Ministros do STF Alexandre de Moares e Dias Toffoli
Na pesquisa AtlasIntel deste final de setembro, a pouco mais de 10 dias das urnas eleitorais de 4 de outubro, o júri popular é amplamente desfavorável aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. O impeachment imediato de Toffoli é desejo de mais de 6 entre cada 10 brasileiros, enquanto metade deles quer o mesmo para Moraes.
Outros ministros sob suspeita no Master — Embora haja suspeita de relação indevida de outros ministros do STF com o caso Master, como Kássio Nunes Marques, André Mendonça e Luiz Fux, pelo menos no que foi até agora revelado pelo jornalismo profissional e a Polícia Federal (PF), Moraes e Toffoli são os que mostram indícios mais claros de envolvimento. O que é ainda mais claro ao juízo popular.
Impeachment imediato de Toffoli para 60,5% — “Toffoli deveria sofrer impeachment por envolvimento com o caso do Bando Master?”, indagou a AtlasIntel. E a maioria de 60,5% dos brasileiros respondeu: “Sim, impeachment imediato”. Outros 26,1% responderam: “Apenas se for provado envolvimento”. Os que acham que ele não deveria sofrer impeachment são uma minoria de 6,5%, com 6,8% que não souberam opinar.
Impeachment imediato de Moraes para 49,8% — “Moraes deveria sofrer impeachment por envolvimento com o caso do Banco Master?”, indagou a AtlasIntel. E 49,8%, metade dos brasileiros, responderam: “Sim, impeachment imediato”. Outros 31,9% responderam: “Apenas se for provado envolvimento”. O que acham que ele não deveria sofrer impeachment são a minoria de 15,1%, com 3,2% que não opinaram.
Quase 9 entre cada 10 brasileiros acreditam que há envolvimento de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) no caso do Banco Master. É o que revelou a nova pesquisa nacional AtlasIntel, na qual 85,1% dos eleitores responderam: “Sim, há envolvimento direto”. Os que disseram não saber são 10,5%. A minoria quase absoluta de 4,4% diz não haver envolvimento.
“Você confia no trabalho dos ministros do STF?”, perguntou a AtlasIntel neste final de setembro, a pouco mais de 10 dias para as urnas eleitorais de 4 de outubro. E a maioria de 61% dos brasileiros respondeu que não. Uma minoria de 27,8% disse que confia, enquanto outros 11,1% que não souberam opinar.
Historiadora, professora e servidora federal, Guiomar Valdez é a convidada do Folha no Ar a partir das 7h25 da manhã desta quinta (24), ao vivo, na Folha FM 98,3.
Ela tentará projetar, a partir das pesquisas mais recentes, as eleições de 4 de outubro, daqui a apenas 11 dias, a governador (confira aqui, aqui e aqui) e às duas cadeiras ao Senado (confira aqui, aqui e aqui) do RJ. E também analisará os nomes de Campos e região a deputado federal e estadual.
Por fim, Guiomar analisará a maior crise do Supremo Tribunal Federal (STF) em seus 135 anos de história. E suas consequências também na eleição a presidente da República, que todas as pesquisas mais recentes projetam (confira aqui, aqui, aqui, aqui e aqui) em dois turnos e indefinida, numa disputa voto a voto entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).
Quem quiser participar do Folha no Ar desta quinta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebooke no YouTube.
Fundamental à definição do 2º turno, a rejeição medida pela Nexus e Quaest repetiu o empate técnico entre Flávio e Lula. Na Nexus, Flávio liderou numericamente, com 50% no índice negativo, mas só 1 ponto acima dos 49% de Lula. Na Quaest, Flávio também liderou numericamente a rejeição com 56%, também só 1 ponto acima dos 55% de Lula.
(Infográfico: Joseli Matias)
Lula 3: 50% desaprovam na Nexus e Quaest
Obstáculo à reeleição de Lula, a desaprovação de 50% dos brasileiros ao seu trabalho como presidente liderou numericamente na Nexus; mas em empate técnico, no limite da margem de erro, com os 46% que aprovam. Na Quaest, não houve empate técnico entre os mesmos 50% que lideram a desaprovação ao Lula 3 e os 44%, 6 pontos a menos, que aprovam.
(Infográfico: Joseli Matias)
Dados das pesquisas
A Nexus entrevistou por telefone 2.006 eleitores de 18 a 20 de setembro. Com margem de erro de 2 pontos para mais ou menos, teve o registro BR-00485/2026 no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A Quaest entrevistou pessoalmente 2.004 eleitores entrevistados de 17 a 20 de setembro. Com a mesma margem de erro de 2 pontos, teve registro BR-06004/2026 no TSE.
Flávio Bolsonaro, Augusto Cury, Ronaldo Caiado e Renan Santos
A força do antipetismo na Nexus
Embora os demais estejam muito distantes dos dois líderes na corrida do 1º turno, nas simulações de 2º turno da Nexus com outros candidatos, Lula teria hoje um empate exato com Caiado, de 45% a 45%; e técnico, só por 1 ponto de vantagem, com Cury: 44% a 43%. Isso revela que, mais que o bolsonarismo ou Flávio, a maior força eleitoral da oposição é o antipetismo.
(Infográfico: Joseli Matias)
A força do antipetismo na Quaest
Na Quaest, Lula também teve empates técnicos no 2º turno com Caiado, de 41% a 39%, 2 pontos à frente; e com Cury: 39% a 35%, 4 pontos à frente. Mas o petista também não saiu do empate técnico com Renan: 41% a 38%, 3 pontos de vantagem. O que reforça a tendência: quem encarnar o antipetismo no 2º turno será competitivo contra Lula.
(Infográfico: Joseli Matias)
Dados das pesquisas
A Nexus entrevistou por telefone 2.006 eleitores de 18 a 20 de setembro. Com margem de erro de 2 pontos para mais ou menos, teve o registro BR-00485/2026 no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A Quaest entrevistou pessoalmente 2.004 eleitores entrevistados de 17 a 20 de setembro. Com a mesma margem de erro de 2 pontos, teve registro BR-06004/2026 no TSE.
Na Nexus (confira aqui e aqui), atrás de Lula (40%) e Flávio (37%) ao 1º turno, vieram Augusto Cury (Avante), com 6%; Ronaldo Caiado (PSD), com 5%; Renan Santos (Missão), com 3%; e Romeu Zema (Novo) e Samara (UP), com 1% cada. Somados, os candidatos de oposição têm 53% de intenção, 13 pontos a mais do que os 40% de Lula, o que dá certeza matemática ao 2º turno.
(Infográfico: Joseli Matias)
Certeza de 2º turno na Quaest
Na Quaest, atrás de Lula (37%) e Flávio (36%) ao 1º turno, vieram Cury, com 6%; Caiado, com 4%; Renan, com 3%; e Zema e Samara, com 1% cada. Somados, os candidatos de oposição têm 48% de intenção, 11 pontos a mais do que os 37% de Lula, o que dá certeza matemática ao 2º turno.
(Infográfico: Joseli Matias)
Dados das pesquisas
A Nexus entrevistou por telefone 2.006 eleitores de 18 a 20 de setembro. Com margem de erro de 2 pontos para mais ou menos, teve o registro BR-00485/2026 no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A Quaest entrevistou pessoalmente 2.004 eleitores entrevistados de 17 a 20 de setembro. Com a mesma margem de erro de 2 pontos, teve registro BR-06004/2026 no TSE.
Passada a sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) do último dia 15, com pedido de vista do ministro Flávio Dino (confira aqui e aqui) sobre a investigação do colega Alexandre de Moraes, a indefinição também se dá na eleição presidencial. Nas pesquisas Nexus (confira aqui e aqui) e Quaest divulgadas na segunda-feira (21), Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) estão empatados tecnicamente no 1º e 2º turnos.
(Infográfico: Joseli Matias)
Lula e Flávio em empate técnico no 1º turno
Na consulta estimulada da Nexus ao 1º turno: Lula 40% de intenção de voto a 37% de Flávio, 3 pontos atrás. Na estimulada Quaest ao 1º turno: Lula 37% a 33% Flávio, 4 pontos atrás. Na margem de erro de 2 pontos para mais ou menos das duas pesquisas, são dois empates técnicos à urna de 4 de outubro, daqui a apenas 11 dias.
(Infográfico: Joseli Matias)
Flávio e Lula em empate técnico no 2º turno
No provável 2º turno entre os dois, em 25 de outubro, outros dois empates técnicos. A Nexus deu vantagem numérica de apenas 1 ponto para Lula: 46% a 45% de Flávio. Na Quaest, a vantagem de apenas 1 ponto no 2º turno entre os dois foi de Flávio: 42% a 41% de Lula.
(Infográfico: Joseli Matias)
Tendências da Nexus ao 1º turno
Entre as pesquisas Nexus de 14 e 21 de setembro, Lula oscilou 2 pontos para baixo ao 1º turno: de 42% aos atuais 40%. Por sua vez, Flávio manteve os mesmos 37% no mesmo período e na mesma série de pesquisas. Na série Nexus, Lula apareceu em tendência descendente no 1º turno, ao qual Flávio mostrou estabilidade.
Tendências da Quaest ao 1º turno
Entre as pesquisas Quaest de 14 e 21 setembro, Lula oscilou 1 ponto para cima ao 1º turno: de 36% aos atuais 37%. Flávio oscilou um pouco mais para cima, mas ainda na margem de erro: 2 pontos dos 31% da semana passada aos 33% atuais. Na série Quaest, Lula e Flávio apareceram em tendência ascendente ao 2º turno.
Tendências da Nexus ao 2º turno
Em relação ao 2º turno, Lula e Flávio oscilaram 1 ponto para baixo na série Nexus: Lula de 47% aos atuais 46%, Flávio de 46% aos atuais 45%. No espaço de uma semana, a tendência dos dois foi igualmente descendente ao 2º turno.
Tendências da Quaest ao 2º turno
Na série Quaest, Flávio tinha e manteve 42% em um 2º turno contra Lula, enquanto este oscilou 1 ponto para cima: de 40% aos 41% atuais. No espaço de uma semana, a tendência de Flávio foi de estabilidade, enquanto a de Lula foi ascendente.
Dados das pesquisas
A Nexus entrevistou por telefone 2.006 eleitores de 18 a 20 de setembro. Com margem de erro de 2 pontos para mais ou menos, teve o registro BR-00485/2026 no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A Quaest entrevistou pessoalmente 2.004 eleitores entrevistados de 17 a 20 de setembro. Com a mesma margem de erro de 2 pontos, teve registro BR-06004/2026 no TSE.
Os grafiteiros Vander Xchex, Ares Pillas e Nando Pontes com sua criação em homenagem a João, o vira-lara caramelo de Lagoa de Cima (Foto: Wellington Cordeiro)
Wellington Cordeiro, jornalista, repórter-fotográfico, presidente da Associação de Imprensa Campista (AIC) e membro da Academia Campista de Letras (ACL)
João, o caramelo que virou arte às margens da Lagoa de Cima
Por Wellington Cordeiro
Três artistas visuais, de passagem por Lagoa de Cima, balneário de Campos dos Goytacazes, decidiram transformar em arte a lembrança de um morador muito especial. O homenageado, porém, não era uma personalidade do município, tampouco alguém conhecido nacionalmente. Era João, um cachorro vira-lata, típico caramelo, que durante cerca de 17 anos conquistou o carinho de toda a comunidade.
João morreu há aproximadamente três meses e deixou uma espécie de vazio entre aqueles que se acostumaram com sua presença tranquila pelas ruas e pelas margens da lagoa. Para eternizar sua imagem, os grafiteiros Nando Pontes, Vander Xchex e Ares Pillas escolheram um trailer localizado à beira da Lagoa de Cima como tela para uma homenagem que mistura memória, natureza e afeto.
Nascido em Itaperuna e radicado no Rio de Janeiro, Nando Pontes já conhecia o lugar, por manter laços familiares com um dos moradores. Já o paulista Xchex e o paraguaio Ares Pillas estavam conhecendo Lagoa de Cima pela primeira vez. Os três, acostumados a realizar grandes trabalhos de arte urbana em diferentes partes do país, haviam chegado a Campos com a intenção de descansar depois de concluírem um projeto em Itaperuna. Mas a história de João mudou os planos.
O encontro com os moradores e o relato sobre o cachorro despertaram nos artistas a vontade de fazer algo que fosse além de um simples grafite. A ideia foi eternizar João no lugar onde ele viveu boa parte de sua história. Nas paredes, João tem a companhia de uma garça e uma flor de Hibiscus.
Para construir a imagem do cachorro, Nando utilizou recursos tecnológicos, entre eles óculos 3D, para elaborar os traços e proporções do desenho. Depois, os três artistas entraram em ação com suas latas de spray, dando cores e vida à composição.
“João era um cão que toda a comunidade se acostumou a amar e proteger, apesar de ele preferir não ser de ninguém”, conta Afonso Celso, um dos moradores. Segundo ele, João tinha seu próprio jeito de se relacionar com as pessoas. “Ele visitava a todos a seu próprio tempo. Mas, nesses momentos de contato, existia uma intensa troca de carinho, na mais pura amizade canina com as pessoas.”
Para Nando Pontes, transformar essa história em arte foi também uma maneira de reconhecer esse vínculo. “É muito prazeroso registrar com arte um animal que tinha uma relação tão especial com as pessoas”, afirma o artista.
A história de João remete, guardadas as proporções, à trajetória de Hachiko, o famoso cão japonês que se tornou símbolo mundial de lealdade e ganhou uma estátua em uma estação de trem, além de ter sua história levada ao cinema. Hachiko ficou conhecido pela relação de fidelidade com seu tutor. João construiu uma história diferente: não pertencia a uma única pessoa. Pertencia, de certa forma, ao lugar.
Durante sua longa vida, a Lagoa de Cima foi sua casa. lá ele se banhava em suas águas, circulava pela comunidade e até se aventurava a pescar. Não tinha dono, mas tinha muitos amigos. Não obedecia a uma rotina imposta, mas fazia parte da rotina de todos.
Agora, sua presença ganhou outra forma. Está estampada para a admiração de todos, até de quem não teve a sorte de conhecê-lo. Mostrando que algumas presenças, mesmo depois da partida, nunca deixam de existir.
Geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE e analista estatístico do Núcleo de Pesquisa Econômica do Estado do Rio de Janeiro (Nuperj) da Uenf, William Passos é o convidado do Folha no Ar a partir das 7h25 da manhã desta quarta (23), ao vivo, na Folha FM 98,3.
Ele analisará os nomes de Campos, Norte e Noroeste Fluminense nas eleições a deputado federal e estadual, em eleição proporcional de projeção sempre mais difícil.
Com base nas pesquisas mais recentes, William tentará projetar as eleições majoritárias a governador (confira aqui, aqui e aqui) e às duas cadeiras ao Senado (confira aqui, aqui e aqui) do RJ.
Por fim, ele falará da crise no Supremo Tribunal Federal (STF) e sua influência numa eleição presidencial que as pesquisas (confira aqui, aqui, aqui, aqui e aqui) revelam estar hoje indefinidas em empates técnicos entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) nas intenções de voto ao 1º e 2º turno e na rejeição.
Quem quiser participar do Folha no Ar desta quarta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebooke no YouTube.
Num pleito presidencial que tudo até aqui, a 12 dias eleitoralmente úteis do 1º turno de 4 de outubro, indica que será disputada voto a voto em dois turnos, quem é neles o (a) maior eleitor (a) de Lula (PT)? E o (a) de Flávio Bolsonaro (PL)?
Quem é eleitora de Lula no 1º turno? — Segundo a pesquisa Nexus divulgada hoje (confira aqui), a maior eleitora de Lula no 1º turno, proporcionalmente, é mulher (49%), tem 60 anos ou mais (53%), do Nordeste (52%), cursou até o ensino fundamental (51%), tem renda familiar mensal até 1 salário mínimo (50%) e não tem religião (52%).
Quem é o eleitor de Flávio no 1º turno? — Por sua vez, o maior eleitor de Flávio no 1º turno, proporcionalmente, é homem (46%), tem entre 25 e 40 anos (42%), do Sul (43%), cursou até o ensino médio (45%), tem renda familiar mensal acima de 5 salários mínimos (46%) e é evangélico (51%).
(Infográfico: Joseli Matias)
Quem é a eleitora de Lula no 2º turno? — Na projeção do provável 2º turno entre Lula e Flávio, o perfil do (a) eleitor (a) majoritário (a) de cada candidato não muda muito. A de Lula continuará sendo mulher (56%), de 60 anos ou mais (58%), do Nordeste (58%), com escolaridade até o fundamental (59%) e sem religião (57%).
Lula lidera no eleitor mais pobre — Porém, no que se refere à faixa de renda, há uma mudança no perfil da maior eleitora de Lula entre 1º e 2º turno. Neste, ela tem renda familiar mensal de 1 a 2 salários mínimos (56%). A provar a popularidade do petista entre os mais pobres, ele também teria hoje, em um 2º turno contra Flávio, 54% do voto do eleitor até 1 salário mínimo.
Quem é o eleitor de Flávio no 2º turno? — No provável 2º turno contra Lula, o perfil do eleitor majoritário de Flávio tem o mesmo perfil do 1º turno: homem (57%), de 25 a 40 anos (52%), do Sul (57%), com escolaridade até o ensino médio (53%), renda familiar mensal acima de 5 salários mínimos (55%) e evangélico (62%).
(Infográfico: Joseli Matias)
Peso dos evangélicos e católicos — A particularidade proporcional merece ressalva à projeção dos números absolutos que definirão a eleição. Apesar do avanço evangélico nas últimas décadas, eles são hoje, segundo o IBGE, 26,95% da população. Cuja maior parte ainda é católica: 56,75%. E, entre eles, Lula lidera sobre Flávio: 44% a 34% no 1º turno e 51% a 40% no 2º turno.
(Infográfico: Joseli Matias)
Sudeste: 41,78% do eleitorado e empate entre Flávio e Lula — Em termos absolutos, a região Sudeste tem a maior parte do eleitorado: 41,78%, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). E, no Sudeste, a Nexus projeta um empate exato entre Flávio e Lula no 1º turno: 39% a 39%. E um empate técnico no 2º turno, com vantagem numérica de apenas 1 ponto para Flávio: 46% a 45% de Lula.
(Infográfico: Joseli Matias)
Dados da pesquisa — A nova pesquisa Nexus entrevistou por telefone 2.006 eleitores de todo o Brasil, entre os dias 18 e 20 de setembro. Com margem de erro de 2 pontos para mais ou menos, teve o registro BR-00485/2026 no TSE.
Passada a sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) na última terça (15), com pedido de vista do ministro Flávio Dino sobre (confira aqui e aqui) a investigação do colega Alexandre de Moraes, a indefinição também se dá na eleição presidencial. Na pesquisa Nexus divulgada hoje (21), Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) estão empatados tecnicamente no 1º e 2º turnos.
Lula e Flávio em empate técnico no 1º e 2º turno — Com margem de erro de 2 pontos para mais ou menos, a consulta estimulada ao 1º turno, daqui a apenas 13 dias, deu Lula com 40% de intenção de voto, contra 37% de Flávio, 3 pontos atrás. No provável 2º turno entre os dois, em 25 de outubro, a diferença é de apenas 1 ponto: o presidente teria hoje 46% contra 45% do senador.
Tendências ao 1º e 2º turno — Na comparação com a pesquisa Nexus de 14 de setembro (confira aqui), Lula oscilou 2 pontos para baixo na última semana, de 42% aos atuais 40%, enquanto Flávio tinha e manteve os mesmos 37%. Já ao 2º turno, ambos oscilaram 1 ponto para baixo: Lula de 47% aos atuais 46%, Flávio de 46% aos atuais 45%.
Certeza matemática de 2º turno — Ao 1º turno, atrás de Lula (40%) e Flávio (37%), vieram Augusto Cury (Avante), com 6%; Ronaldo Caiado (PSD), com 5%; Renan Santos (Missão), com 3%; e Romeu Zema (Novo) e Samara (UP), com 1% cada. Somados, os candidatos de oposição têm 53% de intenção, 13 pontos a mais do que Lula, o que dá certeza matemática ao 2º turno.
(Infográfico: Joseli Matias)
A força do antipetismo também com Caiado e Cury — Embora os demais estejam muito distantes dos dois líderes na corrida do 1º turno, nas simulações de 2º turno com outros candidatos, Lula teria hoje um empate exato com Caiado (45% a 45%) e técnico, só por 1 ponto, com Cury (44% a 43%). O que revela que, mais que o bolsonarismo ou Flávio, a maior força eleitoral da oposição é o antipetismo.
(Infográfico: Joseli Matias)
Rejeição: Flávio 50% a 49% Lula — Fundamental à definição do 2º turno, a rejeição da Nexus de hoje repete o mesmo de todas as demais pesquisas: um empate técnico entre Flávio, com 50% de brasileiros que não votariam nele de jeito nenhum, e Lula, com 49%, só 1 ponto atrás no índice negativo. Em 3º lugar, Zema e Renan ficaram em empate exato: 41% de rejeição cada.
(Infográfico: Joseli Matias)
Lula 3: 50% desaprovam, 46% aprovam — Obstáculo à reeleição de Lula, os 50% que hoje desaprovam o seu trabalho como presidente seguem liderando numericamente, mas em empate técnico, no limite da margem de erro, com os 46% que aprovam. Na série Nexus, durante a última semana, a desaprovação oscilou 1 ponto para cima e a aprovação 1 ponto para baixo.
(Infográfico: Joseli Matias)
William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE
Dados da pesquisa — A nova pesquisa Nexus entrevistou por telefone 2.006 eleitores de todo o Brasil, entre os dias 18 e 20 de setembro. Com margem de erro de 2 pontos para mais ou menos, teve o registro BR-00485/2026 no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Análise do especialista — “Na Nexus, Lula e Flávio estão em empate técnico, dentro da margem de erro, no 1º e 2º turno, assim como a rejeição aos candidatos. Ao 1º turno, a vantagem numérica de Lula sobre Flávio é de 3 pontos. No 2º turno, a vantagem de Lula é de apenas 1 ponto”, resumiu William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE.
Estátua da Justiça, Flávio Dino, Alexandre de Moraes, André Mendonça, Gilmar Mendes, Lula e Flávio Bolsonaro
Aristóteles, o STF, a máfia e as pesquisas
O filósofo grego Aristóteles foi muito citado pelo ministro Flávio Dino na sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) da última terça-feira (15). Que, transmitida ao vivo em rede nacional de TV, deu vergonha a todos os brasileiros que a tenham na cara.
Aristóteles foi usado por Dino como jurisprudência para, no final, pedir vista e ganhar tempo ao também ministro Alexandre de Moraes. Que o pleno do STF deveria decidir se seria ou não investigado por suas relações no mínimo questionáveis com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, hoje preso, e seu liquidado Banco Master.
Já se sabia do contrato de R$ 130 milhões do escritório da esposa de Moraes, e de dois dos três filhos do casal, com o Master de Vorcaro. O que não se sabia até este mês de setembro é que o próprio Moraes redigiu o contrato. E que outro, no valor de mais R$ 50 milhões, foi celebrado entre outra empresa de Vorcaro e o mesmo escritório.
Isso veio a público quando o ministro André Mendonça, relator do caso Master no STF, levantou no dia 1º o sigilo de um relatório da Polícia Federal (PF) de 218 páginas. No qual também se soube que o escritório Barci de Moraes solicitou e Vorcaro autorizou cartões de crédito, com limite de R$ 300 mil cada, para dois filhos de Moraes.
Nessa relação pecuniária, Moraes teve, segundo a PF, pelo menos oito encontros pessoais com Vorcaro. Que, já investigado e ameaçado de prisão, teve 188 interações de mensagem de celular com Moraes. Inclusive em consultas próprias a um advogado criminal, não a um ministro do STF, em crime de advocacia administrativa.
Como o relatório da PF revelado no dia 1º, Moares contra-atacou no dia 3. Ainda como relator do inquérito das fake news, acusou Mendonça dos mesmos abusos que lá praticou por sete anos. E pediu a investigação do colega pelos crimes de abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade.
Entre os dois fatos, no dia 2 o jornalista William Waack revelou na CNN que a ala pró-Moraes no STF, composta pelo próprio, Dino, Gilmar Mendes e Cristiano Zanin, teria mandado recado a Lula: “Nem pense em se afastar do STF, um pedaço do PT da Bahia (envolvido com o Master) está na nossa mão e você governa porque o STF ajuda.”
Como a ala pró-Moraes no STF é a mesma ala pró-Lula, sendo Dino seu ex-ministro da Justiça e Zanin seu ex-advogado pessoal, a intimidação não terminou aí. Horas antes da sessão do dia 15, começaram a ser vazadas mensagens de Vorcaro dando conta de repasse mensal de R$ 500 mil ao advogado Kevin de Carvalho Marques.
Kevin é filho do ministro Kassio Nunes Marques, que era contabilizado como voto certo no STF pela abertura de investigação contra Moraes. A intimidação deu certo. Nunes Marques se julgou impedido, alegando ser também presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e sequer ficou para acompanhar pessoalmente o resto da sessão.
Após tirar a relatoria de Mendonça do processo que tratava das mensagens de Vorcaro e Moraes e de tirar deste a relatoria do inquérito das fake news, puxando-as para si como presidente do STF, o ministro Edson Fachin tentou presidir a sessão. Mas teve a função roubada por Dino, que começou a citar Aristóteles e o regimento da Casa.
Primeiro a votar na condição de decano, após Fachin como relator, Gilmar tabelou com Dino para tirar Moraes da linha do impedimento e propor questão de ordem. Para que os julgamentos dos pedidos de investigação de Moraes e Mendonça, que já estava marcado para o dia 23, fossem conjuntos.
Em ação orquestrada, Gilmar conseguiu o grande objetivo do grupo pró-Moraes e pró-Lula que integra no STF. A partir dali a votação não foi mais sobre investigar ou não Moraes, mas se ele deveria ou não ser investigado junto com Mendonça. E quando o placar estava em 4 votos a 4, Dino pediu vista em jogada ensaiada com Gilmar.
Acusado pelo ex-colega Joaquim Barbosa de “estar destruindo a Justiça deste país” desde 2009, definido pelo ex-colega Luís Roberto Barroso como “uma pessoa horrível, uma mistura do mal com atraso e pitadas de psicopatia” em 2018, o Gilmar de 2026 não citou Aristóteles. Preferiu impor ao STF o código da máfia para atacar Mendonça:
— Não se pode (Mendonça) expor um colega (Moraes), mesmo que ele esteja envolvido (em corrupção). Até a máfia tem mais ética — foi a pregação moral de Gilmar em transmissão de TV, ao vivo e a cores, para todo o país.
Aristóteles, discípulo de Platão e mestre de Alexandre
“Nosso caráter é o resultado da nossa conduta”, legou Aristóteles como argumento central do seu “Ética a Nicômaco”. E o caráter do STF, fruto da sua conduta sem constrangimento que não o de Cármen Lúcia, é hoje questionado abertamente pela grande maioria dos brasileiros, muito além de uma bolha de extrema-direita golpista.
Discípulo de Platão, Aristóteles dele se distanciou ao buscar um saber mais aplicado ao homem do que à alma. Mas sempre devotou respeito ao seu mestre. Ainda assim, também em “Ética a Nicômaco”, legou do séc. 4 a.C. aquilo que deveria inverter os comportamentos de seita e suas “narrativas” do séc. 21: “Embora ambos (Platão e a verdade) nos sejam caros, o dever moral nos impõe preferir a verdade.”
A verdade é que, feita entre 11 e 16 de setembro, a nova pesquisa presidencial AtlasIntel divulgada no dia 17 foi a que primeiro pegou os efeitos eleitorais da sessão de terça. Para 49,5% dos brasileiros, a crise do STF prejudica mais a Lula. Menos da metade, 20,9% acham que prejudica mais a Flávio Bolsonaro.
(Infográfico: Joseli Matias)
Entre as pesquisas AtlasIntel de 9 e 17 de setembro, com a sessão do STF no meio, Flávio teve crescimento real de 5 pontos nas intenções de voto ao 1º turno: de 37% aos atuais 42%. Enquanto Lula oscilou 1 ponto para cima, de 43% aos atuais 44%. Só 2 pontos atrás, Flávio chegou ao empate técnico com o petista já no 1º turno.
(Infográfico: Joseli Matias)
No cenário de 2º turno entre os dois, Flávio oscilou 0,8 ponto para cima entre as AtlasIntel de 9 e 17 de setembro: de 46,4% aos atuais 47,2%. Atrás numericamente nas duas pesquisas, Lula manteve o empate técnico na margem de erro e oscilou 0,6 ponto para cima: foi de 46,2% aos atuais 46,8%.
(Infográfico: Joseli Matias)
Entre as AtlasIntel de 9 e 17 de setembro, a vantagem de Lula sobre Flávio ao 1º turno caiu de 6 pontos a 2 pontos. Em um 2º turno entre os dois, a vantagem de Flávio sobre Lula era de 0,2 ponto e oscilou para cima, a 0,4 ponto. Com a crise do STF, as tendências de hoje, a exatos 15 dias da urna de 4 de outubro, são favoráveis a Flávio.
Aristóteles foi citado, digamos, platonicamente pelo maranhense Dino. Enquanto a ação deste para tentar acobertar Moraes foi oposta aos princípios mais concretos do sábio de Estagira. “Cuja cabeça sustenta ainda hoje o Ocidente”, no canto do baiano Caetano.