

Bebê de 10 meses na UTI após ataque de pit bull
Um cão da raça pit bull atacou (confira aqui) ontem (14) duas crianças pequenas, uma de 10 meses, outra de 2 anos, além de uma mulher de 29 anos, na localidade de Baixa Grande, em Campos. O caso mais grave é do bebê mais novo. Com ferimentos na cabeça, face, abdômen, tórax e pernas, passou por cirurgia e está internado na UTI Pediátrica do Hospital Ferreira Machado (HFM).
Outras vítimas
A criança de 2 anos teve uma lesão nas costas, enquanto a mulher foi mordida na panturrilha. Foram atendidas, receberam curativos, tomaram vacina antitetânica e tiveram alta. O cão é da própria família dos três feridos.
Despreparo humano
O caso revela um problema, reincidente em Campos e no Brasil: o despreparo de muitas pessoas para criarem cães. Que é inversamente proporcional ao número de veterinárias, pet shops e lojas de ração que proliferam em todos os bairros do município e do país.
Homem e cão há 30 mil anos
O maior erro de quem pretende criar um cão é o desconhecimento da espécie. O homem teria domesticado o lobo há cerca de 30 mil anos, antes de qualquer outra espécie animal ou vegetal, de lavrar a terra e se tornar sedentário. Nessa correlação de milênios, o cão foi sendo moldado em diferentes raças e funções humanas: caça, pastoreio, guarda, companhia.

Sociologia do cão
Animal social como o ser humano, o cão identifica neste o macho alfa da sua matilha, como quem o guia, o protege e alimenta. Num núcleo familiar humano, ele escolhe quem reproduz essas características sobre ele. Se quem cuida do cão for um empregado, este será o escolhido. E, se ninguém se impuser ao cão, seja ele macho ou fêmea, o macho alfa será ele próprio.
Amigo ou dor de cabeça
Um humano que não impõe limites, desde filhote, ao seu cão, cria não um amigo leal, mas uma dor de cabeça. Para si e quem mais o cerca. Quem não tem um vizinho com um cão, de raça pequena ao famoso vira-latas caramelo, que late neuroticamente e tenta avançar sobre estranhos? E cujo desequilíbrio social não seja fruto da sua péssima criação humana?
Paliativos
Quanto maior o cão e as falhas na sua criação, maior a dor de cabeça. Fazer leis para restringir a circulação de cães considerados perigosos, tende a mascarar o problema. No caso de um pit bull, por exemplo, o legislador ou o agente da lei seriam capazes de distinguir a raça de outras aparentadas e mais dóceis, como um staffordshire ou um american bully?
Bebê imaginário = bebê real na UTI
Qualquer cão só pode transitar em espaço público com coleira, guia e mão humana responsável. Qualquer cão e um lobo são geneticamente o mesmo animal. Quem cria um cão como um bebê humano imaginário, para transferir suas próprias carências, cria um problema. Como um bebê real de 10 meses que luta pela vida, em estado gravíssimo, na UTI do Ferreira.
Publicado hoje na Folha da Manhã.
