Nome de Garotinho em documentos da delação da JBS gera investigação criminal

 

Charge do José Renato publicada hoje (23) na Folha da Manhã

 

 

 

 

Investigação criminal

Independente dos resultados finais da operação Lava Jato, ela já gerou o que a degeneração da prática política brasileira mais temia: a disposição das instituições de não deixar mais nenhuma suspeita sem investigação. Neste sentido os promotores Fabiano Rangel Moreira e Renata Felizberto, respectivos titulares da 1º e 2º Promotorias de Investigação Penal (PIPs) do Ministério Público Estadual (MPE) de Campos, abriram uma investigação criminal para saber por que o nome do ex-governador Anthony Garotinho (PR) surgiu em documentos na delação de pagamento de propina, feita pela empresa JBS e homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

 

Jornalismo investigativo

A partir de um belo trabalho conjunto de jornalismo investigativo — que deveria ser um pleonasmo, como “humorismo engraçado” —, os blogueiros Ricardo André Vasconcelos (aqui, aqui, aqui e aqui) e Christiano Abreu Barbosa (aqui e aqui) descobriram que a logomarca do município de Campos aparecia num dos documentos da delação da JBS, no mais recente escândalo nacional de corrupção. E pesquisando no farto material fornecido pela empresa à Procuradoria Geral da República (PGR) e ao STF, Ricardo André e Christiano chegaram a uma nota fiscal, no valor de R$ 3.004.160,00, na qual o nome de Garotinho aparece manuscrito.

 

Coincidências

Segundo Ricardo Saud, delator da JBS, a nota fazia parte do pagamento de propina para compra de apoio político no ano de 2014, quando ocorreram as eleições à presidência da República e ao governo do Estado do Rio de Janeiro, pela qual Garotinho concorreu, mas não conseguiu chegar ao segundo turno. E quem emitiu a nota no valor de mais de R$ 3 milhões foi a empresa Ocean Link Solutions Ltda. Ela tem como sócio André Luiz da Silva Rodrigues, conhecido em Campos como “Deca”, onde é sócio também da Working, empresa que foi grande fornecedora da Prefeitura de Campos no governo Rosinha Garotinho (PR).

 

Estranhezas

Além das coincidências, a operação que a JBS denunciou como pagamento de propina com a Ocean Link tem estranhezas. O contrato para “consultoria, engenharia de telecomunicações e desenvolvimento de softwere (sic)” foi firmado em 28 de agosto de 2014, para um serviço de um ano. No entanto, a nota da Ocean foi gerada em 1º de setembro, quatro dias depois, e pago pela JBS no dia 8 do mesmo mês, pouco antes das eleições. Além da impressionante agilidade de 11 dias entre contrato e pagamento, pelo serviço de um ano, é de se imaginar a qualidade do software desenvolvido, quando não se sabe escrever corretamente a palavra.

 

Verdade e mentira

Rigoroso com os denunciados diretos pelas revelações da JBS, como o (ainda) presidente Michel Temer (PMDB) e o senador afastado Aécio Neves (PSDB), Garotinho ainda não esclareceu o que seu nome está fazendo em documentos que compõem a mesma delação. Após atacar a condenação na Justiça dos envolvidos na troca de Cheque de Cidadão por voto, na eleição municipal de 2016, o máximo que o político da Lapa fez foi falar genericamente: “E eles continuarão inventando mentiras, fabricando falsidades, para tentar enganar aqueles que (…) não sabem discernir o certo do errado, a verdade da mentira”.

 

Oportunidade calçada

De qualquer maneira, Garotinho terá uma boa oportunidade para discernir a mentira da verdade. Apesar de estar proibido pela Justiça de pisar na sua cidade natal, desde 24 de novembro de 2016, para não atrapalhar as investigações da Chequinho, o ex-governador está convocado para depor semana que vem na 1ª PIP de Campos. Lá está em andamento outra investigação criminal, acerca do calçamento de calçadas sem licitação, permissão da Câmara ou dos proprietários das casas, feito pelo governo rosáceo na campanha das eleições municipais perdidas ainda no primeiro turno, como foi dois anos antes, para governador.

 

Desde 1991?

Responsável pela investigação criminal do calçamento, na qual a ex-prefeita Rosinha também está convocada para depor na 1ª PIP, o promotor Fabiano Moreira espera aproveitar a oportunidade para também indagar a o ex-governador sobre a investigação mais recente, acerca das delações da JBS de pagamento de propina para compra de apoio político nas eleições de 2014. Além de sócio da Ocean Link e da Working, André Luiz da Silva Rodrigues teria se filiado ao PDT em 1991, quando Garotinho estava no mesmo partido. É razoável que o MPE queira saber mais sobre essa relação entre político e empresário que parece tão antiga.

 

Publicado hoje (23) na Folha da Manhã

 

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Este post tem 3 comentários

  1. NHOCK

    O meu sonho é ver GAROTINHO e ROSINHA na cadeia, sem pena, porque eles “rasparam” a nossa PREFEITURA até onde puderam e entregaram a RAFAEL DINIZ quase sem condições de Governar.
    Tudo que fizeram, superfaturaram, até mesmos os Quebra-molas que fizeram em toda a Cidade.
    GAROTINHO pegou 2 empréstimos bilionários, para nós campistas pagarmos em 30 anos. Dá para aceitar isso? E ainda tem gente que fica aos pés desse GAROTINHO, paparica esse homem como um DEUS!

  2. Robert Ganilho

    Garotinho vai ganhar mais um (trecho excluído pela moderação) o nome de Garotinho não consta nessa lista !!!

  3. cesar peixoto

    Garotinho nao comprou joias com dinheiro surrupiado dos cofres publicos para Rosinha nao, quem comprou foi Cabral, que deixou o Estado falido.Ja o meu sonho e ver Garotinho Pesidente

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