Grupo do prefeito de Macaé mira Alerj e Câmara Federal

 

Por Aluysio Abreu Barbosa, Cláudio Nogueira, Hevertton Luna e Gabriel Torres

 

Presidente da Câmara Municipal de Macaé, onde é vereador em terceiro mandato, Alan Mansur (PSB) projeta subir um degrau legislativo nas eleições de outubro, na qual é pré-candidato a deputado estadual. Um dos três que o grupo político do prefeito Welberth Rezende (Cidadania) pretende oficializar nas convenções. Assim como Márcio Rezende (PSD), irmão de Welberth, na disputa a deputado federal, com quem planeja dobrada à urna.

Em entrevista ontem (29) ao Folha no Ar, Alan falou da parceria entre Executivo e Legislativo macaenses, traduzindo-as em entregas à população. Usou o exemplo do rebocador a serviço da Petrobras encalhado na Praia do Campista, no dia 15, como “prova viva” de que os royalties do petróleo têm que ficar com municípios e estados produtores. Falou da sua origem na pesca e da importância do agro a Macaé e ao Norte Fluminense. Região à qual projetou a eleição do seu aliado Márcio e de Wladimir Garotinho (PL) à Câmara dos Deputados.

 

Presidente da Câmara de Macaé, Alan Mansur, no estúdio da Folha FM 98,3 (Foto: Rodrigo Silveira/Folha da Manhã)

 

Origem — “Venho por parte da minha mãe de uma família de pescadores. Meu avô foi pescador mais de 50 anos. Já meu pai, mecânico em empresa offshore terceirizada. E isso está no sangue. Também tenho familiares em Atafona. Meu avô é de Atafona, da Ilha de Convivência. Depois foi para Macaé morar no pontal, que é o encontro do rio com o mar em Macaé, e isso me ajudou muito. Perdi meu pai muito cedo, com 15 para 16 anos. Isso foi um dificultador na nossa família, mas meu pai sempre falava comigo: ‘Olha, tem dois caminhos: o mais longo e o mais curto’. Eu venho de um bairro menos favorecido, fui nascido e criado na Barra de Macaé, uma comunidade que existe outros caminhos, podemos dizer, meio complicados; mas escolhi o caminho mais longo que meu pai me ensinou, que era trabalhar. Fui para o mar, tive barco de pesca até pouco tempo antes de entrar na política. Macaé começou com a pesca e a agricultura e depois se tornou um polo offshore, quando chegou o petróleo há quase 50 anos.”

Mais difícil ser pescador ou presidente da Câmara de Macaé? — “Com certeza (a vida mais difícil é) do pescador. O pescador já sai tendo que botar óleo, rancho, com a responsabilidade que o mar não é coisa para se brincar. Meu avô sempre falava que água não tem cabelo. E vai com a incerteza se vai trazer o pescado ou não. Na Câmara Municipal, é uma gestão diferente. Hoje, como presidente da Câmara Municipal, todo mês vai ter seu salário garantido, mas na pesca não. Na pesca você vai com incerteza se vai voltar até para casa, há muito risco de vida.”

Relação com Executivo — “A união não faz só açúcar. Essa parceria entre o Legislativo e o Executivo tem dado muito certo. A gente não tem oposição na Câmara. Temos um prefeito que tem uma bandeira de desenvolvimento econômico muito forte e essa parceria e diálogo com o prefeito Welberth Rezende, que para para escutar, para tentar mandar os projetos corretos para a Câmara. Isso tudo se transforma em avanço da cidade.”

Agro — “O agro, não só na cidade de Macaé, como no Norte Fluminense, é muito forte. Nós estamos trazendo a fábrica de fertilizantes, que é muito importante. Nós somos os maiores produtores de grãos e os maiores produtores de gado confinado (no estado do Rio). E é até importante estar aqui em Campos hoje falando isso porque a gente vai começar a exportar gado confinado através do Porto do Açu. O prefeito tem trabalhado com a Câmara Municipal, tem buscado lá em Brasília essa fábrica de fertilizantes.”

Rebocador encalhado e royalties — “Infelizmente, foi um acidente que aconteceu. Eu, que tenho essa ligação direta com o mar, sei mais ou menos como foi. Passava ali pela posição que tem a “Pedra da Mula” (submersa). Esse rebocador da DOF (empresa que presta serviço à Petrobras) rasgou o casco e, para não afundar, foi em direção à terra e encalhou. Isso é uma prova viva da necessidade dos royalties. O dinheiro tem que ficar aqui. A prova viva está em Macaé. A gente não queria que acontecesse, mas aconteceu em um momento tão crítico, onde o STF está discutindo sobre isso (a possibilidade de repartição dos royalties com estados e municípios não produtores de petróleo). Eu tenho certeza que não vão mexer nos royalties do estado do Rio de Janeiro, não vão repartir com os outros estados. Porque a prova viva está lá e não é só o acidente que aconteceu, é no social, é a parte terrestre.”

União pelos royalties — “Todos os prefeitos das regiões Norte e Noroeste, de todos os 92 municípios do estado, estão se juntando e indo a Brasília. O prefeito de Macaé esteve com outros lá no encontro dos prefeitos. As suas bases, quem tem contato diretamente com Brasília, está conversando com o STF para que a gente possa manter o nosso dinheiro aqui, porque isso é uma compensação. A gente não possa deixar o nosso dinheiro, do impacto que acontece no estado do Rio de Janeiro, ser compartilhado com os outros estados. Eu defendo isso na Câmara, a gente sofre um impacto todos os dias e em todas as áreas. Então, o dinheiro é nosso e tem que ficar aqui.”

Relação com o prefeito — “Conheço o Welberth desde 2016. Eu tive o prazer de ser vereador dois anos (de 2017 a 2018) com ele, depois tive o prazer de estar na campanha a deputado estadual (em 2018) onde se elegeu, também de estar na sua candidatura a prefeito (2020) e na sua reeleição (2024), que fez quase 112 mil votos. Nós sabemos que os Poderes são paralelos: Legislativo, Executivo e Judiciário. Mas a relação é muito boa, focada no crescimento e no atendimento da população macaense. Nós não temos uma oposição na Câmara. ‘Ah, mas todo mundo é ligado ao Welberth’. Não, o Welberth é uma pessoa diferenciada. Ele veio da Câmara e sabe como as coisas acontecem. É uma pessoa do diálogo, que não perdeu sua essência. Uma pessoa que para, conversa e escuta. Por isso as coisas têm dado tão certo em Macaé.”

Entregas — “O trabalho é compartilhado entre Legislativo e Executivo, chegando na ponta, que é o que as pessoas querem de fato. Na zona norte da cidade, o poder público não atuava, não tinha obra nenhuma. Desde quando o prefeito Welberth entrou, são mais de 200 obras nos bairros menos favorecidos como Barra, Nova Holanda, Fronteira, Nova Esperança, Itaparica, Vale Verde e Fronteira. Hoje, ainda tem várias obras em andamento. Nós vamos inaugurar a maior área de lazer na zona norte da cidade, no bairro Ajuda de Cima. A população quer entrega e resultado. Quando a população vai nas urnas, ela quer que você a represente. E é isso que está acontecendo em Macaé. Essa parceria tem dado certo.”

 

Alan Mansur em entrevista ao vivo no Folha no Ar da manhã de ontem (29)

 

Nomes do grupo à Alerj e apoio interno — “Dentro do governo, a gente se respeita e a coisa é democrática. Cesinha, meu colega vereador, uma pessoa gente boa, é pré-candidato (a deputado estadual), já tinha falado desde o ano passado. O doutor Lucas, que saiu da Secretaria de Saúde, também é um ser humano incrível, também é pré-candidato (à Alerj). E eu também sou pré-candidato a deputado estadual. Foi uma escolha de 13 vereadores da Câmara, que nos apoiam, e 40 secretários. Welberth abriu o governo para os três pré-candidatos e quem tem uma boa relação com os secretários e os vereadores é que vai conseguir garimpar mais apoio político quando for candidato de verdade.”

Dobradinha — “Eu tenho uma dobrada como pré-candidato ainda. A gente não pode pedir voto. Se for nossos nomes forem oficializados nas convenções, a dobradinha é 100% com o Márcio Rezende (pré-candidato à Câmara dos Deputados). O Welberth seria candidato a deputado federal, mas decidiu terminar o mandato e lançar a pré-candidatura do irmão dele. Pelo potencial de grupo, o Márcio, como pré-candidato, sai bem na frente. Tendo um irmão com aprovação popular de mais de 90% e total apoio da Câmara. Márcio, na minha opinião, como pré-candidato, e na frente candidato de verdade, já sai eleito da cidade de Macaé.”

Além de Macaé — “Nós já estamos em mais de 30 municípios. É democrático. Como os pré-candidatos (de fora de Macaé) vão lá, nós viemos aqui (em Campos) e rodamos o estado do Rio de Janeiro. Saindo daqui, vou para São Gonçalo, Niterói, capital e na volta ainda passo em Casimiro de Abreu. Eu devo chegar em casa amanhã (sábado). Então é assim que tem sido a minha vida. Terça-feira e quarta-feira têm sessão na Câmara. Quando eu saio da sessão, já começo a andar nos municípios, porque se não gastar sola de sapato, você não chega.”

Coeficiente eleitoral — “Para deputado estadual, acho que com 30 mil votos já estaria eleito no PSB. Para federal, e Márcio Rezende está no PSD, entre outros pré-candidatos, na casa dos 50 mil. Macaé tem 145 mil eleitores que imaginamos que vão para a urna. A conta que eu faço é que a gente vai perder 50%. Então ficamos com 70 e poucos mil votos para dividir para três (candidatos a estadual). Eu acho que a gente hoje, pelo peso que tem, tem uma chance real de sair eleito de Macaé. Lógico que a gente precisa trabalhar em todos os municípios. A ideia é fazer de 20 mil a 25 mil votos nos outros municípios que estamos trabalhando, mas sair com 25 mil a 30 mil de Macaé também.”

Quantos deputados estaduais e federais Macaé e NF podem fazer? — “Na minha opinião e nas minhas contas, Macaé vai fazer de dois a três deputados estaduais. Do grupo eu acho que faz dois, mais o Chico Machado (PL), que vem à reeleição e tem toda a chance de se reeleger também. Não temos um deputado federal da região. Eu acho que nós, pelas minhas contas, conseguimos fazer uns dois deputados federais. Apostaria em Márcio e Wladimir Garotinho. Estaduais, eu acho que o Norte Fluminense tem condições de fazer mais de seis ou sete. É rua. Quem gastar mais sola de sapato é quem vai buscar mais apoio. O que está acontecendo com o Thiago Rangel e o Rodrigo Bacellar (deputado estaduais de Campos presos pela Polícia Federal), deixa um vácuo muito grande. Lógico que quando tiver autorizado a ser um candidato a deputado estadual, vou buscar esse espaço, como outros também vão buscar.

Eleição a presidente — “Vem acontecendo muita coisa no Brasil. Para falar de Lula, você tem que pensar bem, porque ele já foi presidente várias vezes. Saiu da cadeia para voltar à presidência da República de novo. O Flávio Bolsonaro está bem. Essa coisa do Banco Master deu uma caída, mas continua forte nas pesquisas.”

Polarização Lula x Bolsonaros — “Eu acho que vai acontecer isso até o final. Esquerda e direita, isso é o que está acontecendo. Eu acho, com todo respeito, que é o que está atrapalhando o nosso país e tem que acabar. Esquerda extrema e direita extrema, eu acho que isso tem que acabar. Então, isso aí a gente vai acompanhar até o final.”

Chance de terceira via? — “Acho que vai dar Lula e Flávio Bolsonaro no segundo turno e que, no segundo turno, o apoio ao Flávio Bolsonaro vai ser bem maior. Na minha opinião, acho que o Flávio vai levar.”

Centro entre Lula e Flávio — “Eu acho que o modo do Flávio fazer política consegue trazer mais para perto o centro do que levar para o lado do Lula. Mas Lula sabe articular, como fez lá em 2022. Não estou falando mal do PT, da esquerda ou da direita. Não entro nesse contexto. Minha avaliação é que o Flávio é mais modernizado que Bolsonaro, que era muito rígido e não conseguiu trazer o centro para perto. Acho que ele (Flávio) vai trazer as outras pré-candidaturas para perto no segundo turno. E não vejo outra pessoa, a não ser Lula e Flávio Bolsonaro, no segundo turno.

Paes governador no primeiro turno? — Acho que o governador interino, Ricardo Couto, vai ficar até o final, até se decidir o novo governador (na eleição de outubro). Eduardo Paes tem uma ampla vantagem e acho que ele ainda ganha no primeiro turno, porque está sabendo construir. O poder de política é do diálogo e da construção.”

Corrida a senador pós-Castro — “O estado de Rio de Janeiro está complicado na questão de senador. Lógico que tem a Benedita (da Silva), que é PT, e acho que uma cadeira vai ser dela. Não sei como é que a direita vai tratar isso, com a saída de Cláudio Castro (PL). Acho que a Benedita leva uma e a outra fica com a direita.”

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Presidente da Câmara de Macaé no Folha no Ar desta sexta

 

(Arte: Joseli Matias)

 

Presidente da Câmara Municipal de Macaé e pré-candidato a deputado estadual, o vereador Alan Mansur (PSB) é o convidado para encerrar a semana do Folha no Ar nesta sexta (29), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3.

Ele falará do seu trabalho à frente do Legislativo municipal. E de como o caso do rebocador da empresa norueguesa DOF, que prestava serviço a Petrobras, encalhado no último dia 15 (confira aqui) na praia do Campista, em Macaé, acompanhado pela Câmara (confira aqui), tem servido para reforçar a luta política (confira aqui e aqui) pela manutenção dos royalties do petróleo (confira aqui) aos municípios e estados produtores.

Alan também analisará o governo do prefeito Welberth Rezende (Cidadania), do qual é aliado. E as pré-candidaturas de Macaé e região (confira aqui) a deputado federal e estadual nas eleições de 4 de outubro, daqui a exatos 4 meses e 7 dias.

Por fim, com base nas pesquisas mais recentes, o presidente da Câmara de Macaé tentará projetar as eleições de outubro a presidente da República (confira aqui, aqui, aquiaqui, aqui e aqui), governador (confira aqui) e dois senadores (confira aqui) do RJ.

Quem quiser participar do Folha no Ar desta sexta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook e no YouTube.

 

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Eleições e Copa do Mundo no Folha no Ar desta quinta

 

(Arte: Joseli Matias)

 

O jornalista Paulo Renato Porto é o convidado para o Folha no Ar desta quinta (28), ao vivo, a partir das 7 da manhã, na Folha FM 98,3.

Como jornalista político, ele tentará projetar, com base as pesquisas (confira aqui), mas também das ações da Polícia Federal contra (confira aquiaqui e aqui) o ex-governador Cláudio Castro (PL), a disputa pelas duas cadeiras ao Senado que RJ elegerá em outubro. Assim como as pré-candidaturas de Campos e região (confira aqui)  a deputado federal e estadual.

Paulo Renato também analisará a eleição a governador do RJ, com base nas pesquisas mais recentes (confira aqui), mas também na ação de ministros (confira aqui e aqui) do Supremo Tribunal Federal (STF) e do (confira aqui) presidente Lula (PT) para manter o desembargador Ricardo Couto no cargo de governador fluminense até outubro.

Também jornalista esportivo, Paulo analisará o Brasileirão, a Libertadores da América e a sorte do Brasil do técnico italiano Carlo Ancelotti, com Neymar entre os convocados, na Copa do Mundo.

Quem quiser participar do Folha no Ar desta quinta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook e no YouTube.

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Lula anuncia Couto governador até outubro em manobra do STF

 

No último sábado (23), na inauguração da nova sede do Centro de Desenvolvimento Tecnológico em Saúde da Fiocruz, na cidade do Rio, Ricardo Couto foi publicamente definido por Lula, por meio dos ministros Flávio Dino e Cristiano Zanin no STF, como governador do RJ até as eleições de outubro

 

 

Lula admite manobra por Couto no RJ

Talvez empolgado com as revelações dos contatos próximos entre Flávio Bolsonaro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, Lula disse no sábado, no Rio, diante do desembargador e governador interino do RJ Ricardo Couto: “A Justiça tomou uma decisão que hoje acho correta, de colocar você como governador interino até as eleições”.

 

STF pró-Lula x Constituição do RJ

Em 15 de abril (confira aqui) e 13 de maio (confira aqui), a coluna alertou sobre a intenção de alguns ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) ligados a Lula de manter Couto governador até outubro. Para evitar que o presidente eleito da Alerj, Douglas Ruas (PL), assuma como governador-tampão, como reza o Art. 141 da Constituição Estadual do RJ.

 

Ruas para em Dino e Zanin

Ruas é o pré-candidato bolsonarista a governador. Que, contra o amplo favoritismo do ex-prefeito carioca Eduardo Paes (PSD) nas pesquisas, teria mais chance se concorresse ao Palácio Guanabara já nele. Mas a definição da eleição a governador-tampão está parada no STF por decisões dos ministros Flávio Dino e Cristiano Zanin.

 

Motivo eleitoral da manobra do STF

Dino é ex-ministro da Justiça de Lula. Zanin é ex-advogado pessoal de Lula. Para tentar se reeleger em 2026, Lula precisa tentar diminuir a vantagem que Bolsonaro teve sobre ele (56,53% a 43,47%) no segundo turno presidencial de 2022 dentro do RJ. Que abriga o terceiro maior colégio eleitoral do país. No qual Lula teria um palaque com Paes.

 

O legítimo e o ilegítimo

É legítimo querer um gestor testado como Paes governador do RJ. É legítimo supor que Couto trabalha para sanear o RJ. É legítimo achar que o grupo do ex-governador Cláudio Castro (PL), alvo de ações da Polícia Federal, é suspeito. Mas é ilegítimo, sobretudo por parte do STF, agir politicamente no RJ como admitiu publicamente Lula.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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“Taxa das blusinhas” na recuperação de Lula contra Flávio

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Tendências de Lula e Flávio

Outras consultas da Nexus de maio (confira aqui) indicaram a tendência de recuperação de Lula e de queda de Flávio. À pergunta sobre quem deveria ser eleito presidente em 2026, o atual foi a resposta de 39%, 2 pontos acima dos 37% de abril. Flávio ou algum outro nome indicado por Jair Bolsonaro (PL) foi a opção de 34%, 3 pontos abaixo dos 37% de abril.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Percepção da economia

Perguntados pela Nexus de maio qual a percepção sobre a economia do país e a sua própria, 48% acham ruim ou péssima. Mas são 3 pontos a menos que os 51% de abril. Os que acham regular oscilaram 1 ponto para cima: de 32% a 33%. E os que acham ótima ou boa oscilaram 2 pontos para cima: de 16% em abril a 18% em maio

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Lula x Bolsonaro na economia

Na comparação da situação econômica em relação ao governo anterior, os que achavam um pouco ou muito pior, hoje, são 40%. Mas em tendência de queda: eram 46% em março e 42% em abril. Os que acham um pouco ou muito melhor, hoje, são 42%. Mas em tendência de alta: eram 37% em março e 39% em abril.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

“Taxa das blusinhas”

Essa tendência de melhora dos aspectos econômicas decorre de medidas do governo Lula. Que acabou com a “taxa das blusinhas” em 12 de maio. Na Nexus do mesmo mês, 71% dos brasileiros souberam, 73% acharam que o Lula 3 agiu certo e 50% admitiram fazer compras em sites internacionais nos últimos 12 meses.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

“Taxa das blusinhas” no voto

A Nexus de maio cruzou esses números relativos à “taxa das blusinhas” com a intenção de voto em um eventual segundo turno presidencial. Entre a maioria expressiva dos 73% dos brasileiros que acham que o atual Governo Federal agiu certo, uma maioria de 53% disse que votará em Lula, com Flávio como opção para uma minoria de 39%.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Após Vorcaro, Flávio segue competitivo

Flávio não foi ferido de morte pelas revelações da sua relação com Vorcaro. Lula melhorou alguns índices por isso e por iniciativas próprias de governo. Mesmo assim, o senador segue o nome mais competitivo da oposição a presidente: numericamente atrás, mas ainda em empate técnico com o petista no eventual segundo turno.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Pleito a presidente, governador e senador no Folha no Ar desta 4ª

 

(Arte: Joseli Matias)

 

Geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE e analista estatístico do Núcleo de Pesquisa Econômica do Estado do Rio de Janeiro (Nuperj) da Uenf, William Passos é o convidado do Folha no Ar desta quarta (27), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3.

Ele analisará o impacto nas pesquisas presidenciais (confira aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui) após a revelação do áudio e mensagens trocadas (confira aqui) entre o ex-banqueiro e atual presidiário Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master, e Flávio Bolsonaro (PL). Bem como a revelação posterior deste de um encontro pessoal (confira aqui) com Vorcaro, após sua primeira prisão e já usando tornozeleira eletrônica.

William também analisará a eleição a governador do RJ, com base nas pesquisas mais recentes (confira aqui), mas também na ação de ministros (confira aqui e aqui) do Supremo Tribunal Federal (STF) e do (confira aqui) presidente Lula (PT) para manter o desembargador Ricardo Couto no cargo de governador fluminense até outubro.

Por fim, com base as pesquisas (confira aqui), mas também das ações da Polícia Federal (PF) contra (confira aquiaqui e aqui) o ex-governador Cláudio Castro (PL), o estatístico tentará projetar a disputa pelas duas cadeiras ao Senado que o estado elegerá em 4 de outubro, daqui a exatos 4 meses e 9 dias.

Quem quiser participar do Folha no Ar desta quarta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook e no YouTube.

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Nexus: Após Vorcaro, Lula tem melhoras, mas Flávio se sustenta

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Após a divulgação no dia 13 do áudio (confira aqui e aqui) entre Flávio Bolsonaro (PL) e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, Lula (PT) não cresceu nos dois cenários de consulta estimulada ao primeiro turno. Mas aumentou sua vantagem na simulação do segundo turno contra Flávio, hoje de 4 pontos: 47% a 43%, empate técnico no limite da margem de erro.

 

 

Dados da pesquisa — Foi o que revelou a pesquisa presidencial Nexus divulgada hoje (25) e feita por telefone com 2.045 eleitores de todo o Brasil, entre 22 e 24 de maio. Com margem de erro de 2 pontos percentuais para mais ou menos, ela foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-04193/2026.

Lula cresce vantagem sobre Flávio ao segundo turno — Na Nexus de abril, a diferença de Lula para Flávio ao segundo turno era de apenas 1 ponto: 46% a 45%. Já em relação ao primeiro turno, Lula (41% a 40%) e Flávio (36% a 35%) oscilaram entre abril e maio 1 ponto para baixo no cenário 1. No qual quem oscilou para cima, dentro da margem de erro, foi Ronaldo Caiado (PSD): de 3% a 5%.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Espontânea: Lula cresce e Flávio se mantém — Na consulta espontânea Nexus, em que o eleitor fala da própria cabeça em que vai votar, revelando a intenção de voto consolidada, Lula cresceu 3 pontos de abril a maio: 33% a 36%. Por sua vez, Flávio tinha e manteve 26% no mesmo período. As consultas estimuladas e espontânea ao primeiro turno revelam a resiliência do bolsonarismo.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Flávio lidera rejeição em empate técnico com Lula — Na rejeição, que define o segundo turno por fixar o teto de crescimento dos dois candidatos que passam pelo primeiro turno, Flávio passou a liderar numericamente: de 48% em abril a 50% de maio, oscilou 2 pontos para cima. Ele ficou em empate técnico com Lula, que oscilou 1 ponto para baixo: de 48% aos atuais 47% (3 pontos a menos).

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

De março a abril, Lula 3 diminui reprovação — Considerado um dos principais obstáculos à reeleição de Lula, a desaprovação popular ao seu governo vem diminuindo na série Nexus: 51% em março, 49% em abril e 48% em maio. A reprovação caiu 3 pontos nos últimos dois meses. No mesmo período, a aprovação oscilou 2 pontos para cima: 45% em março, 46% em abril e 47% em maio.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE

Análise do especialista (I) — “Na comparação entre as pesquisas de abril e maio da Nexus, a desaprovação ao governo Lula oscilou 1 ponto, de 49% para 48%. Da mesma forma, mas em sentido inverso, a aprovação oscilou de 46% para 47%”, resumiu William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE.

Análise do especialista (II) — “Nos dois cenários estimulados de primeiro turno, tanto Lula quanto Flávio Bolsonaro oscilaram dentro da margem de erro de 2 pontos percentuais para mais ou menos. Já no cenário de segundo turno contra Flávio, na comparação com a pesquisa de abril, Lula ampliou a vantagem de 1 para 4 pontos”, concluiu William.

 

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Atuação da Justiça e eleições no Folha no Ar desta terça

 

(Arte: Joseli Matias)

 

Advogados eleitorais, Elisa Abud e José Paes Neto são os convidados do Folha no Ar desta terça (26), ao vivo, a partir da 7h da manhã, na Folha FM 98,3.

Eles analisarão o julgamento da eleição a governador-tampão do RJ, parada no Supremo Tribunal Federal (STF) em favor (confira aqui e aqui) da manutenção do desembargador Ricardo Couto interinamente no cargo até o pleito de outubro, movimento publicamente assumido (confira aqui) pelo presidente Lula (PT) no último sábado (23).

Elisa e José Paes também analisarão a pendência restante (confira aqui) do ex-governador e pré-candidato a governador Anthony Garotinho (REP) no Tribunal Regional Eleitoral fluminense (TRE-RJ), a expectativa da atuação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob a presidência do ministro Nunes Marques, indicado ao STF pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e da Justiça Eleitoral no pleito de outubro.

Por fim, com base nas pesquisas mais recentes, os dois juristas tentarão projetar as próximas eleições a presidente da República (confira aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui), a governador (confira aqui) e senadores (confira aqui) do RJ, além de deputado federal e estadual de Campos e região.

Quem quiser participar do Folha no Ar desta terça poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook e no YouTube.

 

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Lívia Nunes — Menino calado

 

 

Lívia Nunes, jornalista e escritora

Menino calado

Por Lívia Nunes

 

O céu do meio-dia queimava. Sentada em um dos bancos mais altos e próximos à entrada do ônibus, eu assistia pela janela à vida cotidiana de qualquer pessoa que me entretivesse. Observava trejeitos, conversas e, ouso dizer, escutava até pensamentos.

Do lado de fora, sentados no ponto de ônibus, um casal chamou minha atenção. Jovens, de uniforme escolar. Dezesseis anos, talvez menos. A menina parecia falar mais; o menino apenas ouvia. Cada um olhava para uma direção diferente e, ainda assim, era como se os olhares se cruzassem em X. Como se encontrassem um ponto comum na intersecção dos campos de visão.

O ônibus permanecia parado na estação, marcando os minutos de descanso do motorista, enquanto passageiros entravam apressados desde a abertura das portas, como se ainda houvesse coletes salva-vidas pelos quais lutar. Um assento vazio, um espaço menos abafado, qualquer vantagem para os percursos longos justificava pequenos atos de sobrevivência cotidiana.

Os primeiros a entrar, como eu, ocupavam seus lugares com certa aura de nobreza. Ao meio-dia, eu voltava para casa, assim como estudantes que, menos cansados pela idade, preferiam gastar os últimos minutos do lado de fora antes de correrem para o ônibus no instante derradeiro, pularem pela porta e seguirem viagem pendurados, se fosse preciso. Para eles, dez minutos a mais de conversa valiam mais do que um assento vazio. Eu tinha sido aquela menina um dia.

Mas o menino não falava. Ela dizia alguma coisa, sorria timidamente para o chão, depois o olhava de relance, buscando confirmação de que ainda era escutada. Ele respondia apenas com um movimento lento de cabeça. Preguiçoso. Econômico.  Ela falava; ele ouvia. Ela sorria; ele ignorava. Ela procurava seus olhos; ele lhe devolvia somente um aceno breve, símbolo mínimo de presença.

Curiosa, tentei imaginar o assunto. Não escutava sequer resquício da voz deles. O vidro do ônibus, o burburinho de dezenas de conversas e a timidez adolescente — que leva a boca para perto do peito e faz o rosto baixar enquanto se fala — tornavam impossível qualquer tentativa de compreensão. Tentei ler seus lábios. Inútil. Ele não a ouvia e, infelizmente, eu também não.

Sentia o cheiro do sol quente. O ônibus, cheio além do imaginável, transformava todos ali em figuras simples e insignificantes dentro dos próprios rituais diários. Voltar para casa cedo ou chegar ao trabalho sem atraso bastava como recompensa para enfrentar a via crucis cotidiana. Para tantos, o flagelo, os corpos imprensados, os toques detestáveis e o calor não culminavam em redenção depois de um, nem dois ou três dias. Lá fora, porém, a menina ainda falava.

O ônibus ameaçou sair. O rapaz finalmente se agitou. Era ele quem embarcaria; ela apenas o acompanhava. O motorista anunciou a partida em voz estrondosa. O menino pegou rapidamente a mochila e tentou se levantar, mas ela foi mais incisiva: tocou-lhe a perna, impedindo-o de sair ainda.

— Responde!

Entendi perfeitamente.

Dessa vez, ela ergueu o rosto com coragem suficiente para abandonar a timidez:

— Quer namorar comigo?

A frase atravessou nitidamente o vidro, o calor, o ruído e chegou inteira até mim. O menino permaneceu em silêncio por milésimos de segundos incrivelmente longos. Depois balançou a cabeça positivamente antes de deixar escapar, quase constrangido:

— Quero.

Olhou para a mochila em uma das mãos, para menina ao seu lado. Em seguida reparou na lataria decadente do transporte público, percebendo que, realmente, perderia aquela condução.

O ônibus foi embora sem o rapaz.

Mas o menino partia naquele instante.

 

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O que fica do estrago de Vorcaro na pré-candidatura de Flávio?

 

Daniel Vorcaro e Flávio Bolsonaro

 

Goste-se ou não de Lula e do PT, qualquer um com dois neurônios é obrigado a admitir: eles são profissionais em eleição. Se não, vejamos: desde a redemocratização do país e sua primeira escolha do presidente da República por voto popular, em 1989, o PT foi protagonista em todas as nove eleições. E venceu cinco delas, três com Lula.

O PT, no entanto, perdeu muito antes de aprender a ganhar. Lula foi batido no segundo turno por Fernando Collor de Mello (hoje, sem partido) em 1989. E foi atropelado por Fernando Henrique Cardoso (PSDB), ainda no primeiro turno, em 1994 e 1998. Só conseguiu vencer após suavizar sua imagem como “Lulinha Paz e Amor”, em 2002.

Vinte e quatro anos depois, era nesse diapasão de “paz e amor”, de “Bolsonaro vacinado”, que Flávio (PL) vinha crescendo em todas as pesquisas presidenciais. Desde que foi ungido seu sucessor pelo pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), ainda com este encarcerado na Papudinha, em 5 de dezembro de 2025.

Rapidamente, Flávio se tornou um presidenciável competitivo, evidenciando o piso alto e o poder de transferência de Jair, chegando a passar Lula numericamente nas simulações de segundo turno. Qual seria o teto de Flávio? Era o que perguntavam todos os analistas, com base nas pesquisas de janeiro a meados de abril.

No final de abril, no entanto, as pesquisas presidenciais Atlas e Nexus (confira aqui) pareciam indicar que o teto do senador tinha sido alcançado nas intenções de voto a presidente. Impressão que se reforçou, como uma leve tendência de recuperação de Lula, com a pesquisa nacional Quaest (confira aqui) divulgada na manhã de 13 de maio.

Só que, na tarde daquele mesmo dia 13, o site Intercept divulgou (confira aqui) áudio e mensagens de texto trocadas entre Flávio e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master. No qual o primeiro pedia ao segundo US$ 24 milhões, cerca de R$ 136 milhões, para concluir o filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair.

Na primeira pesquisa após a revelação da conversa entre Flávio e Vorcaro, a nova Atlas (confira aqui e aqui) divulgada na última terça-feira (19) deu o tamanho do estrago. Na consulta estimulada ao primeiro turno, Flávio sangrou 5,4 pontos percentuais de intenção de voto: 39,7% de abril a 34,3% em maio — contra 47,0% do petista, 12,7 pontos à frente.

Se o que manteve seria suficiente para levá-lo ao segundo turno contra Lula, a chance de Flávio ser nele derrotado ficou mais provável. Na série Atlas, ele tinha liderança numérica em abril ao eventual segundo turno: 47,8% a 47,5% do petista. Em maio, Flávio sangrou 6 pontos na simulação: 41,8% a 48,9% do petista, 7,1 pontos à frente.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Perguntados pela Atlas de maio se souberam do áudio e mensagens vazadas entre Flávio e Vorcaro, apenas 4,4% disseram “não”, enquanto uma maioria absoluta de 95,6% dos brasileiros respondeu “sim”. Entre estes, outra maioria absoluta de 93,9% da população disse que ouviu o áudio, com apenas 6,1% que não o escutaram.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

O resultado, além da queda de intenções de voto de Flávio? Hoje, os que percebem o grupo dos Bolsonaro mais ligado ao esquema de fraudes do Master são 43,3%: 15 pontos a mais que os 28,3% de abril. E, também hoje, os que veem maior ligação do grupo de Lula com o Master são 32,8%: 6,7 pontos a menos que os 39,5% de abril.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Perguntados na Atlas o que a revelação da conversa de Flávio com o ex-banqueiro retrata, a maioria de 51,7% disse que são “evidências de envolvimento direto com o escândalo do Master”. A minoria de 33,3% disse que seria “uma tentativa legítima de conseguir apoio financeiro à produção do filme”, versão do próprio Flávio.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Perguntados pela Atlas se as conversas com Vorcaro enfraqueceram à candidatura de Flávio a presidente, 45,1% acham que “enfraqueceu muito”. Que chegam a 64,1%, se somados aos 19,0% que acham que “enfraqueceu um pouco”. Outros 15,0% acham que “não afetou a candidatura”, com só 13,4% achando que “fortaleceu”.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Na Atlas de maio, 47,4% dos brasileiros disseram que têm mais medo da eleição de Flávio a presidente. São 2 pontos a mais que os 45,4% de abril. Já os que, em maio, têm mais medo da reeleição de Lula são 40,5%. São 6,8 pontos a menos que os 47,3% de abril. E 6,9 pontos a menos que o medo de Flávio em maio.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Quem observa o processo eleitoral brasileiro com um mínimo de isenção e conhecimento, sabe que há muito mais gente atolada até as narinas na lama do Master. Dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União/AP); aos caciques do PT da Bahia: Rui Costa, ex-ministro da Casa Civil de Lula, e o senador Jaques Wagner.

O escritório de advocacia da mulher de Moraes tinha contrato de R$ 129 milhões com o Master. Toffoli teve parte do resort de sua família adquirido por R$ 35 milhões de um fundo ligado ao Master. Alcolumbre tem um ex-tesoureiro de campanha responsável pela aplicação de R$ 400 milhões do Amapá Previdência (Amprev) no Master.

Quanto aos petistas Costa e Wagner, ambos estão metidos do CredCesta, cartão de crédito consignado dos servidores da Bahia operado pelo Master. Em montantes que passaram de R$ 104,8 mil em 2022 a R$ 2,75 milhões em 2024. E foi o líder do governo no Senado que pediu e conseguiu para Guido Mantega, ex-ministro de Lula e Dilma, uma boquinha como consultor do Master, com honorários de R$ 1 milhão/mês.

Tudo isso posto, a bola da vez no escândalo do Master é Flávio. Mas se sua conversa por mensagens com Vorcaro foi em 16 de novembro de 2025, por que só foram vazadas pelo site Intercept em 13 de maio de 2026, quase seis meses depois? É preciso lembrar que o prazo para desincompatibilização venceu em 4 de abril?

Todos os celulares de Vorcaro apreendidos estão com a Polícia Federal (PF). Que, no mundo real, sempre vai estar sujeita à ingerência do Governo Federal de turno. Goste-se ou deteste-se os Bolsonaro, vazar a conversa de Flávio quando o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (REP), venceu o prazo de desincompatibilização no cargo e não pode mais ser candidato a presidente, não parece coincidência de tempo.

Presos ao séc. 20 da CLT e do Brasil industrial do ABC Paulista, Lula e o PT podem ter envelhecido mal no séc. 21 de trabalho marcado pela pejotização e a informalidade dos aplicativos. Mas ainda são profissionais em eleições presidenciais. Na bola e, se necessário, fora dela. Com a possibilidade de uma sacola cheia delas ainda pela frente.

Flávio sabia o que tinha falado com Vorcaro, que os celulares deste estavam sendo periciados pela PF e que o chefe de turno desta é o PT. Por isso reagiu como um amador à revelação das conversas. E paga nas pesquisas o preço do seu despreparo. Muito embora nada garanta que o prejuízo se acentuará, estabilizará ou reverterá.

Acossados pelo crescimento de Flávio em todas as pesquisas de dezembro a abril, os lulopetistas ganharam um refresco em maio. Alguns, que chegaram a aderir entre 2025 e 2026 ao mesmo negacionismo bolsonarista das pesquisas em 2022, até já reativaram o modo delírio. Para voltar a bravatear uma remota reeleição de Lula em turno único.

Apesar do estrago real em Flávio registrado na pesquisa Atlas, ela também deixou um pé no mais provável. No universo dos 49,1% dos brasileiros que deram votos válidos a Jair Bolsonaro no segundo turno presidencial de 2022, a expressiva maioria de 84,2% acha, em maio de 2026, que Flávio deveria manter sua pré-candidatura a presidente.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Em 2018, Bolsonaro só venceu o segundo turno, contra Fernando Haddad como preposto de um Lula preso, porque era pedra e o PT vidraça. Esta, hoje, é a condição do filho 01 de Jair.

Se, até o final de abril, a pergunta era qual seria o teto de Flávio, após 13 de maio, ela mudou: qual é o piso do herdeiro do bolsonarismo? Com a indagação em apenso: alguém mais da oposição pode atingi-lo?

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Presidente da Ompetro, Frederico fala de rebocador em defesa dos royalties

 

Frederico Paes e o rebocador encalhado em Macaé na última terça-feira (Montagem: Joseli Matias)

 

“A situação envolvendo embarcações encalhadas em nosso litoral, seja em Macaé, em Campos ou em qualquer município produtor, mostra de forma muito concreta que a atividade do petróleo gera impactos permanentes e exige estrutura, monitoramento e capacidade de resposta do poder público. Os royalties existem justamente para compensar esses territórios pelos riscos e  responsabilidades que assumem diariamente”. Foi o que disse sobre o caso do rebocador encalhado na Praia do Campista, em Macaé, no último dia 15 (confira aqui), o presidente da Organização dos Municípios Produtores de Petróleo (Ompetro), Frederico Paes (MDB), também prefeito de Campos.

— Como presidente da Ompetro, defendo a manutenção do atual modelo de distribuição. Esses recursos não são um privilégio. São uma compensação legítima para municípios que sustentam uma parte importante da produção nacional de petróleo e que precisam investir continuamente em infraestrutura, meio ambiente, saúde e serviços públicos — continuou Frederico.

— Retirar ou reduzir esses recursos é comprometer a capacidade dessas cidades de continuar cuidando das pessoas e enfrentando desafios que decorrem diretamente dessa atividade econômica tão estratégica para o Brasil — completou o presidente da Ompetro.

O prefeito de Macaé, Welberth Rezende (Cidadania), e o presidente do Legislativo daquele município, Alan Mansur (PSB), também se manifestaram (confira aqui e aqui) sobre o caso, cobrando providências à Marinha do Brasil. O rebocador pertence à empresa norueguesa DOF, que prestava serviços a Petrobras, quando teria batido e encalhado num banco de rochas submersas não sinalizadas.

 

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Atlas: Bolsonaros mais envolvidos com o Master para 43,3%

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

O estrago de Vorcaro na pré-candidatura de Flávio a presidente foi feito. Hoje, os que percebem o grupo dos Bolsonaro mais ligado ao esquema de fraudes do Master são 43,3%: 15 pontos a mais que os 28,3% de abril. Em maio, os que veem maior ligação do grupo de Lula com o Master são 32,8%: 6,7 pontos a menos que os 39,5% de abril.

 

 

Maioria de 95,6% dos brasileiros soube do áudio, 93,9% ouviram — Perguntados pela Atlas de maio se souberam do áudio e mensagens vazadas entre Flávio e Vorcaro, apenas 4,4% disseram “não”, enquanto uma maioria absoluta de 95,6% dos brasileiros respondeu “sim”. Entre estes, outra maioria absoluta de 93,9% da população disse que ouviu o áudio, com apenas 6,1% que não o escutaram.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

“Evidências de Flávio com o Master” a 51,7% — Perguntados pela Atlas o que a revelação da conversa do presidenciável com o ex-banqueiro retrata, a maioria de 51,7% disse que são “evidências de envolvimento direto de Flávio com o escândalo do Master”. A minoria de 33,3% disse que seria “uma tentativa legítima de conseguir apoio financeiro à produção do filme”, versão de Flávio.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Vorcaro “enfraqueceu muito” Flávio a 45,1% — Perguntados pela Atlas se as conversas com Vorcaro enfraqueceram à candidatura de Flávio a presidente, 45,1% acham que “enfraqueceu muito”. Que chegam a 64,1%, se somados aos 19,0% que acham que “enfraqueceu um pouco”. Outros 15,0% acham que “não afetou a candidatura”, com só 13,4% achando que “fortaleceu”.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Entre eleitores de Bolsonaro, 84,2% querem Flávio candidato — Entre os bolsonaristas, o estrago na Atlas foi menor. Nesse universo dos 49,10% dos votos válidos a Jair Bolsonaro no segundo turno presidencial de 2022, a expressiva maioria de 84,2% acha, em maio de 2026, que Flávio deveria manter sua pré-candidatura a presidente. A minoria de 12,6% acha que ele deveria apoiar outro nome.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Mais medo de Flávio a 47,4%, de Lula a 40,5% — No universo total dos eleitores, o estrago de Vorcaro é maior. Na Atlas de maio, 47,4% dos brasileiros tem mais medo da eleição de Flávio a presidente, 2 pontos a mais que os 45,4% de abril. Já os que, em maio, tem mais medo da reeleição de Lula são 40,5%, ou 6,8 pontos a menos que os 47,3% de abril. E 6,9 pontos a menos que Flávio em maio.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Feita através de consulta digital com 5.032 eleitores de todo o Brasil, entre os dias 13 (da revelação das conversas entre Flávio e Vorcaro pelo site Intercept) e 18 (ontem) de maio, tem margem de erro de 1 ponto para mais ou menos. E foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-06939/2026.

 

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