Nossa dignidade nas ruas

Independente da adesão popular às manifestações de hoje, não só dos “Cabruncos Livres”, como também dos médicos de Campos, que planejam se encontrar na Câmara Municipal, para de lá seguirem todos juntos até a Prefeitura de Campos, o fundamental é não permitir que pessoas infiltradas por um governo municipal que até agora tem se negado a dialogar com os manifestantes, mas está em crise de pânico com as ruas que não conseguiu controlar, arranhem o caráter cidadão do movimento.

Bem verdade que, em Campos, após o sucesso das duas primeiras passeatas dos “Cabruncos” — a primeira, no dia 17, levando cerca de três mil pessoas às ruas, com a segunda, no dia 20, dobrando o número da sua adesão popular —, as manifestações mais recentes, como a dos sindicatos e partidos de oposição, em 27 de junho, e a dos profissionais de enfermagem, em 1º de julho, levaram apenas algumas dezenas de pessoas à praça São Salvador nas quais ambas foram realizadas.

Lamentável que um grupo político que conquistou o poder no município, num já distante novembro de 1988, a partir da “Passeata das Rosas”, que ofertou das ruas de Campos a certeza da vitória do então jovem Anthony Matheus, o Garotinho, na disputa à Prefeitura de Campos, hoje tenha medo delas. É tão surreal quanto ler o blog do atual deputado federal e pré-candidato a governador do PR, e perceber seu apoio às manifestações em todo resto do país, sem que uma linha seja dita sobre o mesmo clamor popular na cidade que tem sua esposa como prefeita, mas que ele de fato governa.

Imunes às contradições históricas, democráticas e da razão, por parte do mesmo grupo político que, inclusas suas eventuais distensões, governa Campos nos últimos 25 anos, os “Cabruncos” se reúnem hoje, a partir das 16h, na praça São Salvador. No mesmo horário, na rua Rocha Leão, no entorno do Hospital Ferreira Machado, os médicos de Campos se reúnem com apoio do Cremerj, seu sindicato e a Sociedade Fluminense de Medicina e Cirurgia, além de todas suas entidades de classe nacionais.

Vexatório, para toda Campos, que quem a governa tenha se negado a seguir o exemplo da presidente Dilma Rousseff (PT), ou mesmo de municípios vizinhos, como a Macaé de fato governada por seu prefeito, Dr. Aluizio (PV), ambos abertos ao diálogo democrático com a voz das ruas. Mas quem quer ou quantos forem aqueles que hoje em optarem por expressá-las em Campos, estudantes, médicos, mas sobretudo cidadãos, estarão ecoando os versos do jornalista e poeta cubano José Martí (1853/95): “Nesses homens vão milhares de homens, vai um povo inteiro, vai a dignidade humana”.

Publicado na edição de hoje da coluna Ponto Final, da Folha da Manhã.

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Este post tem um comentário

  1. maria

    Vos que vamos fazer a nossa parte.

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