Professor de História da rede pública e doutorando em História na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio), Eraldo Duarte é o convidado do Folha no Ar desta quinta (20), ao vivo, a partir das 7 da manhã.
Ele falará como é ser politicamente de direita ao cursar e lecionar num curso de humanas na rede pública de ensino. E tentará analisar o bolsonarismo pela ótica de quem viu o fenômeno do lado de dentro e de fora.
Por fim, Eraldo falará do julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outros 33 acusados de tentativa de golpe de Estado, do governo Lula 3 e das eleições de 2026.
Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta quinta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook e no YouTube.
Bolsonaro no sábado de Copacabana (Foto: Alexandre Cassiano/O Globo)
Quantos com Bolsonaro em Copa?
Qual o público real da manifestação pró-anistia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), no último sábado (15) em Copacabana? Os 18,3 mil contabilizados pela Universidade de São Paulo (USP)? Os 30 mil calculados por imagens pela DataFolha? Ou os 400 mil anunciados pela PM comandada pelo governador Cláudio Castro (PL), aliado de Bolsonaro e presente ao evento?
Bem abaixo da expectativa
Nos bastidores, nem os bolsonaristas confiaram na conta da PM de Castro. E calcularam o público de Copacabana entre 70 mil e 130 mil pessoas. Qualquer que tenha sido o número real, foi menos do que Bolsonaro, quando era presidente, conseguia colocar nas ruas. E, certamente, bem menos do que o 1 milhão que contava ter no sábado.
Enfraquecido para o STF
Com perspectiva de se tornar réu, mais 33 acusados de tentativa de golpe de Estado pela Procuradoria-Geral da República (PGR), na sessão da 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) da próxima terça (25), Bolsonaro quis mostrar força. E saiu de Copacabana enfraquecido. Como sua pauta no Congresso por uma anistia a crimes pelos quais sequer foi julgado.
Sem motivo para celebrar
Pode ser cedo para o governo Lula 3 celebrar. Em queda de popularidade em todas as pesquisas, o atual presidente e o PT estão distantes do tempo em que dominavam as manifestações de rua no Brasil. Nos 21 anos entre o impeachment do ex-presidente Fernando Collor de Mello, em 1992; e as Jornadas de Junho de 2013, no governo Dilma Rousseff (PT).
Esquerda leva metade?
O pastor Silas Malafaia não pareceu errado ao rebater as críticas à baixa adesão popular a Bolsonaro no sábado: “Quero ver a esquerda levar metade”. Ainda assim, o bolsonarismo colheu outro revés ontem (18). Quando Eduardo Bolsonaro (PL) se licenciou do mandato de deputado e desistiu de ser presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara Federal.
Asilo por quê?
Eduardo decidiu continuar nos EUA. Onde já quis ser embaixador do Brasil, mas também não conseguiu, e está desde o final de fevereiro. Ontem, Jair comentou a decisão do filho 03. Após Copacabana e antes do STF, não pareceu otimista: “Ninguém falou em asilo (político) ainda. Mas se for o caso, ele (Eduardo) pede. Ele pede e o Trump dá imediatamente para ele”.
Lagoa alongada de Iquipari com o Porto do Açu ao fundo (Foto: Divulgação)
Deputado denuncia Porto
Deputado estadual do Psol, Flavio Serafini protocolou na última sexta (14), no Ministério Público Federal (MPF) de Campos, uma representação contra o Porto do Açu, responsável pela Reserva Caruara. Segundo ele, para garantir o acesso da população do 5º distrito de São João da Barra (SJB) a bens naturais públicos, como a Lagoa de Iquipari e a Praia do Açu.
Ausência?
O deputado disse que, apesar de audiências públicas na Câmara Municipal de SJB e na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), a empresa teria se recusado a comparecer. Além da questão do acesso, a denúncia ao MPF também fala da contaminação do ar e da água por sal e outros minérios.
Medidas arbitrárias?
— É inaceitável que, mesmo previsto no Plano de Manejo da Reserva Caruara, o acesso à Lagoa de Iquipari tenha sido fechado aos moradores do 5º Distrito. Também é grave que a empresa se esquive do debate público no Legislativo. Esperamos que o MPF acolha a denúncia e que a Justiça reverta essas medidas arbitrárias do Porto do Açu — disse Serafini à coluna.
Palavra do Porto (I)
— O fechamento do acesso foi comunicado em 28 de fevereiro de 2023 ao Legislativo municipal. E informado previamente à comunidade, logo após a identificação de danos provocados por terceiros que acessavam o local, de forma indevida, para realizar caça e pesca predatórias na Lagoa de Iquipari — justificou a assessoria da Reserva Caruara do Porto do Açu.
Palavra do Porto (II)
— O acesso à lagoa não foi proibido. Continua sendo exercido pela população e pescadores artesanais. Como gestora e responsável pela unidade de conservação, a Reserva Caruara cumpre a sua obrigação legal de assegurar o cumprimento do seu Plano de Manejo, aprovado pelo órgão ambiental — completou a assessoria em nota enviada ao Ponto Final.
Morreu (confira aqui) na manhã de ontem (18) o comerciante Afrânio de Abreu, aos 77 anos. Dono do Bar do Afrânio, há mais de 30 anos no cruzamento das ruas Barão de Miracema e Gil de Góis, no Centro de Campos, faleceu de parada cardíaca, decorrente de uma pneumonia, no Hospital da Unimed. Seu corpo (confira aqui) foi velado e sepultado na tarde de ontem, no Campo da Paz.
Pirica de DJ
Considerado por muitos boêmios como o melhor botequim “pé sujo” de Campos, o estabelecimento era conhecido pela simpatia do seu proprietário e atendente. Como pela sua famosa jukebox. Onde gente como o falecido Marcelo Silva Martins, o icônico Pirica, morto (confira aqui e aqui) em 2022 aos 52 anos, costumava comandar noites e madrugadas como DJ informal do bar.
Cigarro e cerveja 24h
O Bar do Afrânio era um dos lugares mais democráticos da noite campista. Cujo dono tricolor atendia a todas as torcidas, muitas vezes reunidas para ver futebol no pay per view da sua TV. Como era também buscado por outra razão utilitária: era um dos poucos lugares para se comprar cigarro e cerveja depois que a maior parte do comércio da cidade já tinha fechado.
Clássico como Machado
Acolhedor, Afrânio também se impunha se alguém saísse (muito) da linha. Sempre com base no respeito que todos os clientes do bar tinham por ele. Embora poucos conhecessem a complexidade do homem. Ex-metalúrgico da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), era leitor de Machado de Assis. Protagonista de um clássico da boêmia goitacá, fará muita falta!
Jair Bolsonaro, Alexandre de Moraes, Luiz Inácio Lula da Silva e Sergio Moro (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Desde as eleições presidenciais de 2014, no 2º turno entre a então presidente Dilma Rousseff (PT) e o hoje deputado federal Aécio Neves (PSDB), o Brasil padece de bipolaridade política. Fenômeno radicalizado a partir de 2018, com o bolsonarismo. Na mesma oposição irracional ao PT que este fez aos dois governos Fernando Henrique Cardoso (PSDB), entre 1995 e 2003.
Onze anos após 2014, a bipolaridade política do Brasil parece ter evoluído à esquizofrenia. Cujos sintomas se notam nas manifestações mais banais. Como, em link de matéria (confira aqui) sobre o deputado estadual campista Rodrigo Bacellar (União) buscando o apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), no lulopetista que comenta (confira aqui) nas redes sociais: “Daqui a pouco vai visitar no presídio”. E é curtido por um… bolsonarista.
O motivo? Confirmando a baixa capacidade cognitiva que lhe é atribuída como média, o bolsonarista supôs que a referência do “presídio”, feita pelo lulopetista, seria a… Lula.
Seria trágico, se não fosse também cômico. Pelo fato de o lulopetista usar contra seu maior antagonista político a referência “presídio”. Mesmo antes de qualquer julgamento de Bolsonaro e seus asseclas, entre eles seis generais e um almirante, por tentativa de golpe de Estado. Na tentativa de antecipar uma espécie de forra ao “ex-presidiário” até hoje usado pelos bolsonaristas para se referir a Lula.
Relembrando caso de Lula
Lula foi condenado a 9 anos e 6 meses de prisão, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, na 13ª Vara Federal de Curitiba do então juiz Sergio Moro, em 12 de julho de 2017. A sentença foi confirmada em 24 de janeiro de 2018, com pena ampliada a 12 anos e 1 mês de reclusão, pela unanimidade dos três membros da 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF 4).
Lula se entregou à Polícia Federal (PF) em 7 de abril daquele ano eleitoral de 2018, quando liderava todas as pesquisas presidenciais. Após ter seu pedido de habeas corpus preventivo negado pela unanimidade dos cinco ministros na 5ª Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ), em 6 de março de 2018. E negado, por 6 votos a 5, no plenário do Supremo Tribunal Federal (STF), em 4 de abril, três dias antes de a prisão tirar Lula da eleição à qual era favorito.
Após 580 dias preso numa sala adaptada da Superintendência da PF em Curitiba, Lula seria solto em 8 de novembro de 2019. Sem coincidência, foi no dia seguinte ao STF voltar atrás em sua posição anterior. Para passar a considerar inconstitucional, também por 6 votos a 5, a prisão após condenação em 2ª instância.
Antes disso, a parcialidade política da 13ª Vara de Curitiba havia sido assumida em plena campanha presidencial de 2018. Quando Sergio Moro levantou o sigilo da delação do ex-ministro Antonio Palocci a uma semana do 1º turno presidencial de outubro daquele ano. Com claro objetivo de prejudicar a candidatura petista de Fernando Haddad e favorecer Bolsonaro. Que venceu e pagou em 1º de novembro, quando Moro aceitou ser seu ministro da Justiça.
Essa parcialidade política de Moro, ao julgar e condenar Lula, para depois prejudicar o candidato deste, Haddad, às portas da urna presidencial de 2018, seria comprovada a partir de 9 de junho de 2019. Quando começou a divulgação de conversas no Telegram no episódio conhecido por Vaza Jato. Que evidenciou a promiscuidade entre o então juiz e o então procurador da República Deltan Dallagnol, que investigou e acusou o então ex-presidente.
Quando ainda estava na 13ª Vara de Curitiba, Moro deveria ter se afastado do caso por suspeição, que é um critério subjetivo. Reforçado com a liberação da delação de Palocci para tentar prejudicar Haddad. Sobretudo após as revelações da Vaza Jato, ficou patente o impedimento, critério objetivo, que o magistrado deveria ter para julgar o caso.
Vingança, não justiça
Como é objetivo o impedimento de Alexandre de Moraes para julgar agora Bolsonaro. Depois de revelado que este tinha conhecimento e participou do planejamento do sequestro, assassinato e exposição pública na Praça dos Três Poderes do corpo do ministro do STF. Que, nesse intento, chegou a ser campanado por militares golpistas.
Em qualquer Estado Democrático do planeta Terra, que preze pela lisura do devido processo legal, uma vítima não pode julgar seu algoz. Caso contrário, o que se terá não é justiça, mas vingança.
Quem finge discordar, por mera paixão política, que responda com sinceridade: que isenção qualquer um teria para julgar quem planejou sequestrá-lo, assiná-lo e expor seu corpo em praça pública? A resposta é tão óbvia, e objetiva, quanto a parcialidade de Moraes.
Revisões do entendimento no STF
Após ganhar a liberdade em 2019, no dia seguinte ao STF revisar seu entendimento de cumprimento de pena em condenação de 2ª instância, Lula teria outras vitórias na instância máxima da Justiça do Brasil. Que, em 8 de março de 2021, com o ministro Edson Fachin, tornaria o ex-presidente elegível. Ao anular suas condenações na Lava Jato por questão de foro. Que seria a Justiça Federal de Brasília, não a 13ª Vara de Curitiba.
A decisão de Fachin em 2021 revisou outro entendimento anterior do STF. Antes de morrer num acidente aéreo em 19 de janeiro de 2017, o ministro Teori Zavascki decidiu em 13 de junho de 2016 enviar os cinco processos da Lava Jato ao juízo de Moro em Curitiba. Em 15 de abril de 2021, no entanto, o entendimento de Fachin contrário a Zavascki foi endossado pelo plenário do STF, por 8 votos a 3, na anulação das condenações de Lula pela questão do foro.
Lula teria mais vitórias no STF, que pavimentaram sua reconquista da Presidência da República pelo voto popular em 2022. Comprovada na Vaza Jato, a despeito da ilegalidade na obtenção das provas por um hacker, a parcialidade de Moro ao julgar Lula foi endossada em 23 de março de 2021 pela 2ª Turma do Supremo, por 3 votos a 2.
A maioria mínima foi garantida por outra mudança do entendimento anterior, pela ministra Cármen Lúcia. Coincidência ou não, foi só 15 dias após Fachin anular as condenações de Lula por questão de foro. E antes de a decisão da 2ª Turma sobre a parcialidade de Moro no julgamento de Lula ser confirmada no plenário do STF, por 7 votos a 4, em 22 de junho daquele mesmo ano de 2021.
Rememorados todos esses fatos, seu resumo: Lula teve suas condenações anuladas pela questão técnica do foro e pela parcialidade comprovada de Moro. Ambas, determinadas pelo Supremo em revisão de decisões anteriores da Corte. O que parece dar razão a quem entende que foi uma reação dolosa desta para tornar elegível o único político do Brasil com capacidade eleitoral para derrotar Bolsonaro, e seus ataques abertos ao Supremo, nas urnas de 2022.
Alerta de juristas sobre Moraes
Sobre a parcialidade de Moraes, para juristas independentes e conceituados, como Wálter Maierovitch, parece não haver dúvida. Desembargador aposentado do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP), colunista do UOL, comentarista da rádio CBN e Prêmio Jabuti em 2022 na categoria ciências sociais, ele explicou (confira aqui) em 19 de fevereiro:
— Há prova de que queriam matar Lula, Alckmin e Moraes. Ora, não dá para querer que ele seja imparcial; ele está envolvido nisso. “Ah, dá para ele travar as emoções”. Não. Um segundo ponto, que me parece fundamental e é um problemaço, diz respeito à velha regra do princípio constitucional do sistema acusatório. Não existe juiz de instrução, e Moraes foi um.
A posição está longe de ser solitária entre juristas brasileiros independentes. Não os agora mudos do Grupo Prerrogativas. Mas os que não são seletivos politicamente e também questionam a isenção de Moraes para julgar Bolsonaro. Em entrevista à BBC Brasil de 20 de fevereiro, Aury Lopes Jr. endossou (confira aqui) Maierovitch quase integralmente. Doutor em Direito Processual Penal e professor da PUC do Rio Grande do Sul, o primeiro disse:
— O ministro Alexandre deveria se dar por suspeito e não deveria participar desse julgamento (…) Não só porque já instruiu esse caso, então ele está contaminado, juridicamente falando, mas também porque existe uma suspeição dele dada toda aquela circunstância de ameaça em relação à vida dele (…) É inequívoco que ele foi afetado pelo fato, ele era alvo do golpe. Então, seria muito interessante e salutar para a própria jurisdição que ele se afastasse.
Na mesma esquizofrenia política dos bolsonaristas até hoje cegos à parcialidade de Moro com Lula em 2018, os lulopetistas de 2025 questionam até a independência dos juristas que alertam à parcialidade de Moraes com Bolsonaro. Quando a advertência só se dá porque a corrupção passional do juízo tende a cobrar o mesmo preço: corromper a condenação.
— Estamos diante de um caso grave, onde se tentou rasgar a Constituição, instalar de novo uma ditadura e o golpismo levou até o 8 de janeiro (…) Não estou criticando trabalhos, mas colocando questões técnicas. Quero uma história na qual fique comprovado que houve o golpe e que não existiram outros caminhos para que isso não fique sujo, maculado — alertou Maierovitch.
— O que existe é um imenso prejuízo (de imparcialidade) que decorre dos pré-juízos que ele (Moraes) já elaborou. Não é uma questão de bondade, de maldade, de perseguição ou não, é uma questão de inconsciente, de dissonância cognitiva. Quando você é chamado a tomar várias decisões sobre o caso e depois você tem que julgar esse caso, você está contaminado. Você já tem uma visão pré-estabelecida, isso é da natureza humana — ressaltou Lopes Jr.
Autoevidente, o impedimento de Moraes para julgar Bolsonaro foi negado por ampla maioria do STF. Que, em 13 de dezembro de 2024, por 9 votos a 1, dobrou a aposta e negou tirar a vítima da relatoria do caso do algoz.
Foi a senha à Procuradoria-Geral da República (PGR). Que, em 18 de fevereiro, denunciou (confira aqui) o ex-presidente e outros 33 acusados pelos crimes de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, formação de organização criminosa armada, dano qualificado sobre o patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado.
Após tiro pela culatra em 2022, “bala de prata” a 2026?
A cada nova pesquisa nacional mais emparedados pela queda de popularidade de Lula, com a de Bolsonaro inalterada mesmo após ser condenado duas vezes à inelegibilidade pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 2023 e denunciado pela PGR por tentativa de golpe de Estado em 2025, os lulopetistas parecem crer que a condenação e prisão do ex-presidente seria uma “bala de prata” às urnas presidenciais de 2026. Daqui a 1 ano e 7 meses.
Além do fetiche com “presídio”, comum a bolsonaristas e lulopetistas, na esquizofrenia compartilhada entre justiça e vingança, o problema é também de memória. Ao fato de que, mesmo preso, Lula pôs Haddad no 2º turno presidencial de 2018, vencido por Bolsonaro com a ajuda de Moro. E que, martirizado por 580 dias de prisão, o líder petista voltou ao poder nas urnas de 2022. Mesmo que por apenas 1,8 ponto de diferença nos votos válidos.
Com Gleisi Hoffman alçada ao ministério das Relações Institucionais, o governo Lula 3 parece mais um Dilma 2 e ½ na fórmula: controlar preços artificialmente e abrir a porteira dos gastos públicos. No vale-tudo para jogar dinheiro na rua, estimular o consumo e tentar seduzir o eleitor perdido. Exatamente como Bolsonaro fez e quase conseguiu em 2022.
Na dúvida sobre quem subirá a rampa do Palácio do Planalto em 1º de janeiro de 2027, a certeza: 2026 promete. Quando, no lugar de carta fora do baralho, mesmo se condenado e preso, Bolsonaro pode ser o coringa que espera no morto. Como foi para Wladimir Garotinho (PP) se reeleger prefeito de Campos no 1º turno de 2024. E Rodrigo Bacellar busca para ter chance a governador em 2026.
Professores, o reitor da UFF, Antonio Claudio da Nóbrega, e a diretora da UFF-Campos, Ana Maria da Costa, são os convidados do Folha no Ar desta sexta (14), ao vivo, a partir das 7h da manhã, na Folha FM 98,3.
Antonio Claudio e Ana falarão da história e da inauguração do novo prédio da UFF-Campos, cuja inauguração foi transferida de 17 de março, na próxima segunda, para 10 de abril, com a possibilidade de presença do presidente Lula (PT). Os dois tambem analisarão o papel da educação pública no Brasil e dos ataques políticos que as universidades têm sofrido dentro e fora do país.
Quem quiser participar ao vivo do Folha no Ar desta sexta pode fazê-lo com comentários em tempo real, no streaming do programa. Seu link será disponibilizado alguns minutos antes do início, nos domínios da Folha FM 98,3 no Facebook e no YouTube.
Rodrigo Bacellar e Jair Bolsonaro, Eduardo Paes, Flávio Bolsonaro, Cláudio Castro, Benedita da Silva, Washington Reis e Thiago Pampolha (Montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
A aposta de Bacellar a governador
“Desde 2014, quem larga na frente nas pesquisas, perde a eleição para governador do RJ. Em 2014, Garotinho e Crivella largaram na frente. Pezão venceu. Em 2018, Paes largou na frente. Witzel venceu. Em 2022, Freixo largou na frente. Castro venceu”. É com essa lógica que opera a pré-candidatura de Rodrigo Bacellar (União), presidente da Alerj, a governador em 2026.
Paes lidera pesquisas
Bacellar esteve (confira aqui) com Jair Bolsonaro (PL), em Angra dos Reis, na Quarta-Feira de Cinzas da semana passada. Com 2% de intenção de voto a governador na pesquisa Quaest, divulgada dia 27, o político de Campos busca a popularidade do ex-presidente (confira aqui) para tentar decolar. Enquanto o prefeito carioca Eduardo Paes (PSD) tem 29% a governador — 27 pontos a mais.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Votos de Bolsonaro e Flávio
A pesquisa Quaest trouxe outro dado relevante: 64% do eleitorado desaprovam o governo Lula (PT), aliado de Paes. Também reflexo disso, o senador Flávio Bolsonaro (PL), filho 01 do capitão, teve 20% de intenção de voto a governador.
(Infográfico: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Extrema direita mira Senado contra STF
Flávio está em 2º lugar a governador, atrás apenas de Paes, na pesquisa Quaest. No entanto, com Bolsonaro denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por tentativa de golpe de Estado no Supremo Tribunal Federal (STF), talvez interesse mais à extrema direita reforçar em 2026 sua bancada no Senado. Que é onde o STF pode ser constitucionalmente enfrentado.
A despeito de Flávio?
“Tem outro fator pesando muito nos bastidores: Rodrigo tentou ir a Jair através de Flávio e não teve sucesso. Ele deu a volta e foi através de Gutemberg Fonseca, o que fez Flávio ficar muito irritado e abrir outras conversas”, disse uma fonte que conhece bem os bastidores da política fluminense, ligada ao grupo dos Garotinho.
Juntos e misturados?
No grupo de Rodrigo, não há notícia de rusgas com Flávio. Tanto com ele quanto com o vereador carioca Calos Bolsonaro (PL), a relação de Bacellar seria boa. E foi Flávio quem indicou Gutemberg a secretário de Defesa do Consumidor do governo Cláudio Castro (PL).
Bené e Washington Reis
Atrás de Paes e Flávio na pesquisa Quaest a governador em 2026, e à frente de Rodrigo, ficaram a deputada federal Benedita da Silva (PT), com 7% de intenção de voto; e o ex-prefeito de Duque de Caxias, Washington Reis (MDB), com 5%. Bené deve caminhar com Paes. Enquanto Washington está condenado por inelegibilidade no STF até 2026.
Flávio Dino no STF
Na sexta (7), Washington não teve boa notícia à pretensão de disputar mandato eletivo em 2026. Relator do seu caso no STF, por crime ambiental num loteamento quando era prefeito de Caxias, o ministro Flávio Dino votou contra o recurso do político da Baixada Fluminense. Que também é secretário estadual de Castro, na pasta de Transportes.
Baixada Fluminense na Alerj
Caxias tem o segundo eleitorado do estado, atrás apenas do município do Rio. Por isso o apoio de Washington, aliado de primeira hora dos Bolsonaro, é disputado para 2026. Tanto por Paes, quanto por Bacellar. Que, reeleito à presidência da Alerj, manteve o também deputado estadual Rosenverg Reis, irmão de Washington, na 1ª secretaria da Casa Legislativa.
A variável Pampolha
Político que tem na capacidade de articulação a sua maior virtude, Bacellar trabalha, além da popularidade dos Bolsonaro no RJ e dos Reis na Baixada, com outras variáveis da equação. Uma das principais é o vice-governador Thiago Pampolha (União).
Com a máquina do RJ na mão?
É dado como certo que Castro se desligará do cargo de governador até o prazo de 6 meses antes do pleito de 6 de outubro de 2026, para se candidatar a senador, na 2ª vaga de Flávio, ou a deputado federal. Se Pampolha também saísse, Bacellar se candidataria a governador já no cargo, com a máquina na mão. O que pesaria tanto ou mais que o apoio de Bolsonaro.
Daqui não saio?
Quem conhece a política fluminense, mas trabalha na oposição a Bacellar, diz que Pampolha é a encarnação da marchinha “Daqui não saio, daqui ninguém me tira”. Quem conhece a política fluminense e trabalha com Bacellar, aposta que o vice-governador só está valorizando o passe.
Plano B é o TCE
Quem também conhece a política do estado, mas consegue se dar bem com Bacellar, Paes e os Garotinho, analisou a pré-candidatura do primeiro a governador: “Seria um adversário muito forte. Não acredito que seja e talvez opte pelo TCE. Mas fez certo em apostar na polarização (Bolsonaro x Lula) e lançar o nome. O problema é unir a direita. Parte dela irá para Paes”.
“Apoio de Bolsonaro é fundamental”
Em meio a tantas fontes íntimas da política fluminense que preferiram preservar o sigilo, uma assumida a olhar o RJ das Minas Gerais: “Com certeza, o apoio de Bolsonaro é fundamental para as pretensões de Bacellar, visto que o bolsonarismo tem se mostrado mais fiel que o lulismo”, avaliou o jornalista Sebastião Carlos Freitas, ex-editor-geral da Folha.
Os exemplos de Lula
“A Paes, até o momento confortável com os números da Quest, o trabalho é unir forças do centro e da esquerda, a exemplo do que Lula fez ao ter como vice Alckmin. Mesmo se condenado e preso, Bolsonaro continuará forte, também a exemplo de Lula. Que, mesmo preso, quase elegeu Haddad presidente em 2018”, lembrou o mineiro Sebastião.
O Flamengo não venceu o Vasco de virada, por 2 a 1, apenas pela superioridade financeira do clube e técnica do seu elenco. Foi também bem superior na parte física, sobretudo no segundo tempo. O que marca outra grande diferença positiva entre o jovem e promissor técnico Filipe Luís e seu antecessor, Tite, treinador do Brasil nas duas últimas Copas do Mundo.
O Vasco abriu o placar aos 22 minutos, com gol de oportunismo do português Nuno Moreira, bom reforço do time. Mas Bruno Henrique, sempre ele, empatou ainda no 1º tempo, em lance que gerou reclamação sobre linha de impedimento. O fato é que foi o 11º gol que o veterano atacante, com saúde de garoto e sempre decisivo nos clássicos, marcou no Cruzmaltino.
O gol que definiu a partida, aos 24 do 2º tempo, foi um belo lance individual de Luiz Araújo. Que driblou três marcadores vascaínos antes de vencer o goleiro Léo Jardim. Ele e outros jovens valores do Flamengo, como o equatoriano Plata, que fez outro bom jogo, mostra como o time passa a depender menos dos seus remanescentes de 2019.
Agora, se der a lógica amanhã, no Fluminense e Volta Redonda que goleou por 4 a 0 no 1º jogo da outra semifinal, teremos outro Fla-Flu na final do Carioca. E o Tricolor das Laranjeiras é o time para quem o da Gávea é freguês em finais, mesmo que tenha mais títulos, dinheiro, elenco, torcida e vitórias em jogos normais. A ver.