Caio e Chicão fazem dobrada de ausências no debate do Fidesc

Caio e Chicão, lado a lado ao final do debate da Record, no último domingo (foto de Rodrigo Silveira - Folha da Manhã)
Caio e Chicão, ao final do debate da Record, no último domingo (foto de Rodrigo Silveira – Folha da Manhã)

 

 

Não foi só Caio Vianna (PDT), conforme a Suzy Monteiro informou aqui, que alegou “rotina intensa de gravações” para desfalcar o debate entre os candidatos a prefeito de Campos, promovido agora pelo Fórum Interinstitucional de Dirigentes do Ensino Superior de Campos (Fidesc), marcado para começar às 18h, no Centro de Convenções da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf). Alegando aqui “problemas de voz”, o candidato governista Dr. Chicão (PR) até agora também não compareceu ao evento, que começará o primeiro bloco com atraso e sem sua presença.

Confira o debate ao vivo aquiaqui, nos canais da Folha Online no Facebook e no YouTube.

 

Atualizado às 18h09 e 18h18 para checagem de informações

Atualização às 20h09: Por e-mail, a assessoria do candidato Dr. Chicão enviou nota para justificar sua ausência, que o blog republica abaixo:

 

Nota da assessoria

O candidato Doutor Chicão informa que não pôde comparecer ao debate desta terça-feira, no Centro de Convenções da Uenf, em função da dificuldade para falar. O candidato tem se esforçado para cumprir a extenuante agenda neste período de campanha eleitoral. No debate realizado pela TV Record neste domingo (25) ele já falava com dificuldades. Mesmo assim, por querer cumprir todos os compromissos de agenda, participou do grande comício na noite desta segunda-feira (26), no Centro, e ainda nesta terça-feira (27) tentou cumprir agenda de campanha em distritos do Norte de Campos. Este esforço contribuiu para agravar ainda mais as condições de suas cordas vocais. Diante da dificuldade na fala, Doutor Chicão determinou que sua assessoria informasse aos organizadores deste debate sobre a impossibilidade de sua participação.

 

Confira a cobertura completa do debate na edição de amanhã (28) da Folha

 

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Ocinei Trindade — Carta ou desabafo a todos os candidatos nas eleições municipais

Ocinei 27-09-16

 

 

Para começo de conversa, a imensa maioria que disputa cargos de prefeito e de vereador vai perder as eleições. E perderão feio. A derrota é certa, e a vitória, ilusória. E custa muito, muito caro. Por ambição cega ou teimosia infantil, delírio de fingidos ou repetições típicas de falsos profetas, muitos insistem e se aventuram nesta corrida quase desleal, porém democrática. É bom um país desfrutar de eleições livres, mas é péssimo contar com canalhas e mentirosos concorrendo e iludindo o eleitor. Boa parte dos candidatos não se importa nem um pouco com as causas sociais e problemas coletivos. Campos e o resto do Brasil contam com políticos assim. Até quando? Politicamente falando, Campos vai mal, dá até para rir do trágico e do vergonhoso, da cafonice e da estupidez, pois chorar pouco adianta. Pior quer rir ou chorar, é ser indiferente.

Instalar-se no poder e apropriar-se do dinheiro público para enriquecimento pessoal e perpetuação na carreira política são o fim de muitos. Ainda bem que Deus não vota, graças a Deus! A todos os candidatos, desejo leitura e releitura de Ezequiel, capítulo 7, o fim vem, o fim vem. Dizem que todo povo tem o governo que merece. Com o mundo em crise e a xenofobia em alta, ainda não me fiz merecedor de um governo alemão, suíço ou canadense, por exemplo. Os governos brasileiros em esferas nacional, estadual e municipal me devem muito. Afirmo e reafirmo que eu não os mereço. Entretanto, em uma democracia deve-se respeitar a vontade da maioria nas urnas. Se os políticos e aliados vão dar golpes na população e entre si, como foi o caso do PT e do PMDB, recentemente, aí, já são outros quinhentos. Ter direita e esquerda aliadas no Planalto e na política rasteira e oportunista que praticamos, soa esquisito para sempre. Em se tratando de Brasil histórico, mais exatamente 516 anos. O Brasil não pode parar. Sobretudo, Campos (hehehe, que piada). Vergonha de tudo por aqui nos últimos quarenta anos. Campos teima em viver no século XIX. O Brasil idem.

Nos últimos anos, desde as manifestações de rua de 2013, passei a observar que, além da indignação de muitos brasileiros sobre o sistema político nacional e dos governos, no jogo perverso das traições e inverdades que abastecem as práticas diárias dos políticos, o eleitor que ora se engana, ora gosta de se enganar, também passou a fazer uso dos mesmos hábitos e artifícios dos políticos: mentir. Dizer que vai votar em alguém e destinar o voto a outro candidato têm sido mais frequentes nos últimos tempos. Não posso afirmar que as pesquisas erraram em 2014 ao apontar Garotinho e Pezão disputando o segundo turno para governador do Rio de Janeiro, pois quem foi para a reta final foi Marcelo Crivella, o terceiro colocado então. Os institutos erraram nas pesquisas ou os sindicatos, associações, igrejas, militâncias e a população mais pobre que vive de bolsas disso ou cheques daquilo mudaram de ideia na última hora? Se mentira tem perna curta, na política as pernas em andamento e em cruzamentos superam as da Cláudia Raia e da Sharon Stone, e também se quebram feito a do Anderson Silva.

Outro dia, estive em um compromisso profissional em uma emissora de televisão local.  Uma prestadora de serviço da Prefeitura sem concurso público me fez uma confidência arriscada. Disse que não votaria no candidato da situação, pois havia uma grande insatisfação em seu setor de trabalho. Ela e muitos colegas seus eram obrigados a participar de campanhas, usar adesivos, ir a comícios, mas que ela mesmo não iria votar. Preferia outro candidato adversário e que este lhe dava alguma esperança sobre mudanças e melhorias pessoais. Ou seja, nosso umbigo segue sendo o mais importante.  Pensei comigo, eu poderia julgar e condenar essa mulher por sua desonestidade e mentira. Por outro lado, ela se via refém de uma política do toma lá. dá cá, muito comum no Brasil. Nossa senhora das urnas e dos lava-jatos, isso acabará um dia?

Quando não se dá tudo que almeja entre as partes interessadas na política, basta lembrar de Dilma Rousseff e seu fim de carreira. Culpada ou inocente, seu julgamento foi além do Congresso Nacional. Não serve de exemplo para nada, mas fica no ar para mim a dúvida de quem pode julgar e condenar um mau político, além do eleitor (que também é bem ruim) que costuma ser desatento e desinteressado em coisas que não o beneficiam direta e pessoalmente. A Lei de Gerson de se levar vantagem em tudo segue imperando. Somos um povo com qualidades, mas com defeitos vexatórios. Todavia, muitos políticos que abusaram do poder têm caído como o agora ex-deputado Eduardo Cunha. Outros cairão, dizem. O juiz Sérgio Moro e vários procuradores do MPF e a opinião pública têm colaborado para isso. A presidente do Supremo Tribunal Federal, Carmen Lúcia, expressou em seu discurso de posse um recado claro aos nossos governantes e parlamentares. Em outra ocasião, em pronunciamento sobre a censura das biografias, ela foi categórica: “Cala a boca já morreu”. O eleitor também age assim e as redes sociais digitais ajudam a infernizar e a desconstruir candidatos e maus políticos com críticas e denúncias (infundadas ou não). Abusivas? Às vezes, sim.

Na política e na vida nem todos ganham. Parece injusto pouquíssimos terem tanto e a maioria ter sobras e esmolas ou nada. Esses restos se manifestam na saúde, na educação e na segurança pública, eu destacaria. Elegemos políticos para solucionarem o básico e o trivial, mas o país registra descaso e incompetência de norte a sul, de leste a oeste. São décadas de falhas e promessas não cumpridas. Campos registra uma série de obras nos últimos oito anos do governo Rosinha Garotinho. Ao meu ver, várias delas de qualidade e preço duvidosos ou suspeitos. Entretanto, as contas da prefeita são aprovadas pela Câmara Municipal e Tribunal de Contas do Estado até aqui. Se houver algo de irregular, dispensemos convicções e apresentemos provas. Lula que o diga! A população se queixa de falta de medicamentos e estrutura nos hospitais e postos de saúde de qualidade (foi inaugurado um maravilhoso no Parque Imperial às vésperas das eleições, mas não sei se funciona); de escolas de ensino ruim e falta de professores; de buracos e vazamentos de esgoto aqui e ali (O canal Campos-Macaé maquiadíssimo no Centro da cidade é um exemplo), transporte público deficiente, entre outras reclamações. Porém, ah, porém, há um caso diferente ao criticar governo aqui. Leva-se a questão para o caso pessoal, para a antipatia e a vingança que vem cedo ou tarde. Não se pode falar mal de políticos, pois é arriscado. Mas, assim como Diogo Mainardi se diverte criticando poderosos, nós todos em uma mídia social também podemos fazê-lo. Só que os riscos são os mesmos. Para que serve uma crítica? Fazer diferente e melhor poderia ser a resposta. Como compuseram Roberto e Erasmo, “eles estão surdos”.

Há quase 20 anos, perdi um amigo que tinha acabado de se eleger vereador em Campos. Em 1997, Sergio Luis Paes da Silva, o Lilico, foi assassinado pelo suplente que não se conformara com a derrota. Este foi condenado pela Justiça e cumpriu sua sentença, vivendo hoje em liberdade. Conheci bastante os bastidores da política em Campos, e nos bastidores políticos de qualquer lugar do país e do mundo, a verdade nem sempre é agradável, nem sempre é publicada e exposta nos jornais. Vez por outra ou quase sempre, escândalos envolvendo políticos recheiam páginas de periódicos e sites de notícias. Na História do Brasil, há os que renunciam e se matam como Jânio Quadros e Getúlio Vargas, respectivamente. Há os que são assassinados como o prefeito paulista de Santo André, Celso Daniel do PT. Há os que pagam caro por saberem demais e quererem medir forças com outras elites como os deputados Roberto Jefferson e Eduardo Cunha, mais recentemente. Há os envolvidos em ligações perigosas e suspeitas como os políticos da Baixada Fluminense, onde desde 2015, catorze candidatos e políticos morreram assassinados. Seriam mártires ou bandidos? Não sei bem onde o Brasil vai dar, mas dizem que para tudo tem solução, menos para a morte. E algo que me entristece é saber que estamos morrendo sem dignidade.

Desprezo o envolvimento de religiosos na política. Acredito que não se pode misturar Igreja e Estado como no passado. Condeno as práticas espúrias e ilícitas de membros e líderes das igrejas cristãs ao se associarem a políticos profissionais que se espalharam pelo país como uma rede mafiosa, distribuída em quadrilhas, que saqueiam o dinheiro público sem dó, nem piedade. Muitos realizam obras superfaturadas, insistem em inchar as folhas de pagamento com prestadores de serviços que são cabos eleitorais, dispensando concurso público para o funcionalismo, por exemplo.  O filósofo Mangabeira Unger considera que o o moralismo não combate corrupção, mas a falta de moral absoluta só nos denuncia a cada dia e nos afunda em buracos que Rosinha, nem Francisco Dornelles, nem Temer jamais conseguirão tapar. Parece não haver mais tempo ou dinheiro.

Dizem que, quem não se associa ao sistema perverso de poder, dificilmente sobrevive na política ou se reelege. Será mesmo? Tenho dúvidas ainda, apesar de ter conhecido de perto e intimamente um político assassinado. Não sei como seria seu futuro como vereador, se faria uma carreira longa, honesta e vitoriosa. Perdeu para a morte e para a ambição de um sistema cruel e confuso, genuinamente brasileiro que gosta de matar. Mata o município, mata o estado do Rio de Janeiro e mata o Brasil. As pessoas morrem de um modo ou de outro quando preferem serem cegas, surdas e mudas. Votar só não basta. É preciso reação e revolução. Como fazer isto se há uma população refém de criminosos de todo tipo e se as instituições se corrompem? Apesar da queda do preço do barril do petróleo e do esfacelamento da Petrobras, Campos ainda é uma cidade bilionária só em royalties. “Quem quer dinheiro?”, pergunta o apresentador genial Silvio Santos. Nem o Papa, Dalai Lama ou Santa Madre Tereza de Calcutá rejeitariam. Imaginem os nossos políticos.

Aos que serão eleitos: bom seria se o prefeito honrasse seu mandato, cumprisse suas obrigações de governar e gastar o dinheiro que é de todos em coisas úteis como escolas, hospitais, transporte público e segurança, por exemplo. Bom seria se o novo prefeito não visasse reeleição ou planejasse disputar uma outra função para a Assembleia Legislativa e outros cargos daqui a dois anos.  Bom seria se os vereadores de oposição ou não, zelassem pela fiscalização das contas públicas e as ações do prefeito sem barganhas e troca de favores. Bom seria se os juízes e os promotores de justiça cumprissem seu papel de não deixar que vereadores e prefeitos, deputados, senadores e governadores, além do presidente do Brasil, agissem de má-fé com a causa e as coisas que pertencem à população, dinheiro principalmente. Bom seria se as pessoas não votassem em bandidos e em mentirosos; que não se vendessem e que não permitissem que a cidade e o país onde vivem se transformassem em uma terra sem lei, sem esperança e sem justiça social. Bom seria se as riquezas e as oportunidades para ser feliz no Brasil estivessem ao alcance de todos. Ingenuidade de Poliana? Utopia também tem limites, mas “sonhar mais um sonho impossível, lutar quando é fácil ceder… é minha lei, é minha questão virar esse mundo, cravar esse chão”, canta Maria Bethânia a versão de Chico Buarque e Ruy Guerra. Sou mais um ficcionista que planta e colhe esperanças e desilusões.

Ainda não decidi em quem votar. É uma escolha difícil com tantos candidatos ruins ou suspeitos. Só na cidade do Rio de Janeiro, pesquisas revelam que 40% dos eleitores podem mudar seu voto para prefeito nos próximos dias ou na última hora.  Em Campos, o desespero e a desesperança me paralisam. Sinto uma certa nostalgia da juventude quando Anthony Garotinho se elegeu um prefeito genial e revolucionário que combatia o atraso e o ranço reacionário do eterno Zezé Barbosa, símbolo do coronelismo político que fazia questão de colocar seu nome em banco de praça, investindo em marketing pessoal e onipresença, ou quando mandava arrancar calçamento de rua após perder eleição. Garotinho não é mais jovem e alguns o associam ao antigo rival Zezé Barbosa. Acho irônico e curioso ver décadas depois, um jovem candidato (neto do político conservador e filho de um político progressista) disputar eleição com o mesmo discurso de Garotinho no passado: combater o velho e o arcaico com juventude e inovação. Há algo de promissor ter três jovens disputando eleição para prefeito com três outros candidatos que já são associados ao velho e ao ultrapassado. (Nada contra velhos, que fique bem claro). Campos e o Brasil carecem de lideranças novas e de frescor para respirar. O problema é o discurso demagógico que ainda se sustenta aqui ou nos Estados Unidos (Donald Trump e Hillary Clinton até parecem que concorrem à Prefeitura de Campos).

Admiro muito a inteligência, liderança e capacidade política do atual secretário municipal de Governo. Ele e Rosinha estão (ainda) entre as expressões políticas brasileiras que se destacam,  seja para o bem, seja para o mal. Causam frisson por onde passam (o jornalista Vitor Menezes escreveu uma vez sobre o efeito de celebridade do casal sobre a população, seja para o bem e para o mal, acredito eu), são ex-governadores de um estado importante como o Rio de Janeiro e isto não é pouca coisa, trata-se de um feito histórico. Há acertos e conquistas nos seus currículos, mas também erros e alianças (quase) imperdoáveis. O apetite dos animais políticos parece não ter fim. Porém, não esqueçamos de Ezequiel:7.

Se o casal Garotinho nascesse na Argentina, creio, poderia ser até presidente da República, assim feito os Kirshner. Se vivessem nos EUA, quem sabe, como os Clinton, Rosinha estaria concorrendo à presidência com Trump este ano, depois de Garotinho ter governado a maior economia do mundo por oito anos (hihihi). Se estivessem no Líbano, país de onde descendem, poderiam ser presidentes (lá, há mais de um ano o país está sem chefe de Estado, fica a dica) e até mudar os rumos do Oriente Médio e do Estado Islâmico (haha ha). Talvez, ainda, segundo Edir Macedo, líder da Igreja Universal, que revela em seu livro O Bispo, se Garotinho não fosse com tanta sede ao pote, até poderia ser presidente do Brasil (ele disputou em 2002 pelo PSB, foi o terceiro mais votado com bom desempenho, e depois, já no PMDB, brigou para que o partido tivesse candidatura própria, mas Michel Temer tinha outros planos). Há tantas denúncias e processos contra o casal que sua popularidade oscila, inimigos políticos brotam, mas eles seguem resistindo no cenário político. Os sucessores que Garotinho ajudou a eleger direta ou indiretamente, costumam sempre se rebelar e se tornam opositores (Sérgio Mendes, Arnaldo Vianna, Carlos Alberto Campista, Alexandre Mocaiber, Geraldo Pudim, Roberto Henriques, Fernando Leite, o irmão Nelson Nahim, Sérgio Cabral e por aí vai…).  Lembro de uma convenção do PDT municipal à época em que Sérgio Mendes já rompido e de cara amarrada com Garotinho, seu antecessor na Prefeitura, continuou sério e contrariado ao assistir nosso ex-governador conclamando os militantes a cantar um hino gospel cujo refrão dizia “vai dar tudo certo, vai dar tudo certo”. O escritor mineiro Fernando Sabino diz que “No fim, tudo dá certo. Se ainda não deu, é porque ainda não é o fim”. Contudo, há também a profecia de Ezequiel:7, meditemos.

Dizem que, na política, não se tem amigos ou inimigos, mas aliados e adversários. Pessoalmente, creio que há muitas queixas sobre Garotinho, mas ainda não apareceu alguém tão obstinado e carismático (o que angustia aos que o admiram e o invejam). Se não se consegue derrotá-lo, alguns tentam imitá-lo (mas a emenda fica pior que o soneto), gozam quando ele perde eleição, depois seus oponentes não se saciam e nos saqueiam ainda mais, pois gozar ou se reeleger é preciso.  É urgente e vital estar no poder, pois fora do poder é broxante (Lula que o diga!), acreditam. Mas, nesse jogo teatral da política que vai além de nossa capacidade, ainda se depende de voto para exercer o poder. A Constituição Brasileira afirma que todo o poder emana do povo. E agora, eleitor?

O voto é praticamente o único momento em que os cidadãos de bem (e não os “cidadões e cidadonas” mal-educados e desprezados pelos governos deste país) exercem o poder. O eleitor se desilude pouco tempo depois, mas ainda assim continua a acreditar nos discursos políticos. Estes adoram se aproveitar da memória fraca e da desinformação quase geral da população, retornam às campanhas eleitorais de dois em dois anos, mesmo envolvidos em escândalos e denúncias na justiça. E, sendo políticos que são, segundo Lula, a classe mais honesta deste país, como afirmou em discurso recente após ter sido denunciado formalmente na Operação Lava-Jato, pedir voto é preciso e isto não tem nada de desonesto. Às vezes, Leonel Brizola faz falta, principalmente nos comentários da política acirrada e tragicômica que temos; ou como garoto-propaganda, aparecendo no comercial de sapatos da Vulcabras (lembram?) maravilhoso. Ah, que saudades das implicâncias do Brizola e de seu pupilo pródigo que partiu, e que se for bom filho, à casa tornará.  Mas, Brizola está morto e sua casa não mais existe, feliz ou infelizmente, não sei bem certo. O filho-pupilo se perdeu. O dramaturgo Nelson Rodrigues tem várias frases célebres como esta: “Jovens, envelheçam”. Eu, se fosse genial como ele, seria mais contundente quanto aos jovens políticos e diria: “Jovens, não envelheçam”.  Renovar e renascer são alguns dos fins desta jornada. Boa sorte e boas eleições a todos.

 

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Com menor rejeição, Rafael lidera 1º e 2º turnos — Só Carolina não viu

Ponto final

 

 

Líder no 1º e 2º turnos

Foram divulgadas no último domingo (25) e ontem (26) quatro novas pesquisas sobre a sucessão a disputa da Prefeitura de Campos. Em três delas, Rafael Diniz aparece na frente não só nas intenções de votos estimuladas e espontâneas para as urnas de 2 de outubro, de daqui a cinco dias, como também em todas as projeções feitas contra seus adversários no segundo turno de 30 de outubro.

 

Estimulada e espontânea

Na estimulada, Rafael hoje lidera a corrida pela sucessão da prefeita Rosinha Garotinho (PR) com 37,7% (Pro4), 37,8% (Paraná) e 35,1% (Città). E a dianteira do jovem candidato do PPS se reproduz nas consultas espontâneas de dois desses três institutos: 27,7% no Pro4 e 32,7% no Città. Trabalhando por encomenda da TV Record, da qual o vereador e apresentador Alexandre Tadeu (PRB) não pode ser candidato a prefeito de Campos, por desejo do secretário municipal de Governo Anthony Garotinho (PR), apenas o Paraná registrou liderança de Chicão na espontânea: 26,3%.

 

Record omite e Folha mostra

Por motivos que não revelou, a Record de Campos também optou por não dar ao conhecimento do público os índices de rejeição aferidos pela última pesquisa que encomendou. A omissão é desfeita por esta coluna, na qual você, leitor, agora pode saber que, pelo instituto Paraná, o líder na rejeição é Dr. Chicão (PR), com 36,8%; seguido de Geraldo Pudim (PMDB), com 33,5%; de Nildo Cardoso (DEM), com 19,7%; Rogério Matoso (PPL), com 16,1%; Caio Vianna (13,3%) e Rafael, com apenas 9,9%.

 

Rejeição ao nível do mar

Índice importante para a conquista dos eleitores indecisos no primeiro turno e fundamental para determinar a vitória no segundo, a rejeição não é bem menor para Rafael só pelos números da pesquisa Paraná, que a Record quis divulgar seletivamente. Pela Pro4, a rejeição dos seis candidatos foi: Chicão (34,3%), Pudim (21,4%), Caio (5,3%), Nildo (5,1%), Matoso (4,2%) e Rafael (3,9%). E mesmo que o Città tenha registrado Rogério Matoso (2,5%) com a menor rejeição, não Rafael Diniz (4,5%), o empate técnico entre ambos está bem aquém da margem de erro no índice negativo mais uma vez liderado por Chicão: 35,4%.

 

À frente no 2º turno

Líder nas intenções de voto e com uma rejeição impressionantemente baixa, na medição de três institutos, é até natural que Rafael seja o favorito para vencer um segundo turno que hoje parece inevitável. Pelo Pro4, ele venceria tanto a Chicão (46,3% a 33,6%), quanto Caio (47,2% a 24,3%). Pelo Paraná, a simulação foi única: Rafael 47,1% x 41% Chicão. Já pelo Cittá, a vitória de Rafael no segundo turno se repetiria por margens ainda mais largas, em duas opções: 54,8% a 35,3% contra Chicão, ou 56% a 28,8%, diante de Caio.

 

Cronologia

A consulta do Cittá foi realizada em 18 e 19 de setembro, com 800 pessoas e uma margem de erro de 3,5 pontos percentuais para mais ou menos. Dois dias depois, em 21 de setembro, foi iniciada a pesquisa Paraná, concluída ontem (25), na qual foram ouvidas 720 pessoas, com margem de erro de 4 pontos. Por último, saiu a campo o Pro4, entre os dias 23 e 24. Foi a pesquisa que ouviu mais pessoas, 1.500 das sete Zonas Eleitorais (ZEs), com consequente menor margem de erro: 3,3 pontos. Ademais, foi a única fruto de uma série histórica de quatro pesquisas, iniciada em junho, sobre a disputa da Prefeitura de Campos em 2016.

 

Só Carolina não viu

Por institutos e metodologias diferentes, divulgados em veículos de mídia distintos, a parceria Pro4/Folha, Paraná/Record e Città/Terceira Via revelaram a mesma realidade: a cinco dias das urnas, Rafael Diniz lidera as intenvenções de voto, tem a menor rejeição e as melhores chances de vitória no segundo turno. Querer contestar isso com dados incompletos, sem rejeição ou projeção de segundo turno, por um instituto nascido do garotismo, divulgado no grupo de comunicação de Garotinho, com uma pesquisa velha, feita entre 14 e 17 deste mês, na melhor das hipóteses serve para ecoar Chico Buarque: “O tempo passou na janela/ Só Carolina não viu”.

 

Publicado hoje (27) na Folha da Manhã

 

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Artigo do domingo — O papel de sua excelência, o eleitor

 

Sua excelência, o eleitor

 

 

Por Fernando Leite (*)

 

Homens e mulheres de bem deste município, o que se configura é um cenário eleitoral beligerante, como nunca visto, em Campos. Mais radical e mais violento que o pleito de 2004, o ano que nunca acabou. Os discursos são raivosos e há uma tentativa de cingir a cidade entre pobres e ricos, justamente para amedrontar a classe média, que diante do quadro de agressões verbais e da despudorada e criminosa compra de votos, optaria pela segurança de sua casa e deixaria o campo livre para os manjados impostores, àqueles que batem a nossa carteira e gritam “pega ladrão”.

A intenção deliberada de desarrumar o pleito guarda o condão de manter na arena da disputa política, apenas, os inciados e os de sempre, àqueles que têm interesses inconfessáveis. Os que, de alguma maneira, têm vínculos com o mundo político. O plano, no entanto, esbarra no alvorecer de um tempo novo no Brasil, que acabou de passar por um impeachment de sua presidente e assiste, estupefato, a jornada cívica da Operação Lava Jato que levou para a cadeia, politicos de tradição quatrocentona, capitães da indústria e os sobrenomes mais influentes do grand monde.

Por isso, há a esperança que não passarão! A sociedade de Campos não se deixará enganar com argumentos tão toscos, com mentiras tão mal contadas, com a arrogância dos que se acham acima das leis e que estão dispostos a dar um braço, se necessário, para não perder a eleição. Esse tempo é pretérito. “O tempo passou na janela, e só Carolina não viu”, como diria o velho Chico.

O mais surpreendente é que a safra de candidatos a prefeito do município é uma das melhores dos últimos tempos. Homens honrados, com históricos respeitáveis e prontos, creio, para uma tarefa hercúlea. Longe, muito longe de disputarem o Nirvana, os candidatos competem para ver quem assumirá o controle de um boeing em chamas. A gestão futura exigirá sangue de cirurgião e destreza de espadachim. O município que espera pelo próximo gestor, está com o orçamento espremido e com uma demanda larga e caudalosa.

Será necessário cortar fundo na carne, adequar projetos diversos, equilibrar o custeio crescente e pagar os controvertidos empréstimos. Seja quem for o ungido pelas urnas. Quem emergir da batalha do voto não terá tempo a perder. Antes mesmo da posse pesará sobre seus ombros o destino de um município de história robusta e finanças em decadência, com a curva descendente da receita dos royalties do petróleo. O novo prefeito, mesmo que queira, não conseguirá governar do palanque, prática comum nos ultimos 8 anos. O tempo é outro.

Quanto aos eleitores, senhores do processo eleitoral, protagonistas da história, cabe assumir seu papel. Não é hora de covardia. Não é hora de omissão — dizem que há no inferno uma caldeira mais quente que as outras, para os omissos — chegou a hora dos eleitores tomarem o processo na mão e fazerem valer sua soberana vontade. Não se pode permitir que qualquer projeto personalista interfira no rito de escolha daquele que será o fiel depositário da confiança da população.

Campos dos Goytacazes espera isso de nós!

 

(*) Jornalista, poeta e blogueiro

 

Publicado hoje (25) na Folha da Manhã

 

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Quem vota em Chicão não rejeita Rafael. Quem ecoa Linda Mara?

Ponto final

 

 

Única série de pesquisas

Ainda que outras pesquisas possam ser divulgadas nestes sete dias que separam o eleitor das urnas de 2 de outubro, nenhuma será fruto de uma medição constante feita desde junho, como as quatro feitas pelos instituto Pro4, todas registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), encomendadas e divulgadas integralmente pela Folha da Manhã. A última delas, ainda quente do forno, você, leitor, pode conhecer (aqui) em detalhes na manchete de capa e na página seguinte desta edição.

 

Novidade: Rafael líder

Se as três consultas Pro4 anteriores — feitas (aqui) nos dias 8, 9 e 10 de junho, (aqui) no dia 6 de agosto e (aqui) nos dias 2 e 3 de setembro — tiveram como base 620 eleitores das sete Zonas Eleitorais (ZEs) de Campos, a última avançou sobre um universo de 1.500 entrevistas. E, ao diminuir sua margem de erro para 3,3 pontos percentuais, a pesquisa feita ainda ontem (24) e anteontem (23) foi a primeira do instituto a colocar Rafael Diniz (PPS) na dianteira das intenções de voto à sucessão da Prefeita Rosinha Garotinho (PR).

 

Na margem e além dela

Em empate técnico com o governista Dr. Chicão (PR), Rafael liderou tanto a consulta estimulada (37,7% contra 33,1%), quanto a espontânea (29,9% a 27,7%). Mas essa liderança do candidato do PPS saltou bem além da margem de erro na projeção do segundo turno: 46,3% contra 33,6 — o que significa 12,7 pontos percentuais de vantagem nas urnas cada vez iminentes de 30 de outubro.

 

Crescimentos desiguais

Comparadas as duas pesquisas estimuladas do Pro 4 feitas neste mês de setembro, Rafael saltou de 24,2% para 37,7% (13,57 pontos percentuais) numa diferença de apenas 20 dias, período no qual Chicão cresceu mais timidamente: de 29,8% para 33,1% (3,3 pontos, mais de 10 pontos a menos). Se é inegável que Rafael vem atropelando nesta reta final, isso pode ser explicado por outro índice, considerado ainda mais importante no segundo turno: a rejeição.

 

O normal e o estranho

Com um nível de ataques irracional, sobretudo por parte de governistas encurralados pela possibilidade da perda do poder e das prisões (aqui) de integrantes do governo Rosinha pela Polícia Federal (PF), a polarização da eleição é normal. Estranho, quase inédito, é que, ainda assim, Chicão possa ter 33,1% de intenções de voto, enquanto Rafael ostenta só 3,9% de rejeição. O normal seria a paridade cruzada dos índices, observada entre os 37,7% de intenções de voto em Rafael e os 34,3% de rejeição de Chicão. Quem vota em Rafael, não vota em Chicão. Mas quem declara vota neste, não diz ser incapaz de fazê-lo em seu principal adversário.

 

O terceiro

Terceiro colocado nas intenções de voto da pesquisa Pro4 mais recente, que chegou a liderar em junho, Caio Vianna (PDT) também integrou as projeções de segundo turno, na qual perderia de muito para Rafael (24,2% a 47,2%), e ganharia em empate técnico de Chicão (34% a 32,4%). Mas, sangrado publicamente pelas críticas do pai Arnaldo Vianna (PMDB), que preferiu apoiar o candidato Geraldo Pudim (PMDB), o filho único do ex-prefeito parece não estar reagido bem ao derretimento de uma candidatura que há três meses parecia ter chance de vitória.

 

É o caso?

Ontem, na InterTV Planície, Caio disse (aqui): “Nós vamos nas comunidades apresentar que o candidato dos ricos está cometendo um ato de interromper o Cheque Cidadão e o alimento daqueles que mais necessitam”. Para além da hipocrisia de alguém privilegiado sócio-economicamente desde que nasceu, se o candidato não sabe que partiu do Ministério Público Eleitoral (MPE) a iniciativa de suspender, em decisão da Justiça, o benefício do governo Rosinha só àqueles inscritos por razão eleitoral, precisa aprender a ler melhor uma ação judicial, ou seu noticiário na mídia. A não ser, claro, que o caso seja apenas ecoar (aqui) Linda Mara.

 

Publicado hoje (25) na Folha da Manhã

 

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Pro4: Rafael lidera no primeiro turno com Chicão e dispara no segundo

(Infográfico de Eiabe de Souza, o Cássio Jr.)
(Infográfico de Eiabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Por Aluysio Abreu Barbosa

 

Uma virada na eleição a prefeito de Campos. Na polarização contra o candidato governista Dr. Chicão (PR), apontada por todas as pesquisas recentes até agora divulgadas, o oposicionista Rafael Diniz (PPS) assumiu a liderança tanto na consultas estimulada, quanto na espontânea das intenções de voto ao primeiro turno da eleição a prefeito de Campos, daqui a apenas uma semana. E se a diferença dos dois primeiros colocados no turno inicial está dentro da margem de erro de 3,3 pontos percentuais para mais ou menos, no provável segundo turno entre ambos, Rafael se isolou com uma vantagem de mais de 10 pontos sobre Chicão.

Encomendada pela Folha da Manhã, a pesquisa do instituto Pro4 foi feita entre os dias 23 e 24 de setembro (anteontem e ontem), com base em entrevistas com 1.500 eleitores das sete Zonas Eleitorais (ZEs) de Campos. Com intervalo de confiança de 99%, foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número RJ 05026/2016.

Na consulta estimulada, Rafael liderou com 37,7%; seguido de Chicão, com 33,1%; Caio Vianna (PDT), com 10%; Nildo Cardoso (DEM), com 1,8%; Geraldo Pudim (PMDB), com 1,1%; e Rogério Matoso (PPL), com 1% — enquanto 2,8% disseram que votarão branco ou nulo, e 11,6% não souberam ou quiseram responder. Já na espontânea, Rafael está na frente com 29,9%, acompanhado de Chicão (27,7%), Caio (9,1%), Nildo (1,6%), Pudim (0,7%) e Matoso (0,5%), com 3,4% de branco e nulo, e 26,9% de indecisos.

 

(Infográfico de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
(Infográfico de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Como a eleição aponta ao segundo turno de 30 de outubro, o quesito considerado mais importante nele é o da rejeição dos candidatos. E nela Rafael também lidera com menor índice negativo entre os seis candidatos: apenas 3,9%. À sua frente ficaram Matoso (4,2%), Nildo (5,1%), Caio (5,3%), Pudim (21,4%) e Chicão, com a maior rejeição: 34,3%.

Com base na liderança nas intenções de voto e numa rejeição impressionantemente baixa, sobretudo numa eleição tão polarizada, Rafael venceria o segundo turno, bem além da margem de erro, nas duas simulações feitas com seu nome na pesquisa. Sobre Chicão, o candidato do PPS venceria por 46,3% contra 33,6%. Já contra Caio, a diferença seria ainda maior: 47,2% a 24,3%. Num segundo turno improvável, mas matematicamente ainda possível entre Chicão e Caio, o jovem pedetista venceria, mas dento da margem de erro: 34% a 32,4%.

Ainda que outras pesquisas sobre a sucessão da prefeita Rosinha Garotinho (PR) possam ser divulgadas nestes sete dias que separam o eleitor das urnas do próximo domingo, essa última consulta Pro4 será a única fruto de uma série de três meses de medições, encomendada pela Folha e iniciada em junho (aqui, feita entre 8 e 10 daquele mês), sendo repetida em agosto (aqui, dia 6) e no início de setembro (aqui, dias 2 e 3). Mas todas as anteriores foram feitas com a base menor de 620 entrevistas e com consequente margem de erro maior: 3,9% para mais ou menos. E em nenhum delas Rafael liderou, indicando seu crescimento nesta reta final da eleição.

Além do Pro4, quem usou metodologia diferente para também indicar recentemente a ascensão do candidato do PPS, foi a pesquisa recente do instituto Gerp, com mais de 33 anos de tradição no mercado. Divulgada (aqui) com exclusividade pela Folha, a consulta registrou a alternância de Chicão e Rafael na liderança das intenções de voto das consultas estimulada e espontânea, também dentro da margem de erro de 4,47 pontos daquela consulta, feita entre 16 a 18 de novembro, com 500 eleitores. Apesar disso, o Gerp já apontava a vantagem de Rafael sobre Chicão no segundo turno, ainda que em empate técnico: 36% a 32%.

Menos de 10 dias depois e ouvindo o triplo de eleitores do Gerp, o Pro4 registrou o crescimento da vantagem de Rafael tanto nas consultas estimulada e espontânea, quanto nas projeções de segundo turno. Por outro lado, na comparação entre os dois institutos, diminuiu significativamente o número de indecisos. Na espontânea, os 52% do Gerp caíram quase pela metade: 26,9% no Pro4. Já na estimulada, os 24% do primeiro instituto se reduziram no segundo para menos da metade: apenas 11,6% de indecisos. E a possível migração destes votos aos candidatos também é diretamente influenciada pelo índice de rejeição de cada um.

 

(Página 5 da edição de hoje (25) da Folha)
Página 5 da edição de hoje (25) da Folha

 

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Fabio Bottrel — Alma em Greve

 

Sugestão para escutar enquanto lê: Camille Saint-Saëns–Aquarium

 

 

 

 

Orelha corta Van Gogh
Orelha corta Van Gogh

 

 

Artesão da própria existência me ergui sobre pensamentos, voei, sozinho ao encontro da imortalidade. Quando pousei, olhei, havia alguns bancos e uma consciência vazia, desperta da embriaguez da poesia por um din-don no alto falante alertando a chegada de mais um ônibus no Shopping Estrada. Prestes a me levantar, minha hora de zarpar, senti minhas pernas adormecerem, aos poucos a dormência se transformou em rigidez, sinto o meu corpo ereto como um tronco de madeira e uma voz me vem à cabeça.

– Não vai!

Tentava mexer a perna, mas a voz continuava:

– Não!

Tremia tentando dar o próximo passo, estava estático como uma estátua e já apitava no relógio a hora do ônibus sair.

– Deixe-me ir, maldita! – Gritou outra voz em minha cabeça.

– Não, não e não!

– Maldita!

– Pode me chamar do que quiser, chega de ficar só te favorecendo, que relação dispendiosa é essa?! Nós somos uma dupla, não é só você que tem de usufruir nossas benesses.

– Se essa geringonça ambulante perder o ônibus a única benesse que teremos é farofa com vento no jantar.

– Estou cansada das suas censuras!

Enquanto assistia à discussão na minha cabeça meu corpo continuava parado, algumas pessoas que passavam por mim me reparavam feito uma estátua, tremendo todo tão forte que chegava a gemer tentando me mexer, mas era como se estivesse fincado no chão.

– O que vocês estão fazendo dentro da minha cabeça?! Parem já com essa bagunça! – Pensei, como as falas também eram pensamentos, talvez me comunicasse dessa maneira.

– Nós moramos aqui, ué. – Disse a voz mais firme.

– Eu sou a casa. – Respondeu a outra voz um pouquinho mais grossa e lenta, como uma criança babona.

– Você é uma casa dentro de mim?

– Não… eu sou uma casa que você está dentro.

– Não entendi…

– Eu sou seu corpo, burro!

– E por que você não se mexe então?! Estamos parados feito patetas no meio dessa rodoviária.

– Por que essa desocupada da Alma resolveu fazer greve agora!

– Alma? – Perguntei.

– Sou eu. – Disse a voz mais firme.

– Você também mora dentro do meu corpo?

– Sim, no estômago.

– Não tinha lugar melhor?

– Aqui é quentinho…

– Eu preciso pegar esse ônibus que vai sair agora senão eu perco meu emprego, será que tem como você e o corpo se entenderem para eu continuar minha vida em paz?

– Não, to de greve.

– Aí, num falei? Quem mandou ter uma alma doida assim, foi fazer música, teatro, pintura na infância… olha o que deu, fica aí dando chilique agora. Freud explicou, o problema tá todo nessas maluquices que você fez na infância. – Disse o corpo, mas pelo teor da conversa que se seguiu minha Alma já havia decidido, daquele dia em diante não passaria, não deixaria o Corpo pegar aquele ônibus mais uma vez e estraçalhá-la de vez em rotinas, rotinas, rotinas para se alimentar com um monte de porcarias, deitar a bunda em penas de gansos, coitados dos bichinhos!

Minh’alma resolvera se rebelar contra meu corpo, não aceitaria mais essas tarefas só para alimentá-lo, decidiu que agora também queria se alimentar. Voltaria para as artes plásticas, pintaria a vida com um céu mais claro, a visão aberta ao mundo e as cores, me fiz vida nessa pequena parte do meu ser desintoxicada de toda a poesia. O Corpo desesperou-se, imaginou os sacrifícios que teria de fazer, não poderia mais comer todas as suas guloseimas, acabariam os chocolates, as roupas quentinhas, seus perfumes cheirosos, o café da manhã com geleia Française, tudo isso seria renegado em prol da Alma com esse negócio de arte, não podia compactuar com uma coisa dessas e senti de longe o seu desespero como se fizesse um reboliço dentro da minha mente.

– Maldita! Deixe-me pegar esse ônibus!

– Não! Eu quero ser feliz! Chega desse terno e gravata!

– E você lá sabe o que é ser feliz?!

– Eu vou ser o próximo Van Gogh!

– Van Gogh morreu pobre cortando orelha, energúmena!

– Eu não sinto fome e nem dor, Corpo, essa parte é sua.

– E você quer que eu morra com fome e sem orelhas, Alma?

Dentro de mim a discussão continuava enquanto eu via meu ônibus partir, desesperei-me para correr, era a reunião mais importante do trabalho, perdê-la sem uma justificativa à altura seria meu fim.

– Ei, rapaz, ei… – Chamei um dos transeuntes que passava ao lado.

– Me ajude, não consigo me mexer e meu ônibus é aquele que está saindo…

– O que o senhor tem? – Perguntou o rapaz incrédulo ao me ver numa posição incomum, estático, mexendo apenas os olhos e tremendo a mandíbula.

– Minha alma se revoltou contra o meu corpo e eu no meio dessa confusão não consigo pegar meu ônibus.

– Oi?

– Minha alma está em greve.

Creio que o rapaz me achou um louco, talvez perdido de algum hospício que houvera ido parar na rodoviária à procura de algum sentido para a fantasia mental. Percebi que não adiantaria pedir ajuda, talvez até piorasse a situação, não havia nada que poderia fazer enquanto minha alma não se acertasse com o meu corpo.

– Que cena ridícula Gerônimo, pare com isso, daqui a pouco vão achar que você está louco. – Disse a Alma percebendo que eu ainda tentava pedir ajuda com o olhar.

– Você vai estragar a minha vida dessa maneira. Deixe-me pegar esse ônibus. – Supliquei.

– Estou tentando te salvar dessa vida de merda que o corpo te chantageou a ter. Nós só temos uma vida, Gerônimo, é preciso assumi-la.

– Eu chantageei? Você é que não sabe viver em sociedade, eu o ajudei a adaptar nesse mundo, vai dizer que você não gosta dessas mordomias todas que conquistamos, Gerônimo?

– Ai, Corpo! Você é tão estúpido, tão materialista, tinha que ser fruto dessa gente primitiva! Nenhum materialista chega lúcido ao fim da vida, nenhuma consciência pode se apoiar naquilo que se esvai como maquiagem, tudo o que importa está em mim, é uma pena que você consiga enganá-lo até o fim.

– Vocês sempre viveram assim, dentro de mim? – Perguntei curioso e assustado com essa cena.

– O que é que vive? – Pergunta a Alma.

– O que tem corpo? – Perguntei sem saber a resposta certa.

– Tá vendo, você ainda está morto, não começou a viver, muita gente só vive alguns dias antes da morte, quando o Corpo já não consegue te cegar a própria sorte. A morte é um mergulho na inconsciência, onde o ser se perde d’onde você ainda não se encontrou.

Gerônimo, não há vida quando não há mais oportunidade de aprendizado, para onde quer que vá, não entre na escuridão desse ônibus, não deixe o Corpo me censurar mais tempo que o restante.

Para onde quer que vá, não deixe de olhar por mim, no fim, é só isso que importa.

 

***

 

Ouvi um grande baque de mala pesada ao meu lado despertando meus pensamentos, percebi que havia caído no sono e um leve fio de baba molhava minha bochecha, meu corpo se movimentava com alguma lerdeza pela sonolência e não havia mais sinal de voz na minha cabeça. O ônibus acabara de chegar, mas decidi por não tomar, levantei e me pus a caminhar, dentro do meu bolso e sobre o coração uma caderneta com um poema mexicano amassado de Amado Nervo caminhava junto a mim.

 

Perto do meu ocaso, eu te bendigo, ó Vida,

porque nunca me deste esperança falida

nem trabalhos injustos, nem pena imerecida.

 

Porque vejo no fim de meu rude caminho

que fui eu o arquiteto de meu próprio destino;

que se os méis ou o fel eu extraí das cousas

foi que nelas pus mel ou biles amargosas:

quando plantei roseiras, não colhi senão rosas.

 

Às minhas louçanias vai suceder o inverno;

mas tu não me disseste que maio fosse eterno!

Julguei sem fim as longas noites de minhas penas;

mas não me prometeste noites boas apenas,

e, afinal, tive algumas santamente serenas…

 

Amei e fui amado, o sol beijou-me a face.

Vida, nada me deves! Vida, estamos em paz!

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Neste domingo, última pesquisa Pro4 para prefeito de Campos

Pro4 logo

 

Quer saber quem está na frente dos índices de intenção de votos nas consultas estimulada e espontânea, mais as projeções de segundo turno cada vez mais provável da eleição a prefeito de Campos? Então leia amanhã, na Folha da Manhã, a divulgação da pesquisa Pro4 ainda quente do forno, feita hoje (24) e ontem (23) com 1.500 eleitores das sete Zonas Eleitorais do município.

A pesquisa fecha uma série de consultas feitas pelo mesmo instituto, todas encomendadas pela Folha, antes realizadas em junho (dias 8 a 10), agosto (dia 6) e no começo de setembro (dias 2 e 3).

 

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Da “Telhado de Vidro” à “Vale Voto”, quem governa leva Campos à m(…)

Ponto final

 

 

M(…) anunciada

Há pouco menos de um mês, em 30 de agosto, esta coluna alertou (aqui) que o casal Rosinha e Anthony Garotinho (PR), a exemplo dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff (PT), estava ignorando na Prefeitura de Campos o mesmo conselho do compositor Chico Buarque que os dois petistas pareceram não ouvir durante seus 13 anos de governo federal, até serem dele defenestrados:  “Vai dar m(…)!”.

 

M(…) maior que estava por vir

A analogia entre os casais-referência do garotismo e do lulopetismo foi concluída com uma advertência, após Rosinha afirmar (aqui), num vídeo viralizado nas redes sociais, que o município governado por ela há quase oito anos está no buraco: “Se Campos está no buraco, o que não dá para fazer diferente é eximir de responsabilidade seu casal de governantes na m(…) buarqueana na qual enfiaram a terra dos sambistas Wilson Batista (1913/68) e Geraldo Gamboa (1930/2016). E quem acha que a reversão desse quadro é possível com a prática que foi alvo de duas operações da Justiça Eleitoral (…) talvez valha a pena observar o rigor da lei com Lula e Dilma para saber que m(…) muito maior ainda pode estar por vir”.

 

M(…) vindo

Aparentemente, a advertência continuou sendo ignorada pelos Garotinho. Não por outro motivo, às duas operações do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) em 28 (aqui) e 29 (aqui) de agosto, num galpão da av. Alberto Lamego com adesivos da campanha de Dr. Chicão e na casa do vereador Ozéias (PSDB), preso por suspeita de compra de voto, somaram-se outras duas: em 2 de setembro (aqui), na secretaria municipal de Desenvolvimento Social e três Centros de Referência de Assistência Social (Cras); e em 6 de setembro (aqui), na casa do vereador Albertinho (PMB).

 

M(…) muito maior

Fruto dessas operações, acabou vindo a tal m(…) muito maior antecipada nesta coluna. Ontem pela manhã, na operação “Vale Voto”, a Polícia Federal (PF) prendeu (aqui) a secretária municipal de Desenvolvimento Humano, Ana Alice Alvarenga; e a coordenadora do Cheque Cidadão, Gisele Koch Soares; além de mais oito pessoas que fariam parte daquilo que o Ministério Público Eleitoral (MPE) chamou (aqui) de “escandaloso esquema”. Denunciados (aqui) numa Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije) do MPE, foram descobertos 18 mil novos cadastros do Cheque Cidadão só de junho a setembro. Para se ter uma ideia, antes só existiam 12 mil cadastrados.

 

Origem da m(…)

Devido à sua total ausência de critérios, a distribuição dos 18 mil novos Cheques Cidadão para atender interesses meramente eleitorais, gerou reclamações das próprias assistentes sociais da Prefeitura. Esta origem das investigações nos servidores municipais, revelada apenas ontem pela PF, joga por terra a tentativa canhestra de se responsabilizar a oposição pela suspensão, em decisão judicial da quinta (22), desses 18 mil Cheques Cidadão que seriam trocados por voto na eleição de daqui a exatos oito dias — aquela que os Garotinho tentam a todo custo vencer no primeiro turno, pelo temor de perdê-la no segundo.

 

Lembrança de m(…)

Determinada (aqui) pelo juízo da 99ª Zona Eleitoral (ZE) de Campos, a suspensão dos 18 mil novos Cheques Cidadão se deu a pedido de seis dos sete promotores eleitorais do município, não de nenhuma das cinco coligações de oposição que concorrem à sucessão de Rosinha contra o governista Dr. Chicão (PR). Este, sem dúvida, o maior prejudicado pela exposição nacional da operação de ontem da PF. De fato, a “Vale Voto” trouxe à lembrança do campista a “Telhado de Vidro”, de 2008, que deu fim ainda em vida ao governo Alexandre Mocaiber.

 

Publicado hoje (24) na Folha da Manhã

 

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Guilherme Carvalhal — O último amor de Antônio

 

Carvalhal 22-09-13

 

 

É provável que a maioria das pessoas teve e se lembre do seu primeiro amor. Grosso modo, é algo da adolescência, quando o processo de descoberta do próprio corpo e dos próprios sentimentos começa e daí se irradia a alguém. Talvez seja o mais puro amor possível, desprovido de mágoas passadas que impeçam sua fluidez natural. Há até casos em que o primeiro amor durou até a morte, feito louvável.

Algo a que cabe pouca atenção é o lado oposto, o último amor da vida. Por que? Possivelmente porque ao longo da maturidade a pessoa opte por uma paixão permanente e não o troque, ou então porque o tempo tende a resfriar a capacidade de alguém de auferir tal sentimento. É quase um tabu pensar que alguém de 70 anos possa se apaixonar. Esse último amor é algo insosso, então não o poetizam.

Antônio destoou dessa regra. Teve e aproveitou suas muitas paixões. Namoradas de adolescência que levava para passear na sorveteria, as moças mais soltas em seus vinte e poucos anos, o casamento desfeito após 12 anos de duração e dois filhos, o segundo casamento findo quando se aproximavam os 60 anos. A aposentadoria gerou certo comodismo e preferiu a solidão a concretizar um novo relacionamento.

Aos 72 anos, saiu da sua casa ao fim da tarde, quando costumeiramente contemplava o pôr do sol e respirava ar puro. A hora dos muitos maratonistas correndo, de jovens passeando com cachorros. E ele ali, sentado, de pernas cruzadas, sem fazer nada.

Ela pediu licença e sentou ao seu lado. Comentou sobre como na sua infância quase ninguém frequentava esse local e do choque por atualmente se deparar com tanta gente ali, envolvidas em aulas de ioga ou jogando basquete na quadra. Ele concordou. Frequentava a praça desde criança, integrava um grupo que jogava futebol ali pelo espaço sobrando. Hoje em dia seria impossível disputar espaço com o excesso de transeuntes.

Das lembranças saudosistas, comentaram a respeito de si mesmos. Ele costumava permanecer apenas uma hora ali, e nesse dia deixou o tempo correr, até anoitecer. Dando a hora de retornarem, combinaram de se verem no dia seguinte.

Desse primeiro encontro seguiram diversos outros. Ela chamava Sofia e trabalhou a vida inteira no Tribunal de Contas. Agora aposentada, dedicava-se a ensinar matemática às crianças autistas, um serviço social nascido do tratamento de seu neto. E ela contou sobre o neto, sobre o filho sobre viagens e criaram uma intimidade aprazível, que gerava o desejo de se reverem a cada dia.

Repetiram o rito por meses, em uma relação envergonhada. Assim como o rapaz de 13 anos vai ter receio em falar com a colega de sala, ele vexava perante a vontade de convida-lá para jantar em sua casa. Poderiam considerar um descaramento da sua parte, colocar uma senhora de sua idade sozinha dentro de uma casa. Postergou o pedido até que resolveu dar um tiro no escuro e cogitou se, caso ele a convidasse para jantar, se ela aceitaria.

Sofia justificou-se, tolhida pela preocupação com filhos e netos. O que pensariam ao saber que ela, viúva, andava na companhia de outro homem? E assim o convite foi guardado dentro da gaveta até a semana seguinte, quando ela disse que aceitaria jantar com ele. Ao que tudo indicava, ela refletiu e decidiu se aventurar.

Antônio relembrou a sensação de ter uma mulher dentro de casa, mesmo que em circunstâncias diferentes. Quando começou a trabalhar e alugou seu primeiro apartamento, interessava-se em embebedar mocinhas metidas a moderna e levá-las para a cama. Agora, não sabia como prosseguir. Não bebia mais devido ao coração, então não comprou vinho para acompanhar a macarronada. Acompanharam com suco e desfrutaram o momento com boa música. Ele não recordava a última vez em que se sentiu tão feliz.

Ao final, enquanto ela saía para entrar no táxi que a esperava, ele pegou em sua mão. Entreolharam-se cúmplices, ponderando silenciosamente um beija/não beija, enquanto suas testas colaram e suas mãos se apertaram. Desistiram e se soltaram. Ele a assistiu fechar a porta do carro, sorriso aberto ao rosto, ansioso pelo próximo entardecer quando a encontraria novamente.

 

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Gerp: Maioria dos campistas aprova o governo Rosinha Garotinho

Info Gerp Rosinha 22-09-16

 

 

Publicada (aqui) ontem, com exclusividade pela Folha, a pesquisa do instituto Gerp, feita entre os dias 16 e 18 de setembro, com 500 eleitores, não registrou apenas a aparente igualdade entre as candidaturas de Dr. Chicão (PR) e Rafael Diniz (PPS), que se alternaram na liderança das consultas estimulada e espontânea por apenas um ponto de vantagem. O Gerp também avaliou o governo Rosinha Garotinho (PR), que de maneira geral foi aprovado por uma maioria de 52% dos campistas, enquanto 40% desaprovaram e 8% não souberam ou quiseram responder.

Medida em sua avaliação mais clássica, o governo Rosinha foi considerado ótimo por 7% dos campistas, bom para 31%, regular para 29%, ruim para 12% e péssimo para 18%. Se a aprovação do governo é considerada fundamental à candidatura de Chicão, não é possível fazer uma análise da evolução do índice a partir da única pesquisa realizada do Gerp.

Na comparação com a série de pesquisas do instituto Pro4, que adotou metodologia diferente para medir a avaliação da gestão rosácea, esta vinha melhorando sua imagem. Se em junho deste ano, a aprovação ao governo era de apenas 33,9%, evoluiu a 36,9% em agosto e para 42,1%, no mesmo mês de setembro que o Gerp encontrou 52%, diferença significativa de 10 pontos percentuais a favor dos atuais ocupantes da Prefeitura.

A mesma diferença pró-Rosinha, na comparação entre a série Pro4 e a única pesquisa do Gerp, se repete por conseguinte da desaprovação. Pelo primeiro instituto, em junho, eram 62,4% os que desaprovavam o governo de Campos, percentual que caiu para 52,1%, em agosto, e 50,2%, em setembro — mesmo mês que o Gerp mediu a desaprovação em 40%.

 

Página 3 da edição de hoje (22) da Folha
Página 3 da edição de hoje (22) da Folha

 

Publicado hoje (22) na Folha da Manhã

 

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Pro4: Pedro Cherene abre boa vantagem para ser reeleito em São Francisco

Info Pro4 SFI 22-09-16

 

 

Por Aluysio Abreu Barbosa

 

Reservado aos municípios com mais de 200 mil eleitores, o instituto do segundo turno inexiste no pleito que definirá o prefeito de São Francisco de Itabapoana. Mas, se existisse, ele talvez fosse desnecessário, com o atual prefeito Pedro Cherene (PMDB) conquistando a reeleição com 56,4% dos votos válidos do município. Foi o que apontou a pesquisa do instituto Pro4 feita no dia 15 de setembro, com base em 426 entrevistas, registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob número 09868/2016.

Com margem de erro de 4,7 pontos percentuais para mais ou menos e um intervalo de confiança de 95%, a pesquisa apontou a liderança isolada de Cherene tanto nas consultas estimulada, quanto na espontânea. Diante à apresentação do disco com os nomes dos três candidatos, Cherene teve a preferência de 50,%5 dos eleitores, seguido por Francimara (PSB), com 32,6%; e de Marcelo Garcia (PSDB), com 6,3%. Descontados os 4,2% de branco e nulo e os 6,3% que não souberam ou quiseram responder, Cherene bateria os 56,4 % dos votos válidos; Francimara teria 36,5% e Marcelo, 7,1%.

Com números diferentes, a mesma ordem se repetiu na espontânea: Cherene repetiu a liderança isolada, com 46,7%; acompanhado de Francimara, que teve 27,7%; e de Marcelo, com 5,4%. Nesta consulta, 17,1% não souberam ou quiseram responder, enquanto 3,1% disseram que irão optar pelo voto branco ou nulo.

A pesquisa também mediu o índice negativo da rejeição dos candidatos. Quando perguntados em qual dos candidatos o eleitor não votaria de jeito nenhum, os três adversários ficaram em empate técnico: Cherene com 23,7%; Francimara, com 20,4%; e Marcelo, com 18,1%.

 

 

Página 5 da edição de hoje (22) da Folha
Página 5 da edição de hoje (22) da Folha

 

Publicado hoje (22) na Folha da Manhã

 

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