Nelson Nahim — Destino de Campos nas mãos dos 17 vereadores
Se a última entrevista de Nelson Nahim à Folha, publicada em 15 de agosto, serviu para evidenciar que a eleição a presidente da Câmara definiria também o ocupante da Prefeitura, nesta nova entrevista com o chefe interino do Executivo, e presidente já reeleito do Legislativo, o principal é constatar que o destino de Campos continua, mais do que nunca, nas mãos dos seus 17 vereadores. Sabatinado na última sexta, na manhã seguinte à decisão do TSE que deve determinar a eleição suplementar para 2011 e de maneira indireta, Nahim, como todos, tem mais dúvidas do que certezas sobre o novo pleito numa cidade que forma jurisprudências. Eleição direta ou indireta, ele revela o motivo do convite a Abdu Neme para compor sua chapa: o PSB tem a maior bancada de vereadores.

Folha da Manhã – Na última entrevista que fizemos (aqui), há pouco mais de um mês, você disse que não havia base legal para o pleito suplementar à Prefeitura ser indireto. Mudou tudo com a decisão de ontem do TSE, de não vai permitir mais eleição suplementar a partir de 1º de julho do ano da eleição geral?
Nelson Nahim – Eu, em primeiro lugar, acho que a eleição tinha que ser direta. Acho que qualquer político tem que estar referendado pelo voto popular. Mas com essa decisão do TSE, nós vamos ter que aguardar; há até dúvidas em relação a isso, se cabe ao TRE marcar a eleição na Câmara, se cabe à Câmara marcar eleição e nós teremos eleições ano que vem…
Folha – Indiretas?
Nahim – Indiretas, não tem outra alternativa, muito embora eu ache que o correto seria ter eleição direta, dá mais legitimidade. Não que a Câmara não dê, mas dá mais legitimidade quando o voto é popular.
Folha – Mas, em sendo ano que vem, há possibilidade dela ser direta?
Nahim – Direta, não, porque há artigo da Constituição que determina que se entrar no terceiro ano de mandato, a eleição não será de forma direta. Fatalmente, ela será realizada pela Câmara.
Folha – Ao defender o pleito suplementar ainda para 2010, o próprio presidente do TRE, Nametala Jorge, declarou fazê-lo por temer que se ficasse para 2011, terceiro ano de mandato, a escolha do novo prefeito poderia ficar restrita apenas ao voto dos 17 vereadores.
Nahim – Exatamente isso, e eu concordava plenamente com ele, já que o pleito, quando ele é feito de forma direta, ela dá mais legitimidade para que, efetivamente, a população possa escolher livremente entre todos aqueles que se apresentarem. Mas, como houve essa decisão do TSE, eu creio que não vai haver outra alternativa, se não fazer a eleição pela Câmara.
Folha – No caso de uma eleição indireta, alguém como você, vereador e presidente da Câmara quatro vezes, não sai com grande vantagem dentro de um colégio eleitoral que conhece tão bem?
Nahim – Sim, mas é o que determina a lei (risos), que vai restrita ao conjunto de vereadores a escolha do próximo prefeito. Óbvio que levo uma certa vantagem pelo bom relacionamento que eu sempre tive, pela minha postura enquanto presidente da Câmara, é inegável. Tanto que ocorreu a eleição anterior da Câmara e eu fui eleito por unanimidade e agora de novo por unanimidade. Então, cabe a cada um votar de acordo com o seu entendimento do que for melhor para a cidade.
Folha – Além de você, outros candidatos a prefeito já declarados à eleição suplementar, como os vereadores Marcos Bacellar (PTdoB), Odisséia Carvalho (PT) e Abdu Neme (PSB), sem contar possíveis postulantes do PDT, como Ilsan Vianna e Dante Lucas (caso Arnaldo não possa concorrer), não sairiam também dessa mesma vantagem teórica numa eleição indireta? Qual deles conhece a Câmara e seus caminhos tão bem quanto você?
Nahim – Não sei, eu sei que eu conheço bem o Legislativo pela posição que ocupei durante esses anos todos. Cada um tem o seu direito de procurar o caminho que achar melhor para procurar o voto dos vereadores. Eu vou fazer a minha parte. Se isso vier a ocorrer, eu não estou preocupado com eleição, estou preocupado em administrar a cidade. Eu acho que o que a cidade espera do gestor, principalmente na minha situação, não é ficar preocupado com campanha. Mas a hora que isso for colocado, eu também vou fazer o meu trabalho, no sentido de conversar com todos os colegas vereadores e postular que eu possa continuar ocupando a cadeira de prefeito, pelo menos até o final deste mandato.
Folha – Falei há pouco em Abdu. Como estão as negociações com o PSB para se concretizar o convite que você fez a ele para ser seu vice? Muda alguma coisa com a possibilidade de eleição indireta?
Nahim – Não, não muda nada, porque eu não sou uma pessoa de mudar de opinião por causa das regras. Se eu, antes, quando a regra era distinta e esta regra agora mudou, eu não vejo porque mudar aquilo que eu pensava antes. E a escolha foi; não a escolha, mas a conversa, porque não houve escolha, partiu do princípio que o PSB é o partido de maior representação na Câmara, tem três vereadores (também Jorge Rangel e Altamir Bárbara), está na base do governo e minha relação com o vereador Abdu é muito boa. Então, há grande possibilidade disso ocorrer; como hoje também o meu relacionamento com Rogério Matoso (PPS) é muito bom. Não vejo problema nenhum o apoiamento do próprio Rogério nessa questão, principalmente se ficar restrita à Câmara.
Folha – Apoio do Rogério a você?
Nahim – Na eleição que ocorra na Câmara.
Folha – Ele então disputaria sua vice com Abdu?
Nahim – Não estou falando em cargo específico, em apoiamento a essa postulação. Abdu é de uma pretensão já determinada. Qual seja? Possível dobradinha entre mim e Abdu, prefeito e vice. Rogério com apoiamento, que tem demonstrado um interesse bom, e que as coisas transcorram com traquilidade. Não vejo nenhuma dificuldade nisso, não. Aliás, diga-se de passagem, eu obtive o voto de todos os vereadores para ser presidente da Câmara…
Folha – A gente chega lá, até porque há condicionantes diferentes entre antes e depois. Mas ainda sobre a possibilidade de aliança com o PSB, o que o PR e, sobretudo, Garotinho, que tentou e não conseguiu a mesma coisa para a eleição suplementar de 2006, acha dessa iniciativa?
Nahim – Olha, a conversa que eu tive com Garotinho, logo assim que assumi a Prefeitura e ele como presidente do partido, é que Garotinho resolve as questões partidárias, mas as questões políticas, elas deveriam também, a partir do momento em que eu assumi responsabilidade da Prefeitura, de ser também avaliadas pelo meu ponto de vista. Eu acho que a melhor forma é o diálogo e isso tem ocorrido, um diálogo extra-partidário, mas também o diálogo partidário, com Pudim, com Roberto e com o próprio Garotinho.
Folha – Sim, mas a referência é porque ele tentou fazer a mesma coisa, com Mocaiber, em 2006, e não conseguiu.
Nahim – Cada um vive um momento.
Folha – Mas você pegou a idéia dele?
Nahim – Não, a minha idéia sempre foi de conglomerar as forças políticas para o bem da cidade, independente de nomes. O mais importante é que a gente tenha um conjunto de forças políticas que possam estar se auxiliando para fazer as coisas efetivamente acontecerem.
Folha – Como você na Câmara, quem conhece muito bem os caminhos da política fluminense é o candidato a senador Jorge Picciani. Como presidente regional do PMDB, ele garantiu (aqui) que a aliança de 16 partidos para reeleger Sérgio Cabral governador, vai se reproduzir também no pleito suplementar de Campos, com forte apoio não só estadual, como federal, por parte de Dilma Rousseff, todos contra o candidato do PR. Em que isso emperra não só a coligação com o PSB (uma das 16 legendas aliadas a Cabral), como dificulta a tarefa de qualquer candidato de Garotinho?
Nahim – Eu acho que a opinião de Picciani é importante, né? Ele é uma pessoa que, particularmente, eu tenho um relacionamento particular muito bom, muito bom mesmo. Acho que é a opinião dele. Agora, eu acho que as questões nacionais não devem ser misturadas com as questões municipais. Se fosse assim, o PSB não estaria na base do governo até hoje; os vereadores do PSB estariam obviamente não apoiando a gestão municipal, o que não ocorre. Dois vereadores estavam dando o apoio integral (Jorge Rangel e Altamir Bárbara) e agora o vereador Abdu também. Então, eu acho que as questões nacionais, elas têm que ser tratadas de uma forma diferente da questão municipal. O que tem que ser levado em consideração, não é porque eu gosto ou desgosto de alguém, mas o que é melhor para a cidade. Este é meu espírito de conciliação com todos os partidos políticos e com as pessoas que compõem os partidos. O PR está na base do governo Dilma, a candidata do nosso partido é Dilma.
Folha – O PTdoB de Marcos Bacellar está na base de apoio ao PR e nunca vi ele no palanque de Garotinho. Até aí, morreu Neves.
Nahim – Então, quando a gente fala isso, eu acho que é muito simplório. A gente respeita a opinião de uma pessoa (Picciani) que tem muita bagagem política, mas que não retrata o que é necessário para a cidade de Campos.
Folha – Em relação à possibilidade do pleito indireto, você já levantou a bandeira da sua reeleição unânime a presidente da Câmara. Concorda que foi a vitória da sua costura com Rogério Matoso, que antecipou a eleição de surpresa, pegando os vereadores de Rosinha despreparados e sem opção viável aos cargos da mesa diretora?
Nahim – Eu acho que não houve isso. O que houve foi o seguinte: como a minha postura sempre foi de conciliação, de ouvir, eu logo assim que assumi a Prefeitura, eu tive um encontro com todos os vereadores, inclusive da oposição, me fizeram uma série de reivindicações, muitas das quais eu já até realizei…
Folha – Inclusive o PSF, do qual a gente pode falar mais daqui a pouco.
Nahim – PSF, máquina no interior, que já está funcionando; reajustar o auxílio alimentação, que não tinha sido reajustado; a extensão do plano de saúde a todos os servidores, um diálogo aberto com o Sepe, como aconteceu esta semana, a gente pontuando para que o plano de cargos efetivamente vá ocorrendo. Essa postura de ouvir, dialogar, facilita muito. É o que vinha acontecendo na Câ-mara comigo, enquanto presidente. Talvez a minha experiência parlamentar de bom trato, de não dividir; eu sempre fui um magistrado enquanto presidente…
Folha – A pergunta inicial não se refere só a você enquanto presidente, mas à vitória na mesa diretora como um todo.
Nahim – Sim, mas isso ocorreu fruto disso, agora se o restante daqueles que não foram eleitos, não ocorreu, é porque cada um teve que procurar seu espaço. Eu não poderia em momento nenhum, na condição de prefeito interino, influenciar diretamente na postura de alguns vereadores que entenderam diferente. Dona Penha é do partido do Rogério (PPS), Rogério era candidato, eu não posso impor a uma vereadora, principalmente numa condição em que eu estou, que ela ficasse com a, b ou c, se ela tem diretrizes partidárias para cumprir. O PSB es-tá na base do governo, não é um partido que eu tenha que determinar como que um vereador tem que votar. Eu tive que respeitar a posição do vereador Altamir (Bárbara), que pleiteava a primeira secretaria e quis votar no Rogério. A mesma coisa, o vereador Vieira Reis. Ele tem o partido dele, segue a diretriz dele, do PRB. O fato dele estar no governo não me dá o direito de obrigá-lo a votar em a, b ou c. Por isso que o resultado foi aquele que nós vimos. Agora, em momento nenhum, eu faltei com meu posicionamento. Votei nos candidatos do meu segmento político…
Folha – Você votaria em Jorge Magal (PMDB) a vice se seu voto não fosse apenas figurativo?
Nahim – Com certeza, com certeza. Declarei isso publicamente…
Folha – No Folha no Ar do dia seguinte à eleição (aqui), Albertinho (PP) ficou na dúvida (risos)…
Nahim – Cada um é que sabe e tem que fazer o seu juízo de valor, né?
Folha – Num pleito indireto, marcado pelo TRE, a surpresa dos vereadores de Rosinha não se repetirá, assim como a unidade da oposição em torno do seu nome, pelo menos não mais a partir da garantia de Rogério na vice, da cooptação de Altamir pela manutenção da primeira secretaria e da cessão da segunda a Odisséia. Apesar do mesmo tabuleiro e peças, como seria esse novo jogo?
Nahim – Com todo respeito, essa é a sua opinião, não é a minha (risos)…
Folha – A minha e de quase todos os analistas do jogo da Câmara.
Nahim – Não, tudo bem, mas não é a minha. Eu respeito a sua opinião, mas não é a minha. O que aconteceu na Câmara foi o que eu acabei de repetir: o meu bom relacionamento pessoal, independente das questões partidárias, e minha postura enquanto prefeito interino, de não influenciar de forma radical, como muitos pensam que eu tinha que obrigar, fez com que esse resultado fosse o que ocorreu. Agora, daí ao que vai acontecer numa eleição de prefeito, é uma outra situação, em que cabe a cada um de nós procurar seu espaço. Não há condicionante, que foi Rogério, foi isso, foi aquilo…
Folha – Mas, também com todo o respeito, acha mesmo que se a oposição não tivesse eleito Rogério na vice, puxado Altamir para se manter na primeira secretaria e feito Odisséia na segunda, ela ainda assim votaria com você?
Nahim – Votaria.
Folha – Se perdesse os três cargos, a oposição votaria com você?
Nahim – Pelo menos, foi o que nós tínhamos conversado. Eu não iria, de maneira nenhuma, influenciar na posição dos colegas vereadores que quisessem optar por Rogério.
Folha – Mas a própria Odisséia declarou em seu blog (aqui), no mesmo dia da eleição da mesa, que o apoio da oposição a você fez parte de um acordo para garantir Rogério a vice.
Nahim – Eu não posso te falar por acordo nenhum que tenha sido feito pela Odisséia. A Odisséia não fez nenhum acordo comigo, para votar em mim.
Folha – A eleição não foi só sua, mas também de outros três.
Nahim – Sim.
Folha – Pois então. Odisséia disse que a unanimidade em torno do seu nome à presidência foi para garantir a eleição dos outros três à oposição.
Nahim – Eu não sei o que foi pactuado por Odisséia ou Rogério, eu não sei o que foi assumido. De repente, até a participação dela na mesa; ela hoje é a segunda secretária. Não foi nenhuma coisa, vamos dizer assim, engendrada por mim, ela aconteceu de maneira natural, pelo conjunto de conversas entre os vereadores.
Folha – Um dos fiéis da balança na vitória à mesa diretora foi a ausência de Vieira Reis da votação, atribuída por ele à galinha levada por Papinha (PP) na reunião da madrugada anterior, na casa de Rosinha. Mas quem conhece os bastidores da Câmara, credita o sumiço do vereador ao receio de quebrar a palavra que ele teria empenhado com um galo de briga chamado Domingos Brazão (PMDB), deputado estadual e homem forte do grupo de Cabral. Se numa eleição menos importante, eles já tiveram essa influência quando estavam a favor, agora que prometem ficar contra, a pressão não será ainda maior, numa disputa muito mais importante?
Nahim – Não posso te afirmar os motivos que levaram o vereador Vieira Reis a ter essa posição. O que foi dito por ele a mim, foi que havia um compromisso político com Rogério, e ele era candidato, e Rogério teria se comprometido, obviamente, com o segmento político dele na eleição. Eu achei que aquilo era razoável. Ele também disse que houve orientação do partido, que ele estava com liberdade para tomar essa posição. Como eu disse: uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa (risos)…
Folha – Como diria o filósofo da boemia, Marcelo Colorau: sendo que a primeira coisa, totalmente diferente da segunda coisa.
Nahim – Lógico. Aí a gente vai ver. Uma coisa eu posso te garantir: eu vou ter o meu voto (risos). Os demais, a gente tem que conquistar.
Folha – E a influência de Brazão?
Nahim – Não, não, nunca ouvi falar. Sobre a questão de Brazão, não. Nem sei disso. Você está rindo, mas eu não sei mesmo.
Folha – (Risos) Após a eleição da mesa diretora, com as reiteradas críticas dirigidas pubicamente a você por Jorge Magal (PMDB), um dos pontos que ficou aberto foi a liderança do seu governo. Depois que Dante foi descartado, após ter sua opção revelada (aqui), você se reuniu com os vereadores de Rosinha e disse que gostaria que o líder saísse deles (aqui). Na sequência, embora Edson Batista (PTB) tenha assumido sua vaga de vereador declarando recusar a liderança (aqui), tem desde então interpretado este papel nas sessões da Câmara. Vai continuar assim: Magal líder de direito e Edson, líder de fato?
Nahim – Não, não existe liderança de direito e de fato. O líder do governo continua sendo o vereador Magal.
Folha – Mas vai continuar?
Nahim – Vai, vai continuar.Vou te explicar por quê: o vereador Magal ficou insatisfeito com a eleição da mesa. Ele deu a opinião dele, achou que de alguma forma eu poderia ter que interferir, deu declarações. Posteriormente, ele teve uma conversa comigo, franca; não só ele, mas todo o conjunto de vereadores. Ele entendeu que a o processo eleitoral da Câmara não poderia atrapalhar a relação dele com o governo, com nosso grupo político. Eu tive esse entendimento, o vereador Magal obviamente esteve comigo e vai continuar exercendo a liderança na Câmara, sem problema nenhum.
Folha – Desde que Magal tenha aprendido, como o próprio Albertinho admitiu (aqui), a não falar demais?
Nahim – A crítica não foi a mim enquanto prefeito, foi pela condução da eleição na Câmara. Mas eu já expliquei claramente como aconteceram os fatos na Câmara. Eu não poderia ter outra postura que não fosse realmente de entendimento dos partidos que dão sustentação ao governo. Você acha que é justo eu determinar que um vereador do PSB, que não é do meu partido, que ele tenha que votar num vereador do PMDB? Se a gente for falar de partido, é uma coisa até esdrúxula, porque Magal hoje está no PMDB, que é o partido do governador Sérgio Cabral. Uma questão pontual não pode prevalecer na harmonia entre um grupo de vereadores e o prefeito. E eu relevei isso, isso para mim é uma página virada e ele continua líder do governo, tem estado comigo, tivemos reunião ontem (quinta), ele liga para mim, vê encaminhamento de matérias, sem problema nenhum.
Folha – No caso da eleição suplementar indireta à Prefeitura, você e outros vereadores que decidirem se candidatar terão que se licenciar da Câmara para concorrer, ou será permitida a dupla função, inclusive para poder votar em si mesmos, como foi seu caso na eleição da mesa diretora?
Nahim – Sem problema nenhum. Permanece vereador e candidato. Qualquer vereador não precisa se licenciar, mesmo porque a eleição se dá na Câmara.
Folha – Como fica a questão da homologação de candidatura? Tem que haver convenção partidária, por exemplo?
Nahim – Não sei, eu tenho que te falar a verdade; é um assunto tão novo. Mas eu acho que não. Se a gente seguir, mais ou menos, o parâmetro do que aconteceu com o (ex-governador José Roberto) Arruda, em Brasília, não houve convenção, não houve nada. Foi feita a escolha entre os membros do próprio parlamento. Eu acredito que os moldes devem ser os mesmos em relação à Câmara (de Campos). Não há campanha, por que você vai fazer campanha com quem? Quem vota são os colegas vereadores. Pode alguém que não seja vereador concorrer? Confesso que não sei, mas acho que não. Se está restrito à Câmara escolher…
Folha – Mas restrita à Câmara escolher para votar. Ou por que se não há convenção, fica na Câmara?
Nahim – Fica na Câmara, é isso que estou te falando. É muito novo, eu não sei. Aliás, em Campos, tudo é novo (risos). Ô cidade danada para ter coisa nova (risos). Aqui, cria jurisprudência mesmo.
Folha – Em seu blog, o jornalista Ricardo André Vasconcelos revelou (aqui), no dia 12, que a campanha de Clarissa a deputada estadual tinha sido retirada de Campos para favorecer outro candidato do PR à Alerj. O motivo, segundo fonte próxima a Garotinho, seria que este já teria escolhido o tal candidato para disputar também a Prefeitura no pleito suplementar. Após confirmar a informação, o blog Opiniões divulgou (aqui) o nome indicado por Ricardo: Geraldo Pudim. A repercussão na Folha Online gerou resposta no blog de Pudim, que depois declarou à jornalista Suzy Monteiro (aqui): “o candidato natural é o prefeito Nelson Nahim”. Acha que essas palavras continuarão valendo se ele conseguir se eleger à Alerj?
Nahim – Olha, com todo o respeito que merece o Ricardo, é uma pessoa que tenho um carinho todo especial, gosto muito dele mesmo, como jornalista e como amigo, mas eu não sei de onde é que ele tirou isso. Mesmo porque isso, em momento nenhum, foi discutido nem comigo, nem com Pudim, nem com Garotinho, nem com Roberto (Henriques), com ninguém do nosso grupo político. Nunca se tocou nesse assunto de que Garotinho teria escolhido a, b ou c para ser candidato à Prefeitura. Então, o primeiro ponto é isso: não existe. Tanto isso é verdade, que o próprio Pudim deu declarações que até o candidato natural seria eu, já estando na Prefeitura, desempenhando esse papel, naturalmente seria isso. Como pode não ser, o partidotem liberdade para decidir o que é melhor para o partido…
Folha – Não existia antes da repercussão ou passou a não existir depois?
Nahim – Não, nunca existiu. Isso nunca existiu, isso nunca foi discutido, todo mundo está envolvido com suas campanhas…
Folha – Mas se existisse, com todo o respeito, você provavelmente não saberia.
Nahim – Sim, mas eu estou dizendo: não há de fato, não há. Isso é uma coisa que eu posso te afirmar: não há. Até mesmo porque não há motivo para ter. Hoje em dia, tanto o Pudim, quanto o Roberto, quanto eu, quanto Garotinho, quanto Feijó, estamos envolvidos com a campanha. Ninguém, em momento nenhum, discutiu nomes para a Prefeitura. Agora, é natural que um nome que possa ser o escolhido é daquele que já está ocupando a cadeira. Agora, pode não ser? Pode não ser, é uma decisão partidária, desde que haja critérios justos. Um partido, quando decide por um nome, ele leva em consideração um conjunto de coisas, entre elas: quem é esse pessoa, se ela está capacitada, se faz parte do segmento político que esse partido confia e também, lógico, se ela já está no cargo.
Folha – Mas o estranhamento foi exatamente porque todo mundo entende isso.
Nahim – Não tem sentido isso. É até imprópria uma colocação dessas, neste momento; mas respeito o Ricardo.
Folha – Não foi só o Ricardo, não. Como eu disse, o blog Opiniões também confirmou a informação. Se houve barrigada (notícia equivocada no jargão jornalístico), ela foi do Ricardo e minha.
Nahim – Furadinha.
Folha – Se fosse, talvez não tivesse gerado tanta repercussão.
Nahim – Não, a repercussão existe. Você acha que um assunto desses não gera repercussão? Claro!
Folha – Olha, quando é barrigada, a repercussão costuma ser o papel ridículo de quem divulgou a informação equivocada. Há exemplos conhecidos em jornal, rádio AM e blogs de Campos. E não foi esse o caso.
Nahim – (Risos)
Folha – Também em seu blog (aqui), o jornalista Roberto Barbosa publicou, no dia 14, em sequência às revelações sobre Pudim, que você havia pedido para não votar em Clarissa numa reunião com correligionários, alegando que o domicílio eleitoral dela não é em Campos. Isso realmente aconteceu
Nahim – Fato. Há uma orientação partidária, não é para não votar em Clarissa. Há uma orientação partidária de que nós temos que eleger os candidatos da cidade. Quais são os candidatos pré-estabelecidos, há muito tempo, até mesmo antes de Clarissa se tornar candidata: Roberto Henriques e Pudim. Nas reuniões do partido, eu tenho dito que não adianta Clarissa ter uma votação expressiva e nós não termos candidatos locais eleitos, porque eu entendo que não adianta ter uma pessoa com 1 milhão de votos e não ter bancada. Então, a orientação é: aqueles que já estão com Clarissa, e já existem muitas pessoas da cidade que optaram por este nome, permaneçam com Clarissa, mas que os votos sejam direcionados aos candidatos locais, para ter representatividade da cidade. Clarissa, frontalmente, é uma candidata e vereadora da cidade do Rio de Janeiro. Não faz sentido ela tomar um monte de votos aqui, em Campos, e os candidatos daqui não se elegerem. Não seria nem de bom senso fazer isso. Nada pela questão pessoal, familiar, nada disso. Pelo contrário, eu torço muito para que Clarissa se eleja e vai se eleger, mas não de uma forma que ela capitalize tanto os votos em Campos e prejudique as candidaturas locais.
Folha – Não foi, então, uma retaliação a Garotinho?
Nahim – Não, mesmo porque não há motivo para isso. É uma orientação do partido. Aliás, não é só minha, não; é orientação do próprio Garotinho. Ele, enquanto presidente do partido, entende o fortalecimento das candidaturas locais e entende também o fortalecimento da candidatura de Clarissa. Diferente de entender isso como uma retaliação…
Folha – É porque foi logo depois da notícia da escolha de Pudim e do desmentido dele.
Nahim – Não, eu estou falando isso há muito tempo.
Folha – Não digo o contrário, só que eu, por exemplo, só fui saber disso através do blog do Roberto, que falava dessa reunião específica, dois dias depois da notícia de Pudim. Daí a associação da pergunta.
Nahim – Dessa reunião, mas eu falava muito antes disso. Já é uma orientação antiga, partidária: nós temos que eleger candidatos da região, porque não adianta um ter 200 mil votos e os daqui não se elegerem.
Folha – Em entrevista como esta feita com Rosinha, na semana em que foi cassada, ela disse que não convocaria os concursados do PSF, para não ser enquadrada na Lei de Reponsabilidade Fiscal. Como você agora decidiu chamá-los (aqui) e a lei continua a mesma, pergunta-se: mudou o quê?
Nahim – Na verdade, não houve mudança de entendimento. O que houve foi talvez eu me informar melhor para tormar uma decisão. Quando fala que não pode chamar os concursados porque fere a Lei de Responsabilidade Fiscal, você tem que ter uma série de informações, até porque o PSF inegavelmente é um grande programa e tem que ser implementado. Primeiro, o concurso é absolutamente legal. Não há necessidade de se chamar todos os concursados agora; a tendência é que a gente vá chamando gradativamente, de acordo com as necessidades maiores das localidades. O que mudou foi eu me empenhar mais, talvez na função de advogado que sou, em levantar todo o conjunto de informações e ver a possibilidade de chamar. A partir do momento em que vi isso, não há porque não homologar e não chamar.
Folha – Em nossa última entrevista, você fixou a data à mudança na equipe que herdou de Rosinha, na marcação da nova eleição pelo TRE. Mudou alguma coisa com a decisão do TSE de ontem (quinta)?
Nahim – Agora a gente precisa saber o que vai acontecer, né (risos)? Porque a gente tinha uma perspectiva e mudou. Se não vai ter mais eleição agora, vai ser quando?
Folha – Pela decisão do TSE, seria ano que vem.
Nahim – Sim, mas quando? Qual é o timing? Não julgou ainda o processo de Rosinha. Como que marcar uma nova eleição na Câmara, se não julgou ainda do TSE?
Folha – Se prevalecer a eleição indireta no ano que vem, sua data para mudar a equipe, no lugar da marcação da pleito do TRE, passaria a ser então o julgamento de Rosinha pelo TSE?
Nahim – Com certeza, porque aí extingue a questão pontual que você me pede, que é o timing para fazer isso, a ruptura total da responsabilidade que possa existir diante dela com aquele que ela escolheu.










