Fernando Leite — Digo NÃO!

 

 

 

Pesei e ponderei o que vos adianto, como minha modesta opinião, ante a avassaladora cachoeira de lama que corre sobre a Pátria brasileira, a partir do rompimento das barragens da corrupção oficial. Uma nação devastada, levada aos trambolhos ribanceira abaixo, desfigurada na sua altivez, reduzida a uma republiqueta de bananas podres. Do presidente ao vereador, uma caterva.

Paira aterradora sobre todos os atores da cena política, ou quase, a sombra fria da suspeição. Os delatores viraram estrelas do horário nobre das TVs e explicam, em detalhes, como corrompiam mandatários e eleitos pelo voto soberano do povo, como se estivessem num programa vespertino ensinando uma nova receita de bolo. Os espectadores,se não sabiam da trama, em suas dobras mais sórdidas, já desconfiavam de longe. Afinal ali está a representação legítima da sociedade.

Não houve perplexidade. Houve resignação.Nenhum vidro quebrado, nenhum soco no ar. “É assim, comadre”.

Por isso, minha inquietude. O que será que será? Alguns serão presos, outros defenestrados, a maioria ficará atada a uma tornozeleira eletrônica e uma parte do dinheiro público voltará ao tesouro saqueado. Outra parte é vertigem. Nenhum castigo capaz de limpar o lodaçal. Nenhuma medida profilática que transforme, radicalmente, o ambiente da política nacional.

A política nacional, senhores, é essa! E não mudou.

Em minha mísera insignifância  resolvi dizer NÃO. Nas próximas eleições voto NULO. Não há em quem votar porque seja lá quem for, o ambiente dos parlamentos e dos palácios ainda será o mesmo. Sei que parecerei alienado, parceiro do sistema, na medida em que somos as nossas escolhas. Mas, lembro aos que me censuram que os rastejantes se antecipam aos temporais. Já está no forno da reforma política, o voto no partido, que, ao cabo, escolherá os ungidos numa lista de domínio doméstico.

Voto NULO até que o cenário seja outro e os eleitos, por mais bem intencionados que sejam, não saiam das ruas para um mundo irreal, onde grassa a corrupção e as práticas mais perniciosas da convivência humana.

Digo NÃO!

 

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Este post tem 2 comentários

  1. Dorinha Viana

    Perfeito! Já voto nulo há algumas eleições para presidente e deputado federal e estadual. E continuarei anulando meu viti. Voto nulo sim!

  2. Aluysio Abreu Barbosa

    Cara Dorinha,

    Transcrevo aqui a resposta dada lá na democracia irrefreável das redes sociais a um comentário, como o seu, em apoio ao voto nulo como resposta à “delação do fim do mundo” da Odebrecht: “Entendo a revolta do Fernando e sua. De resto, é a mesma de todo o brasileiro que não padece da teoria freudiana da negação. Mas, na prática, votar nulo é somente delegar sua decisão a outro. No caso, fico com a sentença do velho Otto Von Bismarck: ‘política é a arte do possível’”.

    Abç e grato pela chance do debate!

    Aluysio

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