Não, felizmente a opinião pública “deste país” não é ditada por nenhum líder personalista, por mais popular ou carismático que seja. A onda verde tomou corpo e engoliu a vermelha, pelo menos em sua pretensão de quebrar sozinha na praia, ainda na primeira maré. Se o crescimento de Marina Silva, infelizmente, não foi capaz de levá-la adiante, serviu para espargir as sombras fascistas dos que ainda insistem em querer dividir o Brasil entre esquerda e direita, bem e mal, governo e qualquer crítico eleito à canalha, imprensa golpista e mídia alternativa chapa branca.
Certos de que a eleição não é um plebiscito simplório entre os governos FHC e Lula, como sempre quiseram os petistas, os eleitores brasileiros poderão fazer agora a reflexão devida, entre Dilma Rousseff e José Serra, já que a maioria optou por maturar a decisão coletiva final num segundo turno.
Certo também que, apesar da ducha gelada, Dilma segue como franco favorita. Todavia, numa eleição que teve número tão alto de abstenções (cerca de 17%) e votos em branco (cerca de 3%) e nulos (cerca de 5%), nada está definido.
Aos petistas que andam espumando de raiva contra a doce ex-companheira Marina, recomenda-se, pois, um pouco de humildade e bom senso. Além de já terem levado a devida lição de que, no grito, não ganharão nada, pelo menos enquanto o Brasil manter suas felizes distinções em relação a uma Venezuela ou um Irã, é a migração dos votos da brava mulher da floresta que definirá quem ocupará a cadeira da qual Lula, fazendo ou não seu sucessor, terá que se despedir.