O governo, via PT, CUT e UNE, quis pagar para ver. Deu no que deu

Deu ruim - Quico

 

 

 

Jornalista Eliane Catanhêde
Jornalista Eliane Catanhêde

Crise grave, mas sem saída

Por Eliane Catanhêde

 

O Brasil tem agora o antes e depois de 15 de março de 2015. Mais de 1 milhão de pessoas foram às ruas para protestar contra a presidente Dilma Rousseff e contra o PT, que, desde 1980, era quem tinha força e capacidade de mobilização.

Quem poderia imaginar que o PT mudaria de lado e passaria a ser alvo, após 30 anos de glórias e de jogar as ruas contra tudo e contra todos em nome da ética? Bastaram 12 anos de poder para o caçador virar caça. E isso tem um lado dramático. Mas cada um colhe o que plantou.

À crise política, aos erros na economia, aos desmandos éticos, ao desmanche da Petrobrás, soma-se o último fator que faltava: as ruas. Fecha-se o cerco. Não foi uma manifestação a mais, foi uma para entrar na história, tal a dimensão e a extensão.

Em junho de 2013, a classe média assalariada explodiu nas ruas com uma pauta difusa — e confusa — de reivindicações e de acusações generalizadas contra “tudo o que está aí”. Já neste 15 de março de 2015, jovens e velhos, mulheres e homens, empresários e assalariados tiveram uma pauta bastante específica: a rejeição a Dilma, ao governo e ao PT.

Registre-se uma grande ausência: a do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que não apareceu na sexta-feira nem no domingo, fosse para aprovar ou desaprovar qualquer dos dois movimentos. Mas o pior não foi isso: as multidões, com seus cartazes e slogans, simplesmente ignoraram Lula. Será que Lula, para o bem e para o mal, também não é mais o mesmo?

Do outro lado, a palavra impeachment, que foi o mote original da convocação pelas redes sociais, perdeu apelo e se enfraqueceu ao longo do processo e praticamente desapareceu no dia D. O “Fora Dilma” é simbólico. O pedido de impeachment, bem mais concreto, sumiu.

Tudo isso desaba sobre o PT num momento em que Dilma despenca nas pesquisas de opinião em todas as faixas e em todas as regiões e em que o governo deixa de ser um trunfo do partido para se transformar num fardo político. Por quê? Porque não tem o que dizer, não tem o que apresentar, não tem um horizonte melhor a oferecer.

Diz a regra que, se você não tem o que dizer, é melhor ficar calado. Dilma quebrou essa regra no Dia Internacional da Mulher e ontem destacou os ministros José Eduardo Cardozo e Miguel Rossetto para responder à avalanche popular com os dois temas sacados em junho de 2013: reforma política e pacote anticorrupção. Dois anos depois, é tudo o que o governo tem a dizer?

Como “defesa”, os ministros disseram que quem foi às ruas não foi o eleitor de Dilma, foi o de oposição. Isso escamoteia o desgaste real e perceptível da presidente recém-reeleita; é uma admissão de que a oposição está cada vez mais forte e mais organizada e confirma que o governo, incapaz de fazer autocrítica, continua autista, isolado, talvez incapaz de ouvir a voz rouca das ruas. Pior: foi para o confronto e perdeu.

O governo, via PT, CUT e UNE, pagou para ver e deu no que deu. Os atos de sexta-feira, organizados, foram relevantes, mas os protestos de ontem, espontâneos, mostraram que os irritados com o governo ultrapassam em muito os aliados do PT.

É hora de o governo lamber as feridas e de a oposição avaliar seriamente como entrar no vácuo das manifestações. Espera-se que Dilma passe a ouvir, a conversar, a ceder, mas isso é querer que Dilma deixe de ser Dilma. Espera-se que o governo recomponha uma economia esgarçada e recupere a capacidade de articulação política com o Congresso, mas é preciso combinar com o PMDB.

E da oposição, o que se espera? Aí está o X do problema. As manifestações foram contra o PT, mas não foram a favor da oposição. O PSDB parece não saber o que dizer, o que fazer e para onde ir, está sem rumo e a reboque das ruas. E isso leva a um diagnóstico bastante grave: a crise é gigantesca, mas sem saída.

 

Publicado aqui, no estadao.com

 

0

15 de Março — As manifestações foram, acima de tudo, uma grande lição ao Brasil

15 de março - pobres e ricos
O 15 de março na av. Paulista

 

 

Jornalista Cora Rónai
Jornalista Cora Rónai

Uma grande lição ao Brasil

Por Cora Rónai

 

Ao contrário do que supõe o ex-presidente Lula, que imagina um país dividido entre “nós” e “eles”, o Brasil não é binário. Não somos ricos ou pobres, brancos ou negros, burgueses ou trabalhadores, bons ou maus, reacionários ou esclarecidos, de direita ou de esquerda; somos tudo isso, e mais todas as variações possíveis. Por isso as manifestações de ontem foram tão interessantes de se ver, e tão diferentes das Diretas Já, em que todos, absolutamente todos, queríamos a mesma coisa.

Foi muito mais fácil ir às Diretas Já. Não havia pluralidade alguma lá; não havia muito o que pensar. Artistas e políticos estavam do mesmo lado, faziam comícios com os quais concordávamos 100%. Havia uma palavra de ordem única, que estava presa na gargante de todos. Nossos amigos pensavam da mesma forma, e não vivíamos a amargura de nos vermos divididos dentro de uma mesma tribo.

Não tivemos qualquer dúvida em relação às Diretas Já; tivemos todas as dúvidas em relação às manifestações de ontem. Faria sentido nos manifestarmos contra o governo sendo contra o impeachment? Não correríamos o risco de virar massa de manobra de políticos mal intencionados? Não seria perigoso ir a uma manifestação onde poderiam aparecer elementos ultraconservadores?

Sem uma pauta fechada e sem lideranças políticas para dar o tom, cada um foi com a sua cabeça, as suas dúvidas e as suas próprias ideias.

Às manifestações compareceram, essencialmente, os que estão contra o governo. Mas há mil razões para se estar contra este governo, e mil formas de se manifestar isso. Foram para as ruas as pessoas que quiseram apenas mandar um recado à classe política, uma espécie de “Veja lá!”, e as que desejam ardentemente o impeachment da presidente; foram as que não aguentam mais a corrupção, as que se cansaram da violência, as que não suportam mais impostos tão altos. Foram as que estão contra o Judiciário e as que querem uma ampla reforma ética para moralizar o país. Foram até algumas que se cansaram da democracia e que querem a volta dos militares. Houve de tudo, e recortes isolados permitem qualquer leitura.

Mas as manifestações foram, acima de tudo, uma grande lição de Brasil. Ela será bem aproveitada se soubermos olhar com sabedoria para este espelho múltiplo e plural — e, sobretudo, se os nossos governantes não se blindarem do que lhes disseram as ruas desqualificando os manifestantes como burgueses brancos elitistas manipulados pela mídia golpista.

 

Publicado aqui, no Blog do Noblat

 

0

Dilma fala após protestos, rebate Cunha sobre corrupção e se diz aberta ao diálogo

Dilma paz e amor

 

A presidente Dilma Rousseff disse na tarde desta segunda-feira, em entrevista coletiva, que vai procurar abrir diálogo com humildade, com quem quer que seja. A afirmação da petista foi feita após ela ser questionada por um jornalista sobre as declarações (aqui) do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Segundo o peemedebista, “a corrupção não está no Legislativo, está no Executivo”. Dilma ressaltou que é necessário ter “vigilância”.

— Essa discussão não nasceu hoje. A corrupção não é idosa e não poupa ninguém, inclusive pode estar no setor privado. Ela pode estar em qualquer lugar —  afirmou a presidente. — O dinheiro tem esse poder corruptor, temos que ter vigilância — completou

Dilma respondeu ainda a perguntas sobre a décima etapa da Operação Lava-Jato, deflagrada nesta segunda-feira. O Ministério Público Federal (MPF) ofereceu denúncia contra 27 pessoas pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Entre eles, o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto (aqui), e o ex-diretor de Serviços, Renato Duque (aqui), que foi preso hoje. .

— Eu acho que esse acontecimento mostra que todas as teorias a respeito de como o governo interferiu sobre o MPF, ou quem quer seja para investigar e fazer qual coisa, é absolutamente infundada. Se querem investigar vão investigar, quem for responsável pagará pelo que fez.

Dilma ressaltou ainda que as medidas para enfrantar a crise se esgotaram e são necessários reajustes:

— Vamos fazer um esforço. Vai ser ao longo deste ano, mas Brasil tem condições de sair em menos tempo.

Em seguida, Dilma brincou:

— Vamos fazer (os ajustes) para o bem do Brasil. Vamos fazer tudo. Agora, vocês (repórteres) podem malhar — declarou a presidente referindo-se ao início das perguntas.

 

Protestos

Mais cedo, na cerimônia de sanção do novo Código de Processo Civil, no Palácio do Planalto, em Brasília, Dilma se emocionou ao falar sobre as manifestações do último domingo (aquiaqui e aqui).

—  Ontem, quando eu vi centenas e milhares de cidadãos se manifestando, não pude deixar de pensar que valeu a pena lutar pela liberdade, valeu a pena lutar pela democracia. Este país está mais forte que nunca — disse a presidente, ex-presa política durante a ditadura militar, com a voz embargada.

E completou:

— Um país amparado na separação, independência e harmonia dos poderes, na democracia representativa, na livre manifestação popular nas ruas e nas unas se torna cada vez mais impermeável ao preconceito, à intolerância, à violência, ao golpismo e ao retrocesso.

 

Publicado aqui, no globo.com

 

0

“Que país é esse?” — MPF denuncia tesoureiro do PT por formação de quadrilha

Vaccari chega a sede da PF para prestar depoimento (Foto de Felipe Rau - Estadão.
Vaccari chega a sede da PF para prestar depoimento (Foto de Felipe Rau – Estadão.

 

 

Por Ricardo Brandt, Julia Affonso, Andreza Matais e Fausto Macedo

 

O Ministério Público Federal denunciou à Justiça nesta segunda feira, 16, o tesoureiro nacional do PT, João Vaccari Neto, por crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Vaccari consta da lista de 21 alvos da nova denúncia da Procuradoria da República no âmbito da Lava Jato. É a primeira acusação formal contra Vaccari e também a primeira contra o ex-diretor da estatal, Renato Duque, preso nesta segunda feira, no Rio, na Operação “Que País é esse?”.

A denúncia anunciada nesta segunda feira pela Procuradoria é relativa à Operação My Way, nona fase da Lava Jato, deflagrada em fevereiro. Um dos delatores da Lava Jato afirmou à Polícia Federal e à Procuradoria que Vaccari arrecadou até US$ 200 milhões para o PT.

 

Dados divulgados pelo MPF nesta segunda-feira, 16 (foto Ricardo Brandt - Estadão)
Dados divulgados pelo MPF nesta segunda-feira, 16 (foto Ricardo Brandt – Estadão)

 

“Temos evidências de que João Vaccari tinha consciência que esses pagamentos eram feitos a títulos de propinas”m afirmou Deltan.

A força tarefa constatou que Vaccari se encontrava com regularidade com Renato Duque, ex-diretor de Serviços da estatal petrolífera, “para acertar os valores devidos”. O relato do empresário Eduardo Leite foi decisivo para o oferecimento da denúncia contra o tesoureiro do PT. “Ele revelou que se encontrou com Vaccari e que este pediu doações oficiais eleitorais a título de propinas.

Também tiveram peso na acusação contra Vaccari, os depoimentos de quatro delatores da Lava Jato: Augusto Mendonça, Pedro Barusco (ex-gerente de Engenharia da Diretoria de Serviços da Petrobrás), Paulo Roberto Costa (ex-diretor de Abastecimento da estatal) e o doleiro Alberto Youssef.

O procurador Deltan Dallagnol ressalta que o Ministério Público Federal jamais fará denúncia com base exclusivamente em delações premiadas. O procurador, que coordena a força tarefa da Lava Jato, informou que foram apuradas doações para o diretório nacional do PT e outras para diretórios locais. Ele ressaltou que “não existe uma vinculação a determinadas campanhas”.

Também está entre os denunciados o empreiteiro José Aldemário Pinheiro, o Léo Pinheiro, da OAS, o doleiro Alberto Youssef, e o operador de propinas Mário Góes. Em fevereiro, Vaccari foi conduzido coercitivamente à sede da Polícia Federal em São Paulo. Na ocasião, o tesoureiro do PT negou qualquer irregularidade. Seu advogado, Luiz Flávio Borges D’Urso, afirma que ele não praticou atos ilícitos e que está à disposição da Justiça.

O empresário Adir Assad é outro da lista de denunciados. Empresas de fachada por ele controladas teriam sido usadas pelo doleiro Youssef para dar fluxo a propinas a políticos do esquema montado na estrutura da Petrobras entre 2003 e 2014.

 

Vaccari 2
(Reprodução Estadão)

 

(Reprodução Estadão)
(Reprodução Estadão)

 

(Reprodução Estadão)
(Reprodução Estadão)

 

 

Publicado aqui, no Blog do Fausto Macedo

 

 

0

Panelaço ganha o mundo como sátira a Dilma, ao PT e à roubalheira na Petrobras

Não conheço pessoalmente o Jaci Capistrano, mas por suas manifestações nos comentários deste “Opiniões” ele parece ser um desses antipetistas tão fanáticos quanto aqueles cuja crença no partido de Lula e Dilma Rousseff ainda sobrevive, mesmo em coma e respirando por aparelhos, após tudo que foi afunilado até confluir nas ruas de todo o Brasil no dia histórico de ontem (15/03). Mas aqui, nos comentários do blog, o Jaci trouxe o link de um vídeo do comediante britânico John Oliver, apresentador do Last Week  Tonight, da HBO, exibido também no Brasil, que é imperdível. Até porque, mesmo com o “panelaço” contra Dilma e o PT ganhando o país e agora o mundo, no típico (e ferino) humor britânico, ainda é possível rir da nossa própria cara:

 

 

0

Da hipocrisia de Campos aos dilemas do Brasil do Petrolão

Stoa Sul da ágora de Atenas, berço da democracia, julho de 2009 (foto de Ícaro Barbosa)
Stoa Sul da ágora de Atenas, berço da democracia, julho de 2009 (foto de Ícaro Barbosa)

Não sou e dificilmente um dia serei leitor de Facebook, me atendo nesta função ao que escrevem os comentaristas do meu próprio mural. Nele, alguns debates interessantes têm sido gerados, entre pessoas de posições políticas bem distintas, forçando-me a publicar mais pensamentos próprios do que aqui, neste blog, onde tenho mais reproduzido opinião e noticiário sobre o Brasil do Petrolão produzidos por terceiros. Não por outro motivo, na pretensão de que possam ajudar você, leitor deste “Opiniões”, a entender o momento político atual, transcrevo abaixo parte dois comentários concebidos aqui e aqui, entre a noite de ontem e a madrugada de hoje, para responder a dois debatedores diferentes, de ideias diferentes, na democracia irrefreável das redes sociais:

 

Sobre o protesto contra Dilma em Campos (e o PT local)

Não diria pouca gente, Newton. Certamente mais (e por livre e espontânea vontade), do que aqueles que na sexta só saíram daqui ao Rio pela viagem de ida e volta paga, com direito a quentinha e R$ 80 por cabeça. Todavia, concordo contigo que essas mesmas 800 pessoas, independente de ser consideradas poucas ou muitas, tropeçam na própria hipocrisia qd protestam contra Dilma e se calam sobre Rosinha. Ademais, bom nunca esquecer que o PT de Campos tem um dos melhores vereadores entre os 25 da atual legislatura: Marcão.

 

Sobre o PT nacional, impeachment de Dilma e reforma política

(…) Qt ao PT, sabe quem foi seu pai de verdade? O general Golbery do Couto e Silva, eminência parda da Ditadura Militar, sobretudo na presidência de Ernesto Geisel, a quem o cineasta Glauber Rocha chamou de “o gênio da raça”. Ao pôr em prática a “distensão lenta e gradual” e permitir a volta dos políticos exilados com a Lei da Anistia, Golbery soube identificar o namoro da USP com o sindicalismo do ABC para estimular e permitir a criação do PT, visando rachar o trabalhismo brasileiro com o retorno de Leonel Brizola, herdeiro natural do getulismo. O general estava tão certo que Lula acabaria tirando de Brizola a chance de disputar o segundo turno presidencial, em 1989, com Fernando Collor de Mello, hoje aliado do PT no Senado e tb listado no Petrolão. Qt ao velho PCB, ele realmente teve vários outros valores. Na Ditadura Militar, por exemplo, sua maior virtude foi se opôr à luta armada, canoa furada na qual embarcou Dilma Rousseff com objetivo confesso de implantar uma outra ditadura no Brasil e tendo como única consequência prática o recrudescimento da repressão. Em tempos mais felizes de democracia, sim, maioria é maioria. Agora, seja ela de 50,1% ou 99,9%, se quem foi eleito cometeu crime de responsabilidade, a lei determina que seja apeado do cargo. Na incerteza (ainda) se este é o caso de Dilma, creio não existir ninguém em sã consciência capaz de imaginar que a presidente, com apenas 7% de aprovação popular, hoje fosse capaz de ganhar uma eleição de síndica de prédio. Diante de tanta insatisfação popular, se vivêssemos num regime parlamentarista, para o qual a Constituição de 1988 foi feita, seria mais simples: dissolver-se-ia o governo, com convocação imediata de novas eleições gerais. Como o regime que venceu o plebiscito de 1993 foi o presidencialista, ficamos nesse hibridismo, esse presidencialismo de coalizão montado sobre (e sob) uma carta magna parlamentarista, num modelo que foi definitivamente esgotado pela cooptação do Congresso na corrupção que sempre existiu no Brasil, mas foi institucionalizada pelo PT como produto de linha de montagem, como bem evidenciou o recente depoimento na CPI da Petrobras dado por Pedro Barusco, ex-diretor da estatal. Não por outro motivo, urge a reforma política! O gd problema é fazê-la com os políticos que aí estão.

 

0

“Que país é esse?” — No dia seguinte a protestos, homem do PT no Petrolão é preso pela PF

Em seus tempos de diretor da Petrobras, Renato Duque aparecia na foto por trás de Lula e Graça Foster, ex-presidentes, respectivamente, do Brasil e da estatal
Em seus tempos de diretor da Petrobras, Renato Duque aparecia na foto por trás de Lula e Graça Foster, ex-presidentes, respectivamente, do Brasil e da estatal

 

 

Por Alessandro Lo Bianco, Cibelle Brito, Germao Oliveira, Jailton de Carvalho, Renato Onofre e Jaqueline Falcão

 

Voltou a ser preso na manhã desta segunda-feira o ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato de Souza Duque. A prisão faz parte da 10ª fase da Operação Lava-Jato da Polícia Federal, que cumpre 18 mandados e foi batizada de “Que país é esse?”. A ação conta com 40 policiais no Rio e São Paulo. Desse total, quatro mandados são de prisão temporária e outros 12 de busca e apreensão. Os crimes investigados nesta etapa são associação criminosa, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, uso de documento falso e fraude em licitação.

Duque foi preso em sua casa, na Barra da Tijuca, e não ofereceu resistência. O empresário paulista de origem libanesa Adir Assad, ligado à construtora Delta e investigado na CPI do Cachoeira, também foi preso, em São Paulo. As prisões de Duque e Assad são preventivas, e os detidos serão levados para o Paraná. Segundo a PF, eles ficarão na sede da Superintendência à disposição da Justiça Federal de Curitiba.

Entre outros presos está Lucélio Goes, filho do consultor Mário Goes, também investigado na operação. (Confira o perfil de Mário Goes). Dario Teixeira e Sonia Branco, considerados laranjas de Assad, também tiveram prisão temporária decretada. Outro mandado de segurança é de Sueli Maria Branco, já falecida, segundo a PF.

De acordo com informações divulgadas pela PF, 131 obras de arte foram apreendidas na casa de Duque. Segundo a superintendência da Polícia Federal no Paraná, o ex-diretor será transferido do Rio para Curitiba, às 17h, em um voo de conercial. A previsão é de que ele desembarque na capital paranaense por volta das 19h.

De acordo com a advogado de Duque, Alexandre Lopes, o ex-diretor da Petrobras ainda permanência em casa por volta das 8h junto a agentes da Polícia Federal. O advogado disse ainda não ter tido acesso ao processo. Ele disse ter estranhado o pedido.

– Há uma decisão do Supremo por ter colocado em liberdade. É preciso checar se o juiz sabe dessa decisão para ter solicitado a prisão — disse ao GLOBO.

Em São Paulo, Adir Assad foi preso em sua casa por volta das 11h, e segue para Curitiba em uma viatura da PF. A previsão é de que ele chegue à carceragem paranaense por volta das 15h. Segundo advogado de Assad, Miguel Pereira Neto, ao contrário do que se diz, seu cliente não é doleiro ou lobista, mas sim engenheiro civil.

Com a nova prisão, Duque se junta a outros dois ex-diretores da Petrobras que já estão na cadeia: Paulo Roberto Costa, que fez acordo de delação premiada, e Nestor Cerveró. Os três foram dirigentes da estatal quando Dilma Rousseff era presidente do Conselho de Administração. Convocado a prestar depoimento na CPI da Petrobras, na próxima quinta-feira, Duque é obrigado a comparecer. Na última sessão da comissão, na terça-feira passada, o ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco reafirmou que ele próprio, Duque e o tesoureiro do PT, João Vaccari, recebiam recursos do esquema de propina da Petrobras. Eles eram os “protagonistas”, como disse o próprio Barusco.

— O mecanismo envolvia representante da empresa, próprio empresários, eu, Duque e João Vaccari, são protagonistas — afirmou, observando, no entanto, que não sabe como Vaccari recebia esses recursos, se eram depositados no exterior, se iam direto para o PT como doações ou se eram entregues em espécie.

 

20 milhões de euros em contas secretas

A prisão de Duque foi determinada pelo juiz Sérgio Moro. A decisão foi baseada após uma investigação do Ministério Público ter constatado que o ex-diretor da estatal tinha contas secretas na Suíça, no valor de 20 milhões de euros, esvaziadas posteriormente, e transferidas para o Principado de Mônaco. O dinheiro está bloqueado pelas autoridades europeias por não ter sido declarado à Receita Federal. Ele chegou a ficar preso por 20 dias, em novembro do ano passado, na sétima fase da Lava-Jato. O nome de batismo da operação — “Que país é esse?” — foi justificada por conta da frase dita por Duque na primeira vez que foi preso em casa.

No dia 3 de dezembro, ao julgar habeas corpus apresentado pela defesa de Duque, Zavascki concedeu a liminar. Explicou que o simples fato de o suspeito ter dinheiro no exterior não significa que ele vai fugir. O ministro acrescentou que, para citar qualquer risco de fuga, o juiz precisa apontar elementos concretos comprovando esse fato – algo que Moro não teria feito no decreto de prisão.

No dia 10 de fevereiro, a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, por três votos a zero, que o ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato de Souza Duque continuaria em liberdade.

Nesta segunda-feira, o Ministério Público Federal apresenta às 15h a primeira denúncia contra Duque. Ele é acusado de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A denúncia está baseada nos depoimentos do delator Pedro Barusco, ex-gerente de Serviços. Ele admitiu à força-tarefa que recebeu propina em 87 obras da Petrobras para ele, Duque e para o PT. Barusco disse que as empreiteiras pagaram de R$ 150 a R$ 200 milhões ao partido.

Assad é suspeito de ser um dos principais operadores financeiro responsável por depósitos, transferências e saques de bilhões de reais que abasteciam o esquema de corrupção instalado na Petrobras. A quebra do sigilo bancário das empresas do doleiro Alberto Youssef e do ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa, a PF descobriu pelo menos cinco das 19 empresas que serviriam de fachada de Assad — Soterra Terraplenagem, Legend Engenheiros Associados, JSM Engenharia, Rock Star Marketing e SM Terraplanagem. De acordo com as investigações, cerca de R$ 65 milhões foran desviados através dessas empresas, entre 2009 e 2011. A PF descobriu ainda que parte dos repasses feitos pelas empresas de Assad tinham como destino as consultorias de fachada de Youssef, que abastecia políticos ligados ao PP e a diretoria de Abastecimento.

Adir Assad é acusado de participar do desvio de recursos da empreiteira Delta, de Fernando Cavendish, recebeu R$ 1 bilhão de 134 empresas entre 2006 e 2013, a maioria do ramo da construção. Assad controlaria uma série de empresas de engenharia e de terraplanagem de fachada para recolher o dinheiro que, supostamente, seria distribuído em propinas para funcionários públicos e caixa dois de partidos e políticos. Segundo reportagem da revista Veja, Assad ficaria com 10% dessa arrecadação.

 

Publicado aqui, na globo.com

 

0

A solução não está no impeachment. O que fazer então?

 Em progresso

 

 

 

Jornalista e blogueiro Ricardo Noblat
Jornalista e blogueiro Ricardo Noblat

As lições do dia em que o PT perdeu o controle das ruas e o povo insultou Lula como jamais o fizera

Por Ricardo Noblat

 

Lição número um do domingo histórico de 15 de março de 2015, quando o Brasil celebrou com maturidade, coragem e alegria os 30 anos do fim da ditadura de 1964 e do início da redemocratização: o PT perdeu o controle das ruas.

De fato começara a perder desde que a corrupção passou a corroê-lo por dentro em 2005 – portanto, há exatos 10 anos –, tão logo o escândalo do mensalão fez o primeiro governo Lula tremer. Não caiu, é verdade. Mas perdeu a pose e nunca mais a recuperou.

Lição número 2 de um domingo histórico: Lula deixou de ser intocável. Em nenhum ato público de grande porte até aqui, manifestantes haviam ousado, em coro e por muito tempo, ofender Lula com palavras de ordem.

Os que tentaram em outras ocasiões não foram bem-sucedidos. Mas ontem foram sim. “Lula cachaceiro, devolve meu dinheiro” foi uma das agressivas palavras de ordem. Estamos longe da cultura nórdica que cobra boa educação a qualquer hora.

Infelizmente é assim e sempre será neste país abençoado por Deus e bonito por natureza. Não foi  assim quando Dilma acabou insultada no jogo de abertura da Copa do Mundo, no ano passado? Não devemos nos julgar inferiores por isso.

Quantos países, de pouca experiência democrática como o nosso, seriam capazes de pôr mais de dois milhões de pessoas nas ruas pacificamente? Isso é quase metade da população da Noruega. É sete vezes mais do que a população da Islândia.

Atravessamos apenas 30 anos ininterruptos de Estado Democrático de Direito. A democracia por aqui está mais no papel do que na realidade das pessoas. Temos liberdade. Não temos rede de esgoto. E liberdade sem rede de esgoto não melhora a vida de ninguém.

Agravou-se a situação da presidente Dilma. Ela não pode falar ao país por meio de rede nacional de rádio e de televisão porque seria recepcionada por um panelaço. Não pode circular por aí para não ser vaiada. Muito menos confraternizar com seu povo sem medo.

À crise econômica somou-se a crise política. Roguemos para que disso não resulte uma crise institucional. No momento, Dilma nada tem a dizer aos brasileiros – nada de novo, nada que mude sua situação. E os brasileiros não desejam ouvi-la. Simples.

Como restabelecer o diálogo sem o qual o país entrará em uma das fases mais delicadas de sua história recente? O governo carece de líderes. Os partidos, idem. Por espontâneas e desorganizadas, as manifestações não têm quem as guie. E não admitem ser guiadas.

A solução não está no impeachment. Presidente só pode ser deposto se cometer um dos oito crimes de responsabilidades previstos na Constituição. Dilma não cometeu nenhum deles. O que fazer então? Eu não sei. De outras vezes pensei que sabia. Desta, não.

 

Publicado aqui, no Blog do Noblat

 

0

Protestos contra Dilma repercutem na imprensa do mundo

Fora Dilma - BBC
“Fora Dilma” na britânica BBC

 

 

“Fora Dilma” no argentino Clarín
“Fora Dilma” no argentino Clarín

 

 

“Fora Dilma” no britânico Financial Times
“Fora Dilma” no britânico Financial Times

 

 

“Fora Dilma” no espanhol El País
“Fora Dilma” no espanhol El País

 

 

“Fora Dilma” na versão espanhola do estadunidense Huffington Post
“Fora Dilma” na versão espanhola do estadunidense Huffington Post

 

 

“Fora Dilma” no britânico The Guardian
“Fora Dilma” no britânico The Guardian

 

 

 

0

Na maior manifestação do Brasil desde as “Diretas Já”, quem mudou de lado? E por quê?

Observe bem as bandeiras e cores ontem na avenida Paulista, onde mais de um milhão de pessoas protestou contra o governo Dilma Rousseff e o PT...
Observe bem as bandeiras e cores ontem na avenida Paulista, onde mais de um milhão de pessoas protestou contra o governo Dilma Rousseff e o PT…

 

 

... E compare atentamente com as bandeiras e cores do histórico comício das “Diretas Já” na Praça da Sé, na São Paulo de 31 anos atrás, antes de responder:: Quem mudou? E por quê?
… E compare atentamente com as bandeiras e cores do histórico comício das “Diretas Já” na Praça da Sé, na São Paulo de 31 anos atrás, antes de responder:: Quem mudou de lado? E por quê?

 

Uma multidão foi neste domingo, 15, às ruas para protestar contra a presidente Dilma Rousseff, dois meses e meio após ela dar início ao segundo mandato numa acirrada disputa com o PSDB, principal adversário político do PT. Os manifestantes pediram o fim da corrupção, reclamaram da situação econômica e defenderam o impeachment da presidente. Uma minoria falou em intervenção militar. O antipetismo foi a marca comum entre todos os grupos que decidiram protestar.

Segundo o instituto Datafolha, essa foi a maior manifestação política registrada no Brasil desde o movimento das Diretas-Já, em 1984. Em São Paulo, a Avenida Paulista foi praticamente toda tomada. Grupos organizados discursaram de carros de som para um público predominantemente vestido de verde e amarelo. Políticos de oposição até participaram dos protestos, mas preferiram ficar à margem, sem comandar palavras de ordem. Aécio Neves (PSDB) e Marina Silva (PSB), principais adversários de Dilma em 2014, comemoraram a mobilização via rede social.

O governo foi surpreendido com a quantidade de gente que foi às ruas. Dilma chegou a afirmar a auxiliares que as manifestações deixam a situação política “mais complicada” do que em junho de 2013, quando uma série de protestos derrubaram a popularidade da presidente. Para dar uma resposta formal aos atos de ontem, Dilma escalou dois ministros para falar com a imprensa. Enquanto seus discursos eram transmitidos por programas de TV, várias capitais voltaram a repetir o panelaço de domingo da semana passada.

“2 milhões” —  Os protestos contra o governo Dilma Rousseff ao longo do domingo foram realizados em todos os 26 Estados e no Distrito Federal.

Houve manifestações em repúdio à gestão petista nas capitais e em, ao menos, 185 cidades do País. Atos, bem mais tímidos, também foram realizados em Nova York, Londres, Paris e Buenos Aires.

Segundo informações oficiais das Polícias Militares dos Estados, no mínimo, 1,950 milhão de brasileiros foram às ruas, a maioria vestida de verde e amarelo e com cartazes pedindo impeachment, renúncia da presidente e até mesmo a intervenção militar.

Em São Paulo, a Polícia Militar calculou cerca de 1 milhão de pessoas na Avenida Paulista por volta das 15 horas, momento de maior concentração no local. Nota da corporação informou ter estimado a presença de cinco manifestantes por metro quadrado na avenida e ruas adjacentes.

De acordo com o Datafolha, o evento reuniu 210 mil participantes no local. Se levado em conta o histórico de levantamentos do instituto, o ato político de ontem foi o maior já realizado desde o movimento pelas eleições diretas, em 1984, quando cerca de 400 mil pessoas, ainda de acordo com dados do Datafolha, se reuniram no centro de São Paulo.

Na sexta-feira, o ato pró-governo e em defesa da Petrobrás, organizado pelas centrais sindicais e por movimentos sociais na Avenida Paulista, reuniu, segundo a PM, número aquém de participantes ao registrado pelo Datafolha. Enquanto os policiais estimaram o público em 12 mil pessoas, o instituto de pesquisa falou em 41 mil.

Outras capitais — Capitais como Vitória e Porto Alegre chegaram à marca de 100 mil manifestantes, segundo as PMs locais, superando até mesmo a expectativa da organização. Em Curitiba, foram calculadas 80 mil pessoas. E em Goiânia, 60 mil.

Tradicional reduto do PT, o Nordeste teve passeatas nas nove capitais da região. Cerca de 75 mil nordestinos, segundo a PM, participaram dos protestos.

 

Publicado aqui, no estadao.com

 

0