
Semana aberta aos passos entre Atafona, a foz fechada do Paraíba e a Convivência. Fotos de Ícaro Barbosa.


“este mundo, que é o mesmo para todos, nenhum dos deuses ou dos homens o fez; mas foi sempre, é e será um fogo eternamente vivo, que se acende com medida e se apaga com medida”
(heráclito, d 30)
faces do mesmo
poderia ter usado a coroa do rei de éfeso,
mas renunciou à honra em favor do irmão.
prestar governo aos surdos, dever funesto,
aqui, agora, jônia européia há cinco séculos;
ou na ásia menor, meio milênio antes de cristo.
por iluminar seria, já aos antigos, o obscuro;
nada revelariam suas palavras de sibila,
não fosse a oposição do ouvido surdo,
como, sem tensão na corda, emudece a lira
e a do arco, por relaxada, inutiliza a flecha.
ao alcançar a outra margem, não era
mais o mesmo homem, nem mesmos
eram os rios atravessados, múltiplos
a desaguar no Um que a todos gera.
media a largura do seu pé pela do sol
por desconhecer outra grandeza ao passo
do homem entre a luz e a própria sombra.
domingos martins, 01/05/07
