Quaest: Lula se recupera e Flávio bate teto antes de Vorcaro

Em 28 de abril, com base nos números das pesquisas presidenciais Atlas e Nexus (confira aqui) daquele fim do mês passado, a Folha perguntou: “Flávio Bolsonaro (PL) bateu teto nas intenções de voto contra Lula (PT)?”. Segundo a pesquisa Quaest de maio parece mostrar não só que Flávio bateu teto, como a recuperação de Lula.
Quaest antes de Vorcaro — Feita entre 8 e 11 de maio, a nova pesquisa Quaest foi divulgada (confira aqui) na manhã da última quarta-feira (13). Na tarde do mesmo dia, o site Intercept divulgou áudio e mensagens de texto (confira aqui) entre Flávio e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro de 16 de novembro de 2025, um dia antes da prisão do segundo pela Polícia Federal (PF), quando tentava fugir do país.
Dinheiro para o filme de Bolsonaro — “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”, escreveu Flávio em mensagem a Vorcaro. Que se comprometeu a repassar US$ 24 milhões (R$ 134 milhões à época), para a produção do filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Efeitos só nas próximas pesquisas — Negado inicialmente, o pedido de dinheiro ao dono do liquidado Banco Master para o filme foi depois admitido por Flávio. E caiu como uma bomba em sua pré-campanha a presidente. Cujos efeitos reais no eleitor, sobretudo de centro (33% do eleitorado) e da direita não bolsonarista (21%), só serão conhecidos nas próximas pesquisas.
Lula 42% a 41% Flávio no segundo turno — Antes da revelação do fato e da medição dos seus efeitos nas próximas sondagens, após ser passado numericamente por Flávio em abril (confira aqui), Lula já tinha surgido na pesquisa Quaest de maio à frente de um provável segundo turno: 42% do petista a 41%.
Lula oscila para cima e Flávio para baixo — Na série Quaest, Lula oscilou 2 pontos para cima sobre os 40% que tinha em abril, na simulação de segundo turno contra Flávio. Que oscilou 1 ponto para baixo, em relação aos 42% que tinha abril. O fato é que, antes da revelação das mensagens com Vorcaro, Flávio e Lula estavam e se mantiveram em empate técnico entre abril e maio.
Lula 3 cresce 3 pontos em aprovação — Dentro da margem de erro de 2 pontos para mais ou menos da Quaest, os movimentos eleitorais são reflexo de outros. Fora da margem de erro, o governo Lula teve queda real de 3 pontos na desaprovação: dos 52% de abril aos 49% de maio. E sua aprovação cresceu os mesmos 3 pontos no mesmo período: de 43% aos atuais 46%.
Empate técnico entre desaprovação e aprovação — Hoje, a exatos 4 meses e 19 dias da urna de 4 de outubro, o Lula 3 tem um empate técnico entre desaprovação (49%) e aprovação (46%). Não é ideal para uma reeleição, mas os 3 pontos de diferença atuais são menos preocupantes que os 9 pontos a mais de desaprovação (52% a 43%) ao atual Governo Federal em abril.
De onde veio a recuperação de Lula? — Antes da revelação das mensagens e áudios trocados entre Flávio e Vorcaro, de onde veio essa recuperação de popularidade de Lula? Segundo a Quaest de maio, veio da expectativa pelo programa federal Desenrola 2.0, para uso de saldo do FGTS na quitação de dívidas, da redução da maioria dos que acha que o preço dos alimentos subiu e de um cabo eleitoral improvável à esquerda brasileira: Donald Trump.
Desenrola 2.0: boa ideia para 50% — Na Quaest, a maioria de 57% dos brasileiros já ouviu falar do Desenrola 2.0, contra 43% que não. São 50% os que acham o programa federal uma boa ideia, enquanto 22% acham que ajuda um pouco, mas não resolve o problema das dívidas, e outros 23% que acham uma má ideia, porque estimula as pessoas a se endividar de novo.

Proibir apostas online ao benefício é certo para 79% — Em outra pergunta da Quaest, 38% dos eleitores acham que o Desenrola 2.0 vai ajudar muito a tirar as pessoas das dívidas, com 27% achando que vai ajudar pouco e 33% que não vai ajudar. À pergunta se acha certo proibir apostas online a quem aderir ao programa, uma maioria expressiva de 79% acha que sim, com apenas 16% contra.

Preço dos alimentos: cai a maioria que acha que subiu — A maioria também expressiva dos brasileiros ainda acha que o preço dos alimentos subiu em relação ao último mês: hoje, são 69%. Mas caíram 3 pontos em relação aos 71% que tinham a mesma percepção em abril.

Preço dos alimentos = aprovação de governo — Foram os mesmos 3 pontos de crescimento nos que acham que o preço dos alimentos ficou igual: de 18% em abril a 21% de maio. Esses 3 pontos para baixo e para cima na sensação sobre o preço dos alimentos se repetiram de maneira exata na queda de reprovação e crescimento da aprovação ao Lula 3.
Trump volta a ser cabo eleitoral de Lula — Por fim, Trump. Após ter sido cabo eleitoral de Lula entre julho e outubro de 2025, ao ameaçar o Brasil com tarifaço se Bolsonaro fosse condenado por tentativa de golpe de Estado, mas recuando após a condenação no Supremo Tribunal Federal (STF) em 11 de setembro daquele ano, o presidente dos EUA ajuda novamente o petista em 2026.
A 43%, Lula sai mais forte do encontro com Trump — Perguntados pela Quaest se sabem do encontro entre Lula e Trump, na Casa Branca, em 7 de maio, outra expressiva maioria dos brasileiros respondeu que sim: 70%. Os que não sabiam eram 30%. Em outra pergunta, 43% acham que Lula saiu mais forte do encontro. Só 26% acham que o petista saiu mais fraco e outros 13% que saiu igual.

A 60%, Lula e Trump foi bom para o Brasil — Em outra pergunta da pesquisa Quaest, a maioria de 60% acha que o encontro entre Lula e Trump foi bom para o Brasil. Só 18% acham que foi ruim, com 10% achando que não foi bom nem ruim.

A 56%, relação do Brasil deve ser de aliado dos EUA — Na Quaest de maio, outra maioria de 56% dos brasileiros acha que a relação do presidente do Brasil com o dos EUA deveria ser de aliado. São 13 pontos a mais, após o encontro, que os 43% que achavam isso em abril. Os que acham que a posição deveria ser independente são 29%, 11 pontos a menos que os 40% que achavam isso em abril.

Resumo da ópera Lula e Trump — Os que acham que a posição do presidente do Brasil deveria ser opositor ao dos EUA são só 6%, 3 pontos a menos que os 9% que achavam o mesmo na Quaest de abril. Em resumo, a maioria dos brasileiros soube do encontro, acha que Lula saiu mais forte dele, que foi bom para o Brasil e que o petista tem relação de aliado com Trump.
Lula à frente dos demais no segundo turno — Com esses três fatores ao seu favor, expectativa pelo Desenrola 2.0, percepção do preço dos alimentos e o encontro com Trump, Lula ficou à frente, fora da margem de erro, dos demais possíveis adversários em um segundo turno. No qual o petista liderou por 44% a 37% (7 pontos à frente) de Romeu Zema (Novo), 44% a 35% (9 pontos à frente) de Ronaldo Caiado (PSD) e 45% a 28% (17 pontos à frente) de Renan Santos.
Lula à frente ao primeiro turno — Lula também liderou, fora da margem de erro, as consultas espontânea e estimulada ao primeiro turno. Na estimulada, com apresentação dos nomes dos candidatos, o petista tem 39% das intenções de voto, contra 33% de Flávio (6 pontos atrás). Ambos seguidos por Zema e Caiado, 4% cada, e Renan, com 2%, estes três em empate técnico.

Lula cresce na espontânea o que ganhou em aprovação — Houve oscilação para cima de Lula (37% a 39%, 2 pontos) e Flávio (32% a 33%, 1 ponto) na estimulada ao primeiro turno. Mas foi na espontânea, onde o eleitor fala da própria cabeça em quem vai votar e revela intenção consolidada, que o petista foi de 19% em abril a 22% em maio. Cresceu os mesmos 3 pontos que ganhou em aprovação de governo e da queda na maioria que acha que o preço dos alimentos subiu.

Flávio e Lula lideram rejeição — Índice negativo fundamental à definição do segundo turno, por fixar o teto de crescimento dos dois candidatos que passam pelo primeiro turno, a rejeição passou a ser liderada numericamente — mesmo antes da revelação das suas mensagens pedindo dinheiro a Vorcaro — por Flávio: 54% dos brasileiros que o conhecem, não votariam nele. Ficou em empate técnico com Lula, só 1 ponto atrás: 53% de rejeição.

Em queda, 55% ainda acham que Lula não merece reeleição — Numa disputa entre rejeições tão altas, como foi em 2022, há maioria nos 55% que, na Quaest de maio de 2026, acham que Lula não merece mais 4 anos como presidente. Mas são 4 pontos a menos do que os 59% que achavam isso em abril. Os que acham que o petista merece ser reeleito, hoje, são 41%. Em relação aos 38% que achavam isso em abril, é um crescimento dos mesmos 3 pontos ganhos na aprovação de governo.

Empate técnico no medo que geram Bolsonaro e Lula — Divulgada horas antes das mensagens entre Flávio e Vorcaro, a Quaest perguntou ao eleitor o que dá mais medo entre Lula ou Bolsonaro: 44% ficaram com a segunda opção. É outro empate técnico, só 2 pontos acima dos 42% que temem mais o petista.

Dados da pesquisa — A Quaest ouviu presencialmente 2.004 eleitores entre 8 e 11 de maio, com margem de erro de 2 pontos para mais ou menos na pesquisa. Que foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-03598/2026.
Publicado hoje na Folha da Manhã.




















