Campos: R$ 600 milhões a mais em nota fiscal que 2020

 

(Foto: Rodrigo Silveira/Folha da Manhã)

 

 

 

Dinheiro e divisas a Campos

Apesar da derrota na cobrança retroativa do IPTU, em decisão liminar da Justiça de sexta (17) que mandou suspendê-la, o prefeito Wladimir Garotinho (PSD) tem motivos para comemorar. Em todo o ano de 2020, Campos gerou R$ 1,6 bilhão em notas fiscais de serviço emitidas pelos CNPJs do município. Até a semana passada, com pouco mais de oito meses de 2021, esse valor já tinha chegado a R$ 2,2 bilhões. E o governo goitacá projeta que possa chegar perto dos R$ 3 bilhões até o fim do ano, com as vendas do Dia da Criança, em 12 de outubro, e, principalmente, do Natal. É mais dinheiro circulando, declarado e gerando divisas à cidade.

 

Menos IPTU, mais royalties

A derrota na cobrança extra do IPTU, comemorada pelo contribuinte, foi fruto de uma ação do advogado tributarista Carlos Alexandre de Azevedo Campos. Ex-assessor do Supremo Tribunal Federal (STF), ele já derrubou IPTUs da mãe de Wladimir, Rosinha Garotinho (hoje, Pros), quando esta era prefeita. Curiosamente, a relação pessoal do jurista com o prefeito é boa. Mas, amigos, amigos, impostos e leis à parte. O fato é que, com o aumento substancial também no recebimento de royalties de setembro (R$ 45,5 milhões), em relação ao mesmo mês de 2020, e a agosto deste ano, Campos parece começar a sair da crise financeira.

 

Campos/EUA

Outro fato que aponta a saída da crise, não do município governado por Wladimir, como de outros da Bacia de Campos, é a retomada de reservas de voo pelo aplicativo da Azul para Fort Lauderdale, na Flórida. Saindo de Campos, Macaé e Cabo Frio, fazem escala nas cidades do Rio de Janeiro, de São Paulo e Campinas, com destino à costa sudeste dos EUA. Não por coincidência, logo após o blog Opiniões divulgar a retomada dos voos da Azul na segunda (20), o governo Joe Biden anunciou a suspensão, em novembro, das restrições para passageiros internacionais, incluindo brasileiros, que estiverem vacinados contra a Covid.

 

Campos no mundo

Se o capitalismo do comércio goitacá, das petrolíferas, das companhias aéreas e dos EUA não dá ponto sem nó, a recuperação econômica da cidade, do Brasil e do mundo depende de muitos fatores. Que estão interligados e podem ser, às vezes, conflitantes. A um município petrorrentista como Campos, o dólar alto em relação ao Real, como ocorre sob o governo Jair Bolsonaro (sem partido), pode ser ruim ao Brasil, mas bom à cidade. E a situação difícil de uma grande construtora como a Evergrande da China, inimiga imaginária do bolsonarismo, pode derrubar a economia do mundo. Incluindo o pequeno comerciante bolsonarista de Campos.

 

(Foto: UN Photo/Cia Pak)

 

Brasil diferente

Bolsonaro não poderia entrar nos EUA, sem estar vacinado contra a Covid, não fosse presidente do Brasil. Só por isso sua entrada foi aceita em Nova York. Mas teve que comer do lado de fora de uma pizzaria e de uma churrascaria na maior cidade dos EUA, barrado por não estar imunizado contra o vírus que matou quase 600 mil pessoas no país que governa — ou deveria. Ontem ele abriu a 76ª Assembleia Geral da ONU, honra que tradicionalmente cabe ao presidente brasileiro. Prometeu apresentar um Brasil diferente do que mostra a mídia do mundo. E cumpriu a promessa: apresentou um Brasil diferente dos fatos.

 

Uma verdade

O Brasil real sofre com a volta da inflação, o aumento da cesta básica, dos juros, do dólar, dos combustíveis e da energia elétrica; a crise hídrica, os 14,4 milhões de desempregados, os 35,6 milhões na informalidade, os prejuízos nas lavouras, a fuga dos investidores, a queda do Ibovespa, do PIB e da produção industrial. Já o Brasil de Bolsonaro estava “à beira do socialismo” de… Michel Temer (MDB). Tratou a ONU como seu cercadinho do Alvorada. E após produzir prova contra si mesmo, ao defender diante do mundo o “tratamento precoce” contra a Covid, sentenciou uma verdade: “A história e a ciência saberão responsabilizar a todos”.

 

População de rua improvisa abrigos no Jardim São Benedito (Foto: Rodrigo Silveira/Folha da Manhã)

 

IFF solidário

Foi atento ao Brasil real, cuja miséria da crise se espraia na volta da fome e no aumento da população de rua em Campos e nos demais 10 municípios onde está instalado, que o Instituto Federal Fluminense (IFF) resolveu tomar uma atitude cidadã. E com apoio do Grupo Folha e do Grupo Barcelos, da rede Superbom, criou o projeto IFF Solidário. Seu lançamento oficial será amanhã (23), mas qualquer um já pode fazer doações através de transferência bancária à conta Sicoob Agência 4222 C/C: 2671-9, ou por Pix em [email protected]. Todo o dinheiro arrecadado será integralmente revertido em cestas básicas à população carente.

 

A lição

A arrecadação e a aplicação do dinheiro serão fiscalizadas pelo conselho curador formado por um integrante de cada uma das três instituições. Segundo o reitor do IFF, professor Jefferson Manhães de Azevedo, as doações serão feitas aproveitando os cadastros de assistência social de Campos (Centro e Guarus), São João da Barra, Quissamã, Macaé, Cabo Frio, Itaperuna, Cambuci, Bom Jesus do Itabapoana, Santo Antônio de Pádua, Cordeiro e Maricá, municípios onde a instituição de ensino está instalada. A lição tem 2 mil anos, sobreviveu à crucificação e permanece atual: “Pois eu tive fome, e vocês me deram de comer” (Mateus 25:35).

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

fb-share-icon0
20
Pin Share20

Este post tem um comentário

Deixe um comentário