Políticos se dividem, mas leitor não crê na ruptura de Pudim com Garotinho

Geraldo Pudim (atual PR) candidato a prefeito de Campos pelo PMDB em 2016, como bateu o martelo (aqui) o presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), Jorge Picciani, em entrevista exclusiva à Folha publicada no último domingo. O anúncio dividiu os quadros políticos da cidade, alguns deles também pré-candidatos à sucessão da prefeita Rosinha Garotinho (PR), mas não à maioria dos leitores — e possivelmente também eleitores. Publicada no blog “Opiniões”, hospedado na Folha Online, também desde domingo, a entrevista teve 17 comentários (aqui) até o fechamento desta edição, 16 deles criticando a postura do presidente estadual do PMDB e duvidando abertamente da ruptura entre o deputado estadual Pudim e o dublê de marido e secretário de Governo de Rosinha, Anthony Garotinho (PR):
— O senhor deputado Jorge Picciani, só pode estar de brincadeira e ironia com a cara do povo de Campos dos Goytacazes, falar que Geraldo Pudim, fiel escudeiro de Garotinho, que usou o seu mandato de deputado federal pra atender o governo cor de rosa, que tanto ajudou a falir a nossa cidade. O senhor pode até pegar o PMDB e fazer o que quiser, pois é problema seu, mas o povo de Campos, senhor deputado Jorge Picciani, não é massa de manobra e tão menos um projeto pessoal seu (…) O povo de Campos dos Goytacazes, sabe que Geraldo Pudim, é Garotinho de novo e não adianta vir disfarçado — comentou (aqui) o leitor James.
A visão não foi muito diferente da maioria. A leitora Letícia, por exemplo, cobrou (aqui) em seu comentário uma cara nova à sucessão de Rosinha:
— Pudim? Aluno de Garotinho?! Um pior do que o outro, a nossa cidade merece um candidato decente, sangue novo na corrida pela administração da nossa cidade! Vamos acabar com essa panelinha, queremos cara nova, nenhum desses fez nada por nós e nunca fará!
No mesmo caminho, o leitor Fabiano duvidou das velhas caras, chegando a nominar (aqui) uma das novas:
— Vão me desculpar, mais isso está tudo combinado entre eles, após o Sr. Pudim ganhar, ele vai se juntar com (…) Garotinho. Isso é tudo marmelada. E as pessoas ainda acreditam. Rafael Diniz neles.

Políticos se dividem sobre Pudim na oposição
Cada um responde pelos seus atos. Pudim não me procurou para conversar sobre sua saída do nosso grupo, não me pediu aconselhamento. Se ele para vai o PMDB só para ser candidato a prefeito em 2016, fica a cargo das lideranças do PMDB decidirem. A gente não pode se colocar no lugar do outro. Talvez ele tenha visto lá uma chance que achou que não teria mais conosco. Porque quando concorreu para prefeito de Campos ao nosso lado, ele perdeu as duas eleições que disputou. Na que ele conseguiu vencer em 2014, para deputado estadual, eu o apoiei.
Dr. Chicão (PP), vice-prefeito e pré-candidato governista a prefeito
Respeito a posição de meu presidente Picciani e sua trajetória política. Porém, continuo com a mesma tese: A política de Campos é diferenciada. O que vai determinar o futuro prefeito de Campos será a vontade popular. E a população quer mudança e independência. A maior rejeição é de pessoas ligadas ao casal Garotinho. Aliás, o que tirou Garotinho do segundo turno da eleição a governador foi sua rejeição. Toda essa discussão é importante, mas não podemos perder o foco, que é a “venda do futuro” e a aplicação dos mais de R$ 2 bilhões do orçamento.
Nildo Cardoso (PMDB), líder da oposição na Câmara de Campos e pré-candidato a prefeito da oposição
Ainda não estamos num instante de definições dos nomes e candidaturas. Acredito que o mais importante agora é vivenciar de forma crítica a realidade vivida pelo município de Campos, talvez a mais lamentável do período pós-royalties do petróleo. Existe hoje uma massa considerável de chefes de família desempregados. E não adianta culpar só a crise. Geraldo Pudim é, sim, um homem de serviços prestados ao município, na condição de deputado, e o PMDB é uma sigla de reconhecido prestígio, mas muita água vai passar debaixo da ponte.
Jorge Magal (atual PR), vereador independente
Ainda estamos no terreno da especulação, das possibilidades. Não há nada de concreto, fica difícil projetar tão para frente. A política é sempre muito dinâmica, sobretudo quando estamos a 15 meses de uma eleição. Se a reforma política, por exemplo, não passar no Congresso, como querem alguns deputados, e não for aberta a janela de transferência a quem pretende trocar de partido para poder se candidatar em 2016, pretensões não só como a de Pudim, mas também como do vereador Gil Vianna (atual PR, de malas prontas para o PSB), ficam impossibilitadas.
Edson Batista (PTB), presidente da Câmara de Campos e pré-candidato governista a prefeito
Em primeiro lugar, vai abrir a janela eleitoral? Pudim sempre foi um bom companheiro e sempre quando a gente perde alguém, é ruim. Mas desejo sorte para ele, mesmo que fiquemos em pólos opostos. Respeito a posição dele, mas daí a saber se ele vai ser ou não candidato a prefeito, é uma questão do PMDB. E quem garante que ele não seria o nosso candidato? Se ele teve problemas com os quadros mais jovens do grupo, essa transição entre gerações faz parte do jogo político e da vida, ao qual nós, já de cabeças brancas, temos que nos adaptar.
Mauro Silva (PT do B), líder governista na Câmara de Campos e pré-candidato a prefeito
Gostaria de parabenizar o presidente estadual do PMDB, Jorge Picciani, em relação à coerência em manter seu partido na oposição ao desgoverno Rosinha e quando procura conciliar com a oposição local afirmando: “certamente, no fim da jornada, estaremos todos juntos”. Nós pensamos em um novo modelo político para o município, uma fórmula pós-garotista, e vamos dialogar com as forças políticas que queiram nos ajudar a construir essa nova forma de gestão e suplantar o modelo político falido implantado pelos Garotinhos.
Marcão (PT), vereador de oposição
Não vou ficar no PR. Com janela ou sem janela, vou sair. Já tive convite do senador Romário para ir para o PSB e disputar a eleição a prefeito de Campos. A gente está trabalhando neste sentido. Após cumprir meu segundo mandato na Câmara Municipal, não me candidatarei em 2016 a vereador. Venho de uma eleição sem apoio a deputado estadual, na qual tive uma boa votação. Sobre Pudim, acredito, sim, na sua para a oposição. Mas a maioria não acredita. Eu mesmo disse a ele: “Você tem que provar isso para o povo, porque as ruas dizem o contrário”.
Gil Viana (atual PR), vereador independente e pré-candidato a prefeito
Já passou da hora de recolocarmos Campos no rumo certo, como uma das principais cidades de nosso Estado. Toda pessoa de bem, verdadeiramente disposta a construir um modelo de gestão sério, será bem vinda. Mas tem que estar claramente comprometida com isso. E quanto a nomes para 2016, assim como o deputado Jorge Picciani parece ter o seu preferido, nossa oposição saberá, com a orientação do governador Pezão (aqui), escolher o melhor para essa disputa, um nome que demonstre de verdade o sentimento de mudança séria que a população tanto deseja.
Rafael Diniz (PPS), vereador de oposição e pré-candidato a prefeito
Publicado hoje (21/07) na Folha da Manhã




![Charge 20-07-2015[1]](http://www.opinioes.folha1.com.br/wp-content/uploads/2015/07/Charge-20-07-20151.jpg)









