Atlas: Bolsonaros mais envolvidos com o Master para 43,3%

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

O estrago de Vorcaro na pré-candidatura de Flávio a presidente foi feito. Hoje, os que percebem o grupo dos Bolsonaro mais ligado ao esquema de fraudes do Master são 43,3%: 15 pontos a mais que os 28,3% de abril. Em maio, os que veem maior ligação do grupo de Lula com o Master são 32,8%: 6,7 pontos a menos que os 39,5% de abril.

 

 

Maioria de 95,6% dos brasileiros soube do áudio, 93,9% ouviram — Perguntados pela Atlas de maio se souberam do áudio e mensagens vazadas entre Flávio e Vorcaro, apenas 4,4% disseram “não”, enquanto uma maioria absoluta de 95,6% dos brasileiros respondeu “sim”. Entre estes, outra maioria absoluta de 93,9% da população disse que ouviu o áudio, com apenas 6,1% que não o escutaram.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

“Evidências de Flávio com o Master” a 51,7% — Perguntados pela Atlas o que a revelação da conversa do presidenciável com o ex-banqueiro retrata, a maioria de 51,7% disse que são “evidências de envolvimento direto de Flávio com o escândalo do Master”. A minoria de 33,3% disse que seria “uma tentativa legítima de conseguir apoio financeiro à produção do filme”, versão de Flávio.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Vorcaro “enfraqueceu muito” Flávio a 45,1% — Perguntados pela Atlas se as conversas com Vorcaro enfraqueceram à candidatura de Flávio a presidente, 45,1% acham que “enfraqueceu muito”. Que chegam a 64,1%, se somados aos 19,0% que acham que “enfraqueceu um pouco”. Outros 15,0% acham que “não afetou a candidatura”, com só 13,4% achando que “fortaleceu”.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Entre eleitores de Bolsonaro, 84,2% querem Flávio candidato — Entre os bolsonaristas, o estrago na Atlas foi menor. Nesse universo dos 49,10% dos votos válidos a Jair Bolsonaro no segundo turno presidencial de 2022, a expressiva maioria de 84,2% acha, em maio de 2026, que Flávio deveria manter sua pré-candidatura a presidente. A minoria de 12,6% acha que ele deveria apoiar outro nome.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Mais medo de Flávio a 47,4%, de Lula a 40,5% — No universo total dos eleitores, o estrago de Vorcaro é maior. Na Atlas de maio, 47,4% dos brasileiros tem mais medo da eleição de Flávio a presidente, 2 pontos a mais que os 45,4% de abril. Já os que, em maio, tem mais medo da reeleição de Lula são 40,5%, ou 6,8 pontos a menos que os 47,3% de abril. E 6,9 pontos a menos que Flávio em maio.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Feita através de consulta digital com 5.032 eleitores de todo o Brasil, entre os dias 13 (da revelação das conversas entre Flávio e Vorcaro pelo site Intercept) e 18 (ontem) de maio, tem margem de erro de 1 ponto para mais ou menos. E foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-06939/2026.

 

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Atlas: Após Vorcaro, Flávio sangra 5,4 e 6 pontos contra Lula

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Após a divulgação, no último dia 13, do áudio e mensagens de textos trocados (confira aqui) com Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master, Flávio Bolsonaro (PL) teve queda real na corrida presidencial. Na pesquisa Atlas divulgada hoje (19), de abril (confira aqui) a maio, Flávio perdeu 5,4 pontos de intenção de voto (de 39,7% a 34,3%) no cenário de primeiro turno e 6 pontos (de 47,8% a 41,8%) no de segundo turno contra Lula (PT).

 

 

Flávio cai e Lula lidera ao primeiro turno — Para além da margem de erro de 1 ponto para mais ou menos da pesquisa, Lula liderou os três cenários de primeiro turno da Atlas com seu nome. Com Flávio como principal adversário, o atual presidente ampliou sua vantagem de 6,9 pontos de intenção em abril (46,6% a 39,7%) para 12,7 pontos em maio: 47% do petista a 34,3%.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Flávio cai e Lula lidera ao segundo turno — Já em um eventual segundo turno, também para além da margem de erro, Lula também liderou todos os cinco cenários da Atlas com seu nome. Contra Flávio, ele saiu da desvantagem numérica de 0,3 ponto em abril (47,8% do senador a 47,5%) para a vantagem de 7,1 pontos em maio: 48,9% do petista a 41,8%.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Lula melhora, mas maioria ainda desaprova governo — Após a divulgação, há uma semana, do pedido de Flávio a Vorcaro, em 16 de novembro de 2025, de R$ 134 milhões para conclusão do filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Lula perdeu 1,7 ponto de reprovação ao seu governo: dos 53% de abril à ainda maioria de 51,3% dos brasileiros que desaprova em maio.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Flávio não gera crescimento real de aprovação ao Lula 3 — A queda de intenções de voto de Flávio ao primeiro e segundo turno, no entanto, não se reproduziu na aprovação dos eleitores ao Lula 3. Que, na série de pesquisas Atlas, oscilou só 0,4 ponto para cima no período: de 47,0% de abril a 47,4% em maio.

Flávio e Lula lideram rejeição em empate técnico — Sob o efeito Vorcaro, Flávio passou a liderar numericamente a rejeição, índice negativo fundamental à definição do segundo turno: 52% em maio, 2,2 pontos a mais que os 49,8% de abril. Lula, em maio, teve 50,6% de rejeição. É um empate técnico com Flávio, mas o petista oscilou 0,4 ponto para baixo em relação aos 51% que tinha em abril.

 

 

Dados da pesquisa — Feita através de consulta digital com 5.032 eleitores de todo o Brasil, entre os dias 13 (da revelação das conversas entre Flávio e Vorcaro pelo site Intercept) e 18 (ontem) de maio, tem margem de erro de 1 ponto para mais ou menos. E foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-06939/2026.

William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE

Primeiro turno sob análise do especialista — “Na Atlas de maio, feita após a divulgação das conversas com Daniel Vorcaro, em três cenários de primeiro turno, Lula abriu vantagem de 12,7 pontos para Flávio, 23,6 pontos para Michelle Bolsonaro (PL) e 29,7 pontos para Romeu Zema (PL)”, resumiu William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE.

Segundo turno sob análise do especialista — “Nos cenários de segundo turno, mesmo com rejeição tecnicamente empatada com Flávio, Lula abre 7,1 pontos contra seu adversário mais competitivo. Como abriu 9,0 pontos sobre Ronaldo Caiado (PSD), 10,2 pontos contra Zema e 19,4 pontos contra Renan Santos (Missão)”, concluiu William.

 

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Eraldo Leite pela Folha da Manhã na convocação de Ancelotti

 

O treinador italiano Carlo Ancelotti convocou hoje Neymar entre os 26 jogadores da Seleção Brasileira que levará para a Copa do Mundo

 

Jornalista e radialista Eraldo Leite cadastrado pela Folha da Manhã na convocação do Brasil de Ancelotti à Copa do Mundo

Neymar foi convocado por Carlo Ancelotti para disputar a sua quarta copa do mundo. O anúncio foi feito durante megaevento realizado no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, com a presença de 700 jornalistas — inclusive de 14 outros países — e cerca de mil convidados, entre dirigentes do futebol brasileiro, artistas e políticos em geral. Dentre os 26 escolhidos pelo primeiro técnico estrangeiro que vai dirigir a seleção numa copa do mundo estão duas jovens promessas — Endrick e Rayan — e o veterano goleiro Weverton, que nunca tinha sido convocado antes por Ancelotti. Os 26 jogadores são:

Goleiros: Alisson, Ederson e Weverton;

Laterais: Wesley, Ibañez, Alex Sandro e Douglas Santos;

Zagueiros: Marquinhos, Gabriel Magalhães, Danilo, Bremer e Léo Pereira;

Meiocampistas: Casemiro, Bruno Guimarães, Fabinho, Danilo e Lucas Paquetá.

Atacantes: Neymar, Raphinha, Vinícius Jr, Matheus Cunha, Luiz Henrique, Gabriel Martinelli, Rayan, Endrick e Igor Thiago.

Os 26 convocados por Ancelotti para o Brasil na Copa

 

Ancelotti disse que não existe seleção perfeita e a dele também não é. Mas quer fazer deste time o mais resiliente, condição que ele acredita ser fundamental para ganhar o título mundial. Sobre como vai aproveitar Neymar na seleção ele foi claro: como atacante mais centralizado.

O Brasil fará dois amistosos antes da estreia na Copa: dia 31 de maio no Maracanã, contra o Panamá e dia 6 de junho em Cleveland, contra o Egito, duas seleções que também vão disputar a Copa.

 

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Campista Álvaro Vieira Pinto em Jornada na UFF nesta terça

 

 

Na próxima terça-feira, dia 19, na UFF-Campos, das 9h às 21h, será realizada a Jornada Álvaro Pereira Pinto. Serão três mesas de palestras e debates. A primeira, marcada para começar às 9h30, terá como tema “A Campos do início do século XX — sua importância da República Velha ao Estado Novo”, com Márcia Carneiro, professora de história da UFF como palestrante. E a terceira, programada para se iniciar às 16h30, trará como tema “Campos, Rio de Janeiro, Brasil: a questão do desenvolvimento”, com os palestrantes Daniel Kosinski e Roberto Rosendo, professores de economia, respectivamente, da Uerj e UFF.

Mas o assunto que batiza e motiva a Jornada será tratado na segunda mesa, com o tema “Álvaro Vieira Pinto — aspectos de sua filosofia”, marcada para começar às 14h e que terá como palestrantes Leonardo Maia e André Vinícius Dias Senra, professores de filosofia, respectivamente, da UFRJ e IFRJ, além de também organizadores da Jornada. Mais conhecido como filósofo e por sua obra centrada no pensamento nacional-desenvolvimentista do Brasil, o polímata Vieira Pinto é campista, embora pouco conhecido dos seus conterrâneos. Para saber um pouco mais da sua vida, sua obra e da importância desta ao mundo atual, onde começa a ser resgatada, a Folha bateu um papo por e-mail com o professor Leonardo Maia.

 

Leonardo Maia, professor de filosofia da UFRJ

 

Folha da Manhã — Como tomou contato com o pensamento do polímata campista Álvaro Vieira Pinto? E o que o levou a promover a Jornada, no próximo dia 19, na UFF-Campos, sobre a obra dele, junto do André Vinícius Dias Senra?

Leonardo Maia — Meu contato com o pensamento de AVP é, relativamente, recente. Durante a pandemia, com a retomada das atividades letivas na universidade, inicialmente de forma remota, eu me decidi a estudar, sobretudo, autores/as nacionais. Inicialmente, Darcy Ribeiro e, com ele, Anísio Teixeira. Junto a esses dois, outros nomes, como Paulo Freire, Florestan Fernandes, entre outros. E, nesse conjunto de novas leituras ou releituras, surgiu o nome do AVP que, a rigor, eu mal conhecia até então. Foi uma grande surpresa, e muito positiva, seja pela variedade dos temas, a densidade da obra e a sua inesperada profundidade filosófica. Mas, em particular, a vocação para o Brasil e para as suas questões, um traço certamente geracional, mas que, em AVP, ganha dimensões especialmente filosóficas, como antropológicas, ontológicas, fenomenológicas etc. Chamou a minha atenção, ainda, o fato de que, sendo um pensador fluminense, pouco se ouvia falar dele por aqui, salvo pelo esforço da Editora Contraponto que, naquele momento, já havia relançado alguns de seus principais títulos. A reaproximação com o André Senra, que eu conhecera quando do meu doutorado na PUC-Rio, se deu logo em seguida, com a participação nossa em um evento sobre AVP, e em um grupo de whatsapp que foi formado em torno a esse encontro. A verdade é que, já há algum tempo, pelo menos dois anos, ambos temos pensado em fazer um evento aqui no Rio, em homenagem e em celebração ao AVP, e também ao ISEB (Instituto Superior de Estudos Brasileiros criado em 1955 e fechado em 1964, período em que foi o grande de formulador do pensamento nacional-desenvolvimentista no Brasil), onde ele atuou, antes da sua cassação, e consequente saída do país, após o golpe militar de 1964. A opção de começarmos essa empreitada pela cidade de Campos, mais do que necessária, pareceu-nos até óbvia: foi, com efeito, onde tudo começou, também para ele, Vieira Pinto. Havia que iniciarmos o evento aqui, deu certo e assim será. Cumpre acrescentar que houve uma acolhida muito favorável à nossa ideia por parte de colegas professores e professoras daqui da cidade. Cabe um agradecimento especial a todos eles.

 

Folha — Embora tenha gozado de prestígio na vida acadêmica brasileira e internacional do seu tempo, Vieira Pinto padeceu de esquecimento até reedição de parte da sua obra em tempo recente. Nem em Campos, onde nasceu, ele é muito conhecido. A que credita parte desse “esquecimento” e o processo de resgate do seu pensamento?

Leonardo — Acredito que aqui se misturam três ou quatro situações. Infelizmente, o nosso país é muito mais habituado a esquecer do que a lembrar, é useiro e vezeiro nisso. O AVP, como tantos outros, não foi exceção. Na verdade, desse instituto de pesquisas que foi o mais importante, na área das humanidades, da história carioca e fluminense, o ISEB, boa parte dos seus integrantes, ainda hoje se encontra profundamente esquecida, ou relegada a uma pesquisa marginal. Foi assim também, para ficar em um exemplo maior, com outro nome fundamental: Guerreiro Ramos (sociólogo e deputado federal cassado em 1964). Amigo, depois adversário cruento de AVP, Ramos foi igualmente ‘redescoberto’, em anos recentes; outros nomes do ISEB, seguem porém, eclipsados. Um segundo aspecto foi, evidentemente, a perseguição que foi imposta a AVP pela ditadura de 1964. O ISEB foi fechado, AVP foi proibido de lecionar, a sua obra teve a circulação proibida ou grandemente restrita e, no auge de suas atividades científicas, ele precisou deixar o país. Três, mesmo tendo voltado ao Brasil durante a vigência, ainda, do golpe, AVP, todavia proibido de lecionar, se encapsulou. Viveu de traduções, assinadas sob pseudônimo, ao passo que escrevia, em paralelo, no retiro de seu apartamento, uma obra monumental, em completo segredo. Enfim, o exílio que muitos experimentaram fora, ele vivenciou aqui dentro mesmo do país. Um quarto ponto, ainda pouco enfrentado pelos estudos em curso sobre AVP, é o da continuidade desse exílio, mesmo advindo o processo da redemocratização. Entre 1979 e 1987, quando falece, AVP não teve aparições públicas relevantes nem rotineiras. Tampouco se empenhou em republicar a obra pretérita, ou encontrar editora para aquela então em preparação, o que só aconteceu quase 20 anos depois de sua morte. Se a ditadura o proscreveu, a democracia não o recuperou para o exercício da vida pública. O exílio foi mais fundo, nele, do que já nos foi dado compreender. Em todo caso, essa experiência decerto o redimensionou profundamente. E, finalmente, um quinto ponto, a má vontade da academia e das universidades brasileiras com o pensamento nacional antecedente ao golpe de 1964, em particular, o de matiz trabalhista, ou nacionalista. Essa linhagem foi claramente preterida, em benefício de outras escolas, ou mesmo modismos, internos e estrangeiros. No fundo, não havia já talvez muito sentido em se estudar em chave própria o Brasil, se esse fora perdido, se o país saíra amplamente derrotado, no saldo geral do período autoritário.

 

Folha — Formado em medicina, chegando a exercer a profissão, assim como de laboratorista, Vieira Pinto também cursou matemática e física, antes de enveredar pela filosofia. O pensamento nacional-desenvolvimentista que ele elaborou reflete essa gama variada de formação e conhecimento?

Leonardo — A tentação, talvez, seja a de asssentir sem restrições à direção proposta pela pergunta. A “polimatia” de AVP é, decerto, a condição erudita necessária para a produção de uma obra complexa como a sua. Necessária, porém não, talvez, suficiente. Com efeito, o elemento “complexo” é, em AVP, esse de um conhecimento muito vasto, amplo. Por outro lado, o eixo “simples” é o de um problema único, quase exclusivo: o Brasil e seus destinos. Ou, se preferirmos, como se dizia mais comumente nos seus anos de ISEB, a “questão nacional”. A nosso ver, AVP faz convergir toda a sua gama de saberes, o seu arsenal de formação, para essa resolução tópica. Que tem, possivelmente, três fases: a primeira, mais explicitamente nacional-desenvolvimentista, e que vai de 1956, ano de sua entrada no Instituto, até o início da década de 60; nesses anos anteriores ao golpe, AVP e o seu pensamento nacional se radicalizam, e para muitos, ele se decidiria, efetivamente, por uma alternativa socialista para o país. Uma terceira fase, pós-golpe miitar, teria a ver, mais exatamente, com as condições de inserção do país em um mundo “técnico”, “tecnológico”. E aí, a questão possivelmente volte a ser mais conceitual e filosófica, do que propriamente ideológica ou política. O mundo, seja ele capitalista ou socialista, é já francamente o mundo da técnica. Colocar-se fora dele é assujeitar-se, subalternizar-se, na ordem geopolítica internacional. É evidente que há escolhas capitais a serem feitas nesse processo de hegemonia tecnológica, e a anterior “filosofia do desenvolvimento”, dos anos de ISEB, se transmuta assim, numa nova “filosofia do mundo técnico”, ou ainda, em uma “filosofia social da ciência”. Porém, acima de tudo, cumpre responder, desde a perspectiva nacional, a essa questão fundamental do nosso tempo. Assim, a seu modo, AVP talvez tenha afinal se tornado um pensador “não-alinhado”, nos moldes da Iugoslávia de Tito (país que se fragmentou nos primeiros anos da década de 1990, mas que se manteve independente tanto dos EUA quanto da hoje extinta União Soviética durante a Guerra Fria, entre 1947 e 1991), onde passou o seu primeiro ano de exílio.

 

Folha – O que destacaria na obra do polímata campista à realidade do Brasil de hoje, num ano de mais uma eleição presidencial e parlamentar até aqui bipolarizada entre duas visões aparentemente antagônicas de país e mundo?

Leonardo — O próprio exemplo de AVP é muito inspirador, nesse sentido. Ele se descobre, com efeito, um pensador, ao se redescobrir brasileiro, e se (re)encontrar com o seu país, enquanto “questão para o pensamento”. Assim se fez, sempre, a grande filosofia. Sócrates e Platão em Atenas (ou contra ela); Maquiavel em Florença, os Illuministas no período absolutista francês etc. O que seria um país que não se escrutina? Que país é esse? Sob muitos aspectos, o Brasil de AVP, do ISEB, e de sua geração, é um país perdido, um Brasil que perdemos. Ou seja, um país pensado, propositivo, inventivo e inaugural. Em busca do enfrentamento independente, autônomo e soberano, das suas questões intrínsecas. Nesse caso, o nacionalismo atual parece oco, de fancaria, uma virtude ocasional, até eleitoreira. Enfim, um oportunismo a mais. Planejamento, desenvolvimento, crescimento econômico, e todo um léxico de palavras organizativas e projetivas deram lugar, em nosso século, a projetos de circunstância, no fundo não mais que eleitorais. E, vencida a eleição, governa-se segundo uma ordem do dia, enfrentando os temas que se apresentam, conforme as manchetes dos jornais da manhã ou, já agora, segundo o que se mostra mais efervescente nas redes sociais. Como não há, via de regra, antecipações nem projeções, não se deveria chamar isso de governo. Assim, a rigor, não há quem diga ou saiba para onde está indo o país, ou onde ele estará, dentro de 10 ou 20 anos. O que AVP e seus parceiros no ISEB buscavam era o exato oposto: uma ideia de Brasil. É por essa razão, e essa razão apenas, porém incontornável, que o pensamento de Vieira Pinto retorna. Seu compromisso inamovível de propor uma ontologia ao país, um ser próprio ao Brasil, hoje já não pareceria, possivelmente, um protocolo tão distante. Se o momento nos empurra fortemente para trás, só o pensamento, agora como antes, pode de novo nos levar à frente. Desenvolvimento, sociedade, técnica, transformação, revolução. Em que essas palavras teriam perdido vigor, viço? Assim também, com esse extraordinário pensamento que se serviu delas, do início ao fim.

 

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Edmundo Siqueira — Flávio Bolsonaro, o filme do pai e o roteiro

 

(Foto: Gabriela Biló/Folhapress)

 

Edmundo Siqueira, servidor federal, jornalista e blogueiro do Folha1

Flávio Bolsonaro, o filme do pai e o eleitor que pode cansar do roteiro

Por Edmundo Siqueira

 

Não raro, as eleições presidenciais brasileiras precisam de uma caricatura. Por vezes propositais, é verdade, outras surgem por denúncias e viram memes a partir daí. Já tivemos, em passado recente, um padre com batina e tudo, pastor repetindo “Glória a Deus!”, barbudos com “Meu nome é Enéas!” e outros.

O recente áudio vazado onde o senador e pré-candidato à presidência, Flávio Bolsonaro, com Daniel Vorcaro sobre recursos para financiar um filme sobre o pai, talvez não mude sozinho uma eleição, mas tem potencial para virar um símbolo e uma caricatura.

Quase nada muda sozinho uma eleição. Nem áudio, nem escândalo de maiores proporções. Há uma espécie de calo cívico, onde o eleitor espanta-se menos, e há fatias do eleitorado que estão insensíveis a algo que desabone seu candidato. Falo disso mais à frente.

Há fatos que não precisam derrubar de imediato um candidato para produzir estrago. Basta que mudem o preço político da candidatura. Um candidato, como um ativo de mercado, tem custo, oportunidade e risco. O custo de Flávio Bolsonaro subiu. E subiu bastante. E o mais surpreendente é que sua campanha não estava preparada para precificá-lo adequadamente.

O bolsonarista raiz, que atravessou pandemia, rachadinha, minuta golpista e 8 de janeiro, vacina sem se mexer, provavelmente não moverá um centímetro por causa desse áudio. Há um eleitor que transformou escolhas políticas em identidade e numa “fé”, em que não se vota mais em um programa e sim na construção quase religiosa que aceitou.

Esse eleitor jamais votaria em Lula ou em alguém de esquerda. Para boa parte deles, universidade é algo suspeito, ciência é ideologia, cultura é mamata, imprensa é inimiga e a história do país muitas vezes é negada. É o tipo de eleitor que aceitaria qualquer justificativa de seus líderes.

Mas esse grupo não é a questão.

A questão está fora das bolhas. E os números ajudam a entender o tamanho do problema. Segundo o instituto de pesquisa Quaest, o eleitorado brasileiro está dividido em algo próximo de 33% de esquerda (19% lulistas e 14% não lulistas), 33% de direita (21% não bolsonaristas e apenas 12% bolsonaristas) e 32% de independentes. Isso mostra que a eleição não será decidida pelo “fiel” bolsonarista ou lulista, e sim por quem ainda se move.

O bolsonarista entre os 12% pode perdoar tudo, mas os 21% de direita não bolsonarista, e os 32% de independentes, poderão analisar de outra forma — é preciso lembrar que isso será, ou não, confirmado pelas próximas pesquisas. Eles podem ser antipetistas, podem rejeitar Lula, podem desejar alternância de poder, mas não necessariamente querem comprar novamente o pacote inteiro do bolsonarismo.

É aí que o áudio de Flávio importa. Não porque converta bolsonarista em lulista. Isso não acontecerá. Mas porque aumenta o custo psicológico e político para o eleitor de direita não bolsonarista e para o independente. Esse eleitor talvez aceite votar em Lula num segundo turno. Mas, no primeiro, pode procurar um caminho menos contaminado, o que fortalece nomes como Zema e Caiado.

A própria ideia de um filme sobre Jair Bolsonaro, financiado por cifras milionárias, já revela algo curioso. A política brasileira deixou de disputar apenas governos; passou a disputar a identidade de seus eleitores, e isso necessariamente passa por construção cultural de seus personagens.

Nesse sentido, o filme talvez seja mais revelador do que o áudio. O bolsonarismo sempre se alimentou de uma ideia de perseguição, em conjunto com Bolsonaro como um mártir ou um escolhido — um messias. Tudo no líder carismático precisava parecer maior que a política. Agora, ao que parece, tentava-se transformar essa imagem em produto cinematográfico de alto orçamento. Uma espécie de canonização audiovisual, com orçamento de superprodução.

O problema é que a realidade, às vezes, invade o roteiro. E quando invade, costuma ser pouco generosa com os personagens.

E o PT?

O PT, é claro, tem pouca autoridade moral para tratar o episódio como se tivesse descoberto ontem a existência de relações nebulosas entre dinheiro e o poder. A máquina petista conhece muito bem os caminhos tortos entre narrativa e financiamento, onde escândalos com o “mensalão” e o “petrolão” são provas concretas.

Mas o fato de o PT não ter autoridade para apontar o dedo não absolve automaticamente Flávio Bolsonaro. Uma coisa não lava a outra. No Brasil, infelizmente, muito político ainda acredita que a sujeira do adversário funciona como detergente (Ipê ou não) para a própria.

A direita que pretende chegar ao poder em 2026 terá de decidir se quer apenas repetir o bolsonarismo ou disputar o futuro. Parte dela comemorará o desgaste de Flávio em silêncio. Há nomes que gostariam muito de ocupar esse espaço. Tarcísio era o sonho do eleitorado mais pragmático, desincompatibilizou a tempo e preferiu, ao menos formalmente, o caminho da reeleição em São Paulo. Caiado tem corpo político, experiência e disposição para a briga. Zema agrada a um nicho liberal, empresarial, refratário ao barulho permanente.

Nenhum deles é simples. Mas podem, cada um à sua maneira, conversar melhor com esses 21% de direita não bolsonarista e com uma fatia dos independentes. E eleição presidencial, no Brasil, não se ganha apenas com devoção, é preciso entender fatores como transferência de votos, tolerância, rejeição e capacidade de parecer menos perigoso e arriscado do que o adversário.

Fogo amigo

Flávio, ao contrário, tem um problema anterior ao programa de governo. Antes de explicar o que faria pelo país, precisará explicar o que representa. É candidato ou herdeiro de um modelo já conhecido? É alternativa de poder ou extensão dinástica? Representa uma direita institucional ou apenas a tentativa de reforçar o bolsonarismo como patrimônio de família?

A pré-candidatura de Flávio, se ruir, não ruirá necessariamente por causa desse áudio. Mas o episódio reforça uma sensação que já existia: o bolsonarismo quer continuar mandando na direita, mas talvez já não consiga oferecer uma vitória limpa, ampla e respirável.

Os eleitorados lulista e bolsonarista continuarão onde sempre estiveram. A eleição será decidida, mais uma vez, pelos outros: pela esquerda não lulista, pela direita não bolsonarista e, sobretudo, pelos independentes. Gente que não quer canonizar Lula, mas também não quer beatificar Bolsonaro. Gente que pode votar por rejeição, mas não necessariamente por devoção.

Esse eleitor (o independente) pode até ter reservas a Lula. Ou pode até votar contra o PT no segundo turno, mas não fará suas escolhas a partir de uma polarização cega. E no primeiro, talvez procure alguém que não venha repetindo o mesmo roteiro.

Porque há um cansaço que as pesquisas demoram a medir. O cansaço de ter que defender o indefensável. Flávio Bolsonaro queria, ao que tudo indica, ajudar a financiar uma narrativa sobre o pai, e usou um caminho pouco republicano em conversar com um banqueiro preso no dia seguinte, no caso Master.

O estrago está feito. As próximas pesquisas dirão o que ele representa de fato. Flávio talvez tenha aprendido que, na política, quem encomenda o filme nem sempre controla o final.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Quaest: Lula se recupera e Flávio bate teto antes de Vorcaro

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Em 28 de abril, com base nos números das pesquisas presidenciais Atlas e Nexus (confira aqui) daquele fim do mês passado, a Folha perguntou: “Flávio Bolsonaro (PL) bateu teto nas intenções de voto contra Lula (PT)?”. Segundo a pesquisa Quaest de maio parece mostrar não só que Flávio bateu teto, como a recuperação de Lula.

Quaest antes de Vorcaro — Feita entre 8 e 11 de maio, a nova pesquisa Quaest foi divulgada (confira aqui) na manhã da última quarta-feira (13). Na tarde do mesmo dia, o site Intercept divulgou áudio e mensagens de texto (confira aqui) entre Flávio e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro de 16 de novembro de 2025, um dia antes da prisão do segundo pela Polícia Federal (PF), quando tentava fugir do país.

Dinheiro para o filme de Bolsonaro — “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”, escreveu Flávio em mensagem a Vorcaro. Que se comprometeu a repassar US$ 24 milhões (R$ 134 milhões à época), para a produção do filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Efeitos só nas próximas pesquisas — Negado inicialmente, o pedido de dinheiro ao dono do liquidado Banco Master para o filme foi depois admitido por Flávio. E caiu como uma bomba em sua pré-campanha a presidente. Cujos efeitos reais no eleitor, sobretudo de centro (33% do eleitorado) e da direita não bolsonarista (21%), só serão conhecidos nas próximas pesquisas.

Lula  42% a 41% Flávio no segundo turno — Antes da revelação do fato e da medição dos seus efeitos nas próximas sondagens, após ser passado numericamente por Flávio em abril (confira aqui), Lula já tinha surgido na pesquisa Quaest de maio à frente de um provável segundo turno: 42% do petista a 41%.

Lula oscila para cima e Flávio para baixo — Na série Quaest, Lula oscilou 2 pontos para cima sobre os 40% que tinha em abril, na simulação de segundo turno contra Flávio. Que oscilou 1 ponto para baixo, em relação aos 42% que tinha abril. O fato é que, antes da revelação das mensagens com Vorcaro, Flávio e Lula estavam e se mantiveram em empate técnico entre abril e maio.

Lula 3 cresce 3 pontos em aprovação — Dentro da margem de erro de 2 pontos para mais ou menos da Quaest, os movimentos eleitorais são reflexo de outros. Fora da margem de erro, o governo Lula teve queda real de 3 pontos na desaprovação: dos 52% de abril aos 49% de maio. E sua aprovação cresceu os mesmos 3 pontos no mesmo período: de 43% aos atuais 46%.

Empate técnico entre desaprovação e aprovação — Hoje, a exatos 4 meses e 19 dias da urna de 4 de outubro, o Lula 3 tem um empate técnico entre desaprovação (49%) e aprovação (46%). Não é ideal para uma reeleição, mas os 3 pontos de diferença atuais são menos preocupantes que os 9 pontos a mais de desaprovação (52% a 43%) ao atual Governo Federal em abril.

De onde veio a recuperação de Lula? — Antes da revelação das mensagens e áudios trocados entre Flávio e Vorcaro, de onde veio essa recuperação de popularidade de Lula? Segundo a Quaest de maio, veio da expectativa pelo programa federal Desenrola 2.0, para uso de saldo do FGTS na quitação de dívidas, da redução da maioria dos que acham que o preço dos alimentos subiu e de um cabo eleitoral improvável à esquerda brasileira: Donald Trump.

Desenrola 2.0: boa ideia para 50% — Na Quaest, a maioria de 57% dos brasileiros já ouviu falar do Desenrola 2.0, contra 43% que não. São 50% os que acham o programa federal uma boa ideia, enquanto 22% acham que ajuda um pouco, mas não resolve o problema das dívidas, e outros 23% que acham uma má ideia, porque estimula as pessoas a se endividar de novo.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Proibir apostas online ao benefício é certo para 79% — Em outra pergunta da Quaest, 38% dos eleitores acham que o Desenrola 2.0 vai ajudar muito a tirar as pessoas das dívidas, com 27% achando que vai ajudar pouco e 33% que não vai ajudar. À pergunta se acha certo proibir apostas online a quem aderir ao programa, uma maioria expressiva de 79% acha que sim, com apenas 16% contra.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Preço dos alimentos: cai a maioria que acha que subiu — A maioria também expressiva dos brasileiros ainda acha que o preço dos alimentos subiu em relação ao último mês: hoje, são 69%. Mas caíram 3 pontos em relação aos 71% que tinham a mesma percepção em abril.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Preço dos alimentos = aprovação de governo — Foram os mesmos 3 pontos de crescimento nos que acham que o preço dos alimentos ficou igual: de 18% em abril a 21% de maio. Esses 3 pontos para baixo e para cima na sensação sobre o preço dos alimentos se repetiram de maneira exata na queda de reprovação e crescimento da aprovação ao Lula 3.

Trump volta a ser cabo eleitoral de Lula — Por fim, Trump. Após ter sido cabo eleitoral de Lula entre julho e outubro de 2025, ao ameaçar o Brasil com tarifaço se Bolsonaro fosse condenado por tentativa de golpe de Estado, mas recuando após a condenação no Supremo Tribunal Federal (STF) em 11 de setembro daquele ano, o presidente dos EUA ajuda novamente o petista em 2026.

A 43%, Lula sai mais forte do encontro com Trump — Perguntados pela Quaest se sabem do encontro entre Lula e Trump, na Casa Branca, em 7 de maio, outra expressiva maioria dos brasileiros respondeu que sim: 70%. Os que não sabiam eram 30%. Em outra pergunta, 43% acham que Lula saiu mais forte do encontro. Só 26% acham que o petista saiu mais fraco e outros 13% que saiu igual.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

A 60%, Lula e Trump foi bom para o Brasil — Em outra pergunta da pesquisa Quaest, a maioria de 60% acha que o encontro entre Lula e Trump foi bom para o Brasil. Só 18% acham que foi ruim, com 10% achando que não foi bom nem ruim.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

A 56%, relação do Brasil deve ser de aliado dos EUA — Na Quaest de maio, outra maioria de 56% dos brasileiros acha que a relação do presidente do Brasil com o dos EUA deveria ser de aliado. São 13 pontos a mais, após o encontro, que os 43% que achavam isso em abril. Os que acham que a posição deveria ser independente são 29%, 11 pontos a menos que os 40% que achavam isso em abril.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Resumo da ópera Lula e Trump — Os que acham que a posição do presidente do Brasil deveria ser opositor ao dos EUA são só 6%, 3 pontos a menos que os 9% que achavam o mesmo na Quaest de abril. Em resumo, a maioria dos brasileiros soube do encontro, acha que Lula saiu mais forte dele, que foi bom para o Brasil e que o petista tem relação de aliado com Trump.

Lula à frente dos demais no segundo turno — Com esses três fatores ao seu favor, expectativa pelo Desenrola 2.0, percepção do preço dos alimentos e o encontro com Trump, Lula ficou à frente, fora da margem de erro, dos demais possíveis adversários em um segundo turno. No qual o petista liderou por 44% a 37% (7 pontos à frente) de Romeu Zema (Novo), 44% a 35% (9 pontos à frente) de Ronaldo Caiado (PSD) e 45% a 28% (17 pontos à frente) de Renan Santos.

Lula à frente ao primeiro turno — Lula também liderou, fora da margem de erro, as consultas espontânea e estimulada ao primeiro turno. Na estimulada, com apresentação dos nomes dos candidatos, o petista tem 39% das intenções de voto, contra 33% de Flávio (6 pontos atrás). Ambos seguidos por Zema e Caiado, 4% cada, e Renan, com 2%, estes três em empate técnico.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Lula cresce na espontânea o que ganhou em aprovação — Houve oscilação para cima de Lula (37% a 39%, 2 pontos) e Flávio (32% a 33%, 1 ponto) na estimulada ao primeiro turno. Mas foi na espontânea, onde o eleitor fala da própria cabeça em quem vai votar e revela intenção consolidada, que o petista foi de 19% em abril a 22% em maio. Cresceu os mesmos 3 pontos que ganhou em aprovação de governo e da queda na maioria que acha que o preço dos alimentos subiu.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Flávio e Lula lideram rejeição — Índice negativo fundamental à definição do segundo turno, por fixar o teto de crescimento dos dois candidatos que passam pelo primeiro turno, a rejeição passou a ser liderada numericamente — mesmo antes da revelação das suas mensagens pedindo dinheiro a Vorcaro — por Flávio: 54% dos brasileiros que o conhecem, não votariam nele. Ficou em empate técnico com Lula, só 1 ponto atrás: 53% de rejeição.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Em queda, 55% ainda acham que Lula não merece reeleição — Numa disputa entre rejeições tão altas, como foi em 2022, há maioria nos 55% que, na Quaest de maio de 2026, acham que Lula não merece mais 4 anos como presidente. Mas são 4 pontos a menos do que os 59% que achavam isso em abril. Os que acham que o petista merece ser reeleito, hoje, são 41%. Em relação aos 38% que achavam isso em abril, é um crescimento dos mesmos 3 pontos ganhos na aprovação de governo.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Empate técnico no medo que geram Bolsonaro e Lula — Divulgada horas antes das mensagens entre Flávio e Vorcaro, a Quaest perguntou ao eleitor o que dá mais medo entre Lula ou Bolsonaro: 44% ficaram com a segunda opção. É outro empate técnico, só 2 pontos acima dos 42% que temem mais o petista.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Dados da pesquisa — A Quaest ouviu presencialmente 2.004 eleitores entre 8 e 11 de maio, com margem de erro de 2 pontos para mais ou menos na pesquisa. Que foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-03598/2026.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Governo Frederico, STF na política e eleições no Folha no Ar desta 6ª

 

(Arte: Hevertton Luna)

 

Advogado, ex-procurador-geral de Campos no governo Wladimir Garotinho (PL) e chefe de gabinete do prefeito Frederico Paes (MDB), Matheus José é o convidado para encerrar a semana do Folha no Ar nesta sexta (15), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3.

Com sua perspectiva de dentro da administração, ele avaliará o primeiro mês do governo Frederico em Campos e falará dos seus principais desafios até 2029.

Como jurista, Matheus também avaliará como as decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), que tem ministros com suspeita (confira aqui, aqui e aqui) de envolvimento pecuniário com o liquidado Banco Master, tem interferido diretamente na política nacional (confira aqui e aqui) e estadual (confira aqui, aqui e aqui).

Por fim, com base nas pesquisas e fatos (confira aqui) mais recentes, ele tentará projetar as eleições a presidente da República (confira aqui, aqui, aqui e aqui), governador (confira aqui) e senadores (confira aqui) do RJ, além de deputados federais e estaduais de Campos e região.

Quem quiser participar do Folha no Ar desta sexta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook e no YouTube.

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Quaest: Flávio bate teto e Lula tem recuperação de abril a maio

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Em 28 de abril, com base nos números das pesquisas presidenciais Atlas e Nexus daquele fim do mês passado, a Folha perguntou (confira aqui): “Flávio Bolsonaro (PL) bateu teto nas intenções de voto contra Lula (PT)?”. Segundo a pesquisa Quaest de maio divulgada hoje (13) parece mostrar não só que Flávio bateu teto, como a recuperação de Lula.

Segundo turno: Lula oscila para cima e Flávio para baixo — Na série Quaest, após ser passado numericamente por Flávio em abril (confira aqui), Lula surge em maio à frente de um provável segundo turno: 42% do petista a 41%. O primeiro oscilou 2 pontos para cima, sobre os 40% que tinha em abril, enquanto Flávio oscilou 1 ponto para baixo, dos 42% de abril. Os dois estavam e se mantêm em empate técnico.

Cai reprovação e cresce aprovação ao Lula 3 — Dentro da margem de erro de 2 pontos para mais ou menos da Quaest, os movimentos eleitorais são reflexo de outros. Fora da margem de erro, o governo Lula teve queda real de 3 pontos na desaprovação: dos 52% de abril aos 49% de maio. E sua aprovação cresceu os mesmos 3 pontos no mesmo período: de 43% aos atuais 46%.

Empate técnico entre desaprovação e aprovação — Hoje, a exatos 4 meses e 22 dias da urna de 4 de outubro, o Lula 3 tem um empate técnico entre desaprovação (49%) e aprovação (46%). Pode não ser o ideal para uma reeleição, mas os 3 pontos de diferença atuais são menos preocupantes que os 9 pontos a mais de desaprovação (52% a 43%) ao atual Governo Federal em abril.

Lula à frente dos demais no segundo turno — Lula ficou à frente, fora da margem de erro, dos demais possíveis adversários testados em um segundo turno. No qual o petista liderou por 44% a 37% (7 pontos à frente) de Romeu Zema (Novo), 44% a 35% (9 pontos à frente) de Ronaldo Caiado (PSD) e 45% a 28% (17 pontos à frente) de Renan Santos.

Estimulada ao primeiro turno — Lula também liderou, fora da margem de erro, as consultas espontânea e estimulada ao primeiro turno. Na estimulada, com apresentação dos nomes dos candidatos, o petista tem 39% das intenções de voto, contra 33% de Flávio (6 pontos atrás). Ambos seguidos por Zema e Caiado, 4% cada, e Renan, com 2%, estes três em empate técnico.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Lula cresce na espontânea — Houve oscilação para cima de Lula (37% a 39%, 2 pontos) e Flávio (32% a 33%, 1 ponto) na estimulada ao primeiro turno. Mas foi na espontânea, onde o eleitor fala da própria cabeça em quem vai votar e revela a intenção de voto consolidada, que o petista teve crescimento real: 3 pontos dos 19% de abril aos 22% de maio.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Flávio e Lula lideram rejeição — Índice negativo considerado fundamental à definição do segundo turno, por fixar o teto de crescimento dos dois candidatos que passam pelo primeiro turno, a rejeição passou a ser liderada numericamente por Flávio: 54% dos brasileiros que o conhecem, não votariam nele. Ficou em empate técnico com Lula, só 1 ponto atrás: 53% de rejeição.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Dados da pesquisa — A Quaest ouviu presencialmente 2.004 eleitores entre 8 e 11 de maio, com margem de erro de 2 pontos para mais ou menos na pesquisa. Que foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-03598/2026.

William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE

Análise do especialista — “A Quaest de maio de 2026 mostra o retorno da liderança numérica de Lula sobre Flávio no segundo turno, que permanecem tecnicamente empatados dentro da margem de erro. Flávio tinha 2 pontos de vantagem em abril. Ainda no segundo turno, Lula abre 7 pontos de vantagem para Zema, 9 pontos de vantagem para Caiado e 17 pontos para Renan Santos. Outra novidade da pesquisa de maio é que a rejeição de Flávio está 1 ponto acima da de Lula, que estava estava 3 pontos acima da rejeição de Flávio em abril. A aprovação ao governo Lula subiu 3 pontos com a desaprovação caindo 3 pontos na comparação com a pesquisa do mês passado”, resumiu William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística na IBGE.

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Douglas Ruas herda plano de Bacellar a governador barrado no STF

 

O presidente da Alerj, Douglas Ruas, o ex Rodrigo Bacellar, ministro do STF Alexandre de Moraes e o ex-governador Cláudio Castro (Montagem: Joseli Matias)

 

Grande vantagem de Paes

Na última pesquisa a governador do final de abril, do instituto Quaest, em seus três cenários estimulados ao primeiro turno, Eduardo Paes variou (confira aqui) de 34% a 40% nas intenções de voto. Já Douglas Ruas variou de 9 a 11%, 25 a 30 pontos atrás. No segundo turno, Paes bateria o adversário por 49% a 16%, 33 pontos de vantagem.

 

Ruas herda plano de Bacellar

Ruas tenta herdar o plano arquitetado (confira aqui) pelo ex-presidente da Alerj Rodrigo Bacellar (União) para disputar contra Paes a governador. Após Thiago Pampolha (MDB) trocar o cargo de vice-governador pelo de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE), o presidente da Alerj assumiria como governador para concorrer ao cargo na cadeira.

 

Com Bacellar, plano faz água

Com Bacellar, o plano começou a fazer água quando ele assumiu interinamente como governador e exonerou (confira aqui) o ex-prefeito bolsonarista de Duque de Caxias Washington Reis (MDB) da secretaria estadual de Transportes. E com isso, melou o acordo pelo apoio dos Bolsonaro (confira aqui) para ter chance na eleição a governador contra Paes.

 

Naufrágio com Unha e Carne no STF

O naufrágio de Bacellar viria com a Operação Unha e Carne, quando ele foi preso pela primeira vez (confira aqui), solto pela Alerj, e preso novamente na terceira fase da operação. Tudo no âmbito do STF, sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental 635, a ADPF das Favelas.

 

Moraes e Dino x bolsonarismo

Com ministros do STF agindo de politicamente com cada vez menos constrangimento, Moraes é próximo, na Corte e sua Primeira Turma, de Dino; que sempre foi aliado de Lula. Com os dois ministros trabalhando para manter Couto governador, trabalham também eleitoralmente (confira aqui) contra o bolsonarismo em níveis estadual e nacional.

 

Mortes multiplicam votos?

Diferente de Bacellar após exonerar Reis, Ruas tem o apoio dos Bolsonaro. O que ainda pode fazer com que cresça nas pesquisas. Mas, sem sentar na cadeira de governador até outubro, não poderá fazer (confira aqui) operações policiais como a das comunidades do Alemão e Penha, em outubro de 2025, que matou 122 e fez Castro decolar (confira aqui) nas pesquisas.

 

Popularidade de Castro minada

As exonerações de apadrinhados do grupo de Castro e da Alerj na máquina estadual podem ser uma medida popular de saneamento. Como, junto com a renúncia do próprio Castro na véspera (confira aqui) de ser cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pelo escândalo Ceperj, têm minado a popularidade do ex-governador nas pesquisas (confira aqui) a senador.

 

Contradições dos magistrados

Mas é relevante saber que o Couto hoje saneador como governador interino e até ontem presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Rio (TJRJ), quase dobrou os gastos deste em (confira aqui) pagamento de benefícios. De R$ 490,7 milhões em 2024 a R$ 879,9 milhões em 2025 com “penduricalhos”. Que, no STF, são combatidos por… Flávio Dino.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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STF manterá Couto governador até outubro por Lula e Paes?

 

 

Ministro de STF Flávio Dino, desembargador e governador interino Ricardo Couto, Lula e Eduardo Paes (Montagem: Joseli Matias)

 

STF mantém Couto governador

No último dia 15, o blog projetou (confira aqui): “Uma intervenção do Supremo Tribunal Federal (STF) no sentido de manter o desembargador Ricardo Couto governador do estado do Rio de Janeiro até as eleições diretas ao cargo em outubro”. Passado quase um mês, nada indica que a projeção vá se alterar nos quatro meses e 22 dias até a urna.

 

Beneficiários: Lula e Paes

A manutenção de Couto, que passou a ser bem vista pela população pelas quase duas mil exonerações que promoveu (confira aqui, aqui e aqui) na máquina estadual, tem dois beneficiários políticos: o presidente Lula (PT), pré-candidato à reeleição; e seu aliado e ex-prefeito carioca Eduardo Paes (PSD), pré-candidato a governador.

 

Lula apertado, Paes folgado

Em todas as pesquisas até aqui, as situações presentes de Lula e Paes são diferentes. O petista aparece em empate técnico com Flávio Bolsonaro (PL) num provável segundo turno (confira aqui, aqui e aqui) em todos os levantamentos. Já o ex-prefeito lidera com folga todas as pesquisas estaduais, com possibilidade de se eleger (confira aqui) em turno único a governador.

 

Como Paes pode expor Lula?

Se tivesse sua vantagem na corrida a governador encurtada pelo deputado estadual bolsonarista Douglas Ruas (PL), Paes tenderia a esconder o apoio a Lula. Que precisa encurtar a vantagem que os Bolsonaro tiveram sobre ele no RJ de 2022, para tentar compensar um encolhimento do PT no Nordeste e vencer a disputa nacional em 2026.

 

Vantagem dos Bolsonaro no RJ

No segundo turno presidencial de 2022, Jair Bolsonaro (PL) perdeu nacionalmente por apenas 1,8 ponto para Lula. Mas o venceu no RJ por 13,06 pontos: 56,53% a 43,47% dos votos válidos. Na pesquisa Quaest de abril, a vantagem se mantém (confira aqui) em 2026: Flávio tem hoje 45% de intenção no RJ, os mesmos 13 pontos à frente dos 32% de Lula.

 

Ruas fora do governo por vista de Dino

Couto é mantido governador, a despeito de Ruas ter sido eleito presidente da Alerj (confira aqui) e entrado na linha sucessória para concorrer a governador no cargo após a renúncia de Cláudio Castro (PL), por um pedido de vista no STF (confira aqui) do ministro Flávio Dino. Que era ministro da Justiça de Lula antes de ser indicado por ele ministro do STF.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Cinema sem som e com luz acesa em sala no Partage

 

Cine Araújo do Partage Campos (Foto: Divulgação)

 

É precário o preparo de pessoal do Cine Araújo no Partage Shopping. Na sessão das 13h20 de “Zico, o samurai de Quintino”, dirigido por João Wainer, primeiro começaram a exibir os trailers no último sábado (9) sem som. E, depois, a exibir o filme com as luzes acesas. As falhas sucessivas só foram sanadas após reclamações dos clientes.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Lideranças e cinema negros e eleições no Folha no Ar desta 4ª

 

(Arte: Joseli Matias)

 

Antropóloga, socióloga, professora da UFF, diretora e roteirista de curtas-metragens e militante do movimento negro, Luane Bento dos Santos é a convidada do Folha no Ar desta quarta-feira (13), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3.

Ela falará das “Trajetórias de Vidas e Lutas das Lideranças Negras de Campos dos Goytacazes” como projeto de iniciação científica que coordena na UFF. E do projeto de extensão desta nas escolas públicas de Campos, usando o cinema negro brasileiro para falar de intolerância e liberdade religiosa, além da sua própria experiência como diretora e roteirista dos curtas-metragens “Memórias Trançadas” (confira aqui) e “Manifesto Omolu” (confira aqui).

Por fim, com base nas pesquisas mais recentes, Luane dará suas impressões das eleições de outubro a presidente da República (confira aqui, aqui, aqui e aqui), governador (confira aqui), senadores (confira aqui) e deputados federal e estadual do RJ.

Quem quiser participar do Folha no Ar desta quarta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook e no YouTube.

 

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