Liderança de março na Folha Online a você, leitor, que pulsa de vida e orgulho e amor

 

Fechado o mês de março, entre os blogs hospedados na Folha Online, este “Opiniões” liderou o ranking mensal de acessos, com 48.156, somados os visitantes únicos de cada dia. Vistantes de IPs diferentes em todo o mês, foram  27.031, que multiplicados em conta baixa por três ou quatro, dão um total entre 80 a 100 mil leitores do blog em março.

Certo que líder de visitas na grande maioria todos os meses, seguido quase sempre de perto pelo “Ponto de vista” do Christiano Abreu Barbosa, o “Blog do Bastos” continua sendo, no geral, o mais lido da Folha Online, o que significa dizer de Campos, já que o site do jornal é o mais acessado no município e na região, tendo conquistado em março deste um crescimento  de 61% em relação ao mesmo mês de 2013 (confira aqui). Ademais, também é certo que este blog teve seus índices de acessos inflados por ter sido o primeiro a anunciar, em 8 de março, a morte da fisioterapeuta campista Karina Lucas, num caso que comoveu toda a cidade. E ao “Opiniões” só coube a tarefa infeliz de noticiar a morte de Karina, após lutar bravamente pela vida por 20 dias, no Hospital Público de Macaé, devido à ausência momentânea de Christiano, que liderou com grande competência jornalística a cobertura do caso desde o acidente automobilístico de 16 de fevereiro, na BR 101, que já havia vitimado Bárbara Lucas Aquino, de apenas 4 anos, filha da fisioterapeuta, além do engenheiro Alessandro Costa Rachid.

Sem ser indiferente às tragédias que somos obrigados a noticiar, neste função ancestral de contar as histórias da tribo, o blog, o chargista José Renato e eu agradecemos a você, leitor, pela confiança no nosso trabalho e pelo prestígio ao espaço. Em gratidão e justiça, fazemos nossas as palavras do poeta estadunidense Walt Whitman (1819/92):

“Você, leitor, que pulsa
de vida e orgulho e amor,
assim como eu:
para você, por isso,
os cantos que aqui seguem!”
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Só no Blog

 

Um dos principais fatores de crescimento das religiões evangélicas no Brasil e no mundo, sobretudo as neopentecostais, é a oferta de “limpar” a ficha, aos supostos olhos de Deus, de toda vida pregressa antes de se abraçar a nova fé. Em conceito já popularizado, passa-se a ter o ex-alcoólatra, o ex-drogado, o ex-assassino, o ex-assaltante e até o ex-gay. Em exemplo meramente hipotético, seria o caso de um político de formação marxista e ateia, que na adolescência roubasse toca-fitas de carros para comprar maconha, conhecendo depois cocaína e ácido lisérgico na juventude hippie, abraçasse na idade madura uma religião evangélica. E, questões de crença à parte, os votos laicos arrebanhados na nova fé não fariam mal nenhum, talvez ao contrário dos velhos “hábitos”.

Em outro caso hipotético, pode haver também aquele que sempre sonhou ser político, desde antes de também se tornar evangélico. Todavia uma carreira empresarial desastrosa, na qual a grande novidade foi falir os negócios do pai, para a vergonha do seu entorno familiar e amizades,  pode tornar difícil a transição da iniciativa privada à pública. Impossibilitado, pela própria mediocridade, de transformar sonho em realidade, adapta-se o primeiro: no lugar de ser político, tornar-se o lacaio de um. E tanto melhor se a maneira de servir for ser “laranja” de uma empresa de comunicação que pode se dar ao luxo de gastar mais do que arrecada, onde a falência nos negócios do pai é evitada com desvio e lavagem de dinheiro público ou comissões de empreiteiras.

Emprestada a cara para um negócio do qual não se é dono, pouco problema há em transformar um jornal em descarado panfleto político, distribuindo gratuitamente em ruas e casas o mesmo impresso que finge vender nas bancas, ou oferecendo comissões irreais a publicitários de um concorrente obrigado a obedecer, como qualquer outra empresa do mundo real, à lógica do mercado. Quando esta pode ser ignorada às custas dos cofres públicos, da moral e da lei, ao servo divorciado de qualquer talento como empresário ou político, mas com a goela dilatada desde os negócios do pai, torna-se quase inevitável o desvio aos próprios bolsos do dinheiro que entra, sobretudo em tempos de campanha, após ser desviado do povo. E se a fome for muita e o político não suportar mais, enxotando o lacaio sob a pecha pública de ladrão, a  ausência de qualquer vestígio de orgulho, caráter ou vergonha na cara de ambos, pode até fazer com que o primeiro, após algum tempo, chame de novo o segundo a reassumir seu lugar, sem nenhuma novidade, após esgotar as demais opções do “laranjal”.

Afinal, a fé evangélica pode até se propor, sob severos protestos da comunidade gay, a transformar homo em hétero. Já “curar” ladrão, talvez seja mais difícil.

De qualquer maneira, que esses dois espúrios exemplos hipotéticos, de um político e seu lacaio irmanados em fé e em todos seus atos que a contradizem, não acendam nenhum sinal de alerta na vida real, nem a quem porventura ache que implante de crista basta para querer cantar de galo. Mesmo porque não é preciso um caminhão de citações catadas no Google, no pedantismo até cômico de se demonstrar um intelecto que não se tem, para deixar acesa a luz verde, mas só no blog, sem deixar a Folha ser arrastada em coisas menores, e definir qualquer questão na linguagem mais popular possível: “Passe à vontade, seu babaca!”

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Concessionária vai fechar o cerco contra “gatos” de água na cidade

Águas do Paraíba

 

Concessionária em Campos alerta para Operação de Combate ao Furto de Água

 

Com o objetivo de reduzir perdas e o desperdício de água, protegendo o interesse de seus clientes, a empresa Águas do Paraíba  inicia Operação Especial de Combate ao Furto de Água, a partir de 01 de abril, dando prazo para regularização e estimulando a negociação sem multas e sem juros.

A partir do dia 14 de abril, 12 equipes treinadas vão intensificar sua ação em todos os bairros da cidade para localização de ligações clandestinas. O infrator além de multa pode ser enquadrado no artigo 155 do Código Penal que prevê prisão em flagrante.

A gerente comercial de Águas do Paraíba, Munque Tardin explica que  o interesse da empresa não é punir. Tanto que está oferecendo a possibilidade de regularização das ligações, desde  que o cliente compareça espontaneamente à  Central de Atendimento (Av. José Alves de Azevedo, 233) comunicando a irregularidade e solicitando a normalização  de sua situação.

“Estamos oferecendo a alternativa do cliente regularizar a sua ligação sem a cobrança de multa ou lavratura do auto de infração. Mas, se ele espontaneamente não comparecer à empresa, seremos obrigados a cumprir a lei, que penaliza o furto de água até com a prisão do infrator, segundo o Código Penal, além do pagamento de multa, conforme prevê o Artigo 120 do  Decreto Municipal 019 (2004)”, esclareceu Munique Tardin.

O Código Penal no Artigo 155 tipifica assim o furto: “subtrair para si ou para outrem coisa alheia móvel”. A pena prevista no parágrafo quarto é “é de reclusão de 2 (dois) a 8 (oito) anos, e multa, se o crime é cometido: I – com destruição ou rompimento de obstáculo à subtração da coisa; II – com Abuso de confiança, ou mediante fraude, escalada ou destreza”.

A Gerente Comercial de Águas do Paraíba adiantou que, em média, a cada 100 inspeções realizadas pela empresa, aproximadamente 25% apresentam irregularidades, o que representa muita perda e desperdício de  água, além de grande evasão de receita. Ressaltou que, quem não paga pela água, acaba na maioria das vezes, desperdiçando, o que prejudica o abastecimento e os clientes que estão adimplentes.

A Operação de Combate ao Furto de Água, aberta em 01 de abril, vai ter a segunda fase, de fiscalização ostensiva, a partir de 14 de abril, acompanhada por equipe da Polícia Militar. O imóvel que for flagrado com ligação clandestina (by pass ou “gato”, como é popularmente conhecido), terá o seu responsável autuado, multado e pode até  ser preso em flagrante.

 

Da assessoria da Águas do Paraíba.

 

Atualização às 18h28: Mais ágil, o blogueiro Cláudio Andrade já havia republicado aqui, na blogosfera local, o release da concessionária.

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Com primeiro filme de Jabor, Talita comanda o Cineclube Goitacá nesta quarta

Na quarta exibição da mostra Cinema Verdade, amanhã, quarta-feira, dia 2 de abril, a partir das 19h30, na sala 507 do edifício Medical Center, no cruzamento da rua Conselheiro Otaviano com a avenida 13 de Maio, quem comanda o Cineclube Goitacá é a jornalista Talita Barros. Ela exibirá o documentário “A opinião pública”, primeiro longa metragem do cineasta e também jornalista Arnaldo Jabor, mediando depois o debate sobre o filme. Antes, o produtor cultural Tonico Baldan fará exibição de curta-metragem. A entrada, como a participação na discussão, é inteiramente livre.

 

(Arte de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
(Arte de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

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Golpe de 1964: Meio século em versos de planície

drummond

 

Meu Deus, essência estranha

ao vaso que me sinto, ou forma vã,

pois que, eu essência, não habito

vossa arquitetura imerecida;

meu Deus e meu conflito,

nem vos dou conta de mim nem desafio

as garras inefáveis: eis que assisto

a meu desmonte palmo a palmo e não me aflijo

de me tornar planície em que já pisam

servos e bois e militares em serviço

da sombra, e uma criança

que o tempo novo me anuncia e nega.

 

(Do poema “Elegia”, de Carlos Drummond de Andrade)

 

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Golpe de 1964: Meio século em prosa necessária

Feito presidente da República pelo Golpe, o marechal Humberto de Alencar Castelo Branco é saudado em continência militar por seus generais
Feito presidente da República pelo Golpe, o marechal Humberto de Alencar Castelo Branco é saudado em continência militar por seus generais

 

“hoje podemos nos lembrar de que setores significativos da sociedade apoiaram a derrubada de João Goulart (…) as Marchas da Família com Deus pela Liberdade expressaram efetiva insatisfação das classes médias urbanas, não resultando apenas da ‘manipulação’ propagandística (…) alguns estudantes apoiaram o golpe de 1964. Por tudo isso, o golpe de Estado, outrora chamado de ‘militar’, tem sido melhor designado como ‘civil militar’”

Em 19 de março de 1964, 13 dias antes do Golpe,  diante à Catedral da Sé, em São Paulo, uma multidão com cerca de 500 mil pessoas se reuniu na Marcha da Família com Deus pela Liberdade,  que pediu a deposição do presidente João Goulart
Em 19 de março de 1964, 13 dias antes do Golpe, diante à Catedral da Sé, em São Paulo, uma multidão com cerca de 500 mil pessoas se reuniu na Marcha da Família com Deus pela Liberdade, que pediu a Deus e aos militares a deposição do presidente João Goulart

 

Carlos Fico
Carlos Fico

Os riscos de uma leitura vitimizadora do golpe de 1964

Por Carlos Fico (*)

 

O golpe de 1964 é muito citado, mas pouco pesquisado. A literatura especializada usualmente o menciona como a culminância dramática da trajetória de João Goulart ou como o episódio inaugural da ditadura. Hoje, temos uma historiografia crescente sobre os 21 anos dos governos militares, mas o golpe em si não é o objeto preferencial de tais pesquisas. Entretanto, ele é o “evento-chave” da história do Brasil recente: naquele momento, parcelas significativas da sociedade brasileira aceitaram uma solução autoritária para os problemas que afligiam o país. Podemos assegurar que estamos livres dessa “tentação”? Estudos verticalizados sobre o golpe nos ajudariam a responder a esta pergunta.

Não houve grandes revelações desde as últimas contribuições da historiografia conhecidas há mais de três décadas. De fato, os principais “achados” sobre 1964, especificamente, foram divulgados nos anos 1970 e 1980: a descoberta da “Operação Brother Sam” (o apoio norte-americano ao golpe), por Phyllis R. Parker, em 1976; o livro “O governo João Goulart”, de Moniz Bandeira, publicado em 1978 e a obra magistral de René Armand Dreifuss, de 1980, “1964: a conquista do Estado”, que deslindava, com documentos inéditos, a campanha de desestabilização de que João Goulart foi vítima.

Certamente não se deve reduzir a pesquisa histórica à busca de revelações chocantes, mas seria ingênuo não reconhecer sua importância. Nesse sentido, não é difícil antecipar que significativas informações surgirão a partir da pesquisa de novas fontes documentais — e elas são muitas. Os documentos outrora sigilosos, no Brasil, nos Estados Unidos e em outros países, vêm sendo revelados paulatinamente. Por exemplo, encontra-se em curso, neste momento, pesquisa documental sobre a comissão que cuidou dos primeiros inquéritos policiais militares (IPMs) logo após o golpe. Do mesmo modo — conforme a legislação norte-americana —, a importante documentação do governo daquele país vai aos poucos sendo liberada. Amplo projeto de digitalização desses documentos, conduzido por historiadores do Brasil e dos EUA, encontra-se em andamento. Militares e políticos brasileiros tinham conhecimento da “Operação Brother Sam” e esta revelação virá inevitavelmente.

As principais teses explicativas sobre o golpe também foram divulgadas há muito tempo. Duas delas são clássicas. Alfred Stepan publicou, em 1969, a interpretação segundo a qual a singularidade de 1964 residiria na mudança do padrão de intervenções militares: em vez de apenas corrigir os rumos e devolver o poder aos civis, os militares, na ocasião, estariam convencidos de que deveriam assumir integralmente o poder. A leitura de Wanderley Guilherme dos Santos, divulgada em 1979, é mais sólida porque amparada em expressiva pesquisa empírica: o golpe de 1964 se explicaria em função de uma “paralisia decisória”, isto é, a radicalização dos atores políticos impediria qualquer tomada de decisão. Outra contribuição importante e mais recente contrapôs-se à leitura marxista segundo a qual os militares eram mero “instrumento” da burguesia: a preocupação em valorizar o que os próprios oficiais pensavam motivou a equipe do Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC) a realizar significativas entrevistas com eles, publicadas em 1994, por meio das quais podemos conhecer sua própria interpretação sobre o golpe.

Boa parte dos projetos de pesquisas que se candidatam aos mestrados e doutorados em História, Brasil afora, dizem respeito aos diversos temas do regime militar. O notável avanço da pós-graduação em nossa área, nas últimas décadas, tem permitido um conhecimento mais detalhado do golpe e da ditadura a partir de uma perspectiva regional — pois, até recentemente, dispúnhamos de leituras que abordavam, sobretudo, o que houve no Sudeste e em Brasília.

O distanciamento histórico é essencial para que possamos abordar questões delicadas, temas tabu. Talvez se possa dizer que o maior avanço da historiografia recente consista nessa busca de objetividade: hoje podemos nos lembrar de que setores significativos da sociedade apoiaram a derrubada de João Goulart. Jovens pesquisadores têm dado grandes contribuições: Aline Presot comprovou que as Marchas da Família com Deus pela Liberdade expressaram efetiva insatisfação das classes médias urbanas, não resultando apenas da “manipulação” propagandística. Mateus Capssa mostrou que alguns estudantes apoiaram o golpe de 1964. Por tudo isso, o golpe de Estado, outrora chamado de “militar”, tem sido melhor designado como “civil militar”. Historiadores como Daniel Aarão Reis e Denise Rollemberg têm chamado a atenção para isso. A serenidade possibilitada pelo recuo temporal e a grande quantidade de novas fontes documentais nos permitem antever um futuro muito promissor para as pesquisas sobre o golpe de 1964.

Isso é essencial. Se entendermos o golpe apenas como o episódio que iniciou uma ditadura brutal, correremos o risco de construir leitura romantizada, segundo a qual a sociedade foi vítima de militares desarvorados. Quando a historiografia mais ousada se contrapõe a essa leitura vitimizadora, ela não está propondo um “revisionismo reacionário” que buscaria eximir de culpa os golpistas. Apenas se trata da reafirmação de algo óbvio: não há fatos históricos simples. Entender porque uma solução autoritária foi de algum modo aceita naquele momento pode servir para exorcizarmos a sociedade brasileira do autoritarismo que tantas vezes vitimou a história de nossa República.

 

(*) Historiador, professor da UFRJ e autor dos livros “Além do golpe — Versões e controvérsias sobre 1964 e a ditadura militar” e “O grande irmão — Da Operação Brother Sam aos anos de chumbo”

 

Queda de um motociclista da FAB, que escoltava a comitiva da Rainha Elizabeth II em sua visita ao Rio de Janeiro,, em 1965 (foto do mestre Evandro Teixeira)
Queda de um motociclista da FAB, que escoltava a comitiva da Rainha Elizabeth II em sua visita ao Rio de Janeiro,, em 1965 (foto do mestre Evandro Teixeira)

 

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