STF decide se investiga Moraes na terça em prévia do voto a presidente

Com tendência de crescimento de Flávio Bolsonaro (PL) em empate no 2º turno com Lula (PT), quatro pesquisas nacionais abriram a semana. As quatro foram feitas após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça levantar no dia 1º o sigilo do relatório da Polícia Federal (PF) que revelou as ligações no mínimo questionáveis (confira aqui) entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, hoje preso, e o ministro Alexandre de Moraes.
Fatura entre os milhões e os bilhões — Entre as revelações, Moraes redigiu um contrato de R$ 131 milhões do escritório de advocacia da sua esposa, Viviane Barci, com o Banco Master de Vorcaro. Que depois celebrou outro contrato, de mais R$ 50 milhões, com o mesmo escritório. E Moares passou a ser consultado regularmente como advogado criminal, em ilícito de advocacia administrativa, pelo banqueiro. Que foi preso pela fraude de R$ 50 bilhões no sistema financeiro, maior da história do país.

Esquerda finge que não tem a ver com Moraes — O que isso tem a ver com a reeleição de Lula? “Todos os campos políticos às vezes manipulam a verdade e os fatos. Mas certo tipo de enganação é tão extremo que parece pertencer a outro universo: como a esquerda, de repente, fingindo que não tem nada a ver com Moraes”, advertiu (confira aqui) no dia 2, entre a revelação do relatório da PF e as novas pesquisas, o jornalista estadunidense Glenn Greenwald, radicado no Brasil.
Quem transformou Xandão em herói? — “E quanto àquela tentativa de proibir críticas a ‘Xandão’, rotulando seus críticos de fascistas (…) enquanto comemoravam quando ele censurava e até prendia seus críticos? Foi a esquerda que transformou Moraes em sua divindade e herói. Agora que a situação se tornou constrangedora para eles, nenhuma pessoa racional acreditará nessa tentativa repentina de fingir que isso nunca aconteceu”, conclui o jornalista.
Juízo tem imparcialidade da Vaza Jato — Moraes passou a “herói da democracia” para muitos lulopetistas por ter conduzido o julgamento e condenação de Jair Bolsonaro (PL) pelo STF em 11 de setembro de 2025, por tentativa de golpe de Estado. Glenn Greenwald foi o jornalista à frente da Vaza Jato em 2019, quando revelou (relembre aqui) mensagens entre juízes e procuradores da Lava Jato que ajudariam a anular no STF, em 2021, a condenação de Lula por corrupção.
Flávio sangrou com Vorcaro — Greenwald comandou jornalisticamente a Vaza Jato no site Intercept Brasil, que ajudou a fundar em 2016 e do qual se afastaria em 2020. Foi o mesmo site que, no último dia 11 de maio, revelou o áudio de Flávio pedindo R$ 134 milhões a Vorcaro (confira aqui) para o filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). E causou, de maio a agosto de 2026, a queda nas intenções de voto do filho 01 de Jair.
Lula sangrou com Lulinha — O que estancou a queda de Flávio em agosto? Lula também começou a sangrar nas pesquisas com o vazamento de mensagens (confira aqui) entre seu filho Lulinha e a lobista Roberta Luchsinger. Além de suspeita do envolvimento de ambos com a quadrilha que fraudou o INSS em R$ 6,3 bilhões, Roberta fez repasses em espécie e joias ao então chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, mais conhecido como Marcola.
Resultado do 2º turno, hoje, é imprevisível — Gradativamente, Flávio passou a reduzir a vantagem de Lula nas intenções de voto. Até que, após Mendonça levantar o sigilo do relatório da PF que expôs a relação entre Vorcaro e Moraes e abriu uma crise sem precedentes nos 135 anos de história do STF, o provável 2º turno entre Lula e Flávio, marcado para 25 de outubro, passou a ter resultado imprevisível nas pesquisas.
Quatro pesquisas da semana — Nas projeções de 2º turno, a Quaest de segunda (7) deu Lula 41% a 41% Flávio. A Nexus de terça (8): Flávio 46% a 45% Lula. A Ideia de quarta (9): Lula 46% a 46% Flávio. A AtlasIntel de quinta (10): Flávio 46,4% a 46,2% Lula. Em todas as quatro pesquisas da semana, comparadas com as anteriores dos mesmos institutos, Lula apareceu em leve tendência de queda e Flávio de crescimento.

Moraes e Vorcaro: 75,5% sabem — Dos quatro levantamentos, só o da Ideia fez perguntas relativas à crise no STF, à relação de Vorcaro com Flávio, ao caso Lulinha e suas influências nas eleições. “Ficou sabendo da relação entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro?”, perguntou a pesquisa. A maioria de 75,5% dos brasileiros respondeu: “Já ouvi falar”. Uma minoria de apenas 11,8% respondeu: “Não ouvi falar”. Outros 12,7% não souberam responder.

Problema do STF, de Moraes ou dos dois? — A Ideia também perguntou: “O que pensa da relação entre Moraes e Vorcaro?”. Ao que 30,0% responderam: “É um problema do STF como instituição”. Outros 18,2% responderam: “É um problema de um ministro (Moraes) em particular”. A maior parte de 40,5% respondeu: “É um problema dos dois (STF e Moraes) igualmente”. Outros 11,3% não souberam responder.
Flávio e Vorcaro: 76,3% sabem — Em contrapartida, a Ideia também perguntou: “Ficou sabendo da relação entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro?”. A maioria de 76,3% dos brasileiros respondeu: “Já ouvi falar”. Uma minoria de apenas 11,2% respondeu: “Não ouvi falar”. Outros 12,5% não souberam responder.

Vorcaro diminui voto em Flávio: 47,9% — A Ideia perguntou depois: “A relação com Vorcaro muda sua chance de votar em Flávio?”. Em problema ao candidato de oposição, a maior parte de 47,9% respondeu: “Diminui a chance de votar em Flávio”. Resilientes 32,2% responderam: “Não muda a chance de votar em Flávio”. Outros 9,3% responderam: “Aumenta a chance de votar em Flávio”. Não souberam responder 10,7%.

Dino em novo capítulo do “Dark Horse” — Feita entre 4 e 7 de setembro, a pesquisa Ideia não pôde captar o efeito eleitoral do novo capítulo no caso “Dark Horse”, no dia 10. Quando o ministro do STF Flávio Dino levantou o sigilo das investigações da PF, que cumpriu 49 mandados de busca e apreensão, e determinou cautelarmente que o deputado federal Mário Frias (PL/SP) não possa deixar o país. Ele é produtor-executivo e roteirista da cinebiografia. E Flávio passou à condição de investigado da PF no caso, por suspeita de lavagem de dinheiro.
Caso Lulinha: 80,3% sabem — Mais que das relações de Moraes e Flávio com Vorcaro, o eleitor pareceu estar ciente do caso de Lulinha. A Ideia perguntou: “Ficou sabendo das denúncias contra o filho de Lula?”. A maioria de 80,3% dos brasileiros respondeu: “Já ouvi falar”. Uma minoria de apenas 9,5% respondeu: “Não ouvi falar”. Outros 10,2% não souberam responder.

Lulinha diminui voto em Lula: 24,5% — No entanto, a resiliência dos eleitores de Lula em relação às denúncias contra o filho foi ainda maior que dos eleitores de Flávio por sua relação com Vorcaro. A Ideia perguntou: “O caso do filho de Lula muda sua chance de voto em Lula?”. E 39,9% responderam: “Aumenta a chance”. Outros 26,1% responderam: “Não muda a chance”. Para 24,5%: “Diminui a chance de votar em Lula”. Não souberam responder 9,5%.
Fachin anula decisões de Mendonça e Dino sobre Andrei — Há outros fatos cujo impacto eleitoral só as próximas pesquisas revelarão. No dia 9, o presidente do STF, ministro Edson Fachin, anulou as decisões de Mendonça e Dino, para tirar e reconduzir o delegado Andrei Rodrigues ao cargo de diretor-geral da PF. Sobre Andrei e o Procurador-Geral da República (PGR), Paulo Gonet, pesam suspeitas de relações não republicanas com Vorcaro, regadas a degustação de charutos e whisky em Londres.
Fachin tira inquérito das fake news de Moraes — Também no dia 9, Fachin tirou de Moraes a relatoria do inquérito das fake news. Que foi aberto por ofício em 2019, em ato alheio ao ordenamento jurídico brasileiro, pelo então presidente do STF, ministro Dias Toffoli. Ele nomeou o relator sem sorteio, dando a Moraes seu maior instrumento de poder nos últimos 7 anos. Que usou contra simples críticos à sua atuação e, por fim, para pedir a investigação de Mendonça após este levantar o sigilo do relatório da PF.
Pleno do STF decide se investiga Moraes na terça. E Mendonça? — Também no dia 9, Fachin marcou para a próxima terça (15) o julgamento do pedido de investigação de Moraes, feito por Mendonça, no pleno do STF. Moraes reagiu e pediu ontem (11) a Fachin que também seja julgado na terça seu pedido para investigar Mendonça. Enquanto este, também ontem, teve de Fachin prazo de 24h para levantar todo o sigilo do caso Master. Como, acuados pela opinião pública, Lula e Flávio passaram a pregar.
Pouca ou nenhuma confiança no STF: 49,7% — Antes desses novos fatos em cascata, a pesquisa Ideia perguntou ao eleitor: “Qual a sua confiança no STF?”. Praticamente a metade dos brasileiros, ou 49,7% deles, respondeu “pouca” (28,4%) ou “nenhuma” (21,3%). Os que disseram confiar, mesmo que só parcialmente, foram 38,5%, divididos entre os 31,2% que responderam ter “alguma” confiança e a minoria de apenas 7,3% que disse ter “muita”. Outros 11,7% não souberam responder.

Prévia no STF da eleição a presidente — Com base nessa divisão entre as denúncias que afetam as candidaturas de Lula e Flávio, suas tendências eleitorais e a confiança do brasileiro no STF, o pleno deste decidirá na próxima terça mais que a investigação ou não de Moraes e Mendonça. A apenas 19 dias do 1º turno, com outros 21 dias depois ao 2º turno, a decisão dos ministros terá o poder de definir a disputa acirrada pelo voto popular a presidente da República.



























