Aumento legal, mas moral?

O que, afinal, separa os vereadores de oposição e situação em Campos? À parte os interesses político-eleitorais de grupos em disputa por espaço e poder, parece que nada. Pelo menos, isso é o que claramente demonstraram quando se tratou de aumentar o número dos próprios cargos (e com isso as chances de se reelegerem) e as cifras dos próprios contracheques mensais (caso se reelejam), tudo às custas do dinheiro público.

Em setembro passado, aproveitando a emenda constitucional 58/2009, os 17 vereadores de Campos aprovaram, por unanimidade, o aumento máximo do número de cadeiras para as 25 que serão disputadas em outubro. Agora, no final do mês passado, os nobres representantes do povo de Campos aproveitaram a emenda constitucional 25/2000 para aprovarem, novamente por unanimidade, o aumento salarial máximo da próxima Legislatura, num reajuste de 61,8% (de R$ 9.288,03 para R$ 15.031,76).

Como o percentual foi bem superior aos 5% concedidos aos demais servidores públicos municipais, aos 14% concedidos aos estaduais, ou do que o reajuste entre 15% a 45% dado aos federais, sem contar os 7,9% do salário mínimo, a reação da sociedade civil foi rápida e contundente. Mobilizadas através das redes sociais, até a noite de ontem, mais de 800 pessoas já haviam endossado o abaixo-assinado convocado no site Avaaz.org, pelo publicitário Weyder Almeida Lemury, de apenas 23 anos.

A intenção do manifesto, além de tentar gerar uma ação civil pública contra o aumento salarial máximo dado pela Câmara Municipal à Câmara Municipal, é fazer “a comunidade de Campos fugir da inércia e partir para a ação contra os problemas de ordem pública”, como disse o jovem que o convocou, em reportagem publicada hoje, na página 2 da edição impressa da Folha da Manhã.

A unanimidade dos vereadores de Campos, na hora de aumentarem os próprios cargos e salários, sempre no teto fixado pela lei, fazendo do limite público sua média pessoal, pode até ser legal. Todavia, além de burra, como reza a máxima de Nelson Rodrigues, parece ser também uma unanimidade imoral para boa parcela da sociedade. Sobretudo em ano eleitoral, oposição e situação do Legislativo goitacá poderiam demonstrar critérios mais dignos ao se revelarem uma coisa só.


Publicado hoje na coluna Ponto Final, na Folha da Manhã.

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Sociedade impõe limites à sua representação política

Embora feito sobre a postagem abaixo, dando conta da reação das redes sociais ao aumento salarial máximo concedido pelos atuais vereadores de Campos aos próximos, o comentário do leitor Milton Corrêa da Costa, sobre o julgamento do Mensalão pelo Supremo, não deixa mesmo de ser um pertinente alerta aos limites que a sociedade brasileira começa a impor à sua representação política de maneira geral, seja no país, no estado ou no município. Escrito com pena hábil e precisa, merece abaixo a relevância maior de post…

Julgamento da “farsa do mensalão” não é farsa: falta agora a algema e a cadeia

Milton Corrêa da Costa

Com a condenação do ex-presidente da Câmara Federal, deputado João Paulo Cunha, por crimes de peculato, corrupção passiva e lavagem de dinheiro, associada à condenação de outros integrantes do primeiro grupo de réus do mensalão, o Supremo Tribunal Federal deixou bem claro, para a sociedade brasileira, que chegou ao limite da tolerância a corrupção na política, a pouca vergonha e a falcatrua que envolve o roubo do dinheiro público, uma cultura extremamente arraigada no país.

O farto material de investigação criminal, colocado à disposição dos ministros do Supremo Tribunal Federal, comprovaram, para a maioria dos magistrados, que não haviam inocentes no maior esquema de corrupção que se teve notícia na história republicana. A materialidade dos delitos ficou comprovada nas provas periciais, testemunhais e documentais.

Portanto, quem imaginava e tentava diminuir, perante a opinião púbica brasileira, a importância do gravíssimo crime de lesa-pátrria, afirmando tratar-se de uma “farsa”, objetivando assim livrar os “companheiros” da condenação, deu com os burros n’água. O tiro saiu pela culatra. Agora o deputado Jõao Paulo Cunha será cassado pelo graves delitos cometidos e pelo comportamento anti-ético, já tendo renunciado à candidatura da Prefeitura de Osasco, aguardando também a dosimetria das penas que fatalmente poderá chegar a mais de oito anos. Aí a história muda de figura, ou seja, seus antigos e fiéis companheiros do PT terão que visitá-lo no cárcere, no regime fechado como manda a lei.

Agora, “Inês é morta”. O Supremo Tribunal Federal já balizou que vem chumbo grosso daqui pra frente. Falta o julgamento do restante da quadrilha. Haja lexotan. O postulado de que é proibido roubar começa a ser doutrina verdadeira na política brasileira. Dinheiro público, fruto dos impostos pagos com o suor do trabalhador brasileiro, não é para ser surrupiado. Aprenda-se.

A possibilidade do uso de algemas, recolhimento ao cárcere e uso de uniforme de prisioneiro é mais do que real e atemorizam agora, mais do que nunca, os mensaleiros, entre eles algumas figuras carimbadas do PT. O STF mostrou o azimute do fim da tolerância. A sociedade brasileira agradece e confia agora, como nunca, na soberania e independência do Poder Judiciário.

Os princípios da ética e da moral foram definitivamente balizados como doutrina na política brasileira. Cumpra quem tiver juízo. Num país verdadeiramente sério o exemplo para as novas gerações começa em cima.O Partido dos Trabalhadores também manchou a história brasileira. Os empréstimos fictícios que o digam.

Aguarda-se agora constituição de uma nova Comissão da Verdade. O objetivo será investigar e identificar o verdadeiro chefe do mafioso esquema do mensalão. O povo brasileiro tem o direito de saber.

Milton Corrêa da Costa é cidadão brasileiro e aguarda ansiosamente o julgamento do mensalão

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Protesto nas redes sociais contra aumento salarial dos vereadores de Campos

Aqui, o “Avaaz.org — Petições da comunidade”, traz um protesto nas redes sociais contra o aumento salarial máximo que os 17 atuais vereadores de Campos concederam, por unanimidade, aos 25 que serão eleitos em outubro à próxima Legislatura, denunciado aqui, pelo blog. Após reunir pelo menos 200 assinaturas (até este momento, já foram colhidas 109), a promessa virtual é que protesto popular seja enviado, à luz do sol real, para a Câmara e Prefeitura de Campos, além do Ministério Público. Se você não concorda que os vereadores concedam a si mesmos e/ou aos seus sucessores, um reajuste salarial fixado no teto máximo permitido pela Constituição Federal, leia e participe desta reação das redes sociais contra aquilo que pretendem fazer, às custas do dinheiro público, aqueles que foram eleitos para representar a sociedade.

Abaixo, a transcrição do texto no qual a sua assinatura é solicitada…

“Ao Excelentíssimo Senhor Presidente da Câmara Municipal de Vereadores de Campos dos Goytacazes e demais vereadores da cidade, Os cidadãos abaixo-assinados, brasileiros, residentes e domiciliados na cidade de Campos dos Goytacazes, declaramos contra o reajuste salarial da proposta dos vereadores do município. Este Valor, R$ 15.031,76 que configura um total de 60%, é totalmente abusivo, não é compatível com a realidade salarial municipal, ferindo assim os interesses da comunidade. Os vereadores da câmara de Campos, no último dia 31/08/2012, apresentaram ao plenário da Casa, o Projeto de Lei que aumenta o salário dos vereadores do Legislativo Municipal, que passará dos atuais R$ 9.2 mil para R$ 15.031,76 (quinze mil, trinta e um reais e setenta e seis centavos) na próxima Legislatura, que vai começar em janeiro de 2013 e termina no dia 31 de dezembro de 2016. Os cidadãos de Campos dos Goytacazes são contra esse aumento abusivo e exige que o referido Projeto de Lei seja vetado.”

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Leitura das pesquisas

Quem apostava que o indeferimento da candidatura de Rosinha Garotinho (PR) à reeleição, pelo TRE, fosse ter alguma influência no voto do eleitor campista, sofreu ontem um amargo dissabor. Com a divulgação da pesquisa Ibope, encomendada e divulgada pela InterTV, do Grupo Folha, ficou claro que, hoje, nas urnas, a prefeita não só se reelege no primeiro turno, como ampliou sua já larga vantagem sobre os demais, crescendo de 57%, segundo pesquisa do Precisão de julho, para 63%, pelo Ibope.

Outra grande expectativa, dizia respeito aos desempenhos das campanhas dos candidatos Arnaldo Vianna (PDT) e Makhoul Moussalem (PT). Neste quesito, acertou quem apostou na queda do primeiro (de 18%, no Precisão, para 13%, no Ibope), com registro indeferido pela própria Justiça Eleitoral de Campos, e no crescimento do segundo (de 4% para 9%). Todavia, o efeito prático foi literalmente trocar cinco por meia dezena: os 5%, perdidos por um, foram os exatos 5% ganhos pelo outro.

Aos que ainda insistem em criticar o inequívoco sucesso político dos Garotinho, na pretensão de atribuí-lo apenas ao fato de controlarem a máquina pública municipal, uma outra pesquisa do Precisão, sobre a corrida à Prefeitura de São Francisco e divulgada hoje, com exclusividade, pela Folha, revela toda a fragilidade lógica do argumento. Mesmo prefeito, Frederico Barbosa Lemos (PR) aparece com apenas 21%, 31% a menos que seu único concorrente: Pedrinho Cherene (52%).

Como reza o dito popular: “O pior cego é aquele que não quer ver”. O governo de Campos é bem avaliado, sua candidata é popular e seus percalços na Justiça, se tiveram algum efeito no eleitor, foram o de simpatia por sua vitimização numa suposta perseguição. Se o motivo jurídico teve versão fantasiosa pelo grupo da prefeita, os efeitos eleitorais da tática se mostram reais, e todos positivos a ela. No voto, salvo um cataclismo, tudo indica que Rosinha não perde para ninguém.

Publicado na coluna Ponto Final de ontem, na Folha da Manhã.

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