Opiniões

Marcas, patentes e direito autoral no Folha no Ar desta 5ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

A partir das 7h da manhã desta quinta, a convidada do Folha no Ar, na Folha FM 98,3, é a consultora de propriedade intelectual e policial civil Kíssila Santos. Ela falará sobre marcas, patentes e direito autoral. Analisará também a participação da mulher nas Forças de Segurança. Por fim, ela falará sobre o Brasil após o 7 de setembro, Estado do Rio e Campos.

Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quinta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

O 7 de setembro bolsonarista entre DF, SP, Rio e Campos

 

Campos foi uma das 167 cidades brasileiras em que bolsonaristas saíram às ruas no 7 de setembro para apoiar o presidente, que na av. Paulista revelaria o real motivo das manifestações (Fotos: Reprodução de vídeo e Genilson Pessanha/Folha da Manhã — Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Ruas de 7 de setembro

Felizmente, o maior temor pelo 7 de setembro não se cumpriu. Não houve enfrentamentos ou violência física. Como não passaram da bravata as ameaças de invasão do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Congresso Nacional. As manifestações de apoio ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em 167 cidades, incluisve em Campos, evidenciaram o que todas as pesquisas apontam: o capitão mantém cerca de 25% do eleitorado. Não garante sua reeleição em 2022, como as pesquisas também indicam. Mas é mais que o dobro do que tinham os ex-presidentes Fernando Collor de Mello (hoje, PRB) e Dilma Rousseff (PT) quando sofreram o impeachment.

 

A fotografia e o resto

Após dois meses de organização, Bolsonaro apostava suas fichas nas manifestações em Brasília e São Paulo. Esteve e discursou em ambas. Na capital federal, pela manhã, não nominou. Mas pediu que o presidente do STF, ministro Luiz Fux, enquadrasse seu colega Alexandre de Moraes. E ameaçou: “ou esse Poder pode sofrer aquilo que não queremos”. Deixou no ar a ameaça da decretação de um estado de sítio ou de defesa no país: “Amanhã estarei no Conselho da República (…) com essa fotografia de vocês mostrar para onde nós todos devemos ir”. Conseguiu a fotografia, mas dificilmente conseguirá algo mais.

 

Victor Queiroz, promotor de Justiça

Análise de Bolsonaro (I)

“No art. 2°, inciso II, da Lei 8.041/90, uma das atribuições do Conselho da República é pronunciar-se sobre questões relevantes para a estabilidade das instituições. Atualmente, a única utilidade seria se pronunciar sobre eventual desejo de renúncia. Embora a renúncia seja ato unilateral, caracterizaria iniciativa de rara compostura do Sr. Presidente da República. Quanto a pretender que o Sr. Presidente do STF enquadre outro ministro da Corte, provavelmente, o Sr. Presidente da República tem alguma dificuldade de compreender o que lhe tem dito sua assessoria jurídica”, ironizou o promotor de Justiça Victor Queiroz

 

Priscila Marins, advogada

Análise de Bolsonaro (II)

“Aquele que deveria defender a democracia e a estabilização dos Poderes, resolve dar um ‘ultimato’ ao presidente do STF para que este ‘enquadre’ o ministro Alexandre de Moraes. O art. 52, II da Constituição diz que compete ao Senado julgar os ministros do STF, não o STF. Em outra demonstração de autoritarismo, Bolsonaro anunciou a convocação do Conselho da República, que tem suas competências fixadas no art. 90 da Constituição. Mas, para decretar o estado de sítio, por exemplo, precisa primeiro da autorização do Congresso Nacional, conforme determina o art. 49 da Constituição”, ressaltou a advogada Priscila Marins.

 

Carlos Alexandre de Azevedo Campos, advogado e ex-assessor do STF

Análise de Bolsonaro (III)

“Bolsonaro faz nova ameaça ao STF, dizendo que se Fux não enquadrar Moraes, impedindo-o de tomar decisões contrárias ao governo, o STF sofrerá. É mais um crime de responsabilidade, tipificado no artigo 85, inciso II, da Constituição: atentar contra o livre exercício do Judiciário. Já o Conselho da República é órgão de consulta e pode ser convocado pelo presidente da República para manifestar-se sobre intervenção federal, estado de defesa e ou de sítio. Não há situações que autorizam intervenção, nem estados de sítio e defesa, que dependem do Congresso”, analisou o advogado Carlos de Alexandre de Azevedo Campos, ex-assessor do STF.

 

João Paulo Granja, advogado

Análise de Bolsonaro (IV)

“Há quase duzentos anos, tivemos nossos vínculos quebrados com nossos colonizadores, fato efusivamente celebrado. Após quase dois séculos, o Brasil assiste, apreensivo, ao conflito entre o seu governante e o STF, responsável pela guarda da Constituição. Parece que o sucessor do Dom Pedro I confunde os mais básicos conceitos legais, transformando divergências com um ou dois dos 11 componentes do STF em um conflito entre os dois Poderes constituídos. E assaca normas que só deveriam viger sob o estado de exceção, como o artigo 142 da Lei Maior e o pouco conhecido Conselho da República”, resumiu o advogado João Paulo Granja.

 

Da Paulista à Copacabana

À tarde, em São Paulo, Bolsonaro subiu mais o tom. Nominou Moraes, buscando personalizar sua ameaça de não cumprir decisões do STF. E voltou a atacar a urna eletrônica, rompendo acordo com quem segura seus mais de 100 pedidos de impeachment: o presidente da Câmara de Deputados, Arthur Lira (PP/AL). Que conduziu o sepultamento do voto impresso em 2022. Foi também na av. Paulista que o capitão revelou o real motivo das manifestações: “Dizer aos canalhas que eu nunca serei preso”. Na incerteza sobre os “canalhas”, Fabrício Queiroz, investigado por corrupção com os Bolsonaro, prestigiou o ato bolsonarista de Copacabana.

 

 

Em Campos

Em Brasília, o jornal Valor Econômico revelou que a presença de público, não contabilizada pela PM, teria sido apenas 5% do esperado. Na Paulista, a PM contou 125 mil bolsonaristas, onde eram esperados dois milhões. Em Campos, foram cerca de 300 manifestantes. Entre eles o edil Raphael Thuin (PTB). No ato, ele disse: “O movimento de hoje de 7 de setembro vai muito além das questões políticas de lado A ou B. Nós estamos brigando pela independência do Brasil. E atitudes como STF estava tomando, ser contra o voto auditável”. Com o voto eletrônico e auditável, Thuin foi eleito vereador. E Bolsonaro, presidente.

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

Sete de setembro em revista no Folha no Ar desta quarta

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

A partir das 7h da manhã desta quarta (08), o convidado do Folha no Ar, na Folha FM 98,3, é o historiador e professor Arthur Soffiati. Ele analisará os oito primeiros meses do governo municipal Wladimir Garotinho (PSD). Também avaliará os governos federal de Jair Bolsonaro (sem partido) e estadual de Cláudio Castro (PL), projetando as eleições de 2022. Por fim, o historiador dará sua visão das manifestações do 7 de setembro, em Campos e no país.

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Cristofascismo no 7 de setembro de Jair Bolsonaro

 

 

Ronilso Pacheco, pastor e teólogo formado pela PUC/RJ

O cristofascismo dos púlpitos e do armário

Por Ronilso Pacheco

 

O teólogo e historiador Fábio Py tem popularizado no Brasil a categoria de “cristofascismo”, com a qual identifica o grupo cristão que, integrando-se ao governo Bolsonaro diretamente ou dando-lhe apoio incondicional, fortalece seu uso da religião e de uma teologia do domínio como escudo para seu caráter autoritário.

Py empresta a expressão da teóloga alemã Dorothee Solle, que a usou no contexto do nazismo para se referir à íntima relação entre líderes cristãos e o partido de Adolf Hitler. Solle cunha a expressão em 1970 no livro “Além da Mera Obediência”, no qual trata dos rumos de uma ética cristã para o futuro.

O cristofascismo pode ser uma categoria ainda em construção no Brasil, mas seu sentido e sua estética são perfeitamente identificáveis. E, nesta semana do 7 de Setembro, eles irão querer mostrar que definitivamente estão dispostos a levar o país ao limite da radicalidade, pregando uma manifestação pacífica enquanto estão plenamente conscientes de que pacifismo e bolsonarismo não se alinham em nenhuma realidade.

Porém o que não pode ser dito ou ignorado sobre esse grupo diz respeito à sua “fidelidade” ao bolsonarismo. Eles mantêm a cara exposta para ser vista, reconhecida e rechaçada. Três anos depois, o bolsonarismo levou o país ao caos, à mediocridade, ao aumento da pobreza e da fome e aos piores índices na qualidade da educação e em investimento em pesquisa e cultura. É um país politicamente mais violento e ameaçador. Mas a ascensão do bolsonarismo tem muito mais do que a adesão fundamentalista e reacionária evangélica.

Se há uma intensa responsabilização dos evangélicos pentecostais e neopentecostais pelo apoio a Bolsonaro e suas aspirações totalitárias e violentas, é hora de olhar para a responsabilidade do mercado financeiro, de grande parte dos grandes banqueiros brasileiros, de parte significativa dos grandes empresários, dos donos da grande mídia brasileira e até dos descolados ideólogos dos movimentos da “nova política” no país, que ignoraram o sujeito Bolsonaro, desde que ele “barrasse a esquerda” e deixasse a economia fluir segundo a cartilha do neoliberalismo.

Neste 7 de Setembro, só um grupo estará majoritariamente nas ruas, convocando seu rebanho para a “guerra”. O outro ficará em silêncio, fingindo-se chocado e surpreso, mesmo sabendo que não sentiu nenhum desconforto (e provavelmente ainda não sente), em ver o país ser governado por quem elogia torturadores, ofende gays, ridiculariza a comunidade negra, zomba do direito dos povos indígenas, despreza as políticas de proteção ambiental e tem uma tara em agredir verbalmente mulheres jornalistas e parlamentares. Adoram todos o mesmo deus.

 

Publicado na Folha de São Paulo.

 

Folha no Ar desta terça: o que esperar do 7 de setembro?

 

(Arte: Joseli Mathias)

 

A partir das 7h da manhã desta terça (7), o convidado do Folha no Ar, na Folha FM 98,3, é o cientista político Hamilton Garcia, professor da Uenf. Ele falará da parceria entre a Fundação Astrojildo Pereira e o Grupo Folha em debates virtuais, sob sua coordenação, para tentar compreender o momento do país. Avaliará também o governo Jair Bolsonaro (sem partido) e tentará projetar as eleições de 2022, a presidente da República e governador do estado do Rio.

Por fim, Hamilton tentará responder à pergunta que mais tem sido feita pelos brasileiros nos últimos dias: o que esperar das manifestações programadas ao 7 de setembro? Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta terça pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

Do “Independência ou morte!” ao “Acabou, porra!”

 

Dom Pedro I e Jair Bolsonaro (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Do “Independência ou morte!” ao “Acabou, porra!”

 

Daqui a três dias será 7 de setembro. Feriado da independência do Brasil, proclamada em 1822 pelo príncipe regente de Portugal. Cento e noventa e nove anos depois, o país que teve em Dom Pedro I seu primeiro governante espera com apreensão as manifestações nesta terça dos apoiadores do atual ocupante do cargo: o presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Que, desde janeiro deste ano, sangra popularidade em todas as pesquisas. Na última, realizada pelo PoderData de segunda (30) a quarta (1º) desta semana, com 2.500 pessoas de 472 municípios das 27 unidades da Federação, Bolsonaro registrou seu pior índice de popularidade na série histórica do instituto. A pouco mais de 12 meses das urnas de 2022, apenas 27% dos brasileiros aprovam o atual governo federal. Os que desaprovam são hoje 63%.

Vencidos 32 meses de governo, o recorde de desaprovação de Bolsonaro reflete a realidade do país. Com volta da inflação, aumento dos juros, da cesta básica, dos combustíveis e da energia elétrica, crise hídrica, 14,4 milhões de brasileiros desempregados, 35,6 milhões de outros na informalidade, prejuízos nas lavouras de milho, café, cana, hortaliças e frutas, além da pecuária de leite, fuga dos investidores internacionais, a maior retração da produção industrial desde julho de 2015 e queda do PIB no segundo semestre erodindo qualquer retomada do crescimento a curto prazo, o cenário interno é tão desalentador quanto a imagem do Brasil no exterior. Tudo, ao juízo bolsonarista, consequência da Covid-19. No mesmo negacionismo que gerou a condução desastrosa da pandemia, econômica e sanitária, com mais de 582 mil vidas humanas perdidas até ontem no país.   

“É a economia, estúpido”, diria na sua frase mais célebre James Carville, estrategista do ex-presidente dos EUA Bill Clinton. O problema é que a estupidez, no Brasil de hoje, desafia os limites da razão. E da vida! No orçamento apresentado no Congresso na terça (31), Bolsonaro anunciou sua “economia” para 2022: reservou à compra de vacina contra Covid 85% menos do que em 2021. Serão R$ 3,9 bilhões para aquisição de imunizantes, contra os R$ 27,8 bilhões deste ano. Ciente do caos, o mercado que ainda dava alguma flutuação ao bolsonarismo desembarcou da canoa furada. Desistiu do “Posto Ipiranga” Paulo Guedes vendendo gasolina a R$ 7,00 o litro.

Na segunda, sete entidades representativas do agronegócio, responsável por 27% do PIB nacional, divulgaram manifesto em defesa da democracia:

— A Constituição de 1988 definiu o Estado Democrático de Direito no âmbito do qual escolhemos viver e construir o Brasil (…) Mais de três décadas de liberdade e pluralismo, com alternância de poder em eleições legítimas (…) O Brasil é muito maior e melhor do que a imagem que temos projetado ao mundo. Isto está nos custando caro e levará tempo para reverter.

Na quinta (02), foi a vez de 300 empresários da Associação Comercial e Empresarial de Minas (ACMinas), no estado governado pelo bolsonarista Romeu Zema (Novo), darem o seu recado:

— A ruptura pelas armas, pela confrontação física nas ruas, é sinônimo de anarquia, que é antônimo de tudo quanto possa compreender uma caminhada serena, cidadã e construtiva. A democracia não pode ser ameaçada, antes, deve ser fortalecida e aperfeiçoada.

Na mesma quinta, após o tiro no pé de Paulo Guedes ao tentar conter a manifestação da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), esta mandou às favas o ministro da Economia e a Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), que urinou para trás. A Febraban não defecou à defecção e foi em frente, junto a outras 200 entidades, entre elas entre elas a Associação Brasileira de Agronegócio (Abag), o Instituto de Desenvolvimento do Varejo (IDV), a Fecomercio e a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). Riscaram sua linha no chão:

— As entidades da sociedade civil que assinam este manifesto veem com grande preocupação a escalada de tensões e hostilidades entre as autoridades públicas. O momento exige de todos serenidade, diálogo, pacificação política, estabilidade institucional e, sobretudo, foco em ações e medidas urgentes e necessárias para que o Brasil supere a pandemia, volte a crescer, a gerar empregos e assim possa reduzir as carências sociais que atingem amplos segmentos da população.     

Sem nenhum arremedo de solução aos problemas reais do Brasil, o presidente reage criando outros, para tentar mascarar o que não sabe, nem quer resolver. E abriu uma crise com os demais Poderes da República, sobretudo o Supremo Tribunal Federal (STF), unido contra os arroubos autoritários do chefe do Executivo. Que são personificados nos chamamentos ao 7 de setembro “patriótico”, de camisa amarela e fralda geriátrica:

— Ninguém pode ir a Brasília simplesmente para passear, balançar bandeirinhas e ficar somente acampado (…) Como todos devem saber, nós teremos vários reservistas e R2 (oficiais da reserva), pessoas que têm conhecimento de como podemos fazer formações de grupamento para adentrarmos ao STF e ao Congresso (…) caso haja reações, vamos ter que enfrentar — convocou o coronel da reserva dos Bombeiros do Ceará, Davi Azim.

 

 

— Se em 30 dias eles não tirarem aqueles caras (ministros do STF), nós vamos invadir, quebrar tudo e tirar aqueles caras na marra. Pronto. É isso que você quer saber? É assim que vai ser. Pronto — bravateou o cantor sertanejo Sérgio Reis. Para se dizer em depressão, após receber a Polícia Federal (PF) em sua casa.

— Nós temos que agir agora. Concentrar as pressões populares contra o Senado, e, se preciso, invadir o Senado e colocar para fora da CPI (da Covid) a pescoção. Porque moleque a gente trata a pescoção — pregava o presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson, preso pelo Mensalão do PT, antes de ser engaiolado novamente no dia 13, pelo ministro do STF Alexandre Moraes. E ser denunciado por incitação ao crime e racismo, no dia 30, pela sub-procuradora geral da República Lindôra Araújo, mais bolsonarista da PGR. Na flor dos seus 68 anos, Jefferson é o mais jovem dos três cavaleiros do apocalipse, travestidos de “patriotas”.

Abandonado por 63% da população brasileira, pelo agronegócio, parte do empresariado e até a Febraban, Bolsonaro também o foi pelo presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM/MG). Que, no dia 25, negou o pedido de impeachment de Moraes feito pelo presidente da República. Cujos mais de 100, por crimes de responsabilidade a escolher, são até aqui seguros pelo aliado que lhe restou nos demais Poderes da República: o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP/AL). Cujo filho, Arthur Filho, é dono da empresa Mídia Nova Representações, sem sede, site ou e-mail oficiais. Mas com contratos com a Caixa Econômica Federal e os ministérios da Saúde e do Turismo.

De pai para filho, na quinta as “rachadinhas” dos Bolsonaro explodiram de vez com a revelação de um ex-funcionário do clã por 14 anos. Marcelo Luiz Nogueira dos Santos denunciou uma série de supostos crimes cometidos pela família. Afirmou que o hoje presidente decidiu transferir para Flávio (01) e Carlos Bolsonaro (02), respectivamente senador fluminense e vereador carioca, o comando de um esquema de corrupção nos gabinetes de ambos. Teria sido após descobrir que era traído por sua então mulher, a advogada Ana Cristina Siqueira Valle. Mãe de Renan Bolsonaro (04), investigado sobre suas atividades empresariais em inquérito aberto pela PF no dia 15, ela e o filho moram de aluguel em mansão em Brasília avaliada em R$ 3,2 milhões. Cujo proprietário no documento, o corretor de imóveis Geraldo Antônio Machado, vive em casa de classe média e não tem nenhuma outra propriedade em seu nome.

 

 

Marcado pelo “Independência ou morte!” de Dom Pedro I, que pelo menos pôde abdicar do trono em favor do filho, o 7 de setembro do atual governante do Brasil, no lugar de golpe contra a democracia, tende a ficar marcado por outra frase: “Acabou, porra!”.

 

 

Publicado hoje na Folha da Manhã.

 

Mourão ao RJ e Cláudio Castro entre Bolsonaro e Lula

Mourão, Castro, Bolsonaro, Lula, Quaquá e Bacellar (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

Especulado como candidato a governador fluminense em 2022, o vice-presidente, general na reserva e gaúcho Hamilton Mourão (PRTB), já teria definido seu domicílio eleitoral ao Rio. A informação, creditada ao partido, foi divulgada hoje pela jornalista Berenice Seara, do jornal carioca Extra. A dúvida seria só se Mourão vai concorrer a governador ou ao Senado — que no próximo pleito elegerá apenas um à Câmara Alta de República pelo estado.

Novidade à parte, a jornalista registrou também o óbvio aparente: se Mourão confirmar sua candidatura a governador do RJ, o principal afetado seria o atual, Cláudio Castro (PL), pré-candidato a ficar no cargo que assumiu com o impeachment de Wilson Witzel (PSC). Pelo menos aos seus adversários na corrida ao Palácio Guanabara, Castro é tão ligado ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) quanto o general se distanciou do capitão no governo federal.

Mesmo que Mourão confirme sua candidatura, há muitas variáveis numa eventual disputa sua com Castro. Uma delas é que esta semana o ex-presidente da Juventude Nacional do PT Rodrigo Abel foi oficializado secretário na suposto governo bolsonarista do estado do Rio. Isto depois de  Thiago Pamplona, deputado pedetista licenciado como secretário estadual do Ambiente, ter tornado pública a possibilidade de aliança entre Castro e Lula (PT):

—  O governador e o ex-presidente Lula tem muitos amigos em comum que já estão trabalhando na construção deste movimento — disse Pamplona. Ele adiantou que sairá do PDT, caso o ex-prefeito de Niterói Rodrigo Neves confirme sua candidatura a governador pelo partido. Caso ela não vingue, o secretário de Castro trabalhará para levar a legenda de esquerda, que tem Ciro Gomes como pré-candidato a presidente, para apoiar o governador.

Noves fora o PDT, há mais elementos na salada de frutas política fluminense da aproximação do governador “bolsonarista” com o PT de Lula. Aliança com que também contam outros pré-candidatos a governador, como o deputado federal Marcelo Freixo (PSB), além do pedetista Rodrigo Neves. A despeito disso, o ex-prefeito de Maricá petista Washington Quaquá postou em suas redes sociais no último dia 24, ao recepcionar Castro em sua terra:

— Não sou de participar de eventos oficiais, nem quando era prefeito gostava, mas hoje fiz questão de ir prestigiar a vinda do governador Cláudio Castro. Para quem chegou sem que ninguém levasse muita fé, ele tem demostrado imensa capacidade de diálogo e ao mesmo tempo de vencer a crise administrativa do Estado — pregou um dos grandes nomes do PT fluminense.

 

Fabiano Horta, Cláudio Castro, Washington Quaquá, Rodrigo Bacellar e Zeidan em Maricá, em 24/08 (Foto: Instagram)

 

Junto a Quaquá e Castro, no encontro da semana passada em Maricá, estavam o atual prefeito petista do município, Fabiano Horta, a deputada estadual do PT Zeidan e o secretário estadual de Governo, o deputado campista Rodrigo Bacellar (SD). Cujo pai, o ex-vereador Marcos Bacellar (SD), egresso do movimento sindical dos eletrecitários em Campos, sempre foi admirador confeso do ex-sindicalista dos metalúrgicos Lula.

Paulo Ganime

Pré-candidato a governador pelo Novo, o deputado federal Paulo Ganime se posicionou sobre a salada de frutas fluminense, entre as eleições aos palácios Guanabara e do Planalto em 2022:

— Todos esses nomes (a governador) estão querendo colar no Lula, no Bolsonaro ou no Ciro. Mas os eleitores do RJ querem algo diferente, o RJ precisa de algo diferente.

 

Atualizado às 14h15.

 

Código, IPTU e Mesa Diretora no Folha no Ar desta 6ª

 

(Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

A partir das 7h da manhã desta sexta (03), quem fecha a semana do Folha no Ar, na Folha FM 98,3, é o vereador Fábio Ribeiro (PSD), presidente da Câmara Municipal de Campos. Ele falará sobre a novela da proposta do novo Código Tributário, que se arrasta desde 25 de maio, e da polêmica da cobrança retroativa do IPTU. Falará também sobre a encruzilhada política entre a pré-candidatura a deputado estadual e a eleição na nova Mesa Diretora da Câmara.

Por fim, Fábio falará das suas perspectivas para as manifestações bolsonaristas de 7 de setembro, assim como da sua projeção para as eleições de 2022. Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta sexta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, na página da Folha FM 98,3 no Facebook.

 

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