Ctrl+C/Ctrl+V — A sina de quem não dá o crédito que não possui

Se você, leitor, quiser saber quem foi a primeira a noticiar na blogosfera goitacá a Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije) do Ministério Público Eleitoral (MPE), contra a prefeita Carla Machado (PMDB) e a chapa por ela apoiada para sucedê-la em São João da Barra, composta pelos vereadores Neco (PMDB) e Alexandre Rosa (PMDB), basta acessar aqui e aqui o sempre competente trabalho da jornalista e blogueira Suzy Monteiro.

Agora, para saber quem copiou e colou a informação, mas sem fazer, como de hábito, a referência devida à fonte original da informação, basta clicar aqui a cópia mal feita e atrasada em nada menos que 1h20, por quem não respeita o crédito alheio e há muito perdeu o próprio. Desprovida de qualquer noção ética, a prática é reincidente, como o leitor deste “Opiniões” poderá aqui refrescar sua memória.

PF divulga e o blog reproduz vídeo da conversa de Alexandre Rosa com Rodrigo Rocha

Na coletiva de hoje, encerrada com as diligências para entregar mandados de intimação em Campos e São João da Barra, o delegado titular da PF em Campos, Paulo Cassiano Júnior, distribuiu à imprensa um CD com gravações em áudio, da prefeita Carla Machado (PMDB), e em vídeo, do vereador e candidato a vice na chapa governista à Prefeitura, Alexandre Rosa (PMDB). Hoje, o blog reproduz o vídeo, contendo a conversa de Rosa com o candidato a vereador Rodrigo Rocha (PR), um dos principais motivos para a prisão de Carla, como este “Opiniões” divulgou aqui, em primeira mão, na madrugada de quarta.

O texto explicativo, também transcrito abaixo, foi produzido pela própria PF…

Vídeo de Alexandre Rosa conversando com Rodrigo Rocha, candidato do PR.

O candidato a vice prefeito de SJB estaria intermediando o apoio e a compra dos votos de Rodrigo Rocha para que ele apoiasse Renato Timóteo. A prefeita não saberia dessa negociação porque, segundo ele, estaria fazendo uma surpresa à Carla.

6 minutos e 25 segundos:

Alexandre diz que, pelas pesquisas, 3300 votos fazem um vereador na câmara, mas se Rodrigo sair, não faz nenhum.

9 minutos e 30 segundos:

Alexandre pergunta a Rodrigo: “Ele não conversou com você?”, fazendo sinal de dinheiro com a mão (aparece no vídeo e tem foto). Ele se refere a Renato Timóteo.

11 minutos e 2 segundos:

Alexandre sugere a Rodrigo que ele elabore um documento, discriminando quantos votos ele estaria vendendo e o que ele queria receber em troca.

14 minutos e 18 segundos:

Alexandre pergunta: “Qual candidato você quer apoiar? O amigo que esteve aqui”, que seria o Renato Timóteo.

18 minutos e 30 segundos:

Alexandre novamente sugere que seja redigido um documento com tudo, dizendo que saiu da candidatura. Mas com coerência, o que é dele e quais as obrigações.

22 minutos e 20 segundos:

Alexandre fala para Rodrigo entregar uma carta de desistência. Rodrigo pergunta como ela deve ser feita e Alexandre responde que “vai passar do jurídico para saber como é que faz”.

MPE abre Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije) contra Carla, Neco e Rosa

Por suzy, em 04-10-2012 – 18h55

O Ministério Público Eleitoral (MPE) ajuizou Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije) contra a prefeita Carla Machado, o candidato a prefeito José Amaro Martins de Souza, o Neco, e de seu vice Alexandre Rosa, todos do PMDB. O motivo é abuso de poder econômico e político.

Nota do MPE sobre a Aije em SJB

A Promotoria de São João da Barra junto à 37ª Zona Eleitoral ajuizou, nesta quinta-feira (04/10), Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) em face da Prefeita de São João da Barra, Carla Machado, do candidato à Prefeitura José Amaro Martins de Souza, conhecido como Neco, e de seu vice, Alexandre Rosa, por abuso de poder político e econômico.

A Promotoria Eleitoral foi formalmente comunicada, na terça-feira (02/10), da existência de investigação da Polícia Federal  por meio de ofício instruído com cópia do inquérito policial. A Promotoria é responsável pela repercussão cível eleitoral do conteúdo das investigações feitas pela Polícia Federal. A esfera criminal, uma vez que as autoridades envolvidas com a prática criminal têm foro por prerrogativa de função, é de atribuição do Procurador Regional Eleitoral.


Publicado aqui e aqui no blog “Na curva do rio”, pela Suzy Monteiro.

Situação jurídica de Rosinha em debate com o Cleber Tinoco

O Ricardo André Vasconcelos, um dos jornalistas e homens que mais respeito nesta terra de planície cortada pelo Paraíba do Sul, já escreveu que a atuação virtual do advogado Cleber Tinoco é um candieiro que ilumina a blogosfera goitacá. Na opinião deste outro jornalista e blogueiro, Ricardo não está errado.Não por outro motivo, pedida a licença devida, passemos abaixo à transcrição do que discorreu aqui o Cleber sobre o processo eleitoral, a estratégia e o registro da prefeita Rosinha Garotinho (PR), franco-favorita à maioria dos votos que serão confirmados na urnas de daqui a menos de três dias, independente da validade que terão (ou não) nos tribunais de depois…

Processo eleitoral, estratégia e registro de Rosinha.

Por Cleber Tinoco, terça-feira, 2 de outubro de 2012

Por abuso de poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação, foram propostas contra Rosinha duas ações: a) ação de investigação judicial eleitoral (AIJE) e b) ação de impugnação de mandato eletivo (AIME). Observe.-se que o abuso de poder econômico serviu de fundamento para as duas ações.

Agora tento explicar a necessidade para o manejo das duas ações.

Com a AIJE buscava-se cassar o registro e tornar Rosinha inelegível por 3 anos. O problema desta ação é que, antes da Lei da Ficha Limpa, se ela fosse julgada após a proclamação dos eleitos não tinha o condão de impedir o exercício do mandato. Para tanto, era necessário o manejo ou de recurso contra a expedição de diploma, ou de impugnação de mandato eletivo, conforme o caso. Como a situação de Rosinha envolvia abuso de poder econômico, a ação adequada era a impugnação de mandato eletivo.

Tanto a AIJE quanto a AIME seguiram cursos diferentes, com idas e vindas ao TSE. O mais importante agora é perceber a fase em que estavam quando foi publicada a lista com os pedidos de registro de candidatura para as eleições de 2012.

Antes, porém, devemos conhecer as três ações que estão envolvidas na situação de Rosinha: a) ação de impugnação de mandato eletivo (AIME); b) ação de investigação judicial eleitoral (AIJE) e c) ação de impugnação de registro de candidatura (AIRC).

As duas primeiras, por força da Lei da Ficha Limpa, conduzem a inelegibilidade do candidato que for condenado, por órgão colegiado, em razão de abuso de poder econômico.

A última serve para impugnar o pedido de registro de candidatura, levando em conta a inelegibilidade do candidato entre outros fundamentos. Além disso, deve ser renovada a cada eleição, ainda que em discussão, por exemplo, as mesmas causas de inelegibilidade. Na impugnação ao registro, o juiz não decreta a inelegibilidade, apenas declara uma preexistente para indeferir o registro.

Como se observa, a inelegibilidade se não for alegada através de impugnação do registro da candidatura pode não impedir que o ficha suja concorra, ganhe e até exerça o mandato.

Os pedidos de registro de candidatura de Rosinha e Chicão foram impugnados pelo Ministério Público Eleitoral (MPE), que sustentava a inelegibilidade deles com base na Lei da Ficha Limpa, já que tinham sido condenados pelo TRE-RJ por abuso de poder econômico. Esta mesma decisão proferida na AIME cassou o mandato de Rosinha, mas seus efeitos estavam suspensos por decisão liminar do TSE. O Ministério Público Eleitoral, ao impugnar o registro, sustentou que o efeito suspensivo referia-se apenas ao exercício do mandato e não à hipótese de inelegibilidade contemplada na Lei da Ficha Limpa.

Até então o TRE-RJ não havia julgado a AIJE, desse modo contra Rosinha só pesava a condenação na AIME, ainda que seus efeitos estivessem suspensos, pois para o MPE era apta a gerar sua inelegibilidade.

O juiz eleitoral não acolheu os argumentos do MPE e acabou por deferir os registros de Rosinha e Chicão. Irresignado o MPE interpôs recurso junto ao TRE, repisando os mesmos argumentos. A Coligação Juntos por Campos, que não havia impugnado o registro em primeira instância, também interpôs recurso acrescentando fundamento novo, qual seja, decisão que o TRE tinha acabado de proferir na AIJE, decretando a inelegibilidade de Rosinha por abuso de poder econômico.

O TRE ao julgar o processo de impugnação de registro de candidatura acolheu as razões do Ministério Público Eleitoral, com base naquela condenação da AIME, indeferindo, assim, o registro de Rosinha. A partir daí, a candidata interpôs recurso especial junto ao TSE, cuja relatoria coube ao Min. Marco Aurélio.

Neste espaço de tempo, a Ministra Luciana Lóssio do TSE, ao examinar aquela AIME (ação que levou a cassação de Rosinha e que estava com efeitos suspensos por liminar do próprio TSE) resolveu anular monocraticamente a decisão do TRE e remeter o processo a primeira instância para novo exame.

Neste momento a situação era bem favorável a Rosinha. Primeiro, porque o principal fundamento para o indeferimento do registro (decisão proferida pelo TRE na AIME) já não mais existia. Segundo, porque de acordo com a súmula n.º 11 do TSE, no processo de registro de candidatos, aquele que não o impugnou não tem legitimidade para recorrer da sentença que o deferiu, salvo se se cuidar de matéria constitucional. Com base nesta súmula, o Min. Marco Aurélio afastou a legitimidade da Coligação Juntos por Campos, uma vez que referida coligação não atuou em primeira instância e recorreu sem esteio em matéria constitucional, contrariando, portanto, a súmula antes mencionada.

O quadro certamente seria outro caso o Ministério Público tivesse invocado não só a tese envolvendo a AIME, mas também a condenação sofrida por Rosinha na AIJE. De igual modo, se a Coligação Juntos por Campos tivesse atuado na primeira instância, apresentando a impugnação do registro de Rosinha e Chicão, ainda que copiando a tese do MPE, seria considerada legitimada a acrescentar a inelegibilidade decretada pelo TRE em grau de recurso.

Em prosa e verso, a prisão de Carla prevista por Garotinho e cumprida pela PF

Entre todas as análises sobre a operação da PF de Campos em São João da Barra, que gerou na noite da última terça, a cinco dias da eleição na qual o candidato governista Neco lidera com folgas todas as pesquisas na corrida à Prefeitura, a prisão da prefeita sanjoanense Carla Machado (PMDB), exatamente como o deputado Anthony Matheus, o Garotinho (PR), antecipou aqui, em 30 de junho, dois textos, publicados ontem, chamaram a atenção deste blogueiro. O primeiro, sob o ponto de vista sempre equilibrado e elegante do Christiano Abreu Barbosa (aqui), enquanto o segundo, pelo estilo totalmente oposto, mas próprio e fluido do Gustavo Matheus (aqui). Aos dois, o blog pede a devida licença (prosista e poética) antes de reproduzi-los, complementarmente, abaixo…

Polícia Federal prendeu mais um adversário de Garotinho: a bola da vez foi Carla Machado, prefeita de São João da Barra

Por Christiano, em 03-10-2012 – 21h58

A Polícia Federal prendeu, ontem (na terça), a cinco dias das eleições, a prefeita Carla Machado e o vereador Alexandre Rosa, vice-prefeito na chapa de Neco, que lidera folgadamente as pesquisas em São João da Barra. Ambos pagaram fiança e foram liberados. As acusações giram em torno de uma suposta compra de apoio político de candidatos a vereador da oposição.

Assim como ocorreu com a Operação Telhado de Vidro, que atingiu o governo do então prefeito Alexandre Mocaiber em Campos, a ação foi antecipada por Garotinho, principal beneficiado político pelas operações, em junho deste ano, na convenção do partido que definiu o ex-prefeito Betinho Dauaire como candidato a prefeito de São João da Barra.

É o terceiro caso de prefeitos, adversários políticos regionais de Garotinho, que são atingidos por operações da Polícia Federal. Sempre em ano eleitoral, normalmente causando alterações nas intenções de voto e nas urnas. Além de Alexandre Mocaiber, em 2008, este ano Beto Azevedo, de São Francisco do Itabapoana, foi alvo de uma operação.

Confira detalhes da operação e de toda a cobertura jornalística aqui, no blog Opiniões, aqui, no Blog do Bastos, e aqui, no blog Na Curva do Rio, de Suzy Monteiro, todos com várias notas sobre o caso, incluindo a coletiva do delegado da PF, Paulo Cassiano Júnior, e a entrevista de Carla Machado.

Moisés contemporâneo

Publicado por Gustavo Matheus, em outubro 3, 2012

Abre-te sésamo!!

Eis que surge ele, o Moisés contemporâneo, profeta dos novos tempos, possuidor de informações quase divinas.

Como já se ouviu em grampo telefônico, o deputado federal Anthony Matheus, tem pessoas infiltradas na PF, assim como em diversos outros lugares. O Corleone brasileiro, não é mãe Dinah, mas sabe de muita coisa.

É difícil demais tomar o lado oposto desse menininho, mas parabenizo quem o faz, pois estão sempre sujeitos a uma emboscada política e moral. Carla Machado vem dando uma surra no rapazinho em SJB, e de repente surgem supostas denuncias e gravações, enquanto a nossa roxinha segue a brincar de contornar e colorir, com seu lápis de cor rosa, ou roxo, impunemente.

Militantes de Neco agridem verbalmente PF e imprensa, chegando às vias de fato contra dois jornalistas

Em Campos, a PF para primeiro na casa de Alex Valentim (foto de Phillipe Moacyr)
Em Campos, a PF para primeiro na casa de Alex Valentim (foto de Phillipe Moacyr)

Na porta da casa de Tino Ticalu, rapaz revoltado exemplifica que a violência se cultiva desde novo (foto de Phillipe Moacyr)
Na porta da casa de Tino Ticalu, rapaz revoltado exemplifica que a violência se cultiva desde novo (foto de Phillipe Moacyr)

Já em SJB, a militância de Neco inicia suas hostilidades contra a PF e a imprensa (foto de Phillipe Moacyr)
Já em SJB, em frente ao comitê de renato Timóteo, a militância de Neco inicia suas hostilidades contra a PF e a imprensa (foto de Phillipe Moacyr)

Em frente à casa de Neco, militantes não disfarçam a atitude agressiva contra a imprensa (foto de Phillipe Moacyr)
Em frente à casa de Neco, militantes não disfarçam a atitude agressiva contra a imprensa (foto de Phillipe Moacyr)

Sobre o capô da viatura da PF, a advogada Carolina Cunha assina as intimações dos seus seis clientes (foto de Phillipe Moacyr)
Sobre o capô da viatura da PF, a advogada Carolina Cunha assina as intimações dos seus seis clientes (foto de Phillipe Moacyr)

Lamentável, sob todos os aspectos, o que aconteceu no final da manhã e início da tarde de hoje, entre a coletiva do delegado federal Paulo Cassiano Junior e as diligências da PF para entregar mandados de intimação, dando sequência à operação deflagrada na noite da última terça, a apenas cinco dias da eleição, para prender a prefeita Carla Machado (PMDB) e Alexandre Rosa (PMDB), vereador e candidato a vice na chapa governista encabeçada pelo também vereador Neco (PMDB), favorito em todas as pesquisas na corrida à Prefeitura. Por volta das 11h, enquanto gravava as sonoras com as equipes de reportagem de TV, ao final da coletiva iniciada às 9h, o delegado Paulo Cassiano interrompeu as entrevistas, dizendo que iria cumprir mandados de intimação.

Logicamente, todas as equipes de reportagem presentes seguiram a diligência do delegado, cujo primeiro ponto de parada, por volta das 11h30, foi ainda em Campos, mais precisamente no Parque Tarciso Miranda, na residência de Alex Valentim, opositor que teria sido cooptado para retirar sua candidatura a vereador para apoiar o candidato governista Renato Timóteo (PDT). Com a casa fechada, sem que ninguém atendesse, a PF pegou a BR 356, rumo a São João da Barra.

Por volta do meio-dia, o primeiro destino foi no centro da cidade, no comitê de Renato Timóteo, onde ele também não foi encontrado. Mas enquanto os policiais federais falavam com alguém dentro do comitê, centenas de militantes de Neco começaram a chegar ao local, passando a cercar a imprensa, acusada indistintamente de “sem ética” e por “estar levando dinheiro de Garotinho”, além a própria viatura da PF, sobre a qual foi entoado o grito“Au, au, au, fora Federal!”.

Dali, por volta das 13h, os agentes e a imprensa foram, também no Centro de São João da Barra, à casa de Tino Ticalu (PT do B), o único dos intimados que seria econtrado nas diligências da PF. Lá, novamente os militantes governistas chegaram, mas dessa vez em menor número, o que não reduziu as hostilidades contra os jornalistas e os policiais federais. A repórter da Folha, Ulli Marques, por exemplo, teve que ouvir as classificações de “debilóide” e “burra” de uma militante com o dedo em riste diante ao rosto de quem só estava ali para fazer seu trabalho. Mas pior ainda, lamentavelmente, aconteceu com o editor do site Ururau, Leandro Nunes, que chegou a ser empurrado por um militante e quase foi lançado ao chão.

Depois, em torno das 14h, a diligência da PF e a imprensa que a seguia se encaminharam à residência do próprio Neco, no bairro de Água Santa, na saída de São João da Barra em direção a Atafona. Com a casa fechada, os militantes do candidato não tardaram a também chegar, novamente às centenas. E, infelizmente, suas agressões novamente excederam as verbais. A jornalista do SBT Roberta Barcelos, que sem nenhum dolo político trajava azul (cor da campanha de Betinho), teve a roupa molhada pela água jogada por uma militante vestida de vermelha, cor da campanha de Neco e geralmente associada à violência.

Por fim, ainda diante à casa de Neco,  chegou ao local a advogada Carolina Cunha, que assinou, mediante procurações previamente assinadas, os mandados de intimação de Neco, Silvana Ferreira (PR), Alex Valentim (PR), Alex Firme (PMDB), Renato Timóteo e Eliseu Motos (PDT) — os cinco últimos, ou candidatos governistas a vereador, ou de oposição que teriam sido cooptados. A advogada da coligação de Neco questionou a atitude midática de Paulo Cassiano, ao montar uma diligência para entregar mandados de intimação que poderiam ser entregues por oficiais de justiça, deflagrando a nova operação em meio a uma coletiva de imprensa, além do fato de nela o delegado ter distribuído ao jornalistas as supostas provas do seu inquérito, na forma de CD contendo um áudio de Carla Machado e um vídeo de Alexandre Rosa, que antes negou à defesa dos acusados.

Certamente a advogada tem suas razões, jurídicas e éticas, para suas críticas à atuação do delegado. No entanto, nenhuma delas é capaz de nublar o fato de que aquilo que a militância governista de São João da Barra fez hoje, contra a insituição da Polícia Federal, patrimônio que, a despeito de eventuais desvios isolados, dignifica este país, e sobretudo contra a imprensa, que estava ali cumprindo sua função constitucional de narrar fatos, culminado com duas agressões físicas a jornalistas, é tão vergonhoso quanto inadmissível.

É por essas e outras práticas arrogantes, soberbas, paridas na passionalidade desprovida de razão, típicas de quem se julga acima da lei, que o grupo de Carla tem colecionado desafetos e problemas com a Justiça, da mesma maneira que o seu principal inimigo: Anthony Mateus, o Garotinho.

Pesos e medidas da PF de Campos

Logo após a Telhado de Vidro ter sido deflagrada em Campos, em 11 de março de 2008, o vereador Marcos Bacellar (PDT), então presidente da Câmara, veio a público denunciar que o hoje candidato a vereador Edson Batista (PTB) o teria procurado dois dias antes, como emissário enviado pessoalmente por Anthony Garotinho (PR), para tentar negociar o rearranjo político do município, a partir do grande impacto que seria causado (como de fato foi) pela operação cujo conhecimento prévio deveria ser restrito aos órgãos federais de atuação judicial em Campos.

Com o passar do tempo, mudaram os desafetos e os aliados. O ex-prefeito Alexandre Mocaiber e alguns dos seus principais assessores, execrados publicamente por Garotinho, encontraram abrigo no colo do seu grupo político e da sua esposa. Já alguns parceiros umbilicais de antes, como a prefeita sanjoanense Carla Machado (PMDB), foram transformados em desafetos figadais. O que não mudou, no entanto, foram as aparentes coincidências entre o que Garotinho anuncia em tom de ameaça contra seus adversários e aquilo que a realidade se encarrega de cumprir não muito depois.

No último dia 30 de junho, na convenção do PR em São João da Barra (SJB), que lançou o ex-prefeito Betinho Dauaire (tradicional opositor convertido em aliado) à sucessão de Carla, Garotinho disse textualmente, sem se importar em ser filmado: “Há uma quadrilha instalada na Prefeitura de SJB, e a chefe desta quadrilha chama-se Carlinha Machado. Vocês não tenham dúvida, isto aqui vai terminar igual terminou em Campos: secretário preso, prefeito preso. E antes que a eleição termine, depois vocês me digam aí, vai ter um grupo grande da prefeita passando uma temporada lá em Bangu I”.

Pois pouco mais de 90 dias depois, na noite da última terça, a apenas cinco dias da eleição na qual o vereador Neco (PMDB), candidato apoiado por Carla, segue tão favorito nas pesquisas quanto a prefeita Rosinha (PR) em Campos, mais uma profecia de Garotinho foi cumprida quase integralmente. Carla realmente foi presa, pela mesma Polícia Federal (PF) que quatro anos antes prendera secretários do governo Mocaiber. E talvez não seja irrelevante a constatação de que, baixada a poeira do inevitável (e insanável) estrago político, nenhum deles foi condenado pela Justiça.

Bem verdade que a prefeita de SJB, pelo menos por enquanto, ainda não foi para Bangu I, mas passou a madrugada de ontem presa na Delegacia da PF de Campos, de onde saiu no início da manhã, após pagar fiança, prometendo questionar na Corregedoria do órgão vários pontos da operação montada para prendê-la. Por sua vez, a PF prometeu divulgar hoje dois CDs com vídeos e áudios que comprovariam os crimes eleitorais que teriam sido cometidos pela situação sanjoanense.

Se o Ministério Público Eleitoral de SJB denunciar e, sobretudo, se a Justiça Eleitoral de SJB condenar Carla e seu grupo com a mesma certeza com que fez ontem, em entrevista coletiva, o delegado titular da PF em Campos, Paulo Cassiano Júnior, este merecerá aplausos por sua ação, assim como merecem os policiais federais do Rio, o Ministério Público Federal do Rio e a Justiça Federal do Rio, que juntos conseguiram impor a Garotinho sua condenação como líder de quadrilha armada.

Todavia, mesmo que Carla venha a ser também condenada como chefe de quadrilha, confirmando o discurso do deputado federal em 30 de junho, ecoado ontem pelo delegado federal de Campos, o que qualquer um, político, jurista, delegado ou o simples cidadão leigo poderá questionar é por que esse mesmo rigor da PF local não se deu, por exemplo, na apreensão de R$ 318,2 mil, na antevéspera da eleição municipal de Campos em 2004,  que seriam usados para compra de votos e estavam na sede do PMDB — então partido de Garotinho, que lá dentro se encontrava?

Certo que, à época, o comando da PF em Campos era outro. Muito embora fosse o mesmo de hoje, na Operação Cinquentinha, que comprovou compra de votos na eleição de 2008, nos distritos de Morro do Coco e Vila Nova, para a então candidata Rosinha Garotinho. No caso, talvez fosse cabível questionar: mesmo tendo nomeado logo após tomar posse, como seu subsecretário de governo, um dos principais envolvidos (Thiago Calil) na compra de votos faturados à sua candidatura, como Rosinha conseguiu não ser indiciada ou sequer chamada para prestar nenhum esclarecimento na mesma delegacia em que Carla passou uma madrugada presa?


Publicado na edição de hoje da coluna Ponto Final, da Folha da Manhã.

Ouça a entrevista de Carla Machado sobre sua prisão

Editada em seus trechos mais fortes, ouça abaixo a entrevista com Carla Machado (PMDB), feita na manhã de hoje, na rádio sanjoanense Barra FM e retransmitida pela Rádio Continental, do grupo Folha, logo após a prefeita ser liberada da delegacia de Polícia Federal de Campos, onde passou a madrugada presa, mediante pagamento de R$ 60 mil de fiança…

Carla vai à Corregedoria da PF

blog do bastos
Por alexandre bastos, em 03-10-2012 – 15h08

A prefeita Carla Machado (PMDB) já informou que vai à Corregedoria da Polícia Federal para questionar uma série de questões.  Ela alega ter sido detida sem qualquer mandado de prisão e ficou por uma hora e meia sem um advogado, pois os policiais teriam impedido a entrada. Ela também questiona a forma da abordagem. “Não havia necessidade daquela gritaria com armas em punho”, disse a prefeita. Carla relatou que a informação sobre a operação da PF estava sendo ventilada no comício do adversário. “Não tem ninguém bobo. Estamos nos aproximando de uma eleição e todos sabem da minha aprovação e da margem que temos de vantagem em relação aos adversários”, disse.


Postado aqui, no Blog do Bastos.

MP Eleitoral investiga políticos presos em SJB

Por suzy, em 03-10-2012 – 15h39

A Procuradoria Regional Eleitoral (PRE) no Rio de Janeiro acompanha o inquérito da Polícia Federal que investiga a prefeita de São João da Barra, Carla Machado, o candidato a vice-prefeito Alexandre Rosa e outros políticos por compra de votos e formação de quadrilha. As provas colhidas com a prisão dos dois políticos em flagrante delito na madrugada de hoje (03/10) serão examinadas pelo procurador regional eleitoral Maurício da Rocha Ribeiro, responsável por processos contra crimes eleitorais no Tribunal Regional Eleitoral (TRE/RJ).

(Fonte: Ascom/PRE)

Publicado aqui, no blog “Na curva do Rio”.

A versão de Carla Machado sobre ação da PF

Os blogueiros Cláudio Andrade e Alexandre Bastos publicaram, respectivamente aqui e aqui, a versão da prefeita sanjoanense Carla Machado (PMDB) sobre sua prisão por formação de quadrilha, junto com o candidato a vice-prefeito na chapa governista, Alexandre Rosa (PMDB), na noite de ontem, após um comício de Neco (PMDB), vereador e postulante governista à Prefeitura, em Grussaí. O primeiro blogueiro apurou com a prefeita uma declaração exclusiva por telefone, enquanto o segundo trasncreveu trechos da entrevista de Carla deu na rádio sanjoanense Barra FM, na manhã de hoje, após ser liberada mediante pagamento de fiança de R$ 60 mil. Abaixo, o blog pede a licença devida para trasncrever ambos…

Carla Machado: “Eu já sabia!”

A prefeita Carla Machado em contato com o blog informou que já tinha sido avisada da operação. Segundo ela, na madruga, ela já tinha postado em seu facebook, uma carta de perseguição.

Carla relatou que vai entrar na Corregedoria contra o delegado Paulo Cassiano. A prefeita disse que foi detida sem qualquer mandado de prisão e que ficou por uma hora e meia sem um advogado, pois os policiais não deixaram os mesmos entrarem.

Noticiou também que no momento da abordagem ela estava com dois advogados e o motorista e não havia nenhum material em seu veículo que pudesse justificar a questão.

Para ela se trata de uma armação orquestrada pelos adversários políticos devido ao alto índice de aprovação de seu governo e da liderança de Neco.

Carla disse ainda que soube que no comício de Betinho, a operação havia sido ventilada.

Carla está nesse momento indo para a Rádio Barra onde irá dar uma coletiva.

Carla Machado: “Fomos vítimas de uma trama”

Em entrevista à rádio Barra FM, a prefeita de São João da Barra, Carla Machado (PMDB), comentou sobre a prisão dela e do vereador Alexandre Rosa (PMDB). “Fomos vítimas dessa trama, dessa maldade arquitetada pelos adversários. Mas quero deixar claro que temos fé. Tudo isso aconteceu por conta da eleição. Todos sabem o resultado da pesquisa. Temos uma ampla margem de vitória. Nosso adversário tem um projeto personalista e ele é um inimigo muito feroz. Todos conhecem Garotinho. Brigou com Sérgio Mendes, perseguiu Arnaldo e perseguiu Mocaiber, que hoje está ao lado dele. Todos sabem a influência que ele tem. Foi governador. Mas existe alguém maior, que é Deus. Temo a Deus, não temo homem algum”, disse Carla, frisando que vai até o fim. “Não tivemos acesso ao processo, mas garanto que nossos advogados vão buscar os recursos. Não tenho medo. Vou até o fim”, frisou.

Sobre o momento da prisão, a prefeita contou: “Chegou um carro sem identificação com homens gritando, revólver em punho. Me puxando para entrar no carro deles”, disse, ressaltando que a população está ao seu lado. “O povo de São João da Barra não gosta de covardia. Qualquer pessoa consegue perceber isso. Até adversários já disseram que isso foi uma grande maldade. Quem vibra com uma perseguição desse tipo é uma minoria interesseira”, completou.

Já sabia — Segundo Carla Machado, fontes já haviam informado anteriormente sobre uma possível operação da PF em SJB. “Uma pessoa ligada ao vereador Camarão me avisou. Outra pessoa ligada ao Garotinho também me avisou. E mais uma pessoa ligada ao partido dele já havia dito. Como eles sabiam disso?”, indagou a prefeita.