Tentando ser otimista, o Brasil pode estar brincando de pique-esconde com o mundo

Jornalista e escritor Ruy Castro
Jornalista e escritor Ruy Castro

O Brasil já picou?

Por Ruy Castro

 

Em inglês, diz o Webster, o verbo “to peak” significa adquirir forma aguçada, aguda, afiada. Vem do substantivo “peak” — o pico de uma montanha, o pináculo, o mais alto grau de excelência. Enfim, “to peak” seria atingir o máximo possível. Para as revistas inglesas de música pop, é a melhor colocação que uma canção atingiu nas paradas. Exemplo: a canção tal “peaked” em 2º lugar.
Em português, não há um equivalente tão conciso. Precisamos de todas as palavras acima para dizer o mesmo. Mas meu amigo e mestre Ivan Lessa não se perturbava: usava o verbo “picar” naquela acepção. Certo dia, arriscou: “Não sei quando, mas acho que o Brasil já picou”. Queria dizer que, em algum momento — anos 50 ou 60, quem sabe —, o Brasil tinha chegado ao máximo que sua história permitiria. Se não aproveitamos, pior para nós. A partir dali, era descer a ladeira.

Os países picam, sem dúvida. O Egito picou há 4.000 anos; a Grécia, há 2.000. Inglaterra e França já picaram há muito. Ultimamente, o Japão e, talvez, os próprios EUA. A Alemanha está perto. A China, ainda não. Só que aqueles países picaram em 1º lugar. Quanto a nós, não sei se, quando picamos, estávamos sequer entre os dez.

Neste momento, a tibieza econômica do país, a inflação, os calotes e as mentiras oficiais estão fazendo com que muitas “múltis” desanimem de botar seu dinheiro aqui. A própria Petrobras ficou assustadora para os gringos: como fazer negócios com uma empresa comandada por gatunos e sob a vista grossa do poder? Nem o futebol escapa: a Europa deixou de se interessar pelos nossos jogadores — só pensam na farra e, tecnicamente, deixaram de ser melhores do que os europeus.

Tentando ser otimista, pode ser que o Brasil esteja brincando de pique-esconde com o mundo — enquanto prepara uma surpresa.

 

Postado aqui, na folhadesaopaulo.com

 

0

“Cerco conservador”, “golpe da mídia” e “golpe do Judiciário” para justificar o injustificável

Cientista político Sérgio Fausto
Cientista político Sérgio Fausto

Brasil e Argentina, inquietantes semelhanças

Por Sérgio Fausto

 

Dilma Rousseff apenas inicia, ao passo que Cristina Kirchner está por terminar seu segundo mandato presidencial. Apesar disso, Brasil e Argentina parecem, ambos, viver o encerramento de um ciclo político de mais longa duração. Em que pesem claras diferenças,há inquietantes semelhanças nos processos políticos experimentados pelos dois países sob o lulopetismo e o peronismo kirchnerista. A maior delas reside em que, a despeito de quase tudo indicar o esgotamento dos respectivos projetos políticos, não se verifica a articulação clara de alternativas à altura das melhores aspirações de renovação das instituições políticas e da cultura democrática nos dois países.

No Brasil, depois de quase vencer as eleições de outubro, o PSDB mostra-se até aqui incapaz de imprimir diretriz consistente à oposição democrática e menos ainda de estabelecer interlocução mais ampla com os atores sociais insatisfeitos com o status quo. Na Argentina, a oposição segue fragmentada e são grandes as chances de vitória, nas eleições de outubro, de um candidato que apenas atenue o pathos discricionário do kirchnerismo. Não é improvável que no país vizinho ocorra a reconciliação pós-eleitoral da “família peronista”, com Cristina e seus próximos em posição subalterna, mas sem ruptura com as práticas que caracterizaram seu governo e o de seu marido.

Em ambos os países se acumularam problemas econômicos decorrentes de erros de concepção e implementação de políticas públicas. Eles têm magnitudes diferentes porque na Argentina o “experimento desenvolvimentista” teve mais tempo e menores freios para seguir em frente. O Brasil encontra-se estrutural e conjunturalmente em melhor situação, mas não cabe ter ilusões: há pelo menos um ano a deterioração da economia brasileira surpreende pela velocidade e a tendência por ora não foi estancada, muito menos revertida.

Dilma Rousseff e Cristina Kirchner
Dilma Rousseff e Cristina Kirchner

Os problemas políticos, se não produzidos, ao menos agravados sob o lulopetismo e o kirchnerismo, são ainda maiores: personalismo da liderança, beirando o culto à personalidade; aparelhamento do Estado para fins partidários; entrelaçamento promíscuo de interesses políticos e empresariais.

Ao início, o kirchnerismo exibiu feições de uma versão moderna e progressista do peronismo. O governo de Néstor Kirchner deu resposta eficaz às expectativas de recomposição da capacidade de governo na esteira da crise brutal que atingiu a Argentina em 2001/2002. No plano econômico, com Roberto Lavagnano Ministério da Fazenda, reestruturou a impagável dívida externa do país e definiu uma política econômica apta a controlar a inflação e retomar o crescimento, aproveitando o vento de cauda soprado pela alta das commodities. No social, lançou programas de transferência de renda para reduzir a pobreza então crescente, ao passo que o mercado de trabalho começava a se beneficiar da retoma da economia. No político, buscou alianças fora de seu grupo político e colocou no topo da agenda o acerto de contas judicial com as violações dos direitos humanos durante a ditadura militar.

Em 2006, porém, o kirchnerismo sofreu uma mutação ativando genes presentes em seu DNA peronista, até então atenuados: o “transversalismo político” dos primeiros anos cede lugar à lógica do “nós” contra “eles”; a necessária recomposição da capacidade de governar, esfacela-da pela crise, transforma-se em obsessiva procura por concentrar poderes na presidência e exercê-los de forma cada vez mais intrusiva e discricionária; com a saída de Lavagna, a condução da economia e dos negócios do Estado passa a submeter-se a objetivos políticos e eleitorais de curto prazo e a subordinar-se à estratégia de perpetuação do kirchnerismo no poder, sob Néstor ou Cristina. Cresce a manipulação de dados públicos sobre a economia e o Estado é posto a serviço do governo e do grupo político dominante, sob uma ideologia nacional-estatista.

Adeptos veem nessa “mutação” uma resposta necessária a um suposto “cerco conservador” que se armava contra o governo à medida que se revelavam a extensão e a profundidade das mudanças “progressistas” pretendidas pelo kirchnerismo. Além de se apoiar num “erro cronológico” — a “mutação” se dá antes do conflito com os produtores rurais, que a mesma narrativa assinala como o marco inaugural do suposto “cerco conservador” —, o argumento mostra a carga genética potencialmente antidemocrática de um certo “progressismo” em voga na América Latina.

Nos limites deste artigo é impossível uma comparação cuidadosa do lulopetismo com o kirchnerismo. Mas ao leitor atento não escaparão semelhanças inquietantes, entre elas o recurso insistente ao argumento do “cerco conservador” e seus derivados, como “o golpe da mídia”, agora desdobrado, lá e cá, no “golpe do Judiciário”, para justificar o que é injustificável sob uma ótica política progressista (sem aspas). Como pode ser progressista uma força política cuja ação solapa as bases institucionais e culturais de vida democrática?

Há diferenças significativas entre as forças que dominaram a política no Brasil e na Argentina nos últimos 12, 13 anos. Em favor do lulopetismo, reconheça-se sua maior racionalidade e capacidade de composição. A diferença principal, porém, não é intrínseca, é extrínseca às duas forças políticas. Ela reside em especial na maior qualidade das instituições brasileiras. Vamos precisar delas agora, mais que nunca, para navegar e superar a crise em que o País se encontra.

Todavia, se nos oferecem as regras para a solução pacífica dos conflitos, as instituições não podem, por si mesmas, suprir a falta de uma liderança política coletiva que defina novos caminhos. Com o governo enredado nas mentiras da campanha eleitoral e no escândalo da Petrobrás, cabe fundamentalmente às forças de oposição indicar e construir esses caminhos.

 

Publicado aqui, no estadão.com

 

0

Diplomacia de Dilma conduz o Brasil à irrelevância internacional

André Gustavo Stumpf
Jornalista André Gustavo Stumpf

Subdesenvolvimento

Por André Gustavo Stumpf

 

O Brasil tem instituições centenárias que funcionam com regularidade ao longo da história do país. Uma delas é o Ministério de Relações Exteriores, chamado de Itamaraty, que possui um corpo de funcionários selecionados em concurso duríssimo e que, durante a carreira, são obrigados a estudar e a prestar exames internos para alcançar os postos mais elevados, cujo ápice é o de embaixador. Outras instituições centenárias são o Exército, a Igreja Católica e o sistema de coleta de impostos.

Essas instituições têm em comum o fato de auxiliar, cada uma na sua medida, a construção do país como ele é hoje. Os pontos em comum que existiam, por exemplo, entre o Norte e o Sul do Brasil, na época da Independência, eram, além do idioma, a presença de militares, de padres e do coletor de impostos. Todos contribuíram para união nacional. A diplomacia providenciou a anexação do Acre, de parte da Guiana Francesa, que hoje é o Amapá, e uma fatia do Paraguai, hoje integrada ao Mato Grosso.

O Brasil é o único país do continente que não apenas manteve a dimensão anterior ao tempo da colônia, como aumentou a área. A maioria dos países vizinhos perdeu parte do território. A Colômbia, por exemplo, perdeu o Panamá para os norte-americanos, que queriam construir o canal. A Argentina, que integrava o vice-reinado do Prata, foi desmembrada. Peru e Chile até hoje se acusam, juntamente com a Bolívia, pela guerra do Pacífico. Arica era uma cidade peruana. E Antofagasta pertencia a Bolívia. Hoje, as duas são do Chile.

Dilma pôs o Itamaraty na geladeira
Dilma pôs o Itamaraty na geladeira

A questão é que a diplomacia brasileira já foi exemplo para diversos países. Até hoje, jovens diplomatas estrangeiros vêm a Brasília frequentar os cursos especializados proporcionados pela Casa de Rio Branco. Ocorre que a presidente Dilma Rousseff não gosta da diplomacia, não aprecia o debate e despreza a política de longo prazo. Colocou o Itamaraty numa geladeira feroz. Pratica uma política meio bolivariana, sem aparente sentido prático, que atrela o país aos interesses da Argentina e na posição de socorrer a Venezuela.

O Brasil sumiu dos fóruns internacionais. Deixou de ser relevante. A aproximação entre Estados Unidos e Cuba, que seria assunto de interesse nacional, chegou aqui como notícia de jornal. Os dois protagonistas recorreram ao auxílio da diplomacia canadense e do Vaticano para colocar os primeiros pontos que permitiram a divulgação da perspectiva de acordo e reconhecimento de relações estáveis. Essa é a notícia mais importante para as Américas. Espécie de queda do muro de Berlim tropical.

Mas o protagonismo do Brasil foi inexistente nesse caso. O país possui apenas um acordo bilateral, com Israel. O Chile tem 21. O Peru tem 16. O México, 13 e a Colômbia, 12. Esses acordos concedem segurança aos investidores, exportadores e importadores. A China tem 130, Rússia 73 e Índia 84. Por decisão do Palácio do Planalto, a diplomacia esperou em vão pelo sucesso da rodada de Doha, que não aconteceu. E negocia ao lado da Argentina, acordo com a União Europeia. Não funciona.

O comércio exterior brasileiro, que já foi um luminoso sinal de prosperidade — chegou a um saldo positivo de US$ 46 bilhões —, agora, produz déficits. E os nossos vizinhos argentinos assinaram acordo de preferência com os chineses que rapidamente ocuparam o mercado do país e empurraram os produtos nacionais para fora das prateleiras. O voluntarismo não funciona na política interna nem na política externa.

O país não tem presença forte nem a sua região. Os países da área do Pacífico, Colômbia, Chile, Peru e México se acertaram com os tigres asiáticos e seus vizinhos. Abriu-se nova rota de comércio. Os diplomatas olham para isso com certa melancolia. Foram relegados a segundo plano. Embaixadas e consulados brasileiros estão sendo acionados porque não pagam as dívidas. Em Nova York, perderam as vagas de garagem por falta de pagamento.

Além de questão prática — falta de dinheiro —, inexiste a vontade política de exercer algum protagonismo na política internacional. Representantes brasileiros deixaram de frequentar as negociações e os seminários mais importantes. O país diminuiu de tamanho e deixou de ter acesso a informações importantes para orientar o desenvolvimento. No caso, não basta ter bom ministro de Relações Exteriores. É preciso rever objetivos, traçar metas e retomar o antigo protagonismo. No caso, está em vigor a velha máxima de Nelson Rodrigues: “Subdesenvolvimento não se improvisa”.

 

Publicado aqui, no Blog do Murilo

 

0

Oremos!!!…

O espaço para charges no blog é do José Renato e ninguém tasca. Mas, findo o carnaval e diante à quaresma, a charge do Chico Caruso estampada hoje na capa impressa de O Globo, merece o registro virtual. Afinal, ainda é possível rir das nossas próprias desgraças…

 

 

Charge Chico Caruso 21-02-15

 

0

Não é porque Dilma mentiu antes e deu certo, que mentir agora continuará dando

“A própria Presidente entrou na campanha de propaganda defensiva, aceitando a tática infamante da velha anedota do punguista que mete a mão no bolso da vítima, rouba e sai gritando ‘pega ladrão’!”

(Fernando Henrique Cardoso, sociólogo e ex-presidente, cuja íntegra do pronunciamento pode ser conferida aqui, na democracia irrefreável das redes sociais)

 

Jornalista e blogueiro Ricardo Noblat
Jornalista e blogueiro Ricardo Noblat

Dilma reaparece zombando da inteligência alheia

Por Ricardo Noblat

 

De que adiantou a presidente Dilma ter ficado quase dois meses sem responder a perguntas de jornalistas para ao fim e ao cabo romper seu silêncio dizendo um monte de sandices? Perdeu uma oportunidade de ouro de permanecer calada.

A maioria dos brasileiros não a perdoa por ela ter mentido tanto durante a campanha que a reelegeu. Tudo o que ela disser daqui para frente será recebido com desconfiança. Pois bem: assim que pôde, Dilma voltou a zombar da inteligência alheia.

O que resta demonstrado depois de tantos meses de investigação sobre a roubalheira na Petrobras? Que diretores e gerentes, alguns nomeados ainda por Lula, montaram uma formidável máquina de arrancar dinheiro de empreiteiras para financiar partidos.

Quando tudo isso começou? No primeiro governo Lula. Pedro Barusco, ex-gerente da Petrobras, confessou ter sido subornado por uma empresa holandesa ainda no período de Fernando Henrique Cardoso na presidência. Mas esse foi um fato isolado como ele mesmo reconheceu.

GoebbelsA corrupção organizada e envolvendo funcionários e empreiteiras a serviço da Petrobras só deu sinal de vida na Era  PT. Daí… Daí como é possível que Dilma cometa o descaramento de atropelar a verdade para tentar repartir a culpa do PT com o PSDB de FHC?

Isso só tem um nome: desonestidade intelectual.

Como na campanha, Dilma imagina sair no lucro repetindo mentiras até que elas acabem aceitas como verdades. Não é por que o truque deu certo antes que dará certo outra vez.

De que adiantou a presidente Dilma ter ficado quase dois meses sem responder a perguntas de jornalistas para ao fim e ao cabo romper seu silêncio dizendo um monte de sandices? Perdeu uma oportunidade de ouro de permanecer calada.

A maioria dos brasileiros não a perdoa por ela ter mentido tanto durante a campanha que a reelegeu. Tudo o que ela disser daqui para frente será recebido com desconfiança. Pois bem: assim que pôde, Dilma voltou a zombar da inteligência alheia.

O que resta demonstrado depois de tantos meses de investigação sobre a roubalheira na Petrobras? Que diretores e gerentes, alguns nomeados ainda por Lula, montaram uma formidável máquina de arrancar dinheiro de empreiteiras para financiar partidos.

Quando tudo isso começou? No primeiro governo Lula. Pedro Barusco, ex-gerente da Petrobras, confessou ter sido subornado por uma empresa holandesa ainda no período de Fernando Henrique Cardoso na presidência. Mas esse foi um fato isolado como ele mesmo reconheceu.

A corrupção organizada e envolvendo funcionários e empreiteiras a serviço da Petrobras só deu sinal de vida na Era  PT. Daí… Daí como é possível que Dilma cometa o descaramento de atropelar a verdade para tentar repartir a culpa do PT com o PSDB de FHC?

Isso só tem um nome: desonestidade intelectual.

Como na campanha, Dilma imagina sair no lucro repetindo mentiras até que elas acabem aceitas como verdades. Não é por que o truque deu certo antes que dará certo outra vez.

 

Publicado aqui, no Blog do Noblat

 

0

Negritude com fantasia de brilho — Risco de facilitar o que se condena, como o Brasil

Historiador da África e professor da Bradeis University, nos EUA
Historiador da África e professor da Bradeis University, nos EUA

Um regime brutal que tenta comprar amigos

Por Ibrahim Sundiata

 

A Beija-Flor ganhou!!! E aí?

Sou historiador da África, especialista em Guiné Equatorial e autor do livro “Equatorial Guinea: Colonialism, State Terror and the Search for Stability” (“Guiné Equatorial: colonialismo, terror de Estado e a busca por estabilidade”).

Por coincidência, estou no Brasil no momento em que o país doou R$ 10 milhões para esta escola de samba. A regra sanguinária do presidente Teodoro Obiang Nguema resiste há mais de 35 anos.

Ele chegou ao poder depois de derrubar seu tio e posteriormente fuzilá-lo. Naquela época, eu me encontrava em uma breve prisão domiciliar, por ordem de seu tio.

O brutal, mas rico, regime controla um país cheio de petróleo e gás natural, sendo o terceiro maior produtor de petróleo da África. Infelizmente, um país que poderia ser o “Kuwait da África” é um lugar de baixo padrão de vida (mais de 60% da população sobrevivem com menos de um dólar por dia) e sob um severo governo autoritário.

Agora, a ditadura patrocinou a Beija-Flor. Com grande luxo, plumas e lantejoulas, centenas desfilaram, cantando louvores e homenagens ao país.

Etnias, como benga e fang, foram apresentadas, assim como um conjunto de foliões representou vários colonizadores europeus. Magia e maravilhas do passado estavam reunidas no Sambódromo. Esta foi a “cara feliz” de uma triste autocracia.

Mas houve uma “ofensiva de charme” anterior que os brasileiros podem não ter ouvido falar. Em 2012, centenas de afro-americanos foram convidados a Malabo, a capital, para uma conferência de uma semana.

O grupo, do qual eu fazia parte, foi mimado e festejado. Correram ainda rumores de que o presidente daria cidadania aos negros americanos em seu pequeno país. A mídia local repetiu várias vezes que o país seria o novo eixo da diáspora negra entre as Américas, a Europa e a África.

Hinos de louvor sem fim eram cantados, nos meios de comunicação, para o líder do regime, embora a sua presença, bem guardada, raramente fosse notada. Em um coquetel, o filho do ditador entrou com uma enorme comitiva. (Mais tarde fui informado de que tem uma das maiores coleções do mundo de memorabilia de Michael Jackson). Negritude com uma fantasia de brilho não é substituto para justiça social e liberdade política.

Mas algo não estava certo. A reunião virou um ambiente claustrofóbico. Com o passar dos dias, cada vez menos participantes se fizeram presentes às palestras. Finalmente, a organizadora do evento pegou um avião e foi embora — antes mesmo dos convidados. Algumas pessoas notaram que o governo de Obama não tinha enviado representante, nem sequer uma mensagem.

Obiang Nguema ofereceu a Guiné Equatorial para a realização dos campeonatos africanos de futebol. O país continua a tentar comprar amigos, apesar de organizações como a Anistia Internacional o denunciarem. O dinheiro fala mais alto quando a consciência não o faz. No ritmo em que vamos, podemos até esperar uma eventual Olimpíada na Coreia do Norte.

O que fazer? Devemos criticar, especialmente quando os beneficiários do dinheiro dos ditadores desconhecem o funcionamento dos regimes que lhes pagam?

Uma condenação eloquente vem do ganhador do Prêmio Nobel, o nigeriano Wole Soyinka. Ele vê os atuais déspotas africa nos como os descendentes dos caçadores de escravos do passado.

Soyinka foi criticado. Fazendo analogias entre traficantes de escravos e ditadores atuais podemos estereotipar um continente? No entanto, ele e eu diríamos que as pessoas reprimidas são mais importantes do que os regimes que as reprimem.

Devemos evitar qualquer tendência para permitir que os autoritários usurpem a nossa negritude; se cedermos à tendência, incorreremos no risco nos tornarmos facilitadores passivos das desigualdades que nós condenamos em outros lugares — como o Brasil.

 

Publicado aqui, no Blog do Noblat

 

0

Carnaval campeão: “É um dinheiro que o presidente e sua família roubaram do povo”

Por Mariana Sanches

 

SÃO PAULO — “O carnaval da Beija-Flor é um insulto para o povo da Guiné Equatorial” A afirmação é do principal defensor dos direitos humanos do país, o guinéu-equatoriano Tutu Alicante. Ele diz que 75% da população de 1,6 milhão de pessoas vivem com apenas dois dólares por dia e não têm acesso à água limpa ou à saúde. Nada disso foi para a avenida na madrugada de terça-feira, quando a escola desfilou as “belezas” da Guiné Equatorial. Alicante é ele mesmo uma das vítimas do regime. Aos 19 anos, a casa em que vivia com a família foi queimada por forças do governo Obiang. Aos 41 anos, tornou-se o principal crítico internacional do regime, fazendo denúncias que levaram o ditador a ser investigado nos EUA, na Itália, França e Espanha. Da sede de sua organização, em Washington, ele falou ao Globo por telefone.

 

Tutu Alicante, positor refugiado da ditadura africana companheira do PT: “Não há jornais lá. Não existe imprensa livre na Guiné. O Facebook é bloqueado” (foto: arquivo pessoal)
Tutu Alicante, positor refugiado da ditadura africana companheira do PT: “Não há jornais lá. Não existe imprensa livre na Guiné. O Facebook é bloqueado” (foto: arquivo pessoal)

 

O governo da Guiné Equatorial teria doado R$10 milhões à Beija-Flor. Como o senhor vê esses rumores?

Isso é um insulto para o povo da Guiné Equatorial, porque é um dinheiro que o presidente e sua família roubaram da população. É um governo que trata os recursos naturais do país e o lucro que vem deles como se fossem dinheiro privado, deles. Esse dinheiro deveria ir para as coisas mais básicas, como tratamento de água, creches, hospitais, casas para os mais pobres. Em vez disso, o presidente doa os recursos para o samba brasileiro. Ele não dá a mínima para o samba, na verdade. A Beija-Flor foi só mais uma peça de propaganda da ditadura dele.

 

As pessoas em Guiné Equatorial já sabem o que aconteceu?

Não há jornais lá. Não existe imprensa livre na Guiné. As pessoas não sabem o que está acontecendo nem oficial nem extraoficialmente. Não existe nenhuma rádio ou emissora de televisão livres. Aliás, a principal emissora pertence ao presidente. As pessoas da diáspora é que têm postado notícias sobre isso nas redes sociais, mas os guineenses não têm acesso a isso porque o Facebook é bloqueado, assim como a maior parte dos sites de informação.

 

Em contraste com a família do presidente, como vive um cidadão médio do país?

O presidente Obiang tem pelo menos 17 palácios. O país tem o maior PIB per capita da África, por conta do petróleo. Mas pelo menos 75% da população não têm onde morar, não estuda, não têm água limpa. Se ficar doente, morre. Medicamentos mais básicos, como os de malária, são inacessíveis. E as epidemias, constantes. Eles vivem de refeição em refeição. A cada dia precisam lutar para conseguir os dois dólares com os quais poderão comer no dia seguinte, e assim sucessivamente. Há uma única universidade no país, a Universidade Nacional, em que não há alunos porque os prédios não têm eletricidade, não há livros nem recursos para fazer a universidade funcionar.

 

Quais as violações aos direitos humanos que acontecem hoje?

Enquanto conversamos agora há alguém sendo torturado na Guiné Equatorial. Não sabemos quantas vítimas em 35 anos. Mas nos últimos dois ou três anos, pelo menos 60 mil pessoas foram sequestradas, executadas ou torturadas. Todo dia alguém tem seus direitos violados, sobretudo nas prisões. E o país mantém a pena de morte, contrariando promessa que fez aos países de língua portuguesa. A pena de morte pode ser imposta a qualquer um que cometa um crime capital. O tribunal de Justiça também está sob jugo de Obiang, então, no limite, morre quem ele decidir que deve morrer.

 

Como a família Obiang opera seus esquemas de corrupção?

Todos os membros da família Obiang ocupam cargos no governo: filhos e filhas, sobrinhos e sobrinhas, cunhados e cunhadas. É um sistema nepotista de lavagem de dinheiro. Os casos mais notórios envolvem o confisco de uma mansão em Malibu, avaliada em US$ 100 milhões. Essa mansão teria sido comprada com o dinheiro depositado por empresas que exploram os recursos do petróleo em uma conta do Tesouro Nacional da Guiné Equatorial. O presidente, seu filho Teodorín e um sobrinho fizeram depósitos da conta do Tesouro para suas contas bancárias pessoais. Cada membro da família possui uma empresa. São quase todas de fachada. Mas são elas que prestam serviços para o governo.

 

Onde a família possui bens?

Eles têm mansões nos EUA, navios no Panamá, recentemente tentaram comprar o iate mais caro do mundo, na Alemanha. Além disso, possuem propriedades em Cingapura, França, Espanha, China, África do Sul, Marrocos e algumas no Brasil.

 

Publicado aqui, na globo.com

 

0

Ditadura da Guiné cai no samba e na mira do MPF brasileiro

 

Filho do ditador da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang Nguema, seu filho e vice-presidente Teodoro Nguema Obiang Mangue. o Tedoroín (de camisa azul), prestigiando o desfile da beija Flor num camarote vip da Sapucaí  (foto de Márcia Foletto - Agência O Globo)
Filho do ditador da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang Nguema, seu filho e vice-presidente Teodoro Nguema Obiang Mangue. o Tedoroín (de camisa azul), prestigiando o desfile da beija Flor num camarote vip da Sapucaí (foto de Márcia Foletto – Agência O Globo)

 

Por Vera Araújo

 

RIO — A doação de R$ 10 milhões para a Beija-Flor, que teria sido feita pelo ditador Teodoro Obiang, presidente da Guiné Equatorial, está sendo investigada pelo Ministério Público Federal (MPF). As novas versões dão conta de que o dinheiro teria vindo de empreiteiras brasileiras ou de empresas do país africano. O vice-presidente da Guiné Equatorial, Teodoro Nguema Obiang Mangue, conhecido como Teodorín, de 45 anos, filho do presidente, também é alvo de investigação do Procurador da República Orlando Monteiro da Cunha desde 2013. Em procedimento criminal instaurado pelo MPF para apurar crime de lavagem de dinheiro por parte de Teodorín, foi possível identificar que o filho do ditador tem pelo menos oito veículos de luxo no Brasil, entre eles um Lamborghini Aventador, um Maserati e um Porsche Cayenne, totalizando cerca de R$ 30 milhões, além de imóveis de luxo no país.

— A suposta doação destinada à Beija-Flor será analisada dentro do contexto deste procedimento criminal iniciado em 2013, em colaboração com as Justiças dos Estados Unidos e da França. Descobrimos que Teodorín adquiriu bens imóveis e móveis de altíssimo valor em território nacional, o que sugere uma situação típica de lavagem de dinheiro no Brasil, ou seja, ocultação de bens provenientes de recursos ilícitos. A investigação encontra-se sob sigilo, pois estamos aguardando documentos oriundos de países que já confiscaram os bens dele, para poder pedir medidas judiciais mais severas — disse o procurador.

 

Apartamento de luxo em SP

Na realidade, o filho do ditador leva no Brasil o mesmo estilo de ostentação que tem na França e nos Estados Unidos. O MPF descobriu que ele tem imóveis de luxo, como uma cobertura de 1.500 metros quadrados no edifício L’Essence, no bairro dos Jardins, em São Paulo, cujo valor estaria em torno de R$ 56 milhões, além de um apartamento de luxo no Rio.

 

Edifício nos Jardins, em São Paulo, de Teodorín, filho e vice-presidente do ditador da Guiné Equatorial, avaliada em R$ 56 milhões (foto: MPF - divulgação)
Edifício nos Jardins, em São Paulo, no qual Teodorín, filho e vice-presidente do ditador da Guiné Equatorial, possui uma cobertura avaliada em R$ 56 milhões (foto: MPF – divulgação)

 

A partir dos documentos de confisco de bens de Teodorín na França e nos Estados Unidos, o procurador da República pode pedir o sequestro e arresto dos carros e apartamentos do filho do ditador e até a prisão dele. Nesta quinta-feira, Orlando Cunha mandou ofícios à Polícia Federal e à Justiça francesa para saber se havia alguma ordem de captura contra Teodorín, mas soube que não havia qualquer pedido desta natureza:

— A Polícia Federal informou que Teodorín não está inserido no Sistema Nacional de Procurados e Impedidos. Já a Justiça francesa explicou que desistiu, por ora, da ordem de captura por extradição — explicou Orlando Cunha.

Foi a partir do pedido de cooperação da França e dos Estados Unidos, solicitando o confisco de uma aeronave Gulfstream G-V de Teodorín — comprada, em 2006, por R$ 38 milhões, supostamente adquirida pela prática de corrupção na Guiné Equatorial —, que a investigação começou no Brasil. Havia a informação de que o vice-presidente viria para o Rio, no período de 18 a 21 de fevereiro de 2012, durante o carnaval, o que acabou ocorrendo. Segundo o procurador da República, o avião foi apreendido por decisão da 10ª Vara Criminal Federal e, no ano seguinte, instaurado o procedimento criminal para apurar o crime de lavagem de dinheiro. Nos Estados Unidos, segundo Orlando Cunha, Teodorín acaba de perder para a Justiça americana uma mansão em Malibu avaliada em US$ 30 milhões. Em 2013, o filho do ditador ganhava 3.300 euros mensais, como Ministro das Florestas e Agricultura da Guiné Equatorial, salário insuficiente para o patrimônio que possui.

O procedimento investigatório no Brasil lista os 11 carros de luxo que a Justiça francesa confiscou, como um Rolls-Royce Phantom conversível, um Aston Martin Le Mans, entre outros, além de um relógio Piaget Polo decorado com 498 diamantes, avaliado em 598 mil euros, e um prédio de 5 mil metros quadrados em Paris. Nos Estados Unidos, segundo as investigações, ele e a família acumularam US$ 700 milhões em apenas uma das nove instituições financeiras americanas (Riggs Bank), entre 1998 e 2004.

Durante sua estada no Rio, entre sábado e quarta-feira, Teodorín só deixou o Copacabana Palace por algumas horas, para ir ao Sambódromo nas noites de domingo e segunda, e para o jantar no restaurante Mariu’s, na terça. O filho do ditador passou a maior parte do tempo em sua suíte da cobertura do hotel.

 

Publicado aqui, na globo.com

 

0

Lula foi abre-alas de Dilma para empreiteiras do Petrolão na ditadura da Guiné Equatorial

Jornalista e escritor Merval Pereira
Jornalista e escritor Merval Pereira

Tudo a ver

Por Merval Pereira

 

O fato de “empresas (leia-se empreiteiras) brasileiras” com negócios na Guiné Equatorial terem financiado a escola de Samba Beija-Flor, campeã do Carnaval carioca, é apenas um dos pontos de contato entre esse escândalo e aquele outro, o petrolão. Segundo delações premiadas de dirigentes de empreiteiras presos, parte do dinheiro desviado da Petrobras voltava para o PT em forma de doações legais.

Essa maneira de lavar o dinheiro foi utilizada pelas empreiteiras que atuam na Guiné Equatorial para financiar a Beija-Flor em R$ 10 milhões, na tentativa de tornar o apoio da ditadura daquele país mais palatável à opinião pública.

A Odebrecht negou que tenha participado dessa vaquinha, e informou que não tem obras na Guiné Equatorial, de onde saiu em 2014. No entanto, após a visita de Lula em 2011, como representante da presidente Dilma, a empreiteira brasileira entrou no mercado de obras públicas na Guiné Equatorial e chegou a ser considerada favorita para a construção de uma capital administrativa.

Na ocasião, Lula levou na comitiva oficial o diretor de novos negócios da Odebrecht, Alexandrino Alencar, que, (não) por acaso, também está envolvido no petrolão. O ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa contou ter recebido US$ 23 milhões da Odebrecht numa conta aberta na Suíça. Alexandrino Alencar tinha contato constante com o doleiro Rafael Angulo Lopez, que trabalhava com Yousseff, e a polícia suspeita que o intermediário do suborno a Costa tenha sido Alencar.

A Operação Lava Jato está investigando as diversas empresas da Odebrecht pelo mundo e os procuradores acreditam que elas foram utilizadas para o pagamento de subornos, sem que o dinheiro possa ser traçado nos bancos brasileiros.

As estripulias da família Obiang no Brasil não são poucas. Além das festas que o filho do ditador Teodorin promove em seus apartamentos no Rio ou em São Paulo, ele parece receber tratamento especial no Brasil. Conseguiu escapar da Polícia Francesa em 2013 quando estava em Salvador e o tradicional bloco Ilê Aiyê homenageou a Guiné Equatorial, antecipando-se à Beija-Flor.

O vice-presidente Teodorin Nguema Obiang Mange teve mandado de prisão expedido pelo governo da França por lavagem de dinheiro e desvio de recursos públicos estrangeiros, mas fugiu no avião oficial de seu país antes que a Polícia baiana cumprisse o mandato de prisão.

O pai, Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, é o ditador africano mais antigo. A riqueza em petróleo contrasta com a miséria de seu povo: sete de cada dez habitantes (600 mil) sobrevivem com renda inferior a US$ 2 por dia, segundo o Banco Mundial. A desnutrição domina 39% das crianças com menos de 5 anos, mas o ditador é dos 10 governantes mais ricos do mundo segundo a revista Forbes.

Mas o Brasil não ajudou Guiné Equatorial a montar uma espécie de Fome Zero por lá. Foi a este país que o Brasil de Dilma concedeu anistia de 80% da dívida de R$ 27 milhões. A explicação oficial é que o fluxo comercial entre o Brasil e a Guiné Equatorial saltou de US$ 3 milhões em 2003 para cerca de US$ 700 milhões atualmente. A anistia, na verdade, foi um gesto político, por que a dívida não representa grande coisa para os dois países.

Especialmente para os Obiang, cujo herdeiro Teodorin gastou o dobro dessa soma em uma única noite na Christie’s, em Paris, em 2009, durante o leilão da coleção de arte de Yves Saint Laurent e Pierre Bergé. A relação da Guiné Equatorial com o Brasil vem se estreitando tanto desde o governo Lula que o ditador Obiang deseja tornar o português língua oficial no país, que foi colonizado pela Espanha. E o Brasil apóia essa palhaçada querendo que a Guiné Equatorial faça parte da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.

Segundo definição do jornal espanhol El País, baseado em notícias oficiais da chancelaria espanhola, fazer negócios com o clã familiar de Teodoro Obiang é arriscado. “O pagamento de comissões é obrigatório e as disputas comerciais, muitas vezes fictícias, derivam, às vezes, em extorsão, ameaças e em perda do investimento para salvar a vida. (…) Este sistema corrupto impregna até o último rincão da administração guineana”.

Com todo esse histórico de truculência com corrupção, não é de espantar que o escândalo da Guiné Equatorial tenha correlação com o do petrolão em algum momento, e que “empreiteiras brasileiras” tenham decidido homenagear ditadores tão reconhecidos internacionalmente. Sob a benção dos governos petistas.

 

Publicado aqui, no Blog do Merval

 

0

Porta bandeira e mestre sala

“O Brasil não existe. Nosso carnaval virou uma indústria, uma plataforma para gerar celebrizações. Vivemos num mundo em que as pessoas se tornaram celebridades antes dos feitos. A Beija-Flor vendeu seu prestígio para um ditador africano”

(Roberto da Matta, antropólogo)

 

Em 2008, Lula estendeu a mão para receber o ditador da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang Nguema. Segundo Fran Ségio, carnavalesco da Beija-Flor, os R$ 10 milhões para patrocinar  carnaval campeão da escola de Nilópolis, tendo a Guiné Equatorial como tema, vieram de empreiteiras brasileiras que atuam junto à ditadura africana, como Odebrecht e Quieroz Galvão, envolvidas até a medula no Petrolão. Obiang, que tem seu filho como vice-presidente, está há 35 anos no poder
Em 2008, Lula estendeu a mão para receber o ditador da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang Nguema. Segundo Fran Ségio, carnavalesco da Beija-Flor, os R$ 10 milhões que patrocinaram o desfile da escola de Nilópolis em 2015, campeão com a Guiné Equatorial como tema, vieram de empreiteiras brasileiras que atuam junto à ditadura africana, como Odebrecht e Queiroz Galvão, envolvidas até à medula no Petrolão. Obiang, que tem seu filho como vice-presidente, está há 35 anos no poder

 

0