Para o bem e o mal

Para o bem e o mal, lapidar o texto do jornalista e escritor Ocinei Trindade, publicado aqui e reproduzido abaixo…

A morte da colunista na fogueira

Ela era fogo. Do fogo viera, do fogo vivera, talvez, até morresse na fornalha. Seu nome também era inflamável: Mary Fuego. Nome de feiticeira para uns, de bruxa para outros. Era a colunista social mais temida, odiada e falsamente bajulada da metrópole. Os adúlteros fugiam dela. Pior que ter certeza de um escândalo sexual estampado no jornal, é a dúvida, a desconfiança e a especulação de estar corneando ou sendo corneado, de ser gay ou lésbica clandestinamente. E nisto, Mary Fu (seu nick name) era craque. Sagaz, inteligente e muito ferina, sobreviveu até onde pôde, multiplicou o tempo de sua existência feito gato diante dos perigos cavados.

Mary Fu tinha estilo. Nunca foi bonita, mas chegou a ter olhos expressivos e cabeleira de Farrah Fawcett. Somente. Era difícil imaginar alguém sendo seu amigo. Dizem que tinha. Pelo menos um. Será que não? Bem, muitos se aproximavam dela para ferir os adversários. Mulheres invejosas, homens falidos e sexualmente impotentes, bichinhas e putinhas alpinistas, alguns poucos ricos e uma infinidade de pseudorricos e pseudopoderosos. Mary Fu se fazia de serva, mas ao final, ela era a senhora da notícia e do comércio de pessoas fúteis a fazerem poses e a expressarem opiniões vulgares ou minimamente inteligentes.

Entretanto, contar com anos de poder não é para qualquer um. Poucos se mantêm no topo por muito tempo. Isso é coisa para Madonna ou Nossa Senhora. E, Mary Fu não foi muito longe. Durante um período, se dividiu entre o ostracismo e o banimento, cortejou alguns endereços da boemia onde poderia encontrar-se com a nata industrial, comercial e afins: alcoólatras pederastas, pedófilos e pervertidos. Mary Fu bebeu todas ou quase. Embriagou-se e envereredou-se pela desconstrução. Era visível a cada dia a decadência física e moral. Acidentes, sobreviveu a vários. Perdeu dentes, cabelos, estatura. Altiva, não se curvava nunca e seguia mancando pelos corredores e avenidas. Patético, diziam.

Para alguns políticos, Mary Fu era útil. Uma espécie de Mata Hari infiltrada com ou sem disfarces, com ou sem informantes. Houve uma época em que a resgataram das sombras e do lodo. Devolveram-na um pedaço de papel para que ali publicasse as supostas opiniões e a suposta formação de opiniões. Os sobrenomes dos falidos ainda poderiam causar alguma impressão, desde os Guinle, os Mayrink Veiga, os Oliveira ou os Silva, entre outros. Já que o mundo muda e não pode parar, a nova safra de ricos emergentes poderia ser agora um filão, quiçá uma nova mina de ouro, para Mary Fu. Não foi bem assim como imaginou.

O declínio e a falência de tudo tomaram conta da colunista. Os mais otimistas e poucos cristãos de coração cogitavam uma mudança ou redenção por parte dela. Alguns acreditam que os maus-carácteres podem e têm a chance de mudarem. Nisto estão incluídos os calunidadores, chantagistas, mentirosos, maledicentes, invejosos, soberbos, venenosos, perigosos, e sobretudo, os impuros de alma. Alguns afirmavam que Mary Fu era tudo isso e mais um pouco. Diziam também que ela gostava dos comentários que chegavam aos seus ouvidos. Assim, sentia-se ao menos respeitada, embora respeito e desprezo nunca tenham combinado.

Não é possível afirmar se Mary Fuego era vilã em tempo integral. Cogitam que dentro de todo ser pérfido se esconde um mínimo de afeto e mimo. Desconheciam suas relações pessoais, pois estas nem sempre foram compartilhadas. Sabe-se que ela gostava de gatos. Em sua casa, havia vários exemplares belos e bem alimentados. Há quem prefira os bichos e até se refugiem entre esta ou aquela fauna. Os gatos a veneravam. Exceto um: o Amador, sonso e violento. Todavía, Mary Fu amava Amador, o gato amarelo de olhos amarelados. Ninguém acredita piamente que bruxas amem, porém é preciso. Mary Fuego amava.

A inveja era uma companheira inseperável da colunista. Mary invejava os maridos ricos, os maridos belos, as mulheres lindas e chiques, os bens materiais alheios, as joias, os carros, as mansões e as viagens para a Europa que todos faziam, menos ela. Mary afirmava para si mesma: “Minha coluna tinha que ser escrita no Le Monde ou no Le Figaro, ou no mínimo, no New York Times”, suspirava sulforosa. No entanto, seguia ela a sua rotina na Gazeta Canavieira, datilografando ácidos e venenos em forma de letras e frases na velha Olivetti, bem lá no fundo da redação do jornal, plec, tac, plec, tac, plec, tac…

Havia dias em que os editores e proprietários do folhetim se divertiam e se orgulhavam das notas cabeludas. Isto costumava render dividendos para plantar em seguida desmentidos e exaltações às figuras públicas da época. O lucro era mais ou menos dividido com Mary, que sempre ficava com no máximo vinte por cento. Era pouco. Mary Fu não gostava de ser dizimista em dobro. Dentro de si, praguejava e blasfemava toda sorte de injúrias e maldições contra os patrões. Ficava furiosa quando suas notas sofriam alguma alteração ou eram suprimidas por completo. Ela não se preocupava nem um pouco com os processos judiciais, diferentemente dos donos do jornal.

Mary Fuego, mesmo manca, não descia do salto. Houve uma vez em que sua coluna sofrera modificações por parte do dono do jornal. Faltando poucos minutos para a edição ser fechada, o editor deu seu jeito para tapar o buraco em branco que ficara. Na ausência de Mary Fuego, ele não perdeu tempo. Inventou uma viagem glamurosa das irmãs Colares, suas amigas pessoais: belas e suburbanas toda vida, jovens que nunca haviam frequentado a chamada alta roda da sociedade. O jornal foi publicado. No dia seguinte, Mary Fu entrou na redação cuspindo fogo e marimbondos. Queria saber quem autorizou aquela nota e quem eram as jovens que ela nunca ouvira falar. O editor, cínico e faceiro, disse que ninguém autorizou, que foi preciso cobrir o buraco e que as Colares eram suas amigas de Guarus. Mary Fu, ultrajada, disse que nunca na sua vida de colunista um pobre saiu em sua coluna. Ele, categórico, disse: Ah, Mary Fu, na vida sempre tem uma primeira vez para tudo. Ela nunca mais lhe dirigiu a palavra.

Houve um tempo em que Mary Fuego pensou na morte. A vida de ataques pessoais ao high society lhe rendeu alguns cobres e eletrodomésticos, além de um carro usado, e o financiamento do apartamentinho pelo extinto BNH. Evitava chegar a esta conclusão, pois odiava a ideia de que todo mundo sabia que ela era mortal, e pior: pobre mortal. Dizem que sua fé era inabalável, independentemente para qual deus rezasse. Alguns mais aprofundados diziam que a quantidade de gatos na residência era para absorver toda sorte de pragas e ódios que lançavam sobre ela os colunáveis. Há quem diga que felinos são bons para-raios. Sabe-se lá. Dizem tantas coisas a respeito dela e de todo mundo. A língua é peçonha quase sempre, e altamente inflamável.

Não se sabe como exatamente, Mary Fuego foi marcada para morrer na fogueira. Há alguns dias, a companhia elétrica cortou sua luz, pois há dois meses não pagava a conta. Naqueles dias, a bebida era consumida em doses maiores. À noite, em sua cama, acendeu uma vela na cabeceira sobre o criado mudo. Ali, ficou a beber a garrafa de cachaça sem copo, preferindo o gargalo, iluminada pela pequena chama. Embriagou-se tanto que, sem paciência, despejava o álcool pela boca aberta que se espalhava pelo rosto, pescoço e colo. Banhou-se de cachaça, e zonza, meio que adormeceu. Os gatos ficaram aos seus pés. Já Amador, o gato amarelo de olhos amarelados preferiu a guarda da cama. Mary Fu adormeceu com a língua à mostra.

Sabe-se lá o que se passa na mente de um felino assombrado. Amador pulou da guarda até o criado-mudo, empurrou a vela acesa em direção ao rosto da colunista. A chama atingiu primeiro sua língua e rapidamente, se espalhou pela face e toda a cabeça. Um horror. Os gatos, desesperados, gritaram. Algum vizinho ouviu e pediu socorro. Começava ali a morte de Mary Fu.Uma cena triste e muito violenta, além de emblemática. Durou dias sua agonia sobre o leito do hospital público. Amador quis sua morte. Conseguiu. Ninguém foi ao seu enterro, dispensaram o velório. Com o rosto desfigurado era mais difícil dar “o último adeus”. Houve quem lamentasse esse fim, mas também houve muitas comemorações no melhor do sadismo. Piadas de humor negro não faltaram. Alguns (poucos) rezaram por ela e intecerderam para que se arrependesse de seus muitos pecados, e que o Criador a perdoasse e lhe desse uma nova chance, uma vida melhor e mais simples e sábia em outro plano espiritual.

Em meio à fogueira de tantas vaidades, ninguém cogitou uma última inquisição, a não ser o gato Amante. Com a casa vazia, nenhum dos outros gatos por ali ficou. Partiram daquela para melhor.

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Da inutilidade da hipocrisia

O espaço de charges no blog é do Zé Renato e ninguém tasca, mas para começar bem o feriadão, nada como o traço incisivo de uma das tantas manifestações que pululam nas redes sociais contra a inutilidade da hipocrisia petralha…

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Rumi — Vertigem do Amor

Folha Letras, na contracapa da Folha Dois, na edição da Folha da Manhã de hoje
Folha Letras, na contracapa da Folha Dois, na edição da Folha da Manhã de hoje

Travei meu primeiro contato com o poeta Rumi (1207/1273) ainda nos anos 90, através do médico e ora candidato do PT à Prefeitura de Campos, Makhoul Moussallém. Libanês, filho orgulhoso da tribo dos cananeus, que os gregos antigos chamavam fenícios, Makhoul sempre foi homem de boa cultura, cioso daquela milenar à qual seu povo está integrado, com forte influência islâmica, presente entre outras coisas na língua árabe, apesar dele próprio ser cristão maronita.

A partir do aprofundamento na obra de Rumi, passei com o tempo a considerá-lo o maior entre todos os poetas medievais, superior mesmo aos italianos Dante (1265/1321) e Petrarca (1304/1374). De fato, grande foi minha emoção quando, junto com meu filho Ícaro, então com 10 anos, visitei o túmulo do poeta no Museu Mevlana, em Kônia, capital religiosa da Turquia, numa tarde quente de julho de 2009.

O local é um disputado centro de peregrinação, pois além da literatura, Rumi foi também um teólogo influente, considerado pelos islâmicos quase como um santo, ou o mais próximo disso que seus dogmas religiosos permitem. Ele fundou a ordem dos dervixes girantes, na qual homens com chapéus cônicos e longas saias dançam e rodopiam até entrarem em transe, buscando contato com o Divino. Embora a ordem tenha sido posteriormente proibida, os dervixes ainda existem, atraindo fiéis e turistas com a vertigem da sua fé.

Abaixo, para ilustrar o belo trabalho gráfico da artista estadunidense Lisa Dietrich, não por coincidência batizado “Rumi”, escolhi também sem acaso dois poemas do grande vate, que escreveu toda sua obra em persa, sendo um dos principais responsáveis para que a língua tivesse se mantido viva até nossos dias, resistindo ao longo dos séculos contra o domínio esmagador do árabe, que mesmo hoje detém o monopólio da expressão da fé islâmica.

Ao que Rumi nos diz no segredo dos seus versos, revelado na vertigem de quem dança em busca de Deus, a única resposta possível é a mesma que ele sempre reservou ao amor: “Colhe-me, colhe-me, colhe-me!”

Vem,
Te direi em segredo
Aonde leva esta dança.

Vê como as partículas do ar
E os grãos de areia do deserto
Giram desnorteados.

Cada átomo
Feliz ou miserável,
Gira apaixonado
Em torno do sol.


“Rumi”, de Lisa Dietrich
“Rumi”, de Lisa Dietrich

Não temos nada além do amor.
Não temos antes, princípio nem fim.
A alma grita e geme dentro de nós:
— Louco, é assim o amor.
Colhe-me, colhe-me, colhe-me!

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Conselhos petistas

Enquanto comemora, com razão, o deferimento da sua candidatura a prefeito de Campos, por unanimidade, ontem, no TRE, Makhoul Moussallem (PT) poderia aproveitar o feriadão, neste mês que resta antes da eleição de 7 de outubro, para madurar os conselhos de uma raposa felpuda do seu partido. Isso, sem, é claro, deixar cair o ritmo da sua boa campanha.

Em primeiro lugar, bater mais na questão da parceria sempre bem vinda entre governos municipal, estadual e federal. Como o próprio senador petista Lindbergh Farias já ressalvou, não bastaria dizer que se está com Cabral, Dilma e Lula, mas mostrar de maneira mais enfática o que já foi feito na planície com recursos do Estado e da União, além de projetar didaticamente, e com mais ambição, o que poderia ser feito administrativamente em Campos, a partir do alinhamento político da sua Prefeitura.

Em segundo lugar, explorar melhor a inaceitável colocação de Campos no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica. Não basta dizer que o município foi o pior de todo o Estado no Ideb. Colocar mães e filhos diante à constatação de que estes terão mais chance de ter um futuro melhor se estudarem numa escola pública municipal, por exemplo, de Cardoso Moreira, que já foi distrito de Campos, certamente causaria maior impacto.

Em terceiro, ser mais incisivo como candidato de oposição. Makhoul estaria se segurando pela possibilidade de Rosinha sair da disputa na última hora, por conta da sua inelegibilidade pela lei do Ficha Limpa, sendo substituída por outro candidato. Se isso acontecesse, os votos da prefeita migrariam para o petista de maneira mais fácil se ele evitasse antagonismos com ela. O pensamento não está errado, assim como acerta quem se lembra que a campanha está na reta final, fase na qual as opções se afunilam.

Embora oriundos de um petista experiente, não só nos processos eleitorais de Campos, mas de todo Norte e Noroeste Fluminense, esses são só conselhos, aqueles dos quais se diz merecer cobrança, não doação, se forem mesmo bons. Todavia, o fato é que não só Makhoul, mas todos os demais candidatos de oposição, trabalham para tirar cerca de 45 mil intenções de voto que hoje já seriam de Rosinha, para que o segundo turno seja possível. É muito difícil, quase impossível, mas ficará ainda mais se não for tentado.

Publicado hoje, na coluna Ponto Final, da Folha da Manhã

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Ironia de antes do feriadão…

E para os escroques do planalto à planície que se achavam donos (e, por conseguinte, imunes) da opinião pública expressa democraticamente nas redes sociais, nada como mais um dia seguindo à frente do outro, com a ironia adequada ao estado de espírito de quem vai partir ao merecido descanso do feriadão…

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TRE: Makhoul liberado, Mocaiber indeferido; Arnaldo, Betinho e Octávio aguardam

Resumo da ópera (por vezes bufa) da sessão de hoje no TRE: Makhoul Moussallem (PT) com registro deferido por unanimidade à sua candidatura a prefeito de Campos, o ex-prefeito (de Campos) Alexandre Mocaiber (PSB) com embargos rejeitados contra o indeferimento da sua postulação a vereador, e o ex-prefeito de Quissamã Octávio Carneiro (PP), com registro indeferido em primeira instância, teve julgamento suspenso. Com ele, aguardam as decisões futuras do TRE também os ex-prefeitos Arnaldo Vianna (PDT) e Betinho Dauaire (PR), respectivamente indeferidos para tentar voltarem a ocupar os executivos de Campos e São João da Barra. Sempre em tempo real “Na curva do rio”, a jornalista e blogueira Suzy Monteiro deu mais um show de apuração aqui, aqui e aqui.

Informação de cocheira, apurada pela Suzy e repassada em primeira mão a este “Opiniões”: Arnaldo deve ser julgado na sessão do TRE da próxima terça.

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Por que ignorar a reação ao aumento salarial dos vereadores?

No início da semana, falei por telefone com o jornalista, blogueiro, ex-prefeito e presidente municipal do PPS, Sérgio Mendes, sobre o mesmo assunto que retomei ontem à noite, num contato pessoal ao acaso com o advogado, blogueiro e assessor parlamentar do deputado estadual Roberto Henriques (PSD), Cláudio Andrade: Por que o silêncio na blogosferal local quanto ao aumento salarial máximo de 61,8% concedido, por unanimidade, pelos 17 vereadores de Campos (excetuados os quatro faltosos na sessão do último dia 28) aos 25 que serão eleitos em outubro?

Sobretudo, ignorar a manifestação cidadã, popular, espontânea e inequívoca, manifesta aqui, num abaixo assinado convocado nas redes sociais contra o aumento, que até este momento já foi subescrita por mais de 1.800 pessoas, como este blog e a Folha vêm noticiando quase solitariamente, não se contitui num embaraçoso paradoxo para muitos blogueiros locais que, até bem pouco tempo, pregavam ser uma alternativa “independente” aos supostos “compromissos” do que eles chamam de “velha mídia”?

Bem verdade que, no caso do Cláudio, ele chegou a noticiar aqui o reajuste salarial dos vereadores, um dia depois da sessão em que foi aprovado e dois dias antes deste “Opiniões” entrar no assunto, numa republicação do jornal virtual Terceira Via (aqui), do qual é articulista. Todavia, a matéria e sua replicação em postagem continham dados errados, ao fixarem em 115% o reajuste, tomando como verdade uma suposta equiparação integral do salários dos vereadores campistas com os deputados estaduais fluminenses, o que nunca ocorreu, até por um motivo muito simples: seria inconstitucional.

Na verdade, o aumento de 61,8% correspondeu ao teto fixado justamente pela emenda constitucional 25/2000, que usa como limite máximo aos salários dos vereadores de municípios com a população de Campos, o cálculo de 60% dos ganhos totais dos deputados estaduais. No mesmo dia 30 em que o percentual correto foi apurado por este jornalista e blogueiro, a informação foi dividida tanto com Cláudio, quanto com uma das editoras do Terceira Via, jornalista Cláudia Eleonora, muito embora ambos tenham, estranhamente, se poupado em fazer as correções devidas ao percentual equivocado.

Também verdade que Cláudio, aqui, na última terça, retornou ao assunto, extraindo o trecho de uma postagem original do Blog do Bastos (aqui), relativa à tentativa de defesa, na sessão daquele dia, feita pela vereadora petista Odisséia Carvalho, uma dos 13 edis que aprovaram unanimemente o aumento. Assim como fez antes aqui, em relação ao presidente da Câmara Nelson Nahim (PPL), este blogueiro ressalva todo seu grande respeito pessoal e político por Odisséia, antes de dizer que suas pretensas atenuantes foram todas muito fracas, portanto, facilmente rebatíveis. Se não, vejamos…

Em primeiro lugar, ao alegar que os veredores não têm verba de gabinete, uma vez que os reajuste salarial máximo dos edis foi calculado em cima de todos os ganhos dos deputados estaduais, incluída a verba de gabinete destes. Em segundo, ao revelar a prática do “toma lá/ da cá” entre Legislativo e Executivo de Campos, alegando que os vereadores de oposição não têm servidores municipais ao seu lado, ou alguém imagina que, à exceção dos concursados, o governo Dilma permite que algum militante do PSDB ocupe cargo na administração federal? Em terceiro, ao pretender novidade na redundância de dizer que “quem quiser ser oposição, tem que arcar com todas as despesas”? Ou será que a vereadora imagina que a banca da oposição tenha que ser custeada pelos cofres públicos?

Por fim, Odisséia poderia ter se poupado em dizer que ela e seus 12 colegas não aumentaram os próprios salários, simplesmente porque não sabem se vão estar ocupando em 2013 a mesma cadeira — ou uma das oito a mais que criaram, em outra votação unânime, sempre dispostos a fazer do teto consitucional sua média pessoal e sempre às custas do dinheiro público. Se aprovou o aumento do aumento máximo do salário dos vereadores para 2013, e se é vereadora candidata à reeleição, parece óbvio que não foi para os seus eleitores, “nem os mais confiantes”, que a petista projetou um contracheque mensal mais gordo, num reajuste substancialmente superior a todo o funcionalismo público e a grande maioria do privado.

Mas se as postagens do jornalista Alexandre Bastos e do Cláudio Andrade tiveram como objeto a pretensa defesa dos vereadores, tanto os 21 comentários de leitores gerados pela primeira, quanto os quatro da segunda, foram unânimes em criticar a unanimidade dos vereadores de Campos com vistas ao próprio bolso. Diante de mais esse nítido reflexo da indignação popular com o aumento, todos os comunicadores locais, hospedados ou não na “velha mídia”, poderiam usar o exemplo dos nobres representantes da Casa do Povo de Campos, pelo menos para não repeti-lo, dando aos seus eventuais interesses políticos e pessoais a prioridade sobre aquilo que a maioria claramente parece entender como imoral, ainda que legal.

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Após perder emprego, sobrinho de Garotinho ataca o tio

Desde ontem amplamente divulgada por blogueiros com maior dedicação (e tempo) à lida virtual, a mensagem do  Gustavo Matheus, sobrinho do deputado federal Anthony Matheus, o Garotinho (PR), também foi enviada ao meu e-mail pessoal, às 23h46 da última terça. Abaixo, segue aqui também republicada, mas não sem devidamente observar que, mesmo desconhecendo pessoalmente o Gustavo, seu texto não pode ou deve deixar nunca de ser encarado como um desabafo de quem perdeu o emprego.

Goste-se ou se odeie Garotinho, a pergunta menos passional que pode ser feita sobre as muitas denúncias do seu sobrinho é: Se este sempre pensou assim, porque não as divulgou antes, enquanto aceitava receber dos cofres públicos para trabalhar, segundo suas próprias palavras, numa “empresa daquelas utilizadas para angariar votos e sacanear os concursados em troca de milhões”? Ressalvada a dúvida bastante razoável sobre seus motivos, a carta do Gustavo…

Gustavo Matheus (foto do seu perfil no facebook)
Gustavo Matheus (foto do seu perfil no facebook)
Gustavo Matheus

4 de Setembro de 2012 23:16

Postagem recente de meu face.

Eis que o inevitável me alcança.
Bonnie e Clyde.

A verminosa podridão que assola Campos me incomoda agora em menor intensidade.

Os covardes que dominam a caneta e a chave de nossa cidade, mais uma vez revelam-se diante de meus olhos.

Concederam-me minha bendita carta de alforria, sim fui demitido por expressar minhas ideias no facebook. Mas a situação se desenhava a tempos, Bonnie (a senhora de rosa que segue inelegível) já havia tentado anteriormente, agora parece que Clyde (o mentirosinho da lapa) assinou embaixo. O fato é que, se eles concedem folga de três dias para os funcionários irem ao comício, ironicamente chamado de verdade, o que será que eles fazem com quem não aceita com submissão as falcatruas e mentiras que eles representam?! Acho que sou a resposta a essa pergunta. Claro que muitos antes de min sofreram deste mal, mas o emprego que eu tinha não me foi dado por eles, ao infame casal nada devo, e nem mesmo o famoso DAS possuía, era apenas um funcionário da cns, empresa daquelas utilizadas para angariar votos e sacanear os concursados em troca de milhões.

Governar pelo medo é a especialidade do ensandecido e frustrado senhor Anthony Matheus, a outra lá é um mero fantoche que veste as roupas que ele manda, fala o que ele pensa e vai a prefeitura quando bem entende.

O ditadorzinho, que sempre foi fã das obras de seu ídolo Nicolau Maquiavel, mais precisamente do manual político “O Príncipe”, mostra com precisão os decalques da má interpretação do livro, o que é muito comum aos tolos, e o covardizinho da lapa sempre se mostrou frágil e inútil em tal quesito.

Um sujeito que usa religião como bengala eleitoral, ataca o próprio irmão em busca de simpatizantes políticos renegando assim toda uma família, faz greve de fome para não sair da mídia e ainda diz possuir somente uma casa na lapa e um celular, não merece incorporar uma existência, o que dirá ter o futuro de dezenas de pessoas em suas mãos.

O que dizer desse casal, que subverte nossa cidade além do caos. Que tentam a todo instante nos rebaixar a lama que nossa Campos se encontra.

Aos meus primos minhas desculpas, vocês de nada tem culpa nessa historia.

Amo vocês, mesmo que possam não acreditar.

Eu me arrependo de muitas coisas nessa vida, mas vergonha só tenho uma, ter 1ml que seja do sangue desse (trecho excluído pela moderação) correndo nas minhas veias.

Muitos podem achar deselegante isso que faço, mas se um curto passeio no tempo fizerem, verão que pior o senhor “esquizofrênicozinho“ fez ao seu próprio pai, quando o mesmo era chefe de gabinete do Prefeito Zezé Barbosa.

Muitos sabem vestir os trajes de políticos, porém poucos sabem governar.

Um abraço a todos aqueles, que assim como eu, foram pisados pelo ego do coronelzinho.

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Para Nahim, reação ao aumento salarial dos vereadores é “pura maldade”

Nelson Nahim fala hoje, na sessão da Câmara, em “pura maldade” de quem protestou contra o aumento salarial máximo dos vereadores (foto de Antonio Cruz)
Nelson Nahim fala hoje, na sessão da Câmara, em “pura maldade” de quem protestou contra o aumento salarial máximo dos vereadores (foto de Antonio Cruz)

Segundo divulgou aqui, em seu blog, o jornalista Alexandre Bastos, o presidente da Câmara de Campos, Nelson Nahim (PPL), classificou como “pura maldade em período eleitoral” a forte reação nas redes sociais ao aumento salarial máximo concedido pela unanimidade dos atuais 17 vereadores (excetuados apenas os quatro ausentes na sessão do último dia 28) aos 25 que assumirão seus mandatos em 2013. Na dúvida bastante razoável, em relação ao que alegou Nahim, sobre os reais interesses das mais de 1.100 pessoas que, até agora, já subescreveram aqui o abaixo-assinado para tentar reverter na Justiça o reajuste salarial dos edis de Campos, fica a certeza de que estes cidadãos reagiram por uma conta aumentada sempre à altura máxima do teto constitucional, em decisões pessoais daqueles que foram eleitos para representá-los, paga com o seu, o meu, o nosso dinheiro.

Ademais, cumpre ressaltar que, ao contrário do que declarou aqui à jornalista da Folha Luciana Portinho, Nahim não enviou nenhum documento a este blogueiro, desde que o ouvi ao telefone sobre o assunto, na noite da última quinta-feira, dia 30. Na verdade, a resolução nº 8.315  da Câmara Municipal, que trata do aumento dos vereadores, foi republicada aqui, neste “Opiniões”, a partir da divulgação em primeira mão feita aqui, no blog do candidato do Psol à Prefeitura Erik Schunk. Até por respeito à figura pessoal e política de Nahim, cuja coragem para trilhar caminhos próprios e opostos ao seu irmão e deputado federal, Anthony Garotinho (PR), deve ser sempre ressaltada, o blog não vai dizer que a versão inverídica foi “pura maldade” do presidente da Câmara. Preferimos acreditar que ele apenas se confundiu…

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Vereadores aumentam salário e bola de neve da reação nas redes sociais

Se os vereadores de Campos achavam iriam passar ilesos ao aprovarem, por unanimidade, o aumento salarial máximo de 61,8% à próxima Legislatura, tudo indica que os nobres edis substimaram a sociedade que representam, ou deveriam representar. Aqui e acima, o compartilhamento de uma das muitas reações, fortes e inequívocas, numa bola de neve de indignação descendo ladeira abaixo (ou acima?) nas redes sociais…

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