PIB terá a maior queda desde 1992, enquanto inflação vai chegar a 7,9% e estourar a meta

Info PIB

 

A economia brasileira vai encolher neste ano e, ainda assim, a inflação vai estourar o teto fixado na legislação. As previsões, que já vinham sendo feitas por analistas independentes, agora foram corroboradas pelo Banco Central.

De acordo com projeções divulgadas nesta quinta-feira (26), o BC calcula que o PIB (Produto Interno Bruto) vá encolher 0,5% em 2015, na sequência de uma estagnação ou retração — queda estimada de 0,1% — no ano anterior.

Mesmo com a produção e a renda no chão, os preços deverão subir 7,9%, bem acima do limite máximo de 6,5%, consideradas as previsões de mercado para a variação dos juros e das cotações do dólar até dezembro.

Trata-se de uma combinação rara de resultados ruins. Embora o crescimento econômico do país esteja longe de ser brilhante, houve apenas três quedas anuais do PIB desde os anos 90, excluídas as projeções para 2014 e 2015.

A inflação medida pelo IPCA tem ultrapassado a meta de 4,5% desde 2010, mas vinha se mantendo abaixo do teto estabelecido na legislação — ultrapassado pela última vez em 2003, quando era de 6%.

A coexistência entre recessão e inflação em alta é conhecida entre economistas como estagflação, com a qual o país flerta desde o ano passado. Agora, o uso do termo tende a ganhar força.

As projeções do mercado são ainda mais pessimistas que as do BC: segundo pesquisa feita na semana passada, as estimativas centrais dos analistas são de que o PIB cairá 0,8%, enquanto a inflação será de 8,1%.

O BC afirma que poderá cumprir a meta em 2016, embora suas projeções apontem para um IPCA de 5,1%; o mercado é cético.

 

Info IPCA

 

Publicado aqui, na folhadesaopaulo.com

 

0

Juros sobre o brasileiro batem novo recorde: taxa do cheque especial é a maior desde 1996

Cheque especial mais caro

 

 

Por Gabriela Valente

 

Os juros cobrados das famílias brasileiras pelas instituições financeiras quebraram novo recorde. De acordo com os dados divulgados nesta quarta-feira pelo Banco Central, as instituições financeiras aproveitaram para reajustar as modalidades emergenciais e cobrar mais de quem está no vermelho: a taxa do cheque especial saltou de 209% ao ano para nada menos que 214,2% ao ano. É a maior desde março de 1996.

Ainda de acordo com os dados, a média do custo financeiro de empréstimos com recursos livres (os que os bancos têm liberdade para escolher como emprestar) subiu de 52% ao ano para 54,3% ao ano em fevereiro. É o maior nível desde quando o BC passou a registrar os dados em 2011.

Já quem precisou entrar no crédito rotativo do cartão de crédito pagou uma conta ainda maior: os juros pularam de 334,6% ao ano para 342,2% ao ano, segundo os dados do BC.

No cenário mais restritivo para o crédito no país, as famílias diminuíram suas dívidas em 0,3% , ou seja, 2,4 bilhões no mês passado. Essa queda – a primeira registrada no período de um ano – foi vista, principalmente, porque as pessoas físicas gastaram menos no cartão de crédito.

— De fato, o que a gente vê é um arrefecimento no consumo — sintetizou o chefe do Departamento Econômico do BC, Túlio Maciel, que lembrou que isso é reflexo do ritmo de crescimento da economia e também do aumento dos juros.

Mesmo com os financiamentos mais caros, as empresas aumentaram o apetite por crédito de olho na alta do dólar e no que podem ganhar com as exportações. De acordo com a autoridade monetária, o aumento de 0,6% em fevereiro (subiu para R$ 783 bilhões) foi causado pelo influenciado pela depreciação cambial do período.

A inadimplência das operações de crédito ficou estável em 2,8%. No crédito às famílias, chegou a 3,8% (com uma leve alta de 0,1 ponto percentual no mês), enquanto, nas operações às empresas, permaneceu estável em 2%.

 

Publicado aqui, no globo.com

 

0

Alemão de 28 anos, copiloto teria derrubado intencionalmente Airbus 320 com 150 pessoas

Airbus 320
Airbus 320 da Germanwings se espatifou nas montanhas dos Alpes franceses

 

 

Copilto do voo 9525 da Germanwings, que teria derrubado o avião intencionalmente, Andreas Lubitz
Copilto do voo 9525 da Germanwings, que teria derrubado o avião intencionalmente, Andreas Lubitz

Por Leandro Colon

 

O promotor de Marselha Brice Robin anunciou nesta quinta-feira (26) que as investigações apontam para um ato voluntário do copiloto para derrubar o Airbus 320 da Germanwings na última terça-feira (24). O avião caiu com 150 pessoas a bordo nos Alpes franceses.

Em entrevista coletiva, o promotor confirmou a informação de que um dos pilotos deixara a cabine momentos antes da queda, sem conseguir retornar, tendo ficado trancado do lado de fora.

Segundo ele, tudo indica que o copiloto “tomou um ato voluntário” para derrubar o avião, tendo provavelmente apertado um botão para levá-lo ao solo.

“O co-piloto queria destruir o avião, não sabemos o motivo”, afirmou Robin.

O piloto foi identificado como Andreas Lubitz, um alemão de 28 anos.

Brice Robin disse ainda que a cabine ficou em “absoluto silêncio” nos últimos 10 minutos antes da queda.

De acordo com reportagem publicada pelo The New York Times na noite de quarta (25), os áudios da cabine revelaram a ausência de um dos pilotos nos minutos finais que antecederam a tragédia. Um dos pilotos tentou retornar para o comando do avião, mas foi impedido por quem ficou do lado de dentro.

O promotor de Marselha informou que, provavelmente, os passageiros só perceberam nos momentos finais o que estava ocorrendo. O investigador disse que, por enquanto, não há elementos que apontam para um ato terrorista.

O promotor disse ainda que “quando há 150 pessoas a bordo do avião, isso não pode ser chamado de suicídio”.

 

Publicado aqui, na folhadesaopaulo.com

 

Infográfico da globo.com
Infográfico da globo.com (clique na imagem para ampliá-la)

 

0

Já são 16% os brasileiros que votaram em Dilma e acham seu governo ruim ou péssimo

Info Dilma

 

 

Por Mauro Paulino e Alessandro Janoni

 

Por trás da reprovação majoritária da população ao governo Dilma Rousseff, revelada pelo Datafolha após as manifestações de 15 de março, há diferenças importantes entre os eleitores que se posicionam contra a presidente.

Por meio de uma análise combinatória de duas variáveis — o voto declarado no segundo turno da eleição presidencial de 2014 e a avaliação que os entrevistados fazem do governo Dilma hoje —, o Datafolha dividiu a amostra de sua última pesquisa nacional em seis subgrupos.

Os três primeiros reúnem aqueles eleitores que optaram por Dilma no ano passado e que agora têm visões diferentes sobre o desempenho da presidente. São os eleitores “satisfeitos”, os “apreensivos” e os “frustrados”.

Os outros três grupos são compostos por pessoas que não votaram na petista, isto é, escolheram o senador Aécio Neves (PSDB-MG), votaram nulo ou em branco nas últimas eleições. São subdivididos em “surpresos”, “atentos0” e “refratários”.

Os eleitores “satisfeitos” avaliam positivamente o início do segundo mandato da candidata que elegeram. Atribuem à presidente nota 8,3 — a média na população é 3,7. Eles correspondem a 11% dos brasileiros, são mais velhos e muito mais petistas do que a média. Vivem principalmente no interior do país, estão mais otimistas com a economia e são os que menos acreditam em omissão de Dilma diante da corrupção na Petrobras. É o segmento mais fiel à presidente.

Os eleitores “apreensivos” não aprovam, mas também não reprovam o governo Dilma. Avaliam sua gestão como regular ou não souberam opinar. Totalizam 15% da amostra e, entre os que votaram na petista, são o grupo com mais moradores das capitais. Dão nota 6,1 à presidente e estão pessimistas com os rumos da economia, mas em proporção menor do que a média.

Em comum com os grupos que não rejeitam Dilma, os “apreensivos” estão mais otimistas em relação à sua situação econômica pessoal do que com as condições do país. Se sentirem em sua rotina os efeitos dos ajustes na economia, tendem a se frustrar. Caso contrário, podem voltar a apoiar a presidente.

Os eleitores “frustrados” votaram em Dilma, mas agora a consideram uma presidente ruim ou péssima. De todos os seis subconjuntos, é o que tem menor renda e mais moradores no Nordeste. Somam 16% e atribuem média 2,4 à petista, nota superior apenas à dos “refratários”.

É um estrato que demonstra bastante pessimismo com a economia e o mais inseguro com o emprego. Para reconquistá-los, o governo deveria minimizar os efeitos da recessão no mercado de trabalho e em benefícios sociais.

No universo dos que não votaram em Dilma na eleição, dois pequenos subconjuntos destacam-se pela avaliação que fazem da presidente.

Os “surpresos” representam apenas 2% do total, são menos escolarizados e mais pobres, e dão nota 7,1 à gestão da petista. Os “atentos”, que somam 10%, a consideram regular, com média 5,4. São mais jovens, a maioria tem ensino médio e é do sexo masculino, estão pessimistas com a economia do país, mas nem tanto em relação à situação econômica pessoal.

O maior grupo de todos é o dos “refratários”. Corresponde a quase metade da população (47%). É um contingente que não votou em Dilma e a reprova totalmente. Entre eles, a nota média obtida pela petista fica em 1,7. É o segmento mais escolarizado e com mais gente no Sudeste.

Exibe grande pessimismo na economia e é o que mais condena a presidente por omissão diante da corrupção na Petrobras. Foi o estrato mais presente nos protestos do dia 15 e parece blindado contra iniciativas do governo.

 

Impacto do ajuste

As variações na opinião pública daqui em diante dependerão principalmente do impacto do ajuste econômico no dia a dia dos brasileiros, especialmente nos segmentos “apreensivos” e “atentos” da população.

São estratos que percebem a gravidade da situação do país, mas ainda não o projetam para a vida prática. Para os “atentos”, ações ou confusões na área da educação, como a que aconteceu com o FIES, podem pesar bastante.

Para os “frustrados”, a questão é saber se o fantasma do desemprego se materializará. Isso pode ser determinante para a adesão desse segmento às manifestações de rua. Entre os eleitores “refratários”, o governo não encontra, por enquanto, espaço para manobras.

A rejeição que perdura desde as eleições, intensificada pela derrota do antipetismo nas urnas, anula, pelo menos por enquanto, qualquer tentativa de aproximação de Dilma com esse segmento. Resta saber quem da oposição preencherá essa lacuna.

 

Publicado aqui, na folhadesaopaulo.com

 

 

0

Continue acompanhando a crise brasileira, em tempo real, no Blog do Arnaldo Neto

pausa

 

Para atuar em outra frente jornalística, por certo mais prazerosa, como crítico de cinema, peço sua licença, leitor, para fazer uma pausa neste “Opiniões” até amanhã. Qualquer novidade relevante no preocupante quadro nacional em meio à crise do Petrolão, agora alastrada também aos Correios (aqui), você poderá acompanhar em tempo real, no Blog do Arnaldo Neto.

Inté!!!…

 

0

Senador Paulo Paim ameaça debandar do PT e é aconselhado por Lula a votar contra Dilma

(Arte de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
(Arte de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Por Simone Iglesias

 

Na esteira de Marta Suplicy (PT-SP), outro senador petista, Paulo Paim (RS), está ameaçando deixar o partido. Paim se reuniu segunda-feira, em São Paulo, com o ex-presidente Lula e disse que não tem condições de votar a favor das MPs 664 e 665, do ajuste fiscal, que restringem a concessão de benefícios trabalhistas. Ouviu de Lula que não deve trair sua consciência e que “em nenhum lugar está escrito que ele tem que votar como quer o governo”. Na reunião, da qual participou também o presidente da CUT, Vagner Freitas, foi feita avaliação de que a presidente Dilma precisa ceder e flexibilizar as mudanças nas regras do seguro-desemprego e do abono salarial.

Paim disse que a iminente saída de Marta Suplicy do PT não é um movimento isolado e que há “mais ruídos do que o partido imagina”. Segundo ele, Lula defendeu que o governo se abra a um grande acordo em torno das MPs, unindo posições da equipe econômica, dos sindicalistas e do Congresso.

Paim disse ao Globo que se não houver alterações, votará contra o ajuste e sairá do PT.

— Não tenho como votar a favor dessas medidas, o governo está propondo um arrocho social. Há muito descontentamento interno, outros senadores também estão reclamando. A situação é de constrangimento, não sou só eu que penso assim. Decidi que entre votar contra o trabalhador e o aposentado, prefiro voltar para casa — disse Paim, há 29 anos no Parlamento.

Paim disse que as conversas com ministros não avançam, mostrando que o governo está ouvindo as ponderações, mas não as atenderá.

Paim afirmou que se soma às MPs sua frustração com os escândalos de corrupção envolvendo petistas e governos do partido. Paim disse que ainda vai esperar as votações das MPs, mas que já está conversando com outras legendas, entre elas PMDB, PDT e PSB, e se aconselhando sobre ação para não perder o mandato.

 

Publicado aqui, no globo.com

 

 

0

Refém da crise, Dilma recebe outro recado público de Renan: “Palavra final é do Congresso”

Renan e Dilma

 

 

Por Gabriela Guerreiro

 

Em mais um recado à presidente Dilma Rousseff, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), sinalizou nesta quarta (25) que o Congresso vai derrubar um eventual veto da petista ao projeto que determina a regulamentação do novo indexador das dívidas dos Estados e municípios. Renan disse que o Senado vai analisar o projeto “o mais rapidamente possível”, após a Câmara aprovar o texto nesta terça (24).

“É o Congresso, ao final e ao cabo, que vai apreciar o veto. A palavra final será do Congresso”, afirmou.

Renan negou que Congresso e Planalto vivam uma “crise”, mas reiterou que o parlamento atua de forma independente do governo. As suas críticas à atuação de Dilma têm sido constantes nas últimas semanas, assim como de peemedebistas como o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (RJ).

“Não vejo crise. O que está mais claro para todos nós é a necessidade, cada vez mais, de o Congresso ser Congresso e fazer a sua parte. Nessa matéria [indexador], já tínhamos resolvido. E agora ela volta em função da não-regulamentação do governo. Como o governo não regulamentou, o Congresso vai ter que regulamentar.”

O presidente do Senado disse que “não resta outro caminho” ao Legislativo que não regulamentar a lei do novo indexador diante das taxas “escorchantes” de juros pagas por Estados e municípios.

“Isso é um absurdo. Fazer o ajuste da União sem levar em consideração a necessidade igual de ajustar os Estados e municípios é muito ruim para o país. Esse ajuste, da forma que está sendo feito, desajusta Estados e municípios”, atacou.

Para ele, o argumento do governo de que a mudança no indexador trará impactos à economia em meio ao ajuste fiscal, não se configura na prática. “Essa renegociação não mexe no curto prazo, mexe no perfil. Por isso o impacto é pouco.”

 

Ministros 

O ministro Joaquim Levy (Fazenda) participou de reunião com representantes do Senado nesta quarta — a qual classificou de “extremamente positiva” — para discutir o projeto e outras medidas macroeconômicas que tramitam na Casa para tentar criar um acordo.

Apesar de ainda não haver um consenso, o ministro prometeu aos senadores que levará uma lista de propostas para apresentação na próxima reunião da CAE (Comissão de Assuntos Econômicos), marcada para a próxima semana.

O o ministro Gilberto Kassab (Cidades) defendeu que governo, Estados e municípios encontrem um “ponto de equilíbrio” sobre troca do indexador. Apesar de defender o ajuste fiscal, disse que prefeitos e governadores têm a “legítima aspiração” da troca do índice.

“Existe a necessidade de conviver com o ajuste neste momento da economia, existe a legítima aspiração dos prefeitos que seja feita essa alteração. Eu já tive essa aspiração no passado, até porque a realidade do país é outra, os índices são outros”, afirmou o ex-prefeito de São Paulo.

 

Impasse

A Câmara aprovou regra para garantir a execução da lei que troca o indexador com aval de líderes de todos os partidos, inclusive de PT e PC do B. Agora, o texto será analisado pelo Senado.

O projeto estabelece que o governo tem o prazo de 30 dias para assinar os aditivos contratuais com os novos índices do indexador. Se essa etapa não for cumprida neste período, Estados e municípios ficam autorizados a aplicar automaticamente o novo indexador.

Nesta terça, a presidente chegou a afirmar que não tem condições de bancar a troca do indexador devido às turbulências econômicas.

Em novembro de 2014, Dilma sancionou a lei que muda o índice de correção das dívidas de Estados e municípios com a União, mas o governo não regulamentou sua aplicação até agora. O texto permite que as dívidas contraídas antes de 2013 sejam recalculadas, de maneira retroativa.

Com a nova lei, o indexador das dívidas passa a ser o IPCA, o índice oficial de inflação, mais 4% ao ano, ou, se esta for menor, a taxa básica de juros definida pelo Banco Central. Atualmente, os débitos são corrigidos pelo IGP-DI mais juros de 6% a 9%.

Ao todo, 180 municípios serão favorecidos pela nova lei. A maior beneficiada é a cidade de São Paulo, que tem dívida de R$ 62 bilhões com a União. Com a mudança dos índices de correção, o valor deve ser reduzido para R$ 36 bilhões, de acordo com projeções feitas pela prefeitura.

 

Publicado aqui, na folhadesaopaulo.com

 

0

Petrolão à parte, Correios financiam Venezuela e reeleição de Dilma. Você paga a conta!

Brasil, um país de todos

 

 

Jornalista Eliane Catanhêde
Jornalista Eliane Catanhêde

Bondade com o dinheiro alheio

Por Eliane Catanhêde

 

Depois de furado o esquema gigantesco da Petrobras, era apenas questão de tempo para começarem a estourar os tumores de outras estatais. Era cutucar e aparecer. O Estado chegou antes e temos aí os Correios, para confirmar a expectativa. Não foi o primeiro, certamente não será o último.

Fala sério: investir em títulos da Venezuela?! Isso não pode ser verdade. Mais do que uma aplicação de altíssimo risco, com o governo Nicolás Maduro desabando, é também uma operação suspeita e confirma o que todo brasileiro sabe, ou tinha obrigação de saber, a esta altura do campeonato: o modus operandi da era PT.

Além da má administração, impera a confusão entre Estado e governo e entre governo e partido. Dá nessas coisas. A maior empresa do País foi fatiada e dilapidada em mais de R$ 1 bilhão, a querida e popular instituição dos Correios foi chamada a financiar ditaduras destrambelhadas, o programa Mais Médicos foi maquiado para disfarçar uma mãozinha milionária para os “cumpanheiro” cubanos.

A Operação Lava Jato expôs dirigentes partidários, parlamentares, ex-ministros, diretores, doleiros e executivos das grandes empreiteiras — com o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, (aqui) no meio do furacão. E todos eles expuseram o Brasil à vergonha internacional e a processos judiciais preocupantes nos Estados Unidos. Sabe-se lá quanto tempo a Petrobrás levará para se recuperar financeiramente. Pior: quanto tempo levará para resgatar a credibilidade e a autoestima.

E os Correios gastaram a seu bel prazer, principalmente no ano eleitoral de 2014, e serão julgados pelo Tribunal de Contas da União (TCU) por ações irregulares pró-Dilma durante a campanha à reeleição. Agora, com um rombo de bilhões de reais, o que fazem seus chefões? Mandam a conta para os funcionários.

Conforme a reportagem do Estado, o Postalis, fundo de pensão dos Correios, espetou um extra de 26% sobre os ganhos de empregados, aposentados e pensionistas para cobrir um rombo que foi criado pela incompetência, pelo partidarismo e pela ideologia. Como Robin Hood ao contrário, os Correios tiram dos trabalhadores para dar aos patrões e candidatos.

E a história de Cuba? O Mais Médicos faz sentido, porque há municípios sem nenhum atendimento. E trazer generalistas cubanos também faz sentido, porque eles são especialistas em prevenção básica justamente em áreas carentes e não atendidas. Mas uma gravação obtida pela TV Bandeirantes mostra que o objetivo real não era nem uma coisa nem outra. Era despejar um bom dinheiro no regime dos irmãos Castro. Os médicos de outras nacionalidades só serviram para dourar a pílula.

Como resultado, temos que o Ministério da Saúde financia Cuba, os Correios dão uma forcinha ora para a Venezuela, ora para a campanha de reeleição da presidente, e a Petrobrás financia PT, PP e PMDB antes, durante e depois de eleições, para eternizar um projeto de poder.

Tem muita investigação, muito inquérito, muitos réus, muita gente presa, mas, no frigir dos ovos, adivinha quem paga essa conta? Você!

Juiz — A Polícia Federal não tem dúvida de que o juiz Flávio Roberto de Souza está armando tudo para se passar por maluco e sair dessa afastado das funções, mas com uma gorda aposentadoria vitalícia e com uma bolada extra no bolso (ou em paraísos fiscais).

Nada faz sentido: chegar no Porsche de Eike Batista em pleno fórum? Já com os fotógrafos a postos? Levar piano para a casa do vizinho? Depois de tudo isso falar em budismo, carma e “repousar a mente”? Isso não é coisa de louco, é coisa de gente muito viva.

 

Publicado aqui, no estadao.com

 

0

Por sua autofagia, a crise do Petrolão é única na história do Brasil

atrás do próprio rabo

 

Jornalista e escritor Zuenir Ventura
Jornalista e escritor Zuenir Ventura

Uma crise autofágica

Por Zuenir Ventura

 

Uma leitora reclama dos jornalistas atenção maior ao que acontece de bom no país. “Vocês nem se esforçam para isso, preferem o pior”. A questão é que nem sempre somos nós que procuramos as más notícias, muitas vezes elas é que se oferecem, sem serem chamadas. O exemplo mais recente é o do escândalo da Petrobras. A imprensa divulgou e está divulgando o que se passa ali, mas quem denunciou e continua denunciando os malfeitos são e foram os próprios atores do degradante espetáculo. Se não fossem as delações premiadas, ou seja, as acusações de dentro da empresa — gerentes e diretores confessando seus desvios e dedurando os de seus colegas — não teríamos o “propinoduto”, esse festival de corrupção numa escala como nunca houve igual.

É difícil estabelecer uma olimpíada de crises para saber qual foi a pior, mesmo para quem, como eu, assistiu como observador a várias delas — a de 1954, com o suicídio de Getúlio Vargas; a de 1961, com a renúncia de Jânio Quadros; a de 1964, com o golpe militar; a de 1968, com o golpe dentro do golpe; a de 1992, com o impeachment de Fernando Collor. O que talvez diferencie todas elas da atual é o processo autofágico, de autocorrosão, que caracteriza a de agora, quando as maiores dificuldades não são criadas pela oposição, mas pelos aliados. A última é a entrada na Justiça de Eduardo Paes contra a presidente para fazer valer a lei que reduz a dívida da prefeitura. Com isso, a briga vai para o terreno judicial, e é possível que ganhe a adesão do petista Fernando Haddad. Outro motivo interno de irritação da presidente é a insistência de João Vaccari Neto em não largar a tesouraria do PT, mesmo agora que passou (aqui) à condição de réu na Lava-Jato. Teme-se que isso possa arrastá-la para o centro da crise.

Até a relação Lula-Dilma, de criador e criatura, atingiu seu ponto crítico de desgaste. Pressionada pela maioria do PT no Congresso para rever medidas do ajuste fiscal, ela tem ainda que enfrentar o fogo amigo de dois perigosos aliados: os presidentes da Câmara e do Senado, ambos investigados no processo que será aberto no Supremo Tribunal Federal por causa da Operação Lava-Jato. Incluídos na lista do procurador-geral da República por seus próprios “méritos”, eles atribuem (aqui) a inclusão a Dilma, ou pelo menos acham que ela deveria tê-los livrado do vexame. Daí desafiá-la publicamente com afrontas e pirraças. Um, o deputado Eduardo Cunha, não sossegou enquanto não se consumou (aqui) a demissão do ministro que o xingou de “achacador” em plena Câmara. O outro, Renan Calheiros, não compareceu a jantar de senadores do PMDB com a presidente e, para contrariá-la, devolveu a medida provisória sobre a desoneração da folha de pagamento das empresas.

Com aliados assim, o governo não precisa de oposição.

 

Publicado aqui, no globo.com

 

0

Toda vez que Renan e Cunha armam uma jogada, Dilma busca a bola no fundo das redes

 

 

Jornalista Bernardo Mello Franco
Jornalista Bernardo Mello Franco

PMDB 7 x 1 Dilma

Por Bernardo Mello Franco

 

O jogo político em Brasília tem lembrado a semifinal da Copa: a cada vez que os alemães Renan Calheiros e Eduardo Cunha armam uma jogada, Dilma Rousseff encarna o goleiro canarinho e vai buscar a bola no fundo da rede.

A dupla de ataque do PMDB está prestes a marcar mais um gol, ao tirar da oposição oficial a bandeira do corte no número de ministérios.

A tabelinha começou na semana passada, quando a bancada do partido na Câmara desarquivou uma proposta de emenda constitucional apresentada por Cunha. O texto estabelece um teto de 20 ministérios na Esplanada. Se aprovado, obrigará Dilma a fazer um corte brusco em sua equipe, hoje com 39 pastas.

Em um lance ensaiado, Renan saiu ontem (aqui) em defesa da ideia: “Está na hora do programa Menos Ministérios. Vinte, no máximo. Menos cargos comissionados, menos desperdício e menos aparelhamento”.

Foi o suficiente para jogar Dilma de volta na defensiva. Horas depois, ela anunciou que o governo vai “fazer profundos cortes” e “buscar ineficiência” (sic) em todos os ministérios, mas sem falar em enxugamento.

Mais uma vez, a presidente deve ser atropelada pelo Congresso. A proposta de Cunha pode ser votada hoje na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara. Se aprovada, causará forte desgaste político ao governo.

Os 39 ministérios de Dilma são um claro absurdo. O curioso é ver o PMDB em campanha por sua redução. O partido se notabilizou por pressionar todos os governos, inclusive o atual, para obter mais cargos e orçamentos na Esplanada. Neste momento, atua nos bastidores para arrancar a Integração Nacional do PP.

Se seu time estivesse forte, Dilma poderia instar os peemedebistas a dar o exemplo, devolvendo as sete pastas que controla: Minas e Energia, Agricultura, Turismo, Pesca, Portos, Aviação Civil e Assuntos Estratégicos. Na partida atual, é mais provável que a presidente acabe assistindo a mais um gol da Alemanha.

 

Publicado aqui, na folhadesaopaulo.com

 

0

Ponto final — No absurdo entre o Planalto e a Planície, adivinha quem é o palhaço?

Ponto final

 

 

Teatro do absurdo

Contrário à razão e à lógica como instrumentos de entendimento das ações humanas, o teatro do absurdo produziu grandes dramaturgos, de várias nacionalidades. O romeno Eugène Ionesco, o irlandês Samuel Beckett, o russo Arthur Adamov, o inglês Harold Pinter, o espanhol Fernando Arrabal, o francês Jean Genet e o estadunidense Edward Albee certamente estão entre eles. Mas talvez nenhum fosse capaz de imaginar o que ocorre hoje em Campos, no reflexo seletivo e surreal do cenário nacional.

 

Humilhação e Petrolão

Egresso do teatro, nos tempos psicodélicos da juventude hippie, o ex-governador, ex-prefeito e ex-deputado Anthony Garotinho (PR) é hoje, a partir do seu blog, um dos principais denunciantes dos escândalos do Petrolão na blogosfera goitacá. Bem verdade que sua produção diária de postagens sobre o assunto é motivada pelo envolvimento do ex-governador fluminense Sérgio Cabral (PMDB) e do atual, Luiz Fernando Pezão (PMDB), que juntos impuseram ao político da Lapa a derrota mais humilhante da carreira deste, barrado do segundo turno da eleição ao Palácio Guanabara, para nele reforçar a perda em cinco das sete zonas eleitorais do seu próprio município (aqui).

 

Reeleitas e reféns

E se há lógica nessa postura revanchista de péssimo perdedor, o absurdo reside no fato de que Garotinho, ao mirar no Petrolão, atinge em cheio o governo Dilma Rousseff (PT). Além de ser teoricamente seu aliado, o político da Lapa não demonstra o menor pudor ao atacar uma administração federal que atravessa sua pior fase, mas por erros muito semelhantes àqueles que fazem da gestão municipal de sua esposa, Rosinha (PR), da qual é secretário de Governo e eminência parda, também encarar seu pior momento. Tanto uma, como a outra, tão reeleitas, quanto reféns.

 

Diferença: Moro e Cunha

No populismo assistencialista dos seus currais eleitorais, nas denúncias de corrupção, na incompetência administrativa, na promiscuidade entre público e privado, no fanatismo acéfalo dos seus defensores bancados pelo contribuinte, na mulher eleita para governar e movida como títere pela figura masculina atrás dos panos, as poucas diferenças parecem ser pró-Rosinha. Para sorte dela, o Ministério Público e Justiça de Campos, independente da esfera, nem sonham com o empenho e a competência da comarca federal de Curitiba (aqui). Ademais, caráter pessoal à parte, a Câmara de Campos não tem nada parecido com um Eduardo Cunha (PMDB), ex-aliado dos Garotinho.

 

Esquerda ou direita do quê?

Saída de cena a razão, o absurdo domina novamente o palco quando constatado que quase nenhum dos críticos mais contumazes do garotismo em Campos demonstram o menor pudor ao ignorar solenemente os sucessivos escândalos do lulopetismo no Brasil. Alguns, por nada além de anacronismo dogmático, mesmo jornalistas profissionais, foram incapazes até de escrever uma mísera linha sobre as manifestações populares de 15 de março (aqui e aqui), inclusive em Campos (aqui), na maior mobilização política da história do Brasil desde as “Diretas Já”, em 1984. No absurdo refletido ao espelho, difícil é saber quem fica à esquerda ou à direita do quê.

 

Hipocrisias

Enquanto os absurdos reais se acumulam do Planalto Central à Planície Goitacá, o que domina a democracia irrefreável das redes sociais é o beijo lésbico de ficção na nova novela das 21h da Globo, “Babilônia”, entre as personagens das veteranas Fernanda Montenegro e Nathalia Timberg. Evangélico, Garotinho, por exemplo, foi contra o beijo e aproveitou sua saliva, como o poeta Augusto dos Anjos, para cuspir na linha editorial da Globo. Preconceitos à parte, foi menos hipócrita do que quem teve orgasmos com a ousadia na dramaturgia da emissora, enquanto acusa de golpista o seu jornalismo.

 

O palhaço

Enquanto isso, naquilo que realmente interessa, ou deveria, Campos terá depositado hoje em sua conta exatos R$ 25.798.323,57, relativos ao repasse de março dos royalties, como a jornalista Joseli Matias adiantou aqui, em primeira mão, na Folha Online. É uma queda de 29% se comparado com o mês anterior, de fevereiro; e 54,2% a menos do que março do ano passado. Segundo o secretário campista de Petróleo, Marcelo Neves, contando a participação especial do último trimestre de 2014, o município já perdeu em 2015 mais de R$ 140 milhões nos repasses. Após anos de vacas gordas com o preço alto do barril de petróleo, ele só não explicou como ficamos sem caixa. Nesse palco, não há nenhum absurdo, leitor: o palhaço é você!

 

Infográfico de Eliabe de Souza, o Cássio Jr, publicado hoje na capa da Folha
Infográfico de Eliabe de Souza, o Cássio Jr, publicado hoje na capa da Folha

 

Publicado hoje na Folha da Manhã

 

0

Crítica de cinema — American pai

Bagdá Café

 

 

supepai

 

Mateusinho 2Superpai — No Brasil, entre janeiro de 2014 e março de 2015, foram produzidos 112 filmes, divididos entre drama, comédia, documentário, comédia romântica, ação, aventura, animação, musical, comédia musical, suspense, romance, policial e terror. De acordo com os dados da Agência Nacional do Cinema (Ancine), de todas as produções brasileiras, os longas-metragens de drama estão na primeira posição do ranking, no total de 45 histórias. Mas, apesar da estatística, prevalece a ideia errônea de que o Brasil produz somente comédias, que, a partir dos registros da Ancine, contabilizam apenas 21 do número total de lançamentos no último ano.

No entanto, em Campos, apenas parte desses filmes é apresentada à população. Nomes relevantes para a cinematografia brasileira — tais como “O lobo atrás da porta” (2013), dirigido por Fernando Coimbra e premiado no 35º Festival Internacional do Novo Cinema Latino-Americano, em Cuba; e “Hoje eu quero voltar sozinho” (2014), de Daniel Ribeiro, que conquistou o segundo lugar no Festival de Berlim — não chegaram aos cinemas da cidade. Por aqui, em relação aos filmes brasileiros, figuram nas telas as comédias, desde as que possuem abordagens engraçadas e interessantes, casos de “Se eu fosse você 2” (2009), de Daniel Filho, e “A mulher invisível” (2009), de Cláudio Torres, até as menos atraentes, como “Superpai” (2014), de Pedro Amorim.

Danton Mello interpreta, em “Superpai”, o descompromissado Diogo. O homem espera ansiosamente o reencontro de sua turma, vinte anos após a formatura. Mas os planos mudam quando a Mariana (Monica Iozzi) lhe pede que cuide do filho do casal. Para não deixar de participar da confraternização, ele deixa o menino em uma creche. Na hora de buscá-lo, Diogo confunde o menino, devido a uma máscara, e leva outro garoto em seu lugar. A trama, que retrata uma noite da vida do protagonista, se desenrola a partir do desencontro, sem surpresas e novidades.

O brasileiro “Superpai” foi baseado em um roteiro dos norte-americanos Benji Crosgrove e Corey Palme, que não foi filmado por ser considerado politicamente incorreto e pesado. Reescrito por Pedro Amorim e Ricardo Tiezzi, o enredo não foge, em certos momentos, aos traços da comédia besteirol estadunidense e tropeça em filmes típicos do estilo, como os da franquia American Pie, cujo último lançamento — “American Pie: o reencontro”,de Jon Hurwitz e Hayden Schlossberg —  aconteceu no ano de 2012. “Superpai” e “O reencontro” apresentam personagens com características e histórias semelhantes. Alguns pontos em comum são a reunião da turma da escola anos depois da formatura e a irresponsabilidade característica dos homens que não amadureceram e têm dificuldades para lidar com a fase adulta.

O longa-metragem tem em seu elenco, além de Danton Mello e Monica Iozzi (que deveria ter prosseguido na carreira de repórter do programa CQC), Dani Calabresa, Antonio Tabet, Thogun Teixeira, Rafinha Bastos e Danilo Gentili.  Apesar do renomado grupo de atores, “Superpai” deixa a desejar no quesito humor, principalmente por misturar à comédia brasileira aspectos típicos e recorrentes da norte-americana.

Ao filme, falta originalidade, característica encontrada em outros longas do gênero produzidos no país, como o já citado “Se eu fosse você 2”no qual a troca de corpos entre marido e mulher é hilariamente representada, e “Deus é brasileiro” (2003), de Cacá Diegues, que apresenta um deus altivo e cansado, que deseja encontrar alguém para substituí-lo por estar farto das burradas cometidas pelo homem. Nestes, o roteiro não usa saídas apelativas para trazer risadas ao público, que, apesar de decifrar os rumos dos personagens, se entrega plenamente a histórias divertidas e totalmente brasileiras.

 

Mateusinho viu

 

Publicado hoje na Folha Dois

 

Confira o trailer do filme:

 

 

0