Hoje, daqui a pouco, Marcelo Sampaio comanda o Cineclube Goitacá

Antes tarde do que nunca, daqui a pouco, a partir das 19h30, no edifício Medical Center, o Cineclube Goitacá terá sua terceira sessão do ano, com a exibição do documentário “O mistério do samba”, dos cineastas Lula Buarque de Hollanda e Carolina Jabor, que será apresentado e terá o debate mediado pelo professor Marcelo Sampaio. Saiba mais aqui, na matéria da Folha Online, assinada pela jornalista Talita Barros

 

marcelo

 

0

Paulo Feijó: “Estou novamente na ascendente”

Quem também falou da confirmação da sua pré-candidatura, mas à reeleição a deputado federal, na tensa reunião de ontem (aqui) entre Garotinho (PR) e os vereadores de Rosinha (PR), foi Paulo Feijó (PR). Ontem, na comemoração do seu aniversário, ele foi prestigiado não só pela presença de Garotinho, mas pela previsão deste, como registrou aqui o jornalista da Folha Saulo Pessanha: “Feijó vai se reeleger com mais de 150 mil votos”. Abaixo, o que disse o aniversariante ao blog:

 

Paulo Feijó
Paulo Feijó

“Entre vários políticos, de vários municípios da região, recebi ontem, em minha casa, para comemorar o meu aniversário, os prefeitos Rosinha, de Campos; Octávio Carneiro (PP), de Quissamã; Cláudio Linhares (PMDB), de Conceição de Macabu; Clementino (PP), de Santa Maria Madalena; Josias Quintal (PSB), de Santo Antônio de Pádua, Pedrinho Cherene (PSC), de São Francisco de Itabapoana; e Leozinho (DEM), de Italva. Isso é natural, porque termino aquele que julgo ter sido o melhor dos meus quatro mandatos de deputado federal, onde consegui aprovar emendas para todos os municípios do Norte e Noroeste Fluminense, sem exceção. Só para o Hemocentro do Hospital Ferreira Machado, conseguimos liberar R$ 10,5 milhões. E minha eleição para presidente de uma comissão da Câmara Federal tão importante como a da Agricultura (aqui), vai trazer ainda mais frutos para a nossa região. Com muito trabalho ainda pela frente, esperamos o reconhecimento disso em outubro. Em 2002, no meu auge, me elegi deputado federal pela terceira vez com 110.935 votos. Após uma saída difícil, onde não pude terminar aquele mandato, voltei a Brasília em 2010, com 22.619 votos. Não sei se conseguiremos atingir a previsão feita por Garotinho. Acho que ele falou isso porque sabe que eu tenho um bom potencial eleitoral, um currículo extenso de serviços prestados e sou uma pessoa de confiança dentro do seu grupo político, onde ele me acolheu muito bem há seis anos. Mas o fato é que estou novamente na ascendente. E capacidade de andar e trabalhar pela nossa região, todos sabem, nunca me faltou”.

0

Bruno Dauaire: “Não estou entrando no espaço de ninguém”

Confirmado na tensa reunião de ontem (aqui), entre Garotinho e os vereadores governistas, como pré-candidato do PR a deputado estadual, o advogado Bruno Dauaire dividiu com o blog a sua reação:

 

Bruno Dauaire
Bruno Dauaire

“Não só no grupo de Garotinho, mas na própria política regional, há a demanda de renovação, de novos nomes, de novas ideias. E minha pré-candidatura a deputado estadual é regional, não é de uma cidade só. Tenho vínculos profundos com o município de São João da Barra, como tenho também com Campos, onde trabalho como advogado. A partir da atuação do meu avô, Alberto, que teve sete mandatos de deputado estadual, o nome Dauaire me dá uma vascularização em todos os municípios do Norte e Noroeste Fluminense. Lógico que a força da deputada Clarissa Garotinho e do presidente do PR em Campos, Wladimir Garotinho,  foi fundamental para consolidar meu nome no grupo, embora esse apoio tenha também se dado de forma natural, porque eles fazem parte dessa mesma necessidade por renovação que minha pré-candidatura pretende atender. Não estou entrando no espaço de ninguém. Esse espaço para a renovação, para a juventude, está ainda ocioso na política da região. Foi nesse espaço que Garotinho, lá atrás, chegou ao poder em Campos. E é nele que vamos trabalhar pelo principal objetivo do grupo, que é levar Garotinho de volta ao Palácio Guanabara”. 

0

Garotinho e vereadores: Albertinho entubará? Tadeu lhe deve satisfação?

Albertinho, Garotinho e Alexandre Tadeu (montagem de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Albertinho, Garotinho e Alexandre Tadeu (montagem de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Após definir, em reunião tensa na noite de ontem com os vereadores da base da prefeita Rosinha (PR), quem em seu grupo político será candidato em outubro a deputado federal (Clarissa Garotinho, Paulo Feijó e Jorge Magal) e a estadual (Paulo Hirano, Éber Silva, Bruno Dauaire, Geraldo Pudim e Alonsimar Pessanha), como divulgou aqui, em primeira mão, a jornalista da Folha Suzy Monteiro, o deputado federal e pré-candidato do PR a governador, Anthony Garotinho se encontra agora na sede da Prefeitura de Campos, no prédio do antigo Cesec, para conceder 15 minutos a cada um dos 17 edis governistas. Como muitos são os vereadores descontentes, imagina-se que Garotinho esteja tendo que abrir o saco de cargos não concursados do município de Campos, entre outras vantagens inconfessáveis, para tentar acalmar os ânimos de quem tinha pré-candidatura e acabou preterido.

Para Garotinho despachar politicamente na Prefeitura, uma reunião previamente marcada na Câmara, na tarde de hoje, entre vereadores governistas e de oposição, chegou a ser cancelada.

Dos pré-candidatos à Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), Genásio (PSC) já tinha dito, como registrou aqui o jornalista da Folha Alexandre Bastos, que faria o que Garotinho mandasse; enquanto Thiago Virgílio já tinha fechado seu apoio à candidatura de Bruno Dauaire, em costura do presidente do PR em Campos, Wladimir Garotinho, como este “Opiniões” adiantou aqui. Já com Albertinho (Pros), cuja candidatura à Alerj foi confirmada aqui pelo presidente estadual do seu partido, o deputado federal Hugo Leal, a conversa pode ser outra.

Além de Leal, mesmo defendendo a pré-candidatura própria do deputado federal Miro Teixeira a governador, não ter descartado a possibilidade de aliança futura do Pros com Garotinho, liberando desde já seu vereador para apoiá-lo, Albertinho pode estar pensando com sua aguçada inteligência popular, como bem definiu nos bastidores alguém que o conhece muito bem: “Se eu deixar que Garotinho me monte agora, vou ter que deixar para sempre”. Neste caso, haja cargos no governo Rosinha, custeados pelos cofres públicos municipais, para compensar esse sapo boi a ser engolido pelo vereador.

Já em relação à candidatura do vereador Alexandre Tadeu (PRB), que revelou aqui ainda não ter se definido entre deputado federal ou estadual, mas garantiu que continuaria apoiando Rosinha na Câmara Municipal, mesmo trabalhando pela candidatura do senador  Marcelo Crivella, do seu partido, a governador, a “decisão” de Garotinho, tem o mesmo valor que a minha, ou a sua, caro leitor: rigorosamente nenhuma! Como já segredou alguém dos altos escalões do partido em Campos: “No PRB de Crivella, Garotinho não apita!”

 

Atualização às 18h59: Por conta da repercussão da nota acima, bem como da anterior, da jornalista Suzy Monteiro, a reunião entre Garotinho e os vereadores governistas na sede da Prefeitura, na tarde de hoje, acabou cancelada. Mesmo elogiado por sua “aguçada inteligência popular”, Albertinho estaria soltando marimbondos e sendo estumado por aloprados rosáceos contra o blog e o blogueiro, pelo descontentamento com as aspas no texto claramente atribuídas não ao vereador do Pros, mas, soletrando, a “al-guém-que-o-co-nhe-ce-mui-to-bem”. Enquanto pega fogo uma parte dos vereadores governistas, outra, no entanto, parece não estar nem aí. É o caso, por exemplo, do vereador Alexandre Tadeu, que hoje, dia seguinte à tensa reunião da noite de ontem, coincidência ou não, divulgou por e-mail o texto:

 

“TADEU TÔ CONTIGO É ELEITO O VEREADOR MAIS ATUANTE DE CAMPOS

Pela segunda vez consecutiva, Tadeu Tô Contigo foi eleito o vereador mais atuante no município de Campos dos Goytacazes. A pesquisa foi realizada, via consultas telefônicas, pelo Instituto Tiradentes, de Minas Gerais, entre os dias 9 de janeiro e 14 de janeiro.

Por ter obtido a primeira colocação, Tadeu Tô contigo vai receber a “Medalha Tiradentes- Colar de Ouro”, conferida apenas aos políticos que possuem ilibada idoneidade moral e relevantes serviços prestados em prol da comunidade. A medalha será entregue nos dias 3 e 4 de abril, em Belo Horizonte.

 ‘Tô Contigo!’”

 

Atualização às 19h20: Embora certo de que a reunião entre Garotinho e os vereadores governistas, na sede da Prefeitura, na tarde de hoje, só foi cancelada, em meio a muito burburinho, justamente por conta da postagem acima, em respeito ao contraditório o blog republica abaixo a nota enviada pela Secom, por e-mail, assim como a do vereador Alexandre Tadeu:

“São inverídicas as informações publicadas em seu blog, pois em momento algum o deputado federal Anthony Garotinho teve hoje qualquer tipo de reunião na seda da Prefeitura de Campos”.

 

Atualização às 20h42: Confirmada por mais de uma fonte, como a reunião entre Garotinho e os vereadores de Rosinha, na tarde de hoje, na Prefeitura de Campos, acabou sendo cancelada após ter sido revelada acima, o título da postagem foi alterado.

0

Uenf em greve recebe deputados Clarissa Garotinho e Jânio Mendes

Os deputados Clarissa Garotinho e, à sua esquerda, Jânio Mendes, na visita hoje à Uenf (foto de Juli Viana)
Os deputados Clarissa Garotinho e, à sua esquerda, Jânio Mendes, na visita hoje à Uenf (foto de Juli Viana)

Os deputados estaduais Clarrissa Garotinho (PR) e Jânio Mendes (PDT) estiveram na manhã de hoje na Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), dando apoio ao movimento de greve dos servidores da Fundação Estadual do Norte Fluminense (Fenorte), que deflagraram greve no último dia 14 de março, e também aos docentes e técnicos administrativos da Uenf , que iniciaram a greve dia 20 de março. Os deputados se reuniram com o reitor da Uenf, professor Silvério de Paiva Freitas, por cerca de meia hora, e se ofereceram para agir como interlocutores das reivindicações junto ao governo estadual.

Os técnicos administrativos e docentes da Uenf reivindicam o ajuste linear para todos os servidores de 86.7% e o pagamento do adicional de dedicação exclusiva de 65%. Já os servidores da Fenorte reivindicam reajuste salarial, que não têm há oito anos, além de novo plano de carreira e valorização dos funcionários. Em relação aos pleitos da Uenf, uma proposta intermediária, com reajuste de 35%, com a polêmica possibilidade de flexibilização da dedicação exclusiva em alguns casos, vinha sendo negociada entre a reitoria e o governo estadual.

Na última quarta-feira, dia 19, quem também esteve na Uenf foi o secretário estadual de Ciência e Tecnologia, Gustavo Tutuca (PSB), muito ligado ao vice-governador Pezão, pré-candidato em outubro ao governo do Estado que assumirá, no lugar de Sérgio Cabral (PMDB), já no começo de abril. Tutuca se reuniu com o reitor Silvério, no sentido de encaminhar a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) a proposta de reajuste de 35%. Ele, no entanto, teria concionado para isso que primeiro a greve fosse suspensa, como ocorreu na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) e na Fundação de Apoio à Escola Técnica (Faetec). Ainda sem pauta definida, na próxima quinta-feira, dia 28, está marcada uma assembleia da Associação dos Docentes da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Aduenf), onde pode ser discutida a proposta do governo, condicionando o envio do reajuste de 35% à Alerj com o retorno ao trabalho.

Abaixo, no vídeo, o que disse Clarissa hoje, em sua visita à Uenf:

 

 

0

Artigo do domingo — Além do rio, nada

Foz do Paraíba
Foz do rio Paraíba do Sul

 

 

Charles Frederick Hartt

O primeiro a estudar a formação da planície goitacá a partir da ação do rio Paraíba do Sul foi o geólogo canadense Charles Frederick Hartt (1840/78). Ele veio ao Brasil integrando a famosa expedição Thayer, entre 1864 e 1865, comandada por seu mentor, o zoólogo suíço Louis Agassiz (1807/73), defensor científico do Criacionismo e grande opositor do naturalista inglês Charles Darwin (1809/82) e sua Teoria da Evolução.

De qualquer maneira, foi nas pesquisas de Hartt reunidas em “Geologia e Geografia Física do Brasil” (1870), nas quais o avanço do mar em Atafona é pela primeira vez descrito, que nosso Euclides da Cunha (1866/1909) se baseou para escrever “A Terra”. Este apanhado da formação geológica do sertão brasileiro é o capítulo inicial de “Os Sertões” (1902) e principal motivo para a maioria abandonar a leitura, ainda no começo, deste necessário clássico da literatura nacional.

Alberto Ribeiro Lamego

Dentro desta mesma literatura, talvez maior herdeiro de Euclides na mestiçagem tanto entre ciência e romance, como do homem com seu meio, o geólogo campista Alberto Ribeiro Lamego (1896/1985) externou em “O Homem e o Brejo” (1945) grande parte das suas teses sobre o protagonismo do rio Paraíba na formação da planície. Mais recentemente, os brasileiros Kenitiro Suguio, Jean-Marie Flexor e José M. L. Dominguez se uniram ao francês Louis Martin, para comporem a oito mãos “Geologia do Quaternário Costeiro do Litoral Norte do Rio de Janeiro e Espírito Santo” (1997). Nela os renomados geólogos contemporâneos reviram grande parte das teses de Lamego, mas permaneceram endossando o papel quase monoteísta do Paraíba na gênese da planície em que deságua.

Desde quando a ciência ainda achava existir para afirmar a criação divina, até nossos dias, apesar das revisões naturais que o tempo impõe às teorias, ninguém que tenha se dedicado a estudar esta planície e o rio que a corta, foi capaz de afirmar que a primeira existiria, não fosse a ação direta do segundo. Os mesmos campistas, sanjoanenses e são franciscanos que adoram reclamar da cor marrom das suas praias, talvez nunca tenham percebido: o barro que lhes escurece o mar é o mesmo que, carreado pelo Paraíba ao longo dos milênios, formou o próprio chão sobre o qual caminham suas vidas, desde quando aprenderam a pisar.

Sem o rio, o mar provavelmente seria azul, mas avançaria sobre nossas cabeças até reencontrar a Serra do Imbé.

Reservatórios secos do sistema Cantareira
Reservatórios secos do sistema Cantareira

Ameaçado pelo projeto de desvio das suas águas na represa de Jaguari, para atender à Grande São Paulo no sistema de Cantareira, o Paraíba conseguiu confluir em sua defesa (aqui) lideranças fluminenses tão impermeáveis entre si quanto o governador Sérgio Cabral (PMDB) e o deputado federal Anthony Garotinho (PR). Bem verdade que o governador paulista Geraldo Alckmin (PSDB) pareceu não se importar muito com a reação de ambos, chegando a afirmar depois que poderia fazer a obra, estimada em R$ 500 milhões e num prazo de 18 meses, mesmo com a discordância do Estado do Rio.

Procurador Eduardo Santos de Oliveira
Procurador Eduardo Santos de Oliveira

E a revelação (aqui) na sexta, por parte do procurador da República em Campos, Eduardo Santos de Oliveira, de que o governo estadual de São Paulo estudava desde 2008 o desvio do Paraíba para atender sua zona metropolitana em períodos prolongados de estiagem, tendo depois chegado a informar oficialmente ao Ministério Público Federal goitacá, em 2011, que não tinha nenhum projeto de transposição do rio federal, apresentado agora por Alckmin à presidente Dilma Rousseff (PT), reforça a impressão de que os paulistas estão pagando para ver.

Para um Estado que ostenta o maior PIB e o maior colégio eleitoral do Brasil, chamar transposição de “captação”, pode ser até além de um mero “jogo semântico”, como bem definiu Eduardo.

Talvez com o beneplácito do governo federal em ano de eleição, aquela que vence quem receber mais afluentes em voto e dinheiro, oxalá o jogo não seja “ou dá, ou desce”. Tanto pior na São Paulo que, apesar de berço petista, é dominada pelo PSDB de Alckmin. E diante dos 15 milhões de paulistas atendidos pelo sistema Cantareira, como ficar à míngua na simpatia enquanto se hidrata seu principal adversário nas urnas?

Barragem de Santa Cecília, que desvia 2/3 da água do Paraíba para atender o Grande Rio no sistema Guandu
Barragem de Santa Cecília, que desvia 2/3 da água do Paraíba para atender ao Grande Rio no sistema Guandu

Na dúvida, até que haja um estudo técnico e apolítico de toda a Bacia do Paraíba, nos três Estados que a integram, só a insanidade aconselha mais um sangramento em seu curso de água doce, que já registrou língua salina quilômetros adentro, à altura de Barcelos. Já na divisa dos municípios de Campos e São João da Barra, é a vanguarda do avanço do mar em Atafona, intensificado a partir dos anos 1950, quando outro desvio fluvial foi feito, para atender outra região metropolitana.

A partir da barragem de Santa Cecília, em Guandu, que até hoje serve de água o Grande Rio, já se perdeu a conta de quantas casas e ruas hoje só servem aos peixes, na foz de um rio em queda de braço com o Atlântico e tendões cortados pelo homem.

Com  1.137 km de extensão e 56.500 km2 de bacia, o Paraíba é um grande rio. Acima do Equador, com 2.320 km de comprimento e bacia de 632.000 km2, o rio Colorado é muito maior. Escultor do famoso Grand Canyon, como o Paraíba da planície goitacá, o Colorado foi alvo de várias intervenções para captação d’água e geração de energia elétrica, entre elas a Barragem Hoover, erguida nos anos 1930 e tida ainda hoje como a grande obra de engenharia dos EUA.

Foz do rio Colorado, completamente seca em boa parte do ano

Durante muito tempo, o modelo de transposição de águas adotado no Colorado para irrigação de terras secas foi considerado exemplo a ser seguido, inclusive no rio São Francisco, no Nordeste brasileiro. Mas nem seu gigantismo bastou para saciar a sede humana e hoje o rio está morrendo. Durante boa parte do ano, o Colorado sequer consegue mais atingir sua foz, no Golfo do México.

Se o mesmo acontecer aqui, será um desastre maior do que a perda dos royalties, já que o mal causado pela consequente salinização de toda a Baixada do Paraíba, inviabilizando a agropecuária e as indústrias sucroalcooleira e cerâmica, certamente durará mais do que as jazidas de petróleo no fundo do mesmo mar que, sem a oposição do rio, prevalecerá outra vez sua poderosa ação sobre a planície. Ademais, a captação d’água em diversos municípios teria que ser feita a partir da dessalinização, ou de fontes alternativas também já degradadas pela ação humana, como Lagoa de Cima.

Pela pena do seu heterônimo e mestre Alberto Caeiro, o poeta português Fernando Pessoa (1888/1935) escreveu:

 

“Ninguém nunca pensou no que há para além

Do rio da minha aldeia”

 

Quem, por sensibilidade e gratidão, ainda não pensou no que há para além do Paraíba, que o faça por necessidade. Para quem habita a planície goitacá, além do rio da aldeia, não há nada.

 

Publicado hoje na edição impressa da Folha

 

0

Carla não fecha porta com Neco em 2014, mas abre janela para voltar em 2016

Embora admita existir perseguição entre os servidores contratados de São João da Barra, na qual enxerga uma “ditadura” a impor pena de exoneração a qualquer um ligado a ela, a ex-prefeita Carla Machado (PT) não acha impossível a reconciliação política com o atual prefeito Neco (PMDB), de quem foi a principal cabo eleitoral nas eleições municipais de 2012. Também pré-candidata a deputada estadual, ela garante não temer retaliações do PMDB fluminense que abandonou, enquanto do ex-aliado Anthony Garotinho (PR), disse só lembrar quando este “enche o saco”. Apesar de centrar foco no pleito de outubro próximo, ela admitiu pela primeira vez que pode voltar a tentar a ser prefeita em 2016.

 

Carla Machado

 

Folha da Manhã – Você e o prefeito Neco estão rompidos ou não?

Carla Machado – Acredito que o termo “rompimento” não é o mais apropriado. Poucas foram as vezes que estive com o prefeito Neco após a vitória do nosso grupo na eleição de 2012. Após oito anos de trabalho sem férias tenho cuidado um pouco da minha vida, me mantendo ocupada em outras atividades. É perceptível a todos que há algum tempo não mais faço parte do grupo de amigos seletos do atual prefeito e percebi que o mesmo dispensou qualquer tipo de contribuição da minha parte. Solicitei um encontro há nove meses e como ainda não houve a conversa, aguardarei um pouco mais para responder isso definitivamente.

 

Folha – Comenta-se abertamente em São João da Barra que todos os servidores contratados ligados a Carla estão sendo desligados da Prefeitura. Isso procede? Como você, essas pessoas e a população sanjoanense têm reagido?

Carla – Alguns, sim. Existe hoje uma pressão psicológica para que servidores não se aproximem de mim, sob pena de serem exonerados. O clima em São João da Barra realmente não é bom, parece que a ditadura se instalou aqui.

 

Folha – Em relação ao professor Antônio Neves, consta tanto que você o teria indicado como chefe de gabinete do prefeito, quanto que ele depois teria exercido papel preponderante no seu processo de desgaste com Neco. Qual a sua leitura?

Carla – O sr. Antônio Neves realmente é uma decepção para mim. Aconselhei o atual prefeito não deixá-lo na secretaria municipal de Educação, devido a eu ter percebido, no fim da minha gestão, a insatisfação da equipe com o mesmo. Como esse senhor tinha experiência, acreditei que poderia ajudar o prefeito em seu início de governo. Infelizmente, há pessoas que deixam de cumprir suas tarefas para perseguir outros e utilizam erradamente o seu tempo com fofocas e intrigas.

 

Folha – A reeleição de Aluizio Siqueira (PMDB) a presidente da Câmara, com a exclusão de Soninha Pereira (PT) da mesa diretora, foi considerada (aqui) o primeiro golpe aberto de Neco contra você. Publicamente, você disse (aqui) não encarar assim. Por quê?

Carla – Na primeira eleição da mesa diretora, eu tinha o compromisso em fazer com que o Aluizio fosse o presidente, e cumpri. Reuni todos os vereadores que havíamos elegido em nosso palanque e pedi o voto de presidente para ele. Compomos a mesa diretora para 2013/2014, em comum acordo com os demais vereadores, e demos a notícia ao prefeito do resultado. Naquela ocasião havia ficado acordado que os vereadores que hoje não participam da mesa diretora, participariam no segundo biênio. Esse acordo não foi cumprido e credito isso às mudanças que normalmente ocorrem por ocasião das eleições da Câmara. Ressalto que não fui convidada a participar desse processo, e mesmo se fosse, não aceitaria, por este não ser mais um problema meu.

 

Folha – Eleito presidente por você e reeleito por Neco, Aluizio disse (aqui) enxergar indícios da sua ruptura com Neco e que, caso esta se confirme, ficaria ao lado do prefeito. Como reagiu?

Carla – Ultimamente nada mais me surpreende, estou na plateia observando os acontecimentos. Quanto ao fato do Aluizio, no caso de “ruptura”, preferir ficar com o prefeito Neco, vivemos numa democracia e todos têm livre arbítrio.

 

Folha – Indagado sobre quais seriam os indícios da ruptura entre você e Neco, Aluizio se referiu (aqui) a “ataques a membros do governo em redes sociais”, que teriam sido feitos por você. Que ataques foram esses? Ativa do facebook, no qual mantém dois perfis, é correto supor que você às vezes acaba desabafando lá o que realmente sente?

Carla – Acho que todos deveriam ser mais sinceros e falar a verdade. Gosto e uso o facebook para interagir com amigos, posto o que acho que devo. As únicas pessoas que critiquei foram o deputado federal Anthony Garotinho, respondendo a diversas calúnias feitas a mim, e ao ex-delegado chefe da Polícia Federal em Campos, dr. Paulo Cassiano, por ter me detido arbitrariamente na semana da eleição, o que posteriormente foi comprovado através da minha absolvição por unanimidade no Tribunal. A única crítica a membro do governo feita por mim foi direcionada ao sr. Antônio Neves, atual chefe de gabinete, por estar usando do seu “cargo” para intimidar servidores, tentando tirar a liberdade deles. Se foi este o motivo alegado pelo vereador para qualquer “ruptura”, vejo como inócuo. Mesmo sendo meu, utilizo as redes sociais de forma responsável.

 

Folha – Em entrevista à Folha com 14 perguntas, na qual você apareceu como personagem algumas vezes, Aluizio pareceu ter o cuidado de não citar o seu nome nenhuma vez. Acha que foi por acaso ou isso significou algo?

Carla – Prefiro não fazer pré-julgamento.

 

Folha –  Na declaração mais forte na entrevista, sobre a ruptura dele e de Neco com você, Aluizio respondeu: “Se há Judas nessa história, não somos nós”. Há Judas nessa história? Na sua visão, quem seria? E por quê?

Carla – Acho que o único que poderia responder a pergunta seria o próprio Vereador. Judas é chamado quem trai e isso não se aplica a mim. Sempre cumpri meus compromissos. Certa ocasião afirmei que seria eleita, reeleita e que faria sucessor. E fiz! Saí com 88,7% de aprovação de governo após oito anos de mandato e cumpri minhas promessas com o povo de São João da Barra.

 

Folha – Não acha que sua saída do PMDB para o PT, desde setembro no ano passado, foi precipitada? Por que não esperar mais pela definição do quadro estadual e dar a Neco uma justificativa política para romper com você?

Carla – Não. Deixei a tempo de ser precipitada, penso antes de tomar uma decisão. Quando não nos sentimos satisfeitos numa casa, ou até mesmo agremiação política, o que nos resta é buscar outro espaço. Foi o que fiz. Quanto a esperar para dar justificativa ao prefeito para um rompimento, não vejo dessa forma. Quando se quer arrumar “porquês”, se arruma.

 

Folha – Consta que o governador Sérgio Cabral (PMDB), assim como seu vice e pré-candidato a sucedê-lo, Luiz Fernando Pezão (PMDB), teriam ficado ressentidos com sua saída para o PT. Como alguém que já esteve à frente da máquina pública, não teme agora ter que enfrentá-la, com força estadual, numa eleição?

Carla – Não existe a palavra medo no meu dicionário. Venho da luta e já passei por muitas coisas… Temor só a Deus!

 

Folha – Além do desgaste antigo com Jorge Picciani, que bancou o ex-vereador Gersinho no PMDB, mesmo quando ele liderava da presidência da Câmara a oposição ao seu governo, o que mais a levou a trocar de partido?

Carla – Todos estavam cientes, desde o período eleitoral em 2012, que não mais permaneceria no PMDB, porque a nossa executiva municipal não teve o devido respeito da estadual, na questão da liberação do vereador do partido para disputar a vice no PR. Outro motivo foi por achar que no segundo mandato, Sérgio deixou nossa região abandonada e todos nós no fogo cruzado com o ex-governador Garotinho sem o apoio político necessário.

 

Folha – Você tem muitos eleitores também em Campos (aqui), suficientes, por exemplo, para eleger seu irmão Fred Machado (SDD) a vereador. No PT de Campos, há três nomes que lançaram pré-candidaturas à Alerj: o vereador Marcão, a ex-vereadora Odisséia Carvalho e o professor Alexandre Lourenço. Não é gente demais?

Carla – Por mais que eu pareça e me sinta uma sanjoanense, sou nascida em Campos e morei metade da minha vida lá. No ano passado, por causa da escola do meu filho me dividi entre Campos e São João da Barra, além de ter meu pai, irmãos e outros familiares residindo aí. Minha mãe era sanjoanense. Quando viva morava comigo em São João da Barra. Quanto ao grande número de pré-candidatos do partido, isso é uma verdade. Creio que para o PT da região fazer representantes, seria melhor termos menos candidatos. Porém, todos têm direito à disputa.

 

Folha – Quando assinou sua filiação ao PT, o senador e pré-candidato a governador Lindbergh Farias disse (aqui) que você seria “tratada como uma princesa” no partido. Tem recebido esse tratamento?

Carla – (Risos) Já passei dessa fase. Tenho tido muito boa relação com o senador Lindbergh e nos falamos bastante o ano passado. Este ano, menos, em virtude de eu estar envolvida com o restaurante Cais do Porto e com outras coisas pessoais. Mas estarei com ele na próxima semana, para conversarmos, e muito breve começaremos a trabalhar com força e determinação.

 

Folha – Recentemente, você se negou (aqui) a se retratar numa audiência de conciliação, num processo movido pelo deputado federal e pré-candidato do PR a governador, Anthony Garotinho, desabafando depois sobre isso no facebook. A coisa entre vocês dois virou pessoal? Enfrentar ele, Neco, Cabral e Pezão, ao mesmo tempo, não é muita coisa?

Carla – Verdade. Eu já pedi desculpa a algumas pessoas e todos nós somos passíveis de erros. Me neguei a me retratar com o deputado Garotinho, por entender que quem deve se retratar com muita gente é ele. Infelizmente a legislação protege alguns políticos que se utilizam da imunidade parlamentar para caluniar pessoas de bem.  Na verdade, não me lembro da existência do nobre Deputado até ele me “encher o saco”. Mas acho que vocês estão me superestimando. Apesar de eu incomodar alguns, graças a Deus, tenho a confiança e apoio do meu povo. Além de ter bons amigos, peço ao Pai para me dar sabedoria para conduzir minha vida e me livrar das maldades. Temos que acreditar no sonho, correr atrás e… vamos que vamos!

 

Folha – A pré-candidatura à Alerj de Bruno Dauaire pelo PR (aqui) pode ser uma das armas de Garotinho para tentar neutralizá-la. Como está preparada para enfrentá-la? E a pré-candidatura do vereador Kaká (PT do B), pode também incomodar?

Carla –  Não acredito. E me preocupo com minha candidatura e não com outras. Tenho serviço prestado e é só comparar  currículos e avaliar o comprometimento de cada um com a população. Tenho certeza que tudo dando certo, que saberei representar o povo de São João da Barra, Campos, São Francisco e demais municípios da toda região Norte e Noroeste na Alerj.

 

Folha – Na quase certeza de que Neco não vai apoiá-la em outubro, cogita-se que ele possa apoiar a tentativa de reeleição do presidente da Alerj, Paulo Mello (PMDB), ou até o próprio Bruno, num movimento mais ousado contra você. Qual movimento causaria mais danos em sua pré-candidatura?

Carla – Não sei. O que sei é que estarei lutando para alcançar os nossos objetivos. Após oito anos como prefeita, saí com 88,7% de aprovação de governo, sendo que 73% da população considerou nosso governo bom e ótimo. Tenho o carinho do povo amigo de São João da Barra, o que me orgulha muito.

 

Folha – Em sua entrevista, Aluizio também disse que “com o rompimento todos perdem”. Há maneira de você e Neco voltarem a caminhar juntos? Consumada a separação, não ficaria aberto um espaço desnecessário para uma via alternativa, sobretudo em 2016, como Bruno?

Carla – Com certeza. Política é dinâmica e não se diz “nunca”. O povo de São João da Barra me conhece bem. Tenho trabalho realizado, não tenho apenas discurso bonito e vazio.

 

Folha – Sobre 2016, você já chegou a ser cogitada, em 2012, como candidata a prefeita em Campos, e se considera quase certa sua candidatura, sobretudo se conseguir se eleger deputada estadual, na próxima eleição a prefeito de São João da Barra. Sem esquecer outubro próximo, o que projeta hoje para daqui a dois anos?

Carla – Fico feliz quando os campistas falam que eu deveria me candidatar a prefeita de lá.  Ano passado eu não tinha a menor pretensão em voltar a ser prefeita, mas hoje estou repensando. Sei que o que quero no momento é representar nossa região na Assembleia Legislativa, para trazer mais oportunidades e qualidade de vida para a população das regiões Norte e Noroeste fluminense. Depois pensaremos juntos outras metas.

 

Folha – Pelo temperamento assertivo, pela agressividade com os adversários, mas também pela entrega e capacidade de trabalho, mais de uma pessoa já disse que você é um “Garotinho de saias”. O que a difere e a aproxima do deputado?

Carla – Cruz credo!!!… Sou Carla de saia, de calça ou de vestido. Trabalho muito e sou determinada no que me proponho a fazer.  A política que pratico é progressista e não perseguidora. Só não fujo a um bom combate.

 

Folha – Também mais de uma pessoa já disse que você, por enquanto, está muito quieta. Quando a Carla Machado aguerrida, sem medo do combate, começará a aparecer de vez nessa eleição e na vida política de São João da Barra?        

Carla – Agora entendi (risos).  O meu silêncio é que tem preocupado mais… Aprendi que tudo tem o tempo certo. Há tempo de falar e há tempo de calar. Mesmo quieta, nunca fiquei ausente da vida política de São João da Barra pois  “aqui é o meu lugar”!

 

Publicado hoje na edição impressa da Folha.

0

Neco: “Com a transposição do Paraíba, a situação de SJB pode ficar insustentável”

Neco

Neco — “A Foz do Rio Paraíba do Sul está localizada em São João da Barra. Caso a transposição seja executada, a situação do nosso município poderá ficar insustentável. Assoreamento, introdução da língua salina e o desabastecimento de água na região são algumas das preocupações. Além disso, o processo de erosão na praia de Atafona deve aumentar, trazendo mais transtornos para o município. Vamos aguardar a definição por parte dos órgãos técnicos”.

0

Rosinha: “Querem tirar nossos royalties, agora querem tirar nossa água?”

Rosinha2Rosinha Garotinho — “Como ex-governadora do Rio e prefeita de Campos, não poderia jamais aceitar uma perda tão considerável para nosso Estado, região e município. As informações iniciais indicam que a proposta de integrar o rio Paraíba ao sistema Cantareira nos atingiria de forma agressiva e irreparável, comprometendo o futuro de todo o Estado. Não podemos admitir mais nenhuma perda. O Rio de Janeiro já foi prejudicado com a perda do ICMS do petróleo, o único produto taxado no destino e não na origem. Querem tirar os nossos royalties. O Rio já perdeu a capital do país. Agora querem tirar a nossa água? O rio Paraíba do Sul já sofreu com a represa de Guandu. A cada estiagem, de agosto a outubro, o nível fica menor. Com a transposição, a situação se agravaria neste período, podendo prejudicar o abastecimento de água para as pessoas e a agricultura. E o rio recebe esgoto não tratado desde a sua nascente, em São Paulo. Não podemos esquecer que há duas hidrelétricas projetadas para a região, o que diminuiria ainda mais o nível das águas. Fora indústrias que nem são de Campos, muitas vezes de outros Estados, que contaminam o rio Paraíba regularmente, como temos presenciado. Com menor vazão de água, a língua salina da foz iniciaria um processo de desertificação, que inviabilizaria as atividades agrícolas. O que aconteceria com a perda da força da água, por exemplo, com o mar avançando ainda mais sobre São João da Barra e salinizando a região? Eu não acredito em uma decisão da presidente Dilma Rousseff para beneficiar um Estado em detrimento de outro, porque a água é essencial à vida. Sou contra a proposta anunciada, e compreendo que São Paulo não pode resolver seus problemas prejudicando milhões de habitantes de outro Estado da Federação”.

0