Desaparecido desde 21 de junho, ainda não foi aberto inquérito na 145ª DP de São João da Barra para apurar o sumiço de Neivaldo (reprodução de facebook)
O inquérito policial para apurar o desaparecimento do comerciante Neivaldo Paes Soares, o “Bambu”, de 54 anos, desaparecido há mais de um mês, não foi aberto até hoje na 145ª Delegacia de Polícia (DP) de São João da Barra (SJB). Neivaldo foi visto pela última vez no início da noite de 21 de junho, quando iniciava sozinho e sem colete salva-vidas, em sua canoa a motor, a travessia da foz do rio Paraíba do Sul, entre Atafona e a ilha do Peçanha, onde ele residia.
Ontem (22/07), o irmão de Neivaldo, Élvio Paes Soares, o “Estranho”, esteve em SJB e prestou novo depoimento na 145ª DP, quando constatou que o inquérito não foi aberto e que pessoas fundamentais para tentar elucidar o caso também não foram ouvidas. Entre elas um homem suspeito e já identificado, que estava rodando a ilha antes do desaparecimento, e o pescador que achou a canoa de Neivaldo na manhã do sia 22 de junho, rodando sozinha na foz do Paraíba. Dentro dela, estavam uma churrasqueira, carne já assada de churrasco, uma garrafa e latas e cerveja vazias, cigarros de palha fumados pela metade, um saco plástico com mantimentos (farinha, açúcar e café), o celular de Neivaldo e sua camisa social preta, de mangas compridas, dobrada, com R$ 9,00 em notas dentro do bolso. Segundo testemunhas que o viram iniciar a travessia da foz, na noite de 21 de junho, ele saiu de Atafona vestindo a mesma camisa.
Além da 145ª DP, na qual o delegado titular Marcos Peralta está de férias e quem responde provisoriamente é o delegado Rodrigo Maia, titular da 141ª DP de São Fidélis, Élvio também esteve na Capitania dos Portos de SJB, onde já foi aberto inquérito para apurar o desaparecimento do seu irmão. Marcada inicialmente para hoje, foi adiada para a semana que vem a perícia da Marinha do Brasil sobre a canoa de Neivaldo, que está ancorada no cais do restaurante do Ricardinho, ao lado da Igreja Nossa Senhora da Penha, em Atafona, onde seu proprietário foi visto pela última vez.
No próximo sábado, dia 25, a partir das 17h, no Pontal de Atafona, onde o desaparecido morou e teve um bar por muitos anos, antes do avanço do mar destruir o local em julho de 2012, amigos e parentes estão organizando aqui uma homenagem para Neivaldo, para não deixar que sua memória e seu caso caiam no esquecimento.
Atualização às 19h23: Não foi aberto inquérito na 145ª DP para investigar o desaparecimento de Neilvaldo porque não havia ou há, até o presente momento, indícios de autoria e materialidade que indiquem a hipótese de homicídio, uma de outras possíveis no caso, como a de acidente e afogamento. Diante da ausência de elementos conclusivos, a opção foi pela Verificação Preliminar de Investigação (VPI), porque ela conta com 90 dias para aprofundar as investigações, antes do inquérito. Se este fosse aberto de imediato, o prazo seria reduzido a apenas 30 dias, antes que fosse concluído e enviado ao Ministério Público. As informações prestadas hoje na 145ª DP por Élvio, irmão de Neivaldo, irão gerar a tomada de novos depoimentos. Foi o que garantiu no início da noite o delegado titular de SJB, Marcos Peralta. Mesmo de férias, ele atendeu ao blog com solicitude, numa ponte feita pelo deputado estadual Bruno Dauaire (PR). O delegado pediu que procurem a 145ª DP todos os que puderem dar informações sobre o caso. Uma pessoa será designada para atender a todos que puderem ajudar as investigações.
Campos e Macaeé estiveram hoje na pauta de Jorge Picciani (de camisa verde) e Comte Bittencourt (de paletó fechado) na costura das alianças do PMDB com o PPS para o Estado em 2016 (divulgação)
“Mas lá (em Campos) a eleição é em dois turnos. O que não for possível unir no primeiro turno (caso se confirmem as candidaturas do deputado estadual Geraldo Pudim, pelo PMDB, e do vereador Rafael Diniz, pelo PPS, à Prefeitura em 2016) poderá ser feito no segundo. Meu esforço será no sentido de não haver dissidência”. Foi o que disse hoje o presidente estadual do PMDB e da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), Jorge Picciani, na sede do seu partido, em encontro que fechou a aliança da legenda com o PPS nas eleições majoritárias de 2016 na cidade do Rio de Janeiro e São Gonçalo, dois maiores colégios eleitorais do Estado.
Os dois municípios mais importantes do Norte Fluminense também estiveram na mesa de negociações. Além da citação direta de Picciani à sucessão da prefeita Rosinha Garotinho (PR) em Campos, para Macaé ficou acertado que o PPS irá apoiar a tentativa de reeleição de Dr. Aluizio pelo PMDB, depois de já ter apoiado o prefeito na sua eleição, em 2012, pelo PV.
Pelo PPS, estiveram presentes à reunião seu presidente regional, deputado estadual Comte Bittencourt, além de Roberto Percinotto e Raulino de Oliveira, das executivas estadual e nacional do partido. No último dia 13, em outro encontro de articulações para 2016, no Palácio Guanabara, Comte esteve também com Rafael Diniz e o governador Luiz Fernando Pezão (PMDB). Na oportunidade, este garantiu aqui não só sua participação ativa na próxima eleição a prefeito de Campos, como seu apoio a alguém que o tenha apoiado na disputa de 2014, chegando a citar, além de Rafael, o nome do também vereador Nildo Cardoso, do deputado estadual João Peixoto (PSDC) e do ex-prefeito Arnaldo Vianna (PDT).
A declaração do governador, no entanto, foi atropelada sem muita cerimônia por Picciani, que em entrevista exclusiva à Folha, publicada aqui no último domingo, embora tenha citado elogiosamente o nome de Rafael, garantiu que o candidato do PMDB à sucessão de Rosinha será Pudim.
Picciani e Pudim (montagem de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Geraldo Pudim (atual PR) candidato a prefeito de Campos pelo PMDB em 2016, como bateu o martelo (aqui) o presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), Jorge Picciani, em entrevista exclusiva à Folha publicada no último domingo. O anúncio dividiu os quadros políticos da cidade, alguns deles também pré-candidatos à sucessão da prefeita Rosinha Garotinho (PR), mas não à maioria dos leitores — e possivelmente também eleitores. Publicada no blog “Opiniões”, hospedado na Folha Online, também desde domingo, a entrevista teve 17 comentários (aqui) até o fechamento desta edição, 16 deles criticando a postura do presidente estadual do PMDB e duvidando abertamente da ruptura entre o deputado estadual Pudim e o dublê de marido e secretário de Governo de Rosinha, Anthony Garotinho (PR):
— O senhor deputado Jorge Picciani, só pode estar de brincadeira e ironia com a cara do povo de Campos dos Goytacazes, falar que Geraldo Pudim, fiel escudeiro de Garotinho, que usou o seu mandato de deputado federal pra atender o governo cor de rosa, que tanto ajudou a falir a nossa cidade. O senhor pode até pegar o PMDB e fazer o que quiser, pois é problema seu, mas o povo de Campos, senhor deputado Jorge Picciani, não é massa de manobra e tão menos um projeto pessoal seu (…) O povo de Campos dos Goytacazes, sabe que Geraldo Pudim, é Garotinho de novo e não adianta vir disfarçado — comentou (aqui) o leitor James.
A visão não foi muito diferente da maioria. A leitora Letícia, por exemplo, cobrou (aqui) em seu comentário uma cara nova à sucessão de Rosinha:
— Pudim? Aluno de Garotinho?! Um pior do que o outro, a nossa cidade merece um candidato decente, sangue novo na corrida pela administração da nossa cidade! Vamos acabar com essa panelinha, queremos cara nova, nenhum desses fez nada por nós e nunca fará!
No mesmo caminho, o leitor Fabiano duvidou das velhas caras, chegando a nominar (aqui) uma das novas:
— Vão me desculpar, mais isso está tudo combinado entre eles, após o Sr. Pudim ganhar, ele vai se juntar com (…) Garotinho. Isso é tudo marmelada. E as pessoas ainda acreditam. Rafael Diniz neles.
De cima para baixo, da esquerda à direita: Chicão, Nildo, Magal e Edson; Mauro, Marcão, Gil e Rafael (montagem: Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Políticos se dividem sobre Pudim na oposição
Cada um responde pelos seus atos. Pudim não me procurou para conversar sobre sua saída do nosso grupo, não me pediu aconselhamento. Se ele para vai o PMDB só para ser candidato a prefeito em 2016, fica a cargo das lideranças do PMDB decidirem. A gente não pode se colocar no lugar do outro. Talvez ele tenha visto lá uma chance que achou que não teria mais conosco. Porque quando concorreu para prefeito de Campos ao nosso lado, ele perdeu as duas eleições que disputou. Na que ele conseguiu vencer em 2014, para deputado estadual, eu o apoiei.
Dr. Chicão (PP), vice-prefeito e pré-candidato governista a prefeito
Respeito a posição de meu presidente Picciani e sua trajetória política. Porém, continuo com a mesma tese: A política de Campos é diferenciada. O que vai determinar o futuro prefeito de Campos será a vontade popular. E a população quer mudança e independência. A maior rejeição é de pessoas ligadas ao casal Garotinho. Aliás, o que tirou Garotinho do segundo turno da eleição a governador foi sua rejeição. Toda essa discussão é importante, mas não podemos perder o foco, que é a “venda do futuro” e a aplicação dos mais de R$ 2 bilhões do orçamento.
Nildo Cardoso (PMDB), líder da oposição na Câmara de Campos e pré-candidato a prefeito da oposição
Ainda não estamos num instante de definições dos nomes e candidaturas. Acredito que o mais importante agora é vivenciar de forma crítica a realidade vivida pelo município de Campos, talvez a mais lamentável do período pós-royalties do petróleo. Existe hoje uma massa considerável de chefes de família desempregados. E não adianta culpar só a crise. Geraldo Pudim é, sim, um homem de serviços prestados ao município, na condição de deputado, e o PMDB é uma sigla de reconhecido prestígio, mas muita água vai passar debaixo da ponte.
Jorge Magal (atual PR), vereador independente
Ainda estamos no terreno da especulação, das possibilidades. Não há nada de concreto, fica difícil projetar tão para frente. A política é sempre muito dinâmica, sobretudo quando estamos a 15 meses de uma eleição. Se a reforma política, por exemplo, não passar no Congresso, como querem alguns deputados, e não for aberta a janela de transferência a quem pretende trocar de partido para poder se candidatar em 2016, pretensões não só como a de Pudim, mas também como do vereador Gil Vianna (atual PR, de malas prontas para o PSB), ficam impossibilitadas.
Edson Batista (PTB), presidente da Câmara de Campos e pré-candidato governista a prefeito
Em primeiro lugar, vai abrir a janela eleitoral? Pudim sempre foi um bom companheiro e sempre quando a gente perde alguém, é ruim. Mas desejo sorte para ele, mesmo que fiquemos em pólos opostos. Respeito a posição dele, mas daí a saber se ele vai ser ou não candidato a prefeito, é uma questão do PMDB. E quem garante que ele não seria o nosso candidato? Se ele teve problemas com os quadros mais jovens do grupo, essa transição entre gerações faz parte do jogo político e da vida, ao qual nós, já de cabeças brancas, temos que nos adaptar.
Mauro Silva (PT do B), líder governista na Câmara de Campos e pré-candidato a prefeito
Gostaria de parabenizar o presidente estadual do PMDB, Jorge Picciani, em relação à coerência em manter seu partido na oposição ao desgoverno Rosinha e quando procura conciliar com a oposição local afirmando: “certamente, no fim da jornada, estaremos todos juntos”. Nós pensamos em um novo modelo político para o município, uma fórmula pós-garotista, e vamos dialogar com as forças políticas que queiram nos ajudar a construir essa nova forma de gestão e suplantar o modelo político falido implantado pelos Garotinhos.
Marcão (PT), vereador de oposição
Não vou ficar no PR. Com janela ou sem janela, vou sair. Já tive convite do senador Romário para ir para o PSB e disputar a eleição a prefeito de Campos. A gente está trabalhando neste sentido. Após cumprir meu segundo mandato na Câmara Municipal, não me candidatarei em 2016 a vereador. Venho de uma eleição sem apoio a deputado estadual, na qual tive uma boa votação. Sobre Pudim, acredito, sim, na sua para a oposição. Mas a maioria não acredita. Eu mesmo disse a ele: “Você tem que provar isso para o povo, porque as ruas dizem o contrário”.
Gil Viana (atual PR), vereador independente e pré-candidato a prefeito
Já passou da hora de recolocarmos Campos no rumo certo, como uma das principais cidades de nosso Estado. Toda pessoa de bem, verdadeiramente disposta a construir um modelo de gestão sério, será bem vinda. Mas tem que estar claramente comprometida com isso. E quanto a nomes para 2016, assim como o deputado Jorge Picciani parece ter o seu preferido, nossa oposição saberá, com a orientação do governador Pezão (aqui), escolher o melhor para essa disputa, um nome que demonstre de verdade o sentimento de mudança séria que a população tanto deseja.
Rafael Diniz (PPS), vereador de oposição e pré-candidato a prefeito
Enquanto o deputado Geraldo Pudim (ainda no PR), mantém o mais absoluto silêncio (em público), sobre a troca de patrono, seu nome continua no centro do debate eleitoral para 2016. Sábado foi o ex-chefe Garotinho a lamuriar-se num longo e histriônico discurso na rádio da turma dele e, na edição de domingo da Folha da Manhã, quem falou por Pudim foi o presidente da Assembleia Legislativa e cacique do PMDB fluminense, Jorge Picciani.
Tanto o teatrinho de Garotinho — que teve trilha musical e interrupção por uma crise de choro — quanto à anódina entrevista de Picciani, reforçam a tese crescente de que estaria sendo urdida uma armação para introduzir Pudim no cenário eleitoral de 2016 como uma opção da oposição, com o intuito de dividir as formas que se contrapõem ao garotismo e tornar menos difícil a vitória de um candidato da situação, que, aliás, anda atrás de um candidato como um Diogénes com sua lamparina acesa em busca de um homem honesto.
Enquanto se mantiver calado, sem rejeitar publicamente o ninho que deixou, o deputado Pudim dificilmente se livrará da suspeita de uma conspiração cumpliciada por Garotinho e Picciani. Para quem imagina impensável uma aliança nas sombras, convêm refrescar a memória: a trinca Picciani/Paulo Mello/Sérgio Cabral foi o tripé de sustentação dos oito anos em que Garotinho/Rosinha governaram o Estado do Rio de Janeiro. O trio se revezou no comando da Assembleia Legislativa em sintonia finíssima com o casal no Palácio Guanabara. Nenhuma turbulência pública entre os dois poderes em todo o período.
No chororô de sábado, Garotinho anunciou que foi ele, em negociação direta com Picciani, quem deu a Pudim a cadeira de primeiro-secretário. Disse que, na disputa entre Picciani e Paulo Melo, ficaria com a presidência da Alerj, quem os sete deputados do PR apoiassem, e que ele, Garotinho, decidiu por Picciani, mas impondo Pudim no segundo cargo mais importante da Assembleia. Mas na época, negou qualquer participação e atribuiu à bancada a decisão de participar da Mesa. Em outro ponto do “desabafo”, Garotinho disse ter recebido um telefonema do deputado Paulo Melo, alertando-o da traição de Pudim. O mesmo Paulo Melo, a quem o ex-governador dizia estar proibido, pela Justiça, de publicar o nome em seu Blog. Outro que teria telefonado para ele para falar da saída de Pudim, o colunista Fernando Molica, de O Dia, desmentiu, no mesmo sábado sem seu blog, afirmando que há dois meses não conversa com Garotinho.
Alguns termômetros vão apontar nas próximas semanas se a deserção de Pudim é de fato ou de araque. As cassandras garotistas vão “bater” sem piedade no deputado desertor, como fazem com todos os traidores? A turma de Pudim que atua nas redes sociais e defende com fidelidade canina o governo Rosinha vai criticar a administração? E, principalmente: quando Geraldo Pudim — vereador, vice-prefeito, deputado estadual e deputado federal, sempre eleito pelas mãos e pés de Garotinho — vai assumir as teses da oposição? Só quando vier a público rejeitar o modelo político-administrativo desse grupo, cobrar transparência do governo e apuração das denúncias de corrupção, aí, sim, veremos de lado está o deputado feito de vento, que precisa ter um dono para existir como político.
Olhando o quadro como está hoje, Pudim é o candidato ideal para os dois lados: Garotinho o quer disputando pelo PMDB para rachar a oposição e a oposição o prefere candidato do garotismo porque acha mais fácil de derrotar.
E, pensando bem, trocar Garotinho por Picciani é… deixa pra lá.
Artigo escrito com base nas postagens publicadas previamente aqui e aqui, no blog “Eu penso que…”, e publicado hoje na Folha da Manhã
Seu quintal durante anos, o Pontal de Atafona será palco para uma homenagem a Neivaldo, no próximo sábado, dia 25, a partir das 17h (reprodução de facebook)
No próximo sábado, 25 de julho, a partir das 17h, perto do pôr do sol, o Pontal de Atafona será palco para uma homenagem ao comerciante Neivaldo Paes Soares, o “Bambu”, de 54 anos, desaparecido desde o último dia 21 de junho. Amanhã (21/07) fará um mês que ele foi visto pela última vez, no início da noite de um domingo frio, após iniciar a travessia da foz do rio Paraíba do Sul, sozinho em sua canoa a motor, entre Atafona e a ilha do Peçanha, onde residia. Até agora sem corpo, rito fúnebre, ou nenhuma novidade nos inquéritos da 145ª Delegacia de Polícia (DP) e da Marinha do Brasil, abertos para investigar seu desaparecimento, amigos e parentes de Neivaldo acharam necessário prestar essa homenagem, até para que o caso não caia no esquecimento.
O palco do encontro, como não poderia deixar de ser, será no Pontal, perto das ruínas do bar que Neivaldo conjugou com casa durante anos, recebendo amigos e clientes, antes que o avanço do mar destruísse o local, em julho de 2012, mudando seu dono para a ilha do Peçanha.Como informações úteis, no sábado, a maré atingirá seu ponto mais baixo poucos minutos antes das 17h, com previsão de alta logo após às 22h. Na maré baixa, o acesso ao local é possível caminhando pela praia. Com a maré alta, as vias de acesso são as duas ruas projetadas da comunidade de pescadores do Pontal. Um ao final de cada rua, já na faixa de areia à beira da foz, os bares do Júnior (antigo bar da Renata, em frente ao antigo Elvis) e do Santana (antigo Almir Largado) servem como referência.
Na programação tão anárquica quanto o homenageado, a ideia é reunir pessoas num luau, relembrar histórias e cantar canções naquele encontro entre o Paraíba e o Atlântico, o céu e o mar, o mangue e a praia, que Neivaldo não apenas amou, mas tomou para si como lar e destino. Pede-se que cada um leve uma flor para atirar nas águas, mas a saudade já basta.
Caros leitores, este artigo é uma peça particular, um pedaço de mim em sinopse do ocorrido esta semana, com alguns reflexos e resquícios de passado. Logo no início da semana que se passou, minha conta do Facebook foi vítima de hackers. Os invasores fizeram postagens de cunho político, dando a entender que eu estaria insatisfeito com a política campista, sobretudo, a oposição. Vi-me obrigado a desativar a conta até segunda ordem. Fiquei cerca de três dias solucionando o problema e garantindo a segurança do meu perfil.
Ainda sem saber por quem e por que motivo, espero descobrir em breve, me pego a pensar nas possibilidades. Sou um nanico neste meio político. Não tenho dinheiro, cargos e nem influência. O que eles temem? Seriam minhas palavras as causadoras de tanto desespero? Porque ainda me perseguem, se me encontro no momento menos belicoso de minha vida? Já me processaram algumas vezes, me tiraram da rádio, tentaram me desmoralizar com ataques ridículos e caluniadores, enfim… Como dizem por aí, “é muito amor envolvido”. Quem de longe vê, afirma que é o tipo de amor consanguíneo.
Coincidência ou não, o ataque cibernético a mim infligido surgiu paralelo a uma destas “verdades de calçadão”, mais conhecidas como boatos. Muitas pessoas me procuraram perguntando se o Partido Verde (PV), sigla que presido na planície, estaria propenso a caminhar com o governo rosáceo, apoiando o candidato deles na eleição municipal do ano que vem. Ouvi diversas vezes em poucos dias a seguinte pergunta: “Garotinho está pegando o PV?”.
Mas o questionamento que mais me faço é o por que de tanta preocupação e perseguição a este nanico que vos fala? Sou um pinscher e eles me tratam como um dobermann. Que são covardes e cruéis todos sabem, mas porque gastar tanto tempo e recurso com alguém tão pequenino. Será saudade? Olhando com carinho, acho que isso foi bom. Eles apenas estão me motivando a voltar com força total. Se eles querem briga, terão. O bom do pinscher é que mesmo pequenininho, ele parte para cima. Não chegarei a jugular, mas morderei alguns calcanhares pelo caminho. E quem conhece a história de Aquiles sabe: às vezes basta um calcanhar.
Presidente estadual do PMDB e da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), Jorge Picciani bateu o martelo: o também deputado estadual Geraldo Pudim (atual PR) será o candidato do PMDB de Campos à sucessão da prefeita Rosinha Garotinho (PR) em 2016. De fato, a resolução é tanta, que não vai nem aguardar o resultado de uma pesquisa qualitativa já encomendada pelo partido para o município. E, pelo visto, não será levado em conta o fato do governador Luiz Fernando Pezão (PMDB), ter afirmado que apoiará na disputa em Campos, para 2016, um candidato que lhe apoiou em 2014. Mas o discurso de Picciani é conciliador com a oposição local: “certamente, no fim da jornada, estaremos todos juntos”.
Folha da Manhã – Pudim será o candidato do PMDB à Prefeitura de Campos em 2016? Por quê?
Jorge Picciani – O deputado Pudim será o candidato do PMDB em Campos. Ele reúne, por sua trajetória na cidade e seus mandatos como deputado estadual e federal, todas as condições para recuperar o desenvolvimento do município, extremamente prejudicado sobretudo nesse último mandato da prefeita. O PMDB fará todos os esforços para garantir a ele o maior número de aliados ainda no primeiro turno e, depois, num eventual mandato de prefeito.
Folha – Na segunda-feira, dia 13, o governador Luiz Fernando Pezão recebeu (aqui) o vereador Rafael Diniz (PPS) no Palácio Guanabara, onde assegurou que apoiará em Campos, em 2016, um candidato que o apoiou a governador em 2014. Pudim foi Garotinho nos dois turnos. E aí?
Picciani – O vereador Rafael Diniz, do PPS, é uma das boas surpresas desta nova geração de jovens políticos de Campos. O PMDB e o PPS, presidido de forma exemplar pelo deputado Comte Bittencourt (também presente ao encontro de segunda com Pezão e Rafael), que além de colega de Assembleia eu tenho o prazer de considerar um amigo, é um aliado estratégico do PMDB a nível estadual e em vários municípios do Rio, inclusive na capital. É natural que, numa eleição de dois turnos, os partidos trabalhem para firmar suas candidaturas. Mas, certamente, no fim da jornada, estaremos todos juntos.
Folha – Se vier candidato a prefeito pelo PMDB, Pudim enfrentará dois estigmas. O primeiro, de ter traído Garotinho. O segundo, de ser um plano B deste, uma espécie de Cavalo de Tróia. Como se livrar desses rótulos
Picciani – O deputado Pudim tem uma postura de correção que o acompanha ao longo de toda a sua vida pública. Em relação aos nossos adversários, não cabe comentar. Pudim será candidato pelo bem do povo de Campos.
Folha – O Globo (aqui) e o grupo de comunicação de Garotinho em Campos noticiaram em novembro passado sua união com o ex-governador na eleição da mesa diretora da Alerj. Se já estiveram tantas vezes juntos no passado, por que o eleitor deveria acreditar que não estariam agora?
Picciani – A minha aliança foi com a bancada de deputados estaduais do PR, que foi unânime no apoio de seus oito deputados à minha candidatura a presidente da Alerj. Eles me apoiaram apesar da resistência, que foi pública, da deputada Clarissa Garotinho (PR) e seu pai, que queriam notadamente que eu desse ao PR a presidência da comissão de Segurança da Casa, o que eu rejeitei. O apoio do PR garantiu praticamente a unanimidade dos votos de todos os deputados, de todos os partidos, na eleição da atual mesa diretora, à exceção do Psol.
Folha – Você diz que eleição é informação (pesquisa) e tempo de TV. Pudim candidato pelo PMDB terá que esperar a pesquisa qualitativa já encomendada pelo partido para Campos?
Picciani – Pudim está consagrado como nosso candidato. A estratégia de cada campanha é definida pelo candidato e sua equipe mais próxima e as pesquisas ajudam muito nisso, mas ele terá o apoio firme do PMDB para que obtenha sucesso no pleito.
Folha – Na Câmara Federal, assim como você, na Alerj, o deputado Eduardo Cunha (PMDB) tem demonstrado a força do Parlamento diante do Executivo. Não é diferente do que a oposição tem feito na Câmara de Campos. Pudim candidato a prefeito pelo PMDB não é deixar esse pessoal de fora?
Picciani – É natural e salutar que os bons valores da oposição coloquem seus nomes. Nós vamos trabalhar para atrair essa boa oposição de Campos pelo bem da cidade e da população.
O momento da orquídea na manhã de hoje em Atafona (foto de Aluysio Abreu Barbosa)
Era uma noite de 2008 sob a planície goitacá. Estava em companhia do diretor de teatro e poeta Antonio Roberto de Góis Cavalcanti, o Kapi (1955/2015), na casa ampla que ele alugara na Álvaro Tâmega e funcionou durante alguns anos, num dos seus tantos projetos megalômanos, como sede da produtora Kapitar. De arte e desbunde, aquele imóvel já vinha impregnado, vez que nele se criara o famoso pintor campista Ivald Granato, antes de ganhar São Paulo e o mundo. Buscava em Kapi um amigo com quem comungasse sensibilidade, para também dividir a felicidade pelas minhas duas novas paixões de então: por uma mulher e pela poesia do mineiro, radicado no Rio, Geraldo Carneiro, cujo livro “balada do impostor”, numa edição de 2006, eu havia comprado há pouco e desde então lia, relia, carregando-o a tiracolo por onde fosse.
Depois de mostrar para Kapi alguns versos do livro, liguei à mulher e li dois poemas, ambos com mesmo título, que julgava particularmente escritos para expressar meu sentimento. Mesmo que daquela paixão eu depois tenha involuntariamente gerado mágoa e ressentimento, dada a alternância das musas, tive Kapi por testemunha amiga de quão belo foi o momento. Tanto quanto os dois poemas do Geraldo continuam sendo. Abaixo, entre eles e não por acaso, o “Choro bandido” de Chico Buarque e Edu Lobo, na companhia sempre bem vinda do “maestro soberano” Antônio Brasileiro (1927/94):