Pré-candidato pelo PV, Clodomir Crespo põe obras públicas em pauta

demolição

 

Desde o último dia 11, o blog anunciou aqui que um empresário do ramo de construção civil, com conhecimento pormenorizado das obras públicas municipais, estaria articulando junto a um partido da Frente Democrática de Oposição para se lançar à Prefeitura de Campos. Após ter o nome e a pretensão vazados por integrantes do partido, o engenheiro Clodomir Crespo, da DAC  Construções, confirmou que se filiará ao PV no próximo dia 3, em evento do partido no Sesc de Grussaí. Há algum tempo, Clodomir costura o projeto junto ao presidente do PV no município, Andral Tavares Filho, que se colocou aberto e simpático à alternativa, ainda que sem por enquanto abrir mão da sua própria pré-candidatura.

Abaixo, o que revelaram, pelo menos por ora, os dois pré-candidatos do PV…

 

Clodomir — É seguro que eu vou entrar no PV para ser pré-candidato a prefeito pelo partido. Só estamos estudando as possibilidades das coligações, das quais devemos ter novidade muito em breve. Vou assinar minha filiação no próximo dia 3, junto a mais de mil novos filiados, no encontro do partido no Sesc Mineiro. Acho que o fato de eu ser construtor não atrapalha em nada essa pretensão, já que não participo de qualquer licitação pública desde julho de  2007.  Em 31 de maio daquele ano, entreguei minhas últimas obras ao governo Mocaiber. Vi o que estava acontecendo então, e continuou a acontecer no governo Rosinha, não concordei em fazer e nunca mais voltei a participar de nenhuma licitação. Depois disso, ainda cheguei a concluir outra obra pública em agosto de 2009, mas que tinha sido iniciada desde 2005, foi abandonada por falta de pagamento no final de 2006, reiniciada no início de 2008, por Mocaiber, e terminada já com Rosinha, em parceria entre os governos estadual e municipal. Terminei porque era a minha obrigação, em contrato que já tinha assinado, mas que só pude cumprir quando os pagamentos voltaram a ser feitos. Acho que o fato de ser construtor até fortalece minha pré-candidatura, porque sempre participei honestamente e saí quando vi que não poderia ser mais assim. Como prefeito, um dos meus principais objetivos será impor esses critérios de probidade aos processos licitatórios. 

 

Andral — Clodomir não se filiou ainda, mas tem conversado conosco, na intenção de se filiar e se apresentar como pré-candidato. Acho que o fato dele ser do ramo de construções, não ajuda, nem atrapalha. Ele está se apresentando ao partido, que tem que julgar suas propostas e pretensões, o que é ou não pertinente. Mas o estamos recebendo com total simpatia. O candidato natural, projetado desde 2009, pela executiva estadual e os companheiros de Campos, sou eu. Mas o partido está aberto a novos nomes, como é o caso dele.

Cordeiro — Fisiologismo nas terceirizações e PMDB entre Henriques e Makhoul

Segundo o presidente do PMDB em Campos, Ivanildo Cordeiro, o fisiologismo político no município denunciado aqui pelo bispo católico Dom Roberto Ferrería Paz, existe não apenas em época de eleição, mas seria uma prática contínua. Como endosso à sua opinião, ele lança mão das terceirizações promovidas pela administração Rosinha. Ele também afirmou desconhecer, por parte do diretório local, a informação do jornal O Dia divulgada aqui, dando conta da migração Roberto Henriques (PR) para o PSD, visando se lançar o deputado estadual como candidato à Prefeitura em 2012, com apoio do PMDB do governador Sérgio Cabral. Por fim, Ivanildo confirmou o convite feito a Makhoul Moussallem pela prefeita sanjoanense Carla Machado (aqui), para que o médico ingresse no PMDB visando também se lançar à eleição majoritaria do próximo ano.

Abaixo, em partes, o que Cordeiro disse ao blog…

 

Denúncia de fisiologismo eleitoral — Concordo e acho que vai até além do que o bispo falou, com favores, empregos que a Prefeitura distribui no período de pré-campanha, a partir da contratação de terceirizados. Isso também é fisiologismo, é a mesma coisa que fez a Justiça (Federal) intervir no governo passado, chegando a cassar temporariamente o prefeito. Só que hoje é feito em escala muito maior, mais organizada, e ninguém faz nada. A secretaria (municipal) de Educação agora fala em contratar professores terceirizados para completar seus quadros, enquanto temos professores aprovados em concurso público que não são chamados. A tática é clara: colocar terceirizados e contabilizar os seus votos para a eleição, porque eles não têm estabilidade e dependem do governo para continuarem trabahando, mas de maneira pensada, planejada para se expirar o prazo de validade do concurso.

Promessa de reação da Igreja Católica — Se isso ficar na orientação do seu rebanho para votar com consciência, acho fundamental. Como o bispo ainda não definiu como vai ser essa reação, acho que só deveria se evitar que a Igreja Católica atuasse como partido, indicando esse ou aquele candidato, como várias igrejas evangélicas já fazem. Aí, acho que já vira fundamentalismo religioso.

Henriques a prefeito pelo PSD com apoio do PMDB — Não sei de onde isso partiu, não sei qual foi a fonte do jornalista Fernando Molica, de O Dia, mas o PMDB de Campos não tem nenhum conhecimento formal dessa hipótese. Embora estejamos abertos a qualquer discussão, nada neste sentido ainda foi debatido conosco; o que não impede que venha a acontecer.

Convite de Carla a Makhoul — Carla fez realmente este convite, para ele entrar no partido e concorrer à Prefeitura de Campos. Espero que ele venha, pois é um nome bom e já testado nas urnas, mas o fato é que isso ainda não ocorreu. Sei que ele tem convites semelhantes também do PT e do PRP (aqui).

Fisiologismo para se cooptar quem denunciou o fisiologismo em Campos?

Ao ler as colunas de opinião do último domingo, atentei a uma série de notas curtas, todas relativas à chegada do novo bispo católico de Campos, Dom Roberto Ferrería Paz. Após declarar aqui à Folha sua preocupação com o fisiologismo que entende generalizado nos processos eleitorias do município e de projetar uma postura ativa de enfrentamento ao problema, por parte da Igreja Católica, já no pleito de 2012, nada mais natural que o bispo tenha se tornado figura carimbada de todos os articulistas políticos da cidade.

Não por outro motivo, espera-se que o trecho final das notas, onde é sugerido que Dom Roberto passe a desenvolver projetos sociais com o governo Rosinha, se trate realmente apenas disso, não do anúncio velado de uma tentativa de cooptação fisiológica de quem desveladamente condenou e declarou pretender enfrentar o fisiologismo praticado neste município.

Crise global — formigas da Eurásia x cigarras ocidentais

E dando seguimento às discussões econômicas entre o blog e seus leitores, desenvolvidas aqui e aqui a partir do decreto 454 da prefeita Rosinha, cortando 10% dos contratos e convênios da Prefeitura, com a justificativa de preparar o município para enfrentar a nova onda de recessão na economia mundial, por enquanto mais restrita aos países ricos, segue abaixo a transcrição do ilustrativo artigo publicado hoje, na edição impressa de O Globo, pelo jornalista Paulo Guedes…

 

 

A linguagem do declínio

Há uma nova ordem econômica mundial em formação. O colapso da ordem socialista deserdou 3,5 bilhões de eurasianos. O mergulho dessa mão de obra e de seus fluxos de poupança forçada nos mercados globais criou simultaneamente uma oportunidade de enriquecimento acelerado e um extraordinário desafio de integração da economia mundial.

Os benefícios de um crescimento econômico sincronizado em escala global foram desfrutados. Mas persistem os desafios para uma integração bem-sucedida, e principalmente o desafio da competitividade das economias ocidentais. As modernas democracias liberais enfrentam nos mercados os custos de manutenção das suas redes de solidariedade, assistência e proteção social.

A ampliação desses mercados nos primeiros movimentos da globalização criou um universo econômico em expansão, com ganhos para todos, trazendo a ilusão de que não haveria dramáticos impactos sobre a antiga ordem ocidental. Pois bem, o mundo mudou e não voltará a ser o mesmo.

A crise contemporânea é um sintoma dos excessos dos ocidentais, de um lado, e do desesperado mergulho eurasiano nos mercados globais, de outro. Financistas anglo-saxões e políticos social-democratas europeus tentam escapar às exigências de adaptação à nova ordem global como o diabo foge da cruz. Os eurasianos, ao contrário, praticam no plano econômico tais exigências. Percorrem um longo ciclo de crescimento. Poupam como formigas e investem maciçamente em infraestrutura e educação. Sua alavanca de “inclusão social” é uma busca incessante de integração competitiva de suas indústrias nos mercados globais.

Já as cigarras ocidentais apenas consomem com dinheiro barato, crédito fácil, gordas aposentadorias e benefícios insustentáveis. A alavanca das frustradas tentativas de manutenção de padrões de vida irrealistas em meio à guerra mundial por empregos é o evangelho do brilhante Keynes, o manual de combate às crises das sociedades em declínio, que imaginam ter apenas problemas de curto prazo.

Acumulação de capital, educação, novas tecnologias, reformas institucionais, integração competitiva nos mercados globais, empreendedorismo e meritocracia: esta é a linguagem da ascensão econômica. Dinheiro barato, desvalorização da moeda, gastos públicos supérfluos, crises políticas e financeiras, desindustrialização e perda de competitividade, favorecimento a grupos de interesse: esta é a linguagem do declínio.

Versos do domingo — Antônio Carlos Secchin

Tornado poeta a partir de um conhecimento profundo de poesia, o carioca Antônio Carlos Secchin (12/06/1952) é doutor em Letras pela UFRJ, onde leciona Literatura Brasileira. Ocupa também a cadeira 19 da Academia Brasileira de Letras. Travei contato com ele a partir de um toque do professor de História e amigo Gustavo Soffiati, que identificou semelhanças de fraseado entre os versos dele e os meus, em analogia certamente superestimada da minha lavra.

Considerado por João Cabral de Melo Neto (1920/99) como seu melhor crítico, Secchin exibe em sua própria poética a face bem delineada do ávido leitor. E foi nesta condição que devorei seu “Todos os Ventos” (Nova Fronteira, 2002), livro com o qual gentilmente me presenteou, chegando depois a lhe confessar que “silêncio de âncora” é um dos versos mais belos que conheço escritos em língua portuguesa, ou em outra qualquer. 

Abaixo, para semear um “intervalo do azul” neste domingo, segue o poema completo…

 

 

Palavra

Palavra,
nave da navalha,
invente em mim
o avesso do neutro.
Preparo para o dia
a fala, curva do finito
num silêncio de âncora.
Atalho onde me calo
e colho, como a um galo,
o intervalo do azul.

Por que quem não pratica o fisiologismo ficaria contra o seu combate?

 

 

 

No último domingo, o novo bispo da cidade, Dom Roberto Ferrería Paz, disse o que todos os munícipes, católicos ou não, sabem tão bem quanto o Pai Nosso: “Nos parece que em Campos o tipo de política segue um viés um tanto quanto fisiológico, nem sempre atrelado a princípios e valores”.
 
No correr da semana, este blog e a Folha repercutiram a declaração entre cientistas políticos, líderes de outras denominações religiosas e políticos. E mesmo que alguns, sobretudo os políticos que detêm mandatos, tenham relativizado as declarações do sacerdote, nenhum deles negou que o fisiologismo está presente na prática política do município.
 
Não por outro motivo, muito se estranha que o deputado federal Anthony Garotinho (PR), hoje, em seu programa de rádio semanal, tenha atacado a Folha por trazer o assunto à baila. Se o fisiologismo não é generalizado nas eleições de Campos e, sobretudo, se o grupo político do ex-governador não o pratica — a despeito dos R$ 318 mil apreendidos na sede do seu partido de então, na ante-véspera da eleição de 2004, e das denúncias de compra de voto para Rosinha em Santo Eduardo, no pleito de 2008 —, porque atacar o veículo que divulgou uma denúncia com a qual todos parecem concordar? Aliás, por que o próprio Garotinho, como político de maior expressão da cidade, não se junta à campanha, que só visa deixar o processo eleitoral mais limpo, no sentido de resguardar a escolha de cada voto apenas à consciência do eleitor?

Em todo caso, uma coisa é certa: se o deputado pensa que os anúncios do poder público municipal divulgados comercialmente na Folha irão afetar em um milímetro a sua linha editorial, ele está tão enganado quanto o governador Sérgio Cabral (PMDB) ou a presidente Dilma Rousseff (PT), se porventura pensassem o mesmo a partir das respectivas veiculações publicitárias dos governos estadual e federal nas páginas do jornal de maior circulação de Campos e região.

No caso de dúvida, fica o conselho, que é de graça e deveria ser destinado à prefeita de direito, mas serve também àquele que se comporta como se o fosse de fato: basta pagar pra ver!

Maniqueísmo, o pior pecado de qualquer debate

 

Tive dúvidas de natureza ética para comentar parte da entrevista que fiz, no post abaixo, com o ex-deputado estadual e ex-vereador Sérgio Diniz. Mas, muito a cavalheiro, até por ter previamente assumido aqui meu voto nele para deputado federal, na última eleição, gostaria de destacar uma declaração que julguei muito preocupante, sobretudo na boca de alguém com a reconhecida idoneidade de princípios e capacidade intelectual de Diniz: “Não vejo nenhum aspecto positivo na atual administração de Campos. Todos são negativos”.

Não ser capaz de enxergar nada de positivo no governo Rosinha é repetir, pela negação, aquele que só vê aspectos positivos na atual administração municipal. E ambas as visões padecem do estrabismo mais grave, capaz de desviar o foco de qualquer debate, sobre qualquer tema: o maniqueísmo — que o jornalista Alexandre Bastos, em brilhante artigo, tão bem definiu aqui.   

Goste-se ou não de Garotinho, não há como negar seu talento ou omitir seu lugar já conquistado na história como político de maior expressão produzido por Campos desde o ex-presidente Nilo Peçanha (1867/1924). E, atraído por tamanha força de gravidade, a impressão que se tem em determinados momentos é que todo o debate político da cidade  foi arrastado à mesma passionalidade, ao mesmo critério figadal, ao mesmo primarismo de quem nega qualquer virtude alheia no adversário e o transforma, de simples oposto no campo das idéias, em um inimigo pessoal a ser combatido a ferro e fogo, características que sempre compuseram aquilo que Garotinho tem de pior em seu discurso e sua prática.

Programas municipais como o Bairro Legal, o Morar Feliz e a expansão do Fundecam para pequenos e micro empreendedores podem ser melhorados, podem ser questionados pela demora ou aparente vício de algumas licitações, mas não podem ser negados como bons programas, que deveriam ter continuidade por qualquer um que emergir triunfante das urnas de 2012. Negar isso é fruto de um maniqueísmo que preocupa (e muito), sobretudo quando excede o revanchismo até compreensível de ex-aliados de Garotinho tão ativos na blogosfera local, e passa a contaminar também o discurso de homens de bem, equilibrados e verdadeiramente independentes, como é o caso de Sérgio Diniz.

Garotinho não é o mal, como aqueles que o combatem, simplesmente por fazê-lo, não são o bem. Em ambos os lados existe uma coisa e a outra também, tanto quanto há em mim, ou em você, leitor. No universo que habita entre essa bipolaridade, característica tão perniciosa à psique de um indivíduo ou de uma coletividade, espera-se que sejamos capazes de encontrar bases mais sólidas para pavimentar as discussões dos nossos caminhos enquanto tribo.

Oposto ao fisiologismo e aos Garotinho, Diniz vai buscar cadeira na Câmara

Quem contabilizava Sérgio Diniz (PPS) como pré-candidato a prefeito, pode passar a somá-lo com mais segurança entre os postulantes à Câmara Municipal em 2012, à qual se elegeu em 2000, segundo se comenta nos bastidores políticos da cidade, no último mandato conquistado por um político em Campos sem apelar ao fisiologismo. Apesar de ter perdido a reeleição daquele mandato por apenas dois  votos, em outro fato até hoje lembrado, ele diz que não se arrependeu da opção ética, que encontrou eco na recente condenação pública ao fisiologismo praticado na política do município, feita aqui pelo novo bispo católico Dom Roberto Ferrería Paz. Crítico renhido do grupo do deputado federal Anthony Garotinho (PR), a ponto de não enxergar nenhum aspecto positivo no governo Rosinha (PMDB), ele encontra um tom bem mais suave quando forçado a analisar o passado de ligações dos correligionários Sérgio Mendes e Rogério Matoso (outros pré-candidatos do PPS à Prefeitura) com o governo Alexandre Mocaiber.   

 
 
 
 
Folha da Manhã — Dizem que você foi o último político de Campos a conquistar um mandato (de vereador, em 2000) sem apelar ao fisiologismo. É fato?

Sérgio Diniz — Tenho a absoluta certeza, por muitos e incontestes argumentos e situações, de que o fisiologismo impera na vida pública brasileira, não só no terreno da política, e que se torna um caminho muito “fácil” para a corrupção. Portanto, desempenhar uma função pública, comprometido com o fisiologismo, torna-se um desrespeito total à sociedade e aos seus fundamentais interesses. Não pratiquei e nem pratico fisiologismo. Não sou o único a agir assim. Há outros, infelizmente somos poucos.

 

Folha — Falando da maneira mais sincera possível, após perder a reeleição em 2004 por apenas dois votos, não chegou a se arrepender da opção em nenhum momento?

Diniz — Não. Quando implantei a Candido Mendes em Campos, as barreiras foram inúmeras, nem por isso desisti e, hoje, milhares de jovens conquistaram seu espaço profissional. Na vida pública, o ideal tem que ser maior e mais forte. Por isso, não desisti.

 

Folha — A partir do posicionamento público do bispo Dom Roberto Ferrería Paz, condenando o fisiologismo na política de Campos e prometendo o enfrentamento à prática por parte da Igreja Católica, acha que podemos ter um quadro diferente nas eleições de 2012?

 Diniz Sim, podemos. E torcemos para que o tenhamos. Quando Dom Roberto Francisco fala do fisiologismo emCampos, óbvio, que ele já tem informações suficientes sobre o nosso município e, o Brasil não é diferente de Campos, e ele conhece bem o nosso país. Todos sabemos da forte influência que as religiões exercem nas pessoas. A Igreja Católica mais ainda. Neste sentido, defendo a tese de que os padres, em seus ensinamentos e pregações, deveriam enfatizar a nítida opção de Cristo pelos pobres, excluídos, marginalizados e injustiçados. Desta forma, seria mais que teologicamente coerente que eles dissessem que vender voto, procurar e aceitar o fisiologismo e a corrupção, sobretudo nas eleições, é tão pecado quanto roubar, matar, estuprar etc. Quem negocia o voto não tem condições morais e cristãs de reivindicar educação melhor, saúde digna, harmonia social e muitas outras coisas importantes que atingem a dignidade do ser humano. Sem consciência cristã não há boas obras, nem terreno propício para a oração e para a fé.

 
 
Folha  Não deixa de ser curioso, na repercussão das declarações do bispo, que os políticos fora do poder, como você, endossaram a identificação e a condenação do fisiologismo, enquanto aqueles com mandato fizeram algumas restrições. A diferença e só de quem está fora e quer entrar para aqueles que estão dentro e querem se manter? Se não, qual mais?

Diniz  Em se tratando de um candidato sério (e os temos em Campos e no Brasil), mais importante do que ganhar a eleição é, pela suas palavras e conduta, levar a sociedade a uma profunda reflexão sobre a importância e a dignidade do voto. Nós só podemos transformar se nos transformamos. Por conseguinte, a obtenção do poder é a grande oportunidade de caracterizar essas transformações.

 

Folha  A vereadora petista Odisséia Carvalho e o médico Makhoul Moussallém, que estuda convites do PT e PMDB para se candidatar, admitiram a alternativa de concorrer à Câmara Municipal, além do pleito majoritário. E você, como pré-candidato a prefeito pelo PPS, também trabalha com essa possibilidade? Ela pareceria mais atraente caso fossem aprovadas as 25 cadeiras à próxima Legislatura?

Diniz  Sou pré-candidato a vereador, prioritariamente. Posso vir a analisar a hipótese de minha candidatura a prefeito, caso o meu partido (PPS) assim o entenda e, sobretudo, se a chama acendida pelo bispo Dom Roberto Francisco se transformar em uma fogueira de consciência, de esperança e de ostensivo apoio.

 

Folha  A opção pelo teto de 25 vereadores surge como a mais provável na medida em que parece ser a vontade de Garotinho. Como você, que já foi vereador, vê essa ligação direta entre a vontade do deputado federal e as decisões do legislativo municipal, a partir do controle de 13 dos 17 vereadores, materializada, por exemplo, na negação de todos os pedidos de informação feitos pela oposição?

Diniz  Precisamos, urgentemente, cumprir uma tarefa muito difícil: acabar com o caciquismo em Campos e no Brasil. A deliberação quanto a quantidade de cadeiras no legislativo de Campos deveria depender, única e exclusivamente dos vereadores, em consonância com o que determina a lei. Infelizmente, o Poder Legislativo brasileiro é, secularmente, subserviente às imposições e determinações do Poder Executivo. Na minha experiência, como deputado e vereador, pude experimentar, horrorizado, quanto o inescrupuloso rolo compressor do Executivo debocha dos fundamentos da democracia e da importância de uma ala oposicionista no Legislativo. Assim, lamentável, constatarmos como prefeitos, governadores e presidentes da República põem e dispõem na formação das mesas diretoras dos seus respectivos legislativos. Coisa absurda, própria de mentalidade subdesenvolvida.

 

Folha  Entre esses 13 parlamentares da situação, está sua correligonária Dona Penha. Por que o PPS até hoje não impôs sobre a vereadora as orientações do partido, a partir da decisão do Supremo pela fidelidade partidária?

Diniz  Primeiramente, não faço parte da executiva municipal do PPS. Sou um simples soldado. Todavia, tive a oportunidade, informalmente, de manifestar minha posição plenamente favorável ao PPS como consciente e agressiva oposição, politicamente falando, ao atual governo municipal. Os desmandos são inúmeros e o nosso partido não pode ficar conivente com isto.

 

Folha  No PPS, além de você, o vereador Rogério Matoso e o ex-prefeito Sérgio Mendes são pré-candidatos à eleição majoritária de 2012. O que deve definir a escolha do partido?

Diniz  Como já disse anteriormente, não sou pré-candidato a prefeito. E quanto a eleição majoritária do ano que vem, o PPS há de deliberar democraticamente.

 

Folha  Entre os três, é correta a análise que vê em você o melhor quadro e em Matoso a melhor opção eleitoral, com a lembrança de Sérgio devida apenas à condição dele de ex-prefeito e atual presidente municipal da legenda?

Diniz  Respeito as diferentes opiniões e as acho até engraçadas. Minha vida pública foi e continua sendo construída pela coerência e pela experiência legislativa, executiva e administrativa.

 

Folha  Até quando as ligações com Mocaiber de Sérgio, que presidiu a Codemca, e de Rogério, cuja mãe foi secretária de Promoção Social, podem ser benéficas à sua pré-candidatura, no sentido de se buscar total independência das últimas administrações municipais?

Diniz  A maioria do eleitorado pode, até, pensar nisso, mas não vota sob esta ótica. Há muitos outros fatores que, infelizmente, pesam muito mais no momento do voto, do que essa sua idealista conjectura. Muitos em Campos conhecem bem a minha postura, as minhas posições e divergências políticas.

 

Folha  Em contrapartida, até onde o fato de ser genro do ex-prefeito Zezé Babosa, que o ajudou em sua eleição a deputado estadual em 1986, pode ainda prejudicá-lo?

Diniz A inconteste liderança, no município de Campos, de Zezé Barbosa, elegeu-me deputado estadual em 1986. Democratica e respeitosamente soubemos e sabemos conviver com as nossas divergências políticas. Aliás, a democracia só o é, por causa das divergências. Filosofando um pouco, conhecer pressupõe comparar. Quando vemos, hoje, os bilhões de reais do orçamento de Campos em comparação com as migalhas orçamentárias de 20 anos atrás, temos certeza de que Zezé Barbosa fez milagres. Ou seja, administrou com seriedade e competência. Com ironia constatamos que a máxima ontem de “o milhão contra o tostão”, na rima pobre, trocou de mão. A propósito, pra onde está indo o dinheiro do rico orçamento de Campos?

 

Folha — Entre os políticos de oposição, você foi um dos menos vistos nas reuniões da Frente Democrática. Acredita na proposta do movimento, de fechar uma agenda comum, sair com até três candidaturas e centrar todas as forças num eventual segundo turno, com aquele que conseguir chegar lá contra Rosinha? O apoio do governador Sérgio Cabral pode ser mesmo um diferencial em Campos?

Diniz  Não faço parte da Frente Democrática, porque pretendo ser candidato nas eleições do ano que vem e, com certeza essa condição poderia prejudicar a minha isenção sobre as considerações dessa Frente, sobre a péssima situação política e administrativa em que se encontra o município de Campos. Não sei porque motivo e lamento muito que o governador Sérgio Cabral ainda não tenha se posicionado politicamente sobre Campos. Admito que como, presidente da Alerj, durante coincidentes oito anos, o governador possa se lembrar de alguns compromissos e acordos, dos quais certamente o outro lado deve se lembrar também.

 

Folha  Diante do inegável favoritismo da prefeita numa campanha à reeleição, qual a tática mais eficiente para enfrentá-la? Quais são, em seu entender, os pontos positivos e os negativos do atual governo?

Diniz  Continuo na esperança de que a “fogueira” de que acima falamos, possa iluminar os eleitores da nossa cidade. Se isso, realmente, acontecer, o enfretamento político e democrático poderá se dar positivamente favorável aos interesses maiores de Campos. Para reforçar a coerência das minhas respostas, não vejo nenhum aspecto positivo na atual administração de Campos. Todos são negativos, pois as causas explicam as consequências.

Neco: “Betinho fez um péssimo governo em São João da Barra”

Pré-candidato governista com preferência pessoal assumida pela prefeita Carla Machado (PMDB), José Amaro Martins de Souza, o Neco (PMDB), é agricultor, vereador em quarto mandato e secretário municipal de Assistência Social, Trabalho e Direitos Humanos.  Com uma história politica e pessoal antiga com a chefe do Executivo, ele não nega os desencontros do passado, desde que Carla se fez presidente do Legislativo. Admitindo também a paticipação que ela teria em seu governo, para chegar a conquistá-lo, Neco trabalha com a possibilidade de composição de chapa com Aluizio Siqueira (PTB) ou Alexandre Rosa (PSB), os outros pré-candidatos da situação.

Crítico de Betinho Dauaire (indo para o PR) desde quando o hoje pré-candidato de Garotinho era prefeito e opositor declarado do então governador, ele não tem dúvidas ao afirmar que seu principal concorrente fez um “péssimo governo” em São João da Barra. Quanto às críticas sofridas, em relação a uma suposta falta de preparo para lidar com os mega-interesses do Porto do Açu, Neco diz possuir as principais virtudes que julga necessárias ao próximo governante sanjoanense: “compromisso com o povo e honestidade”.

 

 

 

 

 

Folha da Manhã — Carla Machado já declarou aqui que você é o pré-candidato da preferência pessoal dela. Até que ponto isso se dá por vocês dois serem do mesmo partido ou pela sua reconhecida lealdade à prefeita?

 

Neco — Desde meu primeiro mandato, há cerca de 15 anos, que eu a conheci e aprendi a admirá-la. Tivemos muitas divergências, sempre conversávamos e discutimos sobre São João da Barra. Desde então foi construída nossa amizade. Em todos momentos difíceis de minha vida, ela sempre esteve presente. É uma amizade não só entre nós, mas também entre nossas famílias.

 

Folha — Nessa questão da lealdade, até onde isso é uma virtude pessoal e política, ou uma forma de Carla garantir, caso você seja candidato e eleito, sua manutenção no poder como eminência parda do novo governo, como Garotinho faz com Rosinha em Campos e Lula com Dilma, no Brasil?

Neco — Seria um privilégio poder suceder um governo como o da prefeita Carla, mas acredito que ela ainda tem muitos caminhos políticos a seguir, o que não significa que a prefeita não poderia colaborar com a tamanha experiência acumulada nesses anos de gestão.

 

Folha — Ainda nessa questão da lealdade, dizem em São João da Barra que Carla chegou a falhar contigo, quando os dois eram vereadores, no primeiro governo de Betinho (1996/2000), e na eleição da mesa diretora, após ter acordado votar em você para presidente com o grupo de oposição, ela teria negociado às escondidas com o então prefeito e votou nela mesma para garantir o controle da Câmara. Foi isso mesmo?

Neco — O que aconteceu foi que Carla estava fechada com o grupo de votar em mim, sim. Sendo que próximo ao horário da votação, o outro grupo a ofereceu a proposta de ser ela a presidente da Câmara, a perguntando em quem confiaria: nela própria ou em mim. Dessa maneira, Carla optou em votar nela mesma. Mas essa história já é passada e eu já a perdoei na época. Pois compreendi que nessa situação, eu também confiaria mais em mim.

 

Folha — De qualquer maneira, no seu entender, Carla teria pago essa dívida, depois de eleita prefeita, ao fazê-lo duas vezes presidente da Câmara (nos biênios 2005/06 e 2007/08)?

Neco — Desde o momento em que eu a perdoei, não existiu mais dívida alguma!

 

Folha — Gersinho disse aqui, que na eleição de 2004, os candidatos a vereador que apoiaram a eleição de Carla a prefeita, teriam acordado que o mais votado teria sido o presidente. Ele foi o mais votado, mas o presidente foi você, com a promessa de que ele seria o próximo. Todavia, a eleição seguinte da mesa diretora foi antecipada para reeleger você à presidência. Procedem essas versões?

Neco — Não, em nenhum momento Carla prometeu a mesa diretora da Câmara ao mais votado, até porque quem decide é a maioria da Câmara, mesmo com a influência que a prefeita possui.

 

Folha — E na tentativa de fazê-lo presidente pela terceira vez consecutiva, ao fazer uma lei, depois da eleição já consumada, para que o vereador mais votado (você) fosse automaticamente guindado à presidência? Como Alexande Rosa e Gersinho derrubaram isso na Justiça, se revezando nas presidências seguintes e gerando o racha figadal que perdura até hoje, mesmo com a volta do primeiro ao governo, a pergunta é: na relação custo/benefício, valeu a pena?

Neco — Na época, presidente da Câmara, eu apenas acatei a decisão da maioria sobre o projeto de Lei, até porque este projeto nem foi de minha autoria.

 

Folha — Na sua opinião, onde, quando e como os vereadores de oposição teriam perdido a mão, agindo na Câmara no interesse de desestabilizar a gestão de Carla, mesmo sobre os interesses da maioria da população, como foram os casos dos shows do último verão, ou o mais recente da coleta de lixo?

Neco — Por conta do excelente trabalho desenvolvido por nosso grupo e pelas mudanças e melhorias realizadas no município, o maior objetivo da oposição sempre foi a cassação da prefeita Carla, e para isso tentam utilizar de todos os artifícios. Sendo que a cada dia que passa eles se atrapalham cada vez mais, perdendo assim o respeito da opinião pública e tendo que votar sob decisão judicial.

 

Folha  — Depois de apelar à Justiça para finalmente conseguir valer sua maioria na aprovação do remanejamento orçamentário, no último dia 28, Carla propôs o apaziguamento com a oposição. Com a proximidade das eleições de 2012, acha que isso ainda é possível?

Neco — A prefeita sempre procurou ter uma boa relação com a oposição independente do momento. Penso que as figuras políticas devem trabalhar em conjunto para melhorias em prol da população, e é isso que a população sanjoanense espera.

 

Foha — Como analisaria politicamente as pré-candidaturas de Aluizio Siqueira e Alexandre Rosa, que disputam com você a vaga para se lançar à Prefeitura pelo grupo do governo? Além da preferencia pessoal de Carla, qual seria sua vantagem sobre eles? Há possibilidade de compor chapa com um ou com o outro?

Neco — Sou candidato de preferência de Carla Machado, mas é com a pesquisa que vamos saber quem é o candidato da preferência do povo. Se for preciso compor chapa com um deles, estou pronto para isso, até porque são meus companheiros de bancada.

 

Folha — Presidente do PR, Wladimir Garotinho já garantiu que o cadidato do partido em São Joao da Barra (e, por conseguinte do seu pai), será Betinho Dauaire. Em se entender, quais seriam suas maiores dificuldades e facilidades no enfrentamento direto com o ex-prefeito?

Neco — Betinho já teve dois mandatos de prefeito de São João da Barra e eu, nesse período, fui vereador de oposição. Tenho certeza que ele fez um péssimo governo, pois prova disso, no colégio eleitoral do Açu na eleição de 2008, eu tive mais votos para vereador do que ele para prefeito. E em relação ao apoio do PR de Garotinho a Betinho, eu não tenho mente curta, me recordo muito bem das trocas de “elogios” entre um e o outro.

 

Folha — Gersinho também aventou a possiblidade dele sair em candidatura alternativa à Prefeitura, numa espécie de terceira via. Projeta essa possibilidade? Como ela poderia interferir na polarização entre os candidatos de Garotinho e Carla?

Neco — Respeito muito os eleitores que votaram em Gersinho para vereador. Mas acredito que ele não irá interferir em nada nas eleições de 2012.

 

Folha — E no grupo da situação? Embora não citado por Carla, não é novidade para ninguém a pretensão do empresário Ari Pessanha de concorrer mais uma vez ao pleito majoritário. Como isso está sendo trabalhado?

Neco — Ari vem sendo um amigo e companheiro indispensável, porém ainda não tivemos nenhuma conversa sobre esse assunto.

 

Folha — Quais são, em seu entender, os principais pontos positivos e negativos da administração Carla Machado? Se eleito, o que procuraria manter, o que buscaria melhorar e o que poderia trazer como novidade?

Neco — A administração de Carla Machado pode contar com inúmeros avanços em relação a governos anteriores, relacionados a maiores empreendimentos, maiores oportunidades de capacitação de mão-de-obra local, a inclusão de projetos na área tecnológicas, a conquista de implantação de grandes empresas dentro do município, investimento em infra-estrutura por todo território, entre muitos outros. Olhando para os pontos negativos, ficamos impossibilitados de oferecer o último verão digno para a população. A saída da Inbesp (oscip cuja terceirização no serviço foi suspensa pela Justiça Federal), que fazia excelente trabalho na saúde do município, também foi uma perda. Recentemente, a parada do reabastecimento de água potável em setores públicos e na comunidade, do recolhimento de lixo e do limpa-fossa foram grandes dificuldades. Gostaria de frisar, que esses pontos negativos ocorreram não por vontade da Pprefeita e sim pelo impasse na Câmara Municipal. Se eleito, buscarei melhorar cada vez mais a saúde, a educação, a assistência e todo governo, e procurarei trabalhar e capacitar cada vez mais nossa equipe técnica para construção de um ótimo trabalho em rede, para o futuro promissor que São João da Barra espera.

 

Folha — Alguns adversários questionam seu preparo para ligar com os grandes empresários brasileiros e mundiais que já estão vindo a reboque do Porto do Açu. Está preparado para lidar com os gigantescos interesses financeiros advindos desse investimento? Como aproveitar ao máximo seu benefícios econômicos e atenuar ao mínimo seus impactos sociais?

Neco — Com certeza estou preparado para esse grande desafio. Um prefeito não necessariamente perante a Lei deve ser graduado. Entendo que para ser prefeito, terei todo um suporte técnico com pessoas extremamente capacitadas ao meu lado, para me auxiliar em eventuais dificuldades. Para estar à frente de um município, o que se precisa de verdade, eu tenho: compromisso com o povo e honestidade.