Nunes Marques suspendeu pesquisa presidencial já divulgada

 

Três últimos presidentes do TSE: ministros Alexandre de Moraes, Cármen Lúcia e o atual, Kassio Nunes Marques

 

TSE suspende pesquisa registrada no… TSE

Causou muita estranheza a decisão do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Nunes Marques, de suspender na última segunda-feira, 8 de junho, a pesquisa presidencial AtlasIntel (confira aqui e aqui) feita entre os dias 13 e 18 de maio. Que consultou digitalmente 5.032 eleitores e foi registrada sob protocolo BR-06939/2026 no… TSE.

 

Mais do mesmo

Com análises próprias, o blog Opiniões e a Folha divulgaram aquela e outras pesquisas presidenciais sérias (confira aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui). E, com metodologias diferentes, todas revelaram que Flávio Bolsonaro (PL) sentiu o impacto da revelação (confira aqui), no dia 13, do áudio e mensagens que trocou com o hoje ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do liquidado Banco Master.

 

Cadeado em porta arrombada?

Flávio e o PL representaram contra a pesquisa porque, ao final do seu questionário digital, ela colocou o áudio de Flávio a Vorcaro. Só que aquela AtlasIntel foi divulgada desde 19 de maio. Suspendê-la em junho, como fez Nunes Marques, tem o valor de quem questiona pesquisas para depois chorar com o resultado da urna: nenhum!

 

 

“Direito xandônico”

Também causa estranheza que Nunes Marques tenha se autonomeado juiz do caso, que já tinha sido distribuído. No que lembrou a onipotência do “direito xandônico”, em referência aos excessos do ministro Alexandre de Moraes tanto no Supremo Tribunal Federal (STF) quanto no TSE, que presidiu na eleição presidencial de 2022.

 

Padrinhos e contradições

Moraes foi indicado ao STF pelo ex-presidente Michel Temer (MDB). Este, chamado de “golpista” pelos mesmos lulopetistas que depois elegeram o primeiro como “herói da democracia” no enfrentamento à tentativa de golpe de Estado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Que, por sua vez, indicou Nunes Marques ao STF e, por rodízio, ao TSE.

 

Comentar virou parcialidade?

Como Moraes em alguns de seus atos jurídicos, Nunes Marques inovou ao suspender em junho uma pesquisa divulgada em abril. Para tentar justificar sua decisão monocrática e inutilmente retroativa, disse que o CEO da AtlasIntel, o cientista político Andrei Roman, teria revelado parcialidade ao comentar a pesquisa na CNN.

 

A parcialidade do 2 + 2 = 4

Dizer que a revelação do áudio de Flávio pedindo dinheiro a Vorcaro causa danos à pré-candidatura do primeiro a presidente da República é, no popular, chover no molhado. Fato atestado em todas as pesquisas, é tão parcial quanto constatar que a soma de 2 e 2 é 4. E tão sábio quanto culpar o carteiro pelo teor da correspondência.

 

“Fascista” ou “comunista”?

Quem trabalha no Brasil com pesquisas eleitorais sérias, sua análise objetiva e divulgação já está acostumado desde 2018. Se a pesquisa favorece a um Bolsonaro, quem a divulga é chamado de “fascista” pelos lulopetistas. Se a pesquisa favorece a Lula ou alguém do PT, quem a divulga é chamado de “comunista” pelos bolsonaristas.

 

Mínimo que se espera do TSE

Na impossibilidade lógica de ser “fascista” e “comunista” ao mesmo tempo, essas classificações dizem mais da desinteligência cognitiva e emocional de quem classifica. O mínimo que se pode esperar da instância máxima da Justiça Eleitoral no Brasil ou do seu presidente de turno é que não passem a julgar no mesmo diapasão de torcida.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

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