Arthur Soffiati — Só podemos esperar da Uenf mais uma demonstração de democracia

 

(Foto: Folha da Manhã)

 

 

Arthur Soffiati, ecohistoriador, professor aposentado da UFF e colaborador mais longevo da Folha

A importância da Uenf

Por Arthur Soffiati

 

Antes mesmo de a Uenf iniciar suas atividades de ensino, pesquisa e extensão, eu já a conhecia parcialmente. De certa forma, minha ligação com ela foi grande nos seus primórdios. Três instituições civis enviaram um documento ao governador do Rio de Janeiro, reivindicando uma universidade pública estadual para o norte-noroeste fluminense. Uma delas foi o Centro Norte Fluminense para a Conservação da Natureza, organização não-governamental que presidi por doze anos, entre 1979 e 1991.

Mais do que apenas atuar em defesa do meio ambiente, o CNFCN apoiava com veemência a importância da academia na produção de conhecimento sobre o papel dos ecossistemas na vida humana. Oficialmente, a ong ainda existe, embora não atue mais. Sou talvez seu único sobrevivente físico e mental. Mas hoje, uma cultura em defesa do ambiente cresce cada vez mais, na medida em que a crise ambiental também se amplia. Jamais nos ocorreu que um presidente da república pudesse atribuir aos ambientalistas a pecha de incendiários.

Para nós, a Uenf era bem-vinda para, entre outras muitas contribuições, desenvolver pesquisas sobre os ecossistemas da região. Esse foi o campo que mais acompanhamos. De fato, a Uenf consolidou conhecimentos sobre as lagoas e rios, formações vegetais nativas, fauna silvestre, estrutura geológica e classificação de solos. Outras setor de extrema importância é o cultural. A Uenf contribuiu significativamente para o conhecimento das manifestações culturais populares, da arqueologia, da história regional, da sociologia, da ciência política e da área de ciências humanas em geral.

Por pouco mais de um semestre, atuei na Uenf graças a um convênio guarda-chuva que ela e a UFF, de onde fui professor durante 25 anos, haviam firmado. Foi um período rico para minha formação. Trabalhei igualmente num levantamento dos ecossistemas aquáticos continentais com destaque para a qualidade da água, fauna constituída de peixes e aves e história das relações entre sociedades humanas e natureza com a finalidade de propor-se a criação de um sítio Ramsar na região. Ramsar nasceu de uma convenção incorporada pela ONU para a proteção de áreas úmidas. O sítio não vingou, mas nosso levantamento talvez seja o mais completo já realizado no Norte Fluminense.

Sempre manifestamos nosso contentamento e agradecimento aos professores da Uenf por todos os serviços prestados à comunidade regional. Mas ela transcendeu os limites do Norte e Noroeste Fluminense para se transformar numa instituição universitária com excelência reconhecida nos planos estadual, nacional e internacional.

Ela enfrentou dificuldades? Claro que sim. Qual universidade pública não as enfrentou? Em grande medida, problemas decorrentes de falta de recursos financeiros. Problemas que apresentam ameaça para toda universidade pública do Brasil. Mas a Uenf tem apreendido a superá-lo ou a conviver com eles sem abria mão da qualidade. A Uenf é um exemplo de resistência.

Na véspera do segundo turno da eleição para escolha do novo reitor da instituição, só podemos esperar dela mais uma demonstração de democracia, não apenas em nível regional como em nível nacional. É a minha expectativa e a de muitas outras pessoas. Tenho certeza de que, com o pleito, um novo e competente timoneiro assumirá o comando de uma nau em que todos os marinheiros participem democraticamente das discussões, das decisões e das orientações.

 

Publicado hoje (13) na Folha da Manhã

 

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Carlão faz distinções e críticas a Raúl, na última entrevista da eleição a reitor da Uenf

 

Professor Carlão Rezende fechou na manhã de hoje o ciclo de entrevistas com os candidatos a reitor da Uenf (Foto: Isais Fernandes – Folha da Manhã)

 

 

“É muito nítida a diferença entre a minha candidatura a reitor e do professor Raúl Palacio, no que tange ao mérito acadêmico (…) A gente não pode colocar a eleição para reitor como se fosse uma mera candidatura política simplesmente (…) Infelizmente, acredito que o nosso erro se iniciou há um tempo atrás, na medida em que, por exemplo, o estatuto da Uenf prevê que para seja chefe de laboratório, você precisa ter reconhecimento científico na área. No entanto, para reitor, ele é omisso. Este é o ponto inclusive, caso eu venha a ser indicado (eleito reitor) pela comunidade, ele é um ponto a ser revisto (…) Nós não estamos lá (na reitoria) para sermos apenas gestores administrativos”. Logo na abertura do Folha no Ar na manhã de hoje, programa da Folha FM 98,3, foi o que o professor Carlão Rezende elencou como o principal diferencial da sua candidatura a reitor no segundo turno pela reitoria da Uenf. Seu oponente, o professor Raúl Palacio foi o líder parcial no primeiro turno, com 41,70% dos votos.

Carlão teve os mesmos 28,52% no primeiro turno da eleição conquistados pelo terceiro candidato, professor Enrique Medina-Acosta, que se declarou neutro no segundo turno. Mas o candidato da chapa 11 conquistou a vaga por ser 11 meses mais velho, no critério desempate fixado no estatuto da universidade mais importante de Campos e região. Com votos de professores (com peso de 70%), técnicos (15%) e alunos (os outros 15% do colégio eleitoral), o segundo turno terá início neste sábado (14) nos polos avançados do Cederj. E terá seu ápice na terça (17), nos campi Campos e Macaé.

No segundo bloco da entrevista, Carlão questionou pontos que o professor Raúl tinha levantado na manhã do dia anterior (11), diante do mesmo microfone democrático da Folha FM:

— Um ponto que foi colocado aqui (no Folha no Ar) e que no debate foi também questionado, porque na realidade ele (Raúl) personifica a situação de 2017 (quando os salários da Uenf chegaram a ficar dois meses atrasados, por conta da crise financeira do Estado do Rio) como se fossem o (Luis) Passoni (atual reitor) e ele os responsáveis por manter a universidade aberta. Se esquecem da comunidade. Na realidade, durante aquele período, quem tocou não foi o R$ 1 milhão que a Comissão de Educação liberou. Foram recursos dos projetos de pesquisa das pessoas. O laboratório continuou a funcionar porque tinha recursos de projetos de pesquisa. Eu acho que essa personificação de uma solução centrada em uma ou duas pessoas é, primeiro, subestimar toda a capacidade de todo o corpo docente, técnico e de alguns estudantes, porque muitos voltaram para casa. Porque a greve foi longa. E dos terceirizados que trabalhavam lá também.

Como na quarta Raúl chegou a projetar sua vitória no segundo turno com uma estimativa entre 55% e 60% dos votos, Carlão também foi perguntado se fazia alguma projeção de resultado. Ao que respondeu:

— Eu não tenho projeção. Eu só vejo o seguinte: 60% aproximadamente das pessoas votaram contra a administração que está aí (de Passoni), que Raúl representa a continuidade. Obviamente não haverá 100% de transferência de votos do Medina para mim. Ele se manteve fora, disse que não declararia apoio a mim, ou qualquer outra pessoa. Inclusive, o posicionamento dele foi muito mais enfático que o meu no primeiro turno, contra a administração que está aí e tenta se manter por mais quatro anos. Então eu acredito que, mesmo que não haja uma transferência de 100%, parte desses eleitores devem votar na chapa 11, não necessariamente no Raúl. Agora o Raúl sempre foi uma pessoa desse tipo mesmo, ele acha que sabe tudo e vai resolver tudo do jeito dele. Então eu não tenho uma projeção. Se ele fez uma pesquisa, eu não fiz absolutamente nenhuma (…) Mas eu vou continuar acreditando que eu tenho chance até o final do segundo turno.

Último candidato a reitor da Uenf a ser ouvido pelo Folha no Ar antes da consumação do pleito, Carlão também disse, no terceiro bloco da entrevista, ter se sentido prejudicado para montar a logística da sua campanha:

— Por exemplo, a lista de professores votantes, eu só fui conseguir dois dias antes da eleição. Uma coisa que para mim, que já participei apoiando em outras eleições, nunca tinha visto antes. A norma é omissa, mas a gente sempre pedia e tinha a lista. Agora, tive dificuldade de conseguir. Eu mesmo fui um dos caras que apoiou Passoni, estava à frente da eleição dele (a reitor). Agora, eu só tive acesso a isso muito próximo à eleição. Isso dificulta a logística da campanha para alguns, porque acredito que quem está dentro da máquina tenha conseguido isso de forma muito mais fácil (…) A Comissão Eleitoral teria que dar para todo mundo a lista de informações (…) Só há dois dias atrás eu recebi telefones e e-mails de contatos dos (11) polos (Cederj). E então comecei a mandar o material que eu tinha de forma digital. Até então, todas as vezes eu estava indo aos polos entregar material escrito. E vocês sabem que essa garotada do ensino à distância olha mais internet e WhatsApp do que folheto. Eu me senti prejudicado nessa parte.

Na sua última fala na entrevista, Carlão destacou:

— Eu tenho uma história de trabalho coletivo muito grande. Prezo muito por estarem ao meu lado pessoas que realmente possuem qualidade acadêmica. Estando na reitoria, certamente as pessoas que estarão ao meu lado, elas serão escolhidas através de critérios objetivos muito claros de desempenho acadêmico (…) O que mede o meu trabalho é a quantidade de projetos que eu conquistei para a universidade, é a quantidade de artigos que eu publiquei para a universidade, a quantidade de gente que eu formei pela universidade e as aulas que eu dou (…) É um privilégio de poucos participar da criação de uma universidade. Eu vou morrer daqui a algum tempo, a Uenf vai ficar, jovens estarão aqui, meus filhos e meus netos talvez estudem aí. E daqui a pouco as pessoas vão estar celebrando os 100 anos da Uenf (…) Eu fico muito feliz de ter optado em vir para Campos. Não foi falta de opção. Foi uma opção de futuro mesmo. Eu me orgulho de estar aqui. E vou continuar lutando pela Uenf de todas as formas, independente de onde eu tiver; se eu estiver só na minha sala, no meu laboratório, se eu estiver na reitoria.

A Carlão, aos professores, técnicos e alunos da Uenf, ficam as desculpas pelo atraso nesta postagem. Mas assim como a página de Facebook da Folha FM sofreu ataques na madrugada de quarta, impedindo a transmissão ao vivo do streaming da entrevista com Raúl Palacio, na manhã de hoje o alvo de ataques foi o blog, o que atrasou em horas a edição da matéria do Folha no Ar com Carlão. Abaixo, em três blocos, seguem seus vídeos:

 

 

 

 

Confira aqui o Folha no Ar da manhã desta quarta com Raúl Palacio

 

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Roberto Dutra — O voto em Raúl e Rosana na eleição para reitoria da Uenf

 

(Foto: Folha da Manhã)

 

 

Roberto Dutra, sociólogo e professor da Uenf

Eleição para reitor da Uenf: o primado da política e da ética da responsabilidade

Por Roberto Dutra

 

Eleição para reitor é o auge da democracia interna em uma universidade. É o momento político por excelência. Na Uenf, duas chapas disputam o segundo turno da eleição para a reitoria: Raúl e Rosana (chapa 10) contra Carlão e Juraci (chapa 11). Neste texto defendo o primado do caráter político da eleição e do cargo de reitor e o voto na chapa 10, de Raúl e Rosana.

Costuma-se atribuir ao ambiente universitário certa incompetência em lidar com o jogo político real que se desenvolve fora da universidade, especialmente na tarefa de construir imagem pública vigorosa da instituição como recurso de poder para os desafios políticos de defender a universidade pública em ambiente fortemente hostil, como o atual, marcado pela realização assustadora de graves ameaças ao ensino, à pesquisa e extensão. Ao reitor cabe um papel primariamente político: fortalecer, ramificar e instrumentalizar os vínculos da universidade com a sociedade como recurso de poder para construção e defesa da vida científica, pedagógica e extensionista da universidade pública. A relação com o governo do estado do Rio de Janeiro é a arena mais importante em que este papel precisa ser desempenhado, mas as relações com o público da região e com os governos local e central também importam bastante.

Todos os candidatos a reitor da Uenf, incluindo os da chapa que não foi para o segundo turno, prestam contribuições inestimáveis à nossa preciosa universidade. Ajudaram a construí-la com árduo e competente trabalho cotidiano. Academicamente, existem diferenças que podem ser ressaltadas, mas todos são professores altamente envolvidos com os problemas centrais da universidade. A disposição de professores tão positivamente reconhecidos por seus colegas em assumir a arriscada e pessoalmente sacrificante condução política da universidade deve explicar, em parte, o altíssimo comparecimento eleitoral no primeiro turno. Tenho profundo respeito e admiração por quem se arrisca e se sacrifica na política. E isso vale também para a universidade. Na universidade, existem cargos que são tipicamente de gestão científica, na qual a competência política depende diretamente da liderança científica. É o caso, evidentemente, da gestão da pós-graduação.

Mas não é o caso do cargo de reitor. O posto é primariamente de condução política. A liderança científica em si não garante as competências necessárias para a tarefa de construir e defender politicamente a universidade pública. Precisamos de bons políticos para este cargo. E acredito que o professor Raúl, um cubano apaixonado pelo diálogo e pela empatia, é a melhor opção para a condução política da Uenf nos próximos anos, que prometem exigir doses redobradas de habilidade política. O professor Raúl reúne, na minha visão, bem mais que o outro respeitável candidato, a combinação entre convicção e responsabilidade que, segundo Max Weber, caracteriza a profissão política em sua efetividade de realizar causas coletivas. Raúl pratica bem o que Weber chama de “ética da responsabilidade”, a única forma de ética capaz de ser politicamente efetiva, diferenciando-a da “ética da convicção”. Enquanto a “ética da convicção” orienta a ação exclusivamente pelo valor moral (como as causas coletivas) atribuído ao agir, a “ética da responsabilidade” combina adesão a valores com a avaliação e a responsabilidade pelas consequências previstas e não previstas da ação. Porta bem a “ética da responsabilidade” aquele político que chama para si a construção dos meios políticos — recursos de poder — necessários para realizar ou defender o bem comum, como nossa preciosa e ameaçada Uenf. No uso desta “ética” própria da política, o diálogo e a construção da empatia, na medida em que viabilizam apoio na sociedade e na esfera política, são requisitos fundamentais e não contradizem, de nenhum modo, a capacidade de enfrentamento. É somente ampliando o leque de forças sociais e política que apoiam a Uenf que se pode obter recurso de poder e capacidade de conflito.

Para isso não é preciso abrir mão de valores e causas coletivas, mas apenas não tomar a dimensão moral como referência absoluta para o fazer político, sobretudo para alianças e compromissos com quem pensa diferente. O absolutismo de valores trai a realização dos próprios valores, pois ignora as consequências da ação. É preciso que o reitor consiga dialogar com setores muito diversos da sociedade e da administração pública, como, por exemplo, a Política Militar, com quem o professor Raúl demonstrou, na atual gestão da Uenf, muita capacidade de construção política, desarmando a interação de preconceitos ideológicos politicamente improdutivos.

Não se trata de valores absolutos como “continuidade” ou “mudança”. E nem da diferença entre quem defende ou não a universidade pública de excelência e inclusiva. Os dois candidatos são defensores incontestes da universidade pública nestes moldes. A escolha é sobre quem possui maior capacidade política de realizar esta tarefa, e é por este motivo que voto na chapa 10.

 

Publicado hoje (12) na Folha da Manhã

 

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José Carlos Mendonça — O voto por Carlão e Juraci na eleição para reitoria da Uenf

 

(Foto: Folha da Manhã)

 

 

José Carlos Mendonça, engenheiro agrônomo e professor da Uenf

Eleições livres e democráticas na Uenf

Por José Carlos Mendonça

 

Como toda a Região sabe, a Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro — nossa Uenf —, escolherá, de forma livre e democrática o seu Magnífico Reitor nos próximos dias 14/09 (polos do Cederj) e 17/09 (campis Campos e Macaé) e como membro presente da comunidade acadêmica e enquanto solicitado por esse importante veículo de comunicação, não poderia de deixar de externar algumas das minhas reflexões. Pois quem me conhece sabe do meu carinho, respeito e dedicação à Uenf ao longo desses últimos 26 anos desde sua fundação… Na verdade, um pouco mais, pois estou nessa história desde as primeiras reuniões com o professor e à época senador Darcy Ribeiro.

No inicio da década de 1990, a Uenf foi criada dentro de um projeto nacional para ser uns dos cinco centros de excelência do país. Este projeto vem se cumprindo desde então. Não me surpreende seus bons desempenhos em nível nacional e internacional, pois nosso quadro de docentes é de excelência. E, por conseguinte, nossos formandos, tanto na graduação, quanto nos diversos programas de pós-graduação, nos enchem de orgulho.

Passamos momentos difíceis, como no governo do já falecido Marcelo Alencar, e mais recentemente, nos governos Cabral e Pezão. Isso nos faz refletir, pois precisamos, com a excelência construída com nosso corpo docente e técnico, nos afastar da dependência do nosso tutor Governo Estadual e sermos auto-suficientes na captação de recursos — em consonância com o mundo real: sermos auto-sustentáveis. O Governo Estadual não cumpre sua função básica — e constitucional — que é aplicar 2% do ICMS na Faperj. Eu mesmo tenho projetos de pesquisas aprovados, conta bancária aberta e sem os recursos financeiros depositados… Alguns nos nossos projetos em andamento estão sendo financiados pela “fundação meu bolso”. Isso é difícil! E para complicar mais ainda, estamos vendo o Governo Federal, através da Capes e do CNPq, anunciar cortes nos orçamentos e redução de bolsas!

Voltemos às eleições então: os dois candidatos são meus amigos pessoais, os quais respeito e admiro. Porém só tem um voto! Votar no candidato Raúl Palacio é dar continuidade à gestão Passoni, pois todos sabem da relação entre os dois. Luis Passoni teve uma gestão muito difícil devido a “quebra do Governo Estadual”. Mas a continuidade de sua gestão, via Raúl seria, o reconhecimento de sua gestão? Sabemos que no estatuto da Uenf não é permitida à reeleição do mandato para reitor. E isso foi pensado e sugerido pelo então senador Darcy Ribeiro, que não queria polarização, nem a politização na administração superior da universidade. E julgava ser muito salutar o revezamento dos diferentes lideres acadêmicos nessa gestão. Particularmente eu concordo muito com esse ensinamento do professor Darcy.

Carlos Rezende (o Carlão) está aqui desde as primeiras reuniões pró Uenf… Me lembro de levá-lo, juntamente com seu grupo de pesquisa para conhecer as lagoas da região. Foi chefe do Laboratório de Ciências Ambientais; diretor do Centro de Biociências e Biotecnologias do CBB, pró-reitor de Graduação; vice-reitor; e é pesquisador do CNPq… É durão: sim… É serio: sim… Consegue captar recursos financeiros para Uenf: sim… Tem relações internacionais? Muitas! Com quem você acha que eu vou votar para reitor? Voto 11: Carlão e Juraci. Avança Uenf!

 

Publicado hoje (12) na Folha da Manhã

 

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Folha FM: professor Raúl projeta ser eleito reitor da Uenf e responde a ataques

 

Candidato a reitor da Uenf, professor Raúl Palacio foi o entrevistado de hoje do Folha no Ar, que tem como convivado nesta quinta seu concorrente, o professor Carlão Rezende (Foto: Isaias Fernandes – Folha da Manhã)

 

“Nós achávamos, sinceramente, que ganharíamos no primeiro turno. Chegamos muito perto. Faltaram algo em torno de oito, nove votos de professores. Então eu acho que a gente vai ter uma vitória e estamos trabalhando para que seja expressiva. Os votos dos professores que detectamos ao professor (Enrique Acosta) Medina (candidato que ficou no primeiro turno, no critério desempate do estatuto, e declarou depois neutralidade), estamos trabalhando especificamente com cada um deles. A aceitação dos técnicos continua funcionando. Eu acho que a gente pode ganhar com algo em torno de 60%, 55% dos votos”. Foi o que projetou na manhã de hoje, no Folha no Ar 1ª edição, da Folha FM 98,3, o professor Raúl Palacio, no segundo turno da eleição a reitor da Uenf.

O pleito começa no sábado (14) nos polos avançados do Cederj. E tem seu ápice na terça (17), nos campi Campos e Macaé. Também candidato a comandar a universidade mais importante de Campos e região, o professor Carlão Rezende é o convidado desta quinta (12) do espaço democrático do Folha no Ar.

No programa de hoje, Raúl assumiu que sua canidatura a reitor é uma continuidade do atual: “o professor (Luis) Passoni, porque ele representa talvez o principal incentivador para a gente entrar nesse pleito”. Ele garantiu que sua campanha “tem recebido muito carinho da comunidade da universidade, dos professores, dos estudantes, dos técnicos, e continuamos fazendo a nossa campanha limpa, colocando e debatendo ideias”. E apostou: “é isso no final que vai realmente fazer a diferença”.

Do que não ocorreu de maneira talvez não tão “limpa”, Raúl também falou dos ataques que sofreu através de um artigo, publicado recentemente em espaço virtual de baixo conceito na mídia local. O texto de qualidade ruim foi ilustrado com uma foto do ex-deputado federal Paulo Feijó (PR), entre Passoni e Raúl. Como o ex-parlamentar, hoje em prisão domiciliar pela condenação na operação Sanguessuga, votou a favor do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), a intenção foi “queimar” o candidato a reitor com o eleitorado universitário de esquerda, de grande força na Uenf, como em qualquer universidade pública brasileira:

— A comunidade universitária entendeu que aquilo foi um processo extremamente agressivo. Em relação à foto, a gente foi conversar com o Feijó na tentativa de procurar dinheiro novo para a universidade. É uma das coisas que a gente coloca no nosso modelo funciona com o orçamento estadual, que é muito fechado, restrito. E por problemas que o Estado do Rio estava passando (na crise de 2017), a gente entendeu a necessidade de procurar emendas parlamentares federais. Como Feijó foi colocado como deputado de direita. Poderiam ter colocado lá uma foto com o (Alessandro) Molon (Rede), com o Marcelo Freixo (Psol), com Wladimir Garotinho (PSD), ou com qualquer deputado federal da legislatura anterior ou desta. Acho que é uma obrigação dos deputados federais colocarem o dinheiro das suas emendas aqui. E a educação faz parte disso. Nosso diálogo é com todos, tanto com a esquerda, quanto com a direita, desde que a Uenf esteja em primeiro lugar como universidade pública, gratuita e socialmente referenciada — disse o candidato a reitor. Que foi além nas causas e consequências do ataque:

— De repente, ter mantido a universidade em funcionamento com zero de dinheiro, por dois anos seguidos, talvez tenha incomodado alguém. E por isso colocaram um artigo que os professores, estudantes e técnicos da universidade se sentiram envergonhados por aquilo que foi colocado. O que acontece na universidade se discute na universidade e na sociedade. Mas nós temos que discutir com classe. É neste sentido que eu falo da campanha limpa. Nós vamos solucionar esse problema pelas vias normais. Não vai ficar sem resposta, com toda a certeza. Mas agora, neste momento, a gente não quer se concentrar nisso. Nós estamos concentrados na campanha e aquilo que é importante para a gente conseguir levar à frente o nosso projeto — pontuou Raúl.

Informado durante o programa que o responsável pelo espaço que abrigou o ataque de baixo nível contra sua candidatura a reitor tem como responsável o assessor de um importante pré-candidato a prefeito de Campos em 2020, Raúl respondeu:

— Eu sinceramente acho que, depois daquilo, o pré-candidato talvez repense isso e coloque o cara para fora. Eu realmente tenho convicção de que isso vai acontecer — apostou.

Ao professor Raúl e, sobretudo, aos ouvintes e telespectadores do programa mais ouvido da rádio de Campos, pedimos desculpas pelo streaming do Folha no Ar 1º edição de hoje não ter sido disponibilizado ao vivo, na página da Folha FM no Facebook. Mas esta sofreu ataque virtual durante a madrugada, o que impediu a transmissão. Nesta quinta (12), com o professor Carlão, nossos técnicos estão desde a manhã de hoje trabalhando para que tudo funcione dentro da normalidade.

Abaixo, em três blocos, os vídeos do Folha no Ar com o professor Raúl Palacio:

 

 

 

 

Atualizado às 16h41 para inclusões na postagem.

 

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Jefferson Manhães de Azevedo — Reitor do IFF analisa eleição a reitor da Uenf

 

(Foto: Folha da Manhã)

 

Jefferson Manhães de Azevedo, reitor do IFF (Foto: Rodrigo Silveira – Folha da Manhã)

Eleição da Uenf a um futuro mais largo, generoso e inclusivo

Por Jefferson Manhães de Azevedo

 

A Carta Magna Brasileira, em seu Art. 207, garante às universidades públicas a “autonomia didático-científica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial”. Entretanto destaca que as mesmas “obedecerão ao princípio de indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão”, elemento vertebral da natureza da educação superior brasileira e que, para o seu pleno exercício e atendimento aos interesses da sociedade, pressupõe uma universidade autônoma.

Para tanto, o projeto educacional de uma universidade não pode estar exclusivamente atrelado aos interesses conjunturais de governos, mas alinhado plenamente às demandas sociais e em sintonia com o fortalecimento da soberania nacional, a partir de uma relação dialogal e de cooperação com os demais países. Além disso, o projeto educacional das universidades públicas, de acordo com o Art. 205 da Constituição Federal, tem que promover “o pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”, como deve ocorrer nos demais níveis de ensino.

Já em seu Art. 206, a Constituição elege, dentre outros, alguns princípios basilares da educação brasileira, como a “liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber”, o “pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas”, a “gratuidade do ensino público”, assim como a “gestão democrática”. Portanto, eleger seus dirigentes é parte do ser e do se fazer universidade, permitindo a cada instituição de educação superior ressintonizar seu projeto educacional com as demandas sociais de seu território e do país.

Trata-se, portanto, de singular orientação constitucional na oportunidade de ampliar o diálogo e estreitar as relações da comunidade acadêmica com a sociedade, como é constitucional o exercício de fazer-se parte integrante de um projeto nacional soberano e criativo. É constitucionalmente salutar vivenciar e fortalecer a autonomia universitária, arcabouço imperativo para garantir os princípios basilares constitucionais de uma educação transformadora de vidas e formadora de cidadãos livres e autônomos conscientes e responsáveis pelo seu tempo histórico e pelos destinos da nação.

Neste sentido, as eleições da Uenf, sem sombra de dúvidas, estão permitindo que esta comunidade acadêmica se apresente e se reinvente para atender as urgentes demandas das “sociedades” de seu entorno, bem como de adensar ainda mais seu compromisso com o desenvolvimento de nossa região. Eleger um dirigente máximo de uma universidade é uma exigência constitucional e um imperativo para o fortalecimento social e para a formação de uma nova geração que precisa “inventar” o futuro, tornando-o mais largo, generoso e inclusivo.

 

Publicado hoje (11) na Folha da Manhã

 

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Rodrigo Feitoza vai assumir a procuradoria-geral da Câmara de Campos

 

Rodrigo Cavalcante Feitoza será o novo procurador-geral da Câmara de Campos (Foto: Facebook)

 

Mudança na procuradoria-geral da Câmara Municipal de Campos. Sai Felipe Albernaz Mothé, exonerado a pedido, pasa assumir outro cargo em Macaé, e entra Rodrigo Cavalcante Feitoza. A nomeação deve ser publicada amanhã no Diário Oficial. Indicação pessoal do presidente da Câmara, vereador Fred Machado (Cidadania), Rodrigo falou ao blog:

— Me senti muito honrado com o convite do presidente Fred Machado para assumir o cargo de procurador-geral do Legislativo. A ele meu respeito, agradecimento e sinceras homenagens. Após experiências vividas nos quatro municípios onde assumi cargos de procurador do Poder Executivo, atuar no Legislativo será um aprazível desafio. Me sinto preparado para auxiliar os nobres vereadores no que for preciso, debruçado, principalmente, sobre os princípios da moralidade, legalidade e eficiência, visando o bem comum da nossa cidade. O desejo do exmo. sr. presidente da Casa Legislativa de sempre querer buscar a perfeita harmonia entre os Poderes Legislativo e o Executivo Municipal, visando o bem comum da nossa população, foi o que mais me motivou a aceitar o cargo, o que nos proporcionará a realizar um bom trabalho.

 

Atualizado às 16h34 para colocar a declaração no novo procurador

 

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Brand Arenari — As instituições de ensino e a democracia na eleição a reitor da Uenf

 

(Foto: Folha da Manhã)

 

 

Brand Arenari, sociólogo, secretário de Educação de Campos e ex-uenfeano

As instituições de ensino e a democracia: eleições na Uenf

Por Brand Arenari

 

As grandes instituições de ensino, independente de suas vontades ou intencionalidades, exercem um papel pedagógico na sociedade, desse modo abrindo novas possibilidades de padrões comportamentais coletivos e/ou enraizando determinados padrões. Novas instituições são em muitas vezes fontes de renovação da vida social.

Sem dúvida alguma esse papel foi e ainda é exercido pelo IFF. Esta instituição que, por sua importância e tempo de vida em nosso município, ajudou a moldar nossa vida coletiva em vários aspectos: econômico, social e político. Uma outra instituição, bem mais jovem mas não menos importante, também tem feito o mesmo, me refiro a Uenf.

Desde que a Uenf chegou e se desenvolveu a cidade não é mais a mesma, abriu espaço para um cosmopolitismo que é avesso às tradições de nossa terra. Quanto às eleições e à vida democrática de nossa cidade, a Uenf também tem sido uma grande professora. Gerações de alunos e funcionários têm aprendido um pouco de política nessa instituição. A Uenf não só tem formado grandes profissionais e cientistas, mas também forma quadros para um tipo específico de política republicana. Esse é o papel pedagógico das eleições e da vida política intrainstitucional. Posso dizer, com muito orgulho, que faço parte dessa história, também me formei na Uenf, também comecei minha vida política lá, no movimento estudantil. Sou filho e fruto desta instituição.

Inspirado nessa história, agora como secretário de Educação de Campos, pude colaborar diretamente com o prefeito Rafael Diniz para implementação de eleições diretas nas escolas, verdadeiramente democráticas, na expectativa que exerçam o mesmo papel pedagógico em toda nossa sociedade campista. Esperamos que este exercício democrático possa formar quadros para nossa política como também desenvolver e aprimorar nossa vida democrática.

 

Publicado hoje (10) na Folha da Manhã

 

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Blogueiro da Folha e ex-uenfeano acredita que alunos podem definir eleição da Uenf

 

Servidor federal, blogueiro do Folha1 e ex-uenfeano, Edmundo Siqueira na manhã de hoje no Folha no Ar (Foto: Isaias Fernandes – Folha da Manhã)

 

Apesar da expressiva vantagem do professor Raúl Palacio, candidato a reitor na eleição da Uenf, que obteve 41,70% no primeiro turno da eleição a reitor da Uenf, contra 28,52% do seu adversário no segundo turno, professor Carlão Rezende, o baixo comparecimento na primeira rodada do pleito deixa aberto o resultado final, caso haja mais participação dos votantes, sobretudo dos estudantes. A ressalva foi feita na manhã de hoje, no Folha no Ar 1ª edição, da Folha FM 98,3, pelo ex-uenfeano, servidor público federal e blogueiro do Folha1, Edmundo Siqueira:

— Cerca de 250 professores votaram, 400 técnicos votaram e 1.800 alunos votaram. Os professores (são 300 votantes) já se posicionaram. Os técnicos, embora tenham faltado 200 votantes (são 600 no total), também. Mas os alunos tiveram uma adesão pequena, 1.800 em 7 mil. Então acredito que os alunos possam ser o fiel da balança no segundo turno — lembrou Edmundo, mesmo ressaltando que os estudantes da Uenf, apesar do número, representem 15% do colégio eleitoral da universidade, cabendo outros 15% aos técnicos e grande maioria de 70% ao magistério.

Apesar de opinar que a eleição a reitor da Uenf ainda está indefinida, o servidor federal e blogueiro criticou o nível dos ataques que Raúl Palacio, candidato que liderou o primeiro turno, passou a sofrer nas redes sociais antes da consumação do pleito:

— Eu fiquei triste de ver, acho que em rede social, um texto agressivo contra o Raúl. Achei desproporcional. Não estou defendendo ninguém, até porque não voto na Uenf. Mas achei agressivo, achei que talvez tenha ultrapassado certos limites. De falar que ele não tem produção acadêmica. É muito parecida a capacidade técnica dos dois (Raúl e Carlão). Nas entrevistas que eles deram (aqui e aqui) no Folha no Ar, você percebe isso. Querer desconsiderar a capacidade de qualquer um é errado, ultrapassa o limite ético. Você tem que impedir isso. Ou ao menos responder. Eu acho que se você tem um ataque desses, o próprio outro lado que está sendo beneficiado entre aspas, porque isso não é benefício nenhum, deveria dar uma resposta, se posicionar, para não parecer que está inflando isso.

Edmundo também abordou da recente greve dos médicos da Saúde Pública de Campos, inciada em 7 de agosto e concluída (aqui) no dia 3o do mesmo mês, que cobriu com afinco em seu blog no Folha1. Para ele, o movimento foi fruto de um conjunto de condições: cortes das substituições e gratificações pelos problemas financeiros do município, junto com a implantação do “famigerado” ponto biométrico e as condições de trabalho da categoria. E que foram estas que fez o movimento ganhar força nas redes sociais. Mas considerou ter se tratado de um clássico confronto entre patrão e empregado, conceituado por Karl Marx. O que acabou sendo uma ironia para uma categoria profissional que votou em peso no antimarxismo de Jair Bolsonaro (PSL) a presidente.

Esdmundo considerou “autoritarismo vinculado à religião” a atitude do dublê de bispo da Igreja Universal e prefeito do Rio, Marcelo Crivella (PRB). Recentemente, ele tentou censurar um gibi, que continha uma cena de beijo romântico entre dois personagens masculinos, na Bienal do Livro do Rio. Sobre o assunto, ele chegou a entrevistar aqui, em seu blog, a socióloga, advogada, presidente da Fundação Municipal da Infância e Juventude (FMIJ) e também ex-uenfeana, Sana Gimenes.

Sobre outra eleição, a de prefeito de Campos em 2020, o blogueiro acredita que o desgaste do ex-governador Anthony Garotinho (sem partido) pode prejudicar a pré-candidatura do seu filho, o deputado federal Wladimir Garotinho (PSD). Mas observou que a polarização entre o grupo dos Garotinho e o prefeito Rafael Diniz (Cidadania) interessa aos dois lados. Ele considerou o fenômeno eleitoralmente análogo ao enfrentamento entre petismo e bolsonarismo na eleição presidencial de 2018.

 

Raúl Palacio na quarta e Carlão Rezende, na quinta, no Folha no Ar (Fotos de Isaias Fernandes e montagem de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Nesta quarta (11), o entrevistado do Folha no Ar 1ª edição será o professor Raúl Palacio, candidato a reitor da Uenf. Na quinta (12), o mesmo espaço será democraticamente ocupado pelo outro candidato à reitoria, professor Carlão Rezende.

Confira abaixo os vídeos, divididos em quatro blocos, da entrevista com Edmundo Siqueira:

 

 

 

 

 

 

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Na Folha FM 98,3, secretário de Desenvolvimento Ambiental projeta Parque até 2020

 

Secretário de Desenvolvimento Ambiental de Campos, Leonardo Barreto foi o convidado de hoje no Folha no Ar (Foto: Isaias Fernandes – Folha da Manhã)

 

Se a educação ambiental se faz com exemplo, o Folha no Ar 1ª edição da manhã de hoje (09), na Folha FM 98,3, foi didático. Durante o programa, que troxe como convidado o biólogo e secretário de Desenvolvimento Ambiental de Campos, Leonardo Barreto, dois telespectadores pediram (aqui) mudas de ipê amarelo, árvore símbolo da cidade, em comentários no streaming do programa na página da Folha FM no Facebook. E  foram atendidos em tempo real pelo Wilson Duarte, da secretaria municipal cujo titular era entrevistado. Para quem também quiser adotar uma árvore, iniciativa que é um dos carros chefes do Densenvolvimento Ambiental goitacá, o contato pode ser feito pelo número 981689588.

Usando o exemplo de Campos, Leonardo contestou a “indústria das multas ambientais”, sempre lembrada pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL), que acabou gerando queimadas na Amazônia e o repúdio internacional. Na interatividade que tem se tornado marca do Folha no Ar, outro comentarista ao vivo de hoje foi o professor Carlão Rezende. Candidato a reitor da Uenf na disputa do segundo turno, que é o convidado do programa nesta quinta (12), dia seguinte à entrevista com seu adversário Raúl Palacio, Carlão lembrou em comentário que no Brasil não se paga mais de 5% das autuações ambientais. Leonardo respondeu que em Campos esse índice é um pouco maior. Mas ressaltou que a ação da sua pasta é mais educacional do que punitiva.

Um dos tantos quadros cuja formação a cidade deve à Uenf, onde se graduou em biologia, o secretário de Desenvolvimento Ambiental analisou a eleição a reitor da universidade mais importante de Campos e da região. Elogiou os dois candidatos que disputarão o segundo turno, assim como o que ficou na disputa do primeiro, o também professor Enrique Medina-Acosta. Mas evitou tomar partido. Seu posicionamento político foi mais assumido na defesa da reeleição do prefeito Rafael Diniz (Cidadania), cujo governo integra. Ele ressaltou a liberdade que tem do prefeito, em busca do desenvolvimento econômico do município ambientalmente sustentável. Como destacou as dificuldades financeiras da cidade, com a queda vertiginosa das receitas do petróleo.

Fruto dos tempos áureos dos roylaties, a reforma da Praça São Salvador promovida e muito criticada no governo Arnaldo Vianna, foi ironizada pelos comentaristas do programa, por ter promovido a derrubada de todas as árvores que davam sombra e amenizavam o calor no coração da cidade. “Sr. secretário, não tem um projeto para arborizar a praça São Salvador? Fizeram pior que a Amazônia com a praça!”, disse o assíduo telespectador do programa Mauricio Furel Baptista. Leonardo respondeu que não há projeto neste sentido, pelas dificuldade que seria quebrar o calçamento feito em toda a praça. Mas falou do principal objetivo da sua pasta: a criação (aqui) do Parque Ecológico Municipal, em terreno de 320 mil m² localizado na avenida Arthur Bernardes.

Apesar da Prefeitura não ter divulgado prazo para início e conclusão da obra, Leonardo anunciou hoje no Folha no Ar que seu objetivo é entregar o Parque Ecológico à população até o final de 2020.

Nesta terça (10), o entrevistado do programa será o servidor público federal e blogueiro da Folha Edmundo Siqueira. Como tem se dedicado à cobertura da eleição a reitor da Uenf, assim como fez com a recente greve dos médicos da Saúde Pública de Campos, os dois assuntos integrarão a pauta, sempre a partir das 7h da manhã na Folha FM 98,3.  Confira a programação da semana aqui.

Abaixo os vídeos dos três blocos do Folha no Ar de hoje, com Leonardo Barreto:

 

 

 

 

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Triatleta goitacá, Christiano entre os melhores do mundo no Ironman da França

 

Christiano, após mais de cinco horas nadando e pedalando, cruza correndo a linha de chegada em Nice, na França (Foto: Julie Gomes Barbosa)

 

“Todos estão aqui com as suas histórias. E felizes por completarem a prova. É gente do mundo inteiro, do Chile, das Filipinas, da Polônia. Todos trazem suas famílias, é bonito de ver, de participar. É uma festa do esporte. Para quem é atleta profissional, é uma Olimpíada. E para os amadores, como eu, é uma chance de nadar, pedalar e correr lado a lado com os melhores triatletas profissionais do mundo. Nossas categorias são diferentes, mas competimos todos juntos. Nunca fiz uma prova tão dura. A etapa do cliclismo, como era esperado, com muita subida de montanha e 2 km a mais do que o normal, foi muito puxada. Mas felizmente não choveu. E estou muito feliz com meu resultado”.

Foi o que disse o triatleta campista Christiano Abreu Barbosa, 46 anos, que na manhã de hoje participou do Campeonato Mundial do Iroman, em Nice, no litoral sul da França. Com tempo total de 5 horas 17 minutos e 49 segundos, após 1,9 km de natação, 92 km de ciclismo e 21 km de corrida, ele ficou na 217ª colocação entre os 560 participantes da sua categoria: amador, de 45 a 49 anos. Nela, 507 conseguiram completar a prova, que deixou 53 pelo caminho.

No total, foram 3,7 mil triatletas de todos os continentes classificados e inscritos para testar os limites físicos do homem no palco do Mediterrâneo, berço da Civilização Ocidental. Um campista estava entre eles. E ao lado dos melhores do mundo, representou com a tenacidade de guerreiro goitacá a sua terra de planície, cortada e parida pelo rio Paraíba do Sul.

 

Com direito aos gritos da esposa e ao desbocado desabafo materno no áudio, confira abaixo o vídeo da chegada do triatleta goitacá no Campeonato Mundial do Ironman na França:

 

 

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Luciane Silva — O voto reflete a cada um sua forma de compromisso com a Uenf

 

 

Luciane Silva, socióloga, professora da Uenf e 2ª vice-presidente da Aduenf

Eleições para Reitor na Uenf: desafios e perspectivas no segundo turno

Por Luciane Silva

 

A construção da Universidade Estadual do Norte Fluminense está intimamente  conectada com o projeto de Darcy Ribeiro, a luta de uma região (a mobilização popular de 1989 que resultou em mais de 4 mil assinaturas e deu início a campanha constitucional pela criação da Uenf)  e uma conjuntura política (o encontro de Leonel Brizola, eleito governador do Rio de Janeiro e do antrópologo visionário Darcy). Vinda de duas instituições Federais (UFRGS e UFRJ) chegar a Universidade do Terceiro Milênio em 2010, possibilitava repensar que ciência queríamos para o Brasil. E estar fora das capitais gerava ainda mais questões sobre os desafios em integrar a comunidade e trabalhar pelo desenvolvimento do Norte Fluminense e do país.

Qual o maior desafio a enfrentar neste momento em uma universidade com 100% de doutores e regime de dedicação exclusiva? Talvez, diante do todos os ataques à educação e à ciência , o maior desafio em 2019 e para os próximos 4 anos seja exatamente manter vivo o seu projeto de criação.

A Uenf completa seus 26 anos e enfrentaremos em breve o segunto turno da eleição para reitor. Até este momento, podemos pensar os resultados sob a metáfora do “copo meio cheio ou meio vazio”. Alguns noticiam o favoritismo da chapa 10. Outros, noticiam a ameaça que um segundo turno representa ao projeto de continuidade representado pelo candidato da reitoria.  O comportamento eleitoral nem sempre pode ser lido como algo transparente e racional. Cada categoria faz suas escolhas com base em sua posição dentro do jogo político.

Na Associação de Docentes da Uenf nossa diretoria tomou uma decisão: não apoiamos nenhuma candidatura e ouvimos todos os candidatos. Nossa posição democrática se reflete no próprio resultado que mostra claramente três grupos divididos entre os docentes. Ou seja, este resultado no primeiro turno, explicita o voto como instrumento de rechaço à proposta de continuidade. Este dado, ao menos entre os docentes é evidente, absolutamente objetivo.

Nossa Associação de Docentes foi citada incontáveis vezes nos debates e em certo momento fomos criticados com o uso do termo “imaturidade política”. É importante explicar, embora não devesse ser necessário, que representamos os interesses dos professores e professoras e como tal, nossas posições têm neste grupo sua legitimidade de ação outorgada por eleição. Em 2017, defendemos abertamente a autonomia de gestão financeira para Uenf e fomos frontalmente contrários ao parcelamento desta autonomia.

Nossa questão era simples: não havia clareza sobre a forma do repasse, não havia clareza sobre os valores para folha de pagamento e custeio. E ainda hoje, as universidades estaduais do Rio de Janeiro temem uma autonomia de gestão que não garanta em lei, o pagamento de salários dos servidores. Isto foi dito na reunião feita com o Governo em junho de 2019.

Não se pode esconder os problemas o tempo todo. É parte do processo de gestão, informar a comunidade do que se passa com nossas contas e nosso planejamento para o futuro. Mas na atual conjuntura política, é preciso recuperar a vitalidade de Darcy Ribeiro para construir mundos que não existiam. Mundos de gente realizada na construção de ensino, pesquisa e extensão. Nossa relação com os parlamentares na Alerj e com o governo deve ser de respeito aos expedientes democráticos. Mas jamais devemos deixar de pautar nossos interesses. Se tentam instaurar a CPI das Universidades, se tentam criminalizar nossas aulas, se descumprem a lei, no caso dos duodécimos, não nos parece razoável aceitar sem luta, decisões que nos prejudicam.

O peso do cargo de reitor é demonstrado no emprego do pronome de tratamanto “magnífico”. Vamos retomar uma frase emblemática do antropólogo Darcy Ribeiro: “meus fracassos são minhas vitórias, eu detestaria estar no lugar de quem me venceu”. Um processo eleitoral é uma oportunidade única para repensarmos por quais vitórias pretendemos ser reconhecidos como instituição de ensino, pesquisa e extensão. Darcy não abria mão de sua relação com a América Latina e com a indignação. Era um político e está sujeito a críticas. Mas certamente nos deixou como legado, a obrigação de não pararmos de sonhar. De que a Uenf não poderia apequenar-se em conchavos. Creio que ele não comprometeria este sonho por um poder estruturado sob vassalagem ou sob sujeição a qualquer ordem estranha à democracia. E certamente este será o desafio ao próximo reitor eleito. Já que existe a derrota na vitória — a eleição presidencial de 2018 é o exemplo mais eloquente—, o voto reflete a cada um sua forma de compromisso com a Uenf.

Na abertura do capítulo “O Homem Cordial” do livro “Raízes do Brasil”, Sérgio Buarque de Holanda afirma: “O Estado não é uma ampliação do círculo familar e, ainda menos, uma integração de certos grupamentos, de certas vontades particularistas (…)”. Pensar a Uenf pós eleição é recuperar a crítica a formas particularistas de governo ou gestão que ao amarrarem certos compromissos internos, comprometem exatamente o que se pretendia fazer grandioso: o conceito de universidade.

A curto prazo alguns agraciados sentem a satisfação da vitória. Uma satisfação que se mostrará impotente quando confrontada com a fraqueza institucional diante dos desafios postos: a autonomia de gestão financeira em 2019, a necessidade dos concursos, a superação das fraturas internas, o cuidado com a saúde mental da comunidade, o respeito a diversidade, a discussão de gênero e raça, a acessibilidade. E sobretudo, o exercício diário da democracia. Em especial, será fundamental que se compreenda as discussões sobre gênero realizadas nas instituições de ensino brasileiras, do nível fundamental ao superior.

Nesta eleição temos visto um rebaixamento da discussão sobre a presença feminina em cargos de poder. Tratar este tema com seriedade exige a criação de melhores condições de trabalho para as mulheres. Cientistas, alunas, técnicas e terceirizadas. É importante evitar usos equivocados do conceito de gênero em uma sociedade que debate as desigualdades entre homens e mulheres no mundo do trabalho.

Termino este texto com um trecho do poema “Mundo Grande” de Carlos Drummond de Andrade: “tu sabes como é grande o mundo, conheces os navios que levam petróleo e livros, carne e algodão. Viste as diferentes cores de homens, as diferentes dores dos homens, sabes como é difícil sofrer tudo isto, amontoar tudo isto, num peito de um só homem, sem que ele estale”.

Revisitando o projeto de Darcy, após colher entre alunos esta leitura poética afirmo: “meu coração cresce dez metros e explode

Ó Uenf futura, nós te criaremos.

 

Publicado hoje (08) na Folha da Manhã

 

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