A 1 ano da urna, Paes favorito a governador e Flávio a senador

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Vencido agosto com três pesquisas eleitorais no estado do Rio de Janeiro (RJ), de institutos conceituados, chega-se a setembro de 2025 com pouco mais de 12 meses à urna de 4 de outubro de 2026. Quando os fluminenses votarão para eleger governador e dois senadores. Mas como interpretar essas pesquisas, com dois favoritos: o prefeito carioca Eduardo Paes (PSD) e o senador Flávio Bolsonaro (PL)? Ou o papel estadual que dois campistas terão em 2026: o presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União), e o prefeito Wladimir Garotinho (PP)?

Para tentar responder, a Folha ouviu quatro especialistas. Dois em pesquisas: o geógrafo William Passos, com especialização doutoral em estatística no IBGE; e o empresário Murillo Dieguez, diretor do instituto Pro-4, que antecipou a eleição de Rafael Diniz (Cidadania) a prefeito de Campos em 2016. E dois especialistas da ciência política: George Gomes Coutinho e Hamilton Garcia, professores, respectivamente, da UFF-Campos e da Uenf.

Baseado nos números das disputas majoritárias a governador e duas cadeiras de senador pelo RJ, aferidos pelas pesquisas Quaest (confira aqui: feita de 13 a 17 de agosto, com 1.404 eleitores e margem de erro de 3 pontos para mais ou menos), Paraná (confira aqui e aqui: feita de 24 a 27 de agosto, com 2.000 eleitores e margem de erro de 2,2 pontos) e Atlas (confira aqui e aqui: feita de 25 a 29 de agosto, com 2.001 eleitores e margem de erro de 2 pontos), pergunta-se:

 

Folha da Manhã – Com intenções de voto nas consultas estimuladas (com a apresentação dos nomes dos possíveis candidatos ao eleitor) das pesquisas de agosto que variam de 35% (Quaest), a 54,8%, 56,8% e 50% (nos três cenários Paraná); a 40% e 43,9% (nos dois cenários Atlas), o prefeito carioca Eduardo Paes chega a 12 meses da urna favorito a governador?

William Passos – Sim. Eduardo Paes já disputou o Palácio Guanabara, tendo chegado ao segundo turno em 2018. Está no quarto mandato como prefeito do Rio e, ainda assim, mantém alta popularidade. Este dado é importante porque sabemos que, quanto mais tempo uma figura política se mantém na cena pública, mais exposta ela permanece a uma possível rejeição. Eduardo, portanto, vem superando o teste da rejeição. E, dos nomes colocados ao eleitorado fluminense nas pesquisas, ele está entre os mais conhecidos. Além disso, é visto como um político de centro, o que considero uma vantagem. Políticos de centro têm maior facilidade para capturar eleitores à direita e à esquerda do espectro ideológico.

George Gomes Coutinho – Sem dúvida, Eduardo Paes é, neste setembro de 2025, o líder isolado das intenções de voto para a disputa ao Governo do Estado. Isto se dá por um conjunto de atributos conquistados pelo atual prefeito da capital. Destaco uma gestão da prefeitura que conta com aprovação e popularidade; o recall do nome do prefeito, que é um dos políticos na disputa para o Governo do Estado mais experientes e com mais tempo de estrada; ou sua habilidosa gestão de suas redes sociais. Eduardo Paes sabe se comunicar nas características exigidas por nossos tempos. A soma desses atributos torna Eduardo um adversário poderoso na disputa para o Palácio Guanabara em 2026.

Murillo Dieguez – Considerando que pesquisa é retrato do momento, sem dúvida, Eduardo Paes é favorito no atual cenário. Embora eu desconheça duas taxas importantíssimas à análise: a de conhecimento e de rejeição. Outro fator que me chamou atenção é que numa dessas pesquisas, 30% afirmaram não votar em nenhum candidato.

Hamilton Garcia – Sim, Paes é o favorito, mas o ambiente político, extremamente polarizado e em vias de radicalização por conta das sanções estadunidenses e da prisão de Bolsonaro, pode volatizar esta preferência esmagadora que agora se apresenta. Sendo ele um político de centro com perspectiva liberal progressista, é de se esperar que sofra perdas eleitorais num cenário como esse. Que potencializa a nacionalização e, até mesmo, a internacionalização da política regional.

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Folha – Paes também era favorito em todas as pesquisas a governador em 2018, até a véspera do primeiro turno vencido naquele ano por Wilson Witzel (hoje, PSDB). Que confirmaria sua eleição sobre Paes no segundo turno. Aquela foi a exceção que confirma a regra, em um tempo em que as pesquisas ainda não tinham se adaptado à velocidade das redes sociais? Ou poderia acontecer de novo em 2026? Por quê?

William – A eleição de 2018 foi um ponto fora da curva, mas ao mesmo tempo um ponto de virada para as pesquisas. Foi um ponto fora da curva porque a velocidade das redes sociais adicionou um elemento novo e as projeções, com metodologias ajustadas a cenários anteriores da nossa história, tiveram dificuldade de capturar o resultado das urnas. Mas é importante destacar que as pesquisas são o retrato do momento em que elas entrevistam o eleitorado e não um cálculo de probabilidade do resultado eleitoral. Se a decisão do voto acontecer no dia anterior, ou mesmo no dia da eleição, as pesquisas acabam tendo muita dificuldade de captar. Mas é importante que se considere que os institutos aprendem com a experiência de uma eleição e, dessa forma, acabam ajustando suas metodologias exatamente para diminuir a possibilidade de dificuldade de captação da decisão do voto do eleitorado. Quanto a 2026, acredito que resultados imponderáveis, como aqueles de 2018, serão mais difíceis de acontecer, mas não serão impossíveis. Contudo, creio que não teremos grande surpresa quando as próximas urnas abrirem.

George – A eleição de 2018 no estado do Rio foi um raio em dia de céu azul. O fenômeno em si não é impossível. Todavia é fenômeno raro, improvável em condições normais de temperatura e pressão. As eleições de 2018 são explicadas pela conjuntura pós-lavajatismo da prisão do presidente Lula; foi a eleição dos outsiders. Em outros termos, foi uma eleição ocorrida em alta temperatura onde o eleitor demonstrou em suas opções o seu humor do momento. A lógica do contra tudo que está aí foi hegemônica, foi uma eleição disruptiva, antissistema. Não me parece ser o caso nas eleições para o Governo do Estado do Rio em 2026. As eleições do próximo ano me parecem ser “normais” em âmbito estadual, não obstante ainda termos grupos radicalizados quantitativamente relevantes. Inclusive, o grupo que está no Palácio Guanabara é o dos outsiders de 2018. Os outsiders de outrora se tornaram o status quo e neste momento quem deseja a mudança terá em Eduardo Paes uma das opções possíveis. E Eduardo é um político que atua nas regras do Estado Democrático de Direito.

Murillo – Falta muito tempo para as eleições de 2026. Só como exemplo, estamos vivendo nesta semana, o julgamento de Bolsonaro, que poderá trazer desdobramentos imprevisíveis. Penso que o momento político de 2018 é diferente do atual. Naquela época havia um sentimento a favor de uma ruptura com a política tradicional, o que possibilitou o surgimento de outsider. É bom lembrar que mesmo Eduardo Paes liderando, à época, sua rejeição era altíssima. A meu ver, esta eleição passa pela polarização que estamos vivendo intensamente no nosso país. Mas, considerando as pré-candidaturas postas, Paes tem maior densidade, capilaridade e serviços prestados.

Hamilton – Sim, pode acontecer, por conta da volatilização já indicada entre nacionalização e internacionalização. Mas, agora, é de se esperar que as pesquisas estejam mais preparadas para ler essa realidade e apresentar números dessa possível progressão.

 

Folha – Sem medição pela Quaest de agosto, mas com intenções de voto que variam de 33,4% e 35,6% (nos dois cenários da pesquisa Paraná), a 22,6% e 23,6% (nos dois cenários Atlas), Flávio Bolsonaro (PL) chega a 12 meses da urna como favorito à reeleição na primeira das duas cadeiras que o RJ elegerá a senador? Por quê?

 

(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

William – Flávio já é senador. É um Bolsonaro e, dentro da família do ex-presidente, tem um perfil mais agregador. Além disso, estamos no Estado do Rio de Janeiro, que é o berço do bolsonarismo. O RJ tem um eleitorado evangélico muito forte e um voto muito conservador. Ao mesmo tempo, o sobrenome Bolsonaro sempre remete à pauta da Segurança Pública, um dos maiores problemas fluminenses. Tudo isso favorece o aparecimento do nome do Flávio na liderança da disputa ao Senado e, consequentemente, o cacifa à reeleição, caso o filho do ex-presidente concorra a uma das duas cadeiras.

George – Sim, o Senado Federal, embora seja Poder Legislativo, tem uma eleição nas regras de uma disputa majoritária, ainda que sem a possibilidade de dois turnos. Com essa característica, sim, Flávio Bolsonaro, tudo mais constante, terá uma das cadeiras em disputa no estado do Rio de Janeiro. Vale dizer que se há uma discussão neste momento que apontaria para o início da retração do bolsonarismo, o nome, a grife Bolsonaro, não se esvaziará de uma hora para outra. Gostaria de ressaltar que, especialmente na pesquisa Paraná, o quantitativo detectado de intenção de votos em Flávio Bolsonaro coincide com o que seria na média o quantitativo de eleitores fiéis ao bolsonarismo no Brasil. É esta configuração das preferências do eleitorado que pode garantir votos suficientes para angariar cadeiras para o Senado também em outros estados da Federação.

Murillo – Esses resultados confirmam a polarização e consequentemente a força representativa do bolsonarismo no RJ.

Hamilton – Isso se explica pela política de polarização levada a cabo pelo Governo Lula e o PT, que visava manter Bolsonaro e sua visão autoritária da política vivos o suficiente para tê-los como espantalhos plausíveis para reeditar a frente ampla de ocasião eleitoral. Ocorre que tal frente, promovida na campanha de 2022 com êxito, esteve ausente de todo seu atual governo. E o STF extrapolou todos os parâmetros da normalidade jurídica para sufocar a direita radical. Assim, os bolsonaristas, desmoralizados depois do 8 de janeiro, parecem agora se beneficiar da irresponsabilidade das lideranças institucionais dos Poderes Executivo e Judiciário. Que, agora, é explorada também pela ultradireita internacional em busca de conter o declínio do Ocidente cristão em face da ascensão asiática confuciana (filosofia chinesa).

 

Página 2 da edição de hoje da Folha da Manhã

 

 

Folha – Favorito ao Senado, Flávio também aparece em 2º lugar destacado a governador, sempre que teve o nome listado nessa disputa. Na qual não entrou na Quaest, mas teve 30,5% de intenção de voto a governador (contra 50,6% de Paes, 20,1 pontos acima) em uma das consultas Paraná e 32,8% (contra 40% de Paes, 7,2 pontos acima) em uma das consultas Atlas. Hoje, Flávio é o nome mais competitivo contra Paes pelo Palácio Guanabara?

William – Acredito que sim, pelos mesmos motivos que o fazem o nome mais competitivo ao Senado da República. Flávio já é senador, já é conhecido pelo eleitorado fluminense, é um Bolsonaro e, dentro da família do ex-presidente, tem perfil mais agregador. Por tudo isso, penso não apenas que Flávio é o nome mais competitivo contra Eduardo Paes, mas um dos poucos nomes que podem apertar a diferença contra o prefeito do Rio a ponto de levar o pleito do Palácio Guanabara para uma disputada eleição de segundo turno. Todos estes ingredientes complexificam a decisão de Flávio e mexem com as disputas ao Governo do Estado e ao Senado da República, na medida em que uma delas contará com a ausência dele.

George – Eis a questão… pelos dados fornecidos em pesquisa podemos afirmar que neste setembro de 2025, sim, o Flávio Bolsonaro é o nome mais competitivo, o nome com potencial de maior capital eleitoral para competir com Paes. Todavia é importante ressaltar que vivemos em uma conjuntura de grande complexidade que pode trazer mudanças no cenário, especialmente no caso de Flávio que representa aí o clã Bolsonaro que está envolvido em tramas diversas, algo que também pode se traduzir na reversão de expectativas na disputa para o Senado. Além disso ainda há a vindoura campanha propriamente, com todos os movimentos que lhe são naturais, cujo objetivo é interferir na preferência dos eleitores. Mas, com os dados de hoje, Flávio Bolsonaro pode causar danos ao favoritismo de Eduardo Paes.

Murillo – Essa indagação robustece a análise feita na terceira pergunta: a força do bolsonarismo no estado. E ninguém melhor do que Flávio para encarnar esse sentimento. Se isso será o suficiente para vencer as eleições a governador, são outros quinhentos.

Hamilton – Sim, pois a ultradireita tem uma expressão forte no Estado do Rio em função da crise profunda que este atravessa, inclusive de liderança. O governo Castro e sua coalizão com a Alerj, não obstante o potencial eleitoral do fisiologismo político que representam, podem ser prejudicados pela força de Paes na capital, tornando a disputa potencialmente competitiva diante do agravamento da crise política.

 

Folha – Campos tem um nome entre os pré-candidatos a governador em 2026: o presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União). Nas consultas sem Flávio, Bacellar ficou em 2º lugar a governador, com 9% de intenção de voto na Quaest (contra 35% de Paes, 26 pontos acima) e 12,4% na Atlas (contra 43,9% de Paes, 31,5 pontos acima). E em 3º lugar, com 7,8% na Paraná (atrás dos 54,8% de Paes e dos 10,6% de Washington Reis). Como você projeta?

William – Projeto potencial de crescimento da intenção de voto do deputado campista, caso Rodrigo Bacellar venha candidato com o apoio da família Bolsonaro e com Flávio Bolsonaro disputando o Senado. O fato de ser presidente da Alerj neste momento e a possibilidade de disputar a eleição de outubro de 2026 já como governador do Estado, em função de uma eventual saída de Cláudio Castro (PL) para a disputa de outro cargo eletivo, configuram uma vantagem adicional em favor de Rodrigo. No entanto, entendo que um possível crescimento da intenção de Rodrigo seria determinado pelo apoio ou não do bolsonarismo. Tendo apoio da família Bolsonaro, Rodrigo pode ser tornar um candidato muito competitivo.

George – Rodrigo Bacellar segue sendo um político exitoso em seus projetos e um dos homens mais poderosos da política fluminense na atual conjuntura. Contudo, diferente de nomes como Eduardo Paes e Flávio Bolsonaro, neste momento ele carece de um trunfo muito importante em uma disputa para o Governo do Estado: a popularidade. Bacellar, neste momento, tem capital eleitoral suficiente para ser vitorioso em disputas para uma cadeira na Alerj, penso que também para a Câmara dos Deputados. Mas, para o Palácio Guanabara, tendo adversários como os citados, ele, por agora, não se apresenta ungido pelo favoritismo. Claro que há o “Sobrenatural de Almeida”, como dizia Nelson Rodrigues. Justamente por conta do imponderável, Bacellar pode insistir em uma candidatura nas condições dadas. Todavia, voltando a raios em dia de céu azul, a prudência recomenda não contar com esse desfecho.

Murillo – Acho que Bacellar tem dois problemas a serem enfrentados. O primeiro é sua baixa taxa de conhecimento, sobretudo na capital. O segundo é sua ligação umbilical com o governador Cláudio Castro, cujo governo é mal avaliado pela população.

Hamilton – Bacellar é um nome da política regional que só ganhará tração mais próximo à eleição em função das relações fisiológicas que representa, que se avolumam perto dos pleitos pelo “toma lá, dá cá”. Todavia, a polarização político-ideológica pode interferir nessa ascensão, assim como no favoritismo de Paes, dada a propensão dela a catapultar líderes com discursos radicais de mudança do sistema, mesmo que desacompanhados de propostas efetivas para tal objetivo e sem nenhum histórico consistente para respaldar tal atitude.

 

Folha – Especulado como candidato a vice-governador numa chapa encabeçada por Paes ou por Reis, o prefeito de Campos, Wladimir Garotinho (PP), também chegou a ser listado como candidato a governador numa pesquisa Prefab, feita de 12 a 16 de agosto e que (confira aqui) majorou o percentual de evangélicos em 41,8% dos 1.001 entrevistados em relação aos 32% que o IBGE aponta na população fluminense. A despeito do vício metodológico numa pesquisa de baixa credibilidade, como vê o papel de Wladimir no cenário estadual de 2026?

William – Wladimir desponta como uma importante liderança regional, projetada não apenas pela condição de prefeito de Campos, o maior colégio eleitoral do interior fluminense e berço do garotismo, que já deu dois governadores ao Estado, mas também, neste momento, pela condição de autor do projeto de lei do semiárido, o PL 1440/2019, que defendeu a inclusão dos 22 municípios do Norte e do Noroeste Fluminense no reconhecimento de uma nova classificação climática. Com o veto ao PL, penso que o potencial de liderança de Wladimir aumentou, expandindo para o conjunto destes 22 municípios. Embora a maior parte do eleitorado fluminense esteja localizado na Região Metropolitana, o interior também é muito importante para a eleição. Nesse sentido, o apoio de Wladimir tem potencial estratégico e, por isso, no meu ponto de vista, o nome dele para vice foi ventilado em duas candidaturas.

George – Por enquanto, Wladimir parece que segue se aproximando muito de agentes fiéis ao bolsonarismo, vide (o deputado federal do PL) Altineu Côrtes, aquele que ameaçou fazer a sociedade brasileira engolir o projeto da impunidade, ou da anistia, assim que Hugo Motta se ausentar do país. Há também Washington Reis, nome ejetado por Rodrigo Bacellar do Palácio Guanabara a despeito das súplicas do clã Bolsonaro por sua permanência. Por isso, caso essa proximidade com o bolsonarismo se consolide, a opção de ser vice de Paes parece dinamitada. Ainda seguindo nesta trajetória, Wladimir pode estar se contentando em assumir uma posição subalterna em projeto de poder alheio no curto prazo. Precisamos ver se no futuro próximo esta trajetória será sustentada ou se Wladimir tentará se aliar a outros grupos políticos em atuação na política fluminense. Por enquanto, vejo o prefeito se acomodando em ser correia de transmissão de um projeto que pode alienar seu próprio potencial de crescimento político. Neste cenário, a participação de Wladimir para a disputa de 2026 ao Governo do Estado será a de coadjuvante ou de pura e simplesmente estrela regional a emprestar palanque, prestígio e capital político a agentes vindos da capital.

Murillo – Penso que Wladimir deveria cuidar mais do seu governo, que, a meu ver, vive um momento nada bom. Concordo com a avaliação do seu pai, quando este afirma que foi precipitado o desejo do filho de abandonar, com tanta antecedência, o mandato que o povo lhe conferiu com tamanha expressividade na sua reeleição em 2024. Neste momento, não o vejo como um player determinante para compor a chapa majoritária ao Governo do Estado. Em resumo: ele pode até estar no ônibus da sucessão, mas não sentado na janela.

Hamilton – Sem dúvida, Wladimir é um político fortalecido pela reeleição a prefeito. Ele projeta uma imagem de conservadorismo pragmático que o aproxima de Paes. E pode se habilitar para o jogo de trocas da política fluminense, o aproximando de Reis. Mas que pode também, daí a dúvida, ser forçado a um posicionamento político-ideológico mais incisivo em função do provável agravamento da crise política. Neste caso, a dobradinha com Paes pode lhe custar um alto preço.

 

Página 3 da edição de hoje da Folha da Manhã

 

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