Decisão do PPS estadual garante Rafael Diniz pré-candidato a prefeito

Sérgio Mendes, Comte Bittencourt e Rafael Diniz, hoje, no Rio (foto: divulgação)
Sérgio Mendes, Comte Bittencourt e Rafael Diniz, hoje, no Rio (foto: divulgação)

 

Quem apostava que um arranjo estadual do PPS poderia ter alguma influência sobre a pré-candidatura do vereador Rafael Diniz (PPS) à sucessão da prefeita Rosinha Garotinho (PR), em 2016, vai ter que arrumar mais fichas com quem banca o jogo. Agora há pouco, foi encerrada na cidade do Rio de Janeiro, na sede do partido, um encontro entre Rafael e os presidentes da legenda em Campos e no Estado do Rio, respectivamente o ex-prefeito Sérgio Mendes e o deputado estadual Comte Bittencourt. Este garantiu que a decisão sobre as candidaturas a prefeito, no ano que vem, caberá aos diretórios municipais. A decisão confirma não só a pré-candidatura de Rafael em 2016, como outras também consideradas com chances de vitória, em outros municípios do Estado.

Confira a íntegra da matéria na edição de amanhã da Folha

 

Artigo do domingo — Diante de governos fracos

Rosinha e Dilma

 

Não é preciso ir muito longe para se encontrar exemplos, nas duas últimas eleições brasileiras, de candidatos que saíram de índices de intenção de votos irrisórios, muito atrás de outros adversários, para atropelarem na reta final, saindo com a vitória de importantes peitos majoritários. Estão aí o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), e o governador do Rio, Luiz Fernando Pezão (PMDB), para não deixarem a ressalva mentir.

Ou seja, prenhe de razão está quem advoga que, ainda a 15 meses da eleição, é muito cedo para qualquer pretensão conclusiva na interpretação de pesquisas. Isso vale tanto para a última pesquisa do instituto Pappel (aqui), feita na segunda quinzena de agosto, quanto para a próxima do Pro 4, já programada para outubro. E em relação à primeira, última realizada à sucessão da prefeita Rosinha Garotinho (PR), é correta também outra ressalva, já anotada (aqui) pelo sempre atento jornalista e blogueiro Alexandre Bastos: a oposição, tudo indica, vai mais uma vez se pulverizar em várias candidaturas, enquanto todos os nomes governistas oferecidos pelo Pappel, em sua consulta induzida, terão os índices somados numa candidatura só.

Na oposição, todas as pesquisas indicam que o nome mais popular, com folgada vantagem, ainda é o ex-prefeito Arnaldo Vianna (PDT). E para quem sabe ler para além das pesquisas, isso fica evidenciado pela perseguição sistemática que o grupo de comunicação do secretário de governo Anthony Garotinho (PR) devota ao ex-aliado. De qualquer maneira, se ninguém em sã consciência duvida da popularidade de Arnaldo, tolo seria quem não questionasse suas condições de elegebilidade. Afinal, nas duas últimas eleições das quais participou, em 2010 e 2012, respectivamente para deputado federal e prefeito de Campos, suas votações até hoje sequer foram divulgadas.

Se o corpo jurídico de Arnaldo é tão incompetente quanto parece ainda poderoso o lobby de Garotinho junto à independente e impoluta Justiça Eleitoral do Brasil, a maior novidade que o ex-prefeito poderia apresentar seria lançar seu filho, Caio, como candidato. Mas o prêmio, nesse caso, só seria comparável ao risco.

Noves fora Arnaldo, que nunca poderá ser desprezado, temos ainda os casos particulares dos deputados estaduais Geraldo Pudim (PR, de malas prontas para o PMDB) e João Peixoto (PSDC). Este talvez seja, ao lado de Garotinho, o mais astuto entendedor de eleições vivente em Campos. Por isso mesmo, João dificilmente se embrenharia numa briga de foice sem a mesma certeza majoritária de quem já se elegeu na proporcional cinco vezes deputado.

Já Pudim, como indicado (aqui) na matéria da página anterior desta edição, tem tudo para vencer a queda de braço com seu desgastado ex-patrono. A bem da verdade, hoje ele parece mais propenso a se filiar ao PMDB com a manutenção do seu mandato na Alerj, do que Garotinho em manter o PR fluminense em suas mãos. Mas se deve conseguir superar o obstáculo partidário, tudo indica que Pudim terá sérias dificuldades para transpor outro, mais íngreme, erigido na mente do eleitor campista: como não ser encarado como “Cavalo de Tróia” pelos antigatoristas ou Joaquim Silvério dos Reis, pelos rosáceos?

Temos ainda o caso de Dr. Chicão Oliveira (PP, sem destino certo), vice-prefeito de Rosinha e primo de Garotinho. Apesar da condenação de inelegibilidade, junto com a prefeita, na primeira instância, ele pode concorrer enquanto a decisão não tiver referendo de uma decisão colegiada do TRE. Seu problema maior parece ser estar à frente da Saíde de Campos, calcanhar de Aquiles com tíbia e fíbula expostos diariamente em todas as unidades da rede pública e conveniada do município. Não sem razão, talvez seja justo o raciocínio de que Chicão, homem de bem e médico conceituado, foi posto onde está exatamente para não chegar onde poderia.

Quanto aos demais, ressalvado que Makhoul Moussallem, outro médico brilhante, não será candidato a nada em 2016, quase todos os outros guardam em comum, na oposição e situação, o fato de estarem na Câmara Municipal. Alexandre Tadeu (PRB), Rafael Diniz (PPS), Nildo Cardoso (PSD) Gil Vianna (PR, de mudança ao PSB), Edson Batista (PTB) e Mauro Silva (PT do B) são vereadores e provas de que está certo quem enxerga a força dos parlamentos crescer diante de governos fracos.

Estão aí os de Dilma e Rosinha para não deixarem dúvida.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã

 

Poemas do domingo — Entre os segredos do mar e as nuvens do verso

Adriano Moura
Adriano Moura

Como externei na orelha do seu primeiro livro, “Liquidifca(dor) — Poesia para vita mina”, de 2007, pela Imprimatur, conheci o Adriano Moura nos FestCampos de Poesia realizados no Palácio da Cultura, ainda nos anos 1990. Antes mesmo de ler, lembro do impacto que foi ouvir os versos de “Os donos do poder”, meu primeiro poema dele, e perceber alguém da mesma idade, vivendo na mesma cidade, fazendo a mesma coisa, mas por caminhos que eu ainda sequer sabia existirem. Naquilo que Cazuza (1958/90) chamou de “inveja criativa” em relação a Renato Russo (1960/96), dois ícones da nossa geração, dividir tempo, espaço e lida com Adriano, fez crescer muito meu fazer poético, levado adiante a partir da leitura e do estudo que vi refletidos nos versos dele. Em Campos, talvez seja o mais destacado exemplo de poeta egresso do magistério em Letras, fenômeno contemporâneo que tem dominado a arte de versejar nas grandes capitais do Brasil.

Independente da origem, assumo não sem orgulho que, entre conterrâneos e contemporâneos, “ninguém outro poeta no mundo” me influenciou tanto — na referência de Manoel de Barros (1916/2014) a Vladímir Maiakóvski (1893/1930). E é força de gravidade ainda presente, engordada pela leitura prévia dos originais de “Todo poema merece um dedo de prosa”, novo livro de poesia que Adriano projeta lançar nos próximos meses, ainda neste ano da Graça de 2015. Aliado ao “lirismo profundamente amargo, mutilante e sem concessões” que a professora Analice Martins tão bem define no prefácio do primeiro livro, o segundo evidencia uma clara influência sintática de Manoel de Barros, como por outro lado revela o uso mais desavexado do humor, quase sempre cáustico e debochado, herdado da prosa de um autor também dramaturgo, e talvez dos poemas-piada de Oswald de Andrade (1890/1954), que tanto marcaram o Modernismo brasileiro.

Entre seus dois livros de poemas, Adriano deu-se a conhecer em prosa:

“Minha produção poética atual permanece bastante diversificada, assim como a que deu origem ao meu primeiro livro ‘Liquidifica(dor)’. Porém acredito que eu esteja amadurecendo e caminhando para uma poética de voz mais definida. Tenho me ocupado mais com o trabalho de elaboração de imagens poéticas e, em alguns poemas, optado por certo rigor formal. 

A poesia de autores como Manoel de Barros e do moçambicano José Craveirinha (1922/2003) me tem servido de escola no plano imagem, assim como os clássicos de sempre como Arthur Rimbaud (1854/91) e Fernando Pessoa (1888/1935). A influência é importante. Por meio dos grandes mestres do passado e do presente, atingimos nossa dicção poética pessoal e única.

Os poemas de meu novo livro ‘Todo verso merece um dedo de prosa’ ainda são poemas de um autor em formação. Talvez eu nunca tenha uma voz poética definitiva, já que me vejo sempre buscando  novas experimentações.

Minha inspiração, se é que isso existe, tem brotado mais de experimento do que de musas.

Mas o essencial mesmo para mim é o incômodo e o espanto com os fatos da vida, sejam os mais extraordinários ou cotidianos”.

Emblematicamente, no poema “Técnica”, do novo livro, o poeta verseja a confissão: “pra poesia não basta inspiração/ tem de saber olhar as coisas/ pela janela”. Através das muitas abertas pela obra desse irrequieto imagético das letras campistas, foram escolhidos dois poemas, um de cada livro, para ilustrar este domingo nascido tímido e ainda úmido de chuva, entre os segredos do mar e as nuvens do verso:

 

 

Atafona, agosto de 2015
Atafona, agosto de 2015 (foto de Aluysio Abreu Barbosa)

 

 

Com quantas conchas se faz um verso

 

Apanhar palavras no vento

É como ouvir os segredos do mar

Nas conchas do caramujos,

São notas perdidas no tempo

À espera de composição.

Cato palavras no vento

Que não me lança contra rochedos em dia de fúria

Mas segredos…

Não há como os do mar!

Então eu ouço os segredos de um,

Colho palavras do outro

E conto para o mundo:

Eis a minha infidelidade.

Queria aventurar-me a maiores turbulências

Mas sou poeta de horas vagas e concursos literários,

Subtraído pelos livros de ponto

E prestações de conta.

Deito a tranquilidade das brisas

E guio o leme dos meus versos.

Vez em quando cato uma concha das grandes

E fico sentido saudade do Ulisses que não fui.

O vento sabe da minha preferência pelo mar,

Por isso em dia de fúria

Varre todos os caramujos da minha margem.

 

 

Atafona, novembro de 2014
Atafona, novembro de 2014 (foto de Aluysio Abreu Barbosa)

 

 

Não meta linguagem

 

Hoje amanheci de poesia

mas não soube dizer,

esperei o verso cair do céu

mas ele quis continuar nuvem,

pensou que mais chuva inundaria meus rios

bueiros

buracos

beiras,

provocaria deslizamentos,

frases orações períodos inteiros

e viraria texto.

Entendo a condição de nuvem do verso:

metamorfose

pode ser planta bicho monstro gente: Deus.

Chuva: apenas gota água lama onda lágrima.

Mas enquanto durar a estiagem,

aprendo a pilotar aviões

e a navegar nuvens.

 

Gil, Tadeu, Mauro e Rafael batem bola com Romário

Vereadores e pré-candidatos a prefeito “independentes” Gil Vianna e Alexandre Tadeu, o “Tô Contigo” (montagem de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Vereadores e pré-candidatos a prefeito “independentes” Gil Vianna e Alexandre Tadeu, o “Tô Contigo” (montagem de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

“Gil não é vaidoso, nem eu. Lá na frente, quem estiver melhor nas pesquisas, pode encabeçar a chapa. O que importa é nosso compromisso de oposição ao governo Rosinha”. Foi a deixa dada pelo vereador Alexandre Tadeu (PRB), na esteira repercussão da entrevista publicada (aqui) na Folha do último domingo (06/09), na qual o senador Romário (PSB) não só anunciou que virá a Campos prestigiar pessoalmente a filiação de Gil Vianna (atual PR) ao seu partido, como bancou o vereador como pré-candidato a prefeito de Campos.

Ouvido após a declaração de Tadeu, Gil confirmou que o PSB tem conversado com o PRB, partido do colega vereador e também pré-candidato a prefeito, mas assim como tem sido feito com outros partidos de oposição aos Garotinho, como PTC, PT e PMDB, com vistas à sucessão da prefeita Rosinha (PR) em 2016. Já em nível estadual, segundo informou o jornal carioca O Dia (aqui), na última quinta-feira (03/09), conversas estariam sendo mantidas entre os senadores Romário e Marcelo Crivella (PRB), para que este se filiasse ao PSB e apoiasse o ex-craque a prefeito no Rio de Janeiro, em 2016.

Em troca do apoio, Romário apoiaria o sobrinho de Edir Macedo (da Igreja Universal) numa nova disputa ao Palácio Guanabara em 2018. Em 2014, com o apoio de um Anthony Garotinho (PR) derrotado ainda no primeiro turno da disputa ao Palácio Guanabara, Crivella perdeu o segundo para o governador Luiz Fernando Pezão (PMDB).

Tadeu confirmou que as negociações na esfera estadual para 2016 ainda podem trazer muitas surpresas, mas disse que o PRB tem opção para disputar a sucessão de Rosinha:

— Meu nome está bem avaliado nas pesquisas. Na última pesquisa do Pappel (aqui), por exemplo, eu fiquei em primeiro lugar (na verdade, com 13%, ele liderou a pesquisa induzida sem o nome do ex-prefeito Arnaldo Vianna, do PDT). Em Campos, se tornou moda entre os governistas questionar pesquisas. Mas seja do Pappel, seja do Pro4 (institutos sediados em Campos), elas só retratam o desgaste do governo Rosinha que a gente vê nas ruas.

Com 4% na mesma pesquisa, Gil também disse que as pesquisas devem ser critério de escolha na hora da composição de chapas, mas ressalvou que não chegou o momento:

— Os nomes estão se lançando e se tornando mais conhecidos do eleitor agora. Daqui a seis meses, a gente define. Na hora de compor a chapa, se um tem 30% nas pesquisas, e o outro tem 5%, é lógico que quem tem 30% deve encabeçar. Mas ainda é cedo.

 

Vereadores e pré-candidatos a prefeito, respectivamente, de situação e oposição, Mauro Silva e Rafael Diniz (montagem de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Vereadores e pré-candidatos a prefeito, respectivamente, de situação e oposição, Mauro Silva e Rafael Diniz (montagem de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Para Mauro e Rafael, declaração é “natural”

 

“Natural”. Foi com esse adjetivo comum que os vereadores Rafael Diniz (PPS) e Mauro Silva (PT do B) reagiram à atitude do senador Romário (PSB), ao bancar, em entrevista à Folha, a pré-candidatura de Gil Vianna (atual PR) à Prefeitura de Campos. Também pré-candidatos à sucessão de Rosinha Garotinho (PR) em 2016, o governista Mauro e o oposicionista Rafael só tomaram caminhos distintos ao aprofundar suas análises:

— Romário lançou seu candidato. Picciani (presidente da Alerj) lançou seu candidato (o deputado estadual Geraldo Pudim). Nós vamos lançar o nosso. Romário está tentando crescer seu partido no Estado. Mas quanto à sua capacidade de transferência (fez 106.953 votos em Campos ao Senado), só o tempo dirá. Em 2014, se votou no ex-craque. Só agora, em 2016, com a votação de Gil, teremos a densidade eleitoral de Romário em Campos — projetou Mauro.

— O senador Romário tem se mostrado uma das grandes revelações do cenário político brasileiro, ainda mais quando falamos de votação. Quanto à indicação dele do nome de Gil Viana como pré-candidato a prefeito, ela é mais que natural, tendo em vista que o vereador é a referência de momento no PSB de Campos. A união das forças de oposição será o diferencial nas próximas eleições e, pelo visto, o senador também pensa assim — concluiu Rafael.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã

 

Pappel — Com ou sem Arnaldo, oposição lidera com folga a sucessão de Rosinha

O ex-prefeito Arnaldo Vianna (PDT) ainda é o campeão de votos em Campos. Mas se ele não puder ser candidato, como noticiam com fixação reveladora os meios de comunicação que servem aos Garotinho, ainda assim são da oposição os líderes nas intenções de voto do campista à sucessão da prefeita Rosinha (PR), em 2006.

Pesquisa feita na segunda quinzena de agosto pelo instituto Pappel não deixou dúvida da dificuldade que os governistas terão para tentar se manterem no poder. Na consulta espontânea, à exceção de qualquer candidato da família Garotinho, todos impedidos pela legislação eleitoral, dos 12 melhores colocados, são da oposição nada menos que os sete primeiros. E a liderança isolada de Arnaldo, com 17,21%, é quase o dobro de todos os 11 seguintes, cujas intenções de voto somadas são de 9,14%.

Confira abaixo:

 

Infográfico de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.
Infográfico de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.

 

Na pesquisa estimulada, quando o nome de Arnaldo é incluído, embora ele suba para 21,21%, sua diferença aos demais não é tão esmagadora. Alexandre Tadeu (PRB), o “Tô Contigo” sobe para segundo, com 10,21%; ultrapassando o também vereador Rafael Diniz (PPS), terceiro, com 8,21%; seguido pelos deputados estaduais João Peixoto (PSDC), em quarto, com 7,43%; e Geraldo Pudim (PR, de mudança ao PMDB), em quinto, com 6,93%; e pelo vereador Nildo Cardoso (PSD), com 5,86%. Com Arnaldo no páreo, o governista mais bem colocado, hoje, é o presidente da Câmara Municipal, Dr. Edson Batista (PTB), que surge apenas na sétima colocação, com 4,14%.

Confira abaixo:

 

Infográfico de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.
Infográfico de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.

 

Sem Arnaldo no páreo, Tadeu assume a liderança na pesquisa estimulada à sucessão de Rosinha, sendo seguido dos mesmos pré-candidatos nas cinco posições abaixo, com aumento relativamente parecido nos percentuais de cada um.

Confira abaixo:

 

Infográfico de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.
Infográfico de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.

 

 

Gil e Tadeu juntos à sucessão de Rosinha? Confira na Folha

Vereadores e pré-candidatos a prefeito de Campos, Gil Vianna e Alexandre Tadeu (montagem de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Vereadores e pré-candidatos a prefeito de Campos, Gil Vianna e Alexandre Tadeu (montagem de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

O PSB, que o vereador Gil Vianna (PR) já anunciou como seu novo partido, e o PRB do vereador Alexandre Tadeu, caminharão juntos em 2016, na disputa da sucessão da prefeita Rosinha Garotinho (PR), numa chapa de oposição ao atual governo de Campos? Essa é uma das possibilidades abertas hoje, na repercussão da entrevista publicada (aqui) na Folha de domingo, na qual o senador Romário (PSB) confirmou não só a vinda de Gil o seu partido, como bancou a candidatura do vereador à Prefeitura de Campos.

Ouvido sobre a entrevista, Tadeu revelou que o seu PRB mantém com o PSB, em níveis estadual e municipal, conversas visando uma candidatura conjunta à sucessão de Rosinha. Embora tenha confirmado que PSB e PRB estejam mesmo debatendo o assunto, Gil disse que o mesmo vem ocorrendo com outros partidos de oposição, como PTC, PT e PMDB. Ele reafirmou sua pré-candidatura a prefeito de Campos, confirmada por Romário. Já Tadeu lembrou que, se fosse ouvido, o senador Marcelo Crivella (PRB) faria o mesmo por ele.

 

Amanhã, confira a íntegra da matéria, com outros personagens, na edição impressa da Folha

 

Pixuleka e caixão rosa no desfile do 7 de Setembro

“Pixuleco” e a estreante “Pixuleka” o desfile de 7 de setembro, hoje, em Brasília (foto de André Borges - Estadão Conteúdo)
“Pixuleco” e a estreante “Pixuleka” no desfile de 7 de setembro, hoje, em Brasília (foto de André Borges – Estadão Conteúdo)

 

 

Após um hiato de meses, este signatário voltou ocupar ontem (aqui) o nobre espaço dominical de opinião na Folha da Manhã. No artigo, motivado pela estúpida morte do menino Aylan Kurdi, de três anos, cujo pequeno corpo apareceu na praia turca de Bodrum, após mais um naufrágio de refugiados sírios no Mar Mediterrâneo. Mas o texto também falava dos naufrágios econômicos nos quais campistas e brasileiros se afogam graças à incompetência administrativa e às políticas populistas muito semelhantes entre a prefeita Rosinha Garotinho (PR)  e a presidente Dilma Rousseff (PT), naquilo que o lulopetismo e o garotismo trazem de comum em seus DNAs.

Pois hoje, no dia do desfile da pátria amada, salve, salve, a prefeita e a presidente mereceram protestos da população que governam. Mesmo protegida por tapumes de metal, apelidados de “muro da vergonha”, e forte esquema de segurança para afastá-la do povo, incoerência democrática talvez comparável à de quem lutou contra uma ditadura para tentar implantar outra, Dilma pelo menos teve a coragem de aparecer em Brasília. Ela e o seu boneco inflável gigante, com nariz de Pinóquio pelas mentiras da campanha de reeleição, a estrela do PT rachada e o vestido vermelho e a faixa presidencial enlameados pelos escândalos de corrupção que envolvem seu partido e seu governo.

O boneco de Dilma foi chamado de “Pixuleka”, versão feminina do já popular “Pixuleco”, nome usado por João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT, para designar as propinas que cobrava das empreiteiras no cartel das obras da Petrobras, reaproveitado para batizar  uma fase da operação Lava-Jato, assim como o boneco inflável gigante do ex-presidente Lula, vestindo roupa de presidiário e com os números 13 (do PT) e 171 (referente no Código Penal ao trambiqueiro) estampados no peito.

Em Campos, onde quem assistiu ao desfile das arquibancadas do Cepop não teve que passar por revista policial, como em Brasília, Rosinha não compareceu pelo terceiro ano seguido. A prefeita deixou de  ver, pelo menos pessoalmente, as faixas de protesto dos guardas civis municipais desligados desde 2008, mas que cobram direitos não pagos e liberação das suas carteiras de trabalho. Eles também levaram um caixão rosa, tão conhecido do público em Campos, quanto Pixuleco se tornou no Brasil.

 

 

Rosinha mais uma vez não apareceu para ver o tradicional desfile, nem os protestos contra seu governo, que também têm se tornado uma tradição para os campistas (foto de Tércio Teixeira - Folha da Manhã)
Rosinha mais uma vez não apareceu para ver o tradicional desfile, nem os protestos contra seu governo, que também têm se tornado tradição aos campistas (foto de Tércio Teixeira – Folha da Manhã)

 

 

Aqui e aqui, o jornalista Ricardo André Vasconcelos foi o primeiro na blogosfera local a noticiar os protestos contra Rosinha e Dilma.