Dilma Rousseff e o ex-advogado do seu partido Dias Toffoli, ministro do STF
Por Catarina Alencastro
Brasília — A presidente Dilma Rousseff vai receber o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF) na manhã desta quarta-feira no Palácio do Planalto. Este será seu primeiro compromisso do dia e não estava previsto até a noite de terça-feira, quando foi divulgada a agenda da presidente.
Toffoli, que foi assessor da Casa Civil e Advogado-Geral da União no governo de Luiz Inácio Lula da Silva e, antes disso, advogado do PT, presidirá a segunda turma do STF, que julgará os casos de políticos investigados no âmbito da Lava-Jato. Toffoli pertence à primeira turma do tribunal, mas se candidatou para integrar a segunda turma na noite de ontem para evitar que os julgamentos resultem em empate, já que o colegiado está sem um membro desde a saída de Joaquim Barbosa. A sugestão da ida de algum membro da primeira para a segunda turma partiu do ministro Gilmar Mendes. Como o mais antigo da Primeira Turma, Marco Aurelio Mello, declarou que não queria mudar de colegiado, a cadeira vazia ficou com Toffoli.
O ministro Dias Toffoli se dispôs a trocar e, com isso, vai presidir, a partir de maio, a análise da maioria dos inquéritos que apuram as fraudes na Petrobras. Até lá, a presidência da Segunda Turma permanecerá com Teori Zavascki, cujo mandato de um ano chega ao fim. Como o decano da corte, Celso de Mello, não manifestou interesse em presidir a turma, ficando assim com Toffoli por ser o segundo mais antigo.
Depois de receber Toffoli, Dilma receberá o ministro da Fazenda, Joaquim Levy. Em seguida ela parte para Rio Branco (AC), onde entregará 967 unidades do programa Minha Casa Minha Vida.
Pedro Barusco chega à sessão da CPI (Jorge William – Agência O Globo)
Por Aguirre Talento, Gabriel Mascarenhas e Márcio Falcão
O ex-gerente da Petrobras, Pedro Barusco, afirmou em depoimento à CPI da Petrobras nesta terça-feira (10) que se reunia com o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, para discutir o repasse ao PT de propinas pagas à estatal, mas se negou a dar detalhes sobre o recebimento de propina durante a gestão do tucano Fernando Henrique Cardoso alegando estar sob investigação.
Primeiro depoimento da CPI, Barusco frustrou as expectativas do PT de obter detalhes de irregularidades durante a gestão tucana e pouco avançou nas informações já dadas em delação premiada à força-tarefa da Operação Lava Jato, que investiga os desvios na Petrobras.
Ele disse que começou a receber propina de forma “institucionalizada” a partir de 2003 ou 2004, já sob gestão petista, quando assumiu o cargo de gerente executivo de Engenharia. No caso das propinas que começaram a ser pagas a ele entre 1997 e 1998, informou que foi uma “iniciativa pessoal minha”.
De acordo com as investigações da Lava Jato, a propina era paga por um cartel de empreiteiras para garantir a obtenção de contratos com a estatal. Parte ficava com funcionários da Petrobras e parte era repassada a partidos.
Questionado pelo relator Luiz Sérgio (PT-RJ) se outros também recebiam propina na época da gestão tucana, Barusco evitou responder. “Sobre essa questão, existe uma investigação em curso, eu sou investigado. Essa é uma parte que eu vou me ater ao depoimento [na delação premiada]. Não vou aprofundar, porque está ocorrendo uma investigação”. Ele não explicou quem está fazendo essa investigação.
Repasses
Em relação aos repasses para o PT, repetiu que o partido recebia um percentual da propina paga por empresas à diretoria de Serviços. Afirmou que não sabia se esses recursos eram dados para políticos, citando apenas o tesoureiro Vaccari. “Eu realmente sentava com ele, discutia, (…) mas eu não me envolvia com essa parte, se o dinheiro era para ele, pro partido. O rótulo era PT.”
Os encontros ocorriam principalmente nos hotéis Meliá, em São Paulo, e Windsor, no Rio — mesmos locais onde o ex-diretor Renato Duque e Vaccari se encontravam, conforme relatado pelos dois à Polícia Federal.
Segundo ele, esse assunto era “sempre combinado” com Vaccari. “Isso cabia ao João Vaccari gerenciar. Ele que era responsável. Não sei como ele recebia, para quem ele distribuía, se era oficial, extra-oficial. Cabia a ele naquele percentual uma parte”.
Barusco também fez questão de fazer um esclarecimento de como fez a estimativa de que o PT recebeu até US$ 200 milhões em propina: era o dobro do que ele próprio havia recebido.
“Como ao PT, na divisão da propina, cabia receber o dobro ou um pouco mais, eu estimava que ele [Vaccari] poderia ter recebido o dobro. Se eu recebi, porque os outros não teriam recebido?”, afirmou, provocando risos aos integrantes da CPI.
Vaccari assumiu as finanças do PT em 2010. Questionado se teve contato com o antigo tesoureiro Delúbio Soares, que cuidava das finanças do partido na época do mensalão, Barusco respondeu negativamente. Também disse que teve poucos contatos e somente em eventos sociais com o ex-ministro José Dirceu, condenado no mensalão.
Apesar da defesa de Barusco ter pedido que a sessão fosse fechada, houve uma negociação e sua advogada, Beatriz Catta Preta, concordou que fosse aberta, desde que não lhe fizessem perguntas de ordem pessoal.
O tesoureiro do PT João Vaccari Neto nega o recebimento de propinas em contratos da Petrobras.
Sobre a delação premiada de Barusco, o PT já havia afirmado em nota que todas as doações recebidas são legais.
Alívio
Em um momento de desabafo, Barusco disse que está “aliviado” com a delação e com a devolução dos recursos aos cofres públicos.
ÓEsse é um caminho que não tem volta. A gente começa a receber recurso no exterior, vai indo, vai indo, vai crescendo, de um ano pra outro isso vira uma espada em nossa cabeça. Não tem saída para isso. Essa delação que estou fazendo está me dando um alívio”.
Aqui, na democracia irrefreável das redes sociais, o poeta, dramaturgo e professor Adriano Moura, teve a coragem de assumir a defesa do governo Dilma Rousseff (PT), questionando os motivos e as maneiras pelos quais a presidente e seu partido vêm sendo frontalmente questionados em boa parte do território brasileiro. Até porque de um lado e do outro também, há sempre a possibilidade de se estar (parcial ou completamente) equivocado, o contraditório só faz bem à democracia. Não por outro motivo, este “Opiniões” pede licença para reproduzir abaixo:
Adriano Moura (perfil de Facebook)
Ontem procurei a lista dos investigados (aqui). Não vi o nome da Dilma (aqui), que se transformou na única responsável pelos problemas dessa pátria amada e idolatrada salve salve. Mas tinha o nome de Aécio Neves (aqui), o que, para os que “não aguentam mais a corrupção”, salvaria o Brasil da sanha comunista que ameaça a família e a propriedade… privada. To esperando um panelaço (aqui) e uma passeata contra esses nomes. Ah, esqueci que o problema não é bem a corrupção, praga que nos persegue desde o encontro de Cabral com os índios. O problema é com a Dilma, eleita pelo voto popular (aqui). Vejo muito mais oportunismo de quem não se conformou ainda com o resultado das eleições 2014 do que a vontade de construir um país decente. Pra isso é preciso muito mais do que o impeachment de um presidente, pois já fizemos um com liderança de um “cara pintada” que também está sendo investigado (aqui). Pra acabar com a corrupção precisamos de uma tomada de vergonha na cara generalizada, não de oportunismo. Ah…e se vivêssemos mesmo numa ditadura de esquerda kkkkk (só rindo) , ninguém xingaria a presidente de “vaca” e ficaria por isso mesmo. Prova de que parte da nossa “elite” mestiça (aqui) (por mais que ela se ache branca), além de desinformada é mal educada, não entende a diferença entre um ato político de protesto e pirracinha porque foi contrariada pela terceira vez numa eleição. Boa terça – feira!
A presidente Dilma Rousseff (PT) foi recebida com vaias e gritos de “fora Dilma” e “fora PT” ao chegar no Salão Internacional da Construção em São Paulo na manhã desta terça-feira (10).
A equipe da presidente chegou a modificar o trajeto da petista na tentativa de afastá-la dos expositores e trabalhadores que estavam no local.
No entanto, não conseguiram. Enquanto passeava pelos estandes, Dilma era hostilizada. Em meio às vaias, as pessoas gritavam “PT ladrão!” e “Eu não voto no PT”.
Quando a presidente chegou, apenas trabalhadores e expositores estavam no local, que ainda não havia sido aberto para visitação.
Do lado de fora, ouvindo as vaias, visitantes também xingavam a presidente com palavrões, como “vagabunda”.
Diante da recepção, a presidente fez uma visita de menos de cinco minutos e deixou o local em direção à cerimônia de abertura do evento, quando deve discursar a um público limitado a convidados.
Renascida do inferno — Sobrenatural e medo. Esta a combinação para um filme de terror. Se ele tem apenas sobrenatural, como nos filmes espíritas, não é terror. Se ele tem somente o medo, pode ser considerado suspense, mas não é terror. Normalmente, as pessoas pensam em “Frankenstein” como uma história de terror que deu origem a vários filmes do gênero. Primeiro, o mostro nem tem esse nome, mas sim o médico transtornado que o criou. Mary Shelley, a autora do livro no início do século XIX, na verdade, estava expressando o medo que assolava os intelectuais com relação aos avanços da ciência. Com pedaços de corpos sem vida, o Dr. Frankenstein cria um homem tão somente com o recurso à ciência. Talvez, Lobisomem se enquadre em ficção científica de suspense. Já não se pode dizer o mesmo com relação ao Conde Drácula, amaldiçoado por sua crueldade, e imortal até que seu segredo seja descoberto.
“Renascida do inferno” é um filme que discute as relações entre ciência e religião, mas é um filme de terror. Zoe é católica e namora Frank, cientista ateu. Zoe, em grego significa vida. Suas experiências no laboratório são filmadas por Eva, que, em hebraico, tem por significado “a que vive”, “a vivente”, “a que tem vida”, ou “cheia de vida”. O nome de Frank, um dos chefes da pesquisa, pode aludir a “Frankenstein”. O nome do projeto — “O Efeito Lázaro” —, sem dúvida é bíblico e sugestivo. Olivia Wilde, no papel de Zoe, domina o filme do princípio ao fim, tanto mostrando sua face normal quanto seu lado diabólico. Já Sarah Bolger, no papel de Eva, tem papel apagado no início do filme, só crescendo no final. Numa equipe de cientistas liderada por Frank e Zoe, procura-se recuperar pessoas em estado de coma profundo. Daí, em segredo, o grupo usa o laboratório para tentar a ressurreição de animais declaradamente mortos.
Com um soro inoculado no cérebro do cadáver e com estímulos elétricos de alta voltagem, tenta-se com sucesso, ressuscitar um cão. No princípio, ele se mostra dócil, mas começa a ter comportamento agressivo. A católica Zoe, sempre com seu crucifixo, indaga-se sobre o céu e o inferno dos cães. Terá ele retornado do inferno canino? Claro que uma pergunta como essa só pode arrancar risadas do ateu Frank.
O filme também mostra como a pesquisa nas universidades é norteada por poderosas empresas, que a dirigem para atender seu interesse imediatista. Sob pressão de interromper a pesquisa, a equipe dá prosseguimento a ela na clandestinidade e de forma oculta durante a última noite que lhe resta. É então que um acidente mata Zoe. Materialista, Frank não se conforma em perder sua amada tão jovem e de forma tão estúpida. Ela é ressuscitada, mas volta muito estranha à vida. Sua impressão é que, quando morta, ela mergulhou no inferno cristão. Parece que ela viveu o aterrorizante sonho que vem da sua infância e que parece se tornar realidade.
Retornando com superpoderes, ela os usa para matar seus companheiros de equipe. Quem escapará? Será que Eva, a que dá a vida, será salva do poder de destruição de Zoe, a vida, e agora a morte? Este é o primeiro filme de ficção de David Gelb, ainda com pouca currículo no cinema. Sua câmara é correta, embora não criativa e barata como “REC”, de Jaume Balagueró e Paco Plaza. Seu estilo no gênero é nitidamente norte-americano, com sustos provocados por cenas inesperadas. Mas ele começa bem em outro gênero que não o documentário, em que se saiu muito bem com “Jiro Dreams of Sushi”.
O Brasil vive a mais grave crise econômica e institucional da História recente, e a sociedade reage como é adequado em democracia, manifestando-se contra o roubo de dinheiro público, estelionato eleitoral e incompetência gerencial. Mas Dilma apenas conseguiu imaginar (aqui) bobagens como “golpismo” ou pretendido “terceiro turno” das eleições ou atribuir o panelaço de domingo a “terceiro turno” eleitoral.
Lorota
O panelaço protestou contra a roubalheira e um governo ruim, mas Dilma recorre à velha lorota de “ameaça de ruptura democrática”.
Começou a onda
Dilma subiu nas tamancas ao perceber que o panelaço de domingo (aqui) garante o êxito dos protestos do domingo que vem (15).
Ele não merece
Após mais de um mês sem ser recebido por Dilma, o porta-voz Thomas Traumann agora precisa virar papagaio de pirata para ser visto por ela.
Mercapedante
Quem tem Aloizio Mercadante como chefe da Casa Civil não precisa de oposição. E o ministro reagiu ontem com a arrogância de sempre, sem contribuir para amenizar o clima ou se aproximar dos parlamentares.
Desnorteados
Dilma e Mercadante, aquele que nas palavras de Lula “sequestrou o governo”, ficaram “feito baratas tontas”, segundo um assessor palaciano, com o impactante panelaço no domingo.
Nova derrota
O PMDB faz das derrotas impostas a Dilma sua principal diversão no Congresso. A sigla já aposta que derrubará, nesta quarta (11), o veto à Medida Provisória que corrige em 6,5% a tabela do imposto de renda.
Em um dos depoimentos da delação premiada, o doleiro Alberto Youssef disse que empreiteiras acusadas de desviar dinheiro da Petrobras fizeram pagamentos mensais de até R$ 70 mil à defesa dos ex-deputados José Janene (PP-PR) e Pedro Corrêa (PP-PE) no processo do mensalão. Os pagamentos foram intermediados pelo próprio Youssef. A revelação do doleiro indica que, num gesto de extrema ousadia, réus investigados na Operação Lava-Jato usaram um esquema de corrupção para escapar à punição em outro processo por corrupção.
Youssef falou sobre o assunto em dos depoimentos da delação premiada no dia 11 do mês passado. Um dos investigadores perguntou se o doleiro conhecia o advogado Eduardo Ferrão. O tema eram as relações entre o advogado, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) e o deputado Aníbal Gomes (PMDB-CE). Youssef disse que nada sabia dos vínculos entre Eduardo Ferrão e Renan Calheiros, mas conhece muito bem o advogado. Segundo ele, Ferrão fazia a defesa de Janene e Pedro Corrêa, réus no mensalão.
“Que questionado se conhece o escritório Ferrão, o declarante afirma que conhece, pois se trata de um escritório do advogado Eduardo Ferrão, que era advogado de José Janene no caso do mensalão e que também advogava para o Partido Progressista e para deputados deste partido”, disse Youssef. Para completar a afirmação, o doleiro disse que “fez vários pagamentos em dinheiro vivo, proveniente das empreiteiras, para pagar honorários que o advogado Ferrão, cobrava tanto do Partido Progressista quanto de José Janene e Pedro Corrêa”.
Youssef disse ainda que os pagamentos eram feitos no escritório do advogado em Brasília. “Que era entre 40 mil e 70 mil reais por mês”, sustenta. O doleiro foi chamado a prestar depoimento em fevereiro, depois da longa série de depoimentos da delação premiada do ano passado, para explicar detalhes sobre o envolvimento de parlamentares com fraudes na Petrobras. Na primeira série de depoimentos, o doleiro falou dos parlamentares de forma genérica.
Pelas investigações da Lava-Jato, Youssef era um dos chefes da distribuição da propina relacionada às fraudes em contratos de empreiteiras com a Petrobras. Segundo o Ministério Público Federal e a Polícia Federal, empreiteiras se socorriam do doleiro para fazer o dinheiro chegar a políticos, que davam apoio aos diretores e a outros funcionários corruptos da estatal.
Procurado pelo GLOBO, Ferrão confirmou os pagamentos mencionados por Youssef, mas disse que não conhece o doleiro. O advogado sustenta que foi advogado do PP de 2003 a 2007 e que, de fato, atuou na defesa de parlamentares do partido nos processos do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF) e no Conselho de Ética da Câmara. Neste período, ele recebia valores mensais. No início eram R$ 30 mil. Depois, os pagamentos chegaram a R$ 70 mil.
— Quem me pagava era o PP, de quem eu era advogado desde 2003. Se o dinheiro vinha dele (Youssef) eu não posso saber. Eu emitia notas para o PP – disse Ferrão.
O advogado disse que defendeu vários deputados bancados pelo PP. Na lista dos ex-clientes está também o ex-deputado Vadão Gomes. Ferrão não soube dizer, no entanto, como eram feitos os pagamentos. Esta parte estaria a cargo de uma outra pessoa.
— Não sei se eram transferências bancárias, cheque ou dinheiro vivo. Mas não teve nenhum pagamento que não teve nota emitida para o PP — disse o advogado.
Até onde vai o dólar? É a pergunta que ronda os investidores nas últimas semanas. Na abertura desta terça-feira, a moeda americana mostrou que tem força para subir mais um pouco. Já começou o pregão em R$ 3,168, na cotação máxima. Na segunda-feira, o dólar havia fechado em R$ 3,12.
A moeda americana não atingia esta cotação desde 14 de junho de 2004, quando fechou em R$ 3,17. No ano, a moeda já sobe mais de 19% e em 12 meses, mais de 34%.
A crise política continua no radar dos investidores, assim como a deterioração da economia. Com a alta do dólar os analistas já começam a rever projeções para inflação, crescimento do PIB e juros em 2015.
Na agenda política, um dos destaques do dia é a reunião entre o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), marcada para as 11 horas. Levy foi destacado pela presidente Dilma Rousseff para ajudar na reaproximação do Palácio do Planalto com Calheiros.
O mercado teme que sem esta aproximação o ajuste fiscal necessário nas contas públicas demore a acontecer. Incluído oficialmente na lista de investigados da Operação Lava Jato, o presidente do Senado definiu como estratégia atacar o Planalto, a quem acusa de influenciar o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, de abrir inquérito contra ele pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.
Ainda na manhã desta quarta-feira, a presidente Dilma Rousseff deve apresentar uma nova proposta em relação ao reajuste da tabela do Imposto de Renda. Ontem, em jantar com líderes do PT na Câmara e no Senado, ela pediu ajuda na aprovação das medidas de ajuste fiscal no Congresso e, segundo relatos dos presentes, admitiu que “vai ser uma proposta boa” com um novo índice de correção do IRPF. Porém, tal iniciativa tem forte impacto orçamentário e tende a realimentar incertezas em relação ao cumprimento da meta fiscal.
Rico não pode se manifestar. A não ser por escrito. Ou dentro de casa. Ou em pequenas reuniões com amigos. Sem fazer alarde.
Caso resolva aderir a uma manifestação de massa, saiba que a desqualificará. Seu lugar não é na rua protestando.
Se for visto na rua protestando poderá ser acusado pelo PT de ser golpista. Certamente o será.
Não há nenhum dispositivo na Constituição que proíba o rico de pensar e de dizer o que pensa, mas ele que suporte as consequências.
Da mesma forma o branco. Pior ainda se ele for branco e rico.
É fato que a elite branca e rica lucrou uma enormidade com os governos de Lula e de Dilma. E que os mais ricos e brancos da elite pressionaram Lula para que ele voltasse a ser candidato no ano passado.
Não importa. A eles deve apenas ser assegurado o direito de apoiar o PT. De preferência sem condições. E de financiar o PT tirando dinheiro do seu próprio bolso ou desviando recursos públicos.
Quantos negros e pobres você vê no comando das maiores empreiteiras envolvidas com a corrupção na Petrobras?
Só vê ricos e brancos. E todos parceiros do PT. Deram mais dinheiro para o PT ganhar as eleições do ano passado do que para outros partidos.
Bem, se além de rico e de branco o cidadão morar em São Paulo, aí qualquer margem de tolerância com ele deve ser abolida.
Dilma e o PT perderam feio em São Paulo. O candidato de Lula ao governo colheu ali uma votação humilhante.
O que venha de lá, portanto, não deve ser levado em consideração. Antigamente foi a saúva. Agora, o paulista rico e branco é a praga que mais infelicita o Brasil.
Quem sabe o Congresso não aprova alguma lei que desconsidere o voto de São Paulo na hora de se contar os votos para presidente da República?
O radicalismo da proposta talvez possa ser suavizado com a restrição ao voto apenas nos bairros povoados por uma maioria branca, rica e golpista.
Burgueses!
Há quanto tempo eu não enchia a boca para chamar de “burgueses” os adversários das mudanças sociais, que só fazem enriquecer à custa dos miseráveis.
É verdade que a maior parte dos miseráveis ascendeu socialmente e compra o que os brancos e ricos lhe oferecem. E que quanto mais ascenderem e comprarem, mais os brancos e ricos se tornarão mais ricos.
Mas esse é um dilema que a esquerda corporativa, ávida por emprego público e órfã de ideologia, não sabe ainda como resolver.
Fernando Henrique Cardoso usando a democracia irrefreável das redes sociais para responder com ironia ao fetichismo que Lula e o PT têm sobre ele
Por Eliane Catanhêde
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, principal líder do PSDB e, portanto, da oposição, já tem uma posição clara diante da crise: nem apoio ao impeachment, nem pacto com o PT. Em entrevista ao Estado, ontem, FHC disse que o horizonte mais provável é de que o governo “fique cozinhando o galo em fogo brando” nos próximos quatro anos. Mas ressalvou que, em política, “nada é impossível”. E criticou Lula: “Ele quer é acusar. Ele é o bom, nós somos os maus. Então, não há como dialogar com quem não quer dialogar”.
Como o sr. vê a situação hoje?
Como todo brasileiro, com muita preocupação. Sem esperança, não vendo uma saída. É um momento bastante sombrio.
A ponto de ter impeachment?
Impeachment não é uma coisa desejável e ninguém se propõe a liderar isso. O PT usa o impeachment para dizer que o PSDB quer, mas não é verdade. Impeachment é como bomba atômica, é para dissuadir, não para usar.
O panelaço de domingo (aqui) e a manifestação de 15 de março podem mudar alguma coisa?
Essa manifestação vai ser realmente grande, mas é produto das redes sociais, de vários setores da sociedade, independentes uns dos outros, por motivos diferentes. E totalmente independente dos partidos.
Dá para comparar com 2013?
Sociologicamente, vai ser uma comparação interessante. Em 2013, era contra tudo, agora é direcionada contra o governo. Mas vamos esperar para ver. O PSDB faz bem em não chamar para a rua. A rua, neste momento, não é dos partidos, é do povo. É o povo que vai para a rua.
Se as manifestações forem num crescendo, o sr. não vê horizonte de impeachment?
Eu não posso dizer que seja impossível, porque as coisas não são assim em política. Mas o horizonte mais provável não é que vá para esse lado. A conexão (de Dilma) com o Collor é que ele não sabia como manejar com o Congresso. Mas só nisso.
E o peso da Petrobras na crise?
É muito grande. A Petrobras é uma empresa vital para o Brasil. A despeito das intrigas do PT, sobretudo do Lula, de que queríamos privatizar a Petrobrás, isso tudo era uma grande mentira. Não cabe privatizar a Petrobrás. Cabe, sim, despolitizá-la, despartidarizar a Petrobrás.
Como o sr. vê agora a venda de R$ 39 bilhões em ativos?
Vai vender na bacia das almas, no pior momento. Isso, sim, é contra o interesse da Petrobrás e do Brasil. No limite, a crise real é política, é de confiança. Sem confiança, não se cria esperança. Sem esperança, a recessão é só recessão, o ajuste é só o ajuste, só um mal estar.
Na TV, a presidente disse que tudo isso é passageiro, até o final do ano. Há condições?
A quebra de confiança foi grande. Não se refaz do dia para a noite.
E a crise no Congresso?
O governo criou caso com a própria base, então fica difícil. A presidência do Senado devolveu a medida provisória das desonerações. Foi um ato de rebeldia e força. É um sinal de que o processo congressual está descontrolado e não vejo como este governo tenha como reagir à altura. É muito ruim que o governo não reconheça nenhum erro.
Foi o FHC! É patético, mas eu fico até envaidecido, porque, depois de mais de 12 anos, eu até fico pensando: “Meu Deus, que força que eu tive!”
O envolvimento de 47 políticos na Lava Jato (aqui) ajuda o Planalto?
De certo ponto, sim. Mas acho que o importante para o Planalto é dar eficiência ao Congresso, para conseguir as votações do ajuste. Isso não dá eficiência ao Congresso, muito pelo contrário. Dá é paralisia.
Alguma comparação histórica com o momento atual?
Eu só vi uma situação parecida em 1963, quando houve um descolamento entre o Congresso e o governo, e o governo foi perdendo a capacidade de governar. Quando o Congresso percebe que o Executivo não tem agenda, está tonto, fazendo uma agenda que não é a dele, o Congresso fica mais inerte. E, se você perde a força aqui, você perde a força no mundo.
Alguma conexão com Collor?
Não creio. A conexão com o Collor é que ele não sabia como manejar com o Congresso, não tinha amor pelo Congresso, ficava isolado. Nesse sentido, há alguma similitude, mas só nisso. Na época, a sociedade sancionou o impeachment, Collor não reagiu e os partidos tinham condição de operar a transição. Não vejo a mesma coisa hoje.
Não para o PSDB, mas para a oposição. O PMDB já está na oposição e com razão. Que ministérios eles têm? Qual o peso deles? Não tem. O PMDB não participa da negociação política, das decisões do governo.
O senador Aloysio Nunes fala em “deterioração controlada” nos próximos quatro anos. Se as ruas são movidas pelas redes sociais e faltam lideranças políticas, quem pode controlar o quê?
O PSDB está digerindo a crise, tentando entender até onde vai ela. O que ele quis dizer é que não haverá uma ruptura, as coisas vão ficando mais desengonçadas, mas se mantêm.
Quatro anos não é muito?
É uma possibilidade. Nós já vimos outras fases assim, quando os governos vão cozinhando o galo em fogo brando. A novidade é que a sociedade está mais inquieta, mais ativa. Se os partidos e os líderes políticos não responderem, eles perdem força. Um desafio para todos nós.
Na redemocratização, no Collor, nos momentos graves, havia grandes líderes no Congresso, na sociedade, no empresariado, na Igreja, na área militar. E hoje?
Esse ponto é muito importante. A crise hoje não é só dos partidos, é mais ampla. Você tem dificuldade até de diálogo com a sociedade. Um exemplo. No passado, você tinha cardeais que sabia o nome, conhecia pessoalmente, como o d. Paulo. Até hoje, você fala e todo mundo sabe quem são. Agora, não. E isso vale para a OAB, ABI. A UNE virou departamento de um partido. Mesmo na área empresarial, não vejo quem são as lideranças com quem você possa dialogar num momento como este.
No Congresso, não é pior? Os presidentes da Câmara e do Senado estão sendo investigados.
Bem, até que esses dois atuam e, no próprio PSDB, raramente nós tivemos uma bancada de senadores tão poderosa. Só não sei no que vai dar tudo isso da Lava Jato. E tem uma coisa: a circunstância é que faz as lideranças. O desafio é tão grande que vai empurrar as lideranças, senão para controlar a onda, porque às vezes é impossível, pelo menos surfar nela.
A inclusão do senador Anastasia enfraquece o PSDB?
Ele foi posto lá para isso.
Por quem, presidente?
Ora, quem? O responsável final é o procurador. A acusação é vaga, parece história da carochinha. Se encontrarem, vale aquilo: errou, pagou. Mas acho que não vai chegar a isso.
Qual a viabilidade de conversas entre o sr. e o ex-presidente Lula (aqui) e de um pacto PT-PSDB?
Qual seria o significado de um encontro meu com o presidente Lula? Ele tem que, primeiro, pacificar lá a situação do partido dele. E qual é a pauta? Nunca me neguei a discutir uma pauta. Agora, essa discussão não pode ser um conchavo, tem que ser uma discussão sobre como melhorar a situação política, econômica e social. Quais são os itens? Dá para convergir? Não dá? Mas a visão do presidente Lula não é essa, ele quer o contrário, quer acusar. Ele quer dizer quem são os bons, quem são os maus. Ele é o bom, nós somos os maus. Então, é quase impossível. Não há como dialogar com quem não quer dialogar.
E a convocação que ele fez (aqui) ao “exército do Stédile”?
É uma retórica preocupante, porque quem foi presidente da República não tem o direito de brincar com questões sérias. Convocar para a briga e menosprezar inclusive o Exército (aqui), porque citou um outro exército, é indesculpável. Todo mundo está vendo o que está acontecendo aqui. Um descalabro.
A crise pode dividir o Brasil como na Venezuela?
Espero que não e espero que aqui não seja meio a meio. Se o Lula insistir na divisão, ele vai ficar com 20%.