Lula indica Messias ao STF, ignora aliado do Senado e colhe pauta-bomba

 

Lula, Jorge Messias, Davi Alcolumbre e Rodrigo Pacheco (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Messias ao STF e tarifa dos EUA

“Na política do Brasil, pode-se morrer de tudo, menos de tédio”. A máxima é literal pelos fatos que se atropelam com potencial de interferir nas eleições nacionais de 4 de outubro de 2026. Após a operação policial do dia 28 no Rio, vieram mais dois na quinta (20): a indicação de Jorge Messias (confira aqui) ao Supremo Tribunal Federal (STF) e a retirada (confira aqui) das tarifas dos EUA ao Brasil.

 

A novidade é Alcolumbre

Advogado-geral da União, Messias não deveria ser surpresa em um Lula que, novamente no poder após 580 dias preso pela Lava-Jato, indicou antes ao STF seu advogado pessoal, Cristiano Zanin, e seu ministro da Justiça, Flávio Dino. A novidade em Messias foi a indicação a despeito do maior aliado legislativo do Lula 3: o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União/AP).

 

Lula 3 se equilibrava no Senado

Com a Câmara dos Deputados presidida por Hugo Motta (REP/PB) na oposição, o Senado de Alcolumbre era onde o Lula 3 se equilibrava. Como foi no Projeto de Emenda Constitucional (PEC) da Blindagem, aprovada (confira aqui) pelos deputados por 308 votos a 134 governistas (menos da metade) e sepultada por unanimidade (confira aqui) na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado.

 

Aliado esnobado

Alcolumbre trabalhava pela indicação do ex-presidente do Senado, o também advogado Rodrigo Pacheco (PSD/MG), ao STF. Além da escolha de Lula por Messias, o problema está no fato de que o presidente da República sequer ligou ao do Senado para lhe dar uma satisfação prévia. Lula não só contrariou Alcolumbre, mas esnobou o aliado. E pode pagar caro por isso.

 

Contra Messias e pauta-bomba

As respostas de Alcolumbre a Lula vieram ainda na quinta. Ligou a colegas (confira aqui) e disse que votará e trabalhará contra Messias no STF, que precisa ser aprovado no Senado. Onde porá em votação na terça (25) a aposentadoria especial dos agentes comunitários de saúde e de combate às endemias. É uma pauta-bomba (confira aqui) estimada entre R$ 5,5 bilhões e R$ 21,2 bilhões à União.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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