Dino pede vista para tentar salvar Moraes a 19 dias da urna

Era para julgar Moraes
A sessão de ontem (15) do Supremo Tribunal Federal (STF) seria para definir se o ministro Alexandre de Moraes seria investigado por suas relações com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Mas virou um ringue de vale-tudo, com transmissão em rede nacional de TV e consequências diretas na urna de 4 de outubro, daqui a exatos 18 dias.
E foi para atacar Mendonça
O ministro André Mendonça foi frontalmente atacado por Moraes e pelo decano do STF, ministro Gilmar Mendes. E bateu boca com os dois. Foi ele, Mendonça, quem levantou no dia 1º o sigilo do relatório da Polícia Federal (PF) que revelou as ligações no mínimo questionáveis entre Vorcaro, hoje preso, e Moraes.
Advocacia administrativa a R$ 181 milhões?
Moraes redigiu um contrato de R$ 131 milhões do escritório de advocacia da esposa com o Master de Vorcaro. Que depois celebrou outro contrato, de mais R$ 50 milhões, com o mesmo escritório. E Moraes passou a ser consultado regularmente como advogado criminal pelo banqueiro, em crime de advocacia administrativa.
Moraes e o PT, Flávio e Vorcaro
“Herói da democracia” para boa parte dos petistas, por seu papel na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), por tentativa de golpe de Estado, em setembro de 2025, Moraes contaminou Lula nas pesquisas eleitorais de setembro de 2026. Como se deu com Flávio Bolsonaro (PL) em maio, por um áudio seu pedindo dinheiro a Vorcaro.
Vorcaro com Flávio e Moraes
Flávio pediu US$ 24 milhões a Vorcaro para o filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair. E depois se encontrou com o banqueiro em sua casa, quando ele já cumpria prisão domiciliar. Por sua vez, segundo a PF, Moraes e Vorcaro se encontraram pessoalmente, no mínimo, oito vezes. E tiveram 188 interações por celular.
Jantar de Moraes com Lula e Alcolumbre
A relação de Lula e Moraes, nítida a grande parte do eleitorado, se reforçou no último dia 4 de agosto. Quando, ao lado do colega Cristiano Zanin, Moraes recebeu, em seu apartamento, Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União/AP). O objetivo? Um juiz atuar politicamente para selar a paz entre chefes de outros dois Poderes.
Eleição a presidente indefinida
Antes da sessão de ontem no STF, duas pesquisas eleitorais registraram não só a indefinição do provável 2º turno presidencial entre Lula e Flávio em 25 de outubro, como o descrédito popular da mais alta Corte do país. A pesquisa Ideia divulgada no dia 9, trouxe empate nas intenções de voto entre Lula 46% a 46% Flávio no 2º turno.
Pouca ou nenhuma confiança no STF: 49,7%
A pesquisa Ideia também perguntou ao eleitor: “Qual a sua confiança no STF?” Metade dos brasileiros, ou 49,7% deles, respondeu “pouca” (28,4%) ou “nenhuma” (21,3%). Os que disseram confiar, mesmo que só parcialmente, foram 38,5%, entre os 31,2% que disseram ter “alguma” confiança e a minoria de apenas 7,3% que disse ter “muita”.
Mais indefinição na eleição a presidente
Na última segunda-feira (14), véspera da sessão de ontem no STF para definir se Moraes seria ou não investigado, foi divulgada a nova pesquisa Quaest. Com a projeção de 2º turno em empate técnico, na margem de erro, no 2º turno, mas com Flávio numericamente à frente: 42% a 40% de Lula.
Não confiam no STF 56% dos brasileiros
A Quaest também perguntou se o eleitor confia no STF. E a maioria de 56% dos brasileiros afirmou não confiar. Outros 30% disseram confiar pouco, com uma minoria de apenas 9% que disseram confiar muito na sua mais alta Corte. Na série Quaest, foi o maior percentual de desconfiança popular no STF desde dezembro de 2022.
Kassio sai à francesa
O ministro do STF Kassio Nunes Marques tinha seu voto cogitado favoravelmente à investigação de Moraes. Mas se julgou impedido de analisar a questão antes de pedir para deixar a sessão, após vazamentos do celular de Vorcaro darem conta de repasses de R$ 500 mil mensais ao advogado Kevin Marques, filho do ministro Kassio.
Toffoli assume suspeição
Após ter sido obrigado pela opinião pública a deixar em fevereiro deste ano a relatoria do caso Master, que passaria por sorteio a Mendonça, o ministro Dias Toffoli se julgou suspeito de atuar agora no caso. Entre 2021 e 2024, através de um fundo, o Master adquiriu por R$ 35 milhões uma parte do resort Tayayá, no Paraná, da família de Toffoli.
Empate no voto
Com os ministros Kassio e Toffoli de fora, e com a aposentadoria precoce e ainda pouco explicada do ex-ministro Luís Roberto Barroso, os oito ministros votantes empataram em 4 votos a 4 sobre a questão de ordem posta por Gilmar: julgar junto se Moraes e Mendonça, que estava na pauta para o próximo dia 23, serão investigados.
Dino pede vista coordenado com Gilmar
Como Dino pediu vista sobre o caso, que tem prazo de 90 dias e visa jogar a decisão para depois da eleição, seu voto pelo julgamento conjunto dos pedidos de investigação foi anulado. Foi um movimento coordenado com a questão de ordem de Gilmar, que integra a ala do STF pró-Moraes, mais Zanin. Que é também a ala do STF pró-Lula.
A urna desculpará?
Suspeito de corrupção, Moraes acusa Mendonça de abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade. Dino pediu vista antes da ministra Cármen Lúcia ser a voz mais sensata do STF e pedir desculpas ao povo brasileiro. Que deve se manifestar na urna sobre quem pensa poder adiar as satisfações que lhe são devidas.
Publicado hoje na Folha da Manhã.











































