Flamengo de Zico ou Jesus — Qual seria o melhor time entre 1981 e 2019?

 

(Arte:Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Entre o Flamengo de 1981 e o de 2019: Raul/Diego, Leandro, Rodrigo Caio, Mozer e Júnior; Andrade, Adílio e Zixo.; Tita, Gabigol e Bruno Henrique. Técnico: Jorge Jesus (Arte: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

O Flamengo de Zico ou o de Jesus? O primeiro foi campeão brasileiro três vezes, em 1980, 82 e 83 — quatro, se contabilizada a Copa União de 87 —, e conquistou a América do Sul e o mundo em 1981. O segundo, ainda não ganhou nada, mas está com oito pontos de vantagem no Brasileiro deste ano, em que disputará a final de Libertadores da América no próximo dia 23 contra o tradicional copeiro argentino River Plate. E, se ganhar, poderá jogar outra final de mundial em 13 de dezembro contra o mesmo clube inglês Liverpool que goleou por 3 a 0, em ritmo de treino, exatos 38 anos antes. Gênio e líder do Flamengo que realizou o maior feito da sua história, Zico é até hoje considerado o messias da Gávea. De fato, para os flamenguistas mais apaixonados, o Natal é celebrado em 3 de março, dia em que nasceu seu grande craque, 66 anos atrás. Com o nome do messias cristão, o treinador português Jorge Jesus fez o Flamengo de hoje resgatar a tradição daquele futebol técnico e ofensivo que se assenhorou do Brasil, da América e do mundo, no início dos anos 1980. Quase quatro décadas depois, a expectativa gerada gerou também a pergunta que imprensa e torcida, não apenas a rubro-negra, têm se feito: e entre o Flamengo de Zico e Jesus? No mano a mano hipotético entre os dois times, quem são os 11 que entrariam no gramado? A busca de resposta, sempre subjetiva, é tão difícil que a Folha saiu a campo atrás dela e achou 12 jogadores. Além do seu treinador.

No exercício sempre instigante de comparar um passado de glória com o presente e o porvir, ouvimos 24 pessoas ligadas ao futebol, entre ex-craques e treinadores, jornalistas esportivos da mídia nacional e regional, além de torcedores — não só do Flamengo. Na comparação jogador a jogador, foi registrado um único empate: entre os goleiros Raul Plassmann e Diego Alves. Com 12 votos cada, jogariam um em cada tempo. O resto dos titulares rubro-negros dos sonhos ficou com Leandro na lateral-direita (22 votos), Rodrigo Caio na zaga central (10 votos), Mozer na quarta-zaga (23 votos), Júnior na lateral-esquerda (24 votos), Andrade como volante (22 votos), Adílio de meia (21 votos), Zico como antigo ponta de lança (24 votos), Tita na direita do ataque (13 votos), Gabigol como centroavante (13 votos) e Bruno Henrique (21 votos) nas ações ofensivas pela esquerda. Ele foi o mais bem votado entre os jogadores do Flamengo atual. Seu técnico, Jorge Jesus comandaria o time fora do campo, com 18 votos.

Apesar da expectativa gerada pelo Flamengo de hoje, ele colocaria apenas três jogadores — quatro no empate de Diego com Raul — no misto hipotético com o maior Flamengo do passado. Mas daria também o seu treinador, português que vem revolucionando o futebol brasileiro. Sem a burrice sentenciada pelo tricolor Nelson Rodrigues, a unanimidade dos 24 votantes se deu apenas com os dois gênios mais conhecidos do Fla de 1981: Zico, maior jogador do Flamengo em todos os tempos, considerado pela Fifa e pelas tradicionais revistas europeias World Soccer e France Football entre os 10 melhores camisas 10 produzidos no século XX; e Júnior, destaque na história do time e do futebol brasileiro, como lateral ou meia.

 

Colégio eleitoral: José Trajano. Paulo Vinícius Coelho. Paulo César Caju, Bianca Inojosa, Josué Teixeira, Gecildo Souza. Jorge Sena, Péris Ribeiro. Igor Siqueira, Paulo Renato Porto, Viviane Siqueira, Antunis Clayton, Arnaldo Garcia, Luiz Costa, Marco Antônio Rodrigues, Sebastião Carlos Freitas, Thiago Corrêa. Roberto Dutra, Leonardo Moreira, Rafael Abud, Heloísa Landim, Carlos Alexandre de Azevedo Campos. Christiano Aberu Barbosa e Eron Simas (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Não apenas flamenguistas, os votantes foram o ex-craque tricampeão pela Seleção Brasileira de 1970 e colunista de O Globo, Paulo César Caju; o ex-artilheiro do Atlético de Madri e técnico Jorge Sena; os treinadores do Americano e do Campos, respectivamente Josué Teixeira e Gecildo Souza. Entre os jornalistas, participaram da enquete três titulares da mídia nacional: José Trajano, do Portal Ultrajano, TVT e rádio Brasil Atual; Paulo Vinícius Coelho, o PVC, da Fox Sports e da rádio Globo/CBN; e Igor Siqueira, repórter campista hoje em O Globo e Extra. Pela crônica esportiva regional, teve voz o seu decano, Péris Ribeiro, com passagem nacional pela revista Placar e autor do livro “Didi, o Gênio da Folha Seca”; além de Paulo Renato Porto, Marco Antônio Rodrigues, Viviane Siqueira, Antunis Clayton, Luiz Costa, Sebastião Carlos Freitas e Arnaldo Garcia. Também participaram a profissional de educação física Heloísa Landim e o presidente da Embaixada do Fla-Campos, Thiago Corrêa.

Entre os “simples” torcedores, votaram quatro que representam bem o arquétipo do flamenguista apaixonado: a empresária e atleta de futevôlei Bianca Inojosa, o motorista Leonardo Moreira, o médico Rafael Abud e o sociólogo Roberto Dutra. A lista de eleitores foi completa por três não rubro-negros: o advogado botafoguense Carlos Alexandre de Azevedo Campos, o empresário e triatleta tricolor Christiano Abreu Barbosa e o juiz de Direito e atacante de futebol amador Eron Simas. Mesmo torcedor do Grêmio, goleado por 5 a 0 pelo Flamengo na semifinal da Libertadores, no Maracanã do último dia 23, o magistrado não se furtou em julgar o que há de melhor entre o passado e o presente do time que eliminou o seu.

Na dúvida diante da pergunta que só tem resposta na imaginação, uma coisa é certa. Raul, Leandro, Marinho, Mozer e Júnior; Andrade, Adílio e Zico; Tita, Nunes e Lico; treinados pelo ex-craque Paulo César Carpegiani; entraram no campo do Estádio Nacional de Tóquio, no começo da tarde japonesa de 13 de dezembro de 1981, madrugada no Brasil, para escrever a página mais importante dos 124 anos de história do Clube de Regatas do Flamengo. Foi quando aquele time, campeão da Libertadores da América, conquistou também o mundo, ao bater por 3 a 0 o Liverpool — o mesmo que levantaria quatro Champions da Europa. “Em dezembro de 81/ Botou os ingleses na roda/ Três a zero no Liverpool/ Ficou marcado na história”, como canta hoje a maior torcida do mundo. É uma adaptação da música “Primeiros Erros”, do músico santista Kiko Zambianchi, que se tornou um segundo hino do clube da Gávea.

Ainda sem ter conquistado nada, o Flamengo do “Mister” lusitano vem apresentando grande futebol. Vem de tropeço, é verdade, ao ceder o empate em 2 a 2 com o Goiás na última quinta (31). E às 16h de hoje encara no Maracanã o Corinthians, clube da segunda maior torcida do país. Independente da vantagem na tabela com que sair de campo sobre o Palmeiras, vice-líder do Brasileiro, seu maior desafio está marcado para a final da Libertadores contra o River Plate, às 17h30 do próximo dia 23, no Estádio Nacional de Santiago — se os protestos do Chile não alterarem local e data. Mas, sob a batuta de Jesus, Diego Alves, Rafinha, Rodrigo Caio, Pablo Marí e Filipe Luís; Arão, Gérson e Arrascaeta; Éverton Ribeiro, Gabibol e Bruno Henrique; tornaram possível acreditar em um sonho. Que é cantado a plenos pulmões por 40 milhões de rubro-negros: “E agora o seu povo/ Pede o mundo de novo”.

No Brasil de hoje, o Flamengo é uma das poucas coisas que vem dando certo. Até quando e onde, só os caprichosos deuses do futebol dirão.

 

Antropóloga Fernanda Huguenin

Flamengo e Brasil, misto de dor e glória

Por Fernanda Huguenin(*)

 

O gosto pelo Flamengo deu-se na infância vivida nos anos 80, ainda sob a ditadura, quando aos pés do pai sobre o tapete da sala recebia chutes acidentais para um gol imaginário que se transmutava da TV para o ar. Zico era o herói ao qual a reverência foi marcada no registro de nascimento do irmão, como dádiva pela vitória no Mundial de 1981.  A explicação das regras do jogo tinha a didática dos exemplos hipotéticos e, às vezes, da bola jogada no quintal, embora futebol não fosse para meninas na época. Ainda não é.

Depois, já adulta, entendi a paixão brasileira ao ler um artigo antropológico que defendia que as leis do futebol são acessíveis e compreensíveis a todos, ao contrário das leis do Estado, tantas vezes válidas apenas para os inimigos. Por outro lado, a malandragem, a catimba e o jeitinho são partes da disputa pela vitória e, sabemos, pela própria vida neste país de múltiplas faltas.

No entanto, a paixão teve seu momento de ódio, como crítica ao Capitalismo que se apropria de jogadores transformados em produtos e à exclusão de torcedores expropriados da “geral”. Enquanto craques viram marcas e são vendidos por milhões aos times de fora, fabricamos em campinhos improvisados nas ruas as matérias-primas que agregam valor aos grandes clubes estrangeiros. O futebol-arte se reinventa no futebol-empresa, refazendo o percurso colonialista.

A crítica se arrefeceu ao acompanhar a mistura de talento com indisciplina do Baixinho e do Imperador. Era preciso entender a gente brasileira com empatia, reconhecendo na bricolagem um caminho para a resistência. É difícil entender como o Flamengo pode, neste ano, vivenciar a tragédia do incêndio que matou os meninos-promessa da base ao mesmo tempo em que anseia se tornar vitorioso na Libertadores. O Flamengo, como o Brasil, é o misto de dor e glória.

O time que provavelmente será o campeão do Brasileiro e (quem sabe?) chegará ao Mundial enfrenta mudanças importantes. Malandragem, catimba e jeitinho já não passam despercebidos diante do VAR. Treinar é mais importante do que saber o que fazer. E pode ser que Gabigol, Rafinha, Arrascaeta e todos os outros talentos encontrem lugar em times brasileiros.

Dizem que o Clube de Regatas fez suas lições de casa, como arrumar as contas, e por isso o time ascendeu. Já o país mantém-se na desordem de um quarto de despejo repleto do ódio de duas torcidas fanáticas e ferozes. No esporte é certo que só a união traz vitórias. Já na vida, a unanimidade é sempre burra, como disse Nelson Rodrigues. De qualquer forma, estarei ao lado do pai, que secretamente deve sofrer pelo fato de que o filho que tem o nome do herói rubro-negro de 1981 é botafoguense. Mas afinal, a liberdade de escolha é o preço da democracia!

 

*Antropóloga e aluna do curso de Direito do Isecensa

 

 

Página 12 de hoje (03) da Solha da Manhã

 

 

Publicado hoje (02) na Folha da Manhã

 

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Rafael Diniz: “É triste ver o nome de Campos mais uma vez nas páginas policiais”

 

(Foto: Antonio Leudo – Folha da Manhã)

 

“É triste ver o nome de Campos mais uma vez associado às páginas policiais. O momento é delicado, porque vivemos a situação financeira mais grave de nossa história recente, que pode se agravar ainda mais caso, no dia 20 de novembro, o Supremo Tribunal Federal (STF) vote a favor da partilha dos royalties. Mas, pelo bem de nossa população, espero que a Justiça cumpra o seu papel. Vamos continuar trabalhando para nossa cidade superar o passado e dar a volta por cima”.

Foi o que disse o prefeito de Campos, Rafael Diniz (Cidadania), sobre a decisão da tarde de hoje (29) da 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça Estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ), que determinou (aqui) a nova prisão do casal de ex-governadores Anthony (sem partido) e Rosinha Garotinho (Patri). O TJ derrubou a liminar do desembargador Siro Darlan que concedia liberdade ao casal. Os novos mandados de prisão já foram expedidos para ambos, que já tinham sido presos (aqui) em 3 de setembro pela operação Secretus Domus. Desdobramento da Lava Jato, a investigação apontou prática de crime nas relações do governo municipal Rosinha com a construtora Odebrecht no programa habitacional Morar Feliz.

Em setembro, as prisões de Garotinho e Rosinha foram decretadas pelo juiz Glicério de Angiolis Silva, da 2ª Vara Criminal de Campos, a pedido do Ministério Público Estadual (MPE). Em plantão na madrugada do dia seguinte (04/09), Siro Darlan concedeu liminarmente (aqui) o habeas corpus ao casal. Que foi revogado com a decisão de hoje da 2ª Câmara Crininal do TJ-RJ.

 

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Fred Machado: “Não há nada para comemorar” na nova prisão dos Garotinho

 

(Foto: Antnio Leudo – Folha da Manhã)

 

“Recebemos, na tarde desta terça-feira (29), mais uma vez a noticia da prisão do casal Anthony Garotinho e Rosinha Garotinho com imenso pesar, pois não há nada para comemorar. Tudo o que está acontecendo é consequência dos atos ilícitos praticados pelo casal e que lesaram o erário público, causando prejuízos de toda a ordem ao governo municipal. Lamentavelmente, a maior vítima dos danos causados é a população da nossa amada Campos dos Goytacazes. Hoje o Poder Judiciário dá mais um grande passo contra o flagelo da corrupção e esperamos que continue a cumprir o seu papel, para que, no fim, a justiça prevaleça”.

Foi como reagiu o presidente da Câmara Municipal de Campos, vereador Fred Machado (Cidadania), à decisão da tarde de hoje (29) da 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça Estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ), que determinou a nova prisão do casal de ex-governadores Anthony (sem partido) e Rosinha Garotinho (Patri). O TJ derrubou (aqui) a liminar do desembargador Siro Darlan que concedia liberdade ao casal. Os novos mandados de prisão já foram expedidos para ambos, que já tinham sido presos (aqui) em 3 de setembro pela operação Secretus Domus. Desdobramento da Lava Jato, a investigação apontou prática de crime nas relações do governo municipal Rosinha com a construtora Odebrecht no programa habitacional Morar Feliz.

Em setembro, as prisões de Garotinho e Rosinha foram decretadas pelo juiz Glicério de Angiolis Silva, da 2ª Vara Criminal de Campos, a pedido do Ministério Público Estadual (MPE). Em plantão na madrugada do dia seguinte (04/09), Siro Darlan concedeu liminarmente(aqui) o habeas corpus ao casal. Que foi revogado com a decisão de hoje da 2ª Câmara Crininal do TJ-RJ.

 

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Wladimir chama de “arbitrariedade” decisão do TJ de prender os pais. Recurso ao STJ

 

(Foto: Divulgação)

 

“Mais uma vez o Tribunal do Rio dá uma decisão curiosa, mesmo com o voto do relator sendo pela manutenção da liberdade. Não existe fato novo algum que justifique, a motivação é de uma testemunha que continua se dizendo ameaçada sem provar como, onde ou quem a ameaça. Essa testemunha é a mesma conhecida de sempre, Beth Megafone, que já mudou de versão inúmeras vezes e foi chamada pelo ministro Luiz Fux de indigna de fé. A defesa vai recorrer ao STJ contra mais essa injustiça e arbitrariedade”.

Foi o que disse o deputado federal Wladimir Garotinho (PSD) sobre a

decisão da tarde de hoje (29) da 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça Estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ), que determinou a nova prisão do casal de ex-governadores Anthony (sem partido) e Rosinha Garotinho (Patri). O TJ derrubou (aqui) a liminar do desembargador Siro Darlan que concedia liberdade ao casal. Os novos mandados de prisão já foram expedidos para ambos, que já tinham sido presos (aqui) em 3 de setembro pela operação Secretus Domus. Desdobramento da Lava Jato, a investigação apontou prática de crime nas relações do governo municipal Rosinha com a construtora Odebrecht no programa habitacional Morar Feliz.

Em setembro, as prisões de Garotinho e Rosinha foram decretadas pelo juiz Glicério de Angiolis Silva, da 2ª Vara Criminal de Campos, a pedido do Ministério Público Estadual (MPE). Em plantão na madrugada do dia seguinte (04/09), Siro Darlan concedeu liminarmente(aqui) o habeas corpus ao casal. Que foi revogado com a decisão de hoje da 2ª Câmara Crininal do TJ-RJ.

 

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Artigo do domingo — As fiandeiras e o Flamengo

 

As fiandeiras em óleo sobre tela de John Strudwick, 1885

 

As fiandeiras e o Flamengo

 

Sobre quem diz nunca ter sido traído, há três classificações possíveis: mentiroso, desinformado ou ambos. Pode ser pelo seu semelhante. Pode ser pelo destino. Este, para os gregos antigos, era determinado por três irmãs fiandeiras, as moiras. Na roda da fortuna, teciam os fios das vidas de homens e deuses.

Foi o destino que fez o Flamengo ser fundado como clube de regatas em 1895. E entrar no futebol em 1912, com uma dissidência de atletas do Fluminense. Em 1927, numa pesquisa promovida pelo Jornal do Brasil, já era apontado como o mais “symphatico” do país. Posição que se consolidaria com o tempo e a adoção dos critérios estatísticos. Este ano, foi reconhecido pela Fifa como “o único time do mundo que tem 40 milhões de torcedores”.

 

Flamengo de 1943. Em pé: Volante, Biguá, Domingos da Guia, Jurandir, Newton e Jaime. Agachados: Valido, Zizinho, Pirilo, Perácio e Vevé.

 

O Flamengo já era o clube mais popular do Brasil antes de 1980. E só as fiandeiras do destino podem explicar, pois ainda não tinha um único título de expressão nacional. Até então, suas duas maiores conquistas eram dois Tricampeonatos Cariocas: o de 1942/43/44, com Zizinho, Domingos da Guia e Pirilo; e o de 1953/54/55, com Rubens, Evaristo e Dida. Este seria o grande ídolo de quem mudaria a história do clube, filho da periferia carioca, mas português na origem e no nome: Arthur Antunes Coimbra.

 

Flamengo tricampeão de 1955. Em pé: Pavão, Chamorro, Jadir, Tomires, Dequinha e Jordan. Agachados: Joel, Paulinho, Índio, Dida e Zagallo.

 

Pequeno e franzino, era chamado quando criança de Arthurzinho e Arthurzico. Quando homem, passaria à história do futebol mundial como Zico. Quem, além das fiandeiras do destino, faria com que um filho de pai português e mãe brasileira, mas por sua vez filha de portugueses, se tornasse o maior ídolo do arquirrival do Vasco da Gama?

A geração de Zico, que ascendeu com ele das categorias de base do Flamengo, era quase toda brilhante. Leandro e Júnior estão entre os maiores laterais da história do futebol brasileiro. Enquanto zagueiro, Mozer não fica atrás. Andrade é considerado um dos volantes mais clássicos que já atuaram com a camisa rubro-negra, como está Adílio entre os seus meias mais habilidosos e Nunes, entre seus centroavantes mais decisivos. Esta era a espinha dorsal daquela equipe, que tinha em Zico seu coração, cérebro e pé de apoio.

 

Flamengo campeão do Mundial de 1981. Em pé: Leandro, Raul, Mozer, Figueiredo, Andrade e Júnior. Agachados: Lico, Adílio, NUnes, Zico e Tita

 

Juntos, Zico e sua geração conquistariam os Brasileiros de 1980, 1982 e 1983. O auge daquele Flamengo seria em 1981, na pausa nacional para se adonar da América do Sul, em final épica e violenta da Libertadores da América em três jogos contra o Cobreloa, do Chile. Que deu acesso à final do Mundial em Tóquio, vencida com um passeio de 3 a 0 sobre o inglês Liverpool. Apesar do placar, o derrotado é tido até hoje entre os maiores times de clube já formados na Europa, com quatro Champions nas costas para tirar as dúvidas: 1976/77, 1977/78, 1980/81 e 1983/1984.

 

 

Em 1987, com Zico, Leandro e Andrade ainda em campo, o Flamengo bateu o Internacional por 1 a 0 na fnal do Maracanã, para conquistar a Copa União. Era o Brasileiro de fato, mas não de direito, numa dessas imutáveis sacanagens dos cartolas. Além dos três remanescentes do Mundial de 1981, as fiandeiras do destino determinariam àquele time revelar cinco jovens que dariam a base da Seleção Brasileira do Tetra, na Copa do Mundo de 1994: Aldair, Jorginho, Leonardo, Zinho e Bebeto.

 

Flamengo de 1987: Em pé: Leandro, Zé Carlos, Andrade, Edinho, Leonardo e Jorginho. Agachados: Bebeto, Aílton, Renato Gaúcho, Zico e Zinho.

 

Antes, com Júnior de volta da Itália para assumir como Maestro no meio de campo, o Flamengo venceria o Brasileiro de 1992. Atropelou na final o Botafogo por 3 a 0, no Maracanã apinhado, onde a grade da arquibancada caiu e matou pessoas a poucos metros de mim. Mesmo no regozijo, as fiandeiras podem ser também cruéis.

 

Flamengo de 1992. Em pé: Gérson Baresi, Gilmar, Wilson Gottardo, Charles Guerreiro, Piá e Júnior. Agachados: Júlio César, Gaúcho, Zinho, Fabinho e Uidemar

 

Dezessete anos depois, em 2009, com Adriano Imperador e o sérvio Petkovic fazendo a diferença, o Flamengo conquistaria seu sexto e último Brasileiro, primeiro na era dos pontos corridos. Pelo tempo, não dava mais para ter ninguém de 1981 jogando. Mas as fiandeiras mantiveram um deles no comando do time: Andrade era o técnico. A independência da geração de Zico só virá este ano, se o Flamengo do revolucionário treinador português Jorge Jesus confirmar sua larga vantagem de 10 pontos no Brasileiro.

 

Flamengo de 2009. Em pé: Diego, Kléberson, Aírton, Petkovic, Adriano, Bruno e David. Agachados: Juan, Álvaro, Gil, Bruno Mezenga, Fierro, Zé Roberto, Éverton, Ronaldo Angelim, Toró, Léo Moura e Willians

 

Mas a maior torcida do planeta jamais se libertou do seu maior momento de glória. Como canta hoje, inebriada por estar em outra final de Libertadores, 38 anos depois: “Em dezembro de 81/ Botou os ingleses na roda/ 3 a 0 no Liverpool/ Ficou marcado na história/ E no Rio não tem outro igual/ Só o Flamengo é campeão mundial/ E agora o seu povo/ Pede o mundo de novo”. É uma adaptação da música “Primeiros Erros”, do compositor Kiko Zambianchi, que fez sucesso nos anos 1980 das glórias de Zico, voltou às paradas ao ser regravada pelo Capital Inicial em 2000, e agora, com nova letra, virou quase um segundo hino do clube da Gávea.

O fenônemo viralizou nas redes sociais, com o vídeo de cinco campeões pelo Flamengo em 1981, Adílio, Andrade, Mozer, Júnior e Nunes, cantando a versão rubro-negra da música de Zambianchi:

 

 

O motivo? Só as fiandeiras do destino podem responder. Foram elas que colocaram novamente o Liverpool, que ganhou outra Champions, como possível adversário do Flamengo no Mundial. Será disputado em 11 de dezembro no Qatar. Para chegar lá, resta um único jogo ao Rubro-Negro, contra o tradicional copeiro argentino River Plate. Será em 23 de novembro, em Santiago, capital de um Chile incendiado por protestos que lembram muito os do Brasil de 2013.

 

Jornadas de Junho de 2013 ocupam o prédio do Congresso em Brasília

 

Por obra e graça das fiandeiras, estava no Chile em 2013, quando estouraram por aqui as “Jornadas de Junho”, inicialmente por conta de aumento de passagem no transporte público e que depois tomariam o país. “O que está havendo no Brasil?”, perguntavam os chilenos. Sem que tivesse ideia da resposta, pois nossa economia estava bem àquela época.

É o mesmo destino traçado pelas fiandeiras agora no Chile, há anos a economia mais acertada da América do Sul. Lá, também um reajuste no transporte público conduziu a manifestações de pauta difusa. As moiras me levariam novamente a Santiago em junho deste ano, quando testemunhei e fotografei protestos ainda sem violência, diante do Palácio de La Moneda.

 

Em 24 de junho deste ano, em frente ao Palácio de La Moneda, protestos ainda não entravam em choque com a polícia chilena (Foto: Aluysio Abreu Barbosa)

 

Na ironia das fiandeiras acima dos deuses e das ideologias dos homens, o alvo em 2013 foi um governo brasileiro de esquerda, com Dilma Rousseff, que cairia três anos depois. E agora, no Chile, é o governo do liberal de centro-direita Sebastián Piñera.

Difícil adivinhar os desígnios das moiras. Julgava ser destino estar presente no Maracanã, para assistir ao Flamengo e Grêmio na semifinal da Libertadores da última quarta-feira, dia 23. Afinal, na última vez que lá fui torcer pelo Flamengo, este bateu o mesmo Grêmio por 2 a 1, com gol de cabeça do zagueiro Ronaldo Angelim, na final do Brasileiro de 2009.

 

No meio da torcida e abaixo do Flamengo, presença na final do Brasileiro de 06/12/09, nas arquibancadas do Maracanã (Foto: Alexandre Durão – O Globo)

 

Maracanã, cair de tarde de 23/10/19 (Foto: Christiano Abreu Barbosa)

A presença naquele Brasileiro, em outro capricho das fiandeiras, acabaria sendo registrada em meio à torcida pelo fotógrafo Alexandre Durão, de O Globo. Embora ausente na foto, tinha meu filho, Ícaro, ao meu lado, então com 10 anos. Aos 20, ele estava novamente comigo na quarta, junto ao meu irmão, Christiano, tricolor como nosso pai, quando tomamos o bolo da cambista, a quem já havíamos pago os três ingressos. Esperamos à toa por ela, mais de duas horas, na estação de metrô do Maracanã.

Sem sucesso ou retorno às dezenas de tentativa de contato pelo celular, fomos perdendo os minutos e as cargas de bateria até que resolvemos voltar à estação da praça General Osório, em Ipanema. Não era a primeira vez em que seria traído. E, provavelmente, não será a última. Ademais, se mesmo Zeus se submetia ao destino tecido pelas fiandeiras, quem seríamos nós para nos rebelar?

Consolou também encontrar, na ida do metrô, um pai e filho mineiros de Uberlândia, que foram ao Maracanã sem ingresso. E vi ao longe voltarem, antes de nós, após não conseguir comprá-lo por lá. Assim como um jovem de Osasco, mais ou menos da idade do meu filho. Flamenguista do coração de São Paulo, estava ali sem contato ou dinheiro para entrar no estádio, só para participar da festa. Ele atenuou minha decepção pela cambista ausente em cada onda humana rubro-negra que descia cantando na estação, ao mostrar no seu celular o vídeo com os sósias do time do Flamengo circulando pelo Rio.

Voltamos à Ipanema a tempo de pegar a partida do início pela TV. Assistimos no Boteco Belmonte da General Osório. No primeiro tempo disputado de igual para igual, o placar foi aberto por Bruno Henrique. Jogador que tem sido o mais decisivo do Flamengo, ele puxou o contra-ataque e aproveitou o rebote do goleiro. Depois, fomos perdendo a conta dos chopes e gols na segunda etapa, aberta com mais dois de Gabigol, em belo chute dentro da área e de pênalti.

 

 

Confesso que, após o quarto gol, do zagueiro espanhol Pablo Marí escorando de cabeça a cobrança de escanteio do uruguaio Arrascaeta, entrei em estado de choque. Vi, mas não acreditei muito no quinto, marcado também de cabeça pelo outro zagueiro, Rodrigo Caio, após cobrança de falta de Éverton Ribeiro, destaque individual da partida por sua atuação coletiva.

Capitão do Uruguai campeão da Copa de 1950, Obdulio Varela, “El Negro Jefe”, primeiro herói do Maracanã

Cerca de meia hora após o apito final, foram chegando gremistas ao Belmonte. Passava por eles, abatidos em suas mesas, quando saía para fumar um cigarro. E solidarizava-me de maneira muda, lembrando da noite que o volante Obdulio Varela contou dos bares e ruas do Rio de 16 de julho de 1950. Capitão do Uruguai da Copa do Mundo decidida naquele dia, quando bateu o Brasil por 2 a 1 no Maracanã construído para desfecho diferente, “El Negro Jefe” (“O Chefe Negro”) se compadeceu da tristeza alheia que deveria ser sua alegria.

Na manhã seguinte, despertei com a indagação: “Será que aconteceu mesmo?”. Ao caminhar até o mar do Arpoador, passando pelo local do antigo Circo Voador da primeira apresentação da Legião Urbana no Rio, a credulidade e felicidade vieram em cada camisa rubro-negra com que cruzei no caminho. Cumprimentei seus donos: “Agora é o River!”. E fui fraternalmente correspondido. Estávamos todos umbilicalmente ligados pela glória da tribo.

O mar estava de ressaca, como a que rebati com analgésico ao acordar. Na água gelada, de correnteza forte para a direita, só havia surfistas. Alonguei o corpo e encarei o desafio que já vencera outras vezes, nadando, furando ondas e nelas pegando jacarés. Submerso em dado momento, segredei a Iemanjá, com o oceano dentro do peito: “Mulher, é muito bom ser Flamengo!”.

Difícil saber o que as fiandeiras tecerão. Ninguém nunca sabe. Mas parece emblemático que o clube que conquistou o mundo liderado dentro do campo por um descendente de lusitanos, peça o mundo de novo com o português Jorge Jesus no comando fora das quatro linhas. Comparado pela imprensa argentina ao “Carrossel” da Holanda na Copa de 1974, o Flamengo vive melhor momento e parece ter mais time. O River, com quatro Libertadores, tem mais tradição. E não há competição de futebol no planeta em que ela conte mais.

 

 

Se o time brasileiro pegar o Liverpool do craque egípcio Mohamad Salah na final do Mundial, a glória de Zico estará logo ali, ao alcance do pé. Aquele do tamanho do sol, como media o grego Heráclito. Mas como o destino pode trair, convém temer as fiandeiras. E calar a euforia com o conselho do tricolor Chico Buarque na música “Biscate”: “Quieta que eu quero ouvir Flamengo e River Plate”.

 

Publicado hoje (27) na Folha da Manhã

 

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Com o oceano dentro do peito: “E agora o seu povo/ Pede o mundo de novo”

 

Maracanã, cair de tarde de 23/10/19 (Foto: Christiano Abreu Barbosa)

Um moleque de 9 anos que viu seu time campeão da Libertadores e do mundo, liderado por um gênio como Zico. E teve a chance de testemunhar aos 47, ao lado do filho de 20, o sonho carnado de outra final de clubes da América do Sul. Foi uma experiência inesquecível. Sem falsa humildade, mais do que eu talvez merecesse numa mesma vida.

Depois dos 5 a 0 sobre o Grêmio na noite de ontem, no Maracanã, só acordei na manhã de hoje. Ao nadar e furar ondas no mar de bandeira vermelha do Arpoador. Por ora, só posso repetir o que segredei a Iemanjá, com o oceano dentro do peito: “Mulher, é muito bom ser Flamengo!”.

Da água salgada e gelada aos pés no chão, no meio do caminho tem o River, tem o River no meio do caminho. Mas, de volta a Campos, já não dá mais para deixar de ecoar a maior torcida da Terra: “E agora o seu povo/ Pede o mundo de novo”.

 

 

 

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Campos: royalties em risco, atraso aos hospitais e 10 pré-candidatos a prefeito

 

 

 

Dez pré-candidatos a prefeito na cidade que pode perder os royalties. E, com eles, atrasa pagamento da complementação dos hospitais (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

Dez pré-candidatos a prefeito

No Folha de ontem (21), na Folha FM 98,3, o ex-prefeito interino de Campos Roberto Henriques (PPL, em processo de fusão com o PC do B) se lançou pré-candidato à Prefeitura de Campos em 2020. Com ele já são 10: o prefeito Rafael Diniz (Cidadania), o deputado federal Wladimir Garotinho (PSD), os deputados estaduais Gil Vianna (PSL) e Rodrigo Bacellar (SD), Caio Vianna (PDT), Marcelo Mérida (PSC), Lesley Beethoven (PSDB), Alexandre Buchaul (PSDB, em busca de nova legenda) e José Maria Rangel (PT). Com a cidade em colapso financeiro e perspectiva concreta de piora, o número de pré-candidatos a administrá-la impressiona.

 

Nova ameaça de greve na Saúde

Após Campos viver a greve dos médicos da Saúde Pública, de 7 a 30 de setembro, agora são os profissionais dos hospitais contratualizados que podem (aqui) cruzar os braços. O Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Campos (SES) publicou convocação para decidir a questão em assembleia às 19h desta quarta (23). Por atraso na complementação municipal (R$ 5 milhões/mês) aos repasses federais do Sistema Único de Saúde (SUS), foram afetados cerca de 2 mil funcionários da Santa Casa de Misericórdia de Campos (SCMC), Hospitais Beneficência Portuguesa (HBC) e Plantadores de Cana (HPC), e Abrigo João Viana.

 

Hospitais no MP

Pela gravidade da situação, representantes do Sindicato dos Hospitais, Clínicas, Casas de Saúde e Estabelecimentos de Serviços de Saúde da Região Norte Fluminense (Sindhnorte) estiveram na tarde ontem (aqui) no Ministério Público Estadual. A promotora Maristela Faria, da 3ª Promotoria de Tutela Coletiva, recebeu a reclamação protocolada, instaurou inquérito civil público e marcou uma reunião nesta sexta (25) entre representantes do município e dos dos quatro grandes hospitais contratualizados de Campos: SCMC, HPC, HBP, além do Hospital Escola Álvaro Alvim (HEAA). Estes alegam que o atraso é de três meses: julho, agosto e setembro.

 

Enxugando gelo

Em nota, a Prefeitura disse estar “tomando providências para regularizar os pagamentos pendentes o quanto antes”. Na verdade, só deverá poder pagar quando chegar a próxima Participação Especial (PE) trimestral do petróleo, em novembro. Com os royalties mensais em queda durante quase todo o ano, a previsão orçamentária de R$ 2 bilhões para 2019 deve ter apenas R$ 1,8 bilhão executados. Sinal disso, na noite de ontem foi divulgado (aqui) o valor dos royalties que devem ser depositados hoje a Campos: R$ 25,3 milhões. É uma redução de 10,5% em relação ao último mês, que chega triplica a 36,8% em relação ao mesmo período de 2018.

 

Daqui a 29 dias, o STF

Como não há nada que não possa piorar, hoje faltam 29 dias para o Supremo Tribunal Federal (STF) julgar a nova lei de partilha de royalties. Aprovada desde 2012 pelo Congresso Nacional, está travada desde 2013 por uma liminar da ministra Carmem Lúcia. Se passar agora no julgamento marcado para 20 de novembro, não existe solução matemática para Campos. Dos R$ 580 milhões de receita do petróleo que a cidade projeta ter em 2020, ficariam apenas R$ 350 milhões, chegando a R$ 160 milhões em 2026. Isso se houver transição na aplicação da nova lei. Sem transição, seriam só os R$ 160 milhões já no próximo ano.

 

Luz no fim do túnel

Se passar a valer a nova lei de partilha, mais de meio milhão de campistas, incluindo os cínicos que pregam ser merecida a perda dos royalties, pelo exemplo real da sua má aplicação, verão uma luz no fim do túnel. Será o trem vindo na direção contrária. A perda substancial de receita tornaria impossível cumprir o limite dos seus 54%, fixados na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), com gasto de pessoal, que consome R$ 1 bilhão/ano do município. Que ainda teria que devolver R$ 2,6 bilhões, pelo efeito retroativo da partilha. De que forma? No dia em Campos que tiver uma máquina de fazer dinheiro. Como parece ter de pré-candidatos a governá-la.

 

Publicado hoje (22) na Folha da Manhã

 

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Roberto Henriques se lança a 2020 e critica Gil, Rodrigo, Wladimir, Caio e Rafael

 

Roberto Henriques no início da manhã desta segunda (21) no Folha no Ar (Foto: Isaias Fernandes – Folha da Manhã)

 

Ex-prefeito interino e ex-deputado estadual, Roberto Henriques (antigo PPL, em processo de fusão com o PC do B) se colocou na briga entre os vários pré-candidatos à Prefeitura de Campos em 2020. Um dos tantos ex-aliados do ex-governador Anthony Garotinho (sem partido), usou a conhecida metralhadora giratória do seu ex-líder para atirar para todos os lados no Folha no Ar 1ª edição da manhã de hoje (21), na Folha FM 98,3. Os alvos preferenciais foram os pré-candidatos a prefeito considerados mais fortes ao próximo ano. No último bloco da entrevista, dedicada a 2020, Henriques começou mirando nos deputados estaduais Gil Vianna (PSL) e Rodrigo Bacellar (SD):

— Participei do governo (municipal) Garotinho, participei do governo do Arnaldo (Vianna, PDT), fui vice-prefeito desta cidade num período conturbado (governo Alexandre Mocaiber, sem partido, que chegou a assumir interinamente). Mas o meu comportamento sempre foi independente de todos eles. Agora, que autoridade têm Rodrigo Bacellar, o Gil Vianna, para questionar o modelo implantado pelos ex-prefeitos (de Campos)? Incluindo a Rosinha, na qual batizaram, crismaram e benzeram, no caso do Gil. O caso do Rodrigo, tem o pecado original do pai. O (então presidente da Câmara Municipal) Marcos Bacellar (PDT) foi um dos sustentáculos daquela desgovernança que foi o governo Alexandre Mocaiber. Diretamente, não, mas ele (Rodrigo) foi beneficiário, inclusive contratado daquelas empresas terceirizadas (contratadas no governo Mocaiber). É o pecado original, o vício do cachimbo.

Além de Gil e Rodrigo, Roberto também investiu contra o deputado federal Wladimir Garotinho (PSD), o pré-candidato Caio Vianna (PDT) e contra aquele que é considerado o principal cabo eleitoral do filho, o ex-prefeito Arnaldo Vianna. Para Roberto Henriques foi Arnaldo quem instalou o “modelo perdulário” de governar Campos, que considera ter sido seguido por Mocaiber e Rosinha:

— Qual experiência o Wladimir tem, a não ser a herança do “filhismo”? Qual a força de portaria que o nomeou para ele exercer algum cargo no governo da mãe dele? Nenhuma! Caio? Eu votei no Caio (na eleição a prefeito de 2016, quando mudou a um mês das urnas seu apoio inicial ao candidato Rogério Matoso) porque ele estava sem o Arnaldo. Porque quem instalou esse modelo perdulário, gastador, aqui na Prefeitura de Campos, foi o Arnaldo. Que Mocaiber continuou e Rosinha continuou. O Arnaldo (que até aqui caminha com o filho para 2020, após ter apoiado Geraldo Pudim a prefeito em 2016) vai ser o abraço do afogado em Caio — profetizou.

Segundo Roberto, apenas os pré-candidatos a prefeito hoje considerados de menor densidade eleitoral, como ele mesmo, teriam “legitimidade” para questionar o modelo de governar Campos:

— Esses têm legitimidade. O José Maria (Rangel, PT) tem, o (Lesley) Beethoven (PSDB) tem, o (Alexandre) Buchaul (ainda PSDB, mas em busca de nova legenda) tem, o Marcelo Mérida (PSC) tem. Eles têm autoridade de questionar esse modelo que está aí. Agora, nos outros, eu não vejo essa autoridade.

Roberto também avaliou a pré-candidatura à reeleição de Rafael Diniz (Cidadania), que aconselhou o prefeito a abandonar:

—  Arnaldo esteve aqui, neste programa (Folha no Ar de 9 de abril). Arnaldo fala (risos) muita lorota. Mas Arnaldo falou uma verdade aqui: não há tempo mais para Rafael. O Rafael foi daqueles que pegou a Prefeitura em maior dificuldade. Sou um crítico das primeiras medidas que ele tomou, cortar recursos sociais. Mas ele recebeu as consequências do modelo gastador de Arnaldo, Mocaiber e principalmente de Rosinha. Recebeu um comprometimento de receita que qualquer prefeito pegaria empréstimo (Rosinha pegou três, popularmente conhecidos como “venda do futuro”, pela qual Campos paga mensalmente 10% das suas receitas dos royalties agora em risco, aqui, com o julgamento da lei de partilha no Supremo Tribunal Federal, em 20 de novembro). Mas nunca para fazer o que Rosinha fez. Ela pegou pensando eleitoralmente, jogou um pool de obras irresponsavelmente, largadas pela metade. Então Rafael, ao meu ver, deveria dizer: “Olha, vou me dedicar a esse resto de mandato, não darei apoio a prefeito algum, eu vou ser magistrado, vou procurar entregar a Prefeitura da melhor maneira possível”.

Indagado se faria isso, se estivesse no lugar de Rafael, o ex-prefeito interino disse:

— Eu não faria porque eu tomaria outras medidas. Não precisaria fazer.

 

Embaixador do Fla-Campos, Thiago Corrêa será o entrevistado desta terça (22) do Folha no Ar

 

Nesta terça (22), sempre a partir das 7h da manhã, o convidado do Folha no Ar 1ª edição será o empresário Thiago Corrêa, embaixador do Fla-Campos. O assunto será a liderança isolada do Flamengo no Brasileirão, com 10 pontos de vantagem sobre o segundo colocado. E a semifinal da Libertadores em que o time de Gabigol, Gérson, Bruno Henrique e do treinador protuguês Jorge Jesus, encara o Grêmio de Everton Cebolinha e do técnico Renato Gaúcho, nesta quarta (23), no Maracanã. Enquanto isso, confira nos três blocos abaixo a íntegra do Folha no Ar desta manhã de segunda, com a entrevista de Roberto Henriques:

 

 

 

 

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Visita de secretária de Witzel ao Restaurante Popular de Campos será reagendada

 

O Restaurante Popular entre Rafael, Rodrigo, Wladimir e a secretária estadual de Desenvolvimento Social Fernanda Titonelli, cuja visita a Campos será reagendada (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

Anunciada (aqui) na última terça (15) pelo prefeito Rafael Diniz (Cidadania) e o deputado estadual Rodrigo Bacellar (SD), além do deputado federal Wladimir Garotinho (PSD), a visita a Campos da secretária estadual de Desenvolvimento Social Fernanda Titonelli, para uma vistoria técnica ao prédio do antigo Restaurante Popular Romilton Bárbara, não ocorrerá mais nesta segunda (21). Uma nova data deve ser marcada na semana que vem.

Segundo Rodrigo, a demora se dará pela reunião da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), que deixará os parlamentares  da região no Rio, segunda e terça. Por determinação (aqui) do Supremo Tribunal Federal (STF), a Alerj definirá se os deputados Luiz Martins (PDT), André Correa (DEM) e Marcus Vinicius Neskau (PTB) serão soltos, ou não. Eles foram presos na operação Furna da Onça, desdobramento da Lava Jato.

A secretária do governo Wilson Witzel (PSC) viria a Campos na segunda, com o objetivo de estabelecer uma parceria entre estado e município, costurada por Rodrigo e outros deputados estaduais da região, para reabrir o Restaurante Popular em Campos. Mas ela teve que cancelar também por conta de uma reunião de todo o secretariado estadual, convocada hoje, para a segunda. Segundo Wladimir, Fernanda Titonelli teria sugerido enviar dois técnicos da sua pasta. Mas, após uma conversa, concluíram que a presença dela seria necessária.

Instalado em prédio estadual na rua Lacerda Sobrinho, o Restaurante Popular fazia parte de um programa estadual. Fechado, foi reaberto em junho de 2016 (aqui) com administração compartilhada pelo município, na gestão Rosinha Garotinho (hoje, Patri). E voltou a ser fechado (aqui) em junho de 2017 no governo Rafael, que alegou falta de recursos. Desde então, a reabertura do Restaurante é cobrada. E chegou a ser prometida (aqui) este ano, quando Marcão Gomes (PL) deixou a Câmara de Vereadores para assumir a secretaria municipal de Desenvolvimento Social.

Marcão chegou a se reunir com representantes do governo Witzel no Rio, propondo a parceria entre estado e município para reabertura do Restaurante Popular em Campos. A conversa não prosperou. E estado e município chegaram a pensar em abrir cada qual seu próprio Restaurante, o que também não foi à frente pelas dificuldades financeiras nas duas esferas. Daí, Rafael pediu a intermediação de Rodrigo, que marcou a reunião da última terça com a secretária estadual Fernando Titonelli.

Nos bastidores, a iniciativa tem sua paternidade disputada por Rafael, agora com apoio de Rodrigo, e por Wladimir, cujo principal aliado político, o deputado estadual Bruno Dauaire, é líder do PSC de Witzel na Alerj. É uma prévia da disputa que deve se dar na eleição de 2020 a prefeito de Campos. Em 2019, a pauta deveria ser só o Restaurante Popular.

 

Atualizado às 2h30 para incluir a versão do deputado Rodrigo Bacellar

 

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Wladimir se reúne com ministra Rosa Weber, do STF, para tratar dos royalties

Deputado Wladimir e ministra do STF Rosa Weber (Foto: Divulgação)

Acabou agora há pouco o encontro do deputado federal Wladimir Garotinho (PSD) com a ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF). Os dois trataram do julgamento no plenário da Corte da questão da partilha dos royalties do petróleo, cujo julgamento está na pauta do STF para 20 de novembro, daqui a 34 dias. A nova lei de partilha, considerada como tragédia financeira para estados e municípios produtores de petróleo, foi aprovada no Congresso Nacional em 2012. Mas, desde 2013, teve seus efeitos suspensos por uma liminar da ministra Carmem Lúcia, do STF, favorável à Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) nº 4.917, movida à época pelo Governo do Estado do Rio.

— Senti a ministra muito sensibilizada com os estados e municípios produtores, reforcei a necessidade do adiamento para a busca de um entendimento pelo Congresso Nacional. Caso não seja possível o adiamento, até porque não depende dela, reforcei todos os argumentos sociais, jurídicos e constitucionais. Gostei muito da recepção — disse Wladimir, que já tinha se encontrado (aqui) em 24 de setembro com outro ministro do STF, Marco Aurélio Mello, para tratar do mesmo tema.

 

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Restaurante Popular: secretária de Witzel virá a Campos após receber Rafael e Rodrigo

 

Secretária estadual de Desenvolvimento Social, Fernanda Titonelli recebeu hoje o prefeito Rafael Diniz e o deputado Rodrigo Bacellar (Foto: Divulgação)

 

 

Fechado em 2017, o Restaurante Popular de Campos receberá a visita na segunda do prefeito Rafael e dos deputados Rodrigo e Wladimir, na vistoria para sua reabetura pela secretária estadual Fernanda Titonelli (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

Além de participar do lançamento (aqui) da Frente Parlamentar da Defesa dos Royalties na Assembleia Legislativa do Estado do Rio (Alerj), o prefeito de Campos, Rafael Diniz (Cidadania), tratou no Rio da reabertura do Restaurante Popular de Campos com a secretária estadual de Desenvolvimento Social, Fernanda Titonelli. A reunião foi intermediada pelo deputado estadual Rodrigo Bacellar (SD). A secretária do governo Wilson Witzel (PSC) vem a Campos na próxima segunda (28) para uma vistoria técnica no prédio estadual onde funcionou o antigo Restaurante na rua Laceda Sobrinho. Ele foi fechado (aqui) em junho de 2017 pelo governo Rafael, que alegou falta de recursos e recebeu críticas. Hoje, o deputado federal Wladimir Garotinho (PSD) também anunciou a visita da Titonelli na segunda, mas reforçou as críticas ao fechamento do empreendimento. E recebeu o troco de Rodrigo.

A parceria entre Rafael e Rodrigo pela reabertura do Restaurante Poular Romilton Bárbara foi divulgada (aqui) no último dia 28. Sobre o passo dado hoje para sua concretização, com a vistoria da secretária estadual nesta segunda, o prefeito de Campos declarou:

— Foi aberto um diálogo com o Governo do Estado, que foi muito solícito em nos atender para a reabertura do restaurante, agora em parceria estadual. Aproveito para agradecer o empenho de todos os deputados de nossa região nesta luta, em especial ao deputado Rodrigo Bacellar, que disponibilizou indicação legislativa com esta finalidade.

Com vistas  à eleição a prefeito de Campos em 2020, uma disputa tem se dado como pano de fundo à possibilidade de reabertura do Restaurante Popular. Pré-candidato à reeleição, Rafael recebe críticas desde seu fechamento. Que foram reforçadas por movimentos sociais e de estudantes, já que muitos também se alimentavam no Restaurante, cujo serviço foi municipalizado no governo Rosinha Garotinho (hoje, Patri).

Antes de Rodrigo fazer a ponte entre os governos Rafael e Witzel pela rebertura do Restaurante a possibilidade da sua reabertura chegou a ser anunciada em iniciativas particulares do município e do estado. Também pré-candidato a prefeito, Wladimir hoje usou as redes sociais para a anunciar a visita da secretária estadual a Campos na segunda, antes mesmo dela se reunir com Rafael e Rodrigo. Após o encontro, o deputado federal ressaltou a importância da reabertura do Restaurante, que deu como certa. Mas reforçou as críticas pelo seu fechamento:

— O Restaurante Popular é uma necessidade da população e também do comércio do centro da cidade. Recebi hoje um telefonema confirmando a vinda da secretaria em exercício, atendendo a um pedido que fiz, que na verdade reiterava um ofício que enviei ao governador em fevereiro. Tem gente que matou a criança e quer dar boa notícia, não tem problema, desde que o povo seja beneficiado de verdade. A história se encarrega de clarear os fatos, todos na cidade sabem a verdade. Estou feliz demais com a reabertura por parte do governado do Estado.

Pos sua vez, elo da parceria entre estado e município para reabrir o Restaurante Popular em Campos, Rodrigo Bacellar agredeceu também aos colegas da Alerj que o ajudaram na iniciativa. E deixou a crítica velada aos Garotinho, “que se acham donos da cidade de Campos”:

— Apenas cumprindo meu dever, afinal fui eleito pra isso. E o mérito não é somente meu. Agradeço aos meus companheiros deputados, a secretaria em exercício, e ao governador Wilson Witzel pelo empenho. O importante é ajudar a população, independente de política partidária. Infelizmente ainda temos  figuras que se acham donos da cidade de Campos.

 

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Rafael representa Ompetro na instalação da Frente em Defesa dos Royalties na Alerj

 

Representando a Ompetro, prefeito Rafael Diniz hoje na Alerj (Foto: Divulgação)

 

O prefeito de Campos e presidente da Organização dos Municípios Produtores de Petróleo (Ompetro), Rafael Diniz, destacou, mais uma vez, a necessidade de união na luta contra a partilha dos royalties. O posicionamento ocorreu durante o discurso, nesta terça-feira (15), na audiência de instalação da Frente Parlamentar Estadual em Defesa dos Royalties do Petróleo. A audiência, no plenário da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), foi conduzida pela deputada estadual Rosângela Zeidan, do PT de Maricá, presidente da comissão.

— O momento é de unir todos para que não ocorra essa tragédia, caso o Supremo Tribunal Federal (STF) aprove a partilha, no dia 20 de novembro. Mesmo os municípios que recebem menos royalties devem fortalecer esse movimento, porque esta é uma luta contra a falência do estado, independente de legendas partidárias. Vamos nos mobilizar, usar todos os meios, levar todos os estudos que temos para mostrar ao Supremo o que pode representar essa partilha — destacou Rafael Diniz.

Integrante da comissão, o deputado Luiz Paulo (PSDB) também reforçou o coro pela união de forças. “Além de tentarmos adiar a votação, temos que tentar retirar os artigos da Lei que tratam da partilha, que é irracional e inconstitucional. Ou não muda nada, até que, mais na frente, aconteça a votação. O Rio não ganha nada com exportação de petróleo, devido à Lei Kandir, e nem com ICMS, que no caso do petróleo, é cobrado no destino, e não na fonte. Nós só perdemos”, explicou.

O professor Mauro Osório, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), mostrou um quadro preocupante. “O Rio já teve a segunda maior indústria do país e hoje caiu pra sexta posição. O estado vem empobrecendo nos últimos anos. O quadro que tentaram mostrar para a aprovação dessa lei não é real. O Rio repassa muito recurso para o governo federal e tem pouco retorno. Com estados nordestinos ocorre o contrário”, disse Osório.

Diretor da Associação dos Engenheiros da Petrobras, Ricardo Maranhão também reforçou o discurso. “Participei do início da luta pela Lei dos Royalties, em 1978. É importante essa união suprapartidária nesse momento”, resumiu. Discurso também adotado pela presidente da comissão. “Vamos continuar realizando outras audiências, levar esses estudos ao Supremo. Se a partilha for aprovada, o estado poderá ter um prejuízo de R$ 56 bilhões até 2023”, alertou Zeidan. Participaram ainda da audiência o prefeito de Arraial do Cabo, Renato Vianna, e o secretário de Desenvolvimento Econômico de Maricá, Igor Sardinha.

Aprovada pelo Congresso em 2012, a Lei 12.734/12 (Lei da Partilha) foi suspensa no ano seguinte pela ministra Cármen Lúcia, do STF, que concedeu liminar a uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin), apresentada pelo governo fluminense. No ano passado, a Alerj ajuizou nova Adin, alegando que as modificações impostas pelas normas violam o pacto federativo inscrito na Constituição Federal, ao subtraírem propriedade do estado do Rio de Janeiro.

 

Da Supcom

 

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