Desvio do Paraíba: ANA concluí esta semana parecer, mas técnicos acham “possível”

(Foto de Helen de Souza, da Folha da Manhã, publicada na capa de hoje do jornal)
(Foto de Helen Souza, da Folha da Manhã, publicada na capa de hoje do jornal)

 

BRASÍLIA – A Agência Nacional de Águas (ANA) deve concluir ainda esta semana um parecer técnico sobre a viabilidade da captação de água do Rio Paraíba do Sul, no Rio de Janeiro, para abastecer o Sistema Cantareira, em São Paulo, quando este estiver em baixa. Técnicos do setor hídrico do governo federal avaliam que é possível autorizar o governo paulista a fazer a captação. Como o Paraíba do Sul é um rio federal, ontem o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), se reuniu com a presidente Dilma Rousseff para fazer o pedido.

— Ao utilizar a vazão mínima do Paraíba do Sul, o estado do Rio já capta tudo o que precisa para abastecer a população fluminense. Não parece ser um problema tirar 5m³ de um rio cuja vazão mínima é 120m³ — avalia um técnico.

O plano de Alckmin já está sendo estudado pela ANA. A avaliação de técnicos que trabalham no assunto é que como metade da água que o Rio usa do Paraíba do Sul é utilizada no tratamento de esgoto, um desvio de uma pequena parte desse recurso para outro estado não teria potencial de causar prejuízos para o abastecimento da população fluminense.

Alckmin disse que conversou nesta quarta-feira com os governadores do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), e de Minas, Antônio Anastasia, para explicar a proposta de retirada de água do Rio Paraíba do Sul, e afirmou ter obtido o apoio de ambos para a obra.

É possível que seja feito um acordo que inclua o estabelecimento de compensações de São Paulo com relação ao Rio. Uma compensação cabível seria uma contribuição para o tratamento de esgoto fluminense.

Presente à reunião entre Dilma e Alckmin, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, diz que o governo vai avaliar a proposta para buscar uma solução que resolva o problema de São Paulo, estado que concentra a maior parte do PIB brasileiro, sem prejudicar os outros estados que se beneficiam da Bacia do Rio Paraíba do Sul. Além de São Paulo e Rio, Minas Gerais também usufrui de parte dessa água.

— A postura do governo federal é buscar uma solução em que ninguém seja prejudicado, uma solução colaborativa e construtiva. Estamos discutindo segurança hídrica na região econômica mais importante do Brasil: São Paulo, Rio e Minas. Vamos buscar uma solução que garanta a segurança hídrica dos três estados — pontuou Izabella.

 

Publicado aqui no Globo.com.

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Cabral diz que desviar Paraíba para abastecer SP é “inviável” e “não será tolerado”

(Foto de Helen Souza - Folha da Manhã)
(Foto de Helen Souza – Folha da Manhã)

 

O governador Sérgio Cabral disse nesta quinta-feira (20) ser praticamente inviável o projeto do governo paulista que prevê bombear parte da água do Rio Paraíba do Sul para ajudar a conter a seca em São Paulo, como mostrou o RJTV. O rio é a principal fonte de abastecimento de água para o Rio e para a Baixada Fluminense.

“Meus técnicos adiantaram que é uma possibilidade remota, eu diria inviável, porque ela implica em atrapalhar o abastecimento da população do Rio. Isso não será tolerado”, disse Cabral, admitindo que ainda não sabe muitos detalhes do projeto.

A captação da água do Paraíba do Sul abre uma disputa entre São Paulo e o Rio. O governo paulista apresentou uma proposta pra usar o rio — que passa por três estados — em épocas de seca no Sistema Cantareira.

O Paraíba do Sul já atende a maior parte dos cariocas e a divisão poderia comprometer o abastecimento para 11 milhões de famílias.

A Agência Nacional de Águas (ANA) ainda não se pronunciou sobre o assunto. Enquanto isso, o Sistema Cantareira, que abastece oito milhões de pessoas na Grande São Paulo vai perdendo água. O sistema está com menos de 15 % da capacidade.

O governo do Rio diz que está fazendo estudos porque teme problemas de abastecimento. Nesta quinta, o secretário de Ambiente, Índio da Costa, disse: “Hoje, no Rio de Janeiro, já 8% do tempo não tem água suficiente pro nosso estado, do jeito que está o Paraíba do Sul. Se a gente for captar sem ter um estudo aprofundado, esse risco de aumentar de 8% por cento do tempo pra 10%, pra 15%, pra 30%, é muito grande”.

 

Projeto

O projeto do governo de São Paulo é interligar a Represa de Jaguari, abastecida pelo Paraíba do Sul, com a Represa de Atibainha, que faz parte do Sistema Cantareira, a principal fonte de abastecimento da Grande São Paulo. A ligação seria feita num trecho de quase 15 quilômetros, com estação de bombeamento e um túnel num trecho de serra.

Segundo governador de São Paulo Geraldo Alckmin, quando o Sistema Cantareira estiver com menos de 35% da capacidade, a água será bombeada para lá. E quando o problema for na represa do Rio Paraíba do Sul é ela que poderá receber água do Cantareira.

“Falei hoje com o governador de Minas, o Antônio Anastasia, que é o grande contribuinte para a bacia porque ele mais colobora do que tira, falei com o governador Sérgio Cabral, que entendeu. Nós vamos aumentar a reservação do Paraíba, nós poderemos fazer inclusive novos reservatórios”, disse Alckmin.

Segundo o governo de São Paulo, a obra poderia ser iniciada daqui a quatro meses e levaria outros 14 meses para ficar pronta. A estimativa é de que sejam gastos R$ 500 milhões.

Por meio de nota, a Secretaria do Ambiente do Rio de Janeiro, informou que estudos ainda em elaboração, apontam que a disponibilidade hídrica atual já apresenta problemas no período de estiagem. E mesmo que São Paulo construa reservatórios, a proposta de captação de água pode agravar essa situação.

 

Ambientalistas analisam

No meio do caminho entre São Paulo e Rio, o Comitê da Bacia do Vale do Paraíba diz que vai estudar a questão. “É lógico que se houver uma retirada muito grande de água do Rio Paraíba poderá haver desabastecimento. Então, é isso que é discutido”, destacou Francisco Carlos, do Comitê.

Já a ambientalista Malu Ribeiro, coordenadora da ONG S.O.S. Mata Atlântica, recomenda cautela. “Sem ver os estudos, sem uma avaliação ambiental estratégica, sem o estudo de impacto ambiental, não dá para dizer se ele é viável ou inviável”, disse a ambientalista.

Para o jornal O Globo, a Cedae, companhia de água e esgoto do Rio, disse que a captação de água na Represa Jaguari pode afetar o Rio Jaguari, o que provocaria reflexos no abastecimento de cidades do Rio de Janeiro e comprometeria a irrigação das lavouras. A companhia alertou ainda que a medida pode aumentar a chamada língua salina, quando a água do mar invade o curso do rio e destrói as margens.

Estudiosos são unânimes em dizer que a Região Metropolitana de São Paulo, que fica num planalto é muito seca e que os poucos rios que há na região, como o Tietê, estão completamente poluídos.

 

Publicado aqui pelo G1.

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Cabral e Garotinho em confluência pela defesa do Paraíba

Saulo Pessanha

Cabral diz que jamais permitirá que se retire água que abastece o RJ

Por Saulo Pessanha, em 20-03-2014 – 16h38

 

Cabral

 

O governador Sérgio Cabral disse nesta quinta-feira, em sua conta numa rede social, que jamais permitirá mudanças no abastecimento de água do Rio que prejudique a população e as empresas do estado. Cabral se referia à proposta do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, de captar água do Rio Paraíba do Sul.

Na terça-feira, Alckmin pediu autorização à Presidência da República para fazer a captação no Rio Jaguari, um dos principais afluentes do Paraíba do Sul, que é federal. A Agência Nacional de Águas (ANA) deve concluir ainda esta semana um parecer técnico sobre a viabilidade do projeto.

— Jamais permitirei que se retire água que abastece o povo do estado do Rio de Janeiro (…) O governador Alckmin, com quem tenho excelente relação, me ligou para expor essa ideia. Disse a ele que formalizasse a proposta e que eu enviaria aos órgãos técnicos. Mas já adianto: nada que prejudique o abastecimento das residências e das empresas do estado do RJ será autorizado — disse Cabral.

Fonte: O Globo

 

 

Eu penso que

Garotinho pede estudo técnico antes da transposição

Por Ricardo André Vasconcelos, 20-03-2014 – 18h42

Hoje, da tribuna da Câmara, o deputado Anthony Garotinho (PR)registrou sua preocupação com a possibilidade de mais uma sangria nas águas do Rio Paraíba do Sul e pediu que o governador Sérgio Cabral exija na Agência Nacional das Águas um estudo técnico que garanta que não faltará água para o Estado do Rio.

 

 

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Alerj marca ato público em protesto contra projeto de Alckmin para o rio Paraíba

Ato público foi marcado para a próxima terça, dia 25, às 13h, na escadaria do Palácio Tiradentes, sede da Alerj
Ato público foi marcado para a próxima terça, dia 25, às 13h, na escadaria do Palácio Tiradentes, sede da Alerj

 

Presidente da Frente Parlamentar de Defesa da Bacia do Rio Paraíba do Sul, a deputada Inês Pandeló (PT) convocou a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), nesta quinta-feira (20/03), para um ato público contra o projeto do governo paulista de transposição das águas do principal rio fluminense. O protesto será na próxima terça-feira (25/03), às 13h, na escadaria do Palácio Tiradentes.

Pela proposta defendida pelo governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, o Paraíba do Sul seria interligado ao sistema Cantareira, que abastece a região metropolitana daquele estado. Segundo Inês Pandeló, o estudo encomendado pelo Governo paulista distorce a realidade ao considerar dados desde 1951 — e não apenas informações do atual cenário de estiagens que atinge o Rio de Janeiro. “Eu venho falando disso há muito tempo. Parecia alarmismo e não era. O Comitê da Bacia do Paraíba do Sul, que reúne órgãos governamentais e ONGs, tem um estudo recente que alerta para o risco que corremos no cenário atual. O estudo paulista puxa uma série histórica desde 1951, de tempos de cheias, diminuindo o risco de desabastecimento aqui. O perigo existe e é real”, disse a deputada.

Além disso, a Frente promoverá uma audiência pública no próximo dia 31 para tratar do assunto. A petista, no entanto, não foi a única a protestar contra o projeto do governo do estado vizinho. Roberto Henriques (PR) classificou a proposta como descabida: “Quando percebemos que São Paulo pretendia rasgar o pacto federativo, a deputada Inês Pandeló propôs a Frente para que não se permita qualquer prejuízo ao Rio de Janeiro por causa dessa medida insana”.

Henriques criticou, ainda, o pedido feito pelo Palácio dos Bandeirantes à presidente Dilma Rousseff, para que autorize a transposição do rio — que corta também São Paulo e Minas Gerais. “Numa medida descabida, o governo de São Paulo mostra desfaçatez de pedir apoio a esse projeto à Presidência da República. Isso é uma afronta à soberania da população do Rio de Janeiro. Sem qualquer cerimônia, querem barrar o Rio Paraíba do Sul”, disse o deputado.

Já Nelson Gonçalves (PMDB) lembrou dos prejuízos que a medida provocaria à economia das regiões Sul e Norte Fluminense: “Prefeitos já falam em ir à Justiça porque esse projeto prejudicaria a captação de investimentos e a agricultura, por conta da irrigação. O dia 31 de março é o dia de defesa do Paraíba do Sul e vamos chamar a população e os deputados para evitar isso”.

Comte Bittencourt (PPS), por sua vez, pediu calma no debate. “Não é possível tratar dessa polêmica como uma briga de torcidas. Se a Agência Nacional de Águas entender que essa é a saída para se minimizar os problemas de São Paulo, dou meu apoio como brasileiro e deputado deste estado. Precisamos manter os princípios federativos e da compreensão, porque somos todos brasileiros e o espírito fluminense é o da solidariedade. Se São Paulo precisar, vamos ajudá-los. Se um dia o Rio precisar, eles terão que nos ajudar. Mas não pode haver uma luta bairrista”, disse o deputado.

 

Da assessoria da Alerj.

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Ibope: Com 40%, Dilma venceria no 1º turno

Ibope presidente (20-03-14)1

 

Ibope presidente (20-03-14)2

 

Pesquisa Ibope divulgada nesta quinta-feira (20) atribui 40% das intenções de voto para a presidente Dilma Rousseff se a eleição presidencial fosse hoje. O segundo colocado é o senador Aécio Neves (PSDB-MG), que aparece com 13%, e o terceiro, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), com 6%. Pastor Everaldo (PSC) registrou 3% e o senador Randolfe Rodrigues (PSOL), 1%. Os demais possíveis postulantes – Eymael (PSDC), Levy Fidelix (PRTB) e Mauro Iasi (PCB) – não pontuaram.

Nesse cenário, o mais provável, Dilma venceria no primeiro turno porque a soma das intenções de voto dos adversários não supera o percentual que ela obteve. A pesquisa indica que 12% dos entrevistados não responderam ou não sabem em quem vão votar. Os que disseram que votarão em branco ou nulo somaram 24%.

Os candidatos que disputarão a eleição serão oficialmente conhecidos em junho, quando os partidos terão de realizar convenções para definição dos nomes.

O Ibope ouviu 2.002 eleitores entre 13 e 17 de março. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. O levantamento está registrado no Tribunal Regional Eleitoral (TSE) sob o protocolo nº BR-00031/2014 – as normas eleitorais determinam que todas as pesquisas realizadas no ano da eleição sejam registradas no TSE.

Marina Silva
O Ibope também simulou um cenário em que o candidato do PSB é a ex-senadora Marina Silva, atualmente cotada para ocupar a posição de vice na chapa de Eduardo Campos.

Nessa hipótese, Dilma teria os mesmos 40% e também venceria no primeiro turno; Aécio soma 13%; Marina, 9%; Pastor Everaldo, 2%; Randolfe, 1%; e Eymael, Levy Fidelix e Mauro Iasi, 0%. Brancos e nulos somariam 23% e os que não sabem ou não responderam, 11%.

Com três candidatos
Outro cenário experimentado pelo Ibope reúne como candidatos somente Dilma, Aécio e Campos. Nesse caso, o resultado apurado pelo instituto foi: Dilma, 43%; Aécio, 15%; Eduardo Campos, 7%; brancos e nulos, 25%; não sabem/não responderam: 11%.

Na situação em que o Ibope usou Marina Silva no lugar de Eduardo Campos, o resultado é: Dilma, 41%; Aécio, 14%, Marina, 12%; brancos e nulos, 22%; não sabem/não responderam: 10%.

Em ambos os cenários, a presidente seria reeleita no primeiro turno.

Segundo turno
Na hipótese de segundo turno, Dilma venceria Aécio por 47% a 20% (25% de brancos e nulos e 9% não sabem/não responderam), segundo o Ibope.

Se a adversária for Marina Silva, a atual presidente ganharia por 45% a 21% (brancos e nulos, 24%; não sabem/não responderam, 10%), apurou o instituto.

Contra Eduardo Campos, Dilma teria 47% e o governador, 16% (brancos e nulos, 26%; não sabem/não responderam, 11%).

Espontânea
Na modalidade espontânea da pesquisa (em que o pesquisador simplesmente pergunta ao eleitor em quem ele pretende votar, sem apresentar uma lista de possíveis candidatos), o nome mais mencionado foi o de Dilma Rousseff (23%), seguido de Lula (7%), Aécio Neves (6%), Eduardo Campos (3%), José Serra (2%), Marina Silva (2%), outros (1%), brancos e nulos (18%) e não sabem/não responderam (37%).

 

Publicado aqui, no G1.

 

Atualização à 0h41: Aqui, exatos cinco minutos antes deste “Opiniões”, o confrade Ricardo André Vasconcelos foi o primeiro na blogosfera goitacá a divulgar a nova pesquisa presidencial do Ibope.

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Paraíba do Sul — Soffiati alerta a todos que dependem do rio sobre projeto de Alckmin

Infográfico que ilustra o projeto de Alckmin para o rio Paraíba, publicado na capa de hoje da Folha (Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

A pedido do blog, o historiador e ambientalista Aristides Soffiati escreveu um artigo sobre o projeto do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), apresentado à presidente Dilma Rousseff (PT), no sentido de desviar mais água do rio Paraíba do Sul, em períodos de estiagem prolongada como o atual, para abastecer o Sistema da Cantareira, que atende a 15 milhões de paulistas. Aqui, na matéria das jornalistas da Folha Suzy Monteiro e Carolina Barbosa, você pode conhecer melhor a intenção de Alckmin e suas repercussões negativas em território fluminense. Abaixo, como alerta imprescindível a todos cujas vidas dependem do rio que formou a planície goitacá, o que Soffiati pensa sobre mais essa tentativa de sangrá-lo:

 

Sem o novo desvio proposto por Alckmin, o Paraíba em Campos, perto da sua foz em Atafona, já dá claros sinais de esgotamento (foto de Helen de Souza, da Folha da Manhã, publicado hoje na capa de O Globo)
Sem o novo desvio proposto por Alckmin, o Paraíba em Campos, perto da sua foz em Atafona, já dá claros sinais de esgotamento (foto de Helen Souza, da Folha da Manhã, publicada hoje na capa de O Globo)

 

 

Soffiati3De novo, a ave agourenta sobrevoa o Paraíba

Por Aristides Soffiati

A cidade de São Paulo cresceu de forma exageradamente desordenada a partir de 1950, suprimindo as várzeas dos rios da Bacia do Tietê e poluindo suas águas. Com a destruição das áreas de amortecimento de enchentes, as frequentes chuvas torrenciais alagam a zona urbana rapidamente. Ao mesmo tempo, a cidade contamina as águas do Tietê e afluentes urbanizados. Resultado: água demais ou água de menos. Havendo água disponível em quantidade, sua qualidade não se presta mais ao abastecimento público.

Então, o governo de São Paulo lança seu olho gordo para a Bacia do Paraíba do Sul. Desde 2008, o Estado manifesta intenção de transpor água da bacia para atender ao abastecimento da megalópole de São Paulo, incluindo Campinas. O intento só não foi adiante ainda pela resistência dos governos estaduais e municipais do Rio de Janeiro e de Minas Gerais, além das advertências do Ministério Público Federal. Em 2010, o Procurador da República em Campos enviou um ultimato ao governo de São Paulo recomendando que se abstivesse de transpor água do Paraíba para São Paulo a fim de não ser acionado judicialmente.

Agora, uma nova oportunidade surge para levar adiante a intenção. A prolongada estiagem que afeta a Região Sudeste provocou redução inédita nos reservatórios que abastecem a grande São Paulo, sobretudo no da Cantareira, o principal deles. O governador Geraldo Alckmin explica que a captação na Bacia do Paraíba do Sul será feita na represa do Rio Jaguari, seu afluente. Um canal de 30 quilômetros será construído para conduzir a água até uma elevatória, que a transporá para o sistema Cantareira.

No esforço de minimizar os danos à Bacia do Paraíba do Sul, Alckmin explica que não haverá transposição, mas transferência de água para o reservatório da Cantareira. Quando este encher em demasia, o excesso hídrico será transportado para o Paraíba, num sistema de mão dupla. A obra está orçada em R$ 500 milhões e só entrará em funcionamento no segundo semestre de 2015, no mínimo, o que contradiz o argumento da urgência.

Há problemas objetivos, sem dúvida. O consumo de água e de hidroeletricidade pela grande São Paulo ultrapassou os limites estabelecidos pela natureza. Houve, inclusive, encolhimento desses limites por falta de planejamento e destruição do ambiente. Mas esses problemas estão afetando também toda a Região Sudeste e grande parte do Brasil. Os reservatórios que atendem à região metropolitana de São Paulo e a Bacia do Paraíba do Sul estão na mesma região. Raramente, a Cantareira contará com excedente hídrico a ser transposto para o Paraíba e vice-versa.

Assim, a questão reveste-se de um caráter político-eleitoral notório. Alckmin divide o problema com Dilma Roussef. Se não autorizar a obra de transposição, ela poderá ser acusada de inimiga dos paulistanos. Se autorizar, sua popularidade de candidata num reduto historicamente dominado pelo PSDB pode crescer. No entanto, uma decisão como esta não pode ser tomada por meio de um mero ato legal. É preciso um consistente parecer técnico. Ele pode ser encomendado pela Presidência da República à Agência Nacional de Águas. Invocando o princípio da precaução, o Ministério Público Federal deve agir imediatamente.

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Rosinha concede ao servidor de Campos reajuste 5% inferior a SJB

(Montagem de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
(Montagem de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

A prefeita Rosinha Garotinho vai encaminhar na tarde de hoje (quarta-feira, 19) projeto de lei para a Câmara de Vereadores, concedendo reajuste antecipado para o mês de abril da ordem de 7% para os servidores municipais. O índice é superior à inflação do IPC nos últimos 12 meses, que está acumulado em 5,26% e representa o esforço do município na valorização do servidor público. Considerando o reajuste dado em 2013, o total acumulado no biênio é de 17,7%.

O impacto da folha de pagamento nos últimos 12 meses é de R$ 109 milhões, até o mês de fevereiro de 2014, fruto do reajuste acima da inflação concedido em 2013 e a chamada de mais de quase 3 mil concursados aprovados no concurso público, realizado em 2012, 10% de regência para os profissionais que atuam em sala de aula e 100% do Ret, entre outros benefícios.

A prefeita Rosinha Garotinho destaca que a adoção de políticas públicas de modernização da administração municipal, com a geração de empregos e atração de novos empreendimentos, tem possibilitado o município a concessão de reajustes acima da inflação, a partir do aumento da arrecadação própria, já que não é permitido, por Lei Federal, o uso de royalties do petróleo para pagamento de pessoal do quadro permanente.

O reajuste contempla também a mais de três mil servidores municipais aposentados e pensionistas, que recebem diretamente do Tesouro Municipal, considerando que o Instituto Previdenciário está formando fundo para o pagamento de futuros benefícios, a partir de 2016.

Matéria de Sérgio Cunha, postada aqui pela Secom.

 

Atualização às 16h08: Sempre atento, o jornalista da Folha Saulo Pessanha já havia republicado aqui, em seu blog, a notícia do reajuste de Campos.

Atualização às 16h15: Leia aqui, na Folha Online, sobre o reajuste de 12% concedido ontem ao servidor de São João da Barra pelo prefeito Neco (PMDB).

Atualização às 16h43: Também sempre atento, o jornalista da Folha Alexandre Bastos já havia feito aqui a analogia entre os aumentos aos servidores de Campos e SJB.

Sérgio Cunha
Sérgio Cunha

Atualização às 18h10: Autor da matéria postada pela Secom, o subsecretário de Comunicação Sérgio Cunha, a quem reputo entre os melhores jornalistas da minha geração, ressaltou que, diferente do que fizerem este blog e o do Alexandre Bastos, não há como se comparar as realidades entre Campos e São João da Barra. Na visão de Cunha:

— Como está descrito na matéria, só do concurso público que realizamos em 2012, visando elevar a qualidade do serviço que oferecemos ao cidadão, já convocamos mais de três mil novos servidores. Só isso é mais do que todos os servidores concursados em São João da Barra (que, de fato, tem entre 2,1 mil a 2,4 mil concursados em seus quadros). De qualquer maneira, enquanto servidor de Campos, não me cabe analisar a questão de outros municípios. O que posso garantir é que a prefeita Rosinha, diante do quadro de total desorganização, de desmonte da máquina pública que encontrou, quando assumiu o governo em 2009,  tem se empenhado com a a regularização, diante da lei, e com a modernização do serviço municipal. Sobre o aumento de 7%, mesmo que o salário esteja longe de ser o único benefício a que tem direito o servidor de Campos, ainda assim é um índice de reajuste superior ao concedido em outras cidades de médio porte e mesmo de algumas capitais de Estado no Brasil.

Atualização às 22h35: Aqui, no Blog do Bastos, foi noticiada a aprovação do reajuste de 7% ao funcionalismo na sessão de hoje da Câmara Municipal, bem como os protestos em defesa dos servidores feitos pelos vereadores de oposição Fred Machado (SDD), Rafael Diniz (PPS) e Marcão (PT).

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Mestre Kapi comanda o Cineclube Goitacá nesta quarta

Kapi - Um passaporte húngaro
(Foto de Valmir Oliveira – Folha da Manhã)

 

“Vaso ruim não quebra, vira craquelê”. Foi assim que o diretor de teatro e poeta Antonio Roberto Kapi fechou aqui, em 1º de setembro do ano passado, uma entrevista sobre os descaminhos da cultura pública de Campos, na qual respondia sobre o ostracismo a que pretendiam (e continuam a pretender) relegá-lo os podres poderes desta planície cortada pelo Paraíba do Sul. De lá para cá, após se recuperar da grave crise renal que o acometeu no meio do caminho, Kapi apresenta amanhã, quarta-feira, dia 19, a partir das 19h30, na sala 507 do edifício Medical Center, o documentário “Um passaporte húngaro”, da diretora brasileira Sandra Kogut, na segunda sessão da mostra “Cinema Verdade”, do Cineclube Goitacá.

Estar presente para prestigiar esse grande criador da tribo goitacá, com mais de 100 peças encenadas, vencedor por duas vezes do FestCampos de Poesia, é muito mais que prestigiar o cinema. É prestigiar tanto a vida, quanto a arte que, em quaisquer das suas formas, está fadada a imitá-la.

A entrada e a participação no debate após a exibição do filme são livres, sem necessidade de nenhum passaporte, como sempre foi e será a arte de Kapi.

 

Kapi - Um passaporte húngaro

 

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Suledil responde a Marcão onde Rosinha gastou o dinheiro público de Campos

dinheiro público

 

Suledil e Marcão (Montagem de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

Na sessão da última quarta-feira, dia 12, o vereador de oposição Marcão (PT) usou a tribuna da Câmara Municipal para cobrar, como noticiou aqui o Blog do Bastos: “Somando todos os governos entre os anos de 1993 e 2008 (15) anos o município contou com R$ 6 bilhões. Agora, em apenas seis anos, a prefeita Rosinha (PR) já contou com R$ 11,7 bilhões. Ou seja, nunca antes na história de Campos o município contou com tanto dinheiro. E aí, gostaria de saber o que foi feito com R$ 11,7 bilhões. Onde está esse dinheiro todo?”

Depois de dar aqui a resposta política ao edil petista, cobrando a aplicação dos recursos municipais durante o governo Alexandre Mocaiber (PSB), do qual Marcão foi subsecretário de Petróleo no último ano de gestão, o atual secretário de Governo Suledil Bernardino (PR) também deu sua resposta técnica ao questionamento da destinação das verbas públicas nos últimos seis anos da Prefeitura. Após Marcão já ter enumerado aqui suas ações no governo Mocaiber, dando também sua resposta política às provocações do secretário, conheça abaixo os 16 principais investimentos públicos de Campos listados por Suledil, ainda que sem revelar os valores gastos, desde que Rosinha assumiu o município em 2009, até esta primeira metade do seu segundo mandato:

 

Prefeitura de Campos1

 

1 – Programa Morar Feliz

O Programa Morar Feliz construiu em sua primeira etapa 5.426 unidades em diversos condomínios para resolver o problema das pessoas que moram em área de risco e encontravam-se em aluguel social decorrente das últimas enchentes do Rio Paraíba. Já está em andamento a segunda etapa do Morar Feliz, onde estão sendo construídas mais de quatro mil casas.

 

2 – Programa Bairro Legal

O Programa Bairro Legal tem como finalidade a implementação de saneamento básico, com construção de rede coletora de esgoto, elevatórias e estações de tratamento de esgoto.

Já foram implementados o Bairro Legal de:

·         Donana

·         Residencial Santo Antônio

·         Complexo do Eldorado (Jardim Ceasa, Novo Eldorado e Parte da Vila Industrial)

·         Ururaí

·         Lapa e Matadouro

·         Penha

·         Nova Goitacazes e Tocaia (em execução: 80%)

·         Solar da Penha e Estância da Penha (em execução: 70%)

 

3 – Centro de Eventos Populares Osório Peixoto (Cepop)

 

4 – Revitalização do Centro Histórico (em execução)

 

5 – Recuperação do Solar Visconde de Araruama – Museu Hisórico

 

6 – Recuperação da Rodoviária Roberto Silveira

 

7 – Reforma do Hospital Ferreira Machado:

·         Construção de nova pediatria

·         Construção de nova UTI com 32 leitos

 

8 – Duplicação da RJ 216 (em execução)

 

9 – Programa de Revitalização de Avenidas:

·         Av. José Carlos Pereira Pinto

·         Av. Nazário Pereira Gomes (1ª parte concluída)

·         Av. Arthur Bernardes (em execução da 3ª etapa)

 

10 – Revitalização do Canal Campos-Macaé e Parque Alberto Sampaio:

·         Nova Beira Valão (concluída)

·         Parque Alberto Sampaio (em execução)

 

11 – Drenagem e Urbanização:

·         Carvão

·         Parque Novo Jockey

·         Rio Preto

·         Ponta da Lama – 1ª etapa concluída

·         Linha do Limão – Goitacazes

·         Parque Novo João Maria

·         Morro da Parabólica – Conselheiro Josino

·         Complexo de Ruas (1 e 2) no Parque Santo Antônio – Guarus

·         Parque Rio Branco

·         Distrito de Vila Nova

·         Campo Novo – Baixada Campista

 

12 – Programa Meu Bairro é Show:

Esse programa visa oferecer melhorias operacionais com recuperação de pavimentação em paralelo, asfaltamento de novas ruas e construção de calçadas padronizadas.

 

13 – Reconstrução de Estradas:

·         Estrada de São Bento

·         Estrada do Carmo

·         Estrada do Bugalho

·         Estrada de Cambaíba a Campo Novo

·         Estrada do Veiga – Goitacazes-Poço Gordo

 

 14 – Construção de Pontes:

·         Jockey Club – Canal de Coqueiros

·         Beco (Usina Santo Antônio) – Canal de Coqueiros

·         Penha – Canal de Coqueiros

·         Pontes Gêmeas – Canal de Coqueiros – Arthur Bernardes (70% concluída)

·         Rio Preto

·         Canal de São Bento

·         Rio Doce – Marrecas

·         Rio Novo – Retiro

·         Rio Imbé

·         Canal de Cambaíba

 

15 – Vilas Olímpicas concluídas:

·         Parque Guarus

·         Parque Santa Clara

 

 16 – Implementação do Complexo Logística e Industrial Farol-Barra do Furado

 

Atualização às 17h55 para publicar abaixo os infográficos com dados mais detalhados (mesmo que ainda sem revelar nenhum valor) dos programas Bairro Legal e Morar Feliz, além dos investimentos municipais feitos também em Creches e Escolas, 17º ponto na lista da aplicação dos recursos públicos nos governos Rosinha, elaborada por Suledil:

 

Bairro Legal

 

 

Morar Feliz

 

 

Creches e escolas 1

 

 

Creches e escolas 2

 

 

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