Trégua de Garotinho e Nahim — Certeza com dúvida da causa

Apesar do cruzamento das informações apuradas pelos blogueiros Cláudio Andrade e Alexandre Bastos apontarem para a existência de um encontro entre o deputado federal Anthony Garotinho (PR) e o ex-vereador Nelson Nahim (PPL), no qual os dois irmão teriam acertado uma trégua político, a partir de apuração própria, este blogueiro continuou em dúvida: esse encontro existiu? A incerteza se formou na negativa veemente de fonte muito próxima a Nahim, posição que parecia confirmada pela apuração trocada com outros dois jornalistas muito bem informados. No entanto, hoje, um vereador governista revelou a este blogueiro que na reunião entre todos da base, no Cesec, na última sexta, o presidente da Câmara de Campos, Edson Batista (PTB), afirmou que houve, sim,  o tal encontro.

Na dúvida, uma coisa é fato: a trégua chegou a ser decretada. Após anunciar a todos o encontro pessoal dos irmãos, Edson passou à orientação de trégua aos demais vereadores governistas, no sentido de manter a investigação contra Nahim, mas de afastar essa discussão da mídia. A ordem teria vindo de cima, o que, vindo da boca de Edson Batista, significa sempre dizer: Garotinho! Muito embora a determinação tenha ido por água abaixo, ontem, no programa de Cláudio Andrade da Rádio Continental, no qual o vereador Thiago Virgílio (PTC), não só manteve o chamado “Plano Nahim” na pauta da mídia, como ainda anunciou prazo para entregar um relatório com todas as investigações contra o ex-presidente da Câmara: 11 de março.

Uma dúvida: houve o encontro? Uma certeza: a trégua foi decretada! Outra certeza: a trégua foi quebrada! Outra dúvida: por que chegou a existir?

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Sem receber, vigilantes do HGG não trabalham desde quinta

Mesmo com a reeleição conquistada com folgas no voto e com generosos índices de aprovação popular, basta ler o post da Branca, do blog “Florence, apaga a luz” para perceber que nem tudo são rosas no governo municipal de Campos. Confira o original aqui e sua transcrição abaixo…

VIGILANTES CRUZAM OS BRAÇOS NO HOSPITAL GERAL DE GUARUS

Os vigilantes que atuam nesta instituição ainda não receberam seus salários referente ao mês de janeiro. Ressalta-se que, de acordo com a CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas), os mesmos devem ser pagos até o 5º dia útil de cada mês.

Mesmo comparecendo ao trabalho, eles não estão atuando em suas funções.

De acordo com relato de um deles, que não quis se identificar, todo mês eles passam por essa “via crucis” para que o pagamento saia. Só que desta vez, nem as ameaças funcionaram, chegando às vias de fato: paralisação!

Eles estão desde quinta-feira (14) parados.

Disseram que deixaram que passasse o carnaval, para evitar maiores dissabores, e apesar das tentativas para resolução do problema (S.I.C) com a empresa Dinâmica, nada foi resolvido.

Em clima de total apreensão, esperam que essa situação chegue ao fim.

Como consequência disto, vemos um hospital de grande demanda sem suporte, onde o entra e sai não tem controle. Áreas abandonadas e os funcionários que aqui atuam em clima de total insegurança.

Pedem a ajuda da mídia para que esse impasse seja resolvido da melhor maneira possível, e o mais breve também!

Postado por Branca às 9:50 PM

Atualização às 10h52 de 18/02/13: Às 22h27 de ontem, exata meia hora antes deste “Opiniões”, a jornalista e blogueira Jane Nunes já havia repercutido aqui, no “Estou procurando o que fazer”, a denúncia original da Branca. Abaixo as fotos feitas na noite de ontem, para comprovar a ausência de vigilantes no HGG, postadas hoje no “Florence, apaga a luz”…

Entrada de emergência do HGG, na noite de 17/02/13
Entrada de emergência do HGG, na noite de 17/02/13
Saguão lateral do HGG, na noite de 17/02/13
Saguão lateral do HGG, na noite de 17/02/13
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Qual o motivo da trégua entre Garotinho e Nahim?

De volta à lida blogueira, apurei agora há pouco, junto aos colegas Alexandre Bastos e Cláudio Andrade, uma aparente bomba: Nelson Nahim (PPL) e Anthony Garotinho (PR) teriam se reunido pessoalmente para acordar uma trégua. Negado com veemência por fontes muito próximas a Nahim, que está em Maceió desde o último dia 4,  de onde só deve retornar a Campos no dia 27, o encontro tampouco teve local apontado com precisão. Entre as fontes dos dois blogueiros, umas falaram que teria ocorrido em Guarapari, outras no Rio. Todavia, o presidente da Câmara de Campos, Edson Batista, teria anunciado aos demais vereadores da base, no Cesec, no último dia 15, o resultado prático da suposta reunião, adiantado por Bastos (aqui e aqui) e por Cláudio (aqui): embora as investigações à gestão do primeiro como presidente da Câmara devam continuar, naquilo que os colunistas Murilo Dieguez e Gustavo Matheus já batizaram de “Plano Nahim”, a ordem é baixar a corda pelo menos diante da opinião pública, na tentativa de afastar esse assunto da mídia.

Todavia, se a orientação foi mesmo essa, não parece estar sendo seguida à risca. Hoje, no seu programa na Rádio Continental, do Grupo Folha, Cláudio Andrade foi o primeiro a anunciar o suposto encontro de trégua entre Nahim e Garotinho, mas extraindo do vereador Thiago Virgílio (PTC), em entrevista ao vivo, que as investigações sobre a gestão do ex-presidente da Câmara continuarão. Não apenas isso, mas provocado por Andrade, Virgílio chegou a marcar data para entregar publicamente, à imprensa, um relatório com tudo que foi apurado contra Nahim: 11 de março. Aqui, Cláudio, anunciou a promessa feita pelo vereador em tom de ameaça, que segundo Bastos noticiou aqui, já havia sido feita pelo mesmo Virgílio através do Facebook, onde, com a classe tão peculiar ao grupo político dos Garotinho, soltou a pérola: “quem refresca o do pato é lagoa”…

Atualização às 17h26: O blogueiro tentou contato telefônico com Nahim, às 15h53, enviando também mensagem pelo cel, para saber sua versão do suposto encontro com Garotinho, mas sem ter nenhum retorno até o momento. Segundo informações, o ex-vereador estaria em Maceió.

Atualização às 19h49 para abrir espaço ao contraditório na negativa veemente da existência do encontro entre Nahim e Garotinho, feita por uma fonte muito próxima ao primeiro, que estaria em Maceió desde 4 de fevereiro.

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Artigo do domingo

Olhos abertos

Para qualquer um que acompanhasse com olhos mais atentos a política de Campos, até a eleição de outubro passado, e que, por um motivo qualquer deixasse de fazê-lo, como foi o caso deste pretenso articulista dominical, tendo que só agora retomar ciência do que ocorre em on e off nos círculos do poder goitacá, nenhuma conclusão desapaixonada indicaria que a oposição local, esmagada com requintes de humilhação nas urnas, tenha aprendido a definitiva lição aplicada por estas: eleição que se deixa para disputar só na campanha, é natimorta.

Mesmo sem ter sido reeleito, o principal alvo da situação, como disse Fernando Pessoa pela pena de Álvaro de Campos, tem “uma nitidez que me cega para o que há aqui”: o ex-presidente da Câmara, Nelson Nahim (PPL). Cego é quem, durante toda a campanha de 2012, não enxergou o obstinado empenho pessoal de seu irmão, o deputado federal Anthony Garotinho (PR), no qual pisou fundo para atropelar, sem roçar freio ou buzina, qualquer sentido de ética familiar e política, tendo como único traçado a capotagem eleitoral de Nahim.

Sob a aparente cegueira do Ministério Público e da Justiça Eleitoral de Campos, o atropelo de Garotinho sobre quem ocupou antes sua vaga no mesmo útero materno, pareceu também ilegal às vistas de qualquer leigo. Foi o caso, por exemplo, da proposta em nome da Prefeitura de Campos, feita por um deputado federal sem nenhum poder constituído para tanto, na qual foi oferecido um acordo ao ex-vereador Toninho Vianna (PPL), enquanto fiscal de renda, para que este abandonasse sua candidatura proporcional na nominata de Nahim, em troca da facilitação do pagamento de uma indenização trabalhista que já havia sido ganha nos tribunais.

Assim como cego é quem, neste ano da Graça de 2013, ainda não percebeu o desenrolar de imolação pública, concebida para se sangrar pouco a pouco, daquilo que os colunistas da Folha Murilo Dieguez e Gustavo Matheus primeiro identificaram sob a alcunha de “Plano Nahim”. Arquitetado por Garotinho e posto em prática por vereadores governistas com submissão canina, goela caprina e moral humana, o objetivo seria investigar com lupa e pinça todos os atos do ex-presidente da Câmara, ecoando certezas sobre qualquer possibilidade de irregularidade, ou simplesmente inventando, no caso de inexistência.

Para quem vê um pouco mais além, como foi o caso de Murilo e Gustavo, o objetivo teria atrás de si outro objetivo: tentar chantagear Nahim, no sentido de impedi-lo de participar da campanha do peemedebista Luiz Fernando Pezão (ou do petista Lindbergh Farias), em palanque e propaganda gratuita de TV, dando relevância estadual e nacional à perseguição que sofreu do próprio irmão, em constrangedora oposição à candidatura de Garotinho (ou Rosinha?) à sucessão do governador Sérgio Cabral (PMDB), em 2014.

E quanto aos substitutos de Nahim — e de Marcos Bacellar (PDT), Odisséia Carvalho (PT), Rogério Matoso (PPS) e Ilsan Viana (PDT) — na bancada de oposição do atual Legislativo de Campos? Se os vereadores Nildo Cardoso (PMDB), Fred Machado (PSD), Marcão (PT) e Rafael Diniz (PPS) têm se movimentado, por enquanto parece ser em relação ao pleito mais próximo, de 2014.

Certo que, se Garotinho conseguir voltar ao Palácio Guanabara — tarefa hercúlea, dada sua rejeição de quase 45% —, as coisas ficariam ainda mais difíceis no plano municipal de 2016, muito embora não impossíveis, haja vista que mesmo com Rosinha governadora, o hoje deputado estadual Geraldo Pudim (PR) acabou derrotado duas vezes consecutivas na disputa à Prefeitura de Campos, em 2004 e 2006. Portanto, é igualmente certo que, independente dos resultados das urnas de 2014, a eleição do próximo prefeito de Campos, findo o carnaval de 2013, começa a ser disputada agora!

Quem não for cego ao passado recente e ao presente poderá vislumbrar o que o futuro reserva, aos olhos de 2016, já a partir da próxima sessão legislativa de terça. Veremos…


Artigo publicado hoje, na edição impressa da Folha da Manhã.

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Ardência por Sandrinha

Conheci Sandra Pinto lá pelo no início dos anos 90. Como numa música de Fagner, “Mucuripe”, a única dele que para mim presta, eu então levava nos lábios “Um sorriso ingênuo e franco/ De um rapaz moço encantado/ Com vinte anos de amor” vividos apaixonadamente com uma mulher mais madura, que me ensinou o bandenón de Piazzolla, o cinema de Kurosawa, entre uma ou duas outras coisas. O fato é que ela era amiga de longa data de Sandra, que estava morando em Búzios por essa época, mesma em que eu era conduzido de mãos dadas ao descobrimento do badalado balneário, no eco de Caetano, como em Brigitte Bardot.

Sandrinha estava trabalhando numa loja da tradicional Rua das Pedras, da qual saiu de supetão para surpreender, passantes ao acaso, a mim e minha cicerone nos meandros buzianos e nas artes do amor. De fato, aquela minha primeira impressão de Sandra, colhida no animado papo dela com a amiga, nunca iria se apagar. Com seu sotaque carioquês da terra de Zé Cândido, naquela dicção cantada que tanto marcou os “descolados” dos anos 70, mas dona de presença leve e natural, suave mesmo quando extremamente franca, com astral sempre no zênite, aquela pequena mulher possuía um se fazer notar de pivô de basquete. Se não foi agraciada com maiores dotes de beleza física, era ainda assim uma mulher bastante interessante.

Entre Búzios e Campos, fomos nos esbarrando nas quebradas da vida, enquanto os anos se somavam com os grãos de areia na parte inferior da ampulheta. Depois daquele meu primeiro amor maduro, iria ainda me relacionar enquanto homem com outras três amigas de Sandra, de faixas etárias bem distintas. A provar a democracia atemporal como critério dela em suas amizades e minha na eleição de amores, essas pontes serviram para aproximar minha relação com Sandrinha, quase sempre espaçada de contatos como a foz ramificada de um rio.

De fato, foi quando a vida e seus diferentes afluentes nos uniram próximos à desembocadura do Paraíba do Sul, que mantivemos nosso maior convívio. Aprovado em concurso da Uenf, para trabalhar no projeto da Escola Brasileira de Cinema e Televisão (EBCTV), para o qual o Solar  do Colégio foi restaurado, mas que nunca saiu do papel, usei a estabilidade do emprego público para sair da casa dos meus pais. Nos 11 anos que morei em Atafona, entre 1995 e 2006, Sandra morou em algumas casas na mesma praia e na vizinha Grussaí, naqueles tempos pré-Porto do Açu, quando os aluguéis sanjoanenses ainda eram  bem mais em conta que seus congêneres campistas.

Diante ao Atlântico, velas enfunadas de vento nordeste, frequentamos a casa um do outro, nas quais algumas vezes partilhamos conversas, músicas, filmes, cigarros e bebidas. Embora quase sempre alegre, era mulher de opiniões, vontades e temperamento fortes.

Depois que ambos voltamos a residir em Campos, deixando a intimidade comungada de eremitas praianos, tornamos também a perder contato. Se não me engano, a última vez em que nos vimos pessoalmente, no final da primeira década dos anos 2000, foi novamente em Búzios. Era o casamento de Fabiana Lubanco e Leonardo Santos, o Léo e Bia que souberam amar como num refrão de Oswaldo Montenegro. Conversamos bastante, eu e Sandrinha, dando boas risadas do nosso faroeste caboclo das duas últimas décadas e de tudo que vivêramos até ali.

Não sei se um pouco antes, ou um pouco depois, soube que ela estava com câncer, esta doença desgraçada que, como meu pai dizia, mesmo antes de se saber outra sua vítima, “virou gripe!” Na última vez que nos falamos, por telefone, no ano passado, ela me ligou para buscar minha orientação como jornalista sobre o que fazer para denunciar maus tratos contra os animais, aos quais talvez tenha dedicado mais paixão do que a qualquer homem.

Hoje (ontem), ao saber da sua morte, dois dias após a eclosão de um aneurisma cerebral, em plena terça-feira de carnaval, na casa de Grussaí dos Coutinho, amigos comuns, não pude me furtar em pensar que naquela última ligação, talvez devesse tê-la convidado para um último chope, um último papo. Na dúvida, fica a certeza de um dos posts derradeiros de Sandra no face, datado de 31 de janeiro, numa dessas insondáveis profecias que só percebemos depois de cumpridas: “A saudade só é bonita na poesia. Na vida real ela arde”.

Publicado hoje na edição impressa da Folha da Manhã.

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De volta

Caros leitores! após gozar de descanso das  férias, venho nesta anunciar meu retorno a o blog opiniões!abraço!

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