Segundo turno naquilo que o Planalto mais temia: corrupção e economia

Vaca da corrupção

 

Economista Rogério Furquim Werneck
Economista Rogério Furquim Werneck

Embate em torno da corrupção e da economia

Por Rogério Furquim Werneck

 

Era o que PT mais temia. O embate do segundo turno da eleição presidencial deverá ser travado em torno de dois temas espinhosos, que o Planalto vinha tentando evitar a todo custo: a corrupção e o desempenho da economia. No domingo, mal finda a apuração, o ex-presidente Lula foi o primeiro a reconhecer que essa será a temática dominante do segundo turno. Quanto a isso, o PT já não alimenta ilusões.

Nas denúncias de corrupção, o foco da oposição deverá estar centrado nas irregularidades que vêm aflorando na Petrobras. Os primeiros resultados das investigações em curso já causaram sérios danos ao projeto da reeleição. Mas o pior é que tudo indica que ainda há muito mais por aflorar, na esteira dos depoimentos do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, feitos no quadro de um acordo de delação premiada.

Ao asseverar que, como presidente do Conselho de Administração da Petrobras, jamais tomou conhecimento de qualquer irregularidade, durante a longa permanência de Paulo Roberto Costa na diretoria da empresa, a presidente Dilma teve de incorrer em grande desgaste adicional da sua já erodida imagem de administradora competente e diligente, tão habilmente vendida ao eleitorado na campanha de 2010.

A apreensão do governo com os depoimentos de Paulo Roberto Costa aumentou muito, desde que o ministro Teori Zavascki os considerou suficientemente plausíveis e promissores para que fosse homologado o acordo de delação premiada oferecido ao ex-diretor da empresa. Especialmente importante para a homologação foi o fato de tais depoimentos mencionarem nada menos que 32 parlamentares potencialmente envolvidos, com direito a foro especial no Supremo Tribunal Federal. Na quarta-feira, Paulo Roberto Costa revelou que parte dos recursos desviados bancou gastos de campanha em 2010.

Há indagações básicas sobre o faraônico projeto da Refinaria Abreu e Lima que, dificilmente, poderão continuar sem resposta no segundo turno. Uma questão crucial, que precisa ser elucidada, é como exatamente a decisão de ir em frente com o projeto da refinaria foi imposta pelo Planalto à Petrobras, mesmo depois de ter seu corpo técnico alertado que o estudo de viabilidade econômico-financeira indicava que a decisão seria lesiva à empresa, como mostra matéria publicada no GLOBO em 23 de junho.

Dilma tem plena consciência de que está fadada a enfrentar sérias dificuldades no embate em torno das irregularidades que afloraram na Petrobras. Mas também sabe que o outro tema que deverá dominar o segundo turno tampouco lhe será fácil.

No embate sobre o desastroso desempenho da economia nos últimos quatro anos, Dilma entra de mãos vazias. Afora o desemprego ainda baixo, tem pouco ou nada a mostrar, como bem ilustram os dados deste final de mandato: taxa de juros mais alta do que no início do governo, preços de energia represados, inflação de 6,75%, bem acima do teto de tolerância da meta, resultado primário tendendo a zero, contas externas seriamente desequilibradas e economia estagnada.

Diante dessa penúria de resultados apresentáveis, o melhor que a campanha de Dilma conseguiu urdir foi uma mistificação e um truque. De um lado, a candidata insiste em atribuir o fiasco a um suposto agravamento da crise econômica mundial. De outro, tenta camuflar o desastre dos últimos quatro anos, diluindo-o nos oito anos do período Lula. A ideia é vender ao eleitor um pacote fechado de “12 anos de governo petista”, ainda que, da perspectiva da condução da política macroeconômica, esse “três em um” encerre mandatos presidenciais muito distintos.

No primeiro mandato, Lula seguiu de perto a política que vinha sendo adotada por FH. No segundo, coadjuvado por Dilma Rousseff, embarcou na aventura charlatanesca da “nova matriz macroeconômica”, cujos frutos amargos estão sendo agora colhidos nesse terceiro mandato. Não obstante todo o esforço de camuflagem do desastroso desempenho da economia dos últimos quatro anos, é na denúncia dessa colheita amarga que a oposição deverá centrar fogo no segundo turno.

 

Publicado aqui, na globo.com

 

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Ponto final — Aécio larga na frente em pesquisas que o deixaram para trás

Ponto final

 

Aécio sai na frente

Se a primeira consulta ao segundo turno presidencial, divulgada (aqui) na quinta pela revista Época, foi muito questionado por ter sido encomendada ao desconhecido instituto Paraná Pesquisas, a dianteira de Aécio Neves (PSDB) nela revelada acabou confirmada ontem, nas amostragens do Datafolha e Ibope (aqui). Bem verdade que a vantagem isolada do tucano sobre a presidente na primeira pesquisa, com 54% a 46% dos votos úteis, se revelou um empate técnico nas duas amostragens de ontem, com ligeira vantagem de 51% a 49% a favor de Aécio.

 

Erros nas pesquisas

Por certo, as últimas pesquisas cometeram erros grosseiros. Na disputa do primeiro turno ao governo do Rio, a consulta na boca de urna do Ibope (aqui) deu 34% para Luiz Fernando Pezão (PMDB), 28% para Anthony Garotinho (PR) e 18%, para Marcelo Crivella (PRB). Depois dos votos computados, Pezão teve 40,57%, quase seis pontos percentuais a mais, enquanto Garotinho, com 19,3%, ficou quase 10 pontos abaixo da projeção. O único dentro da margem de erro foi Crivella, que ganhou acesso ao segundo turno com 20,26%, além do político da Lapa como seu novo cabo eleitoral.

 

Delírio de olhos abertos

Dados a teorias da conspiração, na qual enxergam tentativa de golpe numa imprensa que cumpre seu direito constitucional de noticiar os casos de corrupção nos governos Lula e Dilma, como o Mensalão ou os mais recentes desvios bilionários da Petrobras, muitos petistas certamente enxergarão manipulação nessas primeiras pesquisas do segundo turno. Pode ser da imprensa golpista, dazelite, do mercado financeiro, da CIA, ou da soma de todos. Afinal, como não se deve acordar sonâmbulo, tampouco é aconselhável se chamar bruscamente à realidade quem delira de olhos abertos.

 

Erros a favor de Dilma

Entretanto, para quem é capaz de somar dois mais dois e achar o quatro ao final, a verdade é que Datafolha e Ibope realmente erraram em suas últimas pesquisas no primeiro turno (aqui). Só que a favor de Dilma e em gritante desfavor a Aécio. Entre os dois, o Datafolha deu  44% a 26% a para a presidente, enquanto o Ibope deu a ela a vantagem de 46% a 27%. Já as urnas deram a Dilma 41,59%, menos do que as duas pesquisas, mas dentro da margem de erro de dois pontos para mais ou menos. Por sua vez, Aécio ficou com 33,35%, sete pontos a mais do que lhe deu o Datafolha e seis acima do Ibope.

 

Os tiros e a culatra

Envolvido até o pescoço no escândalo da Petrobras (aqui), com o que foi revelado no depoimento do seu ex-diretor Paulo Roberto Costa e do doleiro Alberto Youssef, o PT, assim como PMDB e PP, foi diretamente acusado de usar dinheiro desviado da estatal para financiar a campanha eleitoral de 2010, quando Dilma se elegeu presidente. Insistir em responder a isso com a tentativa de dividir o Brasil entre ricos e pobres, esquerda e direita, sulistas e nordestinos, depois do massacre covarde perpetrado contra a ex-petista Marina Silva (PSB), pode acelerar ainda mais a corrosão da culatra na hora do tiro.

 

Publicado hoje da Folha

 

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Ibope e Datafolha: Aécio lidera em empate técnico de 46% a 44% com Dilma

Ibope Aécio x Dilma

 

Pesquisa Ibope divulgada nesta quinta-feira (9) aponta os seguintes percentuais de intenção de voto no segundo turno da corrida para a Presidência da República:
– Aécio Neves (PSDB): 46%
– Dilma Rousseff (PT): 44%
– Branco/nulo/nenhum: 6%
– Não sabe: 4%

A pesquisa foi encomendada pela TV Globo e pelo jornal “O Estado de S. Paulo”.

Na margem de erro, os candidatos estão empatados tecnicamente. É o primeiro levantamento divulgado pelo instituto no segundo turno da eleição presidencial.

Votos válidos

Se forem excluídos os votos brancos e nulos e dos eleitores que se declaram indecisos, mesmo procedimento utilizado pela Justiça Eleitoral para divulgar o resultado oficial da eleição, os índices são:
Aécio – 51%
Dilma – 49%

Na margem de erro, os candidatos estão empatados tecnicamente.

O Ibope ouviu 3.010 eleitores em 205 municípios de 7 e 8 de outubro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%, o que quer dizer que, se levarmos em conta a margem de erro de dois pontos, a probabilidade de o resultado retratar a realidade é de 95%. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-01071/014.

1º turno
No primeiro turno, Dilma teve 41,59% dos votos válidos e Aécio, 33,55% (veja os números completos da apuração no país).

 

Info Aécio x Dilma Datafolha

 

Pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (9) aponta os seguintes percentuais de intenção de voto no segundo turno da corrida para a Presidência da República:

– Aécio Neves (PSDB): 46%
– Dilma Rousseff (PT): 44%
– Branco/nulo: 4%
– Não sabe/não respondeu: 6%

A pesquisa foi encomendada pela TV Globo e pelo jornal “Folha de S.Paulo”.

Na margem de erro, os candidatos estão empatados tecnicamente. É o primeiro levantamento divulgado pelo instituto no segundo turno da eleição presidencial.

Votos válidos
Se forem excluídos os votos brancos e nulos e dos eleitores que se declaram indecisos, mesmo procedimento utilizado pela Justiça Eleitoral para divulgar o resultado oficial da eleição, os índices são:
Aécio – 51%
Dilma – 49%

Na margem de erro, os candidatos estão empatados tecnicamente.

Datafolha ouviu 2.879 eleitores nos dias 8 e 9 de outubro. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%. Isso significa que, se forem realizados 100 levantamentos, em 95 deles os resultados estariam dentro da margem de erro de dois pontos prevista. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-01068/2014.

1º turno
No primeiro turno, Dilma teve 41,59% dos votos válidos e Aécio, 33,55% (veja os números completos da apuração no país).

 

Publicado aqui, no G1

 

Atualização às 20h57: a Folha Online, em resumo do jornalista Arnaldo Neto, foi a primeira na planície goitacá virtual a publicar aqui as duas novas pesquisas, depois resumidas nesta mesmo postagem.

 

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A “classe trabalhadora” votou contra o “Partido dos Trabalhadores”

 

Demétrio Magnoli
Sociólogo Demétrio Magnoli

Dois Brasis, quase

Por Demétrio Magnoli

 

“Os dois Brasis” — o título é célebre; o autor, pouco conhecido. Publicada em 1957, nos anos áureos de JK, a obra do francês Jacques Lambert contrapunha o “novo” ao “arcaico”, esboçando os rumos de uma modernização pela qual o primeiro contaminaria o segundo até dissolvê-lo no caldo do progresso. A linguagem binária da sociologia do desenvolvimento, um eco de polaridades antigas (litoral versus sertão, cidade versus campo), projetava-se como geografia econômica: Sudeste versus Nordeste. Mais de meio século depois, a tese dualista parece se refletir como mapa eleitoral: Aécio triunfou no Centro-Sul; Dilma, no Norte-Nordeste.

A hegemonia lulopetista na “sua” região é avassaladora. Na Bahia, Dilma obteve 61% dos votos; no Ceará, 68%; no Maranhão e no Piauí, 70%. As derrotas coagulam singularidades: Pernambuco, terra de Eduardo Campos, escolheu Marina, assim como o Acre, terra de Marina; Roraima, estado de colonos traumatizados pela política indígena, sufragou Aécio. O Brasil que depende do poder central, das transferências públicas, dos programas de renda, teme a mudança. Lambert tinha razão? Não: a modernização reiterou o arcaísmo, atualizando-o.

A fronteira entre os “dois Brasis” atravessa o Centro-Sul. São Paulo deu a Aécio 29% de sua votação nacional. O tucano levou o Sul, mas não o Rio Grande do Sul, triunfou em todo o Centro-Oeste e venceu no Espírito Santo — mas perdeu no Rio de Janeiro e em Minas Gerais. É que a “fronteira lambertiana” passa dentro dos estados. O Norte de Minas Gerais, cujos indicadores sociais assemelham-se aos do Nordeste, inclinou-se em massa para Dilma, tanto quanto a deprimida “Metade Sul” do Rio Grande do Sul. No Rio de Janeiro, Aécio levou a capital e a Região Serrana, enquanto Marina levou Niterói, mas Dilma ficou com a Baixada Fluminense e o interior do estado. Até em São Paulo a presidente-candidata obteve vitórias esparsas, quase restritas aos municípios pobres do Pontal do Paranapanema e do Vale do Ribeira.

O PT nasceu e cresceu nas grandes cidades do Centro-Sul, entre os jovens, a classe média e os trabalhadores qualificados, mas trocou de eleitorado depois de chegar ao poder. Hoje, esse universo é terra estrangeira para o lulopetismo: todas as capitais do Sudeste, do Sul e do Centro-Oeste alinharam-se com Aécio. Somados, Aécio e Marina tiveram algo entre 70% e 80% dos votos de São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba e Brasília. No Nordeste, pelo contrário, entre as cidades mais importantes, Dilma só perdeu em Recife, Caruaru e Maceió (para Marina) e em Campina Grande, polo tecnológico e acadêmico (para Aécio). Os principais centros industriais viraram as costas ao PT, que perdeu no ABC Paulista, seu berço original, em Volta Redonda, no cinturão siderúrgico mineiro e na maioria das cidades manufatureiras do Sul. A “classe trabalhadora” vota contra o “Partido dos Trabalhadores”.

Nos polos opostos do espectro político, sob as lentes do dualismo, emergem interpretações eleitorais rasteiras. “Luta de classes”, diz uma esquerda caricata, oportunamente esquecida de que a antiga Arena tinha suas fortalezas eleitorais nas regiões e camadas mais pobres. “Desinformação”, replica uma direita primitiva, incapaz de entender as assimetrias da razão: a lógica dos outros. A rígida divisão regional do mapa eleitoral não é uma boa notícia política, mas o problema real se expressa nesse tipo de leituras do cenário nacional.

Há um mês, em entrevista à “Folha de S.Paulo”, o presidente da Vale, Murilo Ferreira, um preposto do lulismo alçado pelo bloco acionário composto pelo BNDES e pelos fundos de pensão, ecoou a melodia da campanha de Dilma atribuindo as críticas ao governo a empresários rancorosos “da Faria Lima”. São Paulo esteve, ao lado de Porto Alegre, entre os primeiros grandes municípios administrados pelo PT, de 1989 a 1993 — e, depois de Luiza Erundina, voltou a eleger uma prefeita petista, Marta Suplicy, em 2001. O antipetismo registrado na onda de votos em Aécio não é um dado inerente aos paulistas, mas o fruto de uma longa experiência política. O núcleo central do empresariado, constituído por bancos, empreiteiras e companhias financiadas pesadamente pelo BNDES, dirigiu a maior parcela das doações legais de campanha para a presidente-candidata. A “elite branca paulista” é um álibi, tecido com a linguagem abominável da raça, para justificar o recuo do lulopetismo rumo ao Norte-Nordeste.

Na outra ponta, o mapa do voto é um convite à irrupção do preconceito antinordestino, que associa os sufrágios em Dilma à “ignorância” e ao “cabresto”. Não há nada de surpreendente na circunstância de que as escolhas eleitorais da população de escolaridade e renda inferiores são atraídas pela força gravitacional do poder de Estado. No passado, o tradicional voto de cabresto beneficiava os “coronéis”, chefes políticos locais que intercambiavam apoio eleitoral por favores pessoais, derramando dentaduras entre os habitantes de seus “currais”. O Bolsa Família não é uma “bolsa esmola”, como o qualificou Lula quando, nos idos do governo FH, ainda se chamava Bolsa Escola. O voto nas políticas de renda distingue-se positivamente do antigo voto de cabresto pois circunda os “coronéis”, inscrevendo-se de algum modo no campo do debate público sobre as políticas de combate à pobreza.

O conceito de “dois Brasis” é uma explicação sedutora, mas superficial, da cena eleitoral reiterada no domingo. Os “dois Brasis” estão em todas as regiões, como provam Minas Gerais, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. Além disso, crucialmente, a meta de superação da pobreza forma uma ponte política entre os “dois Brasis”, como prova o triunfo eleitoral de Lula em 2002, obtido com os votos majoritários do Centro-Sul, inclusive de São Paulo. Tanto um Brasil como o outro merecem mais que a exumação oportunista de uma ossada sociológica.

 

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Começa o segundo turno a presidente do Brasil e… gol da Alemanha!!!

 

Jornalista Ricardo Noblat
Jornalista Ricardo Noblat

Na abertura da campanha no segundo turno, Aécio vence Dilma por 7 a 1

Por Ricardo Noblat

 

Onde Dilma começou melhor do que Aécio a campanha do segundo turno da eleição presidencial deste ano?

Na Paraíba, talvez, com o apoio do candidato do PSB ao governo. Mesmo assim se ele derrotar Cássio Cunha Lima, candidato do PSDB ao governo.

Aécio deu uma goleada de 7 a 1 em Dilma.

Ganhou o apoio de Eduardo Jorge, candidato do PV a presidente. E do PV.

Do pastor Everaldo, e do PSC.

Do PSB de Marina. E da própria Marina que anunciará, hoje, seu apoio a Aécio.

Da parte sadia do PMDB – Jarbas Vasconcelos (PE), Pedro Simon (RS) e o candidato do PMDB ao governo, favorito para vencer o segundo turno, José Ivo Sartori.

E da parte boa do PDT – Cristovam Buarque (DF), José Reguffe (DF) e Pedro Taques, eleito governador do Mato Grosso.

Luciana Genro imaginou levar o PSOL para o lado de Dilma. O PSOL preferiu se manter neutro.

No dia em que tudo isso aconteceu, Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, contou à Justiça do Paraná que o esquema de corrupção da empresa financiou campanhas do PT, PMDB e PP.

E a ex-contadora do doleiro Alberto Yousseff, também preso, revelou à CPI da Petrobras que o PT repassou repassou dinheiro para Enivaldo Quadrado pagar a multa imposta pelo Supremo Tribunal Federal na condenação do esquema do mensalão.

Dono da corretora Bônus-Banval, Quadrado foi condenado por lavagem de dinheiro.

Está bom ou quer mais?

Dilma e Aécio baterão de frente na próxima terça-feira durante o primeiro debate entre os presidenciáveis promovido pela Rede Bandeirantes de Televisão.

 

Publicado aqui, no Blog do Noblat

 

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Ponto final — Chumbo grosso no segundo turno para presidente e governador

Ponto final

 

Os petistas de Crivella

Passado o pacto anunciado desde antes do primeiro turno (aqui), entre Marcelo Crivella (PRB) e Anthony Garotinho (PR), o dia ontem foi cheio de novidades verdadeiras nas alianças ao segundo turno, seja na disputa ao governo do Estado do Rio ou da República. Na primeira, o sobrinho de Edir Macedo recebeu o apoio do ex-candidato a governador Lindberg Farias e do presidente regional do PT, Washington Quaquá, prefeito de Maricá. Aos dois coube o leme no naufrágio estadual do partido em 5 de outubro, seguindo o mapa impreciso traçado pelo ex-presidente Lula.

 

O PT com Pezão

Enquanto isso, a grande maioria dos petistas fluminenses que tem mandato, manteve ou conquistou o seu nas urnas do último domingo, preferiu optar (aqui) pelo apoio ao governador Luiz Fernando Pezão (PMDB). Além de todos os nove prefeitos do partido no Estado, à exceção décima e única de Quaquá, sete dos 11 deputados federais e estaduais eleitos, e 20 vereadores embarcaram na barca Niterói/Rio capitaneada pelo prefeito Rodrigo Neves, desde quando alguém ainda acreditava na candidatura de Lindberg.

 

NF também

Com o vereador Marcão e a ex-prefeita Carla Machado, PT campista e sanjoanense também se fizeram representar ontem no Rio, no ato de adesão em massa da legenda a Pezão. Um dos coordenadores da sua campanha em Campos, o também vereador Nildo Cardoso (PMDB) bateu ponto no evento. Pouco depois, na sede do PT goitacá, Makhoul Moussallem, ex-candidato a deputado federal e a prefeito pelo partido, ecoou na noite o apoio ao candidato pemedebista a governador.

 

Crivellinho x Pinóquio

Em um lado da disputa e no outro também, tudo isso foi depois do debate acirrado entre Pezão e Crivella (aqui), primeiro do segundo turno fluminense, promovido no início da tarde pela revista Veja. Enquanto o primeiro mandou o segundo “tomar cuidado ao defender Garotinho”, batizando a nova dupla político-evangélica de “Crivellinho”, o candidato do PRB comparou Pezão a Pinóquio, com a distinção de que este cresceria o pé, no lugar do nariz, a cada nova mentira.

 

Reciprocidade

No ato de adesão do PT estadual à sua candidatura, Pezão deu a contrapartida federal, garantindo que votou em Dilma Rousseff no primeiro turno e a apoiará no segundo. Pelo sim, pelo não, os deputados pit bulls do PMDB fluminense Eduardo Cunha (federal) e Jorge Picciani (estadual) não deram as caras no evento. Ficam ambos de sobreaviso, tanto para rosnar e morder, caso a presidente se engrace muito com Crivella, quanto para guiar nas trilhas da mata tucana, caso se abra clareira à vitória de Aécio Neves (PSDB).

 

Apoios de Aécio

Foi Aécio que ontem saiu na frente (aqui) na busca dos reforços necessários para conquistar a vitória no segundo tempo do jogo mais disputado à presidência desde 1989. O sobrinho de Tancredo Neves (1910/85) conseguiu o apoio do progressista Eduardo Jorge e seu PV, assim como do conservador Pastor Everaldo e seu PSC. Isso sem contar o PSB do falecido Eduardo Campos, enquanto Marina Silva ficou hoje de dar vida à sua posição.

 

Chumbo grosso

Em contrapartida, apesar da neutralidade do Psol, a ex-presidenciável Luciana Genro deu aos seus eleitores dois caminhos, o do voto nulo ou em Dilma, rumo ao mesmo destino em 26 de outubro: “Aécio, não!”. Tudo isso somado ao fato de que a primeira consulta popular do segundo turno presidencial, encomendada pela conhecida revista Época ao obscuro instituto Paraná Pesquisas, também divulgada ontem, deu (aqui) o tucano na frente com 54% contra 46% dos votos úteis contra Dilma, só dá uma certeza: vem chumbo grosso por aí!

 

 

Publicado hoje na Folha

 

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Pezão recebe apoio e diz: “Sem o PT, senti que estava faltando algo de mim”

PT do prefeito de Niterói, Rodrigo Neves, e do vereador Marcão apoia Pezão a governador (foto: divulgação)
PT do prefeito de Niterói, Rodrigo Neves, e do vereador Marcão apoia Pezão a governador (foto: divulgação)

 

A jornalista Suzy Monteiro já havia antecipado aqui: “PT: Prefeitos com Pezão, Lindberg com Crivella”. Mas no evento que acabou agora há pouco, no auditório do Hotel Guanabara, no Centro do Rio de Janeiro, o apoio do PT fluminense ao governador Luiz Fernando Pezão foi muito além. Dos 10 prefeitos petistas no Estado do Rio, apenas o presidente regional do partido, Washington Quaquá, de Maricá, ficou com o candidato Marcelo Crivella (PRB). Os outros nove, liderados por Rodrigo Neves, prefeito de Niterói, que sempre esteve com Pezão, mesmo quando o senador Lindberg Farias ainda era candidato do PT ao Palácio Guanabara, fecharam com seu atual ocupante. E seguiram o mesmo destino dois dos cinco deputado federais (Luiz Sérgio e Chico D’Ângelo) e cinco dos seis deputados estaduais eleitos em 5 de outubro pelo partido da presidente Dilma Rousseff.

O PT da região também fechou fileiras com Pezão no segundo turno, representado por seu vereador em Campos, Marcão, e pela ex-prefeita de São João Barra, Carla Machado, como o jornalista Alexandre Bastos noticiou aqui. Representando os 20 vereadores do PT fluminense presentes ao evento, Marcão teve lugar na mesa principal, junto de Pezão, do prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB); do deputado estadual reeleito Carlos Minc e de Chico D’Ângelo. Em agradecimento ao apoio maciço dos petistas fluminenses, o governador e o prefeito do Rio garantiram que votaram em Dilma no primeiro turno e declararam seu apoio à reeleição da presidente no segundo. Ao discursar, Pezão disse: “Sem o PT, senti que estava faltando um pedaço de mim”.

Quem também prestigiou o evento foi outro vereador campista, Nildo Cardoso (PMDB). Em Campos, numa coletiva marcado para daqui a pouco, às 19h, na sede municipal do PT, o ex-candidato a deputado federal e a prefeito pelo partido, Makhoul Moussallem, também vai anunciar seu apoio a Pezão, como o colunista Murillo Dieguez antecipou na edição da Folha de ontem.

 

Marcão entre quem já estava com Pezão desde o início: Rodrigo Neves e Nildo Cardoso (foto: divulgação)
Marcão entre quem já estava com Pezão desde o início: Rodrigo Neves e Nildo Cardoso (foto: divulgação)

 

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Primeira pesquisa do segundo turno: Aécio lidera com 54%, contra 46% de Dilma

Aécio Neves (PSDB) largou na frente da presidente Dilma Rousseff (PT) neste início da campanha de segundo turno nas eleições presidenciais deste ano. É o que mostra uma pesquisa feita com exclusividade para ÉPOCA, pelo instituto Paraná Pesquisas. Se a eleição fosse hoje, Aécio teria 49% das intenções de voto contra 41% de Dilma. Não sabe ou não responderam somam 10%. Em votos válidos, Aécio tem 54%, e Dilma, 46%. Na pesquisa espontânea, em que não são apresentados os candidatos, Aécio tem 45%, e Dilma, 39%.

 

Época

 

O instituto Paraná Pesquisas entrevistou, entre a segunda-feira (6) e esta quarta-feira (8), 2.080 eleitores. Foram feitas entrevistas pessoais com eleitores maiores de 16 anos em 19 Estados e 152 municípios. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral, sob o número BR 01065/2014. O nível de confiança da pesquisa é de 95%, com uma margem de erro de 2,2% para mais ou para menos. Isso significa que a probabilidade de a realidade corresponder ao resultado dentro da margem de erro é de 95%. Se a eleição fosse hoje, a votação de Aécio variaria, portanto, de 52% a 56%; e a de Dilma, de 44% a 48% dos votos válidos.

>> Saiba tudo sobre as Eleições 2014

“Podemos afirmar que Aécio Neves inicia o segundo turno com uma boa vantagem, porque herdou mais votos de Marina Silva (a terceira colocada). Vamos ver como o eleitor se comportará após o início do horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão”, afirma o economista Murilo Hidalgo, presidente do Paraná Pesquisas.

>> As diferenças dos programas de Aécio e Dilma

A pesquisa também avaliou a rejeição dos candidatos. Dilma Rousseff é rejeitada por 41%. Outros 32% afirmaram que não votariam em Aécio “de jeito nenhum”. Apenas 16% disseram que não rejeitam nenhum dos candidatos, e 8% não souberam ou não quiseram responder. De acordo com Hidalgo, a rejeição é sempre um fator fundamental em eleições de segundo turno.

>> A quem interessa insistir na desconstrução de Marina Silva?

No quesito escolaridade, Dilma é a preferida dos eleitores com apenas o ensino fundamental. Ela tem 46% das intenções, ante 45% de Aécio. Entre os eleitores com ensino superior completo, Aécio lidera com 55% das intenções, e Dilma apresenta 34%. Aécio também está na frente no eleitorado feminino, com 50% das intenções de voto, ante 40% de Dilma. Entre os homens, Aécio tem 47% das preferências, para 43% de Dilma.

>> Infográfico: A votação presidencial por Estado

A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral, sob o número BR 01065/2014 e 2.080 eleitores do dia 6 ao dia 8 de outubro.

 

Publicado aqui, no site da revista Época.

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“Chega de PT” ou “Mais PT”? Você decide!

urna teclado

 

Jornalista Elio Gaspari
Jornalista Elio Gaspari

No segundo turno, um plebiscito

Por Elio Gaspari

 

A doutora Dilma vai para o segundo turno sem uma plataforma clara. Em junho, durante a convenção do PT para anunciar um “Plano de Transformação Nacional”, no qual, além de generalidades, ela prometeu uma reforma dos entraves burocráticos e um projeto de universalização do acesso à banda larga. Como? Não explicou. No seu lugar, entraram autolouvações e manobras satanizadoras contra os adversários. Delas, a mais mistificadora é aquela que confunde os oito anos de Fernando Henrique Cardoso com uma ruína econômica e social. Foi o período de esplendor da privataria, época em que um hierarca do Ministério do Trabalho dizia que o aumento do número de brasileiros sem carteira assinada era uma boa notícia, mas deve-se ao tucanato algo muito maior: o restabelecimento do valor da moeda. Sem isso, Lula, Dilma e o PT não teriam conseguido quaisquer avanços sociais. Por questão de justiça, reconheça-se que o DNA demofóbico de parte do tucanato seria um obstáculo para que fizesse o que Lula fez.

A ideia segundo a qual o PT precisa continuar no poder porque no poder deve continuar é pobre e pode funcionar como uma armadilha. Na noite de domingo, a doutora Dilma afirmou que o “povo brasileiro vai dizer que não quer os fantasmas do passado de volta”. Pode ser, desde que se entenda que o Brasil de FHC foi um castelo mal-assombrado. Mesmo nesse caso, o PT faz sua campanha pretendendo continuar no governo pelos defeitos do adversário e não pelas suas próprias virtudes. Colocando a questão dessa maneira, deu a Aécio Neves a oportunidade de responder: “O Brasil tem medo dos monstros do presente”.

O desempenho da doutora no primeiro turno foi o pior desde 1998. Ficou em terceiro lugar em São Bernardo, no coração do ABC paulista. A bancada petista no Congresso perdeu 18 cadeiras. Em Pernambuco, foi dizimada. Boa notícia, o PT só recebeu de Minas Gerais, onde o eleitorado negou ao PSDB o mandato que lhe daria 16 anos de poder ininterruptos. É isso que o PT busca na esfera federal. Nunca na história deste país um grupo político homogêneo ficou no poder por 16 anos.

Dilma vai para o segundo turno com a arma do favoritismo de quem ganhou no primeiro. Contudo, faltam-lhe dois amparos. Agora, o tempo de televisão será o mesmo e os debates serão mano a mano. Aécio, como fez o petista Fernando Pimentel em Minas, falará em desejo de mudança. É o “Chega de PT”. Dilma defenderá o “Mais PT”. Darão ao pleito um tom plebiscitário. Seria melhor se discutissem propostas para os próximos quatro anos. O PT carrega êxitos e escândalos, porém, o programa de Aécio é mais uma coleção de platitudes e promessas. Seus capítulos para a educação e a saúde não enchem um pires. Se Marina Silva obtiver dele a meta de implantar em quatro anos o tempo integral nas escolas públicas, terá justificado sua passagem pela disputa. Em qualquer país que tenha um sistema universal de saúde com uma clientela de 150 milhões de pessoas, suas deficiências seriam discutidas por todos os candidatos. O assunto ficou fora dos debates. Aconteceu a mesma coisa com os planos privados, que coletam recursos de 48 milhões de fregueses e financiam generosamente seus candidatos.

 

Publicado aqui, na globo.com

 

 

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O PT é a luz, a verdade e a vida. Ninguém chegará ao Pai senão reelegendo Dilma

PT religião

 

Jornalista Ricardo Noblat
Jornalista Ricardo Noblat

Fora do PT não há salvação. É o que o PT imagina!

Por Ricardo Noblat

 

Curioso o PT. Curioso, não: esquisito. Arrogante. Dono da verdade.

No primeiro turno, patrulhou os adversários por não admitir que eles pudessem discordar de suas posições.

Bolsa Família?

Ai daquele que não se comprometesse com a continuação do programa.

Minha Casa, Minha Vida?

Como se julgar capaz de encontrar melhor solução para a falta de moradias?

Mais Médicos?

Está para ser inventado algo superior ao que o governo do PT inventou.

O país cresce pouco?

Culpa da crise da economia internacional.

A inflação aumentou?

Culpa da crise da economia internacional.

O Brasil é campeão dos juros altos?

Idem.

Em resumo: fora do ideário do PT não existe solução. Jamais existirá.

Se o PT estivesse certo, ficaria dispensada a realização de eleições com regularidade. Eleições para quê? Para o país correr o risco de ir para o brejo?

Uma vez que faliu, a proposta de ditadura do proletariado daria lugar à da ditadura partidária. Naturalmente, uma ditadura chancelada pelo voto popular limitado ao mais do mesmo.

Marina Silva pagou caro por ter tentado pensar diferente do PT. E acenado com alternativas estranhas ao catecismo do PT.

Chegou a vez de Aécio Neves pagar caro.

Que não ouse pensar diferente do PT. E se é para pensar igual, está dispensado. Basta o PT.

 

Publicado aqui, no Blog do Noblat

 

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