Artigo do domingo

No caminho do erro

Na Copa de 1998, na França, depois que o Brasil perdeu a final diante da dona da casa, por 3 a 0, com atuação decisiva e dois gols de Zinedine Zidane, quem estava vivo com idade de lembrança, não deve ter esquecido da onda de boatos que tomou conta do país, dando conta que a Seleção Canarinho havia entregado aquele jogo, em nome de supostos interesses financeiros cruzados entre CBF, Fifa e Nike. Bem verdade que a crise convulsiva de Ronaldo Fenômeno, horas antes da partida, bem como sua atuação apática no campo, serviram para reforçar o disse-me-disse.

Em dezembro último, em Las Vegas, depois que o até então invicto lutador brasileiro Júnior Cigano perdeu o título de campeão mundial dos pesos-pesados do Ultimate Fighting Championship (UFC), entidade mais importante do Mixed Marcial Arts (MMA), diante da atuação impecável do estadunidense de ascendência mexicana Cain Velásquez, o mesmo país que 14 anos antes havia “entregado” uma Copa, passou a especular ter perdido o cinturão de todos os pesos por idêntico motivo. Como Ronaldo, o desempenho irreconhecível de Cigano, contra um adversário que já havia derrotado por nocaute, no primeiro assalto da luta anterior, impulsionou a onda de boatos.

Na última semana, a mídia nacional deu bastante atenção à visita da ativista política e blogueira cubana Yoani Sánchez ao Brasil, recebida com tentativas de intimidação física e psicológica por militantes neofascistas do PT e do PC do B, em várias cidades do país. As cenas deprimentes, em muito semelhantes ao constrangimento imposto pelos nazistas, na ruas da Alemanha dos anos 1930, aos judeus e demais “inimigos” da ideologia dominante, antes que o demônio da intolerância mostrasse sua derradeira face nos campos de concentração e extermínio que Hitler espalharia pela Europa após conquistá-la, foram no Brasil justificadas pela suposição de que a dissidente do regime ditatorial dos irmãos Castro seria, na verdade, uma agente da Central Intelligence Agency (CIA), financiada pelo velho (e alquebrado) monstro capitalista: os Estados Unidos. Acusação tão baseada em fatos quanto o famoso “ouro de Moscou”, com que a ex-União Soviética, em tempos idos, financiaria uma revolução comunista no Brasil.

Na última quarta, na sessão da Câmara Municipal de Campos, depois da atuação passiva da sessão inaugural do dia anterior, os quatro vereadores de oposição finalmente disseram a que vieram, denunciando situações como a politicagem envolvida na tentativa de anulação do concurso público daquela Casa, a falta de pagamento do salário de janeiro aos vigilantes terceirizados pela Fundação Municipal de Saúde (FMS), a demissão de uma grávida da Unidade Básica de Saúde (UBS) do Carvão, a compra de material didático para educação infantil no valor de R$ 10 milhões, e a cobrança pela licitação do transporte público, que não foi feita durante todo o mandato anterior da prefeita Rosinha Garotinho (PR).

De fato, ao final daquela sessão, um experiente vereador da situação chegou a exclamar: “Rapaz, essa oposição está pior que a antiga!”. O motivo, alegado por fontes várias da Prefeitura de Campos, teria sido a cobrança aos edis oposicionistas feita pela mídia, mais precisamente pela Folha da Manhã, em seu noticiário e sua coluna de opinião, o “Ponto Final”.

Já na última sexta, explodiu em pleno Jornal Nacional a bomba dos Centros de Atendimento Psicossocial (Caps) do município de Campos, com pacientes amontoados em camas, colchonetes e no chão, sem direito a água filtrada ou a uma mesa na hora das refeições. Evidenciado em gravações de áudio e vídeo, o “sonho dantesco” a lembrar o “Navio negreiro” de Castro Alves, que já havia sido antes denunciado pela jornalista Jane Nunes, desde 21 de novembro de 2011, no blog “Estou procurando o que fazer”, foi ontem pretensamente justificado pelo deputado federal Anthony Garotinho (PR), em seu próprio blog, como uma retaliação da Rede Globo à sua atuação parlamentar em Brasília.

O Brasil perdeu em 98 porque a seleção da França, que seria também campeã da Europa em 2000, em façanha até então inédita, bisada depois apenas pela Espanha de Xavi e Iniesta, era um time melhor e tinha um gênio em seu auge: Zidane. Cigano perdeu porque não conseguiu encaixar seu jogo de boxe e Velásquez, no conjunto dos fundamentos do MMA, é um lutador mais completo, além de ter apresentado uma estratégia de luta mais acertada.

Os fascistóides do PT e PC do B perseguiram a blogueira cubana em várias cidades do Brasil porque são maniqueístas, como qualquer outro ruminante intelectual, incapazes de ver o mundo além da sua bipolaridade radical entre bem e mal, que sempre quando contrapostos entre a realidade e suas teorias, preferem negar biliarmente o real. Perseguiram Yonai, xingaram-na, puxaram seus cabelos, cassaram-lhe aos berros o direito à voz, não só porque a grande maioria, com seus tênis Nike, camisas GAP e boinas de Che Guevara, não só jamais conheceu Marx além de palavras de ordem anacrônicas, como sequer chegou a ler uma dos mais batidos (e necessários) princípios de um filósofo anterior, Voltaire:

— Posso não concordar com uma palavra do que dizes, mas lutarei até à morte pelo direito que tens de dizê-las.

Os vereadores de oposição não se portaram como tais porque foram cobrados pela Folha, como acusou gente séria e não séria ligada ao governo Rosinha. Ouvissem o que Rafael Diniz (PPS), Marcão (PT) e Nildo Cardoso (PMDB) admitiram em plenário, constatariam que os oposicionistas, por óbvio, estavam eram “mordidos” com o que declarou no programa Folha no Ar, ao jornalista Rodrigo Gonçalves, o secretário de Governo de Rosinha e bola da vez no teste político para sucedê-la em 2016, Suledil Bernardino (PR), em tom de flagrante ameaça, na última segunda, dia 18:

— Os quatro vereadores da oposição precisam atuar com inteligência, compreendendo a voz das urnas. Se continuarem com o discurso raivoso dos oposicionistas anteriores, eles vão acabar cometendo suicídio político e serão varridos.

Por fim, o escândalo do Caps não aconteceu porque Garotinho investiu contra as emissoras de rádio e TV, numa MP em tramitação no Congresso, como declarou ontem ao participar de programa na rádio O Diário, uma das tantas emissoras que seriam atingidas e que nove entre 10 campistas entende existir apenas para atender aos interesses políticos do próprio Garotinho. Aconteceu porque os doentes psiquiátricos estavam lá, amontoados, sob condições degradantes, como foi denunciado mais de um ano antes, sem que nada tivesse sido feito, até que fossem filmados, gerando em cadeia nacional as tais imagens que valem mais que mil palavras.

Seja no futebol, na luta, na prática da democracia, na lida com a oposição, no serviço público, ou em tudo mais na vida, quando o erro está em si, arrogar-se a buscá-lo no outro é caminho inteiro andado para voltar a cometê-lo.

Publicado hoje, na edição impressa da Folha da Manhã.

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Após antecipar prisão de Carla, Garotinho agora prevê cassação de Neco

Após prever aqui a prisão da então prefeita sanjoanense Carla Machado (PMDB) pela Polícia Federal, o deputado federal Anthony Garotinho (PR) fez aqui, ontem, em seu blog, outra previsão: a cassação do prefeito Neco (PMDB), que Carla ajudou a fazer seu sucessor em São João da Barra. A se confirmar a nova profecia, não será preciso jogar búzios, ler cartas ou conferir bola de cristal fazer se fazer outra: qualquer um que ganhe de Garotinho no voto passa a ter sérias chances de depois perder no tapetão.

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É por que doido não vota?

Aqui, o Jornal Nacional  fez ontem uma grave denúncia, evidenciada por gravações de áudio e vídeo, das condições a que são submetidos os pacientes dos Centros de Atenção Psicossocial (Caps) da Prefeitura de Campos. Na mesma matéria, o secretário de Saúde Geraldo Venâncio disse desconhecer o problema. Pois aqui, a jornalista e blogueira Jane Nunes provou que as denúncias já haviam sido levadas ao conhecimento público, no blog “Estou procurando o que fazer”. Aqui, o também jornalista e blogueiro Gustavo Matheus fez da indignação geral uma ressalva:

— Mas se engana aquele que grita: “É porque doido não vota!”

Atualização às 2h03: Aqui, desde às 18h31 do dia 21, o advogado e blogueiro Cláudio Andrade pareceu antecipar a bomba que seria veiculada no dia seguinte pela Rede Globo.

Atualização às 12h03: Aqui, no blog “Eu penso que…”, Ricardo André Vasconcelos exemplifica um do preceitos éticos básicos do jornalismo, conferindo eco ao contraditório, na versão que lhe foi passada pelo médico do Caps Flávio Mussa Tavares.

Atualização às 13h36: Aqui, em seu blog, o deputado federal Anthony Garotinho (PR), que tem atuado como pára-raio da prefeita Rosinha (PR), chamou para si a responsabilidade da denúncia veiculada no Jornal Nacional, creditando-a a uma retaliação da Rede Globo contra sua atuação parlamentar em Brasília. Sobre a situação dos Caps de Campos, ele prometeu providências, falando em nome de um governo municipal sobre o qual, na tese e na lei, não deveria ter nenhuma ingerência.

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Yoani e Suplicy: democracia

Acima, a foto da blogueira e ativista política cubana Yoani Sánchez com o senador Eduardo Suplicy, um dos poucos no PT a ainda tentar resistir às tendências abertamente fascistas do partido que fundou, aliado a legendas menos cotadas como o PC do B, fundado sob os preceitos de Joseph Stálin, um dos mais sanguinários genocidas do séc. XX, cuja virtude foi derrotar na II Guerra Mundial seu congênere e ex-aliado: Adolf Hitler. Abaixo, divulgado aqui, na democracia irrefreável das redes sociais, o depoimento da jornalista Mona Dorf, testemunha ocular do conceito de livre expressão a que a cubana, dissidente do regime dos irmãos Castro, foi submetida numa livraria de São Paulo…

Mona Dorf
Mona Dorf

De luto.
Fui à livraria Cultura, onde fui convidada para um encontro com a blogueira Yoani Sánchez. Fui lépida e faceira, fazendo piadas antes, como é do meu feitio. Quem me conhece sabe que adoro uma farra.
Cheguei, me credenciei, e fui tomar uma coca. Ouvi uma turba fazendo protesto. Fui lá olhar e ouvir as palavras de ordem. “Vai embora, vai embora , blogueira imperialista . A América Latina vai ser toda comunista!” Umas belezinhas de tênis nike e camiseta gap. Eu me diverti com um slogan tão retrô.
Deu 18h30 e fomos convidados a entrar na sala 1 do cinema ao lado, onde ocorreria a conversa. Sentei-me ao lado de dois blogueirinhos simpáticos, que não tinham a menor ideia do que perguntar. Socializei minhas perguntas e até então estava legal.
Yoani faz uma breve preleção sobre como foi se tornar blogueira. E começou a responder às perguntas, que eram feitas pela ordem de chegada dos blogueiros.
Após responder a duas ou três, a organização resolve deixar entrar as pessoas – a maioria civilizada – entrassem, porque o tempo estava se exaurindo. Tudo muito civilizado.
Barbara Gancia assume a função de mediadora. Começa a ler as perguntas remanescentes, que escrevemos e entregamos a ela. Mal deu início, uns 20 delinquentes começaram a gritar palavras de ordem e apitar. Um barulho infernal.
Barbara disse que faria algumas das 40 perguntas que os blogs de esquerda postaram o dia inteiro, inclusive dizendo que eles apostavam que ela, supostamente de direita, não faria isso. As esquerdas uivavam como bichos e não deixaram ela falar. Yoani mal balbuciou a resposta sobre o wickleaks. Não deu para ouvir.
Deu-me vergonha, muita vergonha, que se somou à patética festa dos 10 anos de governo do PT, em que Dilma disse não ter recebido herança boa alguma de Fernando Henrique. Que Lula afirmou que a imprensa era inimiga do partido. Ducha de água fria em mim, que sou democrata, aposto em governos de cunho social, mas não admito mentiras.
O debate (?) foi encerrado pela absoluta falta de condições. Peguei meu caderninho, meu telefone, e caminhei triste pela Avenida Paulista. Triste com o vergonhoso e fascista comportamento dos manifestantes que não queriam ser ouvidos. Que se negaram a fazer perguntas, apesar de instados pela mediadora.
Triste esquerda brasileira. Amanhã, posto o que Yoani falou. Hoje, estou de luto.

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Das denúncias do Zé Geraldo

Bem ao seu estilo, o jornalista e blogueiro Gustavo Matheus anunciou aqui, no Blog da Coluna, repercussão virtual da coluna que Murilo Dieguez e ele publicam toda sexta, na edição impressa da Folha:  “E o Bozo ataca novamente!”. Alcunhado como o famoso palhaço durante a eleição municipal de 2012, pelo deputado federal Anthony Garotinho (PR), o ex-candidato a prefeito do PRP José Geraldo revelou ao Gustavo as três ações que seu partido ingressou, alegando uso da máquina pública municipal durante a campanha, para pedir a cassação da prefeita Rosinha Garotinho (PR).

Inconteste que Zé Geraldo foi a grande revelação da última eleição municipal de Campos, na qual saiu da condição de ilustre desconhecido na política para ultrapassar o candidato do PSOL, Erik Schunk, e chegar a incomodar o candidato do PT, Makhoul Moussallem. Isso sem contar a prefeita Rosinha, alvo preferencial dos disparos precisos e constantes do franco atirador. Em 5 de outubro do ano passado, dia seguinte ao debate dos então candidatos a prefeito de Campos, último antes do pleito vencido por Rosinha, promovido pela InterTV, do Grupo Folha, este blogueiro chegou a escrever aqui: “fosse me orientar apenas por eles (os debates), a melhor opção à Prefeitura de Campos, nas urnas de depois de amanhã, é sem sombra de dúvidas o estreante José Geraldo”.

Não por outro motivo, o blog se sente à vontade para agora alertar que toda consistência demonstrada pelo candidato periga cair no mesmo foço de leviandade, da crítica pela crítica, no qual volta e meia chafurda boa parte da oposição. Leviano foi, por exemplo, aparentemente questionar aqui, em comentário neste blog, a isenção do Ministério Público de Campos em relação a Garotinho, e simplesmente fazer silêncio ao ser cobrado pelo blogueiro para que desse exemplos e evidências do que insinuou.

Pela lógica, se não confia no Ministério Público local, cuja manifestação importará, e muito, na devida investigação e andamento dessas ações, como confiar que lograrão êxito? A saber, pela dito pelo próprio Zé Geraldo ao Gustavo, são elas…

1- A primeira foi fundada naquela ação popular do Reda, porque entendemos que ali foi um claro uso do poder político e econômico em beneficio de sua candidatura, quando ela contratou mais de 3 mil pessoas, fora o efeito multiplicador que cada um desses contratados exerce sobre a população e do poder político que o prefeito da cidade tem. Isso repercute quase 20 mil votos. E já tinha uma decisão da justiça contrária a administração pública em duas instancias do juízo eleitoral.

2- A outra ação foi também a partir de um questionamento feito pelo seu blog, o Sob Licença Poética, que redundou em uma representação eleitoral feita pelo Ministério Público na 99° zona, onde você demonstrou que as cores dos semáforos pintados pela Emut eram as mesmas utilizadas pela prefeita Rosinha em sua campanha, logo um dia anterior ao tal Sábado Rosa, que veio a ser questionado pelo MP eleitoral também. Essa é uma prática vedada pela legislação eleitoral e, a partir desse fato, o gestor público decidiu pintar as pontes, escolas, creches e outros órgãos públicos no mesmo tom. Então, em face disso, ajuizamos a ação fundada no uso das cores da campanha em prédios públicos. Inserimos na mesma ação a questão das obras eleitoreiras, pois o governo lançou no final de junho um pacote de um bilhão de obras no município todo, e nós sabíamos que eram iminentemente eleitoreiras, pois orçamento já estava comprometido em mais 700 milhões de 2011, de obras ainda não concluídas. Desequilibrando, como sempre, o processo eleitoral.

3- Na terceira, questionamos 3 obras feitas nos dias 5 e 6 de outubro, um dia antes da votação. Essas obras foram feitas sem o atendimento daquilo que preceitua a lei 8666/93, que trata das licitações públicas. Então se elas não estavam inseridas no pacote lá de trás, se configura improbidade administrativa, além de conduta vedada.
Nós tivemos agora, finalmente, um avanço. A justiça eleitoral deu o despacho inicial dessas três ações, mandando que se procedesse à citação dos réus para que respondam dentro do período que a legislação prevê, ou seja, 24 a 48 horas. Então esperamos boas novidades. Pois ainda existem a Aije e Aime, desde 2008. São 5 ações que podem resultar na cassação da Prefeita. Aliás, não só a prefeita como seu vice, sem contar que algumas dessas ações citam outros componentes políticos do município, como secretários, vereadores eleitos e etc…”

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Novela cubana revela o neofascismo tupiniquim

Até por comungar a revolta sentida pela generosa maioria da população brasileira, diante da truculência e intolerância fascistas com que a ativista política e blogueira cubana Yoani Sánchez foi recebida no Brasil, pela Juventude do PT e outros anacrônicos militantes pré-Muro de Berlim, pensei em escrever algo sobre o tema. Todavia, após ler hoje, na edição impressa de O Globo, o artigo semanal do jornalista Nelson Motta, tratando do assunto, penso que ele resume bem o pensamento, felizmente, ainda majoritário nesta terra de Vera Cruz. Não por outro motivo, para espargir as sombras do maniqueísmo raso em que habitam os vermes do fascismo, seja em Havana, em Brasília, em Recife, em Salvador, em Feira de Santana, ou mesmo nesta planície de hipocrisias cortada pelo Paraíba, segue abaixo o eco democrático do texto…

Novela Cubana

Por Nelson Motta

Se os eficientíssimos serviços de repressão cubanos, que há anos espionam Yoani Sánchez dia e noite, tivessem descoberto a menor prova de suborno, a “agente milionária da CIA” já estaria presa. É sintomático que, para eles, alguém só discorde do governo se levar dinheiro. Freud diria que estão falando deles mesmos.

Antigamente eles queriam ser mais realistas que o rei, hoje tentam ser mais tirânicos que os tiranos, como mostraram os protestos contra Yoani em Recife, Salvador e Feira de Santana, não só com gritos e faixas, mas esfregando dólares falsos no seu rosto e puxando os seus cabelos.

Mas Yoani até gostou dos protestos, como um sopro de democracia para quem vive numa ditadura sufocante, e se divertiu ouvindo velhas palavras de ordem “que nem em Cuba se ouvem mais”. O resultado foi uma repercussão muito maior – maciçamente a favor da blogueira – do que teria a sua viagem ao Brasil.

No sertão baiano, uma milícia de talibãs tropicais impediu a exibição do filme “Conexão Cuba-Honduras”, porque não queriam discutir nada, mas calar o opositor no grito. Quando conseguiu falar, Yoani disse que vive numa sociedade “onde opinião é traição” e eles vaiaram. Mas deveriam aplaudir, porque no Brasil que eles sonham também será assim. A maior fragilidade da democracia é poder ser usada livremente pelos que querem destruí-la, a começar pela liberdade de expressão.

Yoani escreve, descreve e analisa muito bem o cotidiano de Cuba, mas suas críticas não são violentas, debochadas ou incendiárias. Muitas vezes são crônicas sobre as dificuldades para comprar um ovo, o elevador quebrado há oito anos, a escassez de quase tudo, os roubos e malandragens sistêmicos, a internet lenta e censurada, os privilégios da elite.

Como quase todos num país ainda na idade do byte lascado, Yoani não tem conexão em casa. É obrigada a postar em hotéis a preços absurdos porque as poucas lan houses são só para estrangeiros e seu blog não pode ser acessado na ilha.

Agora Yoani quer usar o dinheiro dos seus prêmios culturais ganhos no exterior para fundar um jornal independente. Ley de Medios em Cuba já!

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Três dias após Wladimir, Nahim confirma ligação a Garotinho

Não há trégua. Assim como não há guerra. Não conversei política com Garotinho. Para quem ainda não sabe, dividimos a mesma mãe. Qual é o problema em um irmão ligar para outro? Como eu disse em entrevista a Folha, não possuo inimigos. Sou um cristão, e dos verdadeiros, por isso não posso me prender a desafetos, ainda mais com alguém do meu sangue. Liguei para ele para conversarmos sobre nossa mãe, que esteve até pouco tempo com certos problemas, principalmente durante as eleições, e agora, graças a Deus, está uma maravilha. O procurei para saber se ele a havia visto, se estava visitando com frequência, sabendo de sua melhora, pois nossa situação política acabou a afetando ano passado. É difícil de entender. Talvez tenha gente dizendo besteira, inventado historias, ou contando as coisas pela metade. Porque essa conversa não é de hoje”.

Isso foi o que declarou aqui, o ex-vereador Nelson Nahim (PPL), com exclusividade ao blog “Sob licença poética”, confirmando sua ligação para o irmão e deputado federal Anthony Garotinho (PR), revelada pelo presidente do PR em Campos, Wladimir Garotinho, aqui, neste “Opiniões”,  também com exclusividade, só que três dias antes. Abaixo, por partes, as considerações do blog e, penso, da lógica:

1 – Desde o domingo, dia 17, quando soube através do que divulgaram em seus blogs  o jornalista Alexandre Bastos e o advogado Cláudio Andrade, que o presidente da Câmara Edson Batista (PTB) disse em reunião com os demais vereadores governistas, na sexta anterior, dia 15, que Nahim e Garotinho tinham se encontrado pessoalmente para firmar uma trégua, este blogueiro buscou confirmar a informação com fontes ligados a um e outro lado. Ainda no domingo, após várias ligações e envio de mensagem por celular para Nahim, foi estabelecido contato com uma fonte muito próxima ao ex-vereador, que disse não ter conseguido alcançá-lo por telefone, mas que estaria pessoalmente com ele, no dia seguinte, em Maceió, a quem repassaria o pedido de retorno. Na segunda, dia 18, depois de conseguir confirmar, com fonte confiável e própria, que Edson realmente falou de um encontro entre os dois irmãos, o blogueiro conseguiu esclarecer as coisas com Wladimir. Ele revelou que, na verdade, houve uma ligação de Nahim para Garotinho, onde o primeiro teria se queixado de perseguição e o segundo proposto um encontro, em Guarapari, onde estava num spa. Nahim não foi ver o irmão, assim como, até o presente momento, não retornou ao blogueiro. E está em seu pleno direito, desde que não minta sobre o motivo da sua ligação, sobre o encontro que lhe foi proposto e sobre as reiteradas tentativas de contato feitas por quem queria saber sua versão dos fatos.

2 –  Sim, Nahim está certo, não há trégua. Se chegou a haver, depois que Edson pediu que os vereadores da base tirassem a discussão da mídia, o pedido veio por água abaixo, após o vereador Thiago Virgílio (PTC), no domingo (17), divulgar no Facebook, em referência às investigações sobre a gestão de Nahim na presidência da Câmara: “quem refresca o do pato é lagoa”. No mesmo dia , no programa de Cláudio Andrade na Rádio Continental, Virgílio chegou a marcar data para entregar à imprensa o relatório com todas as investigações contra Nahim: 11 de março. Se o alvo acha que não há guerra, é também um seu direito. Todavia, aconselha-se uma simples checagem da lista de mortos da última deflagração, em outubro do ano passado, ou visitar a lápide onde consta “Aqui jaz a reeleição de Nelson Nahim”.

3 – Nahim disse que ligou para o irmão para saber da mãe. Wladimir disse que o tio ligou ao pai para se queixar do que julga perseguição política. Em assuntos de família, sempre melhor não se meter quem dela não pertence. Todavia, quando o privado e público se misturam, talvez não seja irrelevante observar que a verdade tende a estar mais próxima de quem revelou um fato primeiro, ao ser procurado por um jornalista não alinhado, do que com quem, pressionado, dá sua versão só três dias depois, escolhendo um sobrinho amigo para contar.

4 –  A verdade tem seu preço, com pagamento sempre mais justo quando ouvidos e ecoados os dois lados de uma mesma história. Bom, portanto, que Nahim tenha falado, ainda que, para tanto, tenha buscado os ouvidos seletivos do sobrinho, mais do que do jornalista ou do blogueiro. É assim aqui, em Guarapari, em Maceió, na Grécia e até em Los Angeles. O lugar, no caso, é só questão de gosto.

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Questionamento do blog vira pedido de informação na Câmara

Mesmo durante a sessão, o vereador Fred Machado (PSD) parece ser um leitor atento do blog. Logo após a publicação do post abaixo, dando conta do descumprimento da promessa feita ontem, pelo secretário de Governo Suledil Bernardino, de que os vigilantes da empresa Dinâmica retomariam hoje o serviço de segurança na Hospital Ferreira Machado, no Hospital Geral de Guarus, no Hospital São José e nos 105 Postos de Urgência do município,  o parlamentar de oposição fez um pedido de informação sobre o caso, que se arrasta sem solução desde a última quinta-feira, ao líder da bancada governista Paulo Hirano (PR). O presidente da Câmara, Edson Batista (PTB), interveio, tirando a questão do plenário, sob a alegação de que o pedido será analisado pela mesa diretora da Casa, na próxima sessão.

Ainda assim, Thiago Virgílio (PTC) resolveu responder a Fred, garantindo que o dinheiro estará amanhã depositado na conta dos vigilantes. Só faltou ao nobre edil responder a três outras perguntas:

1) Por que a secretaria de Comunicação (Secom) informou na segunda que a Prefeitura estava em dia com a empresa?

2) Por que o secretário de Governo de Rosinha admitiu só na terça que o pagamento não havia sido feito?

3) Por que a promessa, feita na manhã de ontem por Suledil Bernardino, em nome da Prefeitura de Campos, garantindo que o serviço de vigilância seria retomado nas próximas 24h, não foi cumprida?

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Descumprido prazo de 24h para se retomar segurança na Saúde de Campos

Por motivo de viagem de trabalho, o blogueiro não pôde hoje se dedicar ao acompanhamento em tempo real sobre a paralisação dos vigilantes da empresa Dinâmica, responsáveis pela segurança em todas as unidades da Fundação Municipal de Saúde de Campos, em protesto pelo não pagamento dos salários referentes a janeiro. Se há declarações que a documentação pendente da empresa foi finalmente entregue e o dinheiro depositado finalmente pelo governo Rosinha, como o repórter da Folha Mário Sérgio apurou aqui, o fato é que ele até agora não parece ter chegado ao bolso de quem trabalhou. Como consequência, além do novo protesto da manhã de hoje, novamente diante à sede da Prefeitura, seguem até agora sem serviço de vigilância o Hospital Ferreira Machado, o Hospital Geral de Guarus, o Hospital São José e os 105 Posto de Urgência do município.

Ontem de manhã, por meio do seu secretário de Governo, Suledil Bernardino, a Prefeitura de Campos prometeu a retomada da segurança nas unidades de saúde nas próximas 24 horas. Hoje à noite, como evidenciam as fotos feitas pelo médico e ex-candidato a prefeito Erik Schunk (PSOL), publicadas aqui e reproduzidas abaixo,  a promessa feita em nome da prefeita Rosinha Garotinho (PR) não se cumpriu…

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Oposição a Garotinho não tem um Garotinho

Bom que, além deste blog, outros também se mostrem mais sensíveis à necessidade de manter uma linha editorial tão atenta aos erros da oposição de Campos, quanto às críticas aparentemente sempre mais fáceis quando o foco é o grupo político dos Garotinho ou, mais especificamente, o governo Rosinha. Neste tendência, em busca de maior equidade e independência, o blogueiro Cláudio Andrade publicou hoje em seu blog uma interessante analogia entre a oposição e a situação em Campos, que já havia antes dividido numa conversa pessoal e que este “Opiniões” pede a devida licença para republicar abaixo. Valem a leitura e os questionamentos…

Garotinho na OPOSIÇÃO em Campos

O deputado federal do PR/RJ, Anthony Garotinho, é um líder político nato. Na minha opinião, apesar das divergências públicas quanto ao estilo de política adotada pelo seu grupo, é um homem apaixonado pelo que faz. De tanto treinar, tornou-se um grande articulador. Às vezes, perdedor. Mas em diversas outras oportunidades, um vencedor.

A oposição efetiva de nossa cidade é composta por quatro vereadores que, salvo um improvável cataclismo, não terão muito oxigênio ao longo dos respectivos mandatos.

Observando bem a conduta atual de Garotinho, imagino como o ex-governador do Estado do Rio de Janeiro portar-se-ia diante de fatos ocorridos na administração de sua esposa, a Prefeita eleita de Campos dos Goytacazes.

Vamos aos questionamentos:

A oposição de Campos agiu quando o Diário Oficial do Município publicou o Termo Aditivo dos carros blindados de Rosinha e Chicão? Garotinho agiria!

A oposição de Campos agiu quando o Diário Oficial do Município publicou os valores gastos com a Obra da Beira Valão? Garotinho agiria!

A oposição de Campos agiu quando o Diário Oficial do Município publicou os valores gastos na construção do Cepop que, segundo o advogado Cléber Tinoco, em seu blog, seria o bastante para construir um hospital de grande porte? Garotinho agiria!

A oposição de Campos agiu quando a prefeita Rosinha se uniu aos seus seguidores e descumpriu ordem judicial dentro do Cesec? Garotinho agiria!

A oposição de Campos agiu quando a prefeita Rosinha renovou o contrato de mais de R$ 5 milhões com o Instituto Precisão? Diga-se de passagem: o mesmo Instituto que fez diversas pesquisas apontando a prefeita atual na liderança. Garotinho agiria!

A oposição tomou alguma atitude quando a Câmara de Vereadores de Campos foi palco de uma pseudo-revolta popular que impediu o presidente Nahim de cumprir uma ordem judicial? Garotinho agiria!

A oposição de Campos agiu quando a mídia noticiou relatório do TCE indicando fantasmas na folha de pagamento da Prefeitura de Campos? Garotinho já estaria agindo!

Por essas e outras que a Oposição em Campos precisa mudar o FOCO para não continuar minguando.

Cláudio Andrade

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