AtlasIntel: Lula lidera ao 1º e 2º turno, mas Flávio cresce

 

(Montagem: Joseli Matias)

 

A indefinição da direita brasileira sobre candidato a presidente em outubro, neste mês de janeiro, favorece à reeleição de Lula (PT). Se isso já tinha sido apontado nas pesquisas Ideia e Quaest deste mês, ficou mais claro na AtlasIntel divulgada ontem (21). Em que Lula venceu todos os cinco cenários de 1º turno e oito de 2º turno.

Ampla vantagem de Lula — Feita com 5.418 eleitores de 15 a 20 deste mês, com margem de erro de 1 ponto para mais ou menos e registrada no TSE sob protocolo BR 02804/2026, a pesquisa AtlasIntel revelou a ampla vantagem de Lula sobre os dois nomes da direita hoje mais cotados: o senador Flávio Bolsonaro (REP) e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (PSD).

Lula, Tarcísio e Flávio no 1º turno — Em cenário mais amplo de 1º turno, com Lula, Tarcísio e Flávio na disputa, mais vários outros possíveis candidatos, o petista teria hoje no 1º turno 48,4% de intenção de voto, contra 28,0% do senador e 11,0% do governador paulista.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Lula x Flávio sem Tarcísio no 1º turno — Com Flávio e sem Tarcísio, Lula teria no 1º turno 48,8%, contra 35,0% do senador do RJ.

Lula x Tarcísio sem Flávio no 1º turno — Com Tarcísio sem Flávio, o petista teria no 1º turno 48,5%, contra 28,4% do governador de SP.

Flávio cresce e Lula patina ao 1º turno — Se os cenários são favoráveis a Lula, a comparação da série de pesquisas AtlasIntel revelou um ponto também favorável a Flávio: dos 29,3% que ele tinha de intenção ao 1º turno em dezembro, cresceu 5,7 pontos aos 35% de janeiro. No mesmo período, Lula patinou, oscilando 0,7 ponto para cima, dos 48,1% de dezembro aos 48,8% atuais.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Com Flávio, matemática de 2º turno — Nessa simulação de 1º turno de Lula com Flávio e outros candidatos, mas sem Tarcísio, a soma de todos os presidenciáveis de oposição deu 49,3%, acima dos 48,8% do presidente. Ainda que seja um empate técnico na margem de erro da AtlasIntel, o 2º turno ficaria matematicamente garantido.

Com Tarcísio, Lula fecha no 1º turno? — Na simulação de 1º turno de Lula com Tarcísio, mas sem Flávio, a soma de todos os presidenciáveis de oposição deu 45,5%, abaixo dos 48,5% do presidente. Fora da margem de erro, embora próximo dela, o cenário indicou a possibilidade matemática de Lula liquidar a fatura em turno único.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Tarcísio, como Lula, patina no 1º turno — Diferente de Flávio, que cresceu de dezembro a janeiro em intenções de voto ao 1º turno contra Lula, Tarcísio patinou: dos 28,3% do último mês aos 28,4% atuais. Assim como Lula, dos 48,8% de dezembro aos 48,5% de janeiro.

Passado e futuro do 2º turno — Como Lula se elegeu três vezes presidente, sem nunca conseguir levar no 1º turno, mesmo na reeleição de 2006, quando seu governo tinha muito mais popularidade do que hoje, a lógica aponta à existência do 2º turno em 25 de outubro de 2026. No qual, pela AtlasIntel de janeiro, Lula bateria Tarcísio e Flávio pelos mesmos 49% a 45%.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Lula e Tarcísio patinam e Flávio cresce ao 2º turno — Na comparação entre dezembro e janeiro da série AtlasIntel, Lula (49% a 49,1%) e Tarcísio (45% a 45,4%) passaram o último mês patinando nas intenções de voto ao 2º turno. Como nas simulações de 1º turno, só quem cresceu no mesmo período foi Flávio. Ele ganhou 3,9 pontos de intenção dos 41% de dezembro aos 44,9% de janeiro.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Contra Flávio, Lula cai no 2º turno — No cenário de um eventual 2º turno contra Flávio, ao contrário deste, Lula perdeu 3,8 pontos de intenção no último mês. Contra o filho 01 do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o petista passou dos 53% de intenção em dezembro aos 49,2% de janeiro.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Rejeição que definirá o 2º turno — Índice mais importante à definição do 2º turno, por limitar o crescimento dos dois candidatos que o disputam, a rejeição na AtlasIntel foi liderada por Bolsonaro: 50,0% não votariam nele de jeito nenhum. Em 2º lugar, Lula tem 49,7% de rejeição. É um empate técnico com Bolsonaro e, hoje, o maior obstáculo à reeleição do petista.

Atrás de Bolsonaro e Lula, Flávio também tem rejeição alta —  Atrás de Bolsonaro e Lula, vieram Flávio, com 47,4% de rejeição; Renan Santos (Missão), espécie de Pablo Marçal do MBL, com 45,6%; a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), com 44,9%; o deputado Nikolas Ferreira (PL), com 44,7%; e o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB), com 43,4%.

Lista da rejeição — Seguiram a lista de rejeição da AtlasIntel os governadores de Minas, Romeu Zema (Novo), com 42,1%; e do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), com 41,7%; Tarcísio, com 41,1%; além dos governadores de Goiás, Ronaldo Caiado (União), com 40,7%; e do Paraná, Ratinho Jr. (PSD), com 39,9%.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Rejeição é vantagem de Tarcísio sobre Lula e Flávio — A lista do índice negativo da AtlasIntel foi completada pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), com 36,9% de brasileiros que não votariam nele de jeito nenhum. Mas a baixa rejeição de Tarcísio, 8,6 pontos a menos que Lula e 6,3 pontos a menos que Flávio, é sua maior vantagem num eventual 2º turno presidencial.

William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE

Análise do especialista — “A AtlasIntel testou cinco cenários de 1º turno e oito cenários de 2º turno das eleições presidenciais de 2026. Em todos, Lula lidera as intenções de voto. No 1º turno, Lula abre 20 pontos contra Flávio: 48% x 28%. Mesmo com a inclusão também do nome de Tarcísio, que aparece em 3º, com 11%. Sem Tarcísio, Lula tem 14 pontos contra Flávio: 49% a 35%. Sem Flávio, Lula abre 21 pontos contra Tarcísio: 49% a 28%. Nos 8 cenários de 2º turno testados, Lula abre 3 pontos contra Jair Bolsonaro, por 49% a 46%; e 4 pontos contra Tarcísio, Michelle e Flávio: nos três casos, 49% a 45%”, resumiu William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE.

 

Felipe Fernandes — “O Último Azul”: Envelhecimento, distopia e liberdade

 

 

 

 

Felipe Fernandes, cineasta publicitário e crítico de cinema

“O Último Azul” — Envelhecimento, distopia e liberdade

Por Felipe Fernandes

 

O diretor e roteirista pernambucano Daniel Mascaro traz, por meio de seu cinema, um olhar atento para questões sociais muito presentes no cotidiano da sociedade brasileira, sempre a partir de uma perspectiva singular e particular.

Desde seu último filme, “Divino Amor” (2019), o cineasta trabalha a ideia de um Brasil distópico que, embora ficcional, se aproxima inquietantemente da nossa realidade. É por meio dessa distopia que Mascaro busca discutir temas profundamente enraizados em nossa sociedade.

Se em “Divino Amor” ele debate a influência da religião na vida sexual, na construção familiar e na própria fé individual, em “O Último Azul” o diretor aborda questões como etarismo, dignidade humana e liberdade individual. O filme se passa em uma sociedade regida por um governo autoritário, que prega a otimização da produtividade dos mais jovens e tem como um de seus projetos a exclusão das pessoas idosas: ao completarem 75 anos, elas são enviadas para colônias de localização desconhecida, onde são obrigadas a passar o resto de suas vidas.

O filme estabelece uma sociedade em que a velhice é vista como um fardo econômico e um obstáculo ao desenvolvimento. Mascaro utiliza essa distopia para refletir sobre o tratamento dado aos idosos e sobre o papel do envelhecimento na sociedade contemporânea. No entanto, o foco da obra não está na construção detalhada desse universo distópico, mas sim na jornada intimista de fuga, liberdade e redescoberta que se desenvolve a partir dele.

Interpretada por Denise Weinberg, a protagonista Tereza é uma mulher independente, trabalhadora, mãe e avó que, da noite para o dia, tem sua vida desmontada e perde toda a sua autonomia. Ela passa a ser tratada como uma menor de idade, tendo suas decisões submetidas à autorização da filha.

É curioso perceber como os idosos são definitivamente associados à ideia de problema, a ponto de existir uma espécie de polícia especial voltada à sua fiscalização, que utiliza um veículo chamado “cata-idoso”. Na iminência de seu destino final, Tereza parte em uma jornada pluvial pela região amazônica, fugindo do sistema que a oprime e em busca de sua liberdade.

A motivação declarada para essa jornada é o desejo de voar. A escolha não é aleatória, a sensação de voo está diretamente ligada à ideia de liberdade, que, no fundo, é o verdadeiro anseio da personagem. Mascaro constrói uma poética visual marcante nos barcos que cruzam os rios e nos momentos lisérgicos envolvendo o caracol de baba azul, sempre em conexão com a natureza.

De certa forma, a transformação da protagonista ocorre justamente em sua reclusão na natureza, na fuga de uma sociedade que não lhe permite ocupar seu próprio espaço. Resta-lhe a natureza e a clandestinidade como formas de existência.

Cada encontro ao longo do caminho parece costurar uma nova possibilidade de vida, na qual o imponderável se faz presente. Seja no deslocamento pelos rios ou no duelo que marca o clímax do filme, em que criaturas tão pequenas determinam o destino da protagonista, há uma cena particularmente bonita, de plasticidade singular.

A água e os rios, em diversas tradições, simbolizam o fluxo do tempo, a mudança, o renascimento e a purificação. No contexto do filme, funcionam como espaços de liberdade e de afirmação da vida diante de uma sociedade que marginaliza seus idosos.

A jornada de Tereza revela que não existe idade para viver, para reencontrar sonhos, desejos e o amor. A vida não termina quando a sociedade impõe o seu fim. Tal qual um rio, ela segue em movimento, mudança e renovação.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

Confira o trailer do filme:

 

Governador do RJ: Paes x Ceciliano com Bacellar por Moraes

 

Eduardo Paes, Claudio Castro, NIcola MIccione, André Ceciliano, Rodrigo Bacellar e Alexandre de Moraes (Montagem: Joseli Matias)

 

Paes assume e Ceciliano quer

Prefeito do Rio de Janeiro assumiu o que todos sabiam: é pré-candidato a governador do RJ em outubro. E tem se estranhado com o petista André Ceciliano, secretário de Relações Parlamentares do governo Lula e pré-candidato a governador-tampão assim que Cláudio Castro renunciar ao cargo, até 4 de abril, para se candidatar a senador.

 

Quem quando Castro sair?

Vice-governador, Thiago Pampolha renunciou em maio para ser conselheiro do Tribunal de Contas do RJ. Presidente eleito da Alerj, Rodrigo Bacellar foi afastado do cargo em dezembro, quando foi preso e solto com cautelares do STF. Presidente do Tribunal de Justiça do RJ, desembargador Ricardo Couto assumiria com a renúncia de Castro.

 

Miccione é nome caseiro

Assim que assumir, Couto terá 30 dias para convocar a eleição indireta, na Alerj, para governador-tampão. Como o blog informou (confira aqui) no dia 7, o candidato de Castro é seu secretário da Casa Civil, Nicola Miccione. Mas, como o blog também informou (confira aqui) no dia 10, Ceciliano entrou nessa corrida da eleição indireta a governador.

 

Bacellar com Ceciliano por Moraes

Além de Castro, Paes também prefere o nome técnico de Miccione. Enquanto Ceciliano tem o apoio político de Bacellar. Que teria prometido ao petista os votos de 15 deputados na eleição indireta a governador. Em troca da ajuda “companheira” do PT nacional e de Lula junto ao algoz do político campista no STF: Alexandre de Moraes.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

Deputado Thiago Rangel em discussão armada na Pelinca

 

Deputado estadual Thiago Rangel

 

Deputado em discussão armada na Pelinca

O deputado estadual Thiago Rangel e o presidente do Campos Atlético Associação, Márcio Reinaldo, conhecido como Marcinho, se envolveram em um episódio tenso na noite de segunda, em plena avenida Pelinca. Após estranhamento e discussão, ambos teriam chegado a sacar armas de fogo, mesmo sem chegar a apontar contra o outro.

 

Escritório de Thiago Rangel

O caso foi testemunhado por vários populares e acabou registrado na 134ª DP. Tudo teria acontecido após Thiago chegar de carro ao seu escritório no Pq. Rosário e ver a esposa de um seu ex-motorista, que fez denúncias contra ele, filmar o imóvel com celular. Ela entrou no carro de Marcinho, que foi seguido pelo deputado no seu.

 

Em frente à padaria Moca

Cedido ao gabinete do deputado estadual Bruno Dauaire, Marcinho é também PM. Ao notar que era seguido, desacelerou seu carro, foi ultrapassado pelo de Thiago, e deixou a mulher. Os dois carros pararam mais adiante, em frente à padaria Moca, na av. Pelinca, onde Marcinho e Thiago desceram e deram início à discussão em local público.

 

Com Garotinho em Chapéu de Sol

O caso foi divulgado (confira aqui) na noite de segunda (19) pelo site do radialista Edmar Ptak. A Folha apurou que a mulher levada e deixada por Marcinho, além de esposa de um ex-motorista de Thiago, se reuniu e passou informações no último dia 4, em Chapéu de Sol, ao ex-governador Anthony Garotinho. Que tem feito denúncias contra Thiago.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

Atualizado às 11h01 para correção de informações.

 

Um pouco sobre o político e o médico Arnaldo França Vianna

 

Médico, ex-prefeito e ex-deputado federal Arnaldo França Vianna (Foto: Folha da Manhã)

 

O médico e político Arnaldo França Vianna faleceu hoje, após longa internação, aos 78 anos. Após ser diretor-geral do Hospital Ferreira Machado (HFM) entre 1989 e 1992, vereador de destaque entre 1993 e 1996, ele marcaria época como prefeito de Campos por dois mandatos: vice que assumiu quando Garotinho deixou a PMCG em 1998 para se eleger governador naquele ano, e depois reeleito com votação consagradora em 2000.

Naquela mesma da virada do milênio, Arnaldo passou a rivalizar em popularidade com o próprio Garotinho, levando à ruptura ruidosa entre ambos. Até a reaproximação recente, a partir da aliança entre seus respectivos filhos em 2022: Caio e Wladmir.

Arnaldo ajudou a eleger como prefeitos Carlos Alberto Campista em 2004, que perderia o mandato em decisão judicial controvertida, e Alexandre Mocaiber na eleição suplementar de 2006.

Tentou voltar a ser prefeito em 2008, quando perdeu o 2º turno para Rosinha. E teve a candidatura ao mesmo cargo indeferida em 2012, quando Rosinha se reelegeu prefeita.

Eleito deputado federal em 2006, foi vice-líder do PDT na Câmara em 2010. Mas não conseguiu se reeleger no mesmo ano, sendo declarado inelegível pelos problemas com a Justiça Eleitoral que prejudicaram sua carreira política.

Como prefeito de Campos, deixou obras importantes, como a duplicação da avenida Alberto Lamego, ainda em parceria com Garotinho como governador, e a construção e entrega do Hospital Geral de Guarus (HGG).

Neurocirurgião brilhante, membro da Academia Brasileira de Neurocirurgia, foi um médico humanista. Atividade que sempre exerceu em paralelo com a política. E foi um dos prefeitos que mais e melhor investiu na saúde pública de Campos.

Tinha carisma e grande pragmatismo político. Inclusive para se fazer mais conhecido pelo jeito bonachão e afável, melhor resumido no seu lema: “um beijo no coração”.

 

Fernando, Gabriel e Amanda — Cinema, Norte e Noroeste Fluminense

 

 

Fernando Sousa, cineasta, diretor da Quiprocó Filmes e do Festival Internacional Goitacá de Cinema; Gabriel Barbosa, cineasta, diretor do Festival Internacional Goitacá de Cinema e secretário de Cultura e Audiovisual de Barra do Piraí (RJ); e Amanda Amaral, produtora cultural, analista de mobilização e captação de recursos da Quiprocó Filmes

Cinema brasileiro como soft power: conexões com o Norte e o Noroeste Fluminense

Por Fernando Sousa, Gabriel Barbosa e Amanda Amaral

 

O cinema brasileiro segue acumulando reconhecimentos internacionais, impulsionado por uma safra recente de obras que despertam atenção e admiração no circuito global de eventos e festivais. O filme “Manas”, de Marianna Brennand, estrelado por Dira Paes e ambientado na Ilha do Marajó, no Pará, já soma mais de 20 premiações ao redor do mundo e acaba de receber indicação ao Prêmio Goya 2026, na categoria de Melhor Filme Ibero-Americano, uma das mais relevantes do cinema espanhol.

Nesse mesmo movimento, destaca-se o novo longa-metragem “Se Eu Fosse Vivo… Vivia”, escrito e dirigido por André Novais de Oliveira, realizado pela produtora mineira Filmes de Plástico, em coprodução com o Canal Brasil, e que representará o país no 76º Festival de Berlim. A produção se soma ao longa cearense “Feito Pipa”, que fará sua estreia mundial no festival. Dirigido por Allan Deberton, o filme conta com Lázaro Ramos no elenco, ao lado de Yuri Gomes e Teca Pereira, reforçando a presença do cinema brasileiro em uma das principais vitrines do circuito internacional de festivais. E não para por aí, outra longa cearense também vai pousar em terras germânicas, o filme “Fiz Um Foguete Imaginando Que Você Vinha”, da cineasta Janaína Marques.

O documentário “Apocalipse nos Trópicos”, de Petra Costa, também integra a lista de possíveis indicados ao Oscar. A diretora já havia sido indicada anteriormente pela obra “Democracia em Vertigem”, consolidando sua trajetória de reconhecimento internacional.

As premiações dos filmes “Ainda Estou Aqui”, de Walter Salles, e “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho, figuram entre as mais recentes demonstrações do reconhecimento global da diversidade e da vitalidade do cinema brasileiro. “Ainda Estou Aqui” conquistou o Oscar de Melhor Filme Internacional, além do Globo de Ouro de melhor Atriz em Filme Dramático para Fernanda Torres, com inúmeras outras premiações ao longo de 2025. Já “O Agente Secreto” recebeu os prêmios de Melhor Diretor e Melhor Ator no Festival de Cannes 2025, além dos títulos de Melhor Filme em Língua Não Inglesa e Melhor Ator de Drama para Wagner Moura, mantendo uma trajetória consistente de reconhecimento internacional.

O cinema brasileiro respira e colhe frutos expressivos, resultado de um conjunto articulado de investimentos públicos e privados. O orçamento de “O Agente Secreto” foi de R$ 28 milhões, divididos entre Brasil, França, Holanda e Alemanha. Segundo dados da Agência Nacional do Cinema (Ancine), a participação brasileira foi de R$ 13,5 milhões, dos quais R$ 7,5 milhões oriundos do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), complementados por aportes privados. A etapa de comercialização do filme contou com R$ 4 milhões em investimentos, sendo R$ 750 mil provenientes do FSA e os demais R$ 3 milhões viabilizados por meio da Lei do Audiovisual, que permite a pessoas físicas e jurídicas destinar parte do imposto de renda a obras aprovadas para captação junto à Ancine.

O bom momento vivido pelo cinema brasileiro é reflexo direto desses investimentos, que ampliam a produção e possibilitam que cheguem às telas do cinema e da televisão as riquezas, contradições, tensões e a diversidade cultural que compõem o território nacional. O filme “O Agente Secreto” é uma produção pernambucana, resultado de políticas públicas consistentes de regulação e fomento, por meio de editais e investimentos estruturantes anuais, especialmente via Funcultura, que permitiram a construção de uma cinematografia sólida e autoral na trajetória de Kleber Mendonça Filho.

Essas políticas públicas viabilizaram a consolidação da produção local e ampliaram significativamente a visibilidade do cinema pernambucano nos cenários nacional e internacional. A consagração de cineastas como Kleber Mendonça Filho, Cláudio Assis, Lírio Ferreira, Marcelo Gomes, Gabriel Mascaro, Heitor Dhalia, Hilton Lacerda, Renata Pinheiro e Eda Ferraz é fruto de um ecossistema favorável, que também possibilitou o surgimento de inúmeros jovens talentos e profissionais atuantes em diferentes setores do audiovisual e da economia criativa.

Por outro lado, diferente do que acontece entre as diferentes esferas do poder público, a existência de um calendário público e previsível de lançamentos de editais — sejam municipais, estaduais ou federal — na área do cinema é fundamental para o fortalecimento estrutural do setor audiovisual. Ao garantir previsibilidade, esse instrumento permite que produtoras, realizadores e demais agentes culturais planejem seus projetos com maior consistência técnica, financeira e artística, reduzindo a informalidade e a descontinuidade das políticas públicas. Além disso, um calendário transparente contribui para a democratização do acesso aos recursos, amplia a participação de diferentes territórios e perfis de proponentes e favorece a profissionalização do campo, estimulando a inovação, a diversidade de narrativas e a sustentabilidade da cadeia produtiva do cinema.

A indústria audiovisual compõe uma cadeia produtiva dinâmica e complexa, que exige previsibilidade, investimentos contínuos, ajustes e regulamentações permanentes. Atualmente, a principal lacuna regulatória diz respeito aos serviços de streaming no Brasil, cuja regulamentação precisa avançar com urgência em bases mais equilibradas e justas para produtores, artistas e trabalhadores do audiovisual. Para que o cinema brasileiro mantenha seu vigor, é fundamental o comprometimento articulado das diferentes esferas federativas — governos federal, estaduais e municipais —, do setor privado, das universidades, das organizações da sociedade civil e da própria sociedade. A cultura e o cinema são expressões centrais do que somos e do projeto de país que desejamos construir.

Nesse contexto, insere-se a nossa aposta nos territórios do Norte e do Noroeste Fluminense, materializada na realização do Festival Internacional Goitacá de Cinema, que chega à sua segunda edição em 2026. Iniciativas como essa operam não apenas como espaços de exibição, mas como dispositivos de formação, articulação profissional e circulação de saberes, capazes de ampliar a presença desses territórios nos processos de produção, formação e difusão do audiovisual brasileiro.

Como no futebol, para que o Brasil se torne o país do cinema, é preciso investimentos na base, ‘disputando’ a vida e a formação de meninas e meninos por meio da arte e do fazer cinematográfico nos diferentes interiores e rincões do país. Acreditamos que o cinema e o audiovisual podem e devem constituir uma nova vocação produtiva e criativa para a região, abrindo campos de trabalho mais amplos e qualificados para os jovens, atraindo produções cinematográficas e consolidando esses territórios como referência na formação de mão de obra especializada para o setor. Isso requer investimentos e estratégia.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

Valor do apoio de Bolsonaro x custo do nome Bolsonaro

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Jair erra ou acerta com Flávio?

À pergunta da Quaet sobre Bolsonaro ter indicado Flávio como candidato a presidente, o empate técnico foi quase numérico: errou para 44% e acertou para 43%. Só que, em dezembro, a escolha era errada para 54%. Caiu 10 pontos em apenas um mês. E era certa para 36%. A impressão positiva cresceu 7 pontos no mesmo período.

 

Candidato de Bolsonaro: 49% não votam

Além da rejeição que conseguiu diminuir, Flávio tem outro obstáculo à viabilização da sua pré-candidatura a presidente. Se 22% dos brasileiros dizem hoje que votarão no candidato apoiado por Bolsonaro, com 24% que dizem considerar, mas sem se decidir por isso, 49% disseram que não votarão no candidato apoiado pelo ex-presidente.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Apoio de Bolsonaro x nome Bolsonaro

Apesar do piso alto que o apoio de Jair confere, a Quaest revelou o teto mais baixo se o apoiado for outro Bolsonaro. Se for, a maioria de 56% dos brasileiros acha que Lula vence, contra 34% que acham o oposto. Se o apoiado de Jair não for da família, é a incerteza do empate técnico: 45% acham que Lula vence e 43% acham o contrário.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

Abaixo do teto, Lula mantém rejeição, Flávio e Tarcísio melhoram

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Piso no 1º turno, teto no 2º

Qualquer eleição de dois turnos no mundo tem dois eixos: o 1º é uma disputa de pisos, definidos pelas intenções de voto. Da qual os dois maiores pisos, se ninguém fizer 50% + 1 dos votos válidos de cara, passam ao 2º numa disputa de tetos, definida pela rejeição. É ela que limita a capacidade de conquistar novos eleitores no turno final.

 

Rejeição na Ideia

Na pesquisa Ideia, com até três opções de candidatos em quem o eleitor não votaria de jeito nenhum, Lula liderou a rejeição, com 40,8%. Ele foi seguido de Flávio, com 30%; pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), com 26,1%; e por Tarcísio, com 16,2%.

 

Rejeição na Quaest

Na pesquisa Quaest, a medição da rejeição foi diferente, associada ao conhecimento do eleitor sobre cada presidenciável. Nela, quem liderou o índice negativo foi Flávio, com 55% de rejeição (25 pontos mais que na Ideia); seguido de Lula, com 54% (13,2 pontos mais que na Ideia); e de Tarcísio, com 43% (26,8 pontos mais que na Ideia).

 

Flávio diminui rejeição

Diferente da Ideia, que abriu sua série de pesquisas em janeiro na parceria com o Meio, a Quaest faz pesquisas nacionais regularmente desde a eleição presidencial de 2022. Nesta série, se Flávio chega até aqui liderando o índice negativo, o fato é que ele conseguiu cair 5 pontos na rejeição, em relação aos 60% que tinha em dezembro.

 

(Infográfico: Joseli Matias)

 

Lula mantém rejeição

Por sua vez, e até por ser o nome mais conhecido dos eleitores entre todos os presidenciáveis (só 3% dizem desconhecê-lo), Lula manteve os mesmos 54% de rejeição nas pesquisas Quaest de dezembro e janeiro. Já Tarcísio conseguiu perder 4 pontos no índice negativo: dos 47% de rejeição que tinha em dezembro aos atuais 43%.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.