Casal Garotinho: Flávio favorito, reforma constitucional, Douglas Ruas e Wladimir

 

Com Hevertton Luna

 

Lula (PT) tem de 20% a 30% de chance de virar a eleição presidencial, que tem Flávio Bolsonaro (PL) como “franco favorito”. Mas mesmo que o petista consiga se reeleger, teria muita dificuldade de governar com o Congresso conservador eleito no último domingo (4). Se Flávio ganhar, uma reforma constitucional deve ser feita para colocar cada um dos três Poderes da República, sobretudo o Supremo Tribunal Federal (STF), “em sua caixinha”.

Em relação ao governador eleito do RJ, Douglas Ruas (PL), ele chegará ao cargo com pouco apoio popular, apesar de liquidar a fatura no 1º turno após os votos do ex-governador Anthony Garotinho (REP), que concorreu sub judice, serem considerados nulos pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Sob a sombra das casuarinas de Chapéu de Sol no início de tarde do último sábado (10), essas foram as observações do próprio Garotinho, ao lado da esposa e como ele ex-governadora e ex-prefeita de Campos Rosinha. Ambos também falaram sobre a relação do pai com o filho Wladimir, ex-prefeito de Campos eleito deputado federal. “O que eu mais aprendi a fazer na minha vida foi defender o meu marido”, disse Rosinha.

 

O ex-goverrnador Anthony Garotinho, o jornalista Aluysio Abreu Barbosa e a ex-governador Rosinha Garotinho sob a sombra das casuarinas de Chapéu de sol, no início de tarde do último sábado (Foto: Thiago Virgílio)

 

Folha da Manhã — Quais são, a seu ver, as chances de Flávio Bolsonaro e Lula na eleição do 2º turno do dia 25?

Anthony Garotinho — Flávio é franco favorito. Tem entre 70% e 80% de chance de ganhar, mas os debates serão decisivos. Os debates terão grande audiências e Lula tem uma experiência muito grande. É lógico que hoje é uma tendência clara do centro para direita. Isso favorece a candidatura de Flávio.

 

Folha — Os indecisos podem definir?

Garotinho — O número de indecisos foi muito alto no 1º turno. Talvez, no 2º turno, haja uma campanha específica para levar parte desses indecisos, especialmente, os jovens e possa fazer alguma diferença.

 

Folha — A maioria dos jovens votou em Flávio. Lula só ganhou na faixa etária de 60 anos ou mais.

Garotinho — É, mas esses jovens podem fazer uma diferença se tiver um movimento como está tendo nas universidades. Lula colocou jovens na sua campanha de suas redes sociais

 

Folha – A governador, como você avalia a eleição de que participou sub judice e definiu, com a nulidade dos seus votos no TSE, para Douglas Ruas ainda no 1º turno?

Garotinho – Houve uma interferência judicial que jamais tinha visto. Eles trabalharam como duas possibilidades: Douglas Ruas ou Eduardo Paes. Eu era um candidato totalmente antissistema. Leia-se por sistema um pedaço apodrecido do tecido do estado do Rio de Janeiro e de todas as instituições. Chamo de podres poderes do Rio que têm infiltração no Ministério Público, nas polícias, no poder judiciário e outros setores. Eles não admitiam possibilidade de eu ser governador porque fiz uma opção. Maquiavel diz que “o cidadão que tenta descumprir as regras do jogo, ele é ingênuo porque ele já perde antes de começar o jogo.” Eu não fui ingênuo. Eu sabia que estava descumprindo acordos que mantém esse sistema do Rio de Janeiro porque é impossível o número de deputados envolvidos com crime, como em outras situações do Rio de Janeiro. E as medidas que precisam ser tomadas não são tomadas. Vou dar um exemplo claro disso. É possível, como ocorreu um fato de 2005, ocorrido no governo Rosinha, que é o programa Saúde em Movimento, que foi usado para me deixar inelegível, ser usado da maneira como foi e um cidadão com (Márcio) Canella (União, ex-prefeito de Belford Roxo e eleito deputado estadual do RJ no domingo), onde o Ministério Público tem todas as denúncias, tem todas as provas, tem registro e eu não tenho. Você deu um registro para (Antonio) Rueda (presidente nacional do União e eleito deputado federal pelo RJ no domingo) com todas as denúncias públicas do envolvimento dele com Vorcaro, onde jantaram para comer bife de ouro. Ou seja, o sistema não me queria. Mas, eles achavam que eu estava inviabilizado por falta de tempo, por falta de recurso, nenhum apoio político. De 70 deputados estaduais, nenhum me apoiando. De 92 prefeitos, só tinha o prefeito de Campos (Frederico Paes, MDB), me apoiando. Dos deputados federais, dos 47, eu só tive o apoio de dois e, assim mesmo, firme mesmo só de um. Então, eles achavam inviável. Quando ocorre o debate da Globo, eu dou um salto de 9 para 19 no tracking interno (pesquisa não registrada) da campanha. O debate foi na terça (29), a pesquisa ficou pronta no final de quarta-feira (30) e a eleição era domingo (4). O que eles entenderam? Ele vai crescer no dia seguinte. Provavelmente, devo ter crescido. Então, na sexta-feira, o ministro (do TSE) Floriano (de Azevedo Marques Neto) volta na decisão que ele tinha dado.

 

Folha — Ex-colega de turma do ministro do STF Alexandre de Moraes na USP, Floriano teve lobby deste para chegar ao TSE.

Garotinho – Volta na decisão dele (Floriano). Eu passei o sábado (3) e a sexta-feira (2) tendo que explicar que eu era candidato porque de cinco em cinco minutos diziam que o voto não vai valer. Quando chega no domingo, quando eu estou estou votando, às 11h da manhã, no Catete, de uma forma que nunca vi, a fila batia palma para mim. Zona Sul do Rio de Janeiro, todo mundo queria tirar retrato comigo, especialmente os jovens, que não me conheciam, mas diziam: “Poxa, que pena queria tanto votar em você, mas não vou poder”. Quando recebo a notícia que o presidente do TSE (ministro Kassio) Nunes Marques, tinha dado uma decisão para (Deltan) Dallagnol (ex-procurador da Lava Jato que teve a candidatura indeferida por Floriano, depois deferida dor Nunes Marques e acabou eleito senador pelo Paraná), eu ligo para o meu advogado em Brasília e ele entra imediatamente com o mesmo pedido para o Nunes Marques. Nunes Marques só dá a decisão de que os votos seriam validados ou não às 5h da tarde. Já tinha acabado todo mundo de votar. Fechou a urna. As pessoas estavam achando que eu já estava inelegível. Não, meus votos foram considerados inválidos. Mas tenho certeza que isso tudo vai cair porque, quando entrar no mérito da questão através de um recurso que vamos discutir, não tem como sustentar aquela acusação. Eu não fui ordenador da despesa, eu não era secretário, não tem nada contra mim dentro do processo. Assim, apenas, o único ofício que há dentro do processo assinado por mim pedindo, por ordem da governadora, para o Dr. Gilson Cantarino não fazer quarteirização, mas, eles conseguiram desmembrar o processo, o depoimento de quem escreveu o ofício porque nem ofício foi escrito por mim, foi escrito pelo procurador Dr. Francesco Conti. Sou responsabilizado por um ofício que não assinei. Fui eu que assinei, mas não fui eu que redigi.

Rosinha — Mas isso era muito claro porque lá vem dizendo que não era para fazer a quarteirização de mão de obra nem com esta empresa e nem nenhuma outra que pudesse ferir a lei 8.666 na licitação. Estava escrito. Era uma defesa. Mesmo assim ignoraram a defesa.

Garotinho — Você tem muitas maneiras inviabilizar uma candidatura. Eles tentaram primeiro tirando meu vice. Eduardo (Paes, PSD) foi lá e comprou o DC. Depois me deixaram sem fundo partidário. Por cima, acertaram o Marcos Pereira (deputado federal reeleito pelo SP e presidente nacional do Republicanos) para não me dar recurso nenhum para a campanha. Eu tive menos recurso do que os candidato a deputado federal. O teto era R$ 3 milhões, eu recebi R$ 2,3 milhões como candidato a governador. Minha campanha se resumia a duas vans com 15 meninas que rodavam que rodavam o estado comigo.

 

Folha — O PL fez a maior bancada do Senado e da Câmara Federal. Rogério Marinho é tido como nome certo para presidente do Senado e do Congresso, enquanto Altineu Cortes é cotado a presidente da Câmara.  

Garotinho — A informação que eu tenho é que esses são os nomes prováveis. E têm cacife para isso.

 

Folha — Se Lula conseguir uma virada histórica e se eleger presidente, conseguirá governar com esse novo Congresso?

Garotinho — Não. Com esse atual, já tem dificuldade. Imagina com o próximo. Se o Flávio Bolsonaro, quiser, ganhando a eleição, dar um novo formato ao governo central e os poderes da República, a primeira coisa ele deve fazer é convocar uma nova Assembleia Constituinte para fazer uma nova constituição, porque a Constituição de 1988, a meu ver, ela foi tão desfigurada através das Emendas Constitucionais, as Pecs. Ela hoje é uma Constituição que se diz presidencialista, mas, na prática, é parlamentarista. Que se diz bicameral, Câmara e Senado, mas, na verdade, é tricameral porque quem decide tudo é o Supremo (Tribunal Federal). Ou os Poderes são colocados de novo dentro de suas caixinhas ou nós não vamos ter nunca harmonia entre os poderes.

 

Folha — Se Flávio for eleito presidente, Moraes continua ministro do Supremo?

Garotinho — Eu achei muito estranho aquele gesto do (ex-presidente) Michel Temer (MDB, que indicou Moraes como ministro do STF) em dar uma declaração que ele vai votar em Flávio Bolsonaro e todo mundo sabe a relação que Michel Temer tem com Alexandre de Moraes. Acho que vai ter um acordo para Moraes renunciar para não ser impichado.

 

Folha — Que governo espera de Flávio, se ele for eleito?

Garotinho — Eu acho que a necessidade de cumprir as promessas de campanha do PL que foi muito em cima dessa judicialização da política, vai levar um confronto institucional se não houver essa reforma (constitucional). Eu disse a dele (Flávio): “Devolva os Poderes que foram tirados da Câmara, do Senado e do próprio poder Executivo, porque hoje, na verdade, quem manda em tudo, decide em tudo, é o Supremo.”

 

Folha — O que o senhor espera do governador Douglas Ruas? Tenho informação que a interlocução política dele em Campos teria que ser com o senhor e não com Wladimir. Confirma isso? E como está hoje sua relação com seu filho Wladimir, eleito deputado federal?

Garotinho — Em relação a Douglas Ruas, precisa fazer a leitura correta do resultado da eleição. Ele teve apenas 33% dos votos totais do estado. Isso significa que 67% do estado votou nulo, branco, abstenção ou em outro candidato. Então, ele chega, historicamente, como o governante com o menor apoio popular. Ele teve 50% dos votos válidos, mas 3 milhões de pessoas não foram votar, 650 mil votaram em branco e quase 600 mil anularam o voto. Isso faz com que ele entenda que se ele quiser sobreviver e evitar uma crise, ele tem que ser totalmente diferente de Cláudio Castro (PL, ex-governador que renunciou na véspera de ser cassado pelo TSE), que tem um índice de desaprovação enorme.

 

Folha — E sua relação política com Wladimir?

Garotinho — Acho que temos visões políticas muito diferentes e comportamentos pessoais bastante diferentes. Então, é natural que ele siga a trajetória dele e eu a minha.

 

Folha — Mas seu filho está…

Garotinho — É meu filho!

 

Folha — Ele terá o seu apoio como deputado federal?

Garotinho — Para quê? Para fazer coisa certa, está certo. Para fazer coisa errada, não.

 

Folha — Ele terá seu apoio nos projetos que apresentar?

Garotinho — Vai depender dos projetos.

 

Folha — O projeto para classificar clima do Norte e Noroeste Fluminense em semiárido, por exemplo. Que facilitaria acesso a crédito a produtores rurais de 22 municípios das duas regiões.

Garotinho – Esse não é projeto dele. É um projeto que eu já tinha apresentado. Antes disso tudo, foi eu, lá trás, através do trabalho feito por Eduardo Crespo, que era secretário de Agricultura de Rosinha, quando eu era deputado federal. Em 2010, eu apresentei esse projeto.

 

Folha – Governadora, a última pergunta para a senhora. Como fica nessa relação política e familiar entre por vezes tensa entre o pai, seu marido, e seu filho Wladimir?

Rosinha — É difícil. A gente ter que dividir o coração entre marido e filho, mas eu não passo pano na cabeça.

 

Folha — Nem do pai e nem do filho?

Rosinha — Nem do pai e nem do filho. Mas o que eu aprendi, o que eu mais aprendi a fazer na minha vida foi defender o meu marido.

 

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A esquerda e o goleiro da Noruega: Flávio duplica ou triplica vantagem sobre Lula

 

O goleiro norueguês Nyland rindo por fazer Neymar perder tempo discutindo, aos 10 minutos da prorrogação do 2º tempo, no lugar de buscar o empate e tentar levar o jogo para a prorrogação (Foto: Mike Segar/Reuters)

 

Faltam exatos 15 dias para a urna do 2º turno presidencial. Se Flávio Bolsonaro (PL) saiu da urna do 1º turno no último domingo (4) com 1,87 ponto de vantagem sobre Lula nos votos válidos (47,03% a 45,16%), essa diferença encerra a seguinte em crescimento. Nas últimas pesquisas PoderData, Datafolha e AtlasIntel (confira aqui), a vantagem de Flávio sobre Lula hoje vai de 4 a 6 pontos. No mínimo mais que dobrou ou até triplicou em poucos dias.

O motivo foi antecipado no artigo de análise intitulado (confira aqui) “Lula demanda 4 pontos de gordura no 1º turno para bater Flávio”. Que foi publicado no blog Opiniões, hospedado no site Folha1, e na Folha da Manhã em 26 de setembro, oito dias antes da urna do 1º turno falar no domingo:

“Para Lula vencer o provável 2º turno contra Flávio Bolsonaro terá que passar no 1º turno não só à frente, mas com gordura. Para ser favorito, teria que levar o 1º turno por 5 pontos de vantagem nos votos válidos. Com 4 pontos, seria cara ou coroa. Por 3 pontos a menos de vantagem, o favorito ao turno final seria Flávio.

Se Flávio ficar à frente de Lula no 1º turno, por um voto que seja, o 2º turno poderá ser só para cumprir tabela. Fundamentalmente porque os demais candidatos a presidente que pontuam são Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo). E estão todos à direita, em espectro próximo a Flávio.”

Comparados os números da urna do 1º turno com os das três pesquisas presidenciais feitas depois dela, a projeção até aqui se cumpre. Flávio herdou a maior parte dos votos (confira aqui) não só de Cury, Caiado e Zema, que declararam apoio ao candidato de oposição numa frente ampla às avessas de 2022, mas também de Renan. Que, ainda na noite do dia 4, disse que não apoiaria ninguém e liberou seus eleitores ao 2º turno; mas projetou: “Flávio já ganhou essa eleição”.

A pesquisa PoderData divulgada na quinta (8) deu Flávio 53% a 47% Lula, 6 pontos atrás, de intenção de voto válido ao 2º turno. Na Datafolha também divulgada na quinta: Flávio 52% a 48% Lula, 4 pontos atrás. Na AtlasIntel divulgada na sexta (9): Flávio 52,8% a 47,2% Lula, 5,6 pontos atrás. Parece se repetir no Brasil efeito Chile, como também foi projetado naquele artigo de 26 de setembro:

“Mesmo que Lula fique à frente por 3 pontos a menos dos votos válidos no 1º turno, e mesmo que nunca um candidato a presidente do Brasil em 2º lugar no 1º turno tenha virado depois a eleição, Flávio poderia repetir aqui o efeito Chile. Onde o ultradireitista José Antonio Kast se elegeu presidente no 2º turno, em 2025, mesmo atrás da comunista Jeanette Jara no 1º turno.

No turno inicial do Chile, Jara liderou com 26,85% dos votos válidos, contra 23,92% de Kast, 2,93 pontos atrás. Ocorre que, na disputa do turno final, ele herdou a maioria dos votos dados a outros candidatos de direita: Franco Parisi (19,71%), Johannes Kaiser (13,94%) e Evelyn Matthei (12,46%).

Diferente do Chile, nenhum presidenciável da 3ª via no Brasil tem dois dígitos nas pesquisas. Por isso Flávio não chegará perto dos 16,32 pontos de vantagem (58,16% a 41,84%) com que Kast varreu Jara no 2º turno. A nascente aqui seria bem menor, mas a direção da afluência seria a mesma. Só uma vantagem mínima de 4 pontos de Lula no 1º turno poderia barrá-la.”

Como se sabe, a vantagem no 1º turno foi de Flávio. E foi a sua gordura que aumentou nestes primeiros seis dias de campanha ao 2º turno. Nos quais a ex-senadora e coordenadora de Lula no Tocantins teve a coragem de dizer publicamente o óbvio, na terça (6), sobre a campanha de reeleição: “Mais Alckmin e menos Janja”. E foi aplaudida de pé, por quem pensa e desejaria dizer o mesmo, na reunião de cúpula do PT para debater o resultado do 1º turno.

Qual foi a reação de Janja? Respondeu na quarta (7), em nota, a assessoria da primeira-dama: “Independente do que falem, Janja seguirá na campanha”, dizendo ainda que a participação dela é “legítima e sempre respaldada pelo presidente Lula”. Ao que Katia Abreu indagou em tréplica na quinta (8): “Qual é a prioridade: aparecer ou eleger o marido?”

A atitude deslumbrada de Janja, não é de hoje, tem a mesma arrogância de parte dos eleitores de Lula que, noves fora o gênero, delirava com a vitória no ainda 1º turno do domingo. Do qual saíram, com a dor de corno da “traição” da realidade latejando na testa, em pregação lacrimogênea de demofobia (confira aqui e nos comentários aqui do Instagram) contra quem dizem defender: “O povo não sabe votar”.

Janja e a porção dos eleitores de Lula que ela tão bem representa lembram, na arrogância e narcisismo, o bolsonarista Neymar. Que, aos 10 minutos dos descontos do 2º tempo, após converter um pênalti no jogo que o Brasil era derrotado por 2 a 1, dando adeus à última Copa do Mundo nas oitavas de final, perdeu tempo… discutindo com o goleiro norueguês Nyland.

A diferença é que Neymar, como Lula, um dia já bateu um bolão. Depois de enfrentar em eleições presidenciais jogadores como Leonel Brizola, Ulysses Guimarães, Mário Covas, Fernando Henrique Cardoso, José Serra, Ciro Gomes, Geraldo Alckmin e Jair Bolsonaro, o maior líder popular do Brasil desde Getúlio Vargas agora corre o risco real de perder, além do Congresso, a reeleição. Muito mais do que Flávio, adversário que o PT desejou, pode ganhar.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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PoderData, Datafolha e Atlas: Flávio aumenta vantagem sobre Lula ao 2º turno

 

(Arte: Joseli Matias)

 

Flávio aumenta vantagem sobre Lula ao 2º turno

Após o 1º turno de domingo (4), Flávio Bolsonaro (PL) aumentou sua vantagem na corrida presidencial contra Lula (PT) nas três primeiras pesquisas do 2º turno, daqui a 15 dias. Na PoderData (confira aqui e aqui): Flávio 53% a 47% Lula de intenção de voto válido, sem brancos e nulos. Na Datafolha: Flávio 52% a 48% Lula. Na AtlasIntel: Flávio 52,8% a 47,2% Lula.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Vantagem de Flávio é de 4 a 6 pontos

A vantagem de Flávio sobre Lula, hoje, varia de 4 a 6 pontos. Só a Datafolha deu um empate técnico no limite da margem de erro de 2 pontos para mais ou menos da pesquisa. A PoderData, primeira das três a ser divulgada, deu a maior diferença: 6 pontos. Que ficou mais próxima dos 5,6 pontos de Flávio sobre Lula na AtlasIntel.

 

Flávio cresce mais que Lula

O fato é que, do Flávio 47,03% a 45,16% Lula dos votos válidos no 1º turno, a vantagem do líder na urna cresceu nas intenções de voto válido ao 2º turno nas três pesquisas. Na PoderData, Flávio cresceu 5,97 pontos a 1,84 de Lula. Na Datafolha, Flávio cresceu 4,97 pontos a 2,84 de Lula. Na AtlasIntel, Flávio cresceu 5,77 pontos a 2,04 de Lula.

 

Rejeição: Lula 46% a 43% Flávio   

A rejeição, que fixa o teto de crescimento dos dois candidatos que passam ao 2º turno, foi medida em duas pesquisas. E Lula liderou numericamente o índice negativo nas duas, em empate técnico com Flávio. Na PoderData e na Datafolha, Lula teve os mesmos 46% de rejeição contra os mesmos 43% de Flávio. A Atlas não colheu rejeição.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Desaprovação maior que aprovação

Na aprovação de governo, fundamental a qualquer incumbente que tenta a reeleição, o Lula 3 teve desaprovação numericamente maior nas três pesquisas. Na PoderData 50% dos brasileiros desaprovam e 44% aprovam. Na Datafolha, 49% desaprovam e 48% aprovam. Na AtlasIntel, 53,4% desaprovam e 44,7% aprovam.

 

Desaprovação além da margem de erro

A PoderData teve margem de erro de 1,8 ponto para mais ou menos, que na AtlasIntel foi de 1 ponto. Em ambas a desaprovação ao Lula 3 é maior que a aprovação para além da margem de erro. Que na Datafolha foi de 2 pontos, na única pesquisa que registrou empate técnico entre desaprovação e aprovação ao atual Governo Federal.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Dados das pesquisas

A nova PoderData entrevistou 3.000 eleitores de 5 a 7 de outubro, com o registro BR-08134/2026 no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A nova Datafolha entrevistou 2.520 eleitores de 6 a 7 de outubro, com registro BR-0949/2026 no TSE. A nova AtlasIntel entrevistou 5.026 eleitores de 3 a 8 de outubro, com registro BR-03663/2026 no TSE.

 

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Quase formada, nova mesa diretora da Câmara de Campos deve ser votada na 4ª

 

Vereadores Silvinho Martins, Fred Rangel e Wainer Teixeira; Nildo Cardoso, Dudu Azevedo e Anderson de Matos (Montagem: Joseli Matias)

 

Como o blog Opiniões e o Folha1 adiantaram desde agosto (confira aqui e aqui), Silvinho Martins (MDB) será o presidente da Câmara Municipal de Campos no 2º biênio. Atual presidente, Fred Rangel (PP) será o 1º vice-presidente, invertendo com Silvinho a ordem atual da mesa diretora. A expectativa é que a eleição seja na próxima quarta-feira, dia 14.

Na composição da chapa, o nome de Nildo Cardoso (PL) estaria fechado como 2º vice-presidente. Wainer Teixeira (PP) estaria quase certo como 1º secretário, mas o martelo só será batido em reuniões com os três vereadores da bancada do PDT — Leon Gomes, Cabo Alonsimar e Diego Dias — neste final de semana.

Para completar a chapa da nova mesa, a 2ª secretaria estaria entre os vereadores do Republicanos: Anderson de Mattos e Dudu Azevedo. Hoje, o primeiro teria vantagem para ocupar a vaga.

Do grupo político do governo Frederico Paes (MDB), o ex-prefeito e deputado federal eleito Wladimir Garotinho preferia que Fred Rangel continuasse como presidente, mas não deve bater chapa. Já o ex-governador Anthony Garotinho (REP) acha que cabe ao atual prefeito fazer a nova mesa diretora da Câmara de Campos.

 

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Lula não teria de onde tirar votos para virar 2º turno contra Flávio

 

(Montagem: Joseli Matias)

 

A 17 dias da urna, Lula (PT) não teria de onde tirar votos para virar no 2º turno do dia 25 contra Flávio Bolsonaro (PL). Não só entre os eleitores que votaram em outros candidatos no 1º turno, mas também entre os que se abstiveram, a migração seria maior a Flávio.

Votos de Cury, Renan e Caiado mais a Flávio que a Lula — Foi o que revelou a pesquisa PoderData (confira aqui) divulgada hoje (8), primeira do 2º turno. Dos eleitores de Augusto Cury (Avante) no 1º turno, 56% iriam para Flávio e 27% para Lula. Dos eleitores de Renan Santos (Missão), 48% iriam para Flávio e 25% para Lula. Dos eleitores de Ronaldo Caiado (PSD), 57% iriam para Flávio e 19% para Lula.

Votos de Zema mais a Flávio que a Lula — Para fechar a migração dos principais candidatos da 3ª via, entre os eleitores de Romeu Zema (Novo) no 1º turno, 72% iriam para Flávio e 10% para Lula no 2º turno. De Cury a Zema, todos esses ex-candidatos são de direita. Essa migração maior a Flávio do que a Lula, medida pelo PoderData, já era esperada (confira aqui).

Abstenção seria a chance de Lula — As urnas do último domingo (4) tiveram 21,6% de abstenção. São 33,4 milhões de eleitores que não foram votar, bem mais que os 2,2 milhões (1,8 ponto) da vantagem de Flávio sobre Lula no 1º turno. Estimular essas pessoas a votar no 2º turno seria, em tese, a chance matemática do PT para tentar virar a eleição presidencial.

Flávio 42% a 34% Lula entre quem se absteve — Na pesquisa PoderData, entre esses 33,4 milhões de eleitores que se abstiveram no 1º turno, 42% deles migrariam a Flávio se fossem votar no 2º turno, contra 34% de Lula.  Na migração de quem votou em outros candidatos e de quem não foi votar no 1º turno, hoje a tendência é de Flávio ampliar sua vantagem sobre Lula no 2º turno.

Migração maior a Lula só dos nanicos — Lula só teria migração maior entre os outros seis candidatos votados a presidente no 1º turno. Destes, o petista receberia no 2º turno 39% contra 19% de Flávio. Mas Samara (UP), Hertz Dias (PSTU), Clariana Barão (DC), Edmilson Costa (PCB), Wilson Grassi (DEM) e Rui Costa Pimenta (PCO) tiveram, somados, só 0,21 ponto dos votos válidos.

 

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Deputado reeleito, Bruno Dauaire no Folha no Ar desta 6ª

 

(Arte: Joseli Matias)

 

Advogado e deputado estadual de Campos e São João da Barra reeleito ao seu 4º mandato consecutivo, Bruno Dauaire (União) é o convidado para fechar a semana do Folha no Ar nesta sexta (9), a partir das 7h10 da manhã, na Folha FM 98,3.

Ele analisará a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de hoje (8), que tornou os votos de Anthony Garotinho (REP) nulos e tornou (confira aqui)  Douglas Ruas (PL), o novo governador eleito desde o 1º turno. Na recontagem sem os votos de Garotinho, Ruas passa a ter 50,9% dos votos válidos contra 44,2% de Eduardo Paes (PSD).

Bruno também analisará a votação de domingo (4) à Alerj, à Câmara dos Deputados e ao Senado Federal (confira aqui), com suas possíveis consequências ao Supremo Tribunal Federal (STF) prometidas na campanha.

Por fim, o parlamentar falará da eleição do 1º turno a presidente da República e da sua disputa (confira aqui, aqui e aqui) entre Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) ao 2º turno do dia 25, daqui a 17 dias.

Quem quiser participar do Folha no Ar desta sexta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook e no YouTube.

 

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Flávio 53% a 47% Lula na primeira pesquisa do 2º turno

 

(Arte: Joseli Matias)

 

Flávio Bolsonaro (PL) 53% a 47% Lula (PT), 6 pontos atrás, nos votos válidos. Se a urna do dia 25 fosse hoje, este seria o resultado pela pesquisa do instituto PoderData divulgada hoje (8). Foi a primeira após a conclusão do 1º turno no último domingo (4), em que Flávio teve 47,03% dos votos válidos contra os 45,16% de Lula, 1,8 ponto atrás.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Rejeição: Lula lidera em empate técnico com Flávio — A diferença de 1,8 ponto na urna do 1º turno saltou para 6 pontos na primeira pesquisa ao 2º turno. Na rejeição, índice que fixa o teto de crescimento dos dois candidatos que passam ao 2º turno, Lula lidera numericamente: 46% de eleitores que não votariam nele de jeito nenhum. Ficou em empate técnico com os 43% que rejeitam Flávio.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Lula 3: 50% desprovam, 44% aprovam — Na aprovação de governo, fundamental a qualquer incumbente que tenta a reeleição, o Lula 3 é hoje desaprovado por 50% dos brasileiros. São 6 pontos a mais, fora do limite da margem de erro de 1,8 ponto para mais ou menos da pesquisa, do que os 44% que aprovam.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Dados da pesquisa — A nova pesquisa presidencial PoderData entrevistou 3.000 eleitores de 705 municípios das 27 unidades da Federação, entre os dias 5 e 7 de outubro. E teve o registro BR-08134/2026 no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

 

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Com Gustavo Matheus, Alan Mansur faz 1.984 votos em Campos à Alerj

 

Secretário de Comunicação Gustavo Matehus e o vereador de Macaé Alan Mansur, para quem coordenou a campanha em Campos à Alerj (Foto: Divulgação)

 

A campanha do presidente da Câmara Municipal de Macaé, Alan Mansur, para deputado estadual alcançou resultado expressivo em Campos dos Goytacazes. O candidato recebeu 1.984 votos no município, que terminou a eleição como a segunda cidade onde Mansur obteve o maior número de votos.

Em Campos, a coordenação da campanha ficou sob responsabilidade de Gustavo Matheus, secretário municipal de Comunicação. A votação alcançada ganha relevância especialmente pelo fato de Mansur ter sua principal base política em Macaé, onde exerce mandato e preside o Legislativo municipal.

A estratégia em Campos buscou ampliar a presença do candidato para além de seu território de origem, construindo apoios e articulando lideranças locais. O desempenho nas urnas indica que a campanha conseguiu estabelecer uma base eleitoral relevante no município.

Com quase 2.000 votos, Campos consolidou-se como o principal reduto eleitoral de Alan Mansur fora de sua base política, considerando que foi o segundo município em número absoluto de votos recebidos pelo candidato. Gustavo já havia feito votação expressiva para o ex-deputado André Lazaroni em Campos na eleição de 2022, quando ainda era superintendente de relações institucionais. Foram 1.566 votos na ocasião.

O resultado também coloca em evidência o trabalho de articulação conduzido pelo secretário de Comunicação. À frente da coordenação local, Gustavo participou da organização da campanha e da construção da presença política de Mansur no município:

— Desenvolvemos um trabalho bem estruturado e em grupo. Acompanhei de perto a dedicação de cada um e a nossa sensação é de dever cumprido. Meu sincero agradecimento a cada um pelo empenho na campanha do Alan em Campos. Seguimos juntos nesta jornada, que está apenas começando — disse Gustavo Matheus.

A votação obtida em Campos reforça ainda a aproximação política entre lideranças de duas das principais cidades do Norte Fluminense.

 

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Eleições e julgamento do RJ no TSE no Folha no Ar desta 5ª

 

(Arte: Joseli Matias)

 

Advogado, professor do Uniflu e ex-presidente da OAB-Campos, Andral Tavares Filho é o convidado do Folha no Ar desta quinta (8), a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3.

Ele analisará juridicamente a eleição a governador do RJ no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Que seria definida ainda no 1º turno (confira aqui) com a vitória de Douglas Ruas (PL) sobre Eduardo Paes (PSD) se os votos dados à candidatura sub judice de Anthony Garotinho não foram validados, com julgamento na pauta do TSE (confira aqui) para a mesma quinta.

Andral também fará sua análise sobre a votação de domingo (4) à Alerj, à Câmara dos Deputados e ao Senado Federal (confira aqui), com suas possíveis consequências ao Supremo Tribunal Federal (STF) prometidas na campanha.

Por fim, ele falará da eleição do 1º turno a presidente da República e da sua disputa (confira aqui) entre Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) ao 2º turno do dia 25.

Quem quiser participar do Folha no Ar desta quinta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook e no YouTube.

 

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Demofobia do eleitor de Lula elegeu Congresso bolsonarista

 

Chamado de “pobre de direita” pelo eleitor de Lula, o motoboy de Campos e do Brasil deu o troco na urna (Foto: Aluysio Abreu Barbosa)

 

Demofobia de esquerda

Demofobia. Em grego: medo do povo. Na ciência política, refere-se à desconfiança do poder do povo e da democracia direta. Essa foi a reação de grande parte dos eleitores de Lula, desde a noite de domingo (4), quando a apuração eleitoral, já com pouco mais 60% dos votos, deu certeza de que Flávio ficaria à frente de Lula no 1º turno.

 

A causa

A explicação de boa parte da esquerda que diz defender o povo? “O povo não sabe votar”. Nos últimos quatro anos, os bolsonaristas de baixa renda foram chamados de “pobres de direita”, os pequenos empreendedores de “CEOs de MEI”, os evangélicos de “cristofascistas”, as mulheres de “pessoas que gestam” e os homens de “misóginos”.

 

O efeito

O troco veio na urna e agora querem reclamar? Como pretendem virar votos de Flávio a Lula nos próximos 18 dias até o 2º turno? Por favor, companheiro nazifascista, pode dar um voto de confiança ao PT? Contra as elites no discurso, Lula foi na resposta real o mais votado em bairros da elite carioca: Leblon, Ipanema, Copacabana e Lagoa.

 

STF vira voto ao Senado

Houve ainda a esquerda que quis morrer abraçada ao seu “herói da democracia”, o ministro do STF Alexandre de Moraes. Porque ele foi vítima e algoz de Jair. Enquanto o bolsonarismo transformou a reprovação popular ao STF em objeto do voto antes difuso ao Senado. E elegeu 19 dos 54 novos senadores. Agora tem 28, maior bancada da Casa.

 

PL é maioria no Congresso

O PL deve eleger o próximo presidente do Senado e do Congresso, provavelmente Rogério Marinho, coordenador da campanha de Flávio. Sem contar os 121 deputados federais que o PL elegeu, maior bancada também da Câmara. Em outras palavras, mesmo que Lula consiga uma virada histórica e hoje (confira aqui) improvável, não governará.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Por que Flávio Bolsonaro é favorito? Qual a chance de Lula?

 

Flávio Bolsonaro e Lula (Montagem: Joseli Matias)

 

Flávio é favorito contra Lula

Flávio Bolsonaro é favorito para se eleger presidente no 2º turno de 25 de outubro. Se ficasse até 4 pontos dos votos válidos atrás de Lula no 1º turno do último domingo (4), ainda assim teria (confira aqui) chances reais de vencer. Só que o filho 01 do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) teve 1,87 ponto a mais: 47,03% a 45,16% de Lula nos votos válidos.

 

A migração de Flávio

Os demais candidatos votados impediram a conclusão em turno único. Abaixo de Flávio e Lula, os principais são de direita. Nos votos válidos: 2,89% de Augusto Cury (Avante) 2,24% de Renan Santos (Missão), 2,18% de Ronaldo Caiado (PSD) e 0,27% de Romeu Zema (Novo). Em maior ou menor proporção, todos tendem a migrar mais a Flávio.

 

A migração de Lula

Abaixo dos sete primeiros, os candidatos de esquerda votados a presidente foram Samara (UP), com 0,10% dos votos válidos; Hertz Dias (PSTU), com 0,04%; Edmilson Costa (PCB), com 0,02%; e Rui Costa Pimenta (PCO), com 0,01%. Estes, tendem a migrar mais para Lula, mas é uma fonte muito menor para quem já sairá atrás.

 

Chance de Lula é abstenção

Matematicamente, a chance de Lula é diminuir a abstenção. Que sempre afeta mais em faixas do seu eleitor majoritário, acima dos 60 anos e de renda até 1 salário mínimo, com maior dificuldade de locomoção. A abstenção de domingo foi de 21,6%, ou 33,4 milhões de eleitores, bem mais que os 2,2 milhões da vantagem de Flávio.

 

Tendência é Flávio

O desafio de Lula é ingrato. Como 21 estados já elegeram governador no 1º turno, contando o RJ com Douglas Ruas (PL), a mobilização do eleitor tende a ser menor no 2º turno. A 18 dias do voto final, a tendência é de confirmação à Presidência da República da esmagadora vitória do bolsonarismo na eleição ao Congresso Nacional.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Plano de Paes deve eleger Ruas governador já no 1º turno

 

Douglas Ruas, Eduardo Paes e Anthony Garotinho (Montagem: Joseli Matias)

 

Ruas governador no plano de Paes

Presidente da Alerj, Douglas Ruas (PL) deve ser o governador do RJ eleito já no 1º turno, à espera da recontagem do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). E o que é mais irônico, por conta de um plano para tentar garantir a eleição de Eduardo Paes (PSD) no 1º turno. E, com isso, facilitar a campanha de Lula (PT) no 2º turno presidencial.

 

Votação surpreendente de Ruas

Ruas deve ser governador porque, com votação ainda mais surpreendente que a de Flávio Bolsonaro (PL), liderou o 1º turno no domingo (4) do RJ: 49,27% dos votos válidos, contra 42,76% de Paes. E porque Anthony Garotinho (REP), que concorreu sub judice, desistiu do recurso para que seus 3,17% de votos fossem validados no TSE.

 

Sem Garotinho, Ruas tem 50,9% dos votos

Ontem (6), o Ministério Público Eleitoral deu parecer favorável à desistência de Garotinho. Enquanto se espera a formalização da decisão do TSE, a matemática é mais clara: com os 3,17% dos votos de Garotinho invalidados, Ruas teria 50,9% dos votos válidos já no 1º turno, contra 44,2% de Paes.

 

Urnas invertem pesquisas

Até a urna de domingo, Paes era o principal interessado em anular os votos de Garotinho. Líder em todas as pesquisas, que erraram muito no pleito a governador, Paes contava em ficar à frente no domingo. E, sem os votos de Garotinho, ficaria mais próximo de fechar a fatura no 1º turno. Só que quem venceu este na urna foi Ruas.

 

STF impediu Ruas de concorrer no cargo

Pelos artigos 80 da Constituição Federal e 141 da Estadual, como presidente eleito da Alerj, Ruas deveria ter concorrido a governador no cargo. O que teria facilitado sua vitória. Mas o presidente do Tribunal de Justiça do RJ, desembargador Ricardo Couto, foi mantido como governador até o pleito pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

 

Os “russos” do RJ eram bolsonaristas

Tudo caminhou para favorecer a Paes. Que, se eleito governador já no 1º turno, ficaria livre para dar palanque no RJ a Lula no 2º turno. Só esqueceram da ressalva do gênio do futebol Mané Garrincha ao técnico Vicente Feola na Copa do Mundo de 1958: “O senhor combinou com os russos?” Os “russos” na urna do RJ de 2026 eram bolsonaristas.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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