Grupo do prefeito de Macaé mira Alerj e Câmara Federal

 

Por Aluysio Abreu Barbosa, Cláudio Nogueira, Hevertton Luna e Gabriel Torres

 

Presidente da Câmara Municipal de Macaé, onde é vereador em terceiro mandato, Alan Mansur (PSB) projeta subir um degrau legislativo nas eleições de outubro, na qual é pré-candidato a deputado estadual. Um dos três que o grupo político do prefeito Welberth Rezende (Cidadania) pretende oficializar nas convenções. Assim como Márcio Rezende (PSD), irmão de Welberth, na disputa a deputado federal, com quem planeja dobrada à urna.

Em entrevista ontem (29) ao Folha no Ar, Alan falou da parceria entre Executivo e Legislativo macaenses, traduzindo-as em entregas à população. Usou o exemplo do rebocador a serviço da Petrobras encalhado na Praia do Campista, no dia 15, como “prova viva” de que os royalties do petróleo têm que ficar com municípios e estados produtores. Falou da sua origem na pesca e da importância do agro a Macaé e ao Norte Fluminense. Região à qual projetou a eleição do seu aliado Márcio e de Wladimir Garotinho (PL) à Câmara dos Deputados.

 

Presidente da Câmara de Macaé, Alan Mansur, no estúdio da Folha FM 98,3 (Foto: Rodrigo Silveira/Folha da Manhã)

 

Origem — “Venho por parte da minha mãe de uma família de pescadores. Meu avô foi pescador mais de 50 anos. Já meu pai, mecânico em empresa offshore terceirizada. E isso está no sangue. Também tenho familiares em Atafona. Meu avô é de Atafona, da Ilha de Convivência. Depois foi para Macaé morar no pontal, que é o encontro do rio com o mar em Macaé, e isso me ajudou muito. Perdi meu pai muito cedo, com 15 para 16 anos. Isso foi um dificultador na nossa família, mas meu pai sempre falava comigo: ‘Olha, tem dois caminhos: o mais longo e o mais curto’. Eu venho de um bairro menos favorecido, fui nascido e criado na Barra de Macaé, uma comunidade que existe outros caminhos, podemos dizer, meio complicados; mas escolhi o caminho mais longo que meu pai me ensinou, que era trabalhar. Fui para o mar, tive barco de pesca até pouco tempo antes de entrar na política. Macaé começou com a pesca e a agricultura e depois se tornou um polo offshore, quando chegou o petróleo há quase 50 anos.”

Mais difícil ser pescador ou presidente da Câmara de Macaé? — “Com certeza (a vida mais difícil é) do pescador. O pescador já sai tendo que botar óleo, rancho, com a responsabilidade que o mar não é coisa para se brincar. Meu avô sempre falava que água não tem cabelo. E vai com a incerteza se vai trazer o pescado ou não. Na Câmara Municipal, é uma gestão diferente. Hoje, como presidente da Câmara Municipal, todo mês vai ter seu salário garantido, mas na pesca não. Na pesca você vai com incerteza se vai voltar até para casa, há muito risco de vida.”

Relação com Executivo — “A união não faz só açúcar. Essa parceria entre o Legislativo e o Executivo tem dado muito certo. A gente não tem oposição na Câmara. Temos um prefeito que tem uma bandeira de desenvolvimento econômico muito forte e essa parceria e diálogo com o prefeito Welberth Rezende, que para para escutar, para tentar mandar os projetos corretos para a Câmara. Isso tudo se transforma em avanço da cidade.”

Agro — “O agro, não só na cidade de Macaé, como no Norte Fluminense, é muito forte. Nós estamos trazendo a fábrica de fertilizantes, que é muito importante. Nós somos os maiores produtores de grãos e os maiores produtores de gado confinado (no estado do Rio). E é até importante estar aqui em Campos hoje falando isso porque a gente vai começar a exportar gado confinado através do Porto do Açu. O prefeito tem trabalhado com a Câmara Municipal, tem buscado lá em Brasília essa fábrica de fertilizantes.”

Rebocador encalhado e royalties — “Infelizmente, foi um acidente que aconteceu. Eu, que tenho essa ligação direta com o mar, sei mais ou menos como foi. Passava ali pela posição que tem a “Pedra da Mula” (submersa). Esse rebocador da DOF (empresa que presta serviço à Petrobras) rasgou o casco e, para não afundar, foi em direção à terra e encalhou. Isso é uma prova viva da necessidade dos royalties. O dinheiro tem que ficar aqui. A prova viva está em Macaé. A gente não queria que acontecesse, mas aconteceu em um momento tão crítico, onde o STF está discutindo sobre isso (a possibilidade de repartição dos royalties com estados e municípios não produtores de petróleo). Eu tenho certeza que não vão mexer nos royalties do estado do Rio de Janeiro, não vão repartir com os outros estados. Porque a prova viva está lá e não é só o acidente que aconteceu, é no social, é a parte terrestre.”

União pelos royalties — “Todos os prefeitos das regiões Norte e Noroeste, de todos os 92 municípios do estado, estão se juntando e indo a Brasília. O prefeito de Macaé esteve com outros lá no encontro dos prefeitos. As suas bases, quem tem contato diretamente com Brasília, está conversando com o STF para que a gente possa manter o nosso dinheiro aqui, porque isso é uma compensação. A gente não possa deixar o nosso dinheiro, do impacto que acontece no estado do Rio de Janeiro, ser compartilhado com os outros estados. Eu defendo isso na Câmara, a gente sofre um impacto todos os dias e em todas as áreas. Então, o dinheiro é nosso e tem que ficar aqui.”

Relação com o prefeito — “Conheço o Welberth desde 2016. Eu tive o prazer de ser vereador dois anos (de 2017 a 2018) com ele, depois tive o prazer de estar na campanha a deputado estadual (em 2018) onde se elegeu, também de estar na sua candidatura a prefeito (2020) e na sua reeleição (2024), que fez quase 112 mil votos. Nós sabemos que os Poderes são paralelos: Legislativo, Executivo e Judiciário. Mas a relação é muito boa, focada no crescimento e no atendimento da população macaense. Nós não temos uma oposição na Câmara. ‘Ah, mas todo mundo é ligado ao Welberth’. Não, o Welberth é uma pessoa diferenciada. Ele veio da Câmara e sabe como as coisas acontecem. É uma pessoa do diálogo, que não perdeu sua essência. Uma pessoa que para, conversa e escuta. Por isso as coisas têm dado tão certo em Macaé.”

Entregas — “O trabalho é compartilhado entre Legislativo e Executivo, chegando na ponta, que é o que as pessoas querem de fato. Na zona norte da cidade, o poder público não atuava, não tinha obra nenhuma. Desde quando o prefeito Welberth entrou, são mais de 200 obras nos bairros menos favorecidos como Barra, Nova Holanda, Fronteira, Nova Esperança, Itaparica, Vale Verde e Fronteira. Hoje, ainda tem várias obras em andamento. Nós vamos inaugurar a maior área de lazer na zona norte da cidade, no bairro Ajuda de Cima. A população quer entrega e resultado. Quando a população vai nas urnas, ela quer que você a represente. E é isso que está acontecendo em Macaé. Essa parceria tem dado certo.”

 

Alan Mansur em entrevista ao vivo no Folha no Ar da manhã de ontem (29)

 

Nomes do grupo à Alerj e apoio interno — “Dentro do governo, a gente se respeita e a coisa é democrática. Cesinha, meu colega vereador, uma pessoa gente boa, é pré-candidato (a deputado estadual), já tinha falado desde o ano passado. O doutor Lucas, que saiu da Secretaria de Saúde, também é um ser humano incrível, também é pré-candidato (à Alerj). E eu também sou pré-candidato a deputado estadual. Foi uma escolha de 13 vereadores da Câmara, que nos apoiam, e 40 secretários. Welberth abriu o governo para os três pré-candidatos e quem tem uma boa relação com os secretários e os vereadores é que vai conseguir garimpar mais apoio político quando for candidato de verdade.”

Dobradinha — “Eu tenho uma dobrada como pré-candidato ainda. A gente não pode pedir voto. Se for nossos nomes forem oficializados nas convenções, a dobradinha é 100% com o Márcio Rezende (pré-candidato à Câmara dos Deputados). O Welberth seria candidato a deputado federal, mas decidiu terminar o mandato e lançar a pré-candidatura do irmão dele. Pelo potencial de grupo, o Márcio, como pré-candidato, sai bem na frente. Tendo um irmão com aprovação popular de mais de 90% e total apoio da Câmara. Márcio, na minha opinião, como pré-candidato, e na frente candidato de verdade, já sai eleito da cidade de Macaé.”

Além de Macaé — “Nós já estamos em mais de 30 municípios. É democrático. Como os pré-candidatos (de fora de Macaé) vão lá, nós viemos aqui (em Campos) e rodamos o estado do Rio de Janeiro. Saindo daqui, vou para São Gonçalo, Niterói, capital e na volta ainda passo em Casimiro de Abreu. Eu devo chegar em casa amanhã (sábado). Então é assim que tem sido a minha vida. Terça-feira e quarta-feira têm sessão na Câmara. Quando eu saio da sessão, já começo a andar nos municípios, porque se não gastar sola de sapato, você não chega.”

Coeficiente eleitoral — “Para deputado estadual, acho que com 30 mil votos já estaria eleito no PSB. Para federal, e Márcio Rezende está no PSD, entre outros pré-candidatos, na casa dos 50 mil. Macaé tem 145 mil eleitores que imaginamos que vão para a urna. A conta que eu faço é que a gente vai perder 50%. Então ficamos com 70 e poucos mil votos para dividir para três (candidatos a estadual). Eu acho que a gente hoje, pelo peso que tem, tem uma chance real de sair eleito de Macaé. Lógico que a gente precisa trabalhar em todos os municípios. A ideia é fazer de 20 mil a 25 mil votos nos outros municípios que estamos trabalhando, mas sair com 25 mil a 30 mil de Macaé também.”

Quantos deputados estaduais e federais Macaé e NF podem fazer? — “Na minha opinião e nas minhas contas, Macaé vai fazer de dois a três deputados estaduais. Do grupo eu acho que faz dois, mais o Chico Machado (PL), que vem à reeleição e tem toda a chance de se reeleger também. Não temos um deputado federal da região. Eu acho que nós, pelas minhas contas, conseguimos fazer uns dois deputados federais. Apostaria em Márcio e Wladimir Garotinho. Estaduais, eu acho que o Norte Fluminense tem condições de fazer mais de seis ou sete. É rua. Quem gastar mais sola de sapato é quem vai buscar mais apoio. O que está acontecendo com o Thiago Rangel e o Rodrigo Bacellar (deputado estaduais de Campos presos pela Polícia Federal), deixa um vácuo muito grande. Lógico que quando tiver autorizado a ser um candidato a deputado estadual, vou buscar esse espaço, como outros também vão buscar.

Eleição a presidente — “Vem acontecendo muita coisa no Brasil. Para falar de Lula, você tem que pensar bem, porque ele já foi presidente várias vezes. Saiu da cadeia para voltar à presidência da República de novo. O Flávio Bolsonaro está bem. Essa coisa do Banco Master deu uma caída, mas continua forte nas pesquisas.”

Polarização Lula x Bolsonaros — “Eu acho que vai acontecer isso até o final. Esquerda e direita, isso é o que está acontecendo. Eu acho, com todo respeito, que é o que está atrapalhando o nosso país e tem que acabar. Esquerda extrema e direita extrema, eu acho que isso tem que acabar. Então, isso aí a gente vai acompanhar até o final.”

Chance de terceira via? — “Acho que vai dar Lula e Flávio Bolsonaro no segundo turno e que, no segundo turno, o apoio ao Flávio Bolsonaro vai ser bem maior. Na minha opinião, acho que o Flávio vai levar.”

Centro entre Lula e Flávio — “Eu acho que o modo do Flávio fazer política consegue trazer mais para perto o centro do que levar para o lado do Lula. Mas Lula sabe articular, como fez lá em 2022. Não estou falando mal do PT, da esquerda ou da direita. Não entro nesse contexto. Minha avaliação é que o Flávio é mais modernizado que Bolsonaro, que era muito rígido e não conseguiu trazer o centro para perto. Acho que ele (Flávio) vai trazer as outras pré-candidaturas para perto no segundo turno. E não vejo outra pessoa, a não ser Lula e Flávio Bolsonaro, no segundo turno.

Paes governador no primeiro turno? — Acho que o governador interino, Ricardo Couto, vai ficar até o final, até se decidir o novo governador (na eleição de outubro). Eduardo Paes tem uma ampla vantagem e acho que ele ainda ganha no primeiro turno, porque está sabendo construir. O poder de política é do diálogo e da construção.”

Corrida a senador pós-Castro — “O estado de Rio de Janeiro está complicado na questão de senador. Lógico que tem a Benedita (da Silva), que é PT, e acho que uma cadeira vai ser dela. Não sei como é que a direita vai tratar isso, com a saída de Cláudio Castro (PL). Acho que a Benedita leva uma e a outra fica com a direita.”

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

Confira em vídeo a íntegra da entrevista de Alan Mansur ao Folha no Ar:

 

 

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