As novidades — Garotinho condenado

Quem esperava novidades apenas da Câmara, as surpresas começaram a pipocar no início da tarde, quando foi divulgada a condenação de Anthony Garotinho pela 4ª Vara Federal do Rio de Janeiro, por formação de quadrilha. Na blogosfera local, a notícia foi dada em primeira mão aqui, pelo site Ururau.
Quando ocupava a secretaria de Segurança no governo estadual de Rosinha (2003/2007), Garotinho atuou como chefe político de uma quadrilha formada por policiais civis, que praticou crimes de corrupção ativa e passiva, lavagem de bens e facilitação de contrabando. Além dele, também foram condenadas outros nove acusados, entre eles o ex-deputado estadual Álvaro Lins, guindado a chefe da Polícia Civil no governo Garotinho e mantido no de Rosinha.
Em seu blog (aqui), o ex-governador e candidato a deputado federal pelo PR ecoou o discurso de quase todo político quando é apanhado pela Justiça, ao se dizer vítima de “perseguição”. De fato, como ressalvou, sua condenação a dois anos e meio de prisão (convertidos em prestação de serviços comunitários e perda de direitos por dois anos e meio) não impede que Garotinho dispute a eleição de 3 de outubro. Todavia, ele só concorre à Câmara Federal com base numa liminar concedida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em 29 de junho, que suspendeu temporariamente os efeitos da sua condenação, em 27 de maio, também por abuso de poder econômico e uso indevido de meios de comunicação, na decisão do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) que cassou Rosinha da Prefeitura.
Embora moralmente mais grave, a condenação de hoje, pela Justiça Federal, como quadrilheiro, ameaça menos o futuro político de Garotinho do que a condenação anterior, pela Justiça Eleitoral. Em relação a esta, se for condenado no mérito do seu recurso ao TSE — possibilidade que aumentou consideravelmente após a confirmação do afastamento de Rosinha, no último dia 19, em decisão unânime do mesmo Tribunal, relativa aos mesmos crimes —, ainda que consiga seu objetivo de se eleger como deputafo federal mais votado do estado do Rio, Garotinho perde o mandato.



