Na Datafolha, Lula também não vira vantagem de Flávio

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

As manifestações de apoio a Lula (PT) em mais de 70 cidades do Brasil no domingo (11) não viraram a vantagem de 1,87 ponto dos votos válidos que Flávio Bolsonaro (PL) teve na urna do 1º turno. É o que mostram todas as pesquisas da semana ao 2º turno. Hoje (15), foi a Datafolha: Flávio 51% a 49% Lula, 2 pontos atrás na intenção de voto válido.

Flávio lidera em empate técnico com Lula em cinco pesquisas — Apesar do empate técnico com Flávio na margem de erro de 2 pontos para mais ou menos na Datafolha, que se repetiu em cinco das seis pesquisas da semana, Lula não conseguiu diminuir a desvantagem em nenhuma. Nem depois de o Senado aprovar na noite de ontem (14) o fim da escala de trabalho 6 por 1.

Vantagens próximas, de 2 a 4 pontos, de Flávio sobre Lula — Hoje, a vantagem de 2 pontos de Flávio sobre Lula na intenção de voto válido na Datafolha é muito próxima aos 2,23 pontos de ontem na Quaest (Flávio 51,11% a 48,88% Lula). Como, na terça (13), aos 2 pontos na PoderData (Flávio 51% a 49% Lula), aos 3,6 pontos na Futura (51,8% a 48,2% Lula) e aos 4 pontos da Nexus (Flávio 52% a 48% Lula).

Só a Gerp deu liderança a Flávio fora da margem de erro — Das pesquisas feitas nesta semana após as manifestações lulistas do último domingo, só a Gerp deu vantagem a Flávio fora do limite da sua margem de erro na intenção de voto válido. Também divulgada na terça, a pesquisa Gerp deu Flávio 55% a 45% Lula, 10 pontos atrás.

Dados da Datafolha — A Datafolha ouviu 2.520 eleitores anos de 13 e 15 de outubro. Com margem de erro de 2 pontos para mais ou menos, teve o registro BR-00466/2026 no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Dados da Quaest e PoderData — A Quaest divulgada ontem ouviu 2.154 eleitores de 10 e 13 de outubro. Com margem de erro de 2 pontos para mais ou menos, teve o registro BR-08729/2026 no TSE. Divulgada na terça, a PoderData ouviu 3.000 eleitores de 10 a 12 de outubro. Com margem de erro de 1,8 ponto para mais ou menos, teve o registro BR-01209/2026 no TSE.

Dados da Futura e Nexus — Também divulgada na terça, a Futura ouviu 2.000 eleitores de 7 a 10 de outubro. Com margem de erro de 2,2 pontos para mais ou menos, teve o registro BR-00650/2026 no TSE. A Nexus ouviu 2.002 eleitores de 10 e 12 de outubro. Com margem de erro de 2 pontos para mais ou menos, teve o registro BR-07997/2026 no TSE.

Dados da Gerp — Por fim, também divulgada na terça, a Gerp ouviu 2.400 eleitores de 8 a 12 de outubro. Com margem de erro de 2 pontos para mais ou menos, teve registro BR-07877/2026 no TSE.

 

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Prefeito Frederico Paes fecha a semana do Folha no Ar nesta 6ª

 

(Arte: Joseli Matias)

 

Prefeito de Campos, engenheiro agrônomo e industrial do açúcar e do álcool, Frederico Paes (MDB) é o convidado para fechar a semana do Folha no Ar nesta sexta (16), ao vivo, a partir das 7h10 da manhã, na Folha FM 98,3.

Ele falará da eleição da nova mesa diretora da Câmara Municipal de Campos (confira aqui e aqui), no que foi considerada uma vitória política do prefeito com a eleição do vereador Silvinho Martins (MDB) como novo presidente da Casa, sendo também o presidente municipal do partido de ambos.

Frederico também analisará o resultado das eleições de 4 de outubro a governador e senadores do RJ, bem como a de deputados federal e estadual de Campos e região.

Por fim, com base no resultado do 1º turno e nas pesquisas mais recentes (confira aqui, aqui e aqui), o prefeito também tentará projetar as eleições a presidente da República no 2º turno do dia 25, daqui a exatos 10 dias, entre Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT).

Quem quiser participar do Folha no Ar desta sexta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook e no YouTube.

 

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Bruno Soller — Aritmética do 2º turno segue desfavorável a Lula

 

Flávio Bolsonaro e Lula (Montagem: Joseli Matias)

 

Bruno Soller, cientista político e CEO do instituto de pesquisa Real Time Big Data

A aritmética do segundo turno da eleição presidencial segue desfavorável a Lula

Por Bruno Soller

 

A principal novidade das pesquisas é a ausência de novidade. A Quaest mostra Flávio Bolsonaro com 46% e Lula com 44% (nos votos válidos: Flávio 51,11% a 48,88% Lula). Na última simulação antes do primeiro turno, eram 44% e 42%, respectivamente. Os dois cresceram na mesma proporção e a distância permaneceu exatamente igual.

Há empate técnico, mas não há, nessa comparação, sinal de aproximação do presidente. Confundir crescimento de intenção de voto com redução de desvantagem é um equívoco básico de leitura eleitoral.

O cenário mantém sua estrutura. Flávio saiu do primeiro turno com uma vantagem de aproximadamente 2,225 milhões de votos. Lula precisa superar essa diferença em uma disputa na qual os eleitores das candidaturas eliminadas também estão fazendo suas escolhas. E é justamente nesse movimento que a Quaest traz um dado desfavorável ao governismo.

Entre os eleitores de Ronaldo Caiado, Flávio recebe 42%, contra 23% de Lula. Entre os de Renan Santos, são 40% para o candidato do PL e 14% para o petista. Lula aparece numericamente à frente entre os eleitores de Augusto Cury, mas por uma distância muito menor: 34% a 30%. A vantagem do presidente nesse último grupo não compensa o saldo que a oposição obtém nos outros dois.

Aplicados aos votos que esses três candidatos receberam no primeiro turno, os percentuais produzem um saldo adicional de aproximadamente 1,05 milhão de votos para Flávio.

Trata-se de uma simulação com intenções declaradas em grupos pequenos da amostra, sujeita a incerteza maior. Ainda assim, sua direção política é clara: mantidas essas proporções e preservadas as bases dos dois finalistas, a distância ultrapassaria 3,2 milhões de votos. O desafio de Lula aumentaria.

É por isso que a discussão sobre a abstenção ganhou tanta importância. A campanha governista precisa encontrar votos em quantidade suficiente para compensar tanto a desvantagem inicial quanto o saldo de migração favorável ao adversário. A Quaest identifica, entre os que se abstiveram, votaram em branco ou anularam no primeiro turno, 43% de preferência por Lula e 38% por Flávio.

Há duas informações essenciais nessa leitura. O recorte reúne comportamentos diferentes: quem compareceu e anulou não enfrenta necessariamente a mesma dificuldade de mobilização de quem ficou em casa. Além disso, os dois candidatos somam 81% das respostas desse grupo. Transformar toda essa preferência declarada em voto efetivo pressupõe uma conversão muito elevada.

Responder a uma pesquisa exige muito menos disposição do que sair de casa para votar. Um eleitor pode preferir Lula a Flávio, ou Flávio a Lula, e continuar sem motivação para comparecer. A preferência existe; sua transformação em voto depende de mobilização.

O histórico brasileiro recomenda prudência. Desde a redemocratização, somente em 2022 a abstenção presidencial caiu do primeiro para o segundo turno. Mesmo naquela eleição excepcionalmente mobilizada, a redução foi de apenas 0,36 ponto percentual: de 20,95% para 20,59%, um aumento líquido de aproximadamente 570 mil votantes.

Esse saldo não significa que apenas 570 mil ausentes retornaram: houve pessoas que passaram a votar e outras que deixaram de comparecer. Mas mostra a dificuldade de produzir uma expansão líquida expressiva da participação. Uma preferência declarada por milhões de ausentes não pode ser tratada automaticamente como milhões de votos novos.

Mais preocupante para o governo é o tamanho da vantagem de Lula nesse público: cinco pontos. A eventual recuperação de eleitores também beneficia Flávio. A cada cem pessoas desse grupo, as respostas indicam 43 votos para o presidente e 38 para o adversário. O ganho líquido petista seria de cinco votos, caso todas essas intenções se concretizassem. Para enfrentar uma diferença de milhões, uma vantagem dessa dimensão exige uma mobilização enorme.

A pesquisa mantém a disputa aberta, mas oferece pouco fundamento para uma narrativa de virada. A distância na série da Quaest permaneceu igual, a migração dos principais candidatos eliminados favorece a oposição e a vantagem de Lula entre ausentes, brancos e nulos é estreita diante da tarefa que precisa cumprir.

Flávio começa essa etapa à frente e encontra, nas transferências declaradas, espaço para ampliar seu saldo. Lula precisa combinar preservação da própria base, conquista de adversários e mobilização de quem não deu voto válido no primeiro turno.

É possível. Mas os números apresentados até aqui mostram que essa virada continua sendo uma necessidade da campanha governista, ainda sem demonstração nas pesquisas.

 

Publicado originalmente aqui.

 

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George Coutinho — Eleição de favoritismos moderados e divisão moral

 

Anthony Garotinho, Flávio Bolsonaro e Lula (Montagem: Joseli Matias)

 

George Gomes Coutinho, cientista político, sociólogo e professor da UFF-Campos

2026: uma eleição presidencial de favoritismos moderados e divisão moral

Por George Gomes Coutinho

 

Em entrevista concedida ao jornal Folha da Manhã (confira aqui) após o primeiro turno das eleições de 2026, Anthony Garotinho foi enfático: “Flávio é franco favorito”, referindo-se ao segundo turno da disputa presidencial. Escolho essa declaração de um dos mais relevantes players da história política fluminense como ponto de partida para minha interpretação das eleições presidenciais de 2026.

Confesso, porém, minha perplexidade diante do juízo de Garotinho. No meu nicho, essa percepção não circulou em nenhum momento, nem antes nem depois do primeiro turno. No máximo, falávamos em “favoritismo moderado” em um Brasil moralmente dividido. Explico.

A liderança persistente de Lula em muitas das pesquisas de intenção de voto para o primeiro turno de 2026 pode ser explicada, ao menos em parte, pelo contraste que segmentos do eleitorado estabeleceram entre os resultados concretos do governo Bolsonaro e os do terceiro mandato de Lula. Soma-se a isso a memória da pandemia.

As performances públicas de Jair Bolsonaro, que incluíram imitar pessoas em crise respiratória, banalizar a mortandade e demonstrar ausência de empatia diante do sofrimento humano, estão entre as que podemos adjetivar como repugnantes do ponto de vista moral. Repugnantes, ao menos, na ótica deste que vos escreve e de parte do eleitorado.

Para outra parcela, talvez não passassem de brincadeiras, manifestações de uma personalidade autêntica ou excentricidades. Aprendizados morais distintos explicam essa diferença. De todo modo, tanto os resultados do governo Bolsonaro quanto a atuação do então presidente durante a pandemia constituem heranças políticas que Flávio Bolsonaro, representante do bolsonarismo na disputa de 2026, não pode simplesmente deixar para trás.

Além disso, o presidente Lula se manteve competitivo nas simulações de segundo turno, nas quais figurou em primeiro lugar em diversas sondagens. Nessas simulações, contudo, não foi infrequente que a liderança se alternasse entre Lula e outros representantes do bolsonarismo, fossem eles Tarcísio de Freitas ou Flávio Bolsonaro. Nas pesquisas de segundo turno, portanto, houve maior instabilidade. Lula jamais foi franco favorito e, cabe dizer, Flávio tampouco o é agora. A disputa segue aguerrida, e ela tem raízes profundas.

Permanece válido, consequentemente, o juízo de que não havia espaço para falar em “franco favoritismo”. Alguns classificavam as eleições brasileiras de 2026 como uma “eleição peruana”, em referência a disputas decididas por margens mínimas.

Concretamente, na eleição presidencial brasileira de 2026, a diferença entre Flávio Bolsonaro e Lula no primeiro turno foi de 2,22 milhões de votos, ou 1,87 ponto percentual dos votos válidos. Foi amplamente noticiado que essa foi a menor distância entre os dois primeiros colocados em um primeiro turno de eleição presidencial desde a redemocratização.

Comparando o resultado do segundo turno de 2022 com o primeiro turno deste 2026, há uma espantosa semelhança. Em 2022, a vantagem de Lula, o vencedor, sobre Jair Bolsonaro foi de 2,14 milhões de votos, ou 1,80 ponto percentual dos votos válidos. Concordo com o cientista político Jairo Nicolau: o primeiro turno das eleições presidenciais de 2026 foi como um terceiro turno de 2022. Só que agora o bolsonarismo ficou em primeiro.

Além dos dados já apresentados, é importante notar que esta é a terceira eleição em que o bolsonarismo se apresenta como força política capaz de organizar a disputa nacional, tendo o petismo como sua nêmese, sua antítese. Se em 2018 havia o elemento surpresa e aquilo que ficou conhecido como “voto antissistema”, agora já não podemos dizer o mesmo.

O PL (Partido Liberal), que se apresenta como abrigo oficial do bolsonarismo, duplicou sua representação no Senado Federal e ampliou sua bancada na Câmara dos Deputados, de 97 para 121 cadeiras. Também passou de dois governadores eleitos em 2022 para seis vitórias nas disputas estaduais já no primeiro turno de 2026. Como se não bastasse, entre as disputas estaduais que seguem para o segundo turno, seis, se incluirmos o Distrito Federal, o PL ainda concorre no Amazonas.

De todo modo, desinformação, manipulação ou desconhecimento, por si sós, talvez sejam insuficientes para explicar as escolhas dos eleitores do 22 e do 13. Eleitores não são dopados morais.

Felipe Nunes e Thomas Traumann mobilizaram a tese da “calcificação” para caracterizar um tipo de intransigência política que marcaria o comportamento de grandes grupos de eleitores brasileiros nos últimos anos. Nesse cenário, a competição se concentraria nos segmentos “não calcificados” ou “independentes”: eleitores potencialmente voláteis, ou pêndulos, suscetíveis tanto a políticas públicas capazes de atender a seus interesses quanto a ondas, discursos, impressões e fatos conjunturais.

Todavia, talvez Nunes e Traumann não tenham explicitado adequadamente os conteúdos morais que podem produzir a “calcificação”. Marcos Nobre, filósofo da Unicamp, parece-me ter explicado, por meio de valores e aprendizados morais, o que está por trás dessa intransigência. Do contrário, os “calcificados” pareceriam apenas fazer birra.

Vou colocar em outros termos o que o professor Marcos Nobre está dizendo: trata-se do que consideramos justo. Vivemos na sociedade pós-Constituição de 1988. Nobre argumenta que os valores que orientam a CF-88 têm por trás um substrato moral que legitima direitos de diferentes naturezas. E essa Constituição, embora seja a nossa base legal, não é propriamente hegemônica em todos os grupos sociais brasileiros.

Há brasileiras e brasileiros que abominam cotas raciais. Consideram-nas injustas, imorais. Há quem considere que amar deva ser determinado pelo sexo biológico. Há aqueles que acham que a natureza está aí para atender a seus desejos de curto prazo. Há outros que consideram que a fé alheia os ofende, e ofende até mesmo o seu próprio Deus.

Enormes frações da população se indignam diante de um Estado de Direito igualitário, inclusivo. Para elas, esse Estado só deve existir para seus iguais. Os diferentes devem ser eliminados, e essas pessoas consideram justo reivindicar esse objetivo. O medo justifica.

Nobre argumenta que não estamos polarizados. Estamos divididos em caminhos moralmente inconciliáveis. E, desde 2018, após três rodadas de eleições gerais, esse é o debate de fundo que organiza os “calcificados”. Um debate surdo, não explicitado e, contraditoriamente, amplamente banalizado na opinião pública.

 

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Quaest nos votos válidos ao 2º turno: Flávio 51,11% a 48,88% Lula

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Um empate técnico com liderança numérica de Flávio Bolsonaro (PL) por 2,23 pontos: 51,11% a 48,88% de Lula (PT) nos votos válidos. Foi o que a pesquisa Quaest revelou na noite de hoje (14), a 11 dias do 2º turno de 25 de outubro. Por ela, a vantagem de 1,87 ponto nos votos válidos que Flávio teve sobre Lula no 1º turno mudou pouco ou nada.

Divulgação sem intenção de voto válido — Encomendada e divulgada pela Globo, a Quaest e a emissora não divulgaram o percentual dos votos válidos da pesquisa, como todos os demais institutos têm feito neste 2º turno. O cálculo, excetuando os 9% de intenções de voto em branco, nulo ou de não votar, mais 1% de indecisos, foi feito por quem deseja uniformidade nos dados.

Com o cálculo da intenção de voto válido — Com o cálculo devido à comparação com as demais pesquisas ao 2º turno, os 46% de intenção de voto para Flávio divulgados na Quaest chegam aos 51,11% na intenção de voto válido — descontados brancos, nulos, abstenções e indecisos. Como os 44% divulgados de intenção a Lula chegam a 48,88% na intenção de voto válido.

Quaest de hoje semelhante à PoderData de ontem — A vantagem numérica de Flávio na Quaest de hoje, nos votos válidos, é quase idêntica aos apresentados na pesquisa PoderData divulgada ontem (13): Flávio 51% a 49% Lula, 2 pontos abaixo. Nas outras três pesquisas presidenciais também divulgadas ontem, entanto, a diferença foi maior.

Variação na vantagem de Flávio na Gerp, Nexus e Futura —  Também ontem, a pesquisa Gerp deu Flávio 55% a 45% Lula, 10 pontos atrás nos votos válidos. A Nexus deu Flávio 52% a 48% Lula, 4 pontos atrás. A Futura deu 51,8% a 48,2% Lula, 3,6 pontos atrás.

Flávio lidera em empate técnico com Lula — Quaest, PoderData, Nexus e Futura apontam liderança numérica de Flávio, mas em empate técnico com Lula dentro das suas respetivas margens de erro. Pela Gerp, no entanto, a vantagem de Flávio sobre Lula já chegaria a dois dígitos de intenção de voto válido, superando em muito o limite da margem de erro.

Dados da Quaest — A Quest divulgada hoje, sem revelar o percentual de votos válidos como os demais institutos têm feito no 2º turno, ouviu 2.154 eleitores de 10 e 13 de outubro. Com margem de erro de 2 pontos para mais ou menos, teve o registro BR-08729/2026 no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Dados da PoderData e Futura — Entre as pesquisas divulgadas ontem, a PoderData ouviu 3.000 eleitores de 10 a 12 de outubro. Com margem de erro de 1,8 ponto para mais ou menos, teve o registro BR-01209/2026 no TSE. A Futura ouviu 2.000 eleitores de 7 a 10 de outubro. Com margem de erro de 2,2 pontos para mais ou menos, teve o registro BR-00650/2026 no TSE.

Dados da Nexus e Gerp — Também entre as pesquisas divulgadas ontem, a Nexus ouviu 2.002 eleitores de 10 e 12 de outubro. Com margem de erro de 2 pontos para mais ou menos, teve o registro BR-07997/2026 no TSE. A Gerp ouviu 2.400 eleitores de 8 a 12 de outubro. Com margem de erro de 2 pontos para mais ou menos, teve registro BR-07877/2026 no TSE.

 

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Melhor cobertura do 2º turno do dia 25 no Folha no Ar Especial

 

(Montagem: Joseli Matias)

 

A partir das 15h do domingo do 2º turno presidencial do dia 25, até o final da apuração, quer ficar com a melhor cobertura em tempo real da eleição presidencial de 2026 em Campos e na região, com números, análises e projeções? Então será só sintonizar o rádio na Folha FM 98,3, ou acompanhar ao vivo no streaming em seus domínios no YouTube e Facebook, ou na Plena TV: canais 3 e 403 da VERTV, canal 181 da NET e canal 31 da SFnet.

Na edição especial do Folha no Ar, o radialista Cláudio Nogueira, os jornalistas políticos Aluysio Abreu Barbosa e Hevertton Luna, o blogueiro e radialista Christiano Abreu Barbosa, o jornalista e blogueiro Edmundo Siqueira, os estatísticos Eduardo Shimoda e William Passos, e o estrategista político Orlando Thomé Cordeiro. Vença quem vencer na vontade soberana do voto popular, na Folha FM 98,3 e na Plena TV vencerá a informação sem torcida.

 

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Como a Folha adiantou, nova mesa diretora da Câmara de Campos nesta 4ª

 

Nova mesa diretora da Câmara de Campos que será eleita na manhã desta quarta-feira 14): Silvinho Martins presidente, Fred Rangel 1º vice-presidente, Wainer Teixeira 1º secretário, Nildo Cardoso 2º vice-presidente e Anderson de Matos 2º secretário (Montagem: Joseli Matias)

 

Como o blog Opiniões adiantou (confira aqui) na última sexta (9), nesta quarta (14) será eleita, às 10h da manhã, a nova mesa diretora da Câmara Municipal de Campos. A principal mudança, como o blog antecipou (confira aqui e aqui) desde agosto, será Silvinho Martins (MDB) como novo presidente. O atual Fred Rangel (PP) passará a ocupar a 1ª vice-presidência.

 

Nildo, Wainer e Anderson fecham a mesa

Na sexta o blog Opiniões também tinha adiantado o resto da composição da nova mesa: o vereador Nildo Cardoso (PL) será o 2º vice-presidente e Wainer Teixeira (PP) o 1º secretário. A dúvida para a 2ª secretaria foi resolvida na tarde de hoje: Anderson de Matos (REP) ficará com a vaga, à qual Dudu Azevedo (REP) também era cotado.

 

Vitória política de Frederico Paes

Com a definição de Wainer a 1º secretário, caberá ao PDT indicar entre seus três edis o novo líder do governo. Possivelmente, Diego Dias. Oficializada amanhã, a composição da nova mesa diretora é uma vitória política do prefeito Frederico Paes (MDB). Que coloca o presidente do seu partido em Campos como novo presidente da Câmara.

 

Wladimir e Garotinho

Líderes do grupo político do prefeito, o ex-prefeito e deputado federal eleito Wladimir Garotinho (PL) preferia que Fred Rangel continuasse como presidente, mas não cogitou bater chapa. Por sua vez, o ex-governador Anthony Garotinho (REP) foi de opinião que cabia ao atual prefeito fazer a nova mesa diretora da Câmara de Campos.

 

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Lula lidera numericamente rejeição e desaprovação de governo

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Lula lidera numericamente rejeição

Índice decisivo ao 2º turno, a rejeição é liderada numericamente por Lula (PT) nas quatro pesquisas divulgadas hoje (13), três delas em empate técnico com Flávio. Na PoderData, a rejeição foi 46% Lula a 44% Flávio, 2 pontos abaixo. Na Futura: 48,6% Lula a 45,4% Flávio, 3,2 pontos abaixo. Na Nexus: 51% Lula a 47% Flávio, 4 pontos abaixo.

 

Lula com 11 pontos a mais de rejeição

Só na Gerp Lula liderou a rejeição bem acima do limite da margem de erro: 53% a 42% Flávio. O Zero Um ficou 11 pontos abaixo do petista no índice negativo, quase os mesmos 10 pontos de vantagem que teve no índice positivo das intenções de voto válido na mesma pesquisa.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Lula 3 negativo na aprovação

Índice fundamental a qualquer incumbente que tente a reeleição, Lula teve a aprovação do governo medida em três pesquisas. E também apresentou números negativos em todas. Só a Futura não colheu aprovação de governo.

 

Desaprovação maior de 4 a 6 pontos

Na PoderData, o Lula 3 é desaprovado por 50% e aprovado por 44%, 6 pontos a menos. Na Nexus, a desaprovação é de 50% e aprovação de 45%, 5 pontos a menos. Na Gerp, a desaprovação é de 49% e a aprovação de 45%, 4 pontos a menos. Foi a única em que a desaprovação não superou a aprovação além do limite da margem de erro.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Dados da PoderData e Futura

A PoderData entrevistou 3.000 eleitores de 10 a 12 de outubro. Com margem de erro de 1,8 ponto para mais ou menos, teve o registro BR-01209/2026 no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A Futura entrevistou 2.000 eleitores de 7 a 10 de outubro. Com margem de erro de 2,2 pontos para mais ou menos, teve o registro BR-00650/2026 no TSE.

 

Dados da Nexus e da Gerp

A Nexus entrevistou 2.002 eleitores de 10 e 12 de outubro. Com margem de erro de 2 pontos para mais ou menos, teve o registro BR-07997/2026 no TSE. A Gerp entrevistou 2.400 eleitores de 8 a 12 de outubro. Com margem de erro de 2 pontos para mais ou menos, teve o registro BR-07877/2026 no TSE.

 

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Em quatro pesquisas, Flávio tem de 2 a 10 pontos de vantagem sobre Lula

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

 

Flávio com 2 a 10 pontos sobre Lula

Flávio Bolsonaro (PL) saiu da urna do 1º turno com 47,03% dos votos válidos contra 45,16% de Lula (PT), 1,87 ponto atrás. Hoje (13), a exatos 12 dias da urna do 2º turno, de quanto é essa diferença? Depende da pesquisa. Nas quatro divulgadas hoje, PoderData, Nexus (confira estas duas aqui) Futura e Gerp, a vantagem de Flávio sobre Lula vai de 2 a 10 pontos.

 

Empate técnico em três pesquisas

Três desses institutos divulgaram hoje suas primeiras pesquisas ao 2º turno. O Gerp deu Flávio 55% a 45% Lula, 10 pontos atrás nos votos válidos. O Nexus deu Flávio 52% a 48% Lula, 4 pontos atrás. O Futura deu 51,8% a 48,2% Lula, 3,6 pontos atrás. A vantagem de dois dígitos de Flávio na Gerp cai ao empate técnico na Nexus e Futura.

 

Vantagem de Flávio cai 2/3 na PoderData

Quem também divulgou pesquisa nova hoje foi o PoderData. Que deu Flávio 51% a 49% Lula, 2 pontos atrás. Além de ser a menor diferença, foi o único instituto até aqui a fazer duas pesquisas já na disputa do 2º turno. Na primeira, do dia 8, Flávio tinha (confira aqui) vantagem de 6 pontos: 53% a 47%. E ela caiu 2/3, para 2 pontos, em uma semana.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Reflexo das ruas do domingo?

Com 8 pontos a menos de vantagem de Flávio sobre Lula do que na pesquisa Gerp, o levantamento do PoderData aparentemente refletiu nas intenções de voto as manifestações de rua em apoio ao petista. Que ocorreram em mais de 70 cidades do país no último domingo (11).

 

Margens de erro

Só a Gerp deu vantagem a Flávio sobre Lula acima do limite da sua margem de erro: 2 pontos para mais ou menos. Dentro dele, a Nexus (também margem de erro de 2 pontos), a Futura (margem de 2,2 pontos) e a PoderData (margem de 1,8 ponto) também dão vantagem numérica a Flávio, mas em empate técnico com Lula.

 

Dados da PoderData e Futura

A PoderData entrevistou 3.000 eleitores de 10 a 12 de outubro. Com margem de erro de 1,8 ponto para mais ou menos, teve o registro BR-01209/2026 no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A Futura entrevistou 2.000 eleitores de 7 a 10 de outubro. Com margem de erro de 2,2 pontos para mais ou menos, teve o registro BR-00650/2026 no TSE.

 

Dados da Nexus e Gerp

A Nexus entrevistou 2.002 eleitores de 10 e 12 de outubro. Com margem de erro de 2 pontos para mais ou menos, teve o registro BR-07997/2026 no TSE. A Gerp entrevistou 2.400 eleitores de 8 a 12 de outubro. Com margem de erro de 2 pontos para mais ou menos, teve o registro BR-07877/2026 no TSE.

 

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Flávio tem 4 pontos sobre Lula na Nexus e vantagem cai a 2 pontos na PoderData

 

(Arte: Joseli Matias)

 

Nas duas pesquisas presidenciais divulgadas hoje (13) ao 2º turno, a 12 dias da urna de 25 de outubro, Flávio Bolsonaro (PL) segue em liderança numérica sobre Lula (PT), mas em dois empates técnicos. Na Nexus: Flávio 52% a 48% Lula, 4 pontos atrás nos votos válidos. Na PoderData: Flávio 51% a 49% Lula, 2 pontos atrás nos votos válidos.

Foi a primeira pesquisa Nexus realizada depois do 1º turno do dia 4. Mas foi a segunda pesquisa PoderData já em plena campanha do 2º turno. Nesta série, a vantagem de Flávio sobre Lula teve queda real de dois terços: era de 6 pontos (53% a 47%) na PoderData do dia 8 e caiu a 2 pontos (51% a 49%) na PoderData de hoje.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Na Nexus, arriscado medir a evolução porque a pesquisa anterior foi ao 1º turno. Mas nas duas PoderData já no 2º turno, Flávio perdeu (de 53% a 51% de intenção de voto válido) os mesmos 2 pontos que Lula achou (de 47% a 49%). E parecem refletir as manifestações em apoio ao petista em mais de 70 cidades do país no domingo (11).

A vantagem numérica de Flávio de 4 pontos sobre Lula nas intenções de voto válido se deu na Nexus no limite da margem de erro da pesquisa, de 2 pontos para mais ou menos. A vantagem numérica de Flávio de 2 pontos sobre Lula nas intenções de voto válido se deu na PoderData dentro do limite da margem de erro de 1,8 ponto.

A pesquisa Nexus entrevistou 2.002 eleitores por telefone entre os dias 10 e 12 de outubro, com registro BR-07997/2026 no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A nova pesquisa PoderData entrevistou 3.000 eleitores, também por telefone e também de 10 a 12 de outubro, com registro BR-01209/2026 no TSE.

 

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Casal Garotinho: Flávio favorito, reforma constitucional, Douglas Ruas e Wladimir

 

Com Hevertton Luna

 

Lula (PT) tem de 20% a 30% de chance de virar a eleição presidencial, que tem Flávio Bolsonaro (PL) como “franco favorito”. Mas mesmo que o petista consiga se reeleger, teria muita dificuldade de governar com o Congresso conservador eleito no último domingo (4). Se Flávio ganhar, uma reforma constitucional deve ser feita para colocar cada um dos três Poderes da República, sobretudo o Supremo Tribunal Federal (STF), “em sua caixinha”.

Em relação ao governador eleito do RJ, Douglas Ruas (PL), ele chegará ao cargo com pouco apoio popular, apesar de liquidar a fatura no 1º turno após os votos do ex-governador Anthony Garotinho (REP), que concorreu sub judice, serem considerados nulos pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Sob a sombra das casuarinas de Chapéu de Sol no início de tarde do último sábado (10), essas foram as observações do próprio Garotinho, ao lado da esposa e como ele ex-governadora e ex-prefeita de Campos Rosinha. Ambos também falaram sobre a relação do pai com o filho Wladimir, ex-prefeito de Campos eleito deputado federal. “O que eu mais aprendi a fazer na minha vida foi defender o meu marido”, disse Rosinha.

 

O ex-goverrnador Anthony Garotinho, o jornalista Aluysio Abreu Barbosa e a ex-governador Rosinha Garotinho sob a sombra das casuarinas de Chapéu de sol, no início de tarde do último sábado (Foto: Thiago Virgílio)

 

Folha da Manhã — Quais são, a seu ver, as chances de Flávio Bolsonaro e Lula na eleição do 2º turno do dia 25?

Anthony Garotinho — Flávio é franco favorito. Tem entre 70% e 80% de chance de ganhar, mas os debates serão decisivos. Os debates terão grande audiências e Lula tem uma experiência muito grande. É lógico que hoje é uma tendência clara do centro para direita. Isso favorece a candidatura de Flávio.

 

Folha — Os indecisos podem definir?

Garotinho — O número de indecisos foi muito alto no 1º turno. Talvez, no 2º turno, haja uma campanha específica para levar parte desses indecisos, especialmente, os jovens e possa fazer alguma diferença.

 

Folha — A maioria dos jovens votou em Flávio. Lula só ganhou na faixa etária de 60 anos ou mais.

Garotinho — É, mas esses jovens podem fazer uma diferença se tiver um movimento como está tendo nas universidades. Lula colocou jovens na sua campanha de suas redes sociais

 

Folha – A governador, como você avalia a eleição de que participou sub judice e definiu, com a nulidade dos seus votos no TSE, para Douglas Ruas ainda no 1º turno?

Garotinho – Houve uma interferência judicial que jamais tinha visto. Eles trabalharam como duas possibilidades: Douglas Ruas ou Eduardo Paes. Eu era um candidato totalmente antissistema. Leia-se por sistema um pedaço apodrecido do tecido do estado do Rio de Janeiro e de todas as instituições. Chamo de podres poderes do Rio que têm infiltração no Ministério Público, nas polícias, no poder judiciário e outros setores. Eles não admitiam possibilidade de eu ser governador porque fiz uma opção. Maquiavel diz que “o cidadão que tenta descumprir as regras do jogo, ele é ingênuo porque ele já perde antes de começar o jogo.” Eu não fui ingênuo. Eu sabia que estava descumprindo acordos que mantém esse sistema do Rio de Janeiro porque é impossível o número de deputados envolvidos com crime, como em outras situações do Rio de Janeiro. E as medidas que precisam ser tomadas não são tomadas. Vou dar um exemplo claro disso. É possível, como ocorreu um fato de 2005, ocorrido no governo Rosinha, que é o programa Saúde em Movimento, que foi usado para me deixar inelegível, ser usado da maneira como foi e um cidadão com (Márcio) Canella (União, ex-prefeito de Belford Roxo e eleito deputado estadual do RJ no domingo), onde o Ministério Público tem todas as denúncias, tem todas as provas, tem registro e eu não tenho. Você deu um registro para (Antonio) Rueda (presidente nacional do União e eleito deputado federal pelo RJ no domingo) com todas as denúncias públicas do envolvimento dele com Vorcaro, onde jantaram para comer bife de ouro. Ou seja, o sistema não me queria. Mas, eles achavam que eu estava inviabilizado por falta de tempo, por falta de recurso, nenhum apoio político. De 70 deputados estaduais, nenhum me apoiando. De 92 prefeitos, só tinha o prefeito de Campos (Frederico Paes, MDB), me apoiando. Dos deputados federais, dos 47, eu só tive o apoio de dois e, assim mesmo, firme mesmo só de um. Então, eles achavam inviável. Quando ocorre o debate da Globo, eu dou um salto de 9 para 19 no tracking interno (pesquisa não registrada) da campanha. O debate foi na terça (29), a pesquisa ficou pronta no final de quarta-feira (30) e a eleição era domingo (4). O que eles entenderam? Ele vai crescer no dia seguinte. Provavelmente, devo ter crescido. Então, na sexta-feira, o ministro (do TSE) Floriano (de Azevedo Marques Neto) volta na decisão que ele tinha dado.

 

Folha — Ex-colega de turma do ministro do STF Alexandre de Moraes na USP, Floriano teve lobby deste para chegar ao TSE.

Garotinho – Volta na decisão dele (Floriano). Eu passei o sábado (3) e a sexta-feira (2) tendo que explicar que eu era candidato porque de cinco em cinco minutos diziam que o voto não vai valer. Quando chega no domingo, quando eu estou estou votando, às 11h da manhã, no Catete, de uma forma que nunca vi, a fila batia palma para mim. Zona Sul do Rio de Janeiro, todo mundo queria tirar retrato comigo, especialmente os jovens, que não me conheciam, mas diziam: “Poxa, que pena queria tanto votar em você, mas não vou poder”. Quando recebo a notícia que o presidente do TSE (ministro Kassio) Nunes Marques, tinha dado uma decisão para (Deltan) Dallagnol (ex-procurador da Lava Jato que teve a candidatura indeferida por Floriano, depois deferida dor Nunes Marques e acabou eleito senador pelo Paraná), eu ligo para o meu advogado em Brasília e ele entra imediatamente com o mesmo pedido para o Nunes Marques. Nunes Marques só dá a decisão de que os votos seriam validados ou não às 5h da tarde. Já tinha acabado todo mundo de votar. Fechou a urna. As pessoas estavam achando que eu já estava inelegível. Não, meus votos foram considerados inválidos. Mas tenho certeza que isso tudo vai cair porque, quando entrar no mérito da questão através de um recurso que vamos discutir, não tem como sustentar aquela acusação. Eu não fui ordenador da despesa, eu não era secretário, não tem nada contra mim dentro do processo. Assim, apenas, o único ofício que há dentro do processo assinado por mim pedindo, por ordem da governadora, para o Dr. Gilson Cantarino não fazer quarteirização, mas, eles conseguiram desmembrar o processo, o depoimento de quem escreveu o ofício porque nem ofício foi escrito por mim, foi escrito pelo procurador Dr. Francesco Conti. Sou responsabilizado por um ofício que não assinei. Fui eu que assinei, mas não fui eu que redigi.

Rosinha — Mas isso era muito claro porque lá vem dizendo que não era para fazer a quarteirização de mão de obra nem com esta empresa e nem nenhuma outra que pudesse ferir a lei 8.666 na licitação. Estava escrito. Era uma defesa. Mesmo assim ignoraram a defesa.

Garotinho — Você tem muitas maneiras inviabilizar uma candidatura. Eles tentaram primeiro tirando meu vice. Eduardo (Paes, PSD) foi lá e comprou o DC. Depois me deixaram sem fundo partidário. Por cima, acertaram o Marcos Pereira (deputado federal reeleito pelo SP e presidente nacional do Republicanos) para não me dar recurso nenhum para a campanha. Eu tive menos recurso do que os candidato a deputado federal. O teto era R$ 3 milhões, eu recebi R$ 2,3 milhões como candidato a governador. Minha campanha se resumia a duas vans com 15 meninas que rodavam que rodavam o estado comigo.

 

Folha — O PL fez a maior bancada do Senado e da Câmara Federal. Rogério Marinho é tido como nome certo para presidente do Senado e do Congresso, enquanto Altineu Cortes é cotado a presidente da Câmara.  

Garotinho — A informação que eu tenho é que esses são os nomes prováveis. E têm cacife para isso.

 

Folha — Se Lula conseguir uma virada histórica e se eleger presidente, conseguirá governar com esse novo Congresso?

Garotinho — Não. Com esse atual, já tem dificuldade. Imagina com o próximo. Se o Flávio Bolsonaro, quiser, ganhando a eleição, dar um novo formato ao governo central e os poderes da República, a primeira coisa ele deve fazer é convocar uma nova Assembleia Constituinte para fazer uma nova constituição, porque a Constituição de 1988, a meu ver, ela foi tão desfigurada através das Emendas Constitucionais, as Pecs. Ela hoje é uma Constituição que se diz presidencialista, mas, na prática, é parlamentarista. Que se diz bicameral, Câmara e Senado, mas, na verdade, é tricameral porque quem decide tudo é o Supremo (Tribunal Federal). Ou os Poderes são colocados de novo dentro de suas caixinhas ou nós não vamos ter nunca harmonia entre os poderes.

 

Folha — Se Flávio for eleito presidente, Moraes continua ministro do Supremo?

Garotinho — Eu achei muito estranho aquele gesto do (ex-presidente) Michel Temer (MDB, que indicou Moraes como ministro do STF) em dar uma declaração que ele vai votar em Flávio Bolsonaro e todo mundo sabe a relação que Michel Temer tem com Alexandre de Moraes. Acho que vai ter um acordo para Moraes renunciar para não ser impichado.

 

Folha — Que governo espera de Flávio, se ele for eleito?

Garotinho — Eu acho que a necessidade de cumprir as promessas de campanha do PL que foi muito em cima dessa judicialização da política, vai levar um confronto institucional se não houver essa reforma (constitucional). Eu disse a dele (Flávio): “Devolva os Poderes que foram tirados da Câmara, do Senado e do próprio poder Executivo, porque hoje, na verdade, quem manda em tudo, decide em tudo, é o Supremo.”

 

Folha — O que o senhor espera do governador Douglas Ruas? Tenho informação que a interlocução política dele em Campos teria que ser com o senhor e não com Wladimir. Confirma isso? E como está hoje sua relação com seu filho Wladimir, eleito deputado federal?

Garotinho — Em relação a Douglas Ruas, precisa fazer a leitura correta do resultado da eleição. Ele teve apenas 33% dos votos totais do estado. Isso significa que 67% do estado votou nulo, branco, abstenção ou em outro candidato. Então, ele chega, historicamente, como o governante com o menor apoio popular. Ele teve 50% dos votos válidos, mas 3 milhões de pessoas não foram votar, 650 mil votaram em branco e quase 600 mil anularam o voto. Isso faz com que ele entenda que se ele quiser sobreviver e evitar uma crise, ele tem que ser totalmente diferente de Cláudio Castro (PL, ex-governador que renunciou na véspera de ser cassado pelo TSE), que tem um índice de desaprovação enorme.

 

Folha — E sua relação política com Wladimir?

Garotinho — Acho que temos visões políticas muito diferentes e comportamentos pessoais bastante diferentes. Então, é natural que ele siga a trajetória dele e eu a minha.

 

Folha — Mas seu filho está…

Garotinho — É meu filho!

 

Folha — Ele terá o seu apoio como deputado federal?

Garotinho — Para quê? Para fazer coisa certa, está certo. Para fazer coisa errada, não.

 

Folha — Ele terá seu apoio nos projetos que apresentar?

Garotinho — Vai depender dos projetos.

 

Folha — O projeto para classificar clima do Norte e Noroeste Fluminense em semiárido, por exemplo. Que facilitaria acesso a crédito a produtores rurais de 22 municípios das duas regiões.

Garotinho – Esse não é projeto dele. É um projeto que eu já tinha apresentado. Antes disso tudo, foi eu, lá trás, através do trabalho feito por Eduardo Crespo, que era secretário de Agricultura de Rosinha, quando eu era deputado federal. Em 2010, eu apresentei esse projeto.

 

Folha – Governadora, a última pergunta para a senhora. Como fica nessa relação política e familiar por vezes tensa entre o pai, seu marido, e seu filho Wladimir?

Rosinha — É difícil. A gente ter que dividir o coração entre marido e filho, mas eu não passo pano na cabeça.

 

Folha — Nem do pai e nem do filho?

Rosinha — Nem do pai e nem do filho. Mas o que eu aprendi, o que eu mais aprendi a fazer na minha vida foi defender o meu marido.

 

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A esquerda e o goleiro da Noruega: Flávio duplica ou triplica vantagem sobre Lula

 

O goleiro norueguês Nyland rindo por fazer Neymar perder tempo discutindo, aos 10 minutos da prorrogação do 2º tempo, no lugar de buscar o empate e tentar levar o jogo para a prorrogação (Foto: Mike Segar/Reuters)

 

Faltam exatos 15 dias para a urna do 2º turno presidencial. Se Flávio Bolsonaro (PL) saiu da urna do 1º turno no último domingo (4) com 1,87 ponto de vantagem sobre Lula nos votos válidos (47,03% a 45,16%), essa diferença encerra a seguinte em crescimento. Nas últimas pesquisas PoderData, Datafolha e AtlasIntel (confira aqui), a vantagem de Flávio sobre Lula hoje vai de 4 a 6 pontos. No mínimo mais que dobrou ou até triplicou em poucos dias.

O motivo foi antecipado no artigo de análise intitulado (confira aqui) “Lula demanda 4 pontos de gordura no 1º turno para bater Flávio”. Que foi publicado no blog Opiniões, hospedado no site Folha1, e na Folha da Manhã em 26 de setembro, oito dias antes da urna do 1º turno falar no domingo:

“Para Lula vencer o provável 2º turno contra Flávio Bolsonaro terá que passar no 1º turno não só à frente, mas com gordura. Para ser favorito, teria que levar o 1º turno por 5 pontos de vantagem nos votos válidos. Com 4 pontos, seria cara ou coroa. Por 3 pontos a menos de vantagem, o favorito ao turno final seria Flávio.

Se Flávio ficar à frente de Lula no 1º turno, por um voto que seja, o 2º turno poderá ser só para cumprir tabela. Fundamentalmente porque os demais candidatos a presidente que pontuam são Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo). E estão todos à direita, em espectro próximo a Flávio.”

Comparados os números da urna do 1º turno com os das três pesquisas presidenciais feitas depois dela, a projeção até aqui se cumpre. Flávio herdou a maior parte dos votos (confira aqui) não só de Cury, Caiado e Zema, que declararam apoio ao candidato de oposição numa frente ampla às avessas de 2022, mas também de Renan. Que, ainda na noite do dia 4, disse que não apoiaria ninguém e liberou seus eleitores ao 2º turno; mas projetou: “Flávio já ganhou essa eleição”.

A pesquisa PoderData divulgada na quinta (8) deu Flávio 53% a 47% Lula, 6 pontos atrás, de intenção de voto válido ao 2º turno. Na Datafolha também divulgada na quinta: Flávio 52% a 48% Lula, 4 pontos atrás. Na AtlasIntel divulgada na sexta (9): Flávio 52,8% a 47,2% Lula, 5,6 pontos atrás. Parece se repetir no Brasil efeito Chile, como também foi projetado naquele artigo de 26 de setembro:

“Mesmo que Lula fique à frente por 3 pontos a menos dos votos válidos no 1º turno, e mesmo que nunca um candidato a presidente do Brasil em 2º lugar no 1º turno tenha virado depois a eleição, Flávio poderia repetir aqui o efeito Chile. Onde o ultradireitista José Antonio Kast se elegeu presidente no 2º turno, em 2025, mesmo atrás da comunista Jeanette Jara no 1º turno.

No turno inicial do Chile, Jara liderou com 26,85% dos votos válidos, contra 23,92% de Kast, 2,93 pontos atrás. Ocorre que, na disputa do turno final, ele herdou a maioria dos votos dados a outros candidatos de direita: Franco Parisi (19,71%), Johannes Kaiser (13,94%) e Evelyn Matthei (12,46%).

Diferente do Chile, nenhum presidenciável da 3ª via no Brasil tem dois dígitos nas pesquisas. Por isso Flávio não chegará perto dos 16,32 pontos de vantagem (58,16% a 41,84%) com que Kast varreu Jara no 2º turno. A nascente aqui seria bem menor, mas a direção da afluência seria a mesma. Só uma vantagem mínima de 4 pontos de Lula no 1º turno poderia barrá-la.”

Como se sabe, a vantagem no 1º turno foi de Flávio. E foi a sua gordura que aumentou nestes primeiros seis dias de campanha ao 2º turno. Nos quais a ex-senadora e coordenadora de Lula no Tocantins teve a coragem de dizer publicamente o óbvio, na terça (6), sobre a campanha de reeleição: “Mais Alckmin e menos Janja”. E foi aplaudida de pé, por quem pensa e desejaria dizer o mesmo, na reunião de cúpula do PT para debater o resultado do 1º turno.

Qual foi a reação de Janja? Respondeu na quarta (7), em nota, a assessoria da primeira-dama: “Independente do que falem, Janja seguirá na campanha”, dizendo ainda que a participação dela é “legítima e sempre respaldada pelo presidente Lula”. Ao que Katia Abreu indagou em tréplica na quinta (8): “Qual é a prioridade: aparecer ou eleger o marido?”

A atitude deslumbrada de Janja, não é de hoje, tem a mesma arrogância de parte dos eleitores de Lula que, noves fora o gênero, delirava com a vitória no ainda 1º turno do domingo. Do qual saíram, com a dor de corno da “traição” da realidade latejando na testa, em pregação lacrimogênea de demofobia (confira aqui e nos comentários aqui do Instagram) contra quem dizem defender: “O povo não sabe votar”.

Janja e a porção dos eleitores de Lula que ela tão bem representa lembram, na arrogância e narcisismo, o bolsonarista Neymar. Que, aos 10 minutos dos descontos do 2º tempo, após converter um pênalti no jogo que o Brasil era derrotado por 2 a 1, dando adeus à última Copa do Mundo nas oitavas de final, perdeu tempo… discutindo com o goleiro norueguês Nyland.

A diferença é que Neymar, como Lula, um dia já bateu um bolão. Depois de enfrentar em eleições presidenciais jogadores como Leonel Brizola, Ulysses Guimarães, Mário Covas, Fernando Henrique Cardoso, José Serra, Ciro Gomes, Geraldo Alckmin e Jair Bolsonaro, o maior líder popular do Brasil desde Getúlio Vargas agora corre o risco real de perder, além do Congresso, a reeleição. Muito mais do que Flávio, adversário que o PT desejou, pode ganhar.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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