Industrial do açúcar e presidente do Sindicato da Indústria Sucroenergética do Estado do Rio de Janeiro (Siserj), Geraldo Hayen Coutinho é o convidado do Folha no Ar desta quinta (9), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3.
Ele dará, sob a perspectiva do seu setor, a perspectiva do novo governo (confira aqui, aqui, aqui e aqui) do também industrial do açúcar Frederico Paes (MDB) em Campos.
Geraldo também falará da eleição a governador-tampão do RJ, com regras a serem definidas hoje (8) pelo Supremo Tribunal Federal (STF), e as consequências desses movimentos na eleição a governador do RJ (confira aqui e aqui) em outubro. Assim como a disputa pelas duas cadeiras que o estado (confira aqui e aqui) elegerá ao Senado.
Por fim, com base nas sete pesquisas nacionais de março (confira aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui) e na primeira deste início de abril (confira aqui), ele analisará a tendência presente de crescimento de Flávio Bolsonaro (PL) nas intenções de voto contra Lula (PT), na disputa a presidente da República.
Quem quiser participar do Folha no Ar desta quinta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebooke no YouTube.
Em tendência de crescimento contra Lula (PT) em todas as sete pesquisas presidenciais de março (confira aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui), Flávio Bolsonaro (PL) continua em ascensão neste início de abril. A seis meses da urna de outubro, foi isso que revelou a pesquisa do instituto Ideia divulgada hoje. Na qual, de janeiro a abril, Flávio cresceu 9,8 pontos na simulação de segundo turno com Lula. A quem hoje bateria numericamente por 45,8% a 45,5%.
Atlas e Paraná também com Flávio à frente no segundo turno — A diferença de apenas 0,3 pontos é matematicamente desprezível, em empate técnico na margem de erro de 2,5 pontos para mais ou menos da pesquisa Ideia. Porém, se todos as pesquisas registram o crescimento de Flávio, duas outras já o tinham revelado numericamente à frente em março, também em empate técnico, no segundo turno contra Lula: AtlasIntel (Flávio 47,6% a 46,6% Lula) e Paraná (Flávio 45,2% a 44,1% Lula).
(Infográfico: Joseli Matias)
Lula lidera em empate técnico ao primeiro turno — Na pesquisa Ideia, Lula continuou liderando numericamente as consultas espontânea (32,6% a 19,4% de Flávio, 13,2 pontos atrás) e estimulada, com a apresentação dos nomes ao eleitor, ao primeiro turno. Mas, na estimulada, em outro empate técnico na margem de erro com Flávio, que teve 37% de intenção de voto, 3,4 pontos abaixo, contra os 40,4% do petista.
(Infográfico: Joseli Matias)
Flávio cresceu 13,3 pontos na espontânea e 9,4 na estimulada — Na série de pesquisas mensais Ideia desde janeiro, no entanto, a mesma tendência de crescimento real de Flávio também se repete nas consultas espontâneas e estimulada ao primeiro turno. Na espontânea, que revela o voto consolidado, Flávio saltou 13,3 pontos dos 6,1% em janeiro aos atuais 19,4%. Já estimulada ao primeiro turno, Flávio saltou 9,4 pontos dos 27,6% de janeiro aos atuais 37%.
(Infográfico: Joseli Matias)
Lula patina nos três últimos meses — No mesmo período de três meses, Lula patinou nas mesmas consultas das pesquisas Ideia. Na espontânea, oscilou 0,6 ponto para cima entre os 32% de intenção que tinha em janeiro aos atuais 32,6%. Já na estimulada ao primeiro turno, o petista oscilou 0,8 para cima, entre os 39,6% de janeiro aos atuais 40,4%.
Lula lidera rejeição, seguido por Flávio — Índice considerado fundamental para a definição do segundo turno, a rejeição registrada em abril pela Ideia é liderada por Lula: 44,2% dos brasileiros, hoje, não votariam nele. Em segundo lugar, mas fora do limite da margem de erro, ficou Flávio, com 37,5% de rejeição, 6,7 pontos a menos que o petista.
(Infográfico: Joseli Matias)
Os demais na rejeição — A lista do índice negativo na pesquisa Ideia seguiu com os ex-governadores de Goiás e Minas, respectivamente, Ronaldo Caiado (PSD), com 20,4% de rejeição, e Romeu Zema (Novo), com 17,5%; o empresário Renan Santos (Missão), com 16%; e o ex-ministro Aldo Rebelo (DC), com 11%. Outros 2,2% dos brasileiros disseram não rejeitar ninguém.
Dados da pesquisa — Com margem de erro de 2,5 pontos para mais ou menos, a pesquisa Ideia ouviu 1.500 eleitores de todos o Brasil por telefone, entre os dias 3 e 7 de março (ontem). E foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-00605/2026.
William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE
Análise do especialista — “A pesquisa Ideia de abril testou o confronto de Lula com cinco candidatos no campo da direita no segundo turno. Em todos os cenários testados, Lula patina e os adversários cresceram em intenção, na comparação com março. O teto de intenção de Flávio Bolsonaro segue desconhecido e que a Meio de abril é a primeira do instituto a registrar vantagem numérica dele sobre Lula no segundo turno, ainda, porém, dentro da margem de erro. A pesquisa também registrou que Lula é o nome mais rejeitado pelo eleitorado”, resumiu William Passos, geógrafo com especialização doutoral em estatística no IBGE.
Flávio no Financial Times como “forte candidato” a presidente do Brasil
Flávio competitivo no Financial Times
Em sua edição de ontem (7), o jornal britânico Financial Times disse que a família Bolsonaro estava “politicamente acabada”. Mas que “a seis meses das eleições presidenciais brasileiras, Flávio Bolsonaro, o filho mais velho, de temperamento mais ameno, emergiu (confira aqui) como um candidato altamente competitivo”.
Plataforma semelhante à de Jair
Segundo o influente jornal britânico, “a plataforma (de Flávio) é semelhante à de seu pai: uma mistura de posições de extrema-direita em questões sociais e de combate ao crime, com visões de centro-direita sobre a economia, além de uma crença fervorosa de que Bolsonaro pai foi condenado (por tentativa de golpe de Estado) injustamente.”
El Salvador será aqui?
O Financial Times destacou que, na segurança pública, Flávio busca uma medida de força como o encarceramento em massa do presidente de El Salvador, Nayib Bukele. E enfrentaria o crime no Brasil “com jovens de 16 anos sendo julgados como adultos e a idade mínima para crimes como homicídio e estupro reduzida para 14 anos”.
O que pesquisas de abril dirão?
Quem é contra essas propostas terá que arrumar, nos seis meses até a urna, argumentos mais convincentes do que “fascista” ou tentar relativizar a misoginia do “bem” (confira aqui) de uma Erika Hilton. As pesquisas de abril dirão. A depender se Flávio baterá teto de intenção ou se seguirá a tendência de ascensão desde dezembro de 2025.
Lula e seu ministro da Comunicação e marqueteiro, Sidônio Palmeira
Lula 3 mal até nas suas pesquisas
Não foi só nas sete pesquisas presidenciais de março (confira aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui) que Flávio Bolsonaro (PL) cresceu nas intenções de votos, enquanto Lula (PT) patina desde 2025, em oscilação de queda. Nas pesquisas qualitativas realizadas pelo ministro da Comunicação Sidônio Palmeira, a grande maioria dos eleitores também sinaliza (confira aqui) insatisfação com o Lula 3.
Lula irritado com má fase
Ministro e marqueteiro de Lula, Sidônio não teria conseguido tirar das pesquisas qualitativas explicações para a rejeição ao atual Governo Federal. O fato é que as últimas pesquisas quantitativas a presidente, algumas delas com Flávio já liderando numericamente um eventual segundo turno, têm (confira aqui) irritado bastante Lula.
Ações, até aqui, sem efeito
Nem o início da isenção de Imposto de Renda (IR) a quem ganha até R$ 5 mil, válido desde janeiro, foi capaz de dar fôlego ao Lula 3. Os reajustes de programas sociais, habitacionais e a criação de novos benefícios às classes socioeconômicas baixa e média-baixa também não se refletiram, até aqui, na popularidade do presidente.
“O apressado come cru e quente”, advertiu (confira aqui) na segunda-feira (6) o ex-governador Anthony Garotinho (REP). “Não é apressado, meu amado pai, é ser responsável. A cidade não pode ficar sem deputado federal, mas você e Clarissa permitiram isso na última eleição e a cidade sofre”, respondeu (confira aqui) o filho ex-prefeito, Wladimir Garotinho (PL).
Garotinho questiona Wladimir
O embate se deu nas redes sociais de Garotinho, em que ele postou: “Aconselhei, mas cada um decide o que vai fazer de sua vida política. Serei candidato a governador se tiver eleição direta em julho, em outubro serei candidato a deputado federal. Mas (Wladimir) escolheu disputar com o pai podendo ficar na Prefeitura. Por que será?”
Wladimir questiona Garotinho
“Sempre tive minha definição e fui claro, enquanto você (Garotinho) não decide que cargo disputar. Hora deputado, hora governador e hora senador. Já que tem tantas opções, escolha aquela que não cause mais um conflito na sua família. Terá meu total e irrestrito apoio, como sempre teve”, disse Wladimir, pré-candidato a deputado federal.
George Gomes Coutinbho, cientista político e professor da UFF-Campos
Da psicanálise à ciência política
“Creio que colegas da psicanálise, diante dessa relação edipiana, teriam muito a dizer. Todavia, na minha seara e abrindo mão de Freud, o que pai e filho fazem é usar as redes sociais para criar constrangimentos mútuos e interferir a tomada de decisão do outro”, avaliou o cientista político George Gomes Coutinho, professor da UFF-Campos.
São os votos em disputa
“Isso é fazer política, em termos bastante diretos. Saímos de Sófocles (autor da tragédia ‘Édipo Rei’, em que pai e filho disputam o mesmo trono) para entrar em uma competição marcial pelos votos do eleitor. Que podem não ser suficientes para eleger dois Garotinhos ao Legislativo Federal. É isso que está em disputa”, concluiu George.
Hamilton Garcia, cientista político e professor da Uenf
Caráter patrimonial-familiar
“A fala de Garotinho, censurando o filho por postular volta à Câmara Federal sem seguir sua orientação, é típica de briga partidária. Como no Brasil a maioria dos partidos tem forte caráter patrimonial-familiar, então a divergência assume a forma de ‘desavença familiar’” analisou o cientista político Hamilton Garcia, professor da Uenf.
Personagens diferentes, mesma estrutura
“A questão já havia aparecido quando Wladimir cogitou pela primeira vez se afastar do cargo, e se baseou na experiência de Garotinho (confira aqui) com seus vice-prefeitos Sérgio Mendes e Arnaldo Viana. Os contextos e os personagens são diferentes, mas a estrutura é a mesma: uma municipalidade empoderada por royalties”, concluiu Hamilton.
Falecido precocemente, aos 30 anos, em um trágico acidente com o avião de pequeno porte que pilotava, na última sexta-feira (3), no Rio Grande do Sul, em que morreram também os outros três ocupantes, Nélio Maria Batista Pessanha (confira aqui) terá sua missa de sétimo dia celebrada nesta quinta (9). Que começa às 19h, na Igreja do Salesiano, na avenida Dom Bosco, nº 49, Parque Tamandaré.
Seus pais, os jornalistas Jô Siqueira e Luiz Costa, seus irmãos Ana Luíza e Adriano, e demais familiares convidam todos os amigos para orar em agradecimento pela vida e em intenção da alma de Nelinho, como ele era carinhosamente conhecido desde criança.
Sociólogo, professor da UFF-Campos e escritor, Fabrício Maciel é o convidado do Folha no Ar desta quarta (8), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3.
Ele dará, sob a perspectiva da esquerda universitária goitacá, a perspectiva do novo governo (confira aqui, aqui, aqui e aqui) do industrial do açúcar Frederico Paes (MDB) em Campos.
Fabrício também falará da eleição a governador-tampão do RJ, com regras a serem definidas (confira aqui) pelo Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quarta, e as consequências desses movimentos na eleição a governador do RJ (confira aqui e aqui) em outubro. Assim como a disputa pelas duas cadeiras que o estado (confira aqui e aqui) elegerá ao Senado.
Por fim, com base nas sete pesquisas nacionais de março (confira aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui), o sociólogo tentará analisar a tendência presente de crescimento de Flávio Bolsonaro (PL) nas intenções de voto contra Lula (PT), na disputa a presidente da República.
Quem quiser participar do Folha no Ar desta quarta poderá fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebooke no YouTube.
A perspectiva do governo Frederico Paes (MDB) em Campos (confira aqui, aqui, aqui e aqui), as consequências a ele via royalties do petróleo (confira aqui) a partir da guerra dos EUA e Israel ao Irã, e as pré-candidaturas (confira aqui e aqui) a deputado federal e estadual de Campos e região.
A eleição a governador-tampão do RJ, provavelmente em junho e com regras a serem definidas (confira aqui) pelo Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quarta-feira (8), a eleição a presidente da Alerj após a cassação e nova prisão (confira aqui) do ex-deputado Rodrigo Bacellar (União), e as consequências desses movimentos na eleição a governador do RJ (confira aqui e aqui) em outubro.
Por fim, a partir das sete pesquisas de março (confira aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui), a projeção das eleições a presidente da República, daqui a menos de seis meses e hoje polarizada entre Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). E a eleição às duas cadeiras que o RJ (confira aqui e aqui) elegerá ao Senado.
Esses serão os temas em debate no Folha no Ar desta terça (7), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3, entre o radialista Cláudio Nogueira e os jornalistas Aluysio Abreu Barbosa e Hevertton Luna.
Criança de redação e piloto de avião na vida adulta, Nélio Maria Batista Pessanha (Foto: Arquivo de família)
(A Nélio, Ícaro, Jô, Luiz e Dora)
Numa aula do curso de comunicação da Fafic, me lembro de um professor falando da magia do ambiente de uma redação de jornal. E do fascínio de quem entra nela pela primeira vez. Lógico, falava de si próprio e da grande maioria que só conhece empiricamente numa redação no início da juventude e da carreira profissional de jornalista. Mas não falava sobre a experiência mais restrita das crianças de redação.
São os filhos de pais jornalistas. Por isso criados, desde a infância, em contato direto com aquele ambiente fervilhante de informações e discussões de pauta, de êxitos e frustrações diárias na função primeva de contar as histórias da tribo em torno de uma fogueira. Aos quais, na Idade Contemporânea e sob luz elétrica, uma redação de jornal acaba virando, pelo convívio, só mais um cômodo da casa, como sala, cozinha ou quarto.
Nelio Maria Batista Pessanha, o Nelinho, filho único da jornalista Jô Siqueira e do jornalista Luiz Costa, que teria mais dois filhos em outro casamento, foi uma dessas crianças de redação. Que conheci ainda bem pequeno na redação da Folha da Manhã. Na qual Jô e Luiz foram crias entre os anos 1980 e 1990 do grande jornalista Aluysio Barbosa, o bom, meu homônimo e pai.
Apesar da forte ligação com os pais, sobretudo com a mãe, que o criou exemplarmente, após a separação de Luiz, Nelinho nunca quis ser jornalista. Desde a criança de redação que foi, falava em ser piloto de avião. Mas, diferente de outras crianças, de redação ou não, que abandonam os sonhos iniciais no caminho natural dos anos, Nelinho investiu a vida no seu primeiro e único sonho. E o fez realidade.
Infelizmente, essa conquista de Nelinho do qual sua mãe, seu pai, e seus dois irmãos, Ana Luíza e Adriano, tanto se orgulhavam, numa fatalidade, custou-lhe a vida, aos 30 anos, na queda do avião de pequeno porte que pilotava, na última sexta-feira (3), na cidade de Capão da Canoa, no Rio Grande do Sul. E no qual também morreram os empresários Déborah Belanda Ortolani, Luis Antonio Ortolani e Renan Saes.
Eu, como meu irmão Christiano, também fomos crianças de redação. Como meu único filho, Ícaro, com mãe também jornalista da Folha, Dora Paula. Desde que ele nasceu, em 15 de julho de 1999, retracei o plano de voo da minha própria vida: não mais o do sol, em torno do qual, em nossos delírios de ego, orbita o universo; mas o de lua, passando a orbitar devotamente em torno de algo muito maior.
Ícaro Paes Pasco Abreu Barbosa, no pôr do sol de 31 de dezembro de 2022, no Arpoador, no que seria o seu último réveillon (Foto: Aluysio Abreu Barbosa)
Contra minha vontade, Ícaro seguiu meus passos: uma criança de redação que se tornou jornalista. Desde que morreu com apenas 23 anos, em 13 de maio de 2023, ele é a primeira coisa que penso, toda vez que acordo, e a última, antes de dormir e vir “brincar com meu sonhos”, como o Menino Jesus de Alberto Caeiro, heterônimo do luso Fernando Pessoa. Será assim, tenho certeza, com Nelinho. A aplacar a mais indizível das dores humanas em Jô e Luiz.
Recentemente, assisti ao filme “Hamnet: A Vida Antes de Hamlet” (2025), da diretora chinesa Chloé Zhao, que concorreu aos Oscar de melhor filme este ano e teve mais sete indicações, mas só levou o merecido prêmio de melhor atriz, com irlandesa Jessie Buckley. Que interpreta Agnes, esposa do dramaturgo William Shakespeare, e dá à luz seus três filhos: Susanna e os gêmeos Judith e Hamnet.
Cena da peça “Hamlet” encenada no filme “Hamnet”
Com apenas 11 anos, Hamnet morre, provavelmente de peste bubônica, em 1596. Não por coincidência de datas, tema e da homonímia quase exata, Shakespeare escreve “Hamlet” entre 1599 e 1601. A tragédia definitiva do maior dramaturgo da literatura ocidental é encenada pela primeira vez em 1602 e tem sua primeira versão publicada em 1603.
No filme “Hamnet”, quando sai da sua interiorana Stratford-upon-Avon, junto de seu irmão, onde a família de Shakespeare sempre residiu e o próprio viria a falecer anos depois, para assistir essa primeira encenação de “Hamlet” em Londres, Agnes de início não entende e até se revolta. Porque é o filho, de nome quase idêntico ao que perdera na vida real, que sobrevive após a morte do pai na peça, também chamado Hamlet.
Uma lua e um Atlântico banhado de prata, em Atafona, na Sexta-Feira da Paixão, para Nelinho e Carozão (Foto: Aluysio Abreu Barbosa)
Só no desenrolar da trama, onde o próprio Shakespeare (interpretado por outro irlandês, Paul Mescal) encarna o fantasma do Hamlet pai, é que Agnes entende: Na arte que o marido criou não para imitar a vida, mas para reinventá-la, é o pai que morre antes, não o filho.
Embora Jô, Luiz, Dora e eu trabalhemos com a escrita, certamente, nenhum de nós tem o talento de Shakespeare. Mas, também certamente, temos o mesmo lancinante desejo. Sem poder mais ter Nelinho e Carozão ao lado, poder abraçá-los, beijá-los, sentir seus cheiros, nos resta o plural da saudação de Horácio, melhor amigo de Hamlet, após o filho também morrer ao final da tragédia: “Boa noite, doces príncipes!”
“Ao mesmo tempo em que você tem esse crescimento de Flávio e essa consolidação dentro do bolsonarismo, você tem do outro lado três movimentos que vão fazendo o Governo Federal piorar na visão pública.” Foi o que diagnosticou (confira aqui), em entrevista ao Folha no Ar da última terça-feira (31), o cientista político Bruno Soller.
Estrategista eleitoral, comentarista político de veículos de mídia nacionais como Metrópoles, Estadão e Record, ele é também diretor do instituto de pesquisa Real Time Big Data, entre os mais conceituados do país. E seguiu enumerando esses movimentos negativos ao Lula 3, refletidos em todas as pesquisas presidenciais até aqui:
— O primeiro deles, em janeiro, um monte de conta para pagar e a lógica de que é um governo que só aumentou o imposto das pessoas. Número dois, escândalos de corrupção do tamanho do mundo: caso Master e caso INSS. Um envolvendo o filho do presidente e o outro envolvendo o STF, que para a maioria das pessoas está mancomunado com o poder vigente — disse Bruno à Folha FM 98,3. Ele seguiu:
— E a terceira coisa, que é muito importante. Vamos lembrar que nós tivemos, na Marquês de Sapucaí, um desfile em que o presidente Lula foi homenageado por uma escola, a Acadêmicos de Niterói (confira aqui, aqui e aqui seus efeitos imediatos nas pesquisas presidenciais de fevereiro). E ali não foi só uma homenagem ao Lula, foi um ataque, em parte, a uma porção da população brasileira cada vez mais crescente, que é a evangélica. O Lula, depois daquele ato, nos nossos trackings (monitoramentos em tempo real), perdeu de 9% a 11% de apoio entre os evangélicos.
Elio Gaspari, jornalista e escritor
Na quarta-feira de 1º de abril, quem também escreveu (confira aqui) sobre os movimentos negativos do Lula 3 foi o grande jornalista Elio Gaspari. Referência não só do jornalismo brasileiro, é o autor da obra definitiva, dividida em cinco livros e muito acima de qualquer historiador tupiniquim, sobre a nossa última ditadura militar (1964/1985):
— Lula resolveu culpar os endividados pelo endividamento da população. Nas suas palavras: “Tudo a gente vai comprando. É R$ 50 ali, R$ 30, R$ 40. Parece que não é nada. Mas quando chega no final do mês, a somatória dessa quantidade de pouquinhos vira grande. E a gente começa a ficar zangado. ‘Trabalhei o mês inteiro, recebi meu salário e não sobrou nada’. Aí quem vocês xingam? O governo” — transcreveu Gaspari em sua coluna de quarta. Que seguiu em sua análise:
— Culpar a população por um problema é a marca dos governantes tontos. E Lula não está tonto porque o endividamento das famílias aumentou. O que o leva a culpar o povo são as pesquisas. Segundo a pesquisa AtlasIntel (de março, confira aqui), a desaprovação do governo chegou a 54% e além disso, uma simulação do segundo turno da eleição mostrou-o tecnicamente empatado com Flávio Bolsonaro. O presidente tem 46,6% das intenções de voto e Bolsonaro II ficou com 47,6%. Diferindo de seu pai, que aproveitava qualquer oportunidade para fazer campanha, seu filho está jogando parado.
Citada pelo Gaspari, a AtlasIntel é só uma das sete pesquisas presidenciais (confira as demais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui) realizadas em março. Feitas por institutos diferentes, com metodologias diferentes, todas apontam como tendência inequívoca o crescimento de Flávio, enquanto Lula patina no teto, oscilando para baixo, desde 2025. O filho 01 do ex-presidente também terá que bater no teto de intenções de voto. Mas quando? E de quanto seria?
Com base na AtlasIntel, o teto não só de Flávio, mas da oposição no primeiro turno, poderia ser esses 54% que hoje desaprovam o Lula 3. Mas isso não é conta exata, pois sempre há eleitores que, mesmo desaprovando o governo de turno em tentativa de reeleição, não veem nome melhor ou menos pior nas opções de oposição. Confira no infográfico abaixo:
(Infográfico: Joseli Matias)
O maior desafio de Lula não está no primeiro turno, onde ainda lidera numericamente, mesmo que já em empate técnico com Flávio na margem de erro das pesquisas. Mas no provável segundo turno, onde ficou numericamente atrás de Flávio, embora também em empate técnico. Não só na AtlasIntel, divulgada em 25 de março, mas também na pesquisa do instituto Paraná, divulgada na terça (31). Confira nos dois infográficos abaixo:
(Infográfico: Joseli Matias)
(Infográfico: Joseli Matias)
As simulações de segundo turno das pesquisas AtlasIntel (Flávio 47,6% x 46,6% Lula) e Paraná (Flávio 45,2% x 44,1% Lula) não são o pior problema à reeleição do atual presidente. Mas o fato de que, no cruzamento da Paraná com outra pesquisa de março, a Quaest, divulgada no último dia 11, Lula não merece ser reeleito a uma maioria dos brasileiros que cresce nos últimos dois meses.
Na série Quaest, Lula não merece ser reeleito em março para 59% dos eleitores. São 3 pontos a mais que os 56% que achavam o mesmo em janeiro. Na série Paraná, Lula não merece ser reeleito em março para 53,3% dos brasileiros. São 2,3 pontos a mais que os 51% que achavam o mesmo em janeiro. Esse ponto em elevação, hoje entre 53,3% e 59% dos que hoje acham que Lula não merece ser reeleito, é o teto da oposição. Confira no infográfico abaixo:
(Infográfico: Joseli Matias)
É certo que, a partir de amanhã (5), dia seguinte ao limite de desincompatibilização, quando cessar de vez o medo de enfrentar um Tarcísio de Freitas (REP) a presidente com apoio dos Bolsonaro, o marqueteiro de Lula, Sidônio Palmeira abrirá com mais força a caixa de ferramentas contra o telhado de vidro de Flávio. De rachadinhas, parentes de milicianos como assessores e evolução patrimonial incompatível aos vencimentos.
Mas o dano já está feito. Não só com o desfile carnavalesco de 16 de fevereiro em homenagem a Lula e em ataque os evangélicos, como o da ala “famílias em conserva”. A pesquisa Quaest de março revelou de onde saiu a maioria das intenções de voto a Flávio, de dezembro, quando foi lançado pré-candidato a presidente pelo pai, a março.
Ala “neoconservadores em conserva” do desfle da Acadêmicos de Niterói na Marques de Sapucaí, em homenagem a Lula, a crítica aberta à família. Que é a instituição que todas as pesquisas de opinião mostram ser a mais respeitada pelos brasileiros (Foto: Reprodução)
A Quaest divide o eleitor brasileiro ideologicamente em três grupos quase iguais em tamanho: 33% de esquerda (19% de lulistas + 14% não lulistas), 33% de direita (21% não bolsonaristas + 12% bolsonaristas) e 32% de independentes. Estes são o centro, que migrou a Bolsonaro em 2018 e a Lula em 2022, elegendo ambos presidentes.
Nesse voto de centro, em um segundo turno com Lula (confira aqui), Flávio cresceu 9 pontos dos 23% que tinha em dezembro aos 32% de março. No mesmo eleitor independente e no mesmo cenário de segundo turno, Lula caiu 10 pontos dos 37% de dezembro aos 27% de março. Foi do centro que saíram os dois dígitos do crescimento de Flávio nos três últimos meses. Confira no infográfico abaixo:
(Infográfico: Joseli Matias)
Esse é o estrago identitário já causado a Lula não só pela alegoria debochada das “famílias em conserva”, como pelos ataques abertamente misóginos da deputada trans Erika Hilton (Psol/SP). Que, ao tomar posse como presidente da comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara Federal, tentou reduzir agressivamente, aos berros, mulheres biológicas de oposição a… “pessoas que gestam”.
— Erika Hilton é uma forte cabo eleitoral do Flávio. A massa que vota no Lula é conservadora, não é ideológica. A gente tem que parar com isso. A esquerda UFRJ, USP, UFF é muito pequena no Brasil. O voto do Lula é popular, das camadas mais baixas da população, que é conservadora. É onde está o maior índice de pessoas que rejeitam o casamento entre pessoas do mesmo sexo e o aborto — constatou o cientista político Bruno Soller, diretor do instituto Real Time Big Data, no Folha no Ar da última terça.
Por que, nas sete pesquisas presidenciais de março (confira aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui) feitas por institutos diferentes, com metodologias diferentes, Flávio Bolsonaro (PL) apareceu empatado tecnicamente com Lula (PT) nas simulações de segundo turno, numericamente à frente em algumas? A resposta não está só no crescimento de Flávio, mas no aumento da maioria que acha que Lula não merece ser reeleito e desaprova o seu governo.
Pesquisas Paraná e Quest: maioria acha que Lula não merece reeleição — Na pesquisa do instituto Paraná de março divulgada na quarta (31), o atual presidente não merece ser reeleito para a maioria de 53,3% dos brasileiros, enquanto merece para 43,7% (9,6 pontos percentuais a menos). Na pesquisa Quaest divulgada em 11 de março, os resultados foram ainda piores à reeleição. Que Lula não mereceria para 59% dos eleitores, merecendo para apenas 37% (22 pontos a menos).
Cresce maioria contrária à reeleição de Lula — Vista na comparação com as pesquisas anteriores dos mesmos dois institutos, a tendência é de aumento nesses números contrários à reeleição do atual presidente. Na série Paraná, Lula não merecia renovar o mandato para 51% dos brasileiros em janeiro, 2,3 pontos a menos que os 53,3% de março. Na série Quaest, o petista não merecia se reeleger para 56% dos eleitores em janeiro, 3 pontos a menos que os 59% de março.
Cai minoia a favor da reeleição de Lula — Por outro lado, na série Paraná, Lula merecia ser reeleito para 45,3% da população em janeiro, minoria que caiu 1,6 ponto nos últimos dois meses, até os 43,7% que ainda acham o mesmo em março. Já na série Quaest, o atual presidente merecia renovar o mandato para 40% dos brasileiros em janeiro, minoria que caiu 3 pontos nos últimos dois meses, até os 37% que ainda acham o mesmo em março.
Crescimento de Flávio = desaprovação à reeleição e ao Lula 3 — O crescimento nas intenções de voto de Flávio deriva não só da diminuição na minoria dos eleitores que acham que Lula não merece ser reeleito. É também fruto do crescimento na desaprovação do atual Governo Federal.
Cresce desaprovação ao Governo Federal — Em dezembro, quando Flávio foi lançado pré-candidato a presidente pelo pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o Lula 3 era desaprovado pela maioria apertada de 50,9% do brasileiro na série de pesquisas Paraná. Três meses depois, essa maioria subiu 1,1 ponto até os 52% que desaprovam o Lula 3 em março.
Tendência de aumento na desaprovação em três pesquisas — A mesma tendência de aumento na desaprovação do governo Lula é confirmada nas séries de pesquisas Quaest e AtlasIntel. Pela Quaest, o Lula 3 era desaprovado pela minoria apertada de 49% dos eleitores em dezembro. Que, três meses depois, cresceu 2 pontos até a maioria também apertada dos 51% que desaprovam em março.
(Infográfico: Joseli Matias)
AtlasIntel: 54% desaprovam o Lula 3 — Já na série de pesquisas presidenciais AtlasIntel, os que desaprovavam o atual Governo Federal já formavam uma maioria apertada de 51% da população em dezembro. Que ficou mais folgada ao crescer 3 pontos, três meses depois, até os 54% que desaprovam o Lula 3 em março.
Dados da pesquisa Paraná de março — Com margem de erro de 2,2 pontos para mais ou menos, a pesquisa Paraná de março consultou presencialmente 2.080 eleitores de 26 estados e Distrito Federal, entre os últimos dias 25 e 28. E foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-00873/2026.
Dados das pesquisas Quaest e AtlasIntel de março — Com margem de erro de 2 pontos para mais ou menos, a Quest de março consultou presencialmente 2.004 eleitores de todo o Brasil, entre os últimos dias 6 e 9, com registro BR-05809/2026 no TSE. Com margem de erro de 1 ponto para mais ou menos, a AtlasIntel de março consultou digitalmente 5.028 eleitores entre os últimos dias 18 e 23, com registro BR-04227/2026 no TSE.
Divulgada ontem (31), a pesquisa do instituto Paraná foi a sétima nacional do mês de março a registrar o mesmo quadro de empate técnico ou numérico entre Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) em um eventual segundo turno presidencial. Mas, se todos os levantamentos registram a tendência de crescimento de Flávio, ele já aparece numericamente à frente no segundo turno de outubro na pesquisa Paraná: 45,2% a 44,1% do petista (1,1 ponto atrás, em empate técnico).
Lula atrás de Flávio no segundo turno também na AtlasIntel — A outra pesquisa de março que também registrou Flávio numericamente à frente de Lula, em mais um empate técnico, na simulação de segundo turno, foi (confira aqui) a AtlasIntel: 47,6% a 46,6% do atual presidente (exato 1 ponto atrás). Outras pesquisas de março colocaram os dois em empate exato em um eventual segundo turno presidencial, como (confira aqui) a Quaest: Lula 41% a 41% Flávio.
(Infográfico: Joseli Matias)
Flávio cresce em todas as pesquisas — O que todas as sete pesquisas de março registraram é o crescimento rápido de Flávio nas intenções de voto, desde que foi lançado pré-candidato a presidente pelo pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em 5 de dezembro. Na pesquisa Paraná divulgada ontem o 01 perderia o segundo turno para Lula em dezembro por 44,1% a 41,0%, 3,1 pontos atrás. Em março, Flávio liderou o segundo turno por 45,2% a 44,1%, crescimento de 4,2 pontos sobre Lula em apenas três meses.
Lula lidera ao primeiro turno em empate técnico com Flávio — Como também em todas as demais seis pesquisas de março, Lula ainda lidera a corrida eleitoral ao primeiro turno na Paraná, com 41,3% de intenção, mas também em empate técnico com Flávio, que teve 37,8%, 3,5 pontos a menos. Atrás deles, vieram os ex-governadores de Goiás e de Minas, respectivamente, Ronaldo Caiado (PSD), com 3,6%, e Romeu Zema (Novo), com 3,0%; Renan Santos (Missão), com 1,2%; e o ex-ministro Aldo Rebelo (DC), com 1,1%, todos os quatro em empate técnico.
(Infográfico: Joseli Matias)
Dados da pesquisa Paraná — Com margem de erro de 2,2 pontos para mais ou menos, a pesquisa Paraná consultou presencialmente 2.080 eleitores de 26 estados e Distrito Federal, entre 25 e 28 de março. E foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-00873/2026.