Opiniões

Ponto final — O que as pesquisas projetam (e não) para as eleições de domingo

Ponto final

 

 

Eleições definidas?

Pelas últimas pesquisas Datafolha e Ibope divulgadas ontem, as eleições de domingo para presidente da República e governador do Rio, estão praticamente definidas; ou quase. No último pleito, a diferença entre Luiz Fernando Pezão (PMDB) e Marcelo Crivella (PRB) é de exatos 10 pontos percentuais: 55% a 45% das intenções de votos válidos nas duas consultas. Já para presidente, Dilma Rousseff (PT) apareceu pela primeira vez no segundo turno liderando além da margem de erro sobre Aécio Neves (PSDB): 54% a 46% pelo Ibope e 53% a 47%, no Datafolha.

 

Crivella diminui diferenças

Com dois dígitos atrás nas pesquisas, a única notícia boa para Crivella é que sua diferença para Pezão já foi maior. Tanto na última consulta Ibope, divulgada no dia 20, quanto Datafolha, liberada no dia 16, o atual governador tinha 56% a 44% dos votos válidos. A diferença sobre seu adversário, portanto, caiu dois pontos, passando de 12 aos 10 atuais. Ademais, comparadas as duas últimas amostragens Datafolha, enquanto a rejeição a Pezão se manteve em 36%, a de Crivella caiu um ponto, de 43% para 42%.

 

Testemunho de fé

Todavia, tanto a queda de dois pontos em sua diferença nos votos válidos para Pezão, quanto a de um ponto na própria rejeição, ficam dentro da margem de erro dos dois institutos. Em outras palavras, podem nem existir. Mas com o mesmo fervor que os fiéis da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd) gritam em seus cultos, os eleitores do sobrinho de Edir Macedo vão chegar até domingo proclamando testemunhos do fato de que Ibope e Datafolha erraram para menos a votação de Crivella no primeiro turno.

 

Pezão mais prejudicado

Na última consulta Ibope antes das urnas de 5 de outubro, divulgada em 30 de setembro, Crivella tinha 16%. Já na Datafolha de 2 de outubro, apareceu com 17%. Concluído o primeiro turno, no entanto, ele obteve 20,26% dos votos válidos. Mas se a diferença ficou na margem de erro, os dois institutos também erraram fora dela ao subestimarem a votação de Pezão, que teve 40,57%, enquanto o Ibope projetou-lhe 31% e o Datafolha, 30%. Ou seja, o governador teve quase dois dígitos de motivos para se queixar das pesquisas, mas como as lidera com folga, não precisa apelar ao choro prévio de perdedor.

 

Choro de perdedor?

Quem tem apelado ao mesmo recurso lacrimogêneo de Crivella, desde que foi ultrapassado pela primeira vez por Dilma nas pesquisas, é Aécio Neves. Ele questionou a metodologia do Datafolha, desde a amostragem divulgada no dia 20, que deu a presidente liderando no empate técnico de 52% a 48%, resultado repetido pelo mesmo instituto dois dias depois. Só que agora, além do tucano, também a margem de erro foi deixada para trás por Dilma, que abriu um diferença de oito pontos percentuais no Ibope e seis, no Datafolha.

 

Esperança de Aécio

Além de ser uma diferença menor do que aquela que separa Crivella de Pezão, Aécio tem outra vantagem na comparação com Dilma: ele fez no primeiro turno uma votação muito superior às projeções Ibope e Datafolha. Enquanto o primeiro deu-lhe 26% e o segundo, 27% dos votos válidos, em pesquisas divulgadas em 3 de outubro, dois dias antes do pleito em que o tucano teve 33,55%. Ou seja, sua votação foi superior à margem de erro dos dois institutos, como se mostra a atual liderança de Dilma, nesta mesma diferença de dois dias até as urnas.

 

Até quando?

Contra Aécio, além da ultrapassagem sobre Dilma na rejeição, no Ibope (42% a 36%) e Datafolha (41% a 37%), é o fato de que os dois institutos podem errar nos números, mas raramente nas tendências. E nem o tucano mais apaixonado discordará que a tendência de seu candidato é descendente, direção oposta à da presidente. Essa inversão petista na reta final pode até ser fruto da campanha eleitoral mais sórdida nestes 125 anos de história da República do Brasil, mas tudo indica que está sendo bem sucedida. Nos limites cada vez mais tênues da nossa democracia, só resta saber até quando.

 

Publicado hoje na Folha

 

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Este post tem 2 comentários

  1. ALUISIO – DILMA ESTAVA MAL NAS PESQUISAS, AÍ CHEGOU O LULALÁ E ACABOU COM A FESTA DE AÉCIO – COMO ADMIRO SUA PESSOA E SOU SEU LEITOR,ALUISO, TAMBÉM SOU DO ANCELMO GÓES – (trecho excluído pela moderação)

  2. (Trecho excluído pela moderação), que não assume apoio a determinado público, o que seria legitimo e democrático.

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