Artigo do domingo — Messi, CR 7, Mbappé, Cavani e Neymar

 

Mbappé e Cavani

 

 

Nem Lionel Messi, nem Cristiano Ronaldo. Os grandes craques da Argentina e Portugal, que na última década se revezaram no prêmio de melhor jogador de mundo — cada um, cinco vezes —, se despediram ontem da Copa da Rússia. Mesmo com eles em campo, a verdade é que suas seleções foram eliminadas por times melhores: a talentosa França (aqui) e o aplicado Uruguai (aqui).

A primeira fase talvez tenha se marcado pela menor diferença real, traduzida em placar, entre as seleções consideradas grandes e pequenas nas últimas 20 Copas. Surpresas, como a eliminação precoce da atual campeã Alemanha, sempre aconteceram.

Para os brasileiros ainda recalcados com os 7 a 1 que os germânicos nos impuseram quatro anos atrás, em pleno Mineirão, nunca é demais lembrar que a França, em 2002, a Itália, em 2010, e a Espanha, em 2014, também caíram na primeira fase. E ostentavam o título das Copas anteriores. Todavia, um torcedor francês, italiano ou espanhol talvez tenha dificuldade para se lembrar da última vez que suas respectivas seleções foram humilhadas por 7 a 1 em qualquer Mundial. Tanto mais em um por eles sediado.

Em relação à fase de grupos da Rússia, como em todas as anteriores, desde que o atual modelo de disputa foi adotado na Copa de 1986, no México, os times considerados pequenos sempre jogaram retrancados contra os adversários de maior tradição. E, tradicionalmente, esses ferrolhos defensivos vão ficando para trás quando começa o Mundial de verdade. A partir das oitavas: empatou? Prorrogação e disputa de pênaltis. Perdeu? Volta pra casa!

Ainda sobraram alguns times com propostas mais passivas na Rússia. A começar por sua própria seleção, é difícil pensar que ela vá partir para dentro da Espanha, no jogo das 11h de hoje. Como um pouco depois, às 15h, a Dinamarca não deve propor o jogo contra a Croácia.

Podem até vencer, pois o futebol, como ressalva (aqui) o ex-craque Zico: “é o esporte coletivo em que o mais fraco tem mais chance contra o mais forte”. Mas dificilmente o farão propondo o jogo, como um lutador que ocupa o centro do ringue ou octógono. Ou, politicamente correto à parte, o par masculino na dança.

Ao lado de russos e dinamarqueses, ainda sobrevivem mexicanos, japoneses, suecos e suíços. Os dois últimos jogam entre si, às 11h da próxima terça (03). Um dia antes, o oscilante México enfrenta o Brasil nesta segunda (02), às 11h. Às 15h do mesmo dia, caberá o Japão à Bélgica, que apresentou (aqui) o futebol mais vistoso da fase de grupos. Apenas a Colômbia, pela cultura ofensiva do seu futebol, pode pretender ser o polo ativo no confronto com a Inglaterra.

Mas tudo isso são conjecturas. Passíveis de serem jogadas na terra de um campo de várzea pela imprevisibilidade do futebol. Afinal, qual outro esporte é tão democrático? Um nadador tem que ser alto, com ombros e costas largas, membros compridos e cintura fina. Um jogador de basquete ou vôlei tem que ser alto e forte. Um velocista precisa ser forte e explosivo. Um corredor de fundo tem que ser magro, de pernas longas e tronco curto. Para um lutador, as diferenças de tamanho e peso são segregadas em várias categorias distintas.

No futebol, um atacante pode ser genial, independente do tipo físico. Pode ser atarracado e ter 1,67m, como o brasileiro Romário. Pode parecer um atleta de basquete ou vôlei, como o sueco Zlatan Ibrahimovic — fora da Copa por seu temperamento desagregador, não por seu 1,95m. Mesmo para um meia que envergue a mítica camisa 10, também é possível marcar época sendo alto e longilíneo, como o francês Zinédine Zidane, ou baixinho e gordinho como o argentino Diego Maradona.

Em sua diversidade, o futebol é o mais humano dos esportes. Épico e trágico como nenhum outro, só nele o mesmo atleta, equipe e treinador podem passar do céu ao inferno na epopeia de 90 minutos. Com direito a prorrogação e pênaltis nas Copas do Mundo. Por isso talvez seja também o mais amado. Mais que as próprias Olimpíadas, que o abarcam. Mas não igualam.

Suscetível aos caprichos do destino, o maior torneio de futebol ontem mandou para casa seus dois maiores jogadores na última década. Mesmo gênios como Lionel Messi e Cristiano Ronaldo são vergados à realidade de um esporte coletivo. Com espaço individual ofertado pela imposição dos seus times, ontem foi o dia de brilharem o jovem meia francês Kylian Mbappé e o experiente atacante uruguaio Edinson Cavani.

Cada um marcou dois gols. Mas o destaque coube ao camisa 10 da França, segundo jogador com menos de 20 anos a marcar mais de uma vez em jogos eliminatórios de Copas do Mundo. O primeiro foi um tal de Pelé.

Fora da Copa, Messi continuará a ser o astro maior do Barcelona. Assim como CR 7, no Real Madrid. Ontem, porém, ambos foram ofuscados por dois jogadores do Paris Saint-Germain. Companheiro de Mbappé e Cavani no clube parisiense, Neymar entra em campo amanhã pelo Brasil. E provará se tudo não passou de mais uma coincidência dos deuses da bola. Ou não.

 

Publicado hoje (30) na Folha da Manhã

 

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Este post tem 5 comentários

  1. Sandra

    “Uma andorinha só não faz verão “
    Futebol como Vc mesmo bem disse é coletivo ,sendo assim…..

  2. Sandra

    E vai acontecer o mesmo com o Brasil ,se continuar apostando no Neymar .

  3. Sandra

    Ganha quem surpreende o inimigo.

  4. Sandra

    Tite é um excelente Tecnico ,qdo percebeu que estavam marcando demais
    o Neymar mudou ,e deu tudo certo .Que bom

    1. Aluysio Abreu Barbosa

      Cara Sandra,

      Acho que seu comentário era dirigido à análise do Brasil 2×1 México, não ao artigo publicado no dia anterior ao jogo.

      Abç e grato pela particpação!

      Aluysio

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