O ex-prefeito carioca Eduardo Paes (PSD) segue favorito em mais uma pesquisa a governador do RJ. Na Quaest divulgada (confira aqui) na última segunda-feira (27), em três cenários estimulados ao primeiro turno de 4 de outubro, daqui a exatos cinco meses e cinco dias, ele liderou entre 34% e 40% das intenções de voto.
Paes tem 25 a 33 pontos de vantagem sobre Ruas ao 1º e 2º turno — Na Quaest do final de abril, Paes hoje tem vantagem entre 25 a 30 pontos do segundo colocado, o presidente da Alerj, deputado Douglas Ruas (PL), que variou de 9% a 11% de intenção nos três cenários de primeiro turno. Já no caso do segundo turno, marcado para 25 de outubro, Paes hoje bateria Ruas por 49% a 16%, vantagem de 33 pontos.
(Infográfico: Joseli Matias)
Ruas em empate técnico com Garotinho e Witzel — A liderança de Paes aos cenários de primeiro e segundo turno, hoje, é muito além da margem de erro de 3 pontos para mais ou menos da Quaest. No cenário 1 ao primeiro turno, a segunda colocação de Ruas (9%), no entanto, se dá em empate técnico com dois ex-governadores: Anthony Garotinho (REP), com 8%; e Wilson Witzel (DC), com 3%. Mas nenhum dos dois foi testado em cenário de segundo turno.
O espaço de Ruas em relação a Paes — Apesar da grande vantagem, Paes tem a terceira maior rejeição: 40% dos fluminenses que o conhecem, não votariam nele. No índice negativo, ele só perde para Garotinho, campeão de rejeição, com 65%; e Witzel, com 51%. Ruas tem só 17% de eleitores que o conhecem e não votariam, com outros 71% que não o conhecem. O que é um grande espaço a ser explorado na campanha, comparado aos 12% que não conhecem Paes.
O obstáculo de Ruas: Castro — Apesar do considerável espaço para crescer, Ruas tem um obstáculo também considerável para tentar explorá-lo como candidato do ex-governador Cláudio Castro (PL). A maioria de 53% dos fluminenses respondeu “não” à pergunta da Quaest: “Você acha que Castro merece eleger um sucessor que indicar?”. Os que responderam “sim” são uma minoria de 36%.
Eleição matematicamente aberta — A consulta espontânea Quaest, em que o eleitor fala da própria cabeça em quem vai votar, revelou um empate técnico, no limite da margem de erro, entre Paes, com 8% de intenção de voto consolidada; e Ruas, com 2%. Mas os 81% dos fluminense que se dizem ainda indecisos revelam uma eleição ainda completamente aberta em sua matemática.
Em crescimento contínuo em todas as pesquisas desde que foi lançado pré-candidato a presidente em dezembro, Flávio Bolsonaro (PL) bateu teto nas intenções de voto contra Lula (PT)? A cinco meses e 6 dias da urna de 4 de outubro, é cedo para afirmar. Mas parece ser a tendência presente nas duas pesquisas mais recentes: Atlas e Nexus.
Flávio mantém empate técnico com Lula no segundo turno — Ainda assim, em um eventual segundo turno, em 25 de outubro, Flávio empata tecnicamente com Lula, dentro da margem de erro das duas pesquisas. Na Atlas, numericamente à frente: 47,8% a 47,5% do petista, 0,3 ponto de diferença. Na Nexus, numericamente atrás: 46% de Lula a 45%, 1 ponto de diferença.
Na Atlas, Lula tem empate técnico também com Zema no segundo turno — Os obstáculos para Lula chegar à reeleição em um segundo turno, no entanto, não se resumem a Flávio. Na Atlas, com margem de erro de 1 ponto para mais ou menos, o atual presidente, hoje, também não passaria do empate técnico contra o ex-governador de Minas Romeu Zema (Novo): 47,4% a 46,5%, 0,9 ponto de diferença.
Na Nexus, Lula tem três empates técnicos no segundo turno — Na Nexus, com margem de erro de 2 pontos para mais ou menos, Lula empataria tecnicamente no segundo turno não só contra Flávio (46% a 45%) e contra Zema (45% a 41%, diferença de 4 pontos), como também como o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD): 45% do petista a 41%, também 4 pontos de diferença.
Flávio bateu teto contra Lula? — Quanto à possível batida no teto de Flávio, a Atlas foi divulgada hoje (28). Na série do instituto, em um segundo turno contra Lula, o senador ainda oscilou 0,2 ponto para cima de março a abril: de 47,6% aos atuais 47,8%. Mas foi o menor crescimento mensal de Flávio desde dezembro, quando tinha 41% e cresceu 6,8 pontos em cinco meses.
(Infográfico: Joseli Matias)
Lula se recupera contra Flávio? — Na mesma série Atlas, em um segundo turno contra Flávio, Lula oscilou 0,9 para cima de março a abril, de 46,6% aos atuais 47,5%. Em dezembro, ele tinha 53%, 12 pontos de vantagem sobre o senador. Mas o atual presidente despencou 6,8 pontos nos dois meses seguintes, aos 46,2% de fevereiro. E, de lá até abril, tem oscilado para cima.
Flávio oscila para baixo, Lula patina — A Nexus foi divulgada ontem (27). Na comparação da série de pesquisas do instituto, em um segundo turno contra Lula, Flávio oscilou 1 ponto para baixo de março a abril: de 46% a 45%. O que também indica que pode ter batido o teto. Lula, por sua vez, patina: tinha e manteve os mesmos 46% de março a abril.
(Infográfico: Joseli Matias)
Dados das pesquisas — A pesquisa Atlas entrevistou digitalmente 5.008 eleitores, entre 22 e 27 de abril, e foi registrada sob o protocolo BR-07992/2026 no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A Nexus entrevistou por telefone 2.028 eleitores, entre 24 e 26 de abril, e foi registrada sob o protocolo BR-01075/2026 no TSE.
William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE
Análise do especialista (I) — “Na Atlas de abril, Lula lidera os dois cenários de primeiro turno com seu nome, com vantagem entre 4,9 e 6,9 pontos sobre Flávio. No segundo turno, no entanto, a situação se inverte, com vantagem numérica de 0,3 pontos de Flávio sobre Lula”, resumiu William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE.
Análise do especialista (II) —“Ainda na Atlas, o empate técnico de Lula no segundo turno se dá no confronto com Zema. Embora, neste caso, o petista lidere com vantagem numérica de 0,9 pontos. Lula lidera na rejeição, aferida pela Atlas de abril em 51,0% do eleitorado. Flávio, por sua vez, tem a segunda maior rejeição: 49,8%”, ressaltou o geógrafo e estatístico.
Análise do especialista (III) —“Já na pesquisa a Nexus de abril, a desaprovação a Lula é de 49%. Mas ele, no entanto, liderou os três cenários de primeiro turno. Como também liderou os três cenários de segundo turno, com vantagem numérica de 1 ponto sobre Flávio e de 4 pontos sobre Zema e Caiado, em empate técnico com os três adversários”, concluiu William.
Influenciador digital e pesquisador da História de Campos e região, Heitor Carvalho é o convidado do Folha no Ar desta quarta, em tempo real, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3.
Ele falará sobre a origem do seu interesse e do seu trabalho na divulgação digital (confira aqui) da História de Campos e região.
Heitor também analisará como as redes sociais, tão criticadas por seu algoritmo do ódio e divulgação de fake news, podem também ser usadas como fonte confiável e educativa de informação.
Quem quiser participar do Folha no Ar desta terça poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebooke no YouTube.
Odontólogo, diretor do departamento municipal de Saúde Bucal, filiado ao Novo, partido pelo qual se candidatou a prefeito de Campos em 2024, Alexandre Buchaul é o convidado do Folha no Ar desta terça (28), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3.
Ele analisará (confira aqui, aqui e aqui) o governo municipal Frederico Paes (MDB), a saída (confira aqui) do ex-prefeito Wladimir Garotinho (PL) e analisará as pré-candidaturas de Campos e região (confira aqui) a deputado federal e estadual.
Com base nas pesquisas mais recentes, Buchual também tentará projetar as eleições a governador (confira aqui e aqui) e às duas cadeiras ao Senado (confira aqui e aqui) do RJ.
Também com base nas pesquisas mais recentes (confira aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui), ele tentará projetar a eleição a presidente da República, além de analisar as polêmicas (confira aqui) entre o ex-governador de Minas e presidenciável do Novo, Romeu Zema, com Gilmar Mendes e outros ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Quem quiser participar do Folha no Ar desta terça poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebooke no YouTube.
O ex-governador Cláudio Castro (PL) lidera a corrida a uma das duas cadeiras que o RJ elegerá ao Senado em 4 de outubro, daqui a 5 meses e 7 dias. Mas, com os mesmos 12% de intenção de voto em dois dos três cenários da pesquisa Quaest divulgada hoje (27), ele é seguido de perto pela deputada federal Benedita da Silva (PT), com os mesmos 10% em ambos.
Castro e Bené em empate técnico também com Crivella e Curi — Com margem de erro de 3 pontos para mais ou menos da Quaest, Castro e Bené estão tecnicamente empatados na corrida ao Senado. Não só entre eles, como também com o ex-prefeito carioca Marcelo Crivella (REP) e com o ex-secretário de Polícia Civil Felipe Curi (PL), ambos com os mesmos 6% de intenção cada, nos cenários 1 e 2.
Sem Castro, Bené lidera numericamente — No cenário 3, sem Castro, que está condenado à inelegibilidade por oito anos no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pelo escândalo do Ceperj, renunciou ao cargo de governador na véspera para não ser cassado, e pretende concorrer a senador sub judice, quem liderou numericamente a corrida foi Benedita, com 11% de intenção.
Petista em empate técnico com Crivella, Curi e Canella — No cenário 3 da Quaest, além de Crivella, com 8%; e Curi, com 7%; Bené também ficou tecnicamente empatada com Márcio Canella (União), com 6%. Ex-prefeito de Belford Roxo que renunciou ao cargo em abril, Canella parece jogar a senador num eventual impedimento da pré-candidatura de Castro.
Dados da pesquisa — Feita com 1.200 eleitores de todo o estado, entre 21 e 25 de abril, com entrevistas presenciais e domiciliares, e margem de erro de 3 pontos percentuais para mais ou menos, a pesquisa Quaest foi registrada na Justiça Eleitoral sob o protocolo RJ-00613/2026.
O ex-prefeito carioca Eduardo Paes (PSD) segue favorito em mais uma pesquisa a governador do RJ. Na Quaest divulgada hoje (27), em três cenários estimulados ao primeiro turno de 4 de outubro, daqui a cinco meses e sete dias, ele liderou entre 34% e 40% das intenções de voto.
Paes tem 25 a 33 pontos de vantagem sobre Ruas ao 1º e 2º turno — Na Quaest do final de abril, Paes hoje tem vantagem entre 25 a 30 pontos do segundo colocado, o presidente da Alerj, deputado Douglas Ruas (PL), que variou de 9% a 11% de intenção nos três cenários de primeiro turno. Já no caso do segundo turno, marcado para 25 de outubro, Paes hoje bateria Ruas por 49% a 16%, vantagem de 33 pontos.
(Infográfico: Joseli Matias)
Ruas em empate técnico com Garotinho e Witzel — A liderança de Paes aos cenários de primeiro e segundo turno, hoje, é muito além da margem de erro de 3 pontos para mais ou menos da Quaest. No cenário 1 ao primeiro turno, a segunda colocação de Ruas (9%), no entanto, se dá em empate técnico com dois ex-governadores: Anthony Garotinho (REP), com 8%; e Wilson Witzel (DC), com 3%. Mas nenhum dos dois foi testado em cenário de segundo turno.
Dados da pesquisa — Feita com 1.200 eleitores de todo o estado, entre 21 e 25 de abril, com entrevistas presenciais e domiciliares, e margem de erro de 3 pontos percentuais para mais ou menos, a pesquisa Quaest foi registrada na Justiça Eleitoral sob o protocolo RJ-00613/2026.
Aos leitores do blog, do site Folha1 e do jornal Folha da Manhã, como aos ouvintes e telespectadores da Folha FM 98,3, o titular deste espaço anuncia pausa breve nas atividades profissionais. A partir da segunda-feira do próximo dia 27, se Deus quiser, nos reencontramos. Inté!
Ultrapassado numericamente por Flávio Bolsonaro (PL), ainda que no empate técnico na margem de erro, nas projeções de segundo turno das últimas pesquisas presidenciais Quaest (confira aqui), Datafolha (confira aqui), Ideia (confira aqui), Paraná (confira aqui) e AtlasIntel (confira aqui), Lula (PT) tem na desaprovação popular ao seu governo um dos maiores obstáculos à sua reeleição.
Em queda, Lula 3 é reprovado por 50% dos brasileiros na MDA — Mesmo na pesquisa MDA divulgada na terça (14), única das mais recentes a projetar Lula numericamente à frente de Flávio no segundo turno, o atual Governo Federal foi desaprovado por 50% dos brasileiros, enquanto 45% aprovam. São 3 pontos a menos do que os 48% que aprovavam em novembro, revelando tendência de queda.
Em queda, Lula 3 é reprovado por 52% dos brasileiros na Quaest — Já na série Quaest, o Lula 3 é desaprovado por 52% dos brasileiros em abril, 2 pontos a mais que os 50% de novembro. Do lado oposto, só 43% aprovam o atual Governo Federal, 4 pontos a menos que os 47% que desaprovavam cinco meses atrás, também revelando tendência de queda.
Presente perigoso a Lula olhando o passado — “A melhor maneira de entender o quão perigosa é a situação do atual presidente é olhando para o passado. Nos governos Fernando Henrique (PSDB) 1 e 2, Lula 1 e 2, Dilma (Rousseff, PT) e (Jair) Bolsonaro (PL), o que a gente vê claramente?”, indagou no Jornal da Globo de ontem (confira aqui) o cientista político Felipe Nunes, CEO do instituto Quaest.
Sem avaliação positiva de governo, sem reeleição ou sucessor — “Todos os presidentes que, no mês 40 do mandato, tiveram saldo positivo de avaliação de governo, como Fenando Henrique 1, Lula 1 e 2 e Dilma 1, conseguiram sucesso, reelegendo-se ou fazendo sucessor. Os dois com saldo negativo, Fernando Henrique 2 e Bolsonaro, um não fez sucessor e outro foi derrotado”, recordou Felipe Nunes.
Lula lidera rejeição na Quaest e MDA — Índice fundamental à definição de um eventual segundo turno, a rejeição é outro obstáculo em abril à reeleição de Lula em outubro. Com métricas diferentes de consulta, o petista liderou a rejeição tanto Quaest (55% dos que dizem conhecê-lo e não votariam) quando na MDA (40,3% que não votariam nele de jeito nenhum).
(Infográfico: Joseli Matias)
Flávio em 2º na rejeição na Quaest e MDA — Na Quaest, embora lidere numericamente a rejeição, Lula ficou em empate técnico com Flávio. Que teve 52% dos brasileiros dizendo que o conhecem e não votariam, 3 pontos a menos que o petista. Na MDA, Flávio também ficou em segundo lugar, mas com diferença bem maior: 25,0% de rejeição, 15,3 pontos a menos que Lula.
Lula não merece mais 4 anos para 59% dos brasileiros — “Lula merece continuar mais 4 anos como presidente?” Foi a pergunta feita diretamente pela Quaest de abril. A maioria relevante de 59% dos brasileiros disse que não, enquanto uma minoria de 38% disse que sim.
(Infográfico: Joseli Matias)
Cristalização na tendência contrária à reeleição de Lula — Os 59% contra a reeleição de Lula em abril são os mesmos 59% de março. Já os atuais 38% a favor da reeleição oscilaram 1 ponto para cima, dentro da margem de erro, em relação aos 37% da mesma pesquisa no último mês. O que, de lá para cá, hoje a exatos 5 meses e 18 dias da urna de 4 de outubro, indica tendência de cristalização.
Dados da MDA e Quaest — A MDA foi feita de 8 a 12 de abril, com 2.002 eleitores, margem de erro de 2,2 pontos para mais ou menos e registro BR-02847/2026 no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A Quaest foi feita de 9 a 13 de abril, com 2.004 eleitores, margem de erro de 2 pontos para mais ou menos e registro BR-09285/2026 no TSE.
Nas quatro pesquisas presidenciais de abril, só uma apontou Lula (PT) liderando numericamente o eventual segundo turno contra Flávio Bolsonaro (PL). Foi a MDA divulgada ontem (14): Lula 44,9% a 40,2% Flávio, empate técnico quase no limite da margem de erro. Em outro empate técnico, mas com posições invertidas, hoje (15) saiu a nova pesquisa Quaest. Que projetou o segundo turno com Flávio 42% a 40% Lula.
Abril e 2026 pelos que mais acertaram outubro de 2022 — Tanto MDA como Quaest estiveram entre os quatro institutos de pesquisa que mais se aproximaram do resultado (confira aqui) do segundo turno presidencial de 2022. Os outros dois foram Datafolha (confira aqui) e Paraná (confira aqui). E nas últimas pesquisas destes dois institutos, Flávio também ficou numericamente à frente de Lula nas projeções de segundo turno: por 46% a 45% (Datafolha) e 45,2% a 44,1% (Paraná).
(Infográfico; Joseli Matias)
Dados da MDA e Quaest — A MDA foi feita de 8 a 12 de abril, com 2.002 eleitores, margem de erro de 2,2 pontos para mais ou menos e registro BR-02847/2026 no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A Quaest foi feita de 9 a 13 de abril, com 2.004 eleitores, margem de erro de 2 pontos para mais ou menos e registro BR-09285/2026 no TSE.
Dados da Datafolha e Paraná — Por sua vez, a Datafolha foi feita de 7 a 9 de abril, com 2.004 eleitores, com margem de erro de 2 pontos para mais ou menos e registro BR-03770/2026 no TSE. E a Paraná foi feita de 25 a 28 de março, com 2.080 eleitores, margem de erro de 2,2 pontos para mais ou menos e registro BR-00873/2026 no TSE.
Ideia de abril com Flávio também à frente — Além da Quaest e Datafolha, outra pesquisa deste mês de maio, diferente da MDA, revelou Flávio numericamente à frente de Lula, mas também em empate técnico na projeção de segundo turno. Foi (confira aqui) a Ideia: Flávio 45,8% a 45,5% Lula. Ela foi feita de 3 a 7 de abril, com 1.500 eleitores, margem de erro de 2,5 pontos para mais ou menos e registro BR-00605/2026 no TSE.
(Infográfico; Joseli Matias)
Metodologias e espaços das séries MDA e Quest — Além da diferença de metodologias, a MDA faz mais espaçada em tempo sua série de pesquisas, cuja anterior era de novembro de 2025. Por sua vez, a Quaest faz pesquisas mensais, tornando mais precisa a observação das tendências.
Flávio tira mais da metade da vantagem de Lula na MDA — Na série mais espaçada MDA, Lula vencia a projeção de segundo turno contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por 49% a 37%, ou 12 pontos de vantagem, em novembro de 2025. Com Flávio no lugar do pai, a vantagem de Lula caiu 7,3 pontos em abril, mais da metade, cinco meses depois: 44,9% do petista a 40,2% do senador, empate técnico na margem de erro.
(Infográfico; Joseli Matias)
Flávio inverte vantagem de Lula na Quaest — Na série mensalmente testada Quaest, em dezembro de 2025, Lula batia Flávio na projeção de segundo turno por 46% a 36%, exatos 10 pontos de vantagem. Que não só desapareceu cinco meses depois, como se inverteu 2 pontos a favor de Flávio em abril, onde bateria Lula por 42% a 40%, outro empate técnico na margem de erro.
Lula ainda lidera ao primeiro turno — Lula continua liderando as consultas espontânea (onde o eleitor fala da própria cabeça em quem votará) e estimulada (com a apresentação dos nomes dos candidatos) ao primeiro turno.
Lula lidera fora da margem de erro na MDA — Na MDA de abril, o petista teve 28,7% contra 16,6% de Flávio, 12,1 pontos atrás na espontânea. Na estimulada ao primeiro turno, Lula teve 39,2% contra 30,2% de Flávio, 9 pontos atrás. São duas vantagens fora da margem de erro da pesquisa.
(Infográfico; Joseli Matias)
Lula lidera fora da margem de erro na Quaest — Na Quaest de abril, Lula também lidera a espontânea, com 19% contra 13% de Flávio, 6 pontos atrás. Na estimulada ao primeiro turno, Lula teve 37% contra 32% de Flávio, 5 pontos atrás. O que também são duas vantagens fora da margem de erro da pesquisa.
Após manobra do governo Lula, os ministros do STF Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, assim como o procurador-geral da República, Paulo Gonet, só não tiveram o pedido de indiciamento no Senado aprovado pelo apertado placar de 6 votos a 4
Ministros do STF e PGR na mira
Ontem, o relator da CPI do Crime Organizado, senador Alessandro Vieira (MDB/SE) apresentou relatório propondo o indiciamento dos ministros do STF Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Gilmar Mendes e o procurador-geral da República, Paulo Gonet. Por crime de responsabilidade com base em envolvimento com o Banco Master.
Perde em 2026, mas aposta em 2027
Com uma manobra do governo Lula (PT), trocando votos na comissão do Senado, o relatório de Vieira foi recusado pelo apertado placar de 6 votos a 4. Perdeu em 2026, mas riscou uma linha não chão a 2027. Quando, renovado em 2/3 pela urna, o Senado deve trazer uma nova composição ainda mais refratária aos arbítrios do STF.
Qual Poder acima da Lei?
Houve reações de Gilmar e Toffoli, com ameaças a Vieira. Mas nenhuma explicação das relações desses ministros e de Moraes, todos com indícios de enriquecimento, com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, hoje preso e disposto a delatar. Quando o fizer, ficará mais fácil se saber qual Poder se julga acima da Lei na República.
O presidente do STF, ministro Edson Fachin, e o presidente do TJ-RJ, desembargador Ricardo Couto, que pode ser mantido pela primeira Corte governador do RJ até outubro
Ricardo Couto governador até outubro?
Uma intervenção do Supremo Tribunal Federal (STF) no sentido de manter o desembargador Ricardo Couto governador do estado do Rio de Janeiro até as eleições diretas ao cargo em outubro. É o que se pode apreender a partir de vários analistas políticos brasileiros, muitos com fontes privilegiadas tanto em Brasília quanto na cidade do Rio.
“Mais provável”
“O mandato do governador interino do Rio, Ricardo Couto, caminha para ser prorrogado. E talvez chegue às eleições de outubro ainda como governador do estado. A possibilidade de permanência do Ricardo Couto é hoje a possibilidade mais provável”, projetou (confira aqui) na última segunda-feira (13) o jornalista Lauro Jardim, de O Globo.
“É uma intervenção”
“Eles (os ministros do STF) vão ter que criar uma solução para segurar a situação e manter o presidente do TJ à frente do governo do Rio. A intenção é esta, está claramente posta. É uma intervenção; será mais uma intervenção, a mais explícita”, revelou (confira aqui) desde domingo (12) o jornalista Carlos Andreazza, na Band News.
Mudança de perspectiva
“O julgamento do STF para decidir como deve ser escolhido o próximo governador do Rio está suspenso. Mas as trocas que o interino, Ricardo Couto, já começou a fazer, indicam que ele trabalha com a possibilidade de ficar por mais alguns meses ou até o final do ano”, confirmou (confira aqui) ontem (14) a jornalista Malu Gaspar, de O Globo.
STF avisou: Couto fica
“Interlocutores do novo governador afirmam inclusive que ele já foi avisado por ministros do STF de que não sairá da cadeira tão cedo, porque muito provavelmente a questão não será definida a tempo de se realizarem eleições diretas no estado”, completou Malu Gaspar.
Mudanças no estafe
Com a perspectiva de ficar no cargo, desde segunda Ricardo Couto exonerou o secretário-chefe de Gabinete, Rodrigo Abel, último membro do núcleo duro da gestão Cláudio Castro (PL). Assim como Nicholas Cardoso da presidência do Rioprevidência, fundo de pensão do servidor que aplicou R$ 2,6 bilhões no Banco Master.
Pryscila Marins, advogada eleitoral
Análise jurídica (I)
“O problema é que o tempo do processo jurídico não acompanha o tempo da política. Um pedido de vista (do ministro Flávio Dino no STF) pode se estender mais de 90 dias e põe o Estado em situação delicada: reduz a viabilidade da eleição a governador, indireta ou direta, com o mandato já no fim”, disse Pryscila Marins, advogada eleitoral.
“Precedente perigoso”
“Nesse vácuo começam a surgir soluções sem base legal. A permanência prolongada do presidente do TJ no comando do Executivo não tem amparo na legislação. A substituição existe, mas é excepcional e temporária. Se isso for admitido, abre-se um precedente perigoso: um governo sem legitimidade eleitoral”, concluiu Pryscila.
Carlos Alexandre de Azevedo Campos, advogado, professor da Uerj e ex-assessor do STF
Análise jurídica (II)
“Há precedentes nesse sentido: a renúncia (de Castro) foi fraudulenta. A hipótese seria de eleição direta. Mas não é racional termos duas eleições diretas em tão pequeno período de tempo. Daí a decisão do TSE pela eleição indireta”, analisou o advogado Carlos Alexandre de Azevedo Campos, professor da Uerj e ex-assessor do STF.
“O STF não deveria interferir”
“Ministros do STF, pelo descrédito da Alerj, querem intervir diretamente na política de governo. Para decidirem o que não poderiam: quem deve governar. E o que é pior, parece que pela manobra do pedido de vista (de Flávio Dino). Mesmo diante do quadro endêmico de corrupção no RJ, o STF não deveria intervir” concluiu Carlos Alexandre.
Paes favorecido?
Se Couto ficar governador até outubro, o maior favorecido deve ser o ex-prefeito carioca Eduardo Paes (PSD), favorito em todas as pesquisas (confira aqui e aqui) até aqui a governador. Seu provável adversário, o deputado estadual Douglas Ruas (PL) ficou perto de assumir como governador-tampão após ter sido eleito (confira aqui) presidente da Alerj no dia 26.
Melhor chance de Ruas
Nome do bolsonarismo, força eleitoral dominante entre os fluminenses em 2018 e 2022, Ruas ainda é desconhecido da maioria dos seus eleitores. Se, da condição de presidente eleito da Alerj, assumisse como governador-tampão, teria a chance de se fazer conhecer com o peso da máquina que disputaria pelo voto popular em outubro.
Alerj elege à tarde, TJ anula à noite
Só que, no mesmo dia 26 em que Ruas foi eleito presidente da Alerj à tarde, o TJ-RJ anulou o ato (confira aqui) à noite. Porque só poderia ser iniciado após a retotalização dos votos pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE), como determinado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), quando cassou o mandato do ex-presidente da Alerj Rodrigo Bacellar (União).
Sob o olhar de Ícaro brindando à vida com um pint de Guinness em Amsterdã, poucos meses antes, Dempsey e Aluysio em 19 de agosto de 2023 (Foto: Paula Vigneron)
Era o início da manhã de 14 de maio de 2023. Passara em claro aquela madrugada depois que Ícaro Barbosa, meu único filho, morreu na noite anterior, com apenas 23 anos. Buscava, mas não tinha forças para reagir à mais indizível das dores humanas. E voltar ao IML, onde seu corpo estava, para dali providenciar seu velório e enterro.
Já havia tido a experiência da quase morte duas vezes. Mas aquele foi e será, sem dúvida, o ponto crucial da minha vida. Sem companhia humana no apartamento, olhei ao american bully Jack Dempsey, rebatizado com o nome do campeão mundial de boxe peso-pesado entre 1919 e 1926, pelo mesmo porte atarracado e musculoso.
Com os olhos, Dempsey comungava minha dor, por alguém que também amava e que o amou. E que quando cheguei ao apartamento no final da noite anterior, após ver o corpo do meu filho e acariciar seus cabelos dentro de um saco plástico preto dos Bombeiros, disse-lhe, com sua aparente compreensão: “Nosso menino morreu!”
Todavia, Dempsey também me dizia naquele início de manhã seguinte, pelos mesmos olhos cúmplices e por sua expressão corporal, que precisava sair para passear e fazer suas necessidades. Era a vida que continuava sob o sol, em seus aspectos mais comezinhos, após a queda de Ícaro.
Compreendi. E arrancando força física para dar, literalmente, cada passo, como um maratonista ao final da prova, saí para passear com ele, antes de subir, tomar banho e seguir à via crúcis do IML, do velório e sepultamento de Ícaro. O que, com uma clareza que cega a tudo mais ao redor, se não fosse por aquele cão a me guiar da morte à vida, eu não teria conseguido.
Sem hoje parecer por acaso, cheguei a Dempsey por Ícaro. De uma relação altamente tóxica deste, aquele cão foi a única coisa boa que saiu. O ex-cunhado da pessoa com a qual meu filho se relacionava tinha um canil dedicado à raça american bully. No qual Dempsey, com pouco mais de um ano e outro nome, era um dos reprodutores.
Incapaz de manter o canil após a pandemia da Covid e sabendo por meu filho que eu tinha experiência em criar molossos, raças de cães fortes, de nariz mais curto, com patas, cabeça e boca largas (que os antigos romanos chamavam “pugnace”, “lutador”), seu primeiro criador, sabendo que o cão seria bem cuidado, me fez sua doação.
Ícaro, Aquiles, Dempsey e Aluysio, quando aceitamos aquele belo e jovem cão em doação, no fim de tarde de 31 de maio de 2021 (Foto: Ícaro Barbosa)
Era o fim de tarde de 31 de maio de 2021, quando eu, Ícaro e seu irmão Aquiles, meu afilhado, fomos buscar o novo cão para levá-lo à minha casa em Atafona. Onde já habitavam dois rottweilers machos, Bismarck, que cumpre até hoje sua função de guarda da casa, e Manfred, que era de Ícaro e faleceu pouco depois dele.
Em tese, rebatizado Dempsey, o cão seria de Aquiles e ficaria na praia. Tentei socializá-lo com Bismarck e Manfred, o que deu certo no início. Até que uma noite, comigo sozinho em Atafona, parei de escrever um texto e saí ao quintal, em direção aos latidos e rosnados fortes de dois molossos se engalfinhando. Eram Bismarck e Dempsey.
Com muito custo, após extenuantes 20 minutos de tentativas infrutíferas, no escuro da luta jurada de morte a cada nova mordida feroz entre dois cães pretos e muito fortes, consegui passar a coleira em Dempsey. E o arrastei pela guia até prendê-la em um gancho de rede da varanda. Após, voltei-me para Bismarck, apliquei-lhe um mata-leão com o resto das minhas forças, deitando-me com ele ao chão.
E ficamos os três, por cerca de 15 minutos de exaustão física, respirando profunda e sofregamente, como os dois pugilistas no último round do filme “Rocky, um lutador” (1976). Fôlego refeito, constatei os danos numa das patas de Bismarck e sobre quase toda a cabeça de Dempsey, mascada como um chiclete por um cachorro bem maior e 15 kg mais pesado.
Por sorte, tinha anti-inflamatório e antibiótico em casa. Que ministrados logo após limpar as feridas na cabeça de Dempsey com antisséptico, fez com que a sua aparência de couve-flor começasse a desaparecer já a partir da manhã seguinte. Mas foi gerada ali a certeza: Bismarck e Dempsey não poderiam mais conviver no mesmo ambiente.
Como estava de férias, na noite daquele evento quase fatídico, que deixou Dempsey pelo resto da vida com cicatrizes de luta no rosto como o campeão de boxe que o rebatizou, passei a tentar criá-lo não mais como cão de quintal, mas de dentro de casa. Nova rotina à qual, de maneira impressionante, ele se adaptou desde o primeiro dia.
Antes da reforma do meu apartamento, que fechou a varanda com blindex, Dempsey em sua vida de cão de dentro de casa, olhando a banda da vida passar, em 30 de junho de 2024 (Foto: Aluysio Abreu Barbosa)
Quando voltei das férias em Atafona para Campos, trouxe Dempsey comigo. E nunca mais nos separamos, salvo quando eu viajava, do convívio diário. Já tinha criado 17 outros cães antes dele, mas todos com vida de quintal.
Tive um buldogue inglês, que, em tese, era de Ícaro: Moe. A quem permitia vida de casa quando eu estava em Atafona. Mas que passava o resto do tempo no canil, ou solto sozinho no quintal, para evitar outras pelejas de morte que ele teve com Rommel, meu primeiro cão e rottweiler, entre os anos 1990 e 2000. E que foi o ser vivo, incluindo os humanos, com quem tive mais cumplicidade. Dizíamos nos olhando.
Olhos nos olhos com Rommel, meu primeiro cão e rottweiler (Foto de Ricardo Avelino, do final dos anos 1990, restaurada digitalmente por Joseli Matias)
Tempos depois, tive convívio com outro cão de casa, o buldogue francês Zidane. Ao qual presenteei Ícaro na adolescência, em 2015. E que ele, de fato, criou. Mas quase sempre quando ia a Atafona, com Ícaro e Aquiles ou sem eles, levava Zizou. Que foi, a exemplo de Rommel comigo, o ser vivo do qual meu filho foi (confira aqui) mais cúmplice. E de cuja morte, em 2021, Ícaro faleceu dois anos depois sem nunca se recuperar inteiramente.
O bulgogue francês Zidane e o Atlântico de maré cheia na Atafona de 10 de novembro de 2018 (Foto: Aluysio Abreu Barbosa)
Em tempo integral, Dempsey foi meu primeiro cão de dentro de casa. O que gera uma relação mais profunda, pelo convívio íntimo diário, do que com um cão de quintal. Casei e, mais do que pretendia, me separei quatro vezes. E, sem desdouro a essas quatro mulheres, pois por todas mantenho carinho e admiração, nenhuma deixou a casa tão vazia quanto ela está desde a última quinta-feira (9).
Em 30 de junho de 2024, o que você vê, deitado no chão da sala do seu apartamento, entre o sofá e a TV passando o Espanha 4 a 1 Geórgia ao vivo pela Euro, ouve uma respiração funda sobre sua cabeça e a vira, meio assustado, para descobrir a origem (Foto: Aluysio Abreu Barbosa)
Em junho do ano passado, Dempsey apareceu com um inchaço na cauda que não cedeu com anti-inflamatório. E que o ultrassom e o raio x indicaram ser tumoral. Como perdi meu pai e um ex-sogro querido por câncer, aprendi que o tempo é fundamental no seu combate. Amputada a cauda, confirmada a malignidade do tumor em biópsia, passamos às seis sessões mensais de quimioterapia prescritas pela oncologista.
Após três sessões, na metade do tratamento previsto, repetidos o ultrassom e o raio x, nenhum sinal de metástase. O que nos encheu de esperança. Mas após a sexta sessão final, refeitos os mesmos exames após o carnaval, a metástase apareceu já tomando os dois pulmões de Dempsey, com um grande tumor no direito.
No dia 27 de fevereiro, uma sexta-feira, quatro dias depois de sair o laudo do raio x, pelo qual até um leigo como eu entendia a gravidade capital do caso, a oncologista finalmente nos atendeu. Ela disse que estimava sua sobrevida em dois meses e que o câncer dele teria mesmo pouca chance de ceder com a quimioterapia.
Os american bullies Pajeú e Dempsey, no nascer do sol de 2 de junho de 2024, em Atafona (Foto: Aluysio Abreu Barbosa)
Ao que lhe pedi que refizesse a frase, pois foi oposta à que me disse antes de iniciar o tratamento. A R$ 800,00 por sessão (R$ 600,00 da quimio + R$ 200,00 de hemograma) no total de R$ 4.800,00. Fora os valores de cada consulta oncológica, R$350,00 cada, sem dar recibo por nada, e os gastos com todos os remédios prescritos.
No que deixo o alerta sobre essa lucrativa indústria pet aos criadores de cães. Sobretudo aos muitos que transformam os seus em indivíduos neuróticos, sem nenhum controle, pela arrogância estúpida de tratá-los como um bebê humano. Melhor fariam, aos cães, se tentassem reproduzir suas carências patológicas em um bebê reborn.
Até por respeito às diferenças, um cão tem que ser tratado como o que de fato é: um lobo domesticado, mas geneticamente o mesmo animal. É um predador carnívoro, muito inteligente, de bando e cuja sociologia hieraquirzada em torno de um líder, que, se não houver, será ele próprio, demanda controle por mão humana tão amiga quanto responsável e firme.
O fato é que, a despeito do contraste da expectativa passada antes e depois da quimioterapia, a projeção final da oncologista retraçou os planos humanos. E por isso interrompi minhas férias, que cheguei a anunciar (confira aqui) em 20 de fevereiro, três dias antes de o laudo do raio x revelar a metástase avançada nos pulmões de Dempsey.
Com sua necessidade diária de cuidado pessoal, remédios e alimentação especial, hiperproteica, e sem possibilidade de viajar, cancelei as férias e voltei ao trabalho desde 25 de fevereiro. Foi entre o laudo capital do raio x e a consulta final com a oncologista, até para ocupar a mente com alguma outra coisa.
Dempsey, já em fase terminal, mas ainda relativamente bem, na manhã do domingo do último dia 29, entre o Atlântico, a foz do Paraíba do Sul, as casuarinas e as ruínas humanas de Atafona (Foto: Aluysio Abreu Barbosa)
A partir de pesquisa e consulta com amigos das biomédicas, decidi que cuidaria de Dempsey com todo o carinho, até quando ele não sofresse desnecessariamente. Após seu último final de semana em Atafona, ele parecia bem, dentro do seu quadro terminal, até o domingo passado (5). Mas acordou na segunda (6) com muita dificuldade para respirar, diuturnamente, mesmo dormindo, e também para caminhar.
Como o quadro não se alterou, nem um minuto, nos três dias seguintes, usei o exemplo da vida e da poesia de Antonio Cicero. Que, diagnosticado com Alzheimer e com o avançar da doença, foi para a Suíça, onde a eutanásia, ou morte assistida e indolor, é legalizada. E lá fez sua digna passagem em 23 de outubro de 2024.
“Guardar uma coisa não é escondê-la ou trancá-la.
Em cofre não se guarda coisa alguma.
Em cofre perde-se a coisa à vista.
Guardar uma coisa é olhá-la, fitá-la, mirá-la por
admirá-la, isto é, iluminá-la ou ser por ela iluminado.
Guardar uma coisa é vigiá-la, isto é, fazer vigília por
ela, isto é, velar por ela, isto é, estar acordado por ela,
isto é, estar por ela ou ser por ela.
Por isso melhor se guarda o voo de um pássaro
Do que um pássaro sem voos.
Por isso se escreve, por isso se diz, por isso se publica,
por isso se declara e declama um poema:
Para guardá-lo:
Para que ele, por sua vez, guarde o que guarda:
Guarde o que quer que guarda um poema:
Por isso o lance do poema:
Por guardar-se o que se quer guardar.”
Ladeado por seu leais amigos Aquiles e Rosemary, Dempsey em seu último passeio no limite do Atlântico, minutos antes da sua passagem assistida e indolor no início de tarde da última quinta (9), na Atafona em que viveu boa parte da sua vida e foi sepultado (Foto: Aluysio Abreu Barbosa)
Na tarde de quinta, após combinar com outra veterinária, mais solícita e empática, com experiência em eutanásia, voltamos a Atafona, Dempsey, eu, Aquiles e Rosemary, secretária do lar e minha amiga há 25 anos. Demos com ele seu último passeio na praia, lento e sem a guia, entre a foz do Paraíba, o Atlântico e suas ruínas humanas. Em que, no caminho de volta, ele mostrou cansaço à beira da impossibilidade pulmonar.
Pela manhã, tinha pedido previamente a Alex, meu caseiro em Atafona e filho mais velho de Rosemary, para abrir uma cova funda, ao lado de duas casuarinas, no corredor direito da área de lazer da casa. No chão desta, enquanto rolava no som a versão de Oração de São Francisco de Assis por Fagner, a veterinária ministrou a Dempsey, via venal, três seringas de anestésico, para tirar-lhe qualquer dor ou consciência, e depois duas ampolas de cloreto de potássio, que pararam seu coração de forma imediata.
Durante todo o processo relativamente rápido e absolutamente indolor, Dempsey ficou deitado no mesmo chão de ardósia verde em que sempre adorou se esparramar. Sentei ao seu lado esquerdo. Com a mão direita fazia os carinhos atrás das orelhas, como entre o nariz e os olhos, que ele amava de paixão, enquanto tinha a canhota sob seu queixo e garganta, para sentir sua pulsação.
Ícaro e Zidane, as últimas recomendações que Dempsey ouviu de voz humana nos seus pouco mais de 6 anos de vida (Foto: Ícaro Barbosa)
Antes de a primeira seringa de anestésico fazer efeito, disse ao seu ouvido que tinha cumprido o que lhe prometera, desde que seu câncer foi descoberto: ir ao seu lado aonde quer que fosse, com limite apenas na irreversibilidade do seu sofrimento. Pedi também que cuidasse de Ícaro e que não desse outro sacode no abusado buldoguinho Zidane, como ele fez, anos atrás, naquela mesma área de lazer.
Depois ele apagou e fechou os olhos. Senti seu último batimento cardíaco com a mão esquerda. Aquiles, eu e Alex, todos chorando, o levamos à cova, em que o terceiro ajeitou seu corpo ao fundo com carinho. Joguei a primeira pá de areia e Alex completou o sepultamento. Depois do qual, Rosemary e eu dissemos algumas palavras: resumidas na certeza de que lhe devotamos todo o carinho e cuidados possíveis.
Dempsey como sempre foi com todas as crianças, entre meu primo Lorenzo e seu irmão e meu aflhado mais novo, Heitor, em 8 de março de 2026 (Foto: Aluysio Abreu Barbosa)
Enquanto eu e Rose verbalizávamos nossa despedida, rolava “Hard Times”, de Ray Charles, na voz e guitarra de Eric Clapton. Que Dempsey ouviu tantas vezes comigo na praia, só eu e ele, ou em companhia de outras pessoas. Com as quais, apesar do porte físico de lutador, era docilíssimo, sobretudo com crianças. Mesmo quando as conhecia pela primeira vez, tinha as orelhas puxadas e era feito por elas de “cavalo”.
Seu lado lutador, que o batizou, estampado em seu torso musculoso e do qual levava cicatrizes na face como todo velho pugilista, era restrito a disputas territoriais com outros machos da mesma espécie. Como ocorre com todo o lobo, incluindo os domesticados pelo homem nos últimos 30 mil anos.
Enquanto pensava nisso e na única humanização que presta a cães, que é transformá-los em sujeitos de Direito, a partir do que os quatro adolescentes burgueses que torturaram e mataram o cão Orelha em Santa Catarina, no início do ano, mereciam o Degase e não a Disney, Clapton cantava e tocava o blues em réquiem a Dempsey:
“Yeah, Lord, who knows better than I?
Yeah Lord, yeah
One of these days there’ll be no more sorrow
When I pass away and no more hard times”
“Sim, Deus, quem sabe melhor do que eu?
Sim, Deus, sim
Um dia desses não haverá mais tristeza
Quando eu morrer e não houver mais tempos difíceis”.
Meus tempos foram menos difíceis nos últimos quase cinco anos ao lado de Dempsey. Mesmo não sendo exatamente um católico romano, na devoção que tenho a Francesco di Assisi, santo dos animais, a oração deste, com quem tive uma experiência mística na Úmbria de 2010, foi encarnada em cão para mim 13 anos depois, no momento mais difícil da vida de qualquer ser humano: