Dilma é reprovada por 64,8% dos brasileiros, enquanto 59,7% querem o seu impeachment

Charge do Chico Caruso de 23/03/15
Charge do Chico Caruso de 23/03/15

 

 

A avaliação do governo da presidente Dilma Rousseff atingiu em março deste ano o segundo pior nível histórico, segundo pesquisa CNT/MDA divulgada nesta segunda-feira (23). No total, 64,8% dos entrevistados consideram o governo da petista ruim ou péssimo, contra 10,8% que o avaliam como ótimo ou bom.

Outros 23,6% consideram que o governo Dilma Rousseff é regular e 0,8% não sabem ou não responderam. Em relação a um eventual pedido de impeachment de Dilma, 59,7% responderam ser favoráveis e 34,7%, contrários. Outros 5,6% não sabem ou não responderam.

O pior índice registrado pela pesquisa foi em setembro de 1999, no segundo mandato do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Na época, o governo do tucano foi avaliado positivamente por apenas 8% dos entrevistados e 65% fizeram avaliação negativa de sua gestão.

A pesquisa também mostra que a avaliação pessoal da presidente é a pior da série histórica da CNT/MDA. Entre os entrevistados, 77,7% desaprovam a presidente, contra 18,9% que a aprovam. Outros 3,4% não sabem ou não responderam. A pesquisa começou a ser realizada em julho de 1998.

A última pesquisa CNT/MDA que fez a avaliação do governo Dilma Rousseff foi realizada em setembro de 2014, antes das eleições que reelegeram a petista. Na época, o governo Dilma foi avaliado de forma positiva por 41% dos entrevistados, contra 24% que fizeram avaliação negativa.

A pesquisa realizou 2002 entrevistas entre os dias 16 e 19 de março, logo após os protestos contrários ao governo federal, em 137 municípios de 25 Estados. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais.

 

Segundo mandato

O levantamento aponta que 75,4% dos entrevistados consideram o segundo mandato de Dilma pior que o primeiro, enquanto 2,8% o avaliam como melhor e 16,4% o consideram igual. Outros 4,4% acham não ser possível fazer essa avaliação e 1% não sabem ou não responderam.

Segundo a pesquisa, 84% dos entrevistados consideram que Dilma não cumpre em seu segundo mandato o que prometeu durante a campanha eleitoral. Outros 4,7% consideram que ela cumpre suas promessas, 12,9% avaliam que as promessas são cumpridas parcialmente e 1,4% não sabem ou não responderam.

O levantamento também questionou os eleitores sobre uma eventual disputa para a presidência da República neste momento entre Dilma e senador Aécio Neves (PSDB-MG). O tucano seria eleito com 55,7% dos votos contra 16,6% recebidos por Dilma. Os brancos e nulos somaram 22,3% e 5,4% não sabem ou não responderam.

Entre os entrevistados, 41,6% declararam ter votado em Dilma nas eleições de outubro do ano passado contra 37,8% que votaram em Aécio. Outros 10,8% afirmaram ter votado em branco ou nulo, 8,7% não votaram e 1,1% não lembram ou não responderam.

A pesquisa também perguntou aos eleitores se o governo Aécio Neves estaria melhor que o de Dilma Rousseff neste momento, caso o tucano tivesse sido eleito em outubro.

No total, 38% dos entrevistados consideram que estaria melhor, contra 32,6% que consideram igual e 17,4% que acham que a gestão do tucano seria pior. Os que não responderam ou não sabem somam 1,2%.

 

Petrobras

Em relação às denúncias de corrupção da Petrobras, 68,9% dos entrevistados consideram que Dilma é culpada pelo esquema de desvio de recursos na estatal, contra 23,7% que não têm essa avaliação. Outros 7,4% não sabem ou não responderam. O ex-presidente Lula também é considerado culpado pelas irregularidades na estatal por 67,9% dos entrevistados, contra 23,7% que discordam.

A pesquisa mostra que 75,7% dos entrevistados sabem da lista dos políticos que teriam envolvimento com o escândalo de corrupção na Petrobras. No total, 90,1% dos entrevistados consideram que os citados na lista estão envolvidos nas irregularidades, mas 65,7% acreditam que não serão punidos. Apenas 28,4% dos entrevistados acreditam em punições aos culpados.

Segundo o levantamento, 83,2% dos entrevistados apoiam as manifestações contra o governo realizadas no dia 15 de março e 15,7% são contrários. Mas apenas 3,9% responderam ter participado dos protestos, contra 96,1% que não estiveram presentes.

 

Crise
A pesquisa mostra que 53,9% dos entrevistados consideram que a reforma política vai ajudar, pelo menos em parte, para resolver a crise política do país. Outros 33,2% não acreditam na reforma como solução e 12,9% não sabem ou não responderam.

Metade dos entrevistados apontaram a corrupção como maior desafio do governo federal, seguido por saúde (37,1%) e economia (29,3%).

Em relação à crise econômica, 66,9% consideram que as medidas adotadas pelo governo federal não vão solucionar os problemas no campo econômico e 25,2% são otimistas em relação ao resultados das medidas. No total, 92,8% dos entrevistados responderam estar preocupados com a crise na economia do país. O tempo para resolver a crise será de longo prazo (3 a 4 anos) segundo 51% dos entrevistados, enquanto 10,7% acham que será solucionada em um ano.

O levantamento aponta que 82,9% dos entrevistados consideram que Dilma não sabe lidar com a crise, contra 13,8% que pensam o contrário. Outros 3,3% não sabem ou não responderam.

 

Publicado aqui, na folhadesaopaulo.com

 

Atualização às 18h24: Para conhecer a pesquisa Datafolha que havia conferido 62% de reprovação popular ao governo Dilma, confira aqui

 

 

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Vaccari, Duque e mais 25 são réus por corrupção, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha

Charge do Chico Caruso de 23/03/15
Charge do Chico Caruso de 23/03/15

 

 

Por Germano Oliveira

 

A Justiça Federal aceitou nesta segunda-feira a denúncia do Ministério Público Federal (MPF) contra o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, e contra o ex-diretor de Serviços e Engenharia da Petrobras, Renato de Souza Duque. Além dos dois, outras 25 pessoas também se tornaram réus diante da Justiça Federal sob a acusação de corrupção, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.

O MPF apresentou a denúncia na última segunda-feira (16), dia em que a 10ª fase da Operação Lava-Jato foi deflagrada com o nome de “Que país é esse?”, frase atribuída a Duque, que reclamava das investigações envolvendo seu nome para o seu advogado. Nesta fase, o ex-diretor foi preso pela segunda vez. O pedido de prisão foi motivado por movimentações financeiras realizadas pelo ex-diretor em contas bancárias do exterior. Ele foi flagrado transferindo da Suíça para o Principado de Mônaco quantias superiores a 20 milhões de euros.

O doleiro Alberto Youssef, apontado como o líder do esquema de corrupção, desvio e lavagem de dinheiro na Petrobras, o ex-diretor de Abastecimento da estatal Paulo Roberto Costa e o engenheiro Pedro José Barusco Filho, que era gerente-executivo de Serviços e Engenharia e braço direito de Duque, também foram denunciados.

Nesta ação, o juiz Sérgio Moro, responsável pelas ações da Operação Lava Jato em primeira instância, deixou de receber denúncia contra Youssef pelo crime de corrupção, pelo fato do doleiro já responder por este crime em outras ações penais.

De acordo com a denúncia, Vaccari participava de reuniões com Duque para tratar de pagamentos de propina, que eram pagas por meio de doações oficiais ao PT. Dessa maneira, os valores chegavam como doação lícita, mas eram oriundas de propina. O MPF aponta que foram 24 doações em 18 meses, no valor de R$ 4,2 milhões. O tesoureiro do PT indicava em que contas deveriam ser depositados os recursos de propina, segundo o MPF. “Vaccari tinha consciência de que os pagamentos eram feitos a título de propina”, afirmou o procurador do MPF Deltan Dallagnol.

Entre os denunciados e agora réus quinze são empreiteiros, cinco são operadores, quatro são ligados aos operadores, dois ex-diretores da Petrobras e um ex-gerente. A denúncia envolve desvios de recursos da Petrobras em quatro obras: Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), Refinaria de Paulínia (Replan), Gasoduto Pilar/Ipojuca e Gasoduto Urucu Coari. As empresas responsáveis por estas obras são OAS, Mendes Júnior e Setal.

Os 27 réus são:

1) Adir Assad;

2) Agenor Franklin Magalhães Medeiros;

3) Alberto Elísio Vilaça Gomes;

4) Alberto Youssef;

5) Ângelo Alves Mendes;

6) Augusto Ribeiro de Mendonça Neto;

7) Dario Teixeira Alves Júnior;

8) Francisco Claudio Santos Perdigão;

9) João Vaccari Neto;

10) José Aldemário Pinheiro Filho (vulgo Léo Pinheiro);

11) José Américo Diniz;

12) José Humberto Cruvinel Resende;

13) Julio Gerin e Almeida Camargo;

14) Lucélio Roberto Von Lehsten Goes (Lucélio Roberto Matosinhos);

15) Luiz Ricardo Sampaio de Almeida;

16) Mario Frederico Mendonça Goes;

17) Marcus Vinicius Holanda Teixeira;

18) Mateus Coutinho de Sá Oliveira;

19) Paulo Roberto Costa;

20) Pedro José Barusco Filho;

21) Renato de Souza Duque;

22) Renato Vinicios; de Siqueira;

23) Rogério Cunha de Oliveira;

24) Sergio Cunha Mendes;

25) Sonia Mariza Branco;

26) Vicente Ribeiro de Carvalho;

27) Waldomiro de Oliveira.

 

Publicado aqui, no globo.com

 

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Juiz Sérgio Moro manda 12 presos do Petrolão da carceragem da PF para presídio especial

Chico Caruso 23-03-15
Charge de Chico Caruso publicada hoje (23/05)

 

Por Renato Onofre e Germano Oliveira

 

O juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal do Paraná, determinou nesta segunda-feira a transferência de 12 presos da Operação Lava-Jato da Carceragem da Polícia Federal em Curitiba para o Complexo Médico Penal do Estado, em São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba. O juiz só manteve na carceragem da PF o ex-diretor da Área Internacional da Petrobras, Nestor Cerveró, que passa por cuidados psicológicos, e o empreiteiro Ricardo Pessoa, da UTC, a pedido do Ministério Público Federal. Pessoa é tido como o chefe do Clube das Empreiteiras que manipulavam as concorrências na Petrobras, enquanto que Cerveró é acusado de receber propinas na aquisição de navios-sonda no exterior.

A determinação do juiz atende a pedidos da Polícia Federal, que vinha alegando que a Carceragem da PF estava superlotada. Foram transferidos para o Complexo Médico Penal do Estado, o ex-diretor de Serviços e Engenharia da Petrobras, Renato de Souza Duque e os empreiteiros Erton Medeiros Fonseca, Agenor Franklin Magalhães Medeiros, Gerson de Mello Almada, João Ricardo Auler, José Aldemário Pinheiro Filho, José Ricardo Nogueira Breghirolli, Mateus Coutinho de Sá Oliveira e Sergio Cunha Mendes. Além deles, serão transferidos também Adir Assad e Mario Frederido Mendonça Goes.

O juiz baseou sua decisão em informações transmitidas pelo superintendente da PF, relando “dificuldades na manutenção dos presos da Operação Lava-Jato na Carceragem da Policia Federal por dificuldades de espaço”. Em função disso, a Secretaria de Segurança Pública do Paraná disponibilizou uma ala no Complexo Médico Penal de Curitiba para abrigar os presos, que ficarão longe dos demais presos do local. Segundo a PF, os presos terão espaço até melhor do que dispunham na carceragem da PF.

O juiz disse que a ala diferenciada se justifica pelo fato deles poderem correr algum tipo de risco. “Faço aqui um esclarecimento, não há que se presumir que os presos da Operação Lava-Jato no sistema prisional estadual serão vítimas de alguma violência por parte de outros detentos. Entretanto, forçoso admitir que, pela notoriedade da investigação, há algum risco nesse sentido, o que justifica colocá-los, por cautela, em ala mais reservada”, diz o juiz em seu despacho. Eis a relação dos presos transferidos:

1) Adir Assad;

2) Agenor Franklin Magalhães Medeiros;

3) Erton Medeiros Fonseca;

4) Fernando Antônio Falcão Soares;

5) Gerson de Mello Almada;

6) João Ricardo Auler;

7) José Aldemário Pinheiro Filho;

8) José Ricardo Nogueira Breghirolli;

9) Mario Frederico Mendonça Goes;

10) Mateus Coutinho de Sá Oliveira;

11) Renato de Souza Duque; e

12) Sergio Cunha Mendes.

 

Publicado aqui, no globo.com

 

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Crise no Brasil ainda vai piorar antes de melhorar, e a culpa é do próprio Brasil

financial times

 

 

O Brasil está em meio a uma crise causada pelo próprio País e, antes de melhorar, a situação ainda vai piorar. Esse é o resumo do principal editorial publicado na edição desta segunda-feira do jornal britânico Financial Times.

Apesar da atual situação negativa, o editorial reconhece que o Brasil está longe do quadro de hiperinflação. “Melhor ainda, as instituições estão se segurando, especialmente o Judiciário.”

“O Brasil está em crise. No início deste mês, mais de um milhão de manifestantes foram às ruas para expressar seu descontentamento. Grande parte do País sofre racionamento de água após um longo período de seca.

A Petrobrás está envolvida em um escândalo de corrupção épico que viu até US$ 10 bilhões desviados. A economia deverá encolher este ano e talvez também no próximo ano, o que seria o pior desempenho desde 1931.

Os índices de aprovação de Dilma Rousseff já caíram para 13%. Parece que foi ontem que o País festejava boas novas. Portanto, a queda foi espetacular. Infelizmente, a situação está suscetível a piorar ainda mais”, diz o editorial com o título “A queda do encanto do Brasil é de sua própria autoria”.

Para o FT, parte do boom econômico visto no Brasil nos últimos anos foi resultado de “esteróides”, como o superciclo das commodities e o boom do crédito na economia doméstica. Esses benefícios foram aproveitados sem disciplina, diz o texto. “Agora, o processo está acontecendo em marcha à ré”.

O editorial afirma que o colapso do real — que perdeu quase um terço do valor em relação ao dólar em seis meses — é uma “reprecificação dramática” da economia. “Mas a taxa de câmbio real ponderada pelo comércio ajustada pela inflação ainda é maior do que a média de 20 anos. Os custos unitários do trabalho também são maiores em dólar do que em 2010. Assim, é possível que a moeda se enfraqueça ainda mais”.

“O governo, que está há 12 anos no poder, culpou fatores externos. Mas a confusão é em grande parte de autoria do próprio Brasil. Para um contraponto é só olhar para os vizinhos orientados aos mercados voltados para o Pacífico, como o Chile, Colômbia e Peru. Eles aproveitaram boom de crédito e commodities semelhante, mas sem essa ressaca. Essas economias ainda estão crescendo rápido”, diz o FT.

Apesar da série de problemas na economia e política, o FT diz que “tudo não é totalmente ruim para o Brasil”. “O País está longe de cair de volta no caminho da hiperinflação. Melhor ainda são as instituições que estão se segurando, especialmente o Judiciário”, diz o texto ao lembrar que vários políticos de alto escalão envolvidos no mensalão foram condenados. Agora, outros nomes tão importantes estão sendo investigados pelo escândalo na Petrobras. Além disso, o editorial cita que Eike Batista pode ir para a cadeia. “Isso teria sido impensável há alguns anos, quando a impunidade reinava”.

“Então, a crise no Brasil é ruim e provavelmente vai piorar antes de melhorar. No entanto, poderia ter sido ainda pior. É uma espécie de progresso para o ‘País do futuro’, como diz o clichê. Acima de tudo, isso significa que o Brasil ainda tem um”.

 

Publicado aqui, no estadao.com

 

Atualização às 15h27: O primeiro na Folha Online, como em toda a blogosfera da região a noticiar a mão pesada do editorial do jornal britânico Financial Times na análise crítica do Brasil, foi o jornalista Arnaldo Neto, aqui, desde a noite de ontem, em seu blog.

 

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Reacionário é quem ignora que a história andou e as pessoas já não têm mais medo do PT

papagaio de pirata

 

 

Filósofo Luiz Felipe Pondé
Filósofo Luiz Felipe Pondé

O outono do PT

Luiz Felipe Pondé

 

Há que se ter uma certa grandeza, mesmo no pecado, e o PT não foi elegante nem nisso

Temos que reconhecer: chegamos ao fim de uma era. O PT vive seu outono. Melhor voltar para o pátio da fábrica onde nasceu e de onde nunca deveria ter saído.

Há que se ter uma certa grandeza, mesmo no pecado (o desejo de poder é o pecado máximo de toda a política), e o PT se revelou incapaz até de pecar com elegância.

Este outono do PT não se deve apenas às manifestações contra seu governo. Essas manifestações, diferentes das patrocinadas pelo “PT e Associados”, manifestações com todos os tiques de política de cabresto e mazelas sindicalistas (passeata chapa branca), trazem algo de novo para o cenário, que deixa o “PT e Associados” em pânico. A tendência é a elevação da violência por parte da militância.

O Brasil perdeu o medo do PT e da esquerdinha pseudo. As pessoas descobriram que o mal-estar com essa turminha não é coisa de “gente do mal” (não é coisa de gente do mal, é coisa de gente bem informada), como a turminha pseudo diz, mas sim que somaram 2 + 2 e deu 4: o PT é incompetente para governar. Afundou quase tudo em que tocou, seja municipal, estadual ou federal (e a Petrobras). Mas essa morte do PT significa mais do que o fim de um partido que será esquecido em cem anos.

O fim do PT significa que o ciclo pós-ditadura se fechou. No momento pós-ditadura, a esquerda detinha a reserva de virtude política e moral, assim como de toda a crítica política e social. Ainda que a história já tivesse provado que todos os regimes de esquerda quebram a economia (como o PT quebrou a nossa) ou destroem a democracia (como os setores mais militantes do partido gostariam de fazê-lo).

Vide o caso mais recente e mais próximo, a Venezuela: economia destruída (e com petróleo!) e democracia encerrada de uma vez por todas. Como será que nossa diplomacia, ridícula como quase tudo que o governo do PT toca, reagirá ao fato de ele, Maduro, ter se dado plenos poderes para matar e torturar em nome do socialismo?

Resta pouco espaço para o governo. A tendência é que a presidente fale apenas a portas fechadas para plateias seletas por medo de tomar mais uma panelada. Com a economia em frangalhos, fica difícil para a presidente enterrar o petrolão em consumo, como seu antecessor o fez durante o escândalo do mensalão.

Quando as pessoas estão felizes comprando é fácil fazer vista grossa à corrupção. Quando o bolso esvazia, o saco fica cheio.

Dizer que a corrupção da Petrobras nada tem a ver com o partido no poder é piada. A ganância do novo rico (o PT) aqui mostra seus dentes: querendo enriquecer rápido, meteu os pés pelas mãos e com isso sacrificou a imagem de redentor que o partido tinha para grande parte da classe média. Ele ainda detém o controle de parte da população mais pobre (como a Arena no final da ditadura), mas logo perderá esse trunfo.

É verdade que ainda muitos professores, estudantes, artistas, jornalistas e intelectuais permanecem sob a esfera de influência da “estrela mentirosa”. Mas isso também vai passar na hora em que muitos deles perderem o medo de serem chamados de “reacionários”. Reacionário hoje é quem se fecha ao fato de que a história andou e as pessoas já não têm mais medo do PT e da sua turminha.

Infelizmente, o governo, diante da história que arromba a porta, parece um grupo de náufragos num barquinho, fugindo da traição que perpetrou, xingando a água, dizendo que as ondas são fascistas e que a tempestade é mal-intencionada.

Não, quem discorda hoje do governo federal não é gente “fascista”, é gente que viu que o projeto do PT para o Brasil acabou. É gente educada, bem preparada, autônoma e que está de saco cheio do tatibitate do PT. Sem líderes significativos, sem propostas que criem a credibilidade necessária para sair da lama, a melhor coisa que o PT pode fazer é pedir licença e sair de cena.

Não acho que haja justificativa (ainda) para o impeachment, e devemos preservar as instituições. Mas a água passa debaixo da ponte. Quatro anos é tempo bastante para se afogar na vergonha. E, aí, a humildade será mesmo essencial, não? Sim, mas o PT é pura empáfia.

 

Publicado aqui, na folhadesaopaulo.com

 

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Mercado prevê crescimento (8,5%) na inflação e queda (0,83%) no PIB de 2015

Dilma e inflação

 

Por Célia Froufe

 

Com a alta de 1,24% do IPCA-15 de março, analistas do mercado financeiro elevaram novamente suas projeções para a inflação, segundo o boletim Focus do Banco Central. A previsão para 2015 sobre o IPCA, o índice oficial de inflação, ultrapassou pela primeira vez o patamar de 8%, de 7,93% para 8,12%. O teto da meta de inflação é 6,5%. O grupo de economistas que mais acerta as previsões também espera um furo da meta e vê a inflação a 8,33%. Para o final de 2016, a mediana das projeções para o IPCA foi levemente ampliada de 5,60% para 5,61%.

Os analistas também pioraram suas previsões para o Produto Interno Bruto (PIB) e preveem uma retração de 0,83% da atividade econômica, contra 0,78% na semana anterior. Para 2016, a expectativa segue um pouco mais otimista, apesar de também ter sido diminuída. A previsão de alta de 1,30% foi substituída pela de 1,20%.

 

Projeções para a inflação ficam mais pessimistas

A produção industrial continua como referência para a confecção das previsões para o PIB em 2015 e 2016. No boletim Focus, a mediana das estimativas do mercado para o setor manufatureiro revela uma expectativa de queda de 2,19% para este ano, a mesma previsão de baixa vista na semana passada – quatro semanas atrás, estava em -0,35%. Para 2016, as apostas de expansão para a indústria foram mantidas em 1,68%. Mesmo assim, a mediana está mais baixa do que a vista há quatro edições da pesquisa Focus: 2,00%.

 

Curto prazo

Ainda sobre os preços, os analistas esperam mais descontrole da inflação no curto prazo. Depois da alta de 1,24% de janeiro, revelada pelo IBGE, e de 1,22% em fevereiro, a projeção para a taxa em março, também segue acima de 1%. De acordo com o boletim Focus, a mediana das estimativas passou de 1,31% para 1,40% — um mês antes, estava em 0,79%. Algum refresco para a inflação mensal é aguardado apenas para abril, quando o índice deve ter alta de 0,62%. Esse indicador, na semana anterior, porém, estava em 0,60% e quatro edições da Focus atrás, em 0,57%.

O Banco Central trabalha com um cenário de alta para o IPCA nos primeiros meses deste ano. A expectativa é a de que a pressão dos preços administrados fique circunscrita ao primeiro trimestre deste ano. De qualquer forma, o foco do BC em relação à meta é apenas 2016, quando promete entregar uma inflação de 4,5%.

 

Selic

O mercado financeiro está dividido em relação à próxima decisão do Comitê de Política Monetária (Copom). Em março, o colegiado aumentou a taxa básica de juros dos atuais 12,25% ao ano para 12,75%, conforme o esperado. Agora, a pesquisa Focus mostra uma alta de 13,13% para o encontro do mês que vem, o que revela uma incerteza sobre uma nova alta de 0,50 ponto porcentual, para 13,25%, ou de redução do ritmo de elevação, para 0,25 pp, o que levaria a taxa para 13,00%.

Para o final deste ano, a mediana das previsões foi mantida em 13,00%. Há um mês, no entanto, a estimativas era de que a Selic encerrasse 2015 em 12,75% ao ano. Apesar do congelamento das estimativas, a taxa média do ano foi ampliada de 12,88% ao ano para 13,03%. Isso embute a perspectiva de que o Copom elevará mais a Selic ao longo de 2015 para depois reduzi-la ao final do ano. Quatro semanas antes, essa taxa média estava em 12,84% ao ano.

Para o fim de 2016, a mediana das projeções também foi mantida em 11,50% ao ano de uma semana para outra. Esta é a décima segunda semana consecutiva que a taxa está estacionada neste patamar. Apesar disso, a previsão mediana para a Selic média do ano que vem subiu de 11,74% ao ano para 11,83% — a taxa observada há um mês era de 11,61%.

 

Publicado aqui, no estadao.com

 

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Crítica de cinema — Aventura fantástica da vez

Colyseu

 

O sétimo filho

 

Mateusinho 2O sétimo filho — Quando os irmãos Lumière batizaram o seu invento de “grande viajante”, nascia o cinema sob o signo da aventura. A temática passou da literatura ao cinema a partir de autores como Emilio Salgari, Julio Verne, Edgar Rice Burroughs ou Edgar Allan Poe e escolheu três temáticas preferenciais: a aventura exótica oriental ou africana, o filme de mar, seja de guerra, de piratas ou de temas como o ar, a velocidade, a guerra, históricos ou do futuro.

A temática  aventura fantástica ganhou grande número de produções a partir do enorme sucesso de “Harry Potter”, baseado na obra de J.K .Rowlings, com direção de Chris Columbus, além da trilogia “O Senhor dos Anéis” ( 2001-2003), com direção de Peter Jackson na adaptação da obra  do escritor britânico J. R. R. Tolkien, com seus orcs, ogros, feiticeiros, elfos, gigantes e todo tipo de criaturas e efeitos que a computação gráfica conseguiu realizar. Entre outras, “As Crônicas de Nárnia”, um mundo fantástico criado pelo escritor irlandês Clive Staples, levado para as telas pelo diretor Michael Apted, com animais falantes, bruxas e diversas dimensões, que não chegou nem próximo do sucesso que gostariam que viesse à reboque do bruxinho e do precioso anel.

A grande aventura fantástica da vez é “O Sétimo Filho” uma produção da Warner Bros com a Legendary Pictures, a partir do argumento de Charles Leavitt e Steven Knight  com direção de Sergey Bodrov, de “O guerreiro Genghis Khan”. O filme  adapta ao cinema o universo dos livros de fantasia juvenis “The Last apprentice” (ou “The Wardstone Chronicles, como a série é conhecida fora dos EUA, ou “As Aventuras do Caça-Feitiço”, como é publicada no Brasil pela editora Bertrand), de Joseph Delaney , tendo como base o primeiro livro da série “O Aprendiz”.

Utilizando fartamente a computação gráfica e efeitos especiais 3D em detrimento da interpretação de um luxuoso elenco, que conta com a participação de Jeff Bridges (vencedor do Oscar 2010  de melhor ator por “Coração louco” (2010, de Scott Cooper) como  John Gregory, Bem Barnes Thomas Ward e Julianne Moore(vencedora do Oscar 2015 de melhor atriz  por “Para sempre Alice”, também em cartaz nos cinemas de Campos dos Goytacazes) como Mãe Malkin, Dilmon Hounsou (“Amistad”,  indicado ao Oscar de coadjuvante por “Terra dos sonhos”, de 2002) como Radu, e Kit Harington (o Jon Snow da fantástica série “Game of Thrones”) como Bill Bradley, Bodrov cria o universo de Delane como um conto de fadas e não chega a empolgar.

Na trama, ambientada no século XVIII, desde tempos imemoriais que a humanidade tem sido protegida das criaturas das trevas por uma antiga ordem de nobres guerreiros, a Ordem dos Falcões, formada apenas por sétimos filhos de sétimos filhos, treinados na caça de bruxas e criaturas sobrenaturais. Depois de uma eternidade de luta contra o mal, só resta o mestre John Gregory (Jeff Bridges). Thomas (Ben Barnes), sétimo filho de um sétimo filho, nasceu com poderes especiais e está destinado a tornar-se um guerreiro da ordem. Quando o mestre Gregory aparece na sua aldeia, o jovem percebe que é chegado o momento de partir. No seu caminho, terá de enfrentar uma poderosa rainha bruxa, Mãe Malkin(Julianne Moore) e seu exército de assassinos — um oriental que vira terrível urso, uma africana que se transforma em leopardo e um indiano de quatro braços como Ganesha.

Constantemente seduzido pelos poderes maléficos, terá de saber encontrar o verdadeiro poder do sétimo filho e ser capaz de se manter fiel aos seus princípios. Agora, o destino do mundo depende da sabedoria de Gregory e da força e coragem de Thomas. Com o tempo se esgotando, os dois guerreiros devem derrotar o poder da bruxa antes que seja tarde.

A fotografia de Newton Thomas Siegel (“X-Men: Dias de um Futuro Esquecido”) privilegia a beleza das locações em Alberta e British Columbia, no Canadá, por exemplo. Além disso, os efeitos especiais de John Dykstra (vencedor de dois Oscars por “Star Wars – Episódio IV: Uma Nova Esperança” e “Homem-Aranha 2”) são muito bem feitos, especialmente na sequência em que a vilã e seus asseclas invadem uma vila e se transformam em diversas criaturas sanguinárias, causando um verdadeiro massacre.

Destaque também para algumas cenas de luta entre os heróis e os monstros na parte final do filme, que são bem executadas, embora não sejam brilhantes. Fora isso, não tem muito no que destacar na produção. Isso se deve, principalmente, à direção pouco inspirada de Sergey Bodrov. O cineasta russo, que ganhou visibilidade ao conseguir a primeira indicação do Oscar de melhor filme estrangeiro para o Cazaquistão com “O Guerreiro Genghis Khan”, em 2008, faz o trivial e torna o filme apenas uma agradável sessão, que não será lembrado. O roteiro de Charles Levitt e Steven Knight também é burocrático e nem as reviravoltas que acontecem na trama chegam a surpreender, tornando até banais algumas soluções da história.

Não seria boa aposta uma sequência da saga.

Cinderela vem aí!

 

Mateusinho viu

 

Publicado hoje na Folha Dois

 

Confira o trailer do filme:

 

 

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Petrolão em pesquisa — Oito em cada 10 acham que Dilma sabia. E Lula?

Charge do Amarildo publicada ontem (22/03)
Charge do Amarildo publicada ontem (22/03)

 

 

Jornalista e blogueiro Ricardo Noblat
Jornalista e blogueiro Ricardo Noblat

Brasileiro está deixando de ser bobo. Oito em cada 10 acreditam que Dilma sabia da corrupção na Petrobras

Por Ricardo Noblat

 

Um novo pedaço da pesquisa de opinião pública do Instituto Datafolha, que ouviu na semana passada 2.842 pessoas em 172 municípios do país, confirma o que se esperava: o brasileiro está ficando mais esperto.

Ainda poderá ser enganado como tantos outros povos o são. Mas essa não é uma tarefa assim tão fácil como foi.

De cada dez brasileiros, por exemplo, oito acreditam que a presidente Dilma Rousseff sabia da corrupção que acontecia na Petrobras. Por saber, era cúmplice, pois.

Seis em cada 10 acham que ela “deixou” que ocorressem os crimes. Apenas 2,3 em cada 10 dizem que, apesar de saber, Dilma “não poderia fazer nada” para impedir.

No grupo dos que declararam voto em Dilma no segundo turno da eleição do ano passado, 74% estão convencidos que ela sabia da roubalheira – contra 19% que não acreditam que ela tivesse conhecimento, e 8% que não souberam responder.

Para 51% do total de entrevistados, a Petrobras será prejudicada “por muito tempo”, o que “coloca o futuro da empresa em risco”.

Chega a 88% o percentual daqueles que acreditam, em menor ou maior grau, que a Petrobras foi prejudicada pelo escândalo.

Uma pena que a pesquisa não tenha perguntado se Lula teve ou não alguma coisa a ver com a roubalheira. Se ela começou no governo dele ou não.

 

Publicado aqui, no Blog do Noblat

 

Atualização às 11h53: O primeiro a noticiar a nova pesquisa Datafolha sobre os danos contundentes dos escândalos de corrupção na Petrobras sobre o governo Dilma Rousseff, foi o jornalista e blogueiro Alexandre Bastos, aqui.

 

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Crítica de cinema — Das divergências e insurgências da juventude

Caixa de luzes

 

Divergente insurgente

 

Mateusinho 2A série Divergente: Insurgente — Franquias adaptadas da literatura (ou dos quadrinhos) ao cinema parecem ter se tornado coqueluche neste início de terceiro milênio cristão. O problema com elas pode ser pegar o bonde andando, ignorando o contexto previamente dominado por quem conferiu o filme anterior da série — ou leu o livro, ou ambos. É o caso de quem for assistir a “A série Divergente: Insurgente”, sem ter visto antes “Divergente” (2014, de Neil Burger), primeiro filme da franquia baseada na recente trilogia “A série Divergente”, escrita por Veronica Roth, que se tornou bestseller mundial.

Gênero bem conhecido no cinema desde o milênio passado, a ficção científica pós-apocalíptica empresta contexto ao filme, num futuro em que a Terra foi devastada, teve as cidades abandonadas, e todos os humanos sobreviventes vivem sob a proteção de uma muralha, dentro da qual se equilibram na divisão em seis facções, reunidas a partir do que se crê ter levado ao colapso da civilização. Os que culparam a agressividade formaram a Amizade. Os que culparam a ignorância se tornaram a Erudição. Os que culparam a falsidade fundaram a Franqueza. Os que culparam o egoísmo geraram a Abnegação. Os que culparam a covardia se juntaram à Audácia. E os que acham que é culpa demais e ninguém está livre dela, se arrebanharam nos Sem Facção.

Os divergentes são aqueles capazes de habitar em todas as facções, mas sem se enquadrar de fato em nenhuma, sendo por isso encarados como ameaça ao sistema, comandado com mão de ferro pela líder da Erudição, Jeanine Matthews, interpretada por Kate Winslet, ainda bela, mas que já esteve mais à vontade em outras personagens. Nessa, ela representa o mundo adulto, a continuidade, a tradição, enquanto comanda uma verdadeira caçada humana na tentativa de reprimir a divergente Beatrice “Tris” Prior (Shailene Woodley), que por sua vez simboliza a juventude, a contestação, a rebeldia.

Tris não está sozinha. Ao seu lado estão outros jovens renegados. Tobias Eaton “Quatro” (Theo James) é o seu namorado apaixonado e protetor. Eclipsado pela força de Tris, quase como cópia em papel carbono, seu irmão é Caleb Prior (Ansel Elgort). E há ainda o sarcástico e surpreendente Peter Hayes (Miles Teller). Shailene, Theo e Miles dão credibilidade aos seus personagens, exceção feita à interpretação apagada de Ansel, capaz de decepcionar quem tinha colhido uma boa impressão do jovem ator, por sua sensível atuação em “Homens, mulheres e filhos” (2014), de Jason Reitman.

Além de Kate Winslet no papel de vilã, outra veterana igualmente ainda bela também bate ponto no filme. E no papel da anti-heroína Evelyn Johnson-Eaton, líder dos Sem Facção e mãe ausente de Tobias Eaton, Naomi Watts está mais convincente do que a colega no papel da sua rival.

A direção de Robert Schwentke também não está ruim, bem dosada entre adrenalina e drama. Todavia, a verdade é que talvez seja papagaiada demais para se falar do choque entre rebeldia juvenil e conservadorismo do mundo adulto. Sobretudo quando se constata que “Clube dos cinco” (1985), de John Hughes, quem diria, completa 30 anos neste 2015. E, na maior naturalidade das suas divergências e insurgências adolescentes, continua novinho em folha.

 

Mateusinho viu

 

Publicado hoje na Folha Dois

 

Confira o trailer do filme:

 

 

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Bom final de semana na companhia de Alexandre Bastos e Arnaldo Neto

 pausa

 

 

De hoje até segunda, com exceção apenas para postar textos sobre cinema, farei uma pequena pausa na lida blogueira. Quase sempre à frente na cobertura do Petrolão na blogosfera goitacá, mais por inação dogmática alheia do que virtude própria, este “Opiniões” abre o jogo em duas pontas, com dois dos mais talentosos jornalistas e blogueiros da nova geração: Alexandre Bastos e Arnaldo Neto. Na certeza, leitor, que você estará em melhor companhia, aceite meu desejo sincero por um bom final de semana.

 

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Daqui em diante, Dilma viverá numa bolha para se imaginar no mundo que não a rejeite

a bolha

 

 

Jornalista e blogueiro Ricardo Noblat
Jornalista e blogueiro Ricardo Noblat

Das aflições de uma presidente impopular. É de Dilma que falo

Por Ricardo Noblat

 

Daqui para frente, e só Deus sabe até quando, a presidente Dilma Rousseff viverá dentro de uma bolha para escapar do constrangimento de ser vaiada ou insultada pelos que a rejeitam.

E a se levar em conta a mais recente pesquisa de opinião pública do Datafolha, divulgada há dois dias, 63% dos brasileiros consideram o governo dela péssimo ou ruim. Só Collor teve rejeição maior (68%).

Dilma fez sua primeira aparição dentro da bolha, ontem, em Goiânia, onde esteve para autorizar investimentos do governo federal no BRT Norte-Sul. Viagem de propaganda, apenas.

A repórter Luiza Damé, de O Globo, anotou as principais medidas tomadas para que Dilma se imaginasse em outro mundo, aonde as pessoas só a aplaudem e querem posar ao seu lado para fotos.

Em um raio de dois quilômetros do Paço Municipal, local do evento, foram montados postos de triagem do público. No entorno do local, uma barreira com grades, depois um tapume com placas de ferro e novamente cerca de grades.

A segurança ficou por conta da Guarda Civil Metropolitana, Polícia Militar e Polícia Rodoviária Federal. Fora, naturalmente, os agentes de segurança que acompanham Dilma em viagens.

O objetivo do esquema de segurança era impedir a aproximação dos indesejados — integrantes do movimento Caras Pintadas e Brasil Livre. Por volta das 14h30, 24 deles apareceram.

Portavam três faixas com as inscrições “Fora Dilma”, “Fora PT” e “Impeachment”. Batiam panelas. E gritavam: “Dilma vá embora que o Brasil não quer você, leva com você o Lula e a quadrilha do P””.

A pedido do pessoal de Dilma, o prefeito de Goiânia, Paulo Garcia (PT), havia decretado ponto facultativo para as repartições abrigadas no Paço Municipal.

A ideia era esvaziar o Paço para evitar a infiltração de manifestantes. As cerca de duas mil pessoas que festejaram Dilma foram levadas para o Paço a bordo de ônibus alugados pela prefeitura.

Mesmo assim, a revista foi rigorosa. Até mesmo para jornalistas credenciados pelo Palácio do Planalto. Dilma chegou com uma hora de atraso, acompanhada de Marconi Perillo, governador do Estado.

Perillo foi vaiado pelo público formado por simpatizantes do PT. Reagiu pedindo mais tolerância — não para ele, mas para Dilma. Que agradeceu pedindo tolerância – sem dizer para quem.

Restou provado para os que não toleram Dilma que eles não precisam atrair muita gente para constranger Dilma.

Qualquer meia dúzia de pessoas será suficiente para incomodar Dilma. E inflar a bolha que a protegerá doravante.

 

Publicado aqui, no Blog do Noblat

 

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