Arthur Soffiati — Um pulo nos anos 1950 de Jack Arnold

 

“O incrível homem que encolheu”, de 1957, considerado a obra-prima do diretor Jack Arnold, hoje injustamente esquecido

 

Arthur Soffiati, historiador, professor, escritor, ambientalista e crítico de cinema

Um pulo nos anos de 1950

Por Arthur Soffiati

 

Havia muitas casas cinematográficas na década de 1950. Não seria possível visitar todas numa breve crônica. É preciso escolher uma. Escolhi a casa de Jack Arnold, nascido em 1916 e falecido em 1992. Quem assisti a um filme dele atualmente talvez conclua tratar-se de um diretor de filme B, com recursos risíveis. Luto contra o presentismo.

É preciso situá-lo em sua época. Terminada a Segunda Guerra Mundial, em 1945, a Guerra Fria travada entre Estados Unidos e União Soviética levantou três temas para o cinema: 1- uma possível nova guerra mundial, agora com armas nucleares; 2- os perigos decorrentes das pesquisas científicas, sobretudo com o átomo; e 3- perigos decorrentes de viagens espaciais. Este último camuflou muitas vezes a ameaça representada pela União Soviética, mas também perigos que poderiam decorrer da expansão espacial, que estava em curso.

Jack Arnold se destacou com filmes sobre os perigos das pesquisas científicas sem ética e o contato com ETs. Destaco três marcas particulares do cineasta, que chegou a contar com bons orçamentos e a dirigir filmes antológicos. Em “A ameaça que veio do espaço” (1953) e em “Tarântula” (1955), ele segue o padrão de muitos filmes estadunidenses da década de 1950: um evento que pode ganhar a atenção do mundo ocorre numa cidadezinha do interior.

Em “A ameaça…”, um cientista renomado vai morar numa pequena cidade do deserto do Arizona. Um belo dia, o casal presencia uma bola de fogo no céu caindo numa cratera. Seria um asteroide? O cientista descobre que se trata de uma nave espacial. Ele entre em contato com os tripulantes, que, como em “Vampiros de Almas” (1956), os ETs podem assumir a forma de homens e mulheres para não serem notados. Mas eles não pretendiam pousar na Terra. Não eram invasores. Tudo não passou de um acidente. O roteiro se baseia em história de Ray Bradbury.

Em “Tarântula”, cientistas trabalham num laboratório perdido no meio do deserto do Arizona, fazendo experiências para aumentar a oferta de alimentos a uma população terrestre que cresce em progressão geométrica. A intenção é boa, mas o resultado não. É preciso contar com o erro, que consiste na produção de um hormônio que aumenta animais e deforma humanos.

O perigo é representado por uma tarântula que escapa de jaula e ganha proporções gigantescas. Nesses dois filmes, Arnold demonstra seu amor pelo deserto e seus habitantes. O deserto não é apenas um cenário, mas também personagem. A tarântula não é má. Ela é apenas vítima da ciência. Mas precisa ser destruída. Para tanto, é necessário o uso de napalm. Nesse filme, Arnold lança o jovem Clint Eastwood.

Em “O monstro da lagoa Negra” (1954), o diretor deixa o deserto e se enfurna na Amazônia, embora tenha simulado o ambiente equatorial na Flórida. Um cientista descobre uma garra em suas escavações e busca auxilio de especialistas. Trata-se de fóssil do Devoniano, período geológico que parece ter chamado a atenção do cineasta.

Pesquisas feitas numa lagoa evitada por nativos revelam um “monstro” meio peixe, meio humano. Em todos os filmes de Arnold, há uma mocinha do tipo violão com soutien de enchimento. O mostro se apaixona por ela. O filme tem uma cena que chamou a atenção de Ingmar Bergman. O filme teve mais duas continuações com os mesmos truques, mas sem o mesmo sucesso do primeiro.

Em “O incrível homem que encolheu” (1957), considerado sua obra-prima, uma nuvem radioativa atinge um homem e provoca nele um processo de encolhimento progressivo. Sua esposa acredita que ele tenha sido devorado pelo gato da casa, mas ele está no porão procurando sobreviver. Depois de enfrentar uma aranha (mais uma vez ela) com uma agulha e de matá-la, seu encolhimento prossegue. Trata-se de um filme existencial em que um homem é lançado pelo acaso numa aventura não-humana.

Por fim, o retorno à paleontologia e ao Devoniano em “O monstro sanguinário” (1958). Um cientista trabalha com um celacanto, peixe do Devoniano. Aos poucos, vai descobrindo que contatos com resíduos do peixe provocam involução. Ele mesmo é vítima desse retrocesso evolutivo e provoca sua morte. Esse filme pode perfeitamente ser enquadrado na categoria B.

Arnold enveredou pelo faroeste, com “Balas que não erram” (1959). Na Inglaterra, dirigiu, ainda em 1959, a comédia “O rato que ruge”, com Peter Sellers em início de carreira. Na televisão, dirigiu episódios de “Perry Mason”, “Peter Gunn”, “A família Sol-Lá-Dó” e outros. Aos poucos, foi esquecido.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

Confira o trailer do clássico “O incrível homem que encolheu”:

 

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Matheus José — O poder requer contenção

 

 

 

Matheus José, advogado

O poder requer contenção

Por Matheus José(*)

 

Sábio imperador da Roma Antiga, ao chegar ao poder, conversando com um seleto grupo de colaboradores, demonstrou a decepção decorrente da conclusão de que vários de seus antecessores abusaram, atuaram além dos limites de poderes que lhes foram conferidos.

Optando trilhar um caminho diferente, criou uma espécie de “pequeno conselho”, o qual era composto por cinco conselheiros de confiança, no intuito de se discutir diversas questões importantes. Porém, acima de tudo, o Imperador fechou uma questão rígida: na abertura dos trabalhos, esses conselheiros deveriam, custe o que custar, sem receio de desgaste para com o Imperador, proceder ao “Lembrete da Contenção” com frases tais como “Lembre-se: você é apenas um homem”, “O poder requer contenção”, “Apesar do Poder que tens, saibas que ele não é absoluto e infinito”.

Uma das ideias centrais de Montesquieu (1689-1755) é a premissa de que “só o poder controla o poder”. Esta forte premissa foi cunhada em nossa Constituição da República. Deveria ser diretriz estruturante de todo detentor de poder. Fazer valer seu juramento. Honrá-lo! Exercer seu poder com responsabilidade e adequada contenção. Nunca abusar ou se omitir de exercê-lo. Mais nociva à República do que o abuso explícito de poder é, muitas vezes, a omissão deliberada no exercício dos freios e contrapesos. Uma verdadeira cumplicidade estrutural voltada à preservação de privilégios e à blindagem de quem excedeu seus limites, que tem gerado atualmente na erosão da legitimidade das instituições detentoras de poder em nosso país.

 

O Legado de Jürgen Habermas – O que deixamos de aprender?

Falecido no último 14 de março, nascido na Alemanha em 1929, Habermas viveu o nazismo quando jovem. Integrante da Escola de Frankfurt, desenvolveu seu trabalho visando criar mecanismos contrários ao autoritarismo, populismo irracional e abuso de poder. Propôs “mudança estrutural na esfera pública” e uma adequada “teoria do agir comunicativo”, titulando nesses termos duas das suas principais obras.

Em uma humilde pontuação, extrai-se de suas obras que uma sociedade só evolui de forma consistente quando o debate público é efetivamente democrático, íntegro e coerente. Seja na esfera do debate público, decisões administrativas de gestores, decisões judiciais (artigo 926 do CPC, Lenio Streck). Ou seja, nas decisões de poder que geram impacto na vida das pessoas, na coisa pública e na credibilidade das instituições detentoras dos poderes da República, há um claro atraso na inserção de tais conceitos qualitativos.

Sem isso continuaremos dissipando tempo e energia em meio a escândalos e debates descomprometidos com a efetiva verdade conceitual e justeza das coisas. Sem contenção do poder e sem integridade no debate público, não há legitimidade. E sem legitimidade, não há República que se sustente.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Governo Frederico Paes e eleições no Folha no Ar desta quinta

 

(Arte: Joseli Matias)

 

Industrial do açúcar e presidente do Sindicato da Indústria Sucroenergética do Estado do Rio de Janeiro (Siserj), Geraldo Hayen Coutinho é o convidado do Folha no Ar desta quinta (9), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3.

Ele dará, sob a perspectiva do seu setor, a perspectiva do novo governo (confira aqui, aqui, aqui e aqui) do também industrial do açúcar Frederico Paes (MDB) em Campos.

Geraldo também falará da eleição a governador-tampão do RJ, com regras a serem definidas hoje (8) pelo Supremo Tribunal Federal (STF), e as consequências desses movimentos na eleição a governador do RJ (confira aqui e aqui) em outubro. Assim como a disputa pelas duas cadeiras que o estado (confira aqui e aqui) elegerá ao Senado.

Por fim, com base nas sete pesquisas nacionais de março (confira aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui) e na primeira deste início de abril (confira aqui), ele analisará a tendência presente de crescimento de Flávio Bolsonaro (PL) nas intenções de voto contra Lula (PT), na disputa a presidente da República.

Quem quiser participar do Folha no Ar desta quinta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook e no YouTube.

 

 

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Flávio segue crescendo em abril e passa Lula ao segundo turno

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Em tendência de crescimento contra Lula (PT) em todas as sete pesquisas presidenciais de março (confira aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui), Flávio Bolsonaro (PL) continua em ascensão neste início de abril. A seis meses da urna de outubro, foi isso que revelou a pesquisa do instituto Ideia divulgada hoje. Na qual, de janeiro a abril, Flávio cresceu 9,8 pontos na simulação de segundo turno com Lula. A quem hoje bateria numericamente por 45,8% a 45,5%.

Atlas e Paraná também com Flávio à frente no segundo turno — A diferença de apenas 0,3 pontos é matematicamente desprezível, em empate técnico na margem de erro de 2,5 pontos para mais ou menos da pesquisa Ideia. Porém, se todos as pesquisas registram o crescimento de Flávio, duas outras já o tinham revelado numericamente à frente em março, também em empate técnico, no segundo turno contra Lula: AtlasIntel (Flávio 47,6% a 46,6% Lula) e Paraná (Flávio 45,2% a 44,1% Lula).

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Lula lidera em empate técnico ao primeiro turno — Na pesquisa Ideia, Lula continuou liderando numericamente as consultas espontânea (32,6% a 19,4% de Flávio, 13,2 pontos atrás) e estimulada, com a apresentação dos nomes ao eleitor, ao primeiro turno. Mas, na estimulada, em outro empate técnico na margem de erro com Flávio, que teve 37% de intenção de voto, 3,4 pontos abaixo, contra os 40,4% do petista.

Flávio cresceu 13,3 pontos na espontânea e 9,4 na estimulada — Na série de pesquisas mensais Ideia desde janeiro, no entanto, a mesma tendência de crescimento real de Flávio também se repete nas consultas espontâneas e estimulada ao primeiro turno. Na espontânea, que revela o voto consolidado, Flávio saltou 13,3 pontos dos 6,1% em janeiro aos atuais 19,4%. Já estimulada ao primeiro turno, Flávio saltou 9,4 pontos dos 27,6% de janeiro aos atuais 37%.

Lula patina nos três últimos meses — No mesmo período de três meses, Lula patinou nas mesmas consultas das pesquisas Ideia. Na espontânea, oscilou 0,6 ponto para cima entre os 32% de intenção que tinha em janeiro aos atuais 32,6%. Já na estimulada ao primeiro turno, o petista oscilou 0,8 para cima, entre os 39,6% de janeiro aos atuais 40,4%.

Lula lidera rejeição, seguido por Flávio — Índice considerado fundamental para a definição do segundo turno, a rejeição registrada em abril pela Ideia é liderada por Lula: 44,2% dos brasileiros, hoje, não votariam nele. Em segundo lugar, mas fora do limite da margem de erro, ficou Flávio, com 37,5% de rejeição, 6,7 pontos a menos que o petista.

Os demais na rejeição — A lista do índice negativo na pesquisa Ideia seguiu com os ex-governadores de Goiás e Minas, respectivamente, Ronaldo Caiado (PSD), com 20,4% de rejeição, e Romeu Zema (Novo), com 17,5%; o empresário Renan Santos (Missão), com 16%; e o ex-ministro Aldo Rebelo (DC), com 11%. Outros 2,2% dos brasileiros disseram não rejeitar ninguém.

Dados da pesquisa — Com margem de erro de 2,5 pontos para mais ou menos, a pesquisa Ideia ouviu 1.500 eleitores de todos o Brasil por telefone, entre os dias 3 e 7 de março (ontem). E foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-00605/2026.

 

 

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Flávio como “candidato altamente competitivo” no Financial Times

 

Flávio no Financial Times como “forte candidato” a presidente do Brasil

 

Flávio competitivo no Financial Times

Em sua edição de ontem (7), o jornal britânico Financial Times disse que a família Bolsonaro estava “politicamente acabada”. Mas que “a seis meses das eleições presidenciais brasileiras, Flávio Bolsonaro, o filho mais velho, de temperamento mais ameno, emergiu (confira aqui) como um candidato altamente competitivo”.

 

Plataforma semelhante à de Jair

Segundo o influente jornal britânico, “a plataforma (de Flávio) é semelhante à de seu pai: uma mistura de posições de extrema-direita em questões sociais e de combate ao crime, com visões de centro-direita sobre a economia, além de uma crença fervorosa de que Bolsonaro pai foi condenado (por tentativa de golpe de Estado) injustamente.”

 

El Salvador será aqui?

O Financial Times destacou que, na segurança pública, Flávio busca uma medida de força como o encarceramento em massa do presidente de El Salvador, Nayib Bukele. E enfrentaria o crime no Brasil “com jovens de 16 anos sendo julgados como adultos e a idade mínima para crimes como homicídio e estupro reduzida para 14 anos”.

 

O que pesquisas de abril dirão?

Quem é contra essas propostas terá que arrumar, nos seis meses até a urna, argumentos mais convincentes do que “fascista” ou tentar relativizar a misoginia do “bem” (confira aqui) de uma Erika Hilton. As pesquisas de abril dirão. A depender se Flávio baterá teto de intenção ou se seguirá a tendência de ascensão desde dezembro de 2025.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Lula em má fase até nas pesquisas internas do seu marqueteiro

 

Lula e seu ministro da Comunicação e marqueteiro, Sidônio Palmeira

 

Lula 3 mal até nas suas pesquisas

Não foi só nas sete pesquisas presidenciais de março (confira aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui) que Flávio Bolsonaro (PL) cresceu nas intenções de votos, enquanto Lula (PT) patina desde 2025, em oscilação de queda. Nas pesquisas qualitativas realizadas pelo ministro da Comunicação Sidônio Palmeira, a grande maioria dos eleitores também sinaliza (confira aqui) insatisfação com o Lula 3.

 

Lula irritado com má fase

Ministro e marqueteiro de Lula, Sidônio não teria conseguido tirar das pesquisas qualitativas explicações para a rejeição ao atual Governo Federal. O fato é que as últimas pesquisas quantitativas a presidente, algumas delas com Flávio já liderando numericamente um eventual segundo turno, têm (confira aqui) irritado bastante Lula.

 

Ações, até aqui, sem efeito

Nem o início da isenção de Imposto de Renda (IR) a quem ganha até R$ 5 mil, válido desde janeiro, foi capaz de dar fôlego ao Lula 3. Os reajustes de programas sociais, habitacionais e a criação de novos benefícios às classes socioeconômicas baixa e média-baixa também não se refletiram, até aqui, na popularidade do presidente.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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“Come cru” x “amado pai” entre Garotinho e Wladimir a federal

 

 

Garotinho e Wladimir (Foto: Instagram)

Come cru x amado pai

“O apressado come cru e quente”, advertiu (confira aqui) na segunda-feira (6) o ex-governador Anthony Garotinho (REP). “Não é apressado, meu amado pai, é ser responsável. A cidade não pode ficar sem deputado federal, mas você e Clarissa permitiram isso na última eleição e a cidade sofre”, respondeu (confira aqui) o filho ex-prefeito, Wladimir Garotinho (PL).

 

Garotinho questiona Wladimir

O embate se deu nas redes sociais de Garotinho, em que ele postou: “Aconselhei, mas cada um decide o que vai fazer de sua vida política. Serei candidato a governador se tiver eleição direta em julho, em outubro serei candidato a deputado federal. Mas (Wladimir) escolheu disputar com o pai podendo ficar na Prefeitura. Por que será?”

 

Wladimir questiona Garotinho

“Sempre tive minha definição e fui claro, enquanto você (Garotinho) não decide que cargo disputar. Hora deputado, hora governador e hora senador. Já que tem tantas opções, escolha aquela que não cause mais um conflito na sua família. Terá meu total e irrestrito apoio, como sempre teve”, disse Wladimir, pré-candidato a deputado federal.

 

George Gomes Coutinbho, cientista político e professor da UFF-Campos

Da psicanálise à ciência política

“Creio que colegas da psicanálise, diante dessa relação edipiana, teriam muito a dizer. Todavia, na minha seara e abrindo mão de Freud, o que pai e filho fazem é usar as redes sociais para criar constrangimentos mútuos e interferir a tomada de decisão do outro”, avaliou o cientista político George Gomes Coutinho, professor da UFF-Campos.

 

São os votos em disputa

“Isso é fazer política, em termos bastante diretos. Saímos de Sófocles (autor da tragédia ‘Édipo Rei’, em que pai e filho disputam o mesmo trono) para entrar em uma competição marcial pelos votos do eleitor. Que podem não ser suficientes para eleger dois Garotinhos ao Legislativo Federal. É isso que está em disputa”, concluiu George.

 

Hamilton Garcia, cientista político e professor da Uenf

Caráter patrimonial-familiar

“A fala de Garotinho, censurando o filho por postular volta à Câmara Federal sem seguir sua orientação, é típica de briga partidária. Como no Brasil a maioria dos partidos tem forte caráter patrimonial-familiar, então a divergência assume a forma de ‘desavença familiar’” analisou o cientista político Hamilton Garcia, professor da Uenf.

 

Personagens diferentes, mesma estrutura

“A questão já havia aparecido quando Wladimir cogitou pela primeira vez se afastar do cargo, e se baseou na experiência de Garotinho (confira aqui) com seus vice-prefeitos Sérgio Mendes e Arnaldo Viana. Os contextos e os personagens são diferentes, mas a estrutura é a mesma: uma municipalidade empoderada por royalties”, concluiu Hamilton.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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Missa de 7º Dia de Nelinho às 19h desta quinta, no Salesiano

 

Falecido precocemente, aos 30 anos, em um trágico acidente com o avião de pequeno porte que pilotava, na última sexta-feira (3), no Rio Grande do Sul, em que morreram também os outros três ocupantes, Nélio Maria Batista Pessanha (confira aqui) terá sua missa de sétimo dia celebrada nesta quinta (9). Que começa às 19h, na Igreja do Salesiano, na avenida Dom Bosco, nº 49, Parque Tamandaré.

Seus pais, os jornalistas Jô Siqueira e Luiz Costa, seus irmãos Ana Luíza e Adriano, e demais familiares convidam todos os amigos para orar em agradecimento pela vida e em intenção da alma de Nelinho, como ele era carinhosamente conhecido desde criança.

 

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Governo Frederico e eleições no Folha no Ar desta quarta

 

(Arte: Joseli Matias)

 

Sociólogo, professor da UFF-Campos e escritor, Fabrício Maciel é o convidado do Folha no Ar desta quarta (8), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3.

Ele dará, sob a perspectiva da esquerda universitária goitacá, a perspectiva do novo governo (confira aqui, aqui, aqui e aqui) do industrial do açúcar Frederico Paes (MDB) em Campos.

Fabrício também falará da eleição a governador-tampão do RJ, com regras a serem definidas (confira aqui) pelo Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quarta, e as consequências desses movimentos na eleição a governador do RJ (confira aqui e aqui) em outubro. Assim como a disputa pelas duas cadeiras que o estado (confira aqui e aqui) elegerá ao Senado.

Por fim, com base nas sete pesquisas nacionais de março (confira aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui), o sociólogo tentará analisar a tendência presente de crescimento de Flávio Bolsonaro (PL) nas intenções de voto contra Lula (PT), na disputa a presidente da República.

Quem quiser participar do Folha no Ar desta quarta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook e no YouTube.

 

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Governo Frederico e eleições no Folha no Ar desta terça

 

(Arte: Joseli Matias)

 

A perspectiva do governo Frederico Paes (MDB) em Campos (confira aqui, aqui, aqui e aqui), as consequências a ele via royalties do petróleo (confira aqui) a partir da guerra dos EUA e Israel ao Irã, e as pré-candidaturas (confira aqui e aqui) a deputado federal e estadual de Campos e região.

A eleição a governador-tampão do RJ, provavelmente em junho e com regras a serem definidas (confira aqui) pelo Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quarta-feira (8), a eleição a presidente da Alerj após a cassação e nova prisão (confira aqui) do ex-deputado Rodrigo Bacellar (União), e as consequências desses movimentos na eleição a governador do RJ (confira aqui e aqui) em outubro.

Por fim, a partir das sete pesquisas de março (confira aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui), a projeção das eleições a presidente da República, daqui a menos de seis meses e hoje polarizada entre Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). E a eleição às duas cadeiras que o RJ (confira aqui e aqui) elegerá ao Senado.

Esses serão os temas em debate no Folha no Ar desta terça (7), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3, entre o radialista Cláudio Nogueira e os jornalistas Aluysio Abreu Barbosa e Hevertton Luna.

 

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Aos pais de Nelinho pelos pais de Carozão: “Boa noite, doces príncipes!”

 

Criança de redação e piloto de avião na vida adulta, Nélio Maria Batista Pessanha (Foto: Arquivo de família)

 

(A Nélio, Ícaro, Jô, Luiz e Dora)

 

Numa aula do curso de comunicação da Fafic, me lembro de um professor falando da magia do ambiente de uma redação de jornal. E do fascínio de quem entra nela pela primeira vez. Lógico, falava de si próprio e da grande maioria que só conhece empiricamente numa redação no início da juventude e da carreira profissional de jornalista. Mas não falava sobre a experiência mais restrita das crianças de redação.

São os filhos de pais jornalistas. Por isso criados, desde a infância, em contato direto com aquele ambiente fervilhante de informações e discussões de pauta, de êxitos e frustrações diárias na função primeva de contar as histórias da tribo em torno de uma fogueira. Aos quais, na Idade Contemporânea e sob luz elétrica, uma redação de jornal acaba virando, pelo convívio, só mais um cômodo da casa, como sala, cozinha ou quarto.

Nelio Maria Batista Pessanha, o Nelinho, filho único da jornalista Jô Siqueira e do jornalista Luiz Costa, que teria mais dois filhos em outro casamento, foi uma dessas crianças de redação. Que conheci ainda bem pequeno na redação da Folha da Manhã. Na qual Jô e Luiz foram crias entre os anos 1980 e 1990 do grande jornalista Aluysio Barbosa, o bom, meu homônimo e pai.

Apesar da forte ligação com os pais, sobretudo com a mãe, que o criou exemplarmente, após a separação de Luiz, Nelinho nunca quis ser jornalista. Desde a criança de redação que foi, falava em ser piloto de avião. Mas, diferente de outras crianças, de redação ou não, que abandonam os sonhos iniciais no caminho natural dos anos, Nelinho investiu a vida no seu primeiro e único sonho. E o fez realidade.

Infelizmente, essa conquista de Nelinho do qual sua mãe, seu pai, e seus dois irmãos, Ana Luíza e Adriano, tanto se orgulhavam, numa fatalidade, custou-lhe a vida, aos 30 anos, na queda do avião de pequeno porte que pilotava, na última sexta-feira (3), na cidade de Capão da Canoa, no Rio Grande do Sul. E no qual também morreram os empresários Déborah Belanda Ortolani, Luis Antonio Ortolani e Renan Saes.

Eu, como meu irmão Christiano, também fomos crianças de redação. Como meu único filho, Ícaro, com mãe também jornalista da Folha, Dora Paula. Desde que ele nasceu, em 15 de julho de 1999, retracei o plano de voo da minha própria vida: não mais o do sol, em torno do qual, em nossos delírios de ego, orbita o universo; mas o de lua, passando a orbitar devotamente em torno de algo muito maior.

 

Ícaro Paes Pasco Abreu Barbosa, no pôr do sol de 31 de dezembro de 2022, no Arpoador, no que seria o seu último réveillon (Foto: Aluysio Abreu Barbosa)

 

Contra minha vontade, Ícaro seguiu meus passos: uma criança de redação que se tornou jornalista. Desde que morreu com apenas 23 anos, em 13 de maio de 2023, ele é a primeira coisa que penso, toda vez que acordo, e a última, antes de dormir e vir “brincar com meu sonhos”, como o Menino Jesus de Alberto Caeiro, heterônimo do luso Fernando Pessoa. Será assim, tenho certeza, com Nelinho. A aplacar a mais indizível das dores humanas em Jô e Luiz.

Recentemente, assisti ao filme “Hamnet: A Vida Antes de Hamlet” (2025), da diretora chinesa Chloé Zhao, que concorreu aos Oscar de melhor filme este ano e teve mais sete indicações, mas só levou o merecido prêmio de melhor atriz, com irlandesa Jessie Buckley. Que interpreta Agnes, esposa do dramaturgo William Shakespeare, e dá à luz seus três filhos: Susanna e os gêmeos Judith e Hamnet.

Cena da peça “Hamlet” encenada no filme “Hamnet”

Com apenas 11 anos, Hamnet morre, provavelmente de peste bubônica, em 1596. Não por coincidência de datas, tema e da homonímia quase exata, Shakespeare escreve “Hamlet” entre 1599 e 1601. A tragédia definitiva do maior dramaturgo da literatura ocidental é encenada pela primeira vez em 1602 e tem sua primeira versão publicada em 1603.

No filme “Hamnet”, quando sai da sua interiorana Stratford-upon-Avon, junto de seu irmão, onde a família de Shakespeare sempre residiu e o próprio viria a falecer anos depois, para assistir essa primeira encenação de “Hamlet” em Londres, Agnes de início não entende e até se revolta. Porque é o filho, de nome quase idêntico ao que perdera na vida real, que sobrevive após a morte do pai na peça, também chamado Hamlet.

Uma lua e um Atlântico banhado de prata, em Atafona, na Sexta-Feira da Paixão, para Nelinho e Carozão (Foto: Aluysio Abreu Barbosa)

Só no desenrolar da trama, onde o próprio Shakespeare (interpretado por outro irlandês, Paul Mescal) encarna o fantasma do Hamlet pai, é que Agnes entende: Na arte que o marido criou não para imitar a vida, mas para reinventá-la, é o pai que morre antes, não o filho.

Embora Jô, Luiz, Dora e eu trabalhemos com a escrita, certamente, nenhum de nós tem o talento de Shakespeare. Mas, também certamente, temos o mesmo lancinante desejo. Sem poder mais ter Nelinho e Carozão ao lado, poder abraçá-los, beijá-los, sentir seus cheiros, nos resta o plural da saudação de Horácio, melhor amigo de Hamlet, após o filho também morrer ao final da tragédia: “Boa noite, doces príncipes!”

 

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De onde veio o crescimento de Flávio sobre Lula? E por quê?

 

Flávio Bolsonaro e Lula

 

 

De onde veio o crescimento de Flávio sobre Lula?

 

“Ao mesmo tempo em que você tem esse crescimento de Flávio e essa consolidação dentro do bolsonarismo, você tem do outro lado três movimentos que vão fazendo o Governo Federal piorar na visão pública.” Foi o que diagnosticou (confira aqui), em entrevista ao Folha no Ar da última terça-feira (31), o cientista político Bruno Soller.

Estrategista eleitoral, comentarista político de veículos de mídia nacionais como Metrópoles, Estadão e Record, ele é também diretor do instituto de pesquisa Real Time Big Data, entre os mais conceituados do país. E seguiu enumerando esses movimentos negativos ao Lula 3, refletidos em todas as pesquisas presidenciais até aqui:

— O primeiro deles, em janeiro, um monte de conta para pagar e a lógica de que é um governo que só aumentou o imposto das pessoas. Número dois, escândalos de corrupção do tamanho do mundo: caso Master e caso INSS. Um envolvendo o filho do presidente e o outro envolvendo o STF, que para a maioria das pessoas está mancomunado com o poder vigente — disse Bruno à Folha FM 98,3. Ele seguiu:

— E a terceira coisa, que é muito importante. Vamos lembrar que nós tivemos, na Marquês de Sapucaí, um desfile em que o presidente Lula foi homenageado por uma escola, a Acadêmicos de Niterói (confira aqui, aqui e aqui seus efeitos imediatos nas pesquisas presidenciais de fevereiro). E ali não foi só uma homenagem ao Lula, foi um ataque, em parte, a uma porção da população brasileira cada vez mais crescente, que é a evangélica. O Lula, depois daquele ato, nos nossos trackings (monitoramentos em tempo real), perdeu de 9% a 11% de apoio entre os evangélicos.

Elio Gaspari, jornalista e escritor

Na quarta-feira de 1º de abril, quem também escreveu (confira aqui) sobre os movimentos negativos do Lula 3 foi o grande jornalista Elio Gaspari. Referência não só do jornalismo brasileiro, é o autor da obra definitiva, dividida em cinco livros e muito acima de qualquer historiador tupiniquim, sobre a nossa última ditadura militar (1964/1985):

— Lula resolveu culpar os endividados pelo endividamento da população. Nas suas palavras: “Tudo a gente vai comprando. É R$ 50 ali, R$ 30, R$ 40. Parece que não é nada. Mas quando chega no final do mês, a somatória dessa quantidade de pouquinhos vira grande. E a gente começa a ficar zangado. ‘Trabalhei o mês inteiro, recebi meu salário e não sobrou nada’. Aí quem vocês xingam? O governo” — transcreveu Gaspari em sua coluna de quarta. Que seguiu em sua análise:

— Culpar a população por um problema é a marca dos governantes tontos. E Lula não está tonto porque o endividamento das famílias aumentou. O que o leva a culpar o povo são as pesquisas. Segundo a pesquisa AtlasIntel (de março, confira aqui), a desaprovação do governo chegou a 54% e além disso, uma simulação do segundo turno da eleição mostrou-o tecnicamente empatado com Flávio Bolsonaro. O presidente tem 46,6% das intenções de voto e Bolsonaro II ficou com 47,6%. Diferindo de seu pai, que aproveitava qualquer oportunidade para fazer campanha, seu filho está jogando parado.

Citada pelo Gaspari, a AtlasIntel é só uma das sete pesquisas presidenciais (confira as demais aqui, aqui, aquiaqui, aqui e aqui) realizadas em março. Feitas por institutos diferentes, com metodologias diferentes, todas apontam como tendência inequívoca o crescimento de Flávio, enquanto Lula patina no teto, oscilando para baixo, desde 2025. O filho 01 do ex-presidente também terá que bater no teto de intenções de voto. Mas quando? E de quanto seria?

Com base na AtlasIntel, o teto não só de Flávio, mas da oposição no primeiro turno, poderia ser esses 54% que hoje desaprovam o Lula 3. Mas isso não é conta exata, pois sempre há eleitores que, mesmo desaprovando o governo de turno em tentativa de reeleição, não veem nome melhor ou menos pior nas opções de oposição. Confira no infográfico abaixo:

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

O maior desafio de Lula não está no primeiro turno, onde ainda lidera numericamente, mesmo que já em empate técnico com Flávio na margem de erro das pesquisas. Mas no provável segundo turno, onde ficou numericamente atrás de Flávio, embora também em empate técnico. Não só na AtlasIntel, divulgada em 25 de março, mas também na pesquisa do instituto Paraná, divulgada na terça (31). Confira nos dois infográficos abaixo:

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

As simulações de segundo turno das pesquisas AtlasIntel (Flávio 47,6% x 46,6% Lula) e Paraná (Flávio 45,2% x 44,1% Lula) não são o pior problema à reeleição do atual presidente. Mas o fato de que, no cruzamento da Paraná com outra pesquisa de março, a Quaest, divulgada no último dia 11, Lula não merece ser reeleito a uma maioria dos brasileiros que cresce nos últimos dois meses.

Na série Quaest, Lula não merece ser reeleito em março para 59% dos eleitores. São 3 pontos a mais que os 56% que achavam o mesmo em janeiro. Na série Paraná, Lula não merece ser reeleito em março para 53,3% dos brasileiros. São 2,3 pontos a mais que os 51% que achavam o mesmo em janeiro. Esse ponto em elevação, hoje entre 53,3% e 59% dos que hoje acham que Lula não merece ser reeleito, é o teto da oposição. Confira no infográfico abaixo:

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

É certo que, a partir de amanhã (5), dia seguinte ao limite de desincompatibilização, quando cessar de vez o medo de enfrentar um Tarcísio de Freitas (REP) a presidente com apoio dos Bolsonaro, o marqueteiro de Lula, Sidônio Palmeira abrirá com mais força a caixa de ferramentas contra o telhado de vidro de Flávio. De rachadinhas, parentes de milicianos como assessores e evolução patrimonial incompatível aos vencimentos.

Mas o dano já está feito. Não só com o desfile carnavalesco de 16 de fevereiro em homenagem a Lula e em ataque os evangélicos, como o da ala “famílias em conserva”. A pesquisa Quaest de março revelou de onde saiu a maioria das intenções de voto a Flávio, de dezembro, quando foi lançado pré-candidato a presidente pelo pai, a março.

 

Ala “neoconservadores em conserva” do desfle da Acadêmicos de Niterói na Marques de Sapucaí, em homenagem a Lula, a crítica aberta à família. Que é a instituição que todas as pesquisas de opinião mostram ser a mais respeitada pelos brasileiros (Foto: Reprodução)

 

A Quaest divide o eleitor brasileiro ideologicamente em três grupos quase iguais em tamanho: 33% de esquerda (19% de lulistas + 14% não lulistas), 33% de direita (21% não bolsonaristas + 12% bolsonaristas) e 32% de independentes. Estes são o centro, que migrou a Bolsonaro em 2018 e a Lula em 2022, elegendo ambos presidentes.

Nesse voto de centro, em um segundo turno com Lula (confira aqui), Flávio cresceu 9 pontos dos 23% que tinha em dezembro aos 32% de março. No mesmo eleitor independente e no mesmo cenário de segundo turno, Lula caiu 10 pontos dos 37% de dezembro aos 27% de março. Foi do centro que saíram os dois dígitos do crescimento de Flávio nos três últimos meses. Confira no infográfico abaixo:

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Esse é o estrago identitário já causado a Lula não só pela alegoria debochada das “famílias em conserva”, como pelos ataques abertamente misóginos da deputada trans Erika Hilton (Psol/SP). Que, ao tomar posse como presidente da comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara Federal, tentou reduzir agressivamente, aos berros, mulheres biológicas de oposição a… “pessoas que gestam”.

 

 

— Erika Hilton é uma forte cabo eleitoral do Flávio. A massa que vota no Lula é conservadora, não é ideológica. A gente tem que parar com isso. A esquerda UFRJ, USP, UFF é muito pequena no Brasil. O voto do Lula é popular, das camadas mais baixas da população, que é conservadora. É onde está o maior índice de pessoas que rejeitam o casamento entre pessoas do mesmo sexo e o aborto — constatou o cientista político Bruno Soller, diretor do instituto Real Time Big Data, no Folha no Ar da última terça.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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