Artigo do domingo — Campos tem solução sem os Garotinhos

 

Solução

 

 

Economistas e analistas políticos Wilson Diniz e Ranulfo Vidigal
Economistas e analistas políticos Wilson Diniz e Ranulfo Vidigal

Por Wilson Diniz e Ranulfo Vidigal

 

Surge na Espanha, nova proposta de uma esquerda consciente que ao chegar ao poder aplica políticas que atendem às demandas da sociedade em uma nova ordem mundial de queda da atividade econômica, sem gerar choques de classes sociais, entre as elites e os segmentos dos mais pobres que mais sofrem os efeitos das crises e dos desgovernos corruptos que se apoderam do poder e saqueiam os cofres públicos.

Na Espanha, nascem duas estrelas políticas oriundas dos movimentos sociais. As prefeitas de Madri, a juíza aposentada, Manuela Carmena, 71, e de Barcelona, Ada Colau, 41, eleitas há cinco semanas, revolucionam o sistema político espanhol. Elas, líderes dos movimentos dos indignados — com a Espanha em recessão com mais de 50% os jovens desempregados e suas famílias sendo despejadas, sem poder de pagar a casa própria. As duas prefeitas, ao assumirem os cargos, colocaram em prática um amplo programa de reformas de saneamento das finanças e se aproximarem de todas as classes sociais.

Manuela e Ada, nos primeiros dias de seus governos, cortaram seus salários em 75%, reduziram os gastos com a Câmara dos Vereadores, eliminaram mordomias do secretariado e acabaram com a farra dos automóveis utilizados pelos funcionários públicos. As duas andam a pé, de bicicleta e no seu próprio carro nas ruas de Madri e de Barcelona.

Quando analisamos a administração dos Garotinhos na cidade de Campos, o caos financeiro e de gestão propaga-se em todos os segmentos do poder público. Com discurso populista, provinciano e cheio de rótulos e clichês, enganam a população ao permitir a desindustrialização da cidade e a redução do emprego formal. O ilusionismo impera com suas políticas de Cheque Cidadão, de distribuição da tarifa social nos transportes, do programa Morar Feliz, de colocar 1.714 funcionários com gratificação e da contratação de mais de 6.000 trabalhadores terceirizados. No lugar poderíamos ver políticas estruturantes visando criar empregos e políticas sociais progressistas como a de Manuela e a de Ada.

Mais grave ainda, a atual atriz coadjuvante que comanda a cidade de Campos tenta impor um arriscado endividamento em dólar, escondendo o fracasso da gestão e o caos financeiro colocando a culpa na crise da queda do preço do petróleo. Ludibria a população de baixa renda que recebe esmolas via programas sociais, tornando-os reféns do jogo político e do caciquismo eterno, dependentes dos cofres da Prefeitura para sobreviver. Em contrapartida, desestimula o lado empreendedor da cidade contrariando a tendência vigente em São João da Barra e Macaé.

Contudo, Campos passa por momento político histórico ímpar. Chega o momento que as classes sociais — média e alta — devem se unir ao sentimento popular, na forma de um projeto único para salvar a sociedade das mãos da gestão da prefeita que quebrou a cidade.

A oposição fragmentada e sem projeto de união, com vários candidatos, pode colocar a população nos bancos dos réus, caso não chegue a um candidato de consenso. É preciso cuidado com falsas candidaturas de oposição, clonadas no berço da família que protagonizou o modelo venezuelano na cidade.

O novo prefeito que será eleito em 2016, não precisa ser como Manuela e Alda, pois os movimentos sociais campistas não passam por quem é de direita ou de esquerda, mas pela coalizão com a sociedade, o Estado e a União.

Campos só terá solução de políticas públicas se implantar, por exemplo, o Orçamento Participativo; cortar mordomias de carros para secretários; ser administrada com o máximo de 12 secretarias; criar a função do agente comunitário local; transformar o cheque Cidadão em Bolsa Escola; acabar com o subsídio para empresários de ônibus; fazer o Carnaval fora de época com artistas locais; reduzir de R$ 600 milhões para R$ 250 milhões os gastos na conta Administração, cortar 40% dos gastos em obras públicas ‘faraônicas’, priorizar a Saúde, e finalmente elevar as despesas da Educação que é de R$ 350 milhões, para 30% dos gastos das contas públicas como teto mínimo.

Campos têm solução e jeito, mas é preciso superar a decadente oligarquia que tentou fazer da cidade mero trampolim para o secretário de Governo retornar o Palácio Guanabara. Concluindo: que a oposição marche unida com apoio da sociedade e da imprensa pode acabar com essa oligarquia familiar que nasceu há 30 anos.

 

Publicado hoje (26/07) na Folha da Manhã

 

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Pezão: “Quando chegar a hora, todos saberão quem terá o meu apoio”

Evasivas. Em um adjetivo podem ser definidas as respostas do governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) às perguntas encaminhadas e respondidas por e-mail, tratando da atuação política do chefe estadual do Executivo na definição deste poder, em outubro do próximo ano, nos 92 municípios fluminenses, mais especificamente em Campos e Macaé. Econômico nas palavras, Pezão caminhou ao largo das eleições para começar e terminar falando que sua principal preocupação é não permitir que o Estado do Rio naufrague na crise econômica do Brasil administrado pela presidente Dilma Rousseff (PT), reeleita com o seu apoio em 2014. Sobre a posição do seu PMDB para Campos em 2015, se limitou a dizer que “nenhuma decisão será tomada ou anunciada unilateralmente”. Isso na mesma semana em que o deputado Geraldo Pudim (atual PR) foi lançado (aqui) como candidato do PMDB a prefeito de Campos, pelo presidente estadual de legenda e da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), Jorge Picciani, “um grande parceiro do governo do Rio” nas palavras de quem governa.

 

Pezão 2

 

Folha da Manhã – No último dia 13, o senhor se reuniu (aqui) com o deputado estadual Comte Bittencourt (PPS) e o vereador Rafael Diniz (PPS), aos quais teria garantido sua atuação na eleição a prefeito de Campos, assim como seu apoio nesta a alguém que o tenha apoiado no município a governador. Aí vem Picciani e diz, em nome do PMDB, que o candidato do partido à sucessão de Rosinha Garotinho (PR) será o deputado Geraldo Pudim. E aí?

Luiz Fernando Pezão – Ainda é cedo para falar da corrida às prefeituras. Estou dedicado ao reequilíbrio financeiro, buscando medidas criativas para vencer a crise que se abateu sobre todos os estados. Minha grande preocupação agora não são as eleições municipais, mas encontrar caminhos para garantir emprego e renda para a população de todos os municípios.

 

Folha – Na reunião com Rafael, além dele, o senhor teria citado os nomes do vereador Nildo Cardoso (PMDB), do deputado estadual João Peixoto (PSDC) e do ex-prefeito Arnaldo Vianna (PDT). Vê mais alguém? E como enxerga Pudim, que apoiou o secretário de Rosinha Anthony Garotinho (PR) e o senador Marcelo Crivella (PRB) a governador?

Pezão – A política fluminense tem grandes nomes. Quando chegar a hora, todos saberão quem terá o meu apoio.

 

Folha – Em entrevista à Folha, publicada no último domingo (19), Picciani bancou Pudim candidato do PMDB a prefeito de Campos. Repercutindo a posição, Rafael disse (aqui): “Quanto a nomes para 2016, assim como Picciani parece ter seu preferido, nossa oposição saberá, com a orientação do governador Pezão, escolher o melhor para essa disputa”. Na sua visão, qual o melhor nome? E o melhor “padrinho”?

Pezão – O PMDB é um partido de governabilidade. Nenhuma decisão será tomada ou anunciada unilateralmente. Quando chegar o momento certo, vamos anunciar nosso apoio.

 

Folha – Também na repercussão à entrevista de Picciani, a grande maioria dos leitores se manifestou (aqui) descrente na ruptura entre Pudim e Garotinho, considerando o primeiro como um plano B, uma espécie de Cavalo de Tróia do segundo. O eleitor está errado ao pensar assim? Por quê?

Pezão – Essa pergunta precisa ser feita ao deputado Pudim e ao ex-governador Garotinho.

 

Folha – Na última quarta (22), em outra reunião (aqui) com Comte, para fechar a estratégia estadual de alianças entre PMDB e PPS, Picciani disse: “Mas lá (em Campos) a eleição é em dois turnos. O que não for possível unir no primeiro turno poderá ser feito no segundo”. É possível que o governador e o presidente da Alerj andem separados em Campos, no turno inicial a prefeito, reunindo-se só no final?

Pezão – Como eu disse anteriormente, o PMDB é um partido de governabilidade. Nenhuma decisão será tomada ou anunciada unilateralmente.

 

Folha – Outra definição dessa costura entre PPS e PMDB foi o apoio do primeiro a Dr. Aluízio, prefeito macaense pré-candidato à reeleição pelo segundo partido. Ainda que os objetivos principais da reunião tenham sido as prefeituras do Rio e São Gonçalo, qual a importância hoje de Macaé e Campos no cenário político estadual?

Pezão – Não perco minha alma municipalista. Estou à frente de um governo estadual e todos os meus programas são voltados para os municípios. Temos diversas ações onde o estado repassa recursos para prefeituras, independentemente de quem votou em mim ou não, se é do meu partido ou não. Mantenho parcerias com os 92 municípios do Rio de Janeiro. Todas as cidades têm importância no cenário político do estado.

 

Folha – Como muitos analistas já observaram, há uma disputa entre o senhor e Picciani dentro do PMDB e do próprio Estado do Rio, na condição de chefes do Executivo e do Legislativo? Daqui até 2016 (e 2018), como essa aparente queda de braço pode interferir no destino campista, macaense e fluminense?

Pezão – O deputado é um grande parceiro do governo do Rio. Aprovamos, desde janeiro, cinco leis econômicas na Assembleia Legislativa do Rio. Todas essas leis são importantíssimas para o que o Estado supere a crise econômica brasileira.

 

Publicado hoje (26/07) na Folha da Manhã

 

 

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Poema do domingo — E nos embriagamos de mistérios

Segundo Freud (1856 /1939), um homem é sempre seu pai. Ou porque o confirma, ou porque o nega. Nessa desconstrução da figura paterna pelo pai da psicanálise, questionando o status quo através da arte, o jornalista Martinho Santafé, campista radicado há anos em Macaé, tem baseado a poesia que produz há mais de 50 anos. Vencedor de um FestCampos de Poesia e um Festival da Petrobras de Poesia, Martinho teve reconhecimento como poeta tanto na cidade natal, quanto naquela que adotou. Também pintor, cujo trabalho ilustra a postagem, seus versos que o blog escolheu vão direto ao cerne da inspiração desse artista multifacetado e irrequieto, navegando a confluência das águas entre o rio Paraíba do Sul e o Macaé, sempre “embriagado de mistérios”. Na busca desse “cobertor/ que afasta os nossos frios”, aqueçamos o domingo…

 

 

Pintura Martinho
Técnica mista (acrílica, guache, colagens, resíduos naturais…) sobre MDF

 

 

 

Pai

 

Em que rio estará o nosso Pai?

 

N’alguma grota úmida

dos canaviais?

Atrás do sol, dos bambuzais?

 

Em que noites estarão

as nossas inquietações?

Na calma encoberta

por instigantes canções?

Na estrada deserta

que leva a outras estradas?

No conceito sereno

de que tudo é nada?

 

Com quantos paus

construiremos nosso Pai?

 

É Pai mesmo?

Um helicóptero?

Um espelho?

A estação do trem?

Um cobertor que afasta

os nossos frios?

 

Em que mares,

em que florestas

existe um pássaro

chamado Pai?

Em que mesa

sentaremos um dia

quando o Sol não aparecer

e a medida da vida se perder?

 

Levaremos flores?

Choraremos néon?

Acreditaremos em Deus?

Existe existe?

A palavra existe?

Se não, por que insiste?

 

E nos embriagamos de mistérios…

 

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Desaparecimento de Neivaldo ainda sem inquérito na 145ª DP

Desaparecido desde 21 de junho, até hoje não foi aberto inquérito na 145ª DP de São João da Barra para apurar o sumiço de Neivaldo (reprodução de facebook)
Desaparecido desde 21 de junho, ainda não foi aberto inquérito na 145ª DP de São João da Barra para apurar o sumiço de Neivaldo (reprodução de facebook)

 

 

O inquérito policial para apurar o desaparecimento do comerciante Neivaldo Paes Soares, o “Bambu”, de 54 anos, desaparecido há mais de um mês, não foi aberto até hoje na 145ª Delegacia de Polícia (DP) de São João da Barra (SJB). Neivaldo foi visto pela última vez no início da noite de 21 de junho, quando iniciava sozinho e sem colete salva-vidas, em sua canoa a motor, a travessia da foz do rio Paraíba do Sul, entre Atafona e a ilha do Peçanha, onde ele residia.

Ontem (22/07), o irmão de Neivaldo, Élvio Paes Soares, o “Estranho”, esteve em SJB e prestou novo depoimento na 145ª DP, quando constatou que o inquérito não foi aberto e que pessoas fundamentais para tentar elucidar o caso também não foram ouvidas. Entre elas um homem suspeito e já identificado, que estava rodando a ilha antes do desaparecimento, e o pescador que achou a canoa de Neivaldo na manhã do sia 22 de junho, rodando sozinha na foz do Paraíba. Dentro dela, estavam uma churrasqueira, carne já assada de churrasco, uma garrafa e latas e cerveja vazias, cigarros de palha fumados pela metade, um saco plástico com mantimentos (farinha, açúcar e café), o celular de Neivaldo e sua camisa social preta, de mangas compridas, dobrada, com R$ 9,00 em notas dentro do bolso. Segundo testemunhas que o viram iniciar a travessia da foz, na noite de 21 de junho, ele saiu de Atafona vestindo a mesma camisa.

Além da 145ª DP, na qual o delegado titular Marcos Peralta está de férias e quem responde provisoriamente é o delegado Rodrigo Maia, titular da 141ª DP de São Fidélis, Élvio também esteve na Capitania dos Portos de SJB, onde já foi aberto inquérito para apurar o desaparecimento do seu irmão. Marcada inicialmente para hoje, foi adiada para a semana que vem a perícia da Marinha do Brasil sobre a canoa de Neivaldo, que está ancorada no cais do restaurante do Ricardinho, ao lado da Igreja Nossa Senhora da Penha, em Atafona, onde seu proprietário foi visto pela última vez.

No próximo sábado, dia 25, a partir das 17h, no Pontal de Atafona, onde o desaparecido morou e teve um bar por muitos anos, antes do avanço do mar destruir o local em julho de 2012, amigos e parentes estão organizando aqui uma homenagem para Neivaldo, para não deixar que sua memória e seu caso caiam no esquecimento.

 

Atualização às 19h23: Não foi aberto inquérito na 145ª DP para investigar o desaparecimento de Neilvaldo porque não havia ou há, até o presente momento, indícios de autoria e materialidade que indiquem a hipótese de homicídio, uma de outras possíveis no caso, como a de acidente e afogamento. Diante da ausência de elementos conclusivos, a opção foi pela Verificação Preliminar de Investigação (VPI), porque ela conta com 90 dias para aprofundar as investigações, antes do inquérito. Se este fosse aberto de imediato, o prazo seria reduzido a apenas 30 dias, antes que fosse concluído e enviado ao Ministério Público. As informações prestadas hoje na 145ª DP por Élvio, irmão de Neivaldo, irão gerar a tomada de novos depoimentos. Foi o que garantiu no início da noite o delegado titular de SJB, Marcos Peralta. Mesmo de férias, ele atendeu ao blog com solicitude, numa ponte feita pelo deputado estadual Bruno Dauaire (PR). O delegado pediu que procurem a 145ª DP todos os que puderem dar informações sobre o caso. Uma pessoa será designada para atender a todos que puderem ajudar as investigações.

 

Saiba mais sobre o caso aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e amanhã (24/07) na edição impressa da Folha.

 

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Rafel Diniz, Pudim e Dr. Aluizio na mesa estadual de PMDB e PPS

Campos e Macaeé estiveram hoje na pauta de Jorge Picciani (de camisa verde) e Comte Bittencourt (de paletó fechado) na costura das alianças do  PMDB com o PPS para o Estado em 2016 (divulgação)
Campos e Macaeé estiveram hoje na pauta de Jorge Picciani (de camisa verde) e Comte Bittencourt (de paletó fechado) na costura das alianças do PMDB com o PPS para o Estado em 2016 (divulgação)

 

“Mas lá (em Campos) a eleição é em dois turnos. O que não for possível unir no primeiro turno (caso se confirmem as candidaturas do deputado estadual Geraldo Pudim, pelo PMDB, e do vereador Rafael Diniz, pelo PPS, à Prefeitura em 2016) poderá ser feito no segundo. Meu esforço será no sentido de não haver dissidência”. Foi o que disse hoje o presidente estadual do PMDB e da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), Jorge Picciani, na sede do seu partido, em encontro que fechou a aliança da legenda  com o PPS nas eleições majoritárias de 2016 na cidade do Rio de Janeiro e São Gonçalo, dois maiores colégios eleitorais do Estado.

Os dois municípios mais importantes do Norte Fluminense também estiveram na mesa de negociações. Além da citação direta de Picciani à sucessão da prefeita Rosinha Garotinho (PR) em Campos, para Macaé ficou acertado que o PPS irá apoiar a tentativa de reeleição de Dr. Aluizio pelo PMDB, depois de já ter apoiado o prefeito na sua eleição, em 2012, pelo PV.

Pelo PPS, estiveram presentes à reunião seu presidente regional, deputado estadual Comte Bittencourt, além de Roberto Percinotto e Raulino de Oliveira, das executivas estadual e nacional do partido. No último dia 13, em outro encontro de articulações para 2016, no Palácio Guanabara, Comte esteve também com Rafael Diniz e o governador Luiz Fernando Pezão (PMDB). Na oportunidade, este garantiu aqui não só sua participação ativa na próxima eleição a prefeito de Campos, como seu apoio a alguém que o tenha apoiado na disputa de 2014, chegando a citar, além de Rafael, o nome do também vereador Nildo Cardoso, do deputado estadual João Peixoto (PSDC) e do ex-prefeito Arnaldo Vianna (PDT).

A declaração do governador, no entanto, foi atropelada sem muita cerimônia por Picciani, que em entrevista exclusiva à Folha, publicada aqui no último domingo, embora tenha citado elogiosamente o nome de Rafael, garantiu que o candidato do PMDB à sucessão de Rosinha será Pudim.

 

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Políticos se dividem, mas leitor não crê na ruptura de Pudim com Garotinho

Picciani e Pudim (montagem de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Picciani e Pudim (montagem de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Geraldo Pudim (atual PR) candidato a prefeito de Campos pelo PMDB em 2016, como bateu o martelo (aqui) o presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), Jorge Picciani, em entrevista exclusiva à Folha publicada no último domingo. O anúncio dividiu os quadros políticos da cidade, alguns deles também pré-candidatos à sucessão da prefeita Rosinha Garotinho (PR), mas não à maioria dos leitores — e possivelmente também eleitores. Publicada no blog “Opiniões”, hospedado na Folha Online, também desde domingo, a entrevista teve 17 comentários (aqui) até o fechamento desta edição, 16 deles criticando a postura do presidente estadual do PMDB e duvidando abertamente da ruptura entre o deputado estadual Pudim e o dublê de marido e secretário de Governo de Rosinha, Anthony Garotinho (PR):

— O senhor deputado Jorge Picciani, só pode estar de brincadeira e ironia com a cara do povo de Campos dos Goytacazes, falar que Geraldo Pudim, fiel escudeiro de Garotinho, que usou o seu mandato de deputado federal pra atender o governo cor de rosa, que tanto ajudou a falir a nossa cidade. O senhor pode até pegar o PMDB e fazer o que quiser, pois é problema seu, mas o povo de Campos, senhor deputado Jorge Picciani, não é massa de manobra e tão menos um projeto pessoal seu (…) O povo de Campos dos Goytacazes, sabe que Geraldo Pudim, é Garotinho de novo e não adianta vir disfarçado — comentou (aqui) o leitor James.

A visão não foi muito diferente da maioria. A leitora Letícia, por exemplo, cobrou (aqui) em seu comentário uma cara nova à sucessão de Rosinha:

— Pudim? Aluno de Garotinho?! Um pior do que o outro, a nossa cidade merece um candidato decente, sangue novo na corrida pela administração da nossa cidade! Vamos acabar com essa panelinha, queremos cara nova, nenhum desses fez nada por nós e nunca fará!

No mesmo caminho, o leitor Fabiano duvidou das velhas caras, chegando a nominar (aqui) uma das novas:

— Vão me desculpar, mais isso está tudo combinado entre eles, após o Sr. Pudim ganhar, ele vai se juntar com (…) Garotinho. Isso é tudo marmelada. E as pessoas ainda acreditam. Rafael Diniz neles.

 

De cima para baixo, da esquerda à direita: Chicão, Nildo, Magal e Edson; Mauro, Marcão, Gil e Rafael (montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
De cima para baixo, da esquerda à direita: Chicão, Nildo, Magal e Edson; Mauro, Marcão, Gil e Rafael (montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Políticos se dividem sobre Pudim na oposição

 

Cada um responde pelos seus atos. Pudim não me procurou para conversar sobre sua saída do nosso grupo, não me pediu aconselhamento. Se ele para vai o PMDB só para ser candidato a prefeito em 2016, fica a cargo das lideranças do PMDB decidirem. A gente não pode se colocar no lugar do outro. Talvez ele tenha visto lá uma chance que achou que não teria mais conosco. Porque quando concorreu para prefeito de Campos ao nosso lado, ele perdeu as duas eleições que disputou. Na que ele conseguiu vencer em 2014, para deputado estadual, eu o apoiei.

Dr. Chicão (PP), vice-prefeito e pré-candidato governista a prefeito

 

Respeito a posição de meu presidente Picciani e sua trajetória política. Porém, continuo com a mesma tese: A política de Campos é diferenciada. O que vai determinar o futuro prefeito de Campos será a vontade popular. E a população quer mudança e independência. A maior rejeição é de pessoas ligadas ao casal Garotinho. Aliás, o que tirou Garotinho do segundo turno da eleição a governador foi sua rejeição. Toda essa discussão é importante, mas não podemos perder o foco, que é a “venda do futuro” e a aplicação dos mais de R$ 2 bilhões do orçamento.

Nildo Cardoso (PMDB), líder da oposição na Câmara de Campos e pré-candidato a prefeito da oposição

 

Ainda não estamos num instante de definições dos nomes e candidaturas. Acredito que o mais importante agora é vivenciar de forma crítica a realidade vivida pelo município de Campos, talvez a mais lamentável do período pós-royalties do petróleo. Existe hoje uma massa considerável de chefes de família desempregados. E não adianta culpar só a crise. Geraldo Pudim é, sim, um homem de serviços prestados ao município, na condição de deputado, e o PMDB é uma sigla de reconhecido prestígio, mas muita água vai passar debaixo da ponte.

Jorge Magal (atual PR), vereador independente

 

Ainda estamos no terreno da especulação, das possibilidades. Não há nada de concreto, fica difícil projetar tão para frente. A política é sempre muito dinâmica, sobretudo quando estamos a 15 meses de uma eleição. Se a reforma política, por exemplo, não passar no Congresso, como querem alguns deputados, e não for aberta a janela de transferência a quem pretende trocar de partido para poder se candidatar em 2016, pretensões não só como a de Pudim, mas também como do vereador Gil Vianna (atual PR, de malas prontas para o PSB), ficam impossibilitadas.

Edson Batista (PTB), presidente da Câmara de Campos e pré-candidato governista a prefeito

 

Em primeiro lugar, vai abrir a janela eleitoral? Pudim sempre foi um bom companheiro e sempre quando a gente perde alguém, é ruim. Mas desejo sorte para ele, mesmo que fiquemos em pólos opostos. Respeito a posição dele, mas daí a saber se ele vai ser ou não candidato a prefeito, é uma questão do PMDB. E quem garante que ele não seria o nosso candidato? Se ele teve problemas com os quadros mais jovens do grupo, essa transição entre gerações faz parte do jogo político e da vida, ao qual nós, já de cabeças brancas, temos que nos adaptar.

Mauro Silva (PT do B), líder governista na Câmara de Campos e pré-candidato a prefeito

 

Gostaria de parabenizar o presidente estadual do PMDB, Jorge Picciani, em relação à coerência em manter seu partido na oposição ao desgoverno Rosinha e quando procura conciliar com a oposição local afirmando: “certamente, no fim da jornada, estaremos todos juntos”. Nós pensamos em um novo modelo político para o município, uma fórmula pós-garotista, e vamos dialogar com as forças políticas que queiram nos ajudar a construir essa nova forma de gestão e suplantar o modelo político falido implantado pelos Garotinhos.

Marcão (PT), vereador de oposição

 

Não vou ficar no PR. Com janela ou sem janela, vou sair. Já tive convite do senador Romário para ir para o PSB e disputar a eleição a prefeito de Campos. A gente está trabalhando neste sentido. Após cumprir meu segundo mandato na Câmara Municipal, não me candidatarei em 2016 a vereador. Venho de uma eleição sem apoio a deputado estadual, na qual tive uma boa votação. Sobre Pudim, acredito, sim, na sua para a oposição. Mas a maioria não acredita. Eu mesmo disse a ele: “Você tem que provar isso para o povo, porque as ruas dizem o contrário”.

Gil Viana (atual PR), vereador independente e pré-candidato a prefeito

 

Já passou da hora de recolocarmos Campos no rumo certo, como uma das principais cidades de nosso Estado. Toda pessoa de bem, verdadeiramente disposta a construir um modelo de gestão sério, será bem vinda. Mas tem que estar claramente comprometida com isso. E quanto a nomes para 2016, assim como o deputado Jorge Picciani parece ter o seu preferido, nossa oposição saberá, com a orientação do governador Pezão (aqui), escolher o melhor para essa disputa, um nome que demonstre de verdade o sentimento de mudança séria que a população tanto deseja.

Rafael Diniz (PPS), vereador de oposição e pré-candidato a prefeito

 

Publicado hoje (21/07) na Folha da Manhã

 

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Deserção de Pudim é de fato ou de araque?

Dúvida

 

 

Jornalista e blogueiro Ricardo André Vasconcelos
Jornalista e blogueiro Ricardo André Vasconcelos

Por Ricardo André Vasconcelos 

 

Enquanto o deputado Geraldo Pudim (ainda no PR), mantém o mais absoluto silêncio (em público), sobre a troca de patrono, seu nome continua no centro do debate eleitoral para 2016. Sábado foi o ex-chefe Garotinho a lamuriar-se num longo e histriônico discurso na rádio da turma dele e, na edição de domingo da Folha da Manhã, quem falou por Pudim foi o presidente da Assembleia Legislativa e cacique do PMDB fluminense, Jorge Picciani.

Tanto o teatrinho de Garotinho — que teve trilha musical e interrupção por uma crise de choro — quanto à anódina entrevista de Picciani, reforçam a tese crescente de que estaria sendo urdida uma armação para introduzir Pudim no cenário eleitoral de 2016 como uma opção da oposição, com o intuito de dividir as formas que se contrapõem ao garotismo e tornar menos difícil a vitória de um candidato da situação, que, aliás, anda atrás de um candidato como um Diogénes com sua lamparina acesa em busca de um homem honesto.

Enquanto se mantiver calado, sem rejeitar publicamente o ninho que deixou, o deputado Pudim dificilmente se livrará da suspeita de uma conspiração cumpliciada por Garotinho e Picciani. Para quem imagina impensável uma aliança nas sombras, convêm refrescar a memória: a trinca Picciani/Paulo Mello/Sérgio Cabral foi o tripé de sustentação dos oito anos em que Garotinho/Rosinha governaram o Estado do Rio de Janeiro. O trio se revezou no comando da Assembleia Legislativa em sintonia finíssima com o casal no Palácio Guanabara. Nenhuma turbulência pública entre os dois poderes em todo o período.

No chororô de sábado, Garotinho anunciou que foi ele, em negociação direta com Picciani, quem deu a Pudim a cadeira de primeiro-secretário. Disse que, na disputa entre Picciani e Paulo Melo, ficaria com a presidência da Alerj, quem os sete deputados do PR apoiassem, e que ele, Garotinho, decidiu por Picciani, mas impondo Pudim no segundo cargo mais importante da Assembleia. Mas na época, negou qualquer participação e atribuiu à bancada a decisão de participar da Mesa. Em outro ponto do “desabafo”, Garotinho disse ter recebido um telefonema do deputado Paulo Melo, alertando-o da traição de Pudim. O mesmo Paulo Melo, a quem o ex-governador dizia estar proibido, pela Justiça, de publicar o nome em seu Blog. Outro que teria telefonado para ele para falar da saída de Pudim, o colunista Fernando Molica, de O Dia, desmentiu, no mesmo sábado sem seu blog, afirmando que há dois meses não conversa com Garotinho.

Alguns termômetros vão apontar nas próximas semanas se a deserção de Pudim é de fato ou de araque. As cassandras garotistas vão “bater” sem piedade no deputado desertor, como fazem com todos os traidores? A turma de Pudim que atua nas redes sociais e defende com fidelidade canina o governo Rosinha vai criticar a administração? E, principalmente: quando Geraldo Pudim — vereador, vice-prefeito, deputado estadual e deputado federal, sempre eleito pelas mãos e pés de Garotinho — vai assumir as teses da oposição? Só quando vier a público rejeitar o modelo político-administrativo desse grupo, cobrar transparência do governo e apuração das denúncias de corrupção, aí, sim, veremos de lado está o deputado feito de vento, que precisa ter um dono para existir como político.

Olhando o quadro como está hoje, Pudim é o candidato ideal para os dois lados: Garotinho o quer disputando pelo PMDB para rachar a oposição e a oposição o prefere candidato do garotismo porque acha mais fácil de derrotar.

E, pensando bem, trocar Garotinho por Picciani é… deixa pra lá.

 

Artigo escrito com base nas postagens publicadas previamente aqui e aqui, no blog “Eu penso que…”, e publicado hoje na Folha da Manhã

 

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Desaparecido há um mês, Neivaldo tem homenagem sábado, dia 25, no Pontal

Seu quintal durante anos, o Pontal de Atafona será palco para uma homenagem a Neivaldo, no próximo sábado, dia 25, a partir das 17h (reprodução de facebook)
Seu quintal durante anos, o Pontal de Atafona será palco para uma homenagem a Neivaldo, no próximo sábado, dia 25, a partir das 17h (reprodução de facebook)

 

 

No próximo sábado, 25 de julho, a partir das 17h, perto do pôr do sol, o Pontal de Atafona será palco para uma homenagem ao comerciante Neivaldo Paes Soares, o “Bambu”, de 54 anos, desaparecido desde o último dia 21 de junho. Amanhã (21/07) fará um mês que ele foi visto pela última vez, no início da noite de um domingo frio, após iniciar a travessia da foz do rio Paraíba do Sul, sozinho em sua canoa a motor, entre Atafona e a ilha do Peçanha, onde residia. Até agora sem corpo, rito fúnebre, ou nenhuma novidade nos inquéritos da 145ª Delegacia de Polícia (DP) e da Marinha do Brasil, abertos para investigar seu desaparecimento, amigos e parentes de Neivaldo acharam necessário prestar essa homenagem, até para que o caso não caia no esquecimento.

O palco do encontro, como não poderia deixar de ser, será no Pontal, perto das ruínas do bar que Neivaldo conjugou com casa durante anos, recebendo amigos e clientes, antes que o avanço do mar destruísse o local, em julho de 2012, mudando seu dono para a ilha do Peçanha.Como informações úteis, no sábado, a maré atingirá seu ponto mais baixo poucos minutos antes das 17h, com previsão de alta logo após às 22h. Na maré baixa, o acesso ao local é possível caminhando pela praia. Com a maré alta, as vias de acesso são as duas ruas projetadas da comunidade de pescadores do Pontal. Um ao final de cada rua, já na faixa de areia à beira da foz, os bares do Júnior (antigo bar da Renata, em frente ao antigo Elvis) e do Santana (antigo Almir Largado) servem como referência.

Na programação tão anárquica quanto o homenageado, a ideia é reunir pessoas num luau, relembrar histórias e cantar canções naquele encontro entre o Paraíba e o Atlântico, o céu e o mar, o mangue e a praia, que Neivaldo não apenas amou, mas tomou para si como lar e destino. Pede-se que cada um leve uma flor para atirar nas águas, mas a saudade já basta.

 

Saiba mais sobre o desaparecimento de Neivaldo aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e amanhã (21/07), na edição impressa da Folha

 

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