Castro liderou com relativa folga a pesquisa Biga Data a senador. No cenário 1, ele foi seguido, 8 pontos atrás, pelo deputado federal Marcelo Crivella (REP), com 15%. Este, em empate técnico com o ex-capitão do Bope Rodrigo Pimentel (sem partido) e a deputada federal Benedita da Silva (PT), com 12% cada.
(Infográfico: Joseli Matias)
Primeiro e segundo voto a senador — No cenário 1 às duas cadeiras ao Senado em disputa, a Big Data fez também as perguntas: “Quem seria o seu primeiro voto? E o segundo voto?” No primeiro voto, Castro liderou com 33%, seguido à distância por Crivella e Benedita, com 15% cada; estes dois últimos em empate técnico com Pimentel, com 12%. No segundo voto, em empate técnico, Crivella liderou numericamente, com 15%, seguido de Castro e Pimentel, com 12% cada.
(Infográfico: Joseli Matias)
Castro lidera a senador, seguido de Pimentel, Benedita e Pedro Paulo — No cenário 2 da Big Data ao Senado pelo RJ, sem Crivella, Castro teve 10 pontos de vantagem sobre o 2º colocado. Que foi Pimentel, com 14% de intenção de voto, em empate técnico na margem de erro com Benedita, com 12%, e o deputado federal Pedro Paulo (PSD), com 10%, aliado de Paes, líder na mesma pesquisa a governador.
Primeiro e segundo voto a senador — No cenário 2 às duas cadeiras ao Senado em disputa, a Big Data também fez as perguntas: “Quem seria o seu primeiro voto? E o segundo voto?” No primeiro voto, Castro liderou com 36%, seguido à distância por Benedita, com 16%, e Pimentel com 13%; estes dois últimos em empate técnico. No segundo voto, Pimentel liderou numericamente, com 15%, mas em empate técnico com Pedro Paulo, com 12%, e Castro, com 11%.
(Infográfico: Joseli Matias)
Trabalho como governador aprovado e desaprovado por 44% — Castro parece liderar a corrida por uma das duas cadeiras ao Senado, que os fluminenses elegerão em outubro, a partir da aprovação ao seu trabalho como governador. Que tem a aprovação de 44% da população, embora outros exatos 44%, no lado oposto, desaprovem o trabalho do atual chefe do Executivo estadual, com outros 12% não souberam opinar.
(Infográfico: Joseli Matias)
Análise do especialista — “A Real Time Big Data também testou a intenção de voto ao Senado fluminense, que contará com duas cadeiras. Considerado um governador ótimo ou bom por 26% do eleitorado entrevistado, e regular por 42%, Cláudio Castro está consolidado como 1ª opção, com os nomes de Marcelo Crivella, Rodrigo Pimentel e Benedita da Silva se alternando como 2ª opção. Outros nomes testados ao Senado foram o de Pedro Paulo, Márcio Canella e Otoni de Paula. Cabe considerar que novos fatos políticos e jurídicos, daqui até a urna de outubro, podem alterar as opções do eleitorado na eleição às duas cadeiras do Senado”, resumiu William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE.
Um garoto da cidade de São Paulo que gostava de esporte e, no final dos anos 1980, pensou em fazer educação física, foi desaconselhado pelo pai e acabou cursando Direito na USP. Onde foi calouro de dois veteranos do curso: Alexandre de Moras e Dias Toffoli. Aprovado em concurso para o Ministério Público do RJ em 1996, começou a atuar em municípios do interior fluminense, conheceu a esposa em Itaperuna, mas se fixou com a família em Campos, onde passou os últimos 20 anos. E teve passagens marcantes nas operações Telhado de Vidro e Chequinho, como no caso Meninas de Guarus. Promotor de Justiça respeitado e querido na comarca, Victor Queiroz está de mudança à cidade do Rio, onde assumirá (confira aqui e aqui) a 7ª Promotoria de Família no próximo mês. Ontem (13), em entrevista ao Folha no Ar, ele falou da vida, carreira, Ministério Público e Judiciário.
Promotor de Justiça Victor Queiroz
Antes do Direito — “Na verdade, eu não tinha exatamente nenhum desses propósitos. A única coisa que eu sabia quando era menino, lá atrás, quando era moleque, lá em São Paulo, é que eu tinha que estudar e trabalhar, seguindo o exemplo dos meus pais. E não fazia ideia de que um dia eu viesse a estudar Direito. Era um menino que gostava de jogar bola, de correr, de praticar atividade física e virei para o meu pai e falei assim: ‘Pai, vou fazer vestibular para educação física’. Ele virou e falou: ‘Victor, eu nunca interferi na sua vida, acho uma profissão digna a educação física, mas acho que não vai encaixar com você, pelo que te conheço’. Eu falei “O que você me sugere?”. Ele falou: “Ah, vai estudar administração, vai estudar Direito.”
Entrada na USP — “Ouvindo meu sábio pai, e percebendo que o time de handebal do meu colégio estava todo indo para a Faculdade de Direito da USP, eu falei: “É com eles que eu tenho que ficar, quero continuar jogando com eles”. Então eu fiz vestibular para Direito na USP por isso. Era uma forma de me manter com a minha turma. Eu não fazia muita ideia, não tenho tradição jurídica na família, nada disso. Era uma época era muito diferente, nós estamos falando do final da década de 80. E ali fui me encantando pelo Direito, também pelas atividades na Associação Atlética Acadêmica 11 de Agosto, da Faculdade de Direito da USP. Mas também não tinha ideia de seguir carreira no Ministério Público.”
Ministério Público — “Surgiu o concurso do Ministério Público do Rio de Janeiro. Me inscrevi, muito jovem, com toda energia, me preparando bem, sem muita responsabilidade além dessa e tive a felicidade de ser aprovado no concurso. Eu tomei posse, minha turma tomou posse, em maio de 1996 e aí não tinha jeito. Se é para fazer, vamos fazer bem feito. Hoje minha vida não tem sentido sem o Ministério Público. Aprendi a ser promotor de Justiça, tenho aprendido a cada dia. No início rodei muito, principalmente pela região Sul Fluminense, até porque era mais perto de São Paulo e eu podia visitar meus pais, minha família. Daí fui para Itaperuna, em 1997. Em Itaperuna, em 1998, eu conheci minha esposa, nos casamos e nasceu nossa primeira filha, Maria Vitória, em 1999. E aí, a vida seguiu no MP e fui para outras comarcas. Trabalhei em São Francisco, Cambuci, Miracema e acabei vindo para Campos. E desde então estamos aqui, a nossa família se situou aqui.”
Ida para a capital — “Já fazendo quase 30 anos de Ministério Público entendi que o caminho seria mudar um pouco os ares, tentar novos objetivos e uma das opções era trabalhar na capital. Evidente, como eu sou promotor de Família já há muito tempo, me sentiria mais à vontade trabalhando em uma Promotoria de Família da capital. Concorri a uma que estava vaga e, pela minha antiguidade, que não é pouca, consegui essa remoção. É um órgão disputado. Não é uma promoção, só fazendo um pequeno adendo. É uma remoção no mesmo nível da carreira, só muda o aspecto territorial e a matéria um pouquinho.”
Rio de Janeiro — “Quando cheguei ao Rio, me lembro que foi na entrevista antes de tomar posse como promotor de Justiça, um dos procuradores me perguntou: ‘Você veio de São Paulo, que é um lugar diferente. Você está preparado para trabalhar no interior do Rio de Janeiro, em que os municípios têm uma estrutura mais precária e etcétera?’. Eu me surpreendi com aquela pergunta e a resposta que eu dei foi a seguinte: “Doutor, até hoje a vida foi muito generosa comigo. Eu tenho uma excelente formação de família, pude estudar em bons colégios, fiz uma universidade pública. Então, eu acho que se for isso que o senhor está falando, é hora de eu retribuir. É hora de eu dar a minha contribuição diante de tudo que me foi depositado como investimento’. Foi natural para mim. Hoje em dia, me sinto muito mais à vontade no Rio do que em São Paulo.”
Operação Telhado de Vidro — “Na época da operação Telhado de Vidro (que teve como alvo o governo Alexandre Mocaiber em Campos), em 2007, por aí, eu estava na Promotoria de Investigação Penal. E trabalhei em uma questão em paralelo à Telhado de Vidro. Aquilo foi um momento muito marcante, porque vislumbrou-se ali uma série de irregularidades na administração pública. Foi dispensa de licitação em obras emergenciais e aquilo demandava uma operação de busca e apreensão de documentos na Prefeitura e tal, que tinha que ser feito, independentemente de responsabilidades, até para gente compreender o que era. Tudo funcionou bem, o mecanismo judicial e do Ministério Público funcionaram muito bem naquele momento. E aquele foi um momento marcante do meu trabalho.
Caso Meninas de Guarus — Teve também a situação, óbvio, das Meninas de Guarus (prostituição de meninas e adolescente, desvendado entre 2008 e 2009, em que nomes conhecidos da cidade foram condenados à prisão), não preciso dizer. Quem é da época, sabe. Apesar de eu ter atuado só pontualmente na deflagração da ação penal e na realização de audiências lá no plenário do júri, no fórum, foi também bem desafiador.
Marcelo Lessa — “Várias passagens com o nosso querido e eterno colega Marcelo Lessa Bastos, tanto em Itaperuna quanto em Campos. Nós talvez apresentássemos personalidades um pouco distintas, mas nos dávamos muito bem. Acho que a gente se complementava um pouco nesse aspecto e eu tenho muita honra de poder ter trabalhado e aprendido com o Marcelo. E ele brincava comigo, falava assim: ‘Victor, quando tiver uma coisa assim muito rumorosa aqui, eu vou te chamar para você fazer um contrapeso. Que aí o trabalho pode sair mais ponderado’. Só não sei se ele estava querendo dizer que eu era devagar, e ele muito acelerado. Mas enfim, a gente se entendia muito bem. Nem sempre concordava, mas eu posso dizer que foi também muito marcante trabalhar e aprender com ele, sobretudo.”
Lições da Operação Chequinho (contra compra de voto no final do governo Rosinha em Campos, em 2016) e do caso Meninas de Guarus — “Do ponto de vista profissional, acho que a lição que elas deixam é a seguinte: o trabalho da polícia, do Ministério Público, do Judiciário, dos advogados, da Defensoria Pública, enfim, de todos os operadores do Direito, tem que ser um trabalho legítimo. Os fins não podem justificar os meios, os meios têm que ser legítimos. Isso eu sabia, sempre soube, mas pude verificar em determinados momentos nessas operações que, às vezes, surgiam informações que não surgiam por meios que a lei admitia. Então a gente não podia usar isso. E tudo bem, ótimo, vamos aperfeiçoar, vamos sempre buscar os meios legítimos. O compromisso tem que ser esse, o compromisso sempre foi esse, independentemente dos resultados. Vamos garantir o direito de defesa, garantir o devido processo legal, vamos pedir medidas rigorosas quando elas têm que ser rigorosas, independentemente de quem sejam eventualmente os investigados, o poder que eles tenham.”
“População não pode silenciar” — “Extrapolando aí o exercício profissional como cidadão campista, que hoje eu sou, acho que o legado é esse mesmo, de não se contentar e não silenciar diante de absurdos, diante de injustiças, de ilegalidades, e buscar noticiar o que de fato é irregular. Para que a sociedade possa evoluir, aprimorar. Para que, do ponto de vista civilizacional, nós estejamos cada vez mais evoluídos. Tem eleição esse ano, então que isso fique de lição. Para o cidadão comum não cair mais no risco de aceitar corrupção eleitoral, para que não se aceite mais com naturalidade eventos que impliquem abuso de crianças e adolescentes, que impliquem corrupção.”
Críticas de Garotinho à Operação Chequinho — “Ao longo de 30 anos de Ministério Público, dificilmente vi alguém acusado de um crime grave, pura, simplesmente admiti-lo. Compreendo e respeito, mas discordo frontalmente do que disse o ex-governador (que a Operação Chequinho teria sido um conluio entre Ministério Público e imprensa para eleger Rafael Diniz prefeito). Respeito, mas discordo porque sei que naquilo em que eu pude contribuir na operação, tudo foi legítimo.”
Cobranças da população — “Se as pessoas reclamam ‘cadê o Ministério Público?’, é sinal de que é uma referência positiva. De alguma forma é uma esperança de solução de um problema. Quando se reclama a atuação do Ministério Público é porque alguma coisa não vai bem em outra área. O Ministério Público não tem solução para tudo. A missão constitucional está muito clara ali. Deve ser o defensor da ordem democrática e, sobretudo, defender os interesses sociais, coletivos e individuais indisponíveis. De forma independente, como deve ser e é. E aí a população chega ao Ministério Público pelos canais de comunicação. No caso do Rio de Janeiro, onde 99,9% das pessoas têm a internet na sua realidade, o site do MP funciona muito bem por meio da ouvidoria para receber essas notícias.”
Nunes Marques na presidência do TSE — “Por mais que o presidente sirva para coordenar os trabalhos, direcionar os trabalhos, indicar algumas prioridades, os tribunais em geral, inclusive o TSE, trabalham em sistema colegiado. As decisões são coletivas, são de vários ministros e ministras. Então, independentemente das características de cada um, o resultado da atuação vai ser a soma do entendimento de todos os ministros. Em especial na área eleitoral, mas como em matéria de Justiça em geral, faço uma comparação com o jogo de futebol: o juiz ou os juízes, os bandeirinhas, eles não têm que ser protagonistas de nada. Quando o juiz, lá no jogo de futebol, começa a ser muito protagonista, começa aparecer demais, tem alguma coisa errada. É o sintoma de que alguma coisa não está funcionando bem.”
Protagonismo do Judiciário — “Isso não me agrada porque essa atividade judicial tem que ser impessoal. A esperança não pode ser depositada em uma pessoa. Ela tem que ser depositada nos freios e contrapesos que ajudam a fazer com que esse sistema rode de maneira adequada, legítima. Então, especialmente em matéria eleitoral, eu acho que o Judiciário e o sistema de Justiça não devem ser protagonistas. O Judiciário está ali para coibir abusos e não para tomar iniciativas que, na verdade, são dos atores políticos e dos eleitores, ou sociedade em geral.”
Calouro de Moraes e Toffoli na USP — “Na verdade, quando os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli estavam se formando, eu estava entrando no curso de graduação em Direito na USP. Não tive convivência pessoal. Eles foram meus veteranos, fui calouro deles. Acho que houve ali uma coincidência de um ano só. Meu primeiro ano de faculdade correspondeu ao quinto ano de faculdade deles. Eles certamente estavam ligados aos estudos, que não permitiam essas atividades recreativas da recepção aos calouros.”
Moraes e Toffoli citados no caso Master — “Eu não sei qual é a realidade dos fatos, não tenho acesso às investigações, se é que elas existem, aos processos, e não me interessa, e eu nem poderia falar sobre isso. Mas, pensando genericamente, é muito ruim para o Estado Democrático de Direito que o Judiciário seja protagonista e que, principalmente, as pessoas que compõem o Judiciário sejam protagonistas desse ou daquele caso. É necessário que o Judiciário atue? Sim. E quando é necessário, isso é um sintoma de que algo vai mal na sociedade, porque essa é a função do Judiciário. É dirimir esses conflitos. No caso do Supremo Tribunal Federal, dar a interpretação correta da Constituição em casos de conflitos.”
Voto ao Senado para impeachment de ministros do STF — “As pessoas podem votar em quem elas quiserem. Não é essa a questão. Mas ter como motivação combater o Supremo Tribunal Federal, que não tem nada a ver com a atividade do Congresso Nacional e do Executivo, realmente começa a ser uma anomalia para os nossos padrões normais. Mas, por isso, a necessidade de compostura, de pouca intenção de aparecer deve ditar a conduta de quem ocupa cargo no Judiciário. Eu não estou dizendo que as pessoas não cumpram esse dever, não é isso, mas esse deve ser um princípio. Esse comedimento, essa conduta reservada, isso deve ser regra para quem ocupa algum cargo no Judiciário ou no sistema de Justiça em geral.”
Publicado hoje (14) na Folha da Manhã.
Confira no vídeo abaixo a íntegra da entrevista do promotor Victor Queiroz ao Folha no Ar da manhã da última sexta:
Promotor de Justiça, Victor Queiroz é o convidado para fechar a semana do Folha no Ar, ao vivo, a partir das 7h da manhã, nesta sexta (13), na Folha FM 98,3.
Ele falará da sua experiência profissional e pessoal, da formação em Direito na USP em 1993, na sua São Paulo natal, ao ingresso no Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) em 1996, onde passou por outros municípios do Norte Fluminense antes dos últimos 20 anos atuando em Campos, onde formou família.
Victor também falará da sua próxima experiência no MPRJ, agora na cidade do Rio de Janeiro, onde assumirá (confira aqui) no próximo mês a 7ª Promotoria de Justiça, transferência à capital cobiçada por seus pares. E do que levará de Campos na sua nova missão profissional.
Por fim, Victor analisará preparação do MPRJ para a fiscalização das eleições de 4 de outubro de 2026 nos 92 municípios fluminenses. E, dentro dos limites impostos por sua função, falará sobre a crise do liquidado Banco Master envolvendo dois ministros do STF, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli.
Quem quiser participar do Folha no Ar desta sexta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebooke no YouTube.
Esta semana começou, na manhã de segunda-feira (9), com o escritório de advocacia Barci de Moraes, da esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, a sra. Viviane Barci de Moraes, e de dois dos três filhos do casal, admitindo em nota pública (confira aqui) o contrato com o liquidado Banco Master. Ao valor inusitado de R$ 3,6 milhões/mês.
A admissão ocorreu exatamente três meses, ou um quarto de um ano, após a jornalista Malu Gaspar, de O Globo, ter revelado (confira aqui ou aqui) a existência do contrato em 9 de dezembro. Que estava no celular, apreendido pela Polícia Federal (PF), do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master. Foi durante a sua primeira prisão, enquanto tentava fugir do país, em 17 de novembro.
A nota do escritório da mulher e dos filhos de Moraes, não veio no dia 9 por acaso. Foi na segunda-feira seguinte à jornalista Malu Gaspar também tornar público na sexta anterior (6) as mensagens trocadas (confira aqui ou aqui) entre Vorcaro e Moraes no mesmo dia 17 em que o primeiro seria preso. Numa delas, o então banqueiro indaga ao ministro do STF: “Conseguiu ter notícia ou bloquear?”
Na mesma manhã de segunda, o blog Opiniões, o portal Folha1 e o jornal Folha da Manhã se dedicaram a estudar o caso mais profundamente, a partir de fontes nacionais de credibilidade. No objetivo de estabelecer a cronologia dos fatos (confira aqui), inclusive a semelhança destes, na exposição da contradição presente, quando comparados a fatos e reações do passado recente.
Para além da formação essencialmente generalista do jornalista, se buscou na sequência a opinião sobre o escândalo do Master, envolvendo o também ministro do STF Dias Toffoli, não só de juristas da comarca goitacá, mas também de outros especialistas em ciência humanas irmãs do Direito. E com eles, na quarta (11), o blog e jornal formaram (confira aqui) um mosaico de 12 análises.
Nessa dúzia de análises, algumas se estenderam e tiveram que ser editadas, por conta do limite de espaço do impresso, como uma outra não conseguiu ser enviada até o dead line da edição. Dada a gravidade dos fatos, na maior crise moral dos 135 anos de História do STF, hoje (12) aproveitaremos na íntegra, no espaço mais elástico do blog, algumas dessas opiniões mais extensas.
Abaixo, as análises do advogado criminalista Felipe Drumond, professor na pós-graduação do instituto de Direito da PUC-Rio; do sociólogo Roberto Dutra, professor da Uenf; do juiz de Direito aposentado Elias Sader Neto; do cientista político Hamilton Garcia, professor da Uenf; do advogado criminalista Roberto Corrêa; do advogado Roberto Landes, professor da Ucam; do cientista político George Gomes Coutinho, professor da UFF-Campos; e do advogado Gabriel Rangel, doutorando em Direito na UFF:
Felipe Drumond, Roberto Dutra, Elias Pedro Sader Neto e Hamilton Garcia; Roberto Corrêa, Roberto Landes, George Gomes Coutinho e Gabriel Rangel (Montagem: Joseli Matias)
Felipe Drumond, advogado — “O STF experimenta uma das mais, se não a mais, sérias crises institucionais da sua recente história democrática. Nesse contexto, há muito a atuação do ministro Moraes em processos criminais de repercussão tem sido marcada por atropelo às regras e às garantias que devem pautar o devido processo legal. Esse autoritarismo judicial, entretanto, não é prática isolada, mas tem sido avalizada pela grande maioria dos ministros da Corte. O Supremo, como Corte Constitucional indispensável à democracia, precisa de proteção institucional. Todavia, isso não pode se confundir com medidas antirrepublicanas de acobertamento descabido de seus integrantes. O zelo por sua integridade deve ser legitimado pela proteção às garantias fundamentais e à independência da magistratura, que jamais será alcançada se influenciada ou regida por interesses privados ou políticos. Cada vez mais, a proteção à independência do Tribunal demanda uma providência que deveria vir de dentro para fora, por iniciativa dos seus próprios integrantes”
Roberto Dutra, sociólogo — “Do ponto de vista sociológico, os fatos já conhecidos sobre as relações entre Vorcaro e Moraes, tanto diretamente como por meio do escritório de advocacia comandado por sua esposa e filhos, evidenciam pelo menos algumas teses centrais sobre a relação entre o sistema jurídico e sociedade no Brasil: 1) as intensas e íntimas relações pessoais entre elites jurídicas e financeiras fazem parte de um padrão de corrupção por classe social institucionalizada informalmente em muitos de nossos tribunais, incluindo o STF; 2) juízes e outros atores do sistema jurídico constituem hoje o estrato social com menor nível de controle da esfera estatal, representando o maior obstáculo à formação de um estado efetivamente republicano. Que alguns destes atores sejam tratados como ‘heróis da luta anticorrupção’ (Moro) ou ‘heróis da defesa da democracia’ (Moraes) constitui o autoengano tragicômico sobre este estado de coisas disfuncional e anticonstitucional que nos assola.”
Elias Sader Neto, juiz de Direito aposentado — “O STF não pode ser confundido com seus ministros. Ainda assim, a raiz do problema não está na má ou boa índole dos ministros, mas na forma de composição do STF, que se tornou imprópria, diante da mudança paradigmática operada pelo neoconstitucionalismo e pelo pós-positivismo, os quais ensejaram a exacerbação do ativismo judicial.
Esse novo modo de se operar o Direito é mais ruinoso do que o poder conferido ao presidente da República de nomear ministro do STF seu advogado ou compadre.
Há pouco tempo, a atividade do juiz se limitava a aplicar a lei ao caso concreto. Cabia ao legislador, eleito pelo povo, positivar o direito vigente; ao Juiz, apenas aplicá-lo, sem margem para decidir conforme suas preferências pessoais. Hoje não é assim. Após os princípios assumirem força de lei, os ministros passaram a utilizar a Lei e a própria Constituição à la carte, bastando fundamentação aparentemente coerente, mesmo fajuta ou contrária aos precedentes.
O STF jamais cumprirá sua função enquanto for aceitável um ministro julgar quem o nomeou para o cargo, de modo vitalício. É falsa a democracia quando a vontade dos representantes do povo é rotineiramente substituída pela opção de ministros soberanos, não eleitos.”
Hamilton Garcia, cientista político — “A crise pela qual passa o STF é a ‘crônica de uma morte anunciada’. Ela começa em 2019 quando, em meio às vituperações de Bolsonaro contra o sistema democrático. Dias Toffoli, então presidente do STF, abre, de ofício, um inquérito visando intimidar a imprensa e os agentes públicos que, por obrigação funcional, expuseram suas sensíveis relações com empresários metidos em corrupção e detectaram movimentações financeiras estranhas nas contas bancárias de sua esposa e da do ministro Gilmar Mendes. Mesmo sendo retrucado pela PGR, a empreitada foi em frente atropelando o Direito e as liberdades sob o álibi do ‘combate ao fascismo’, em paralelo ao avanço da operação abafa contra a Lava Jato, na qual se uniram bolsonaristas e lulistas, abrindo caminho para a criminalização da extrema-direita.
Hoje, numa conjuntura em que o álibi perdeu força, as coisas se complicaram depois que vieram à tona as implicações de Toffoli, de novo, e Alexandre de Moraes com Daniel Vorcaro. Sete anos depois do ‘inquérito do fim do mundo’, em meio ao revival da corrupção no Lula 3, parece que a mídia e nossa cidadania leniente acordaram.”
Roberto Corrêa, advogado — “Como advogado criminalista, entendo que o caso ultrapassa a esfera penal comum e ingressa numa zona de grave crise institucional. A prisão preventiva de Daniel Vorcaro foi decretada pelo ministro André Mendonça no âmbito de investigação sobre supostas fraudes e tentativa de obstrução, o que por si só já revela a seriedade do fato.
Somam-se a isso a confirmação pública do contrato milionário entre o Banco Master e o escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, com uma justificativa rasa e sem embasamento para honorários tão voluptuosos.
No processo penal, não há condenação antes do trânsito em julgado, contudo, no plano republicano, a exigência é mais severa, um ministro do STF e sua instituição como um todo não podem deixar dúvidas sobre sua independência e transparência perante a população.
Se os fatos forem minimizados, o dano maior não recairá apenas sobre os investigados, mas sobre a confiança pública, que já não é alta, no próprio sistema de Justiça. Podendo gerar uma grande crise de legitimidade institucional. Nesse cenário, decisões judiciais deixam de ser vistas como expressão da lei e passam a ser recebidas com desconfiança, descrédito e polarização, o que corrói a autoridade das instituições e enfraquece o próprio Estado de Direito.
Em cenário assim, a resposta correta não é blindagem política nem disputa de narrativas, mas apuração rigorosa, controle institucional e afastamento de qualquer autoridade cuja permanência projete suspeita sobre a lisura do processo.”
Roberto Landes, advogado — “O STF ganhou muito protagonismo a partir do fenômeno da constitucionalização do Direito, exercendo o papel de guardião da Constituição. Como consequência, o Supremo passou a ser o agente responsável pela última palavra em todos os assuntos que afetam a vida moderna, das agendas tributárias às agendas criminais, das agendas políticas às agendas educacionais, ou seja, todas as pautas que afetam a vida do cidadão e do Estado são diretamente influenciadas pelo STF, o que transformou a Corte em um importante pilar do Estado Democrático de Direito; se não, o principal!
Diante disso é grave a troca de mensagens entre ministro e um empresário, réu em um processo que tramita na Corte, cujo assunto indica ser exatamente informações a respeito de tal processo. Mas ainda há outra pitada de gravidade: o escritório que representa o empresário é de propriedade da família do ministro. Ainda que esse escritório não atue no STF, a imparcialidade do julgador está totalmente comprometida.
Esse acontecimento escancara uma fratura séria de um importante pilar que sustenta o Estado Democrático Brasileiro e a resposta precisa ser dura e enérgica, sob pena de fazer sucumbir toda a estrutura.
A saída? Um pedido de exoneração partindo do ministro? Um impeachment por parte do Senado? Ou empurrar a sujeira para baixo do tapete e esperar a poeira baixar?
Seja qual for a saída adotada, ao meu sentir, trata-se do fato mais grave já ocorrido no ambiente judicial nacional e escancarou uma coisa que todos da comunidade jurídica sempre ‘ouviram dizer’: que alguns ministros se utilizaram da Corte para beneficiar escritórios com quem tem alguma relação. Lamentável!”
George Gomes Coutinho, cientista político — “Antes de qualquer coisa, é fundamental reafirmar os princípios que balizam o Estado de Direito dentro das premissas da ética da responsabilidade, aquela que está sempre tentando funcionar como dique, quase sempre inútil, diante da ética das convicções. Causa-me espécie que, em um ecossistema de opinião pública no qual comunicações foram disseminadas e têm sido seletivamente citadas, um jurista brasileiro, mesmo que no inferno das boas intenções, defenda publicamente o impeachment ou a renúncia voluntária de um ministro da Suprema Corte neste país.
É fundamental, então, que sejam explicitados objetivamente os crimes cometidos pelo ministro e a materialidade inequívoca dos mesmos. Daí julgamento, dentro das regras e nos fóruns adequados.
Dito isso, creio que, na discussão pública contemporânea, perde-se mais uma vez a oportunidade de discutir o funcionamento estrutural de instituições e setores da sociedade, em prol da individualização do debate. De maneira geral neste momento, e aqui se desperdiça a possibilidade de fechar gargalos importantes e persistentes em nossa sociedade, há tanto um modus operandi oculto, presente no Judiciário e no setor financeiro, quanto a tendência de ignorarmos as motivações dos agentes envolvidos em suas atuações em ambos os sistemas.
Ou seja, mais uma vez, há muito barulho que talvez satanize determinados agentes individuais, como se estes fossem vindos de outra galáxia, dotados da missão de subverter probos homens, regras e instituições de boa-fé. Ou será que seria preciso lembrar que elites econômicas e elites políticas ou do Judiciário se frequentam e nem sempre para fins lícitos? Será mesmo necessário recordar que parte das elites econômicas vê como parte do jogo adular e comprar elites de outros sistemas, como tática que amplia processos de enriquecimento individual ou empresarial? Sem dúvida, a magnitude dos valores é assombrosa. Mas é preciso lembrar que a falta de freios e contrapesos proporcionados pela burocracia pública, controles dos quais a própria Faria Lima foge como o diabo da cruz, também é parte do problema causado pelos próprios agentes.
Para finalizar, parte de nossas elites econômicas, políticas e jurídicas gera fatos que são, sim, estarrecedores. E são muitos, diversos, que se utilizam de um funcionamento estrutural que lhes é propício para tal. É assim há décadas, algo já descrito por um certo membro do clã Odebrecht. O problema da individualização é a conveniência do momento, que acaba sendo determinante.”
Gabriel Rangel, advogado — “O que vejo hoje não é um erro de percurso, mas uma espécie de eutanásia institucional orquestrada pela tríade PGR-Senado-STF. A insegurança jurídica atual nasce de um desenho de blindagem estratégica: sob a batuta intelectual do Gilmar Mendes, a PGR foi convertida em um órgão de contenção. Isso permitiu que o STF exercesse uma hipertrofia de competências sem o contrapeso real do dominus litis (‘dono da causa’). É a ‘Pax Gilmariana’: um sistema onde os freios e contrapesos só funcionam para proteger o status quo de cúpula.
Nesse vácuo de controle, o jornalismo investigativo virou o nosso único ‘promotor de fato’. Quando provas desse vulto surgem nas redações antes de qualquer autuação, o sistema de justiça confessa sua incapacidade de autorregulação. A transparência hoje é puramente reativa, forçada pelo vazamento, porque a instituição perdeu o pudor da ‘aparência de imparcialidade’.
Essa pulsão por CPIs ou impeachment é, no fundo, o sintoma clínico do colapso dos filtros técnicos. Quando a PGR abdica de sua função para garantir uma ‘estabilidade de gabineteְ’, ela empurra o controle para o espetáculo político. No silêncio da técnica, resta apenas a gramática do trauma: o impeachment vira o único recurso em um sistema que atrofiou propositalmente seus mecanismos ordinários de controle.
Diante deste contexto, vislumbro que o sistema tentará a ‘normalização da anomalia’. Veremos a PGR e o STF convergirem para a tese da ‘barbárie do vazamento’, tentando transformar a prova documental em violação de privacidade. No entanto, a saída de Toffoli e a chegada de André Mendonça na relatoria mudam o vetor. Se o Senado não chegar aos 41 votos para o impeachment, e hoje a conta ainda não fecha, o sistema oferecerá a ‘PEC da Toga’, limitação de mandatos e decisões monocráticas, como uma espécie de ‘acordo de paz’ para evitar a degola de um ministro. A bem da verdade, é a política entregando um anel para salvar os dedos, enquanto a técnica jurídica segue sacrificada no altar da personificação do poder.”
Um empate exato e um técnico, na margem de erro, entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) em um 2º turno a presidente do Brasil, marcado para 25 de outubro, daqui a pouco mais de 7 meses. E vários cenários de empate técnico entre os dois já no 1º turno de 4 de outubro. Foi o que revelaram duas pesquisas nacionais divulgadas hoje (11), dos institutos Quaest (2º turno: Lula 41% x 41% Flávio) e Ideia (2º turno: Lula 47,4% x 45,3% Flávio).
Flávio cresce ao 2º turno — Nas duas pesquisas presidenciais e suas simulações de 2ª turno, na comparação com os meses anteriores, o filho 01 do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) cresceu nas intenções de voto. Na Quaest, ele cresceu 3 pontos dos 38% de fevereiro aos 41% de março no 2º turno contra Lula. Na Ideia, Flávio cresceu 4,2 pontos dos 41,1% de fevereiro aos 45,3% de março.
E Lula contra Flávio no 2º turno? — Se Flávio comprovadamente cresceu no último mês, em um provável 2º turno contra Lula, como este performou de fevereiro a março? Por dois institutos diferentes, com metodologias diferentes e margens de erros diferentes (2 pontos para mais ou menos na Quaest, 2,5 pontos na Ideia), as duas pesquisas apresentaram tendências diferentes.
Tendências diferentes de Lula — Na Quaest, Lula oscilou 2 pontos para baixo, dentro da margem de erro, dos 43% de intenção de voto de fevereiro aos 41% de março, em um 2º turno contra Flávio. Mesma simulação onde, na Ideia, o petista teria oscilado 1,6 ponto para cima, dentro da margem de erro, dos 45,8% de fevereiro aos 47,4% de março. Na dúvida, a certeza: Flávio cresceu de fato, Lula oscila.
Empate técnico tambem com Tarcísio ao 2º turno — Lula, no entanto, liderou todas as outras seis simulações de 2º turno da Quaest e outras sete da Ideia. Mas, nesta pesquisa, que ainda testou o nome do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (REP), como presidenciável, Lula teve outro empate técnico no 2º turno: 46,4% de intenção contra 44,8% do ex-diretor-geral do Dnit do governo Dilma Rousseff (PT) e ex-ministro de Infraestrutura do governo Jair Bolsonaro.
(Infográfico: Joseli Matias)
Empates técnicos de Lula e Flávio já no 1º turno — Ao 1º turno de 4 de outubro, a Quaest testou sete cenários e Lula liderou numericamente todos, mas em cinco deles já em empate técnico com Flávio. Por sua vez, a Ideia testou quatro cenários de 1º turno, com Lula também liderando numericamente em todos, mas em três empates técnicos com Flávio já de saída. O quarto cenário da Ideia, que a Quaest não testou, no lugar de Flávio teve Tarcísio, com quem Lula também não passou do empate técnico.
(Infográfico: Joseli Matias)
Eleição, até aqui, polarizada — Nos três cenários de 1º turno iguais nas duas pesquisas, para comparação, Lula variou de 36% a 39% na Quaest, com Flávio variando de 30% a 35%. Na Ideia, nos mesmos três cenários de 1º turno, Lula variou de 39,6% a 40,3%, com Flávio variando de 34,7% a 36,3%. Nos mesmos três cenários das duas pesquisas, nenhum outro candidato chegou a bater dois dígitos de intenção.
(Infográfico: Joseli Matias)
Lula merece se reeleger? — A dificuldade do atual presidente, em vários cenários de empate técnico já no 1º turno com Flávio, chegando ao inédito empate exato na simulação de 2º turno da série Quaest, é melhor medida por outra pergunta, que sempre é feita pelo eleitor sobre um candidato à reeleição: Lula merece se reeleger?
Quaest: não merece para 59% — Na Quaest, Lula não merece mais quatro anos de governo para maioria de 59% dos brasileiros em março, 2 pontos mais que os 57% de fevereiro. E merece para a minoria de 37%, 2 pontos a menos que os 39% de fevereiro. Os que não souberam opinar eram e se mantiveram em 4% no último mês.
Ideia: não merece para 50,6% — Na Ideia, Lula não merece outro mandato de presidente para uma maioria mais apertada de 50,6% dos brasileiros, 0,4 ponto a menos que aos 51% de fevereiro. E merece para uma minoria mais ampla de 46,7%, 0,3 ponto a menos que os 47% de fevereiro. Os que não souberam opinar oscilaram 0,7 ponto para cima, dos 2% de fevereiro aos 2,7% de março.
(Infográfico: Joseli Matias)
Aprovação do Lula 3 na Quaest — Em relação à aprovação de governo, Lula também teve maioria numérica contrária nas duas pesquisas. Na Quaest de março, o Lula 3 é desaprovado por 51% dos brasileiros, 2 pontos a mais que os 49% de fevereiro. Os que hoje aprovam são 44%, 1 ponto a menos que os 45% de fevereiro. No mesmo período, os que não souberam responder foram de 6% aos atuais 5%.
Aprovação do Lula 3 na Ideia — Na Ideia de março, o Lula 3 foi desaprovado 50,5% dos brasileiros, outra maioria apertada, embora 0,9 ponto a menos que os 51,4% de fevereiro. Os que hoje aprovam são 47,2%, num empate técnico com a desaprovação na margem de erro da pesquisa. São 0,6 ponto a mais que os 46,6% que aprovavam em fevereiro. Os que não souberam opinar foram de 2,0% aos atuais 2,3%.
(Infográfico: Joseli Matias)
Dados das pesquisas — A Quest foi ouviu presencialmente 2.004 eleitores de todo o Brasil, de 6 a 9 de março, com registro BR-05809/2026 no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A Ideia ouviu através do telefone 1.500 eleitores de todo o Brasil, de 6 a 10 de março, com registro BR-00386/2026 no TSE.
William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE
Análise do especialista — “Nas duas pesquisas, Quaest e Ideia, Flávio Bolsonaro está consolidado como pré-candidato no campo oposto a Lula. Também nos dois levantamentos, Flávio e Lula empatam tecnicamente numa provável disputa de 2º turno. Na Quaest, ambos empatam, inclusive, numericamente, com 41% de intenção de voto. Pelas duas pesquisas, é possível afirmar que a eleição presidencial de outubro de 2026 encontra-se com a disputa em aberto. E, neste momento, com Flávio com chance de ampliar o crescimento da intenção de voto”, resumiu William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE.
Mesmo com a possibilidade de ficar fora do páreo eleitoral de 4 de outubro, se for condenado (confira aqui) no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no caso Ceperj, o atual governador Cláudio Castro (PL) lidera a corrida por uma das duas cadeiras ao Senado pelo RJ. Foi o que revelou a pesquisa Real Time Big Data divulgada hoje, onde Castro variou de 23% a 24% nos dois cenários a senador.
Castro lidera a senador, seguido de Crivella, Pimentel e Benedita — Com margem de erro de 2 pontos para mais ou menos, Castro liderou com relativa folga a pesquisa Biga Data a senador. No cenário 1, ele foi seguido, 8 pontos atrás, pelo deputado federal Marcelo Crivella (REP), com 15%. Este, em empate técnico com o ex-capitão do Bope Rodrigo Pimentel (sem partido) e a deputada federal Benedita da Silva (PT), com 12% cada.
Castro lidera a senador, seguido de Pimentel, Benedita e Pedro Paulo — No cenário 2 da Big Data ao Senado pelo RJ, sem Crivella, Castro teve 10 pontos de vantagem sobre o 2º colocado. Que foi o ex-caveira Pimentel, com 14% de intenção de voto, em empate técnico na margem de erro com Benedita e o deputado federal Pedro Paulo (PSD), com 10%, aliado do atual prefeito carioca Eduardo Paes (PSD), líder na mesma pesquisa (confira aqui) a governador.
Trabalho como governador aprovado e desaprovado por 44% — Castro parece liderar a corrida por uma das duas cadeiras ao Senado, que os fluminenses elegerão em outubro, a partir da aprovação ao seu trabalho como governador. Que tem a aprovação de 44% da população, embora outros exatos 44%, no lado oposto, desaprovem o trabalho do atual chefe do Executivo estadual, com outros 12% não souberam opinar.
(Infográfico: Joseli Matias)
Pesquisa também em Campos — Divulgada hoje, a pesquisa Real Time Big Data ouviu 2.000 eleitores de 53 dos 92 municípios fluminenses, inclusive de Campos, entre os dias 9 e 10 de março. Com margem de erro de 2 pontos para mais ou menos, foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo RJ-04191/2026.
William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE
Análise do especialista — “A Real Time Big Data também testou a intenção de voto ao Senado fluminense, que contará com duas cadeiras. Considerado um governador ótimo ou bom por 26% do eleitorado entrevistado, e regular por 42%, Cláudio Castro está consolidado como 1ª opção, com os nomes de Marcelo Crivella, Rodrigo Pimentel e Benedita da Silva se alternando como 2ª opção. Outros nomes testados ao Senado foram o de Pedro Paulo, Márcio Canella e Otoni de Paula. Cabe considerar que novos fatos políticos e jurídicos, daqui até a urna de outubro, podem alterar as opções do eleitorado na eleição às duas cadeiras do Senado”, resumiu William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE.
Hoje (11), a exatos seis meses e 24 dias da urna de 4 de outubro, finalmente foi divulgada uma pesquisa de instituto de credibilidade a governador do RJ, a primeira deste ano eleitoral de 2026. A Real Time Big Data confirmou a vantagem do prefeito carioca Eduardo Paes (PSD) na disputa, que variou de 42% a 46% de intenção de voto em dois cenários estimulados (com a apresentação dos nomes dos candidatos) ao 1º turno a governador.
Douglas Ruas no 1º turno — Além de Paes, o único nome a pontuar com dois dígitos de intenção nos mesmos dois cenários de 1º turno foi Douglas Ruas, deputado estadual licenciado como secretário das Cidades do governo Cláudio Castro. Pré-candidato do bolsonarismo a governador, Ruas variou de 11% a 13%. A vantagem de Paes sobre ele variou de 31 a 33 pontos.
(Infográfico: Joseli Matias)
Paes e Ruas no 2º turno — Na simulação de 2º turno do Big Data, Paes bateria Ruas por exatos 51% de intenção a 19%. São 32 pontos de vantagem a governador do atual prefeito carioca. Outros 19% de eleitores não souberam responder, com 11% que disseram que votarão nulo ou branco.
Eleição matematicamente aberta — Na pesquisa espontânea Big Data, onde o eleitor fala da própria cabeça em quem pretende votar, revelando a intenção de voto consolidada, Paes foi o único a pontuar com dois dígitos: 12%. Ruas ficou em 3º lugar, com 2%, mas tem chance de absorver os 4% de Castro, que é pré-candidato ao Senado e o apoia. De qualquer maneira, os 64% que dizem ainda não saber em quem votarão revelam uma eleição ainda completamente aberta.
(Infográfico: Joseli Matias)
Pesquisa também em Campos — Divulgada hoje, a pesquisa Real Time Big Data ouviu 2.000 eleitores de 53 dos 92 municípios fluminenses, inclusive de Campos, entre os dias 9 e 10 de março. Com margem de erro de 2 pontos para mais ou menos, foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo RJ-04191/2026.
William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE
Análise do especialista — “A Real Time Big Data de março de 2026 confirma a liderança de Eduardo Paes, mesmo com o nome de Douglas Ruas já apresentado e concorrendo com outros candidatos. Quando aparece, André Ceciliano (PT) empata tecnicamente com Douglas Ruas na 2ª colocação. No cenário de 2º turno a vantagem de Paes é de 32 pontos. Por outro lado, o ainda atual prefeito carioca tem rejeição maior e desconhecimento menor do eleitorado, o que poderá levar a redução da vantagem de Paes daqui até a urna de outubro deste ano. Outro detalhe que merece atenção e que tende a favorecer Ruas é o fato da segurança pública, de maneira isolada, ser a prioridade do eleitor fluminense para o próximo governador”, resumiu William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE.
Ministro do STF Alexandre de Moraes, sua esposa, a advogada Vivine Barci de Moraes, o ministro Dias Toffoli e o ex-parceiro de negócios e ex-banqueiro Daniel Vorcaro (Montagem: Joseli Matias)
R$ 3,6 milhões/mês à família de Moraes
Denunciado pela jornalista Malu Gaspar, de O Globo, em 9 de dezembro, o contrato de R$ 3,6 milhões/mês do liquidado Banco Master com o escritório da esposa e dois filhos do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes foi finalmente admitido (confira aqui) na última segunda (9). Demorou, exatamente, três meses após sua revelação pela imprensa.
Toffoli em negócios com o Master
Isso, mais a conduta do ministro Dias Toffoli como relator inicial do caso no STF, tentando blindar o Master das investigações da Polícia Federal (PF), geraram indignação pública. Que aumentou após a imprensa também revelar que Maridt Participações, empresa familiar de Toffoli, tinha feito negócios com um fundo gerido pela empresa Reag, ligada ao Banco Master.
Com Mendonça, Vorcaro preso
Toffoli só admitiu ser sócio da Maridt, que negociou o hoje famoso resort Tayayá com a Reag, no mesmo dia 12 de fevereiro em que, por pressão da opinião pública, foi afastado do caso no STF. Que, assumido pelo ministro André Mendonça, começou finalmente a andar, gerando a prisão de Daniel Vorcaro, dono do Master, e outros envolvidos no escândalo, no último dia 4.
A ministro do STF: “Conseguiu bloquear?”
Se já era grande, a indignação da opinião pública com as ligações pecuniárias de dois ministros do STF e seus familiares com o Master se tornou insustentável no dia 6. Quando, novamente, a jornalista Malu Gaspar revelou que, em 17 de novembro, dia da 1ª prisão de Vorcaro, este trocou mensagens com Moraes. E perguntou ao ministro: “Conseguiu ter notícia ou bloquear?”
Muito além da bolha bolsonarista
Muito além da bolha bolsonarista em busca de anistia aos condenados por tentativa de golpe de Estado, a investigação e a discussão do inédito impeachment de ministro do STF pelo Senado dominam a opinião pública. Como também entre juristas e outros especialistas de ciências humanas irmãs do Direito. Em Campos, a Folha ouviu uma dúzia deles. Confira:
Fernando Miller, Guiomar Valdez, Elias Sader Neto e Gabriel Rangel; Hamilton Garcia, Andral Tavares Filho, Roberto Dutra e Roberto Corrêa; João Paulo Granja, Arthur Soffiati, Roberto Landes e George Gomes Coutinho (Montagem: Joseli Matias)
Fernando Miller
“A partir do momento em que o escritório de advocacia em que atua a esposa do ministro Alexandre de Moraes foi contratado pelo Banco Master, o ministro do STF deve dar-se por impedido no caso. Não é simples suspeição, mas impedimento. Ele tem o dever de preservar a imagem da Suprema Corte”, limitou o advogado Fernando Miller, juiz de Direito aposentado.
Guiomar Valdez
“Na ‘fotografia de hoje’, deveriam os ministros do STF Dias Toffoli, pedir sua exoneração, e Alexandre de Moraes pedir licença, para aguardarem o devido processo legal. Para além das questões éticas, tenho consciência de que isso esquenta a disputa a presidente a favor da oposição antidemocrática”, contrapôs a historiadora Guiomar Valdez, professora do IFF.
Elias Sader Neto
“Há pouco tempo, a atividade do juiz se limitava a aplicar a lei ao caso concreto. Cabia ao legislador, eleito pelo povo, positivar o direito vigente; ao juiz, apenas aplicá-lo, sem margem para decidir por suas preferências pessoais. Hoje não é assim. Os ministros do STF passaram a utilizar a própria Constituição à la carte”, apontou Elias Sader Neto, juiz de Direito aposentado.
Gabriel Rangel
“Não é erro de percurso, mas uma espécie de eutanásia institucional pela tríade PGR-Senado-STF. É a ‘Pax Gilmariana’: sistema onde os freios e contrapesos só funcionam para proteger o status quo de cúpula. Nesse vácuo de controle, o jornalismo investigativo virou o nosso único ‘promotor de fato’”, traduziu o advogado Gabriel Rangel, doutorando em Direito na UFF.
Hamilton Garcia
“A crise pela qual passa o STF é a ‘crônica de uma morte anunciada’. O STF atropelou o Direito e as liberdades sob o álibi do ‘combate ao fascismo’. Hoje, o álibi perdeu força depois que vieram à tona as implicações de Dias Toffoli e Alexandre de Moraes com Daniel Vorcaro. Parece que a mídia e a cidadania acordaram”, anotou o cientista político Hamilton Garcia, professor da Uenf.
Andral Tavares Filho
“Dois ministros do STF, sob investigação policial e sem, até agora, ações conhecidas da Procuradoria Geral da República, é maltrato à ética. A suspeição dos dois para julgar qualquer ação do Master é o mínimo, sem embargo das ações para o afastamento da magistratura”, frisou o advogado Andral Tavares Filho, professor do Uniflu e ex-presidente da OAB-Campos.
Roberto Dutra
“Do ponto de vista sociológico, as relações entre Vorcaro e Moraes evidenciam teses: 1) as íntimas relações pessoais entre elites jurídicas e financeiras fazem parte de um padrão de corrupção institucionalizada; 2) juízes e atores do sistema jurídico constituem hoje o estrato com menor nível de controle”, fundamentou o sociólogo Roberto Dutra, professor da Uenf.
Roberto Corrêa
“É uma grave crise institucional: a confirmação do contrato milionário entre o Master e o escritório da esposa do ministro Moraes, com justificativa rasa para honorários tão voluptuosos. Se fatos forem minimizados, o dano maior não será sobre investigados, mas sobre a confiança no próprio sistema de Justiça”, projetou o advogado criminalista Roberto Corrêa.
João Paulo Granja
“O STF, que já foi a casa de ilibados magistrados, hoje convive com a pecha da corrupção, após a divulgação da tênue relação entre dois de seus ministros e o hoje ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Que envolve o pagamento de vultosas quantias, evidenciando a fragilidade do Poder Judiciário e necessidade de regulação”, pontuou o advogado João Paulo Granja.
Arthur Soffiati
“A maioria da população não é formada por historiadores. Mesmo para um, há muitas controvérsias que precisam ser explicadas fora da polarização do país e que não tem interesse pelo equilíbrio do conhecimento. Mesmo a um leigo em política, alguns ministros do STF têm esclarecimentos a prestar”, apontou o historiador Arthur Soffiati, professor da UFF-Campos.
Roberto Landes
“É grave a troca de mensagens entre um ministro do STF e um empresário, réu em um processo na Corte, cujo assunto indica ser informações a respeito do processo. A saída? Um pedido de exoneração do ministro? Um impeachment por parte do Senado? Ou empurrar a sujeira para baixo do tapete?”, indagou o advogado Roberto Landes, professor da Ucam.
George Gomes Coutinho
“A magnitude dos valores é assombrosa. Mas é preciso lembrar que a falta de freios e contrapesos à burocracia pública, controles dos quais a própria Faria Lima foge como o diabo da cruz, é parte do problema. E que o problema da individualização é a conveniência do momento”, advertiu o cientista político George Gomes Coutinho, professor da UFF-Campos.