Quem vota em Chicão não rejeita Rafael. Quem ecoa Linda Mara?

Ponto final

 

 

Única série de pesquisas

Ainda que outras pesquisas possam ser divulgadas nestes sete dias que separam o eleitor das urnas de 2 de outubro, nenhuma será fruto de uma medição constante feita desde junho, como as quatro feitas pelos instituto Pro4, todas registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), encomendadas e divulgadas integralmente pela Folha da Manhã. A última delas, ainda quente do forno, você, leitor, pode conhecer (aqui) em detalhes na manchete de capa e na página seguinte desta edição.

 

Novidade: Rafael líder

Se as três consultas Pro4 anteriores — feitas (aqui) nos dias 8, 9 e 10 de junho, (aqui) no dia 6 de agosto e (aqui) nos dias 2 e 3 de setembro — tiveram como base 620 eleitores das sete Zonas Eleitorais (ZEs) de Campos, a última avançou sobre um universo de 1.500 entrevistas. E, ao diminuir sua margem de erro para 3,3 pontos percentuais, a pesquisa feita ainda ontem (24) e anteontem (23) foi a primeira do instituto a colocar Rafael Diniz (PPS) na dianteira das intenções de voto à sucessão da Prefeita Rosinha Garotinho (PR).

 

Na margem e além dela

Em empate técnico com o governista Dr. Chicão (PR), Rafael liderou tanto a consulta estimulada (37,7% contra 33,1%), quanto a espontânea (29,9% a 27,7%). Mas essa liderança do candidato do PPS saltou bem além da margem de erro na projeção do segundo turno: 46,3% contra 33,6 — o que significa 12,7 pontos percentuais de vantagem nas urnas cada vez iminentes de 30 de outubro.

 

Crescimentos desiguais

Comparadas as duas pesquisas estimuladas do Pro 4 feitas neste mês de setembro, Rafael saltou de 24,2% para 37,7% (13,57 pontos percentuais) numa diferença de apenas 20 dias, período no qual Chicão cresceu mais timidamente: de 29,8% para 33,1% (3,3 pontos, mais de 10 pontos a menos). Se é inegável que Rafael vem atropelando nesta reta final, isso pode ser explicado por outro índice, considerado ainda mais importante no segundo turno: a rejeição.

 

O normal e o estranho

Com um nível de ataques irracional, sobretudo por parte de governistas encurralados pela possibilidade da perda do poder e das prisões (aqui) de integrantes do governo Rosinha pela Polícia Federal (PF), a polarização da eleição é normal. Estranho, quase inédito, é que, ainda assim, Chicão possa ter 33,1% de intenções de voto, enquanto Rafael ostenta só 3,9% de rejeição. O normal seria a paridade cruzada dos índices, observada entre os 37,7% de intenções de voto em Rafael e os 34,3% de rejeição de Chicão. Quem vota em Rafael, não vota em Chicão. Mas quem declara vota neste, não diz ser incapaz de fazê-lo em seu principal adversário.

 

O terceiro

Terceiro colocado nas intenções de voto da pesquisa Pro4 mais recente, que chegou a liderar em junho, Caio Vianna (PDT) também integrou as projeções de segundo turno, na qual perderia de muito para Rafael (24,2% a 47,2%), e ganharia em empate técnico de Chicão (34% a 32,4%). Mas, sangrado publicamente pelas críticas do pai Arnaldo Vianna (PMDB), que preferiu apoiar o candidato Geraldo Pudim (PMDB), o filho único do ex-prefeito parece não estar reagido bem ao derretimento de uma candidatura que há três meses parecia ter chance de vitória.

 

É o caso?

Ontem, na InterTV Planície, Caio disse (aqui): “Nós vamos nas comunidades apresentar que o candidato dos ricos está cometendo um ato de interromper o Cheque Cidadão e o alimento daqueles que mais necessitam”. Para além da hipocrisia de alguém privilegiado sócio-economicamente desde que nasceu, se o candidato não sabe que partiu do Ministério Público Eleitoral (MPE) a iniciativa de suspender, em decisão da Justiça, o benefício do governo Rosinha só àqueles inscritos por razão eleitoral, precisa aprender a ler melhor uma ação judicial, ou seu noticiário na mídia. A não ser, claro, que o caso seja apenas ecoar (aqui) Linda Mara.

 

Publicado hoje (25) na Folha da Manhã

 

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Pro4: Rafael lidera no primeiro turno com Chicão e dispara no segundo

(Infográfico de Eiabe de Souza, o Cássio Jr.)
(Infográfico de Eiabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Por Aluysio Abreu Barbosa

 

Uma virada na eleição a prefeito de Campos. Na polarização contra o candidato governista Dr. Chicão (PR), apontada por todas as pesquisas recentes até agora divulgadas, o oposicionista Rafael Diniz (PPS) assumiu a liderança tanto na consultas estimulada, quanto na espontânea das intenções de voto ao primeiro turno da eleição a prefeito de Campos, daqui a apenas uma semana. E se a diferença dos dois primeiros colocados no turno inicial está dentro da margem de erro de 3,3 pontos percentuais para mais ou menos, no provável segundo turno entre ambos, Rafael se isolou com uma vantagem de mais de 10 pontos sobre Chicão.

Encomendada pela Folha da Manhã, a pesquisa do instituto Pro4 foi feita entre os dias 23 e 24 de setembro (anteontem e ontem), com base em entrevistas com 1.500 eleitores das sete Zonas Eleitorais (ZEs) de Campos. Com intervalo de confiança de 99%, foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número RJ 05026/2016.

Na consulta estimulada, Rafael liderou com 37,7%; seguido de Chicão, com 33,1%; Caio Vianna (PDT), com 10%; Nildo Cardoso (DEM), com 1,8%; Geraldo Pudim (PMDB), com 1,1%; e Rogério Matoso (PPL), com 1% — enquanto 2,8% disseram que votarão branco ou nulo, e 11,6% não souberam ou quiseram responder. Já na espontânea, Rafael está na frente com 29,9%, acompanhado de Chicão (27,7%), Caio (9,1%), Nildo (1,6%), Pudim (0,7%) e Matoso (0,5%), com 3,4% de branco e nulo, e 26,9% de indecisos.

 

(Infográfico de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
(Infográfico de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Como a eleição aponta ao segundo turno de 30 de outubro, o quesito considerado mais importante nele é o da rejeição dos candidatos. E nela Rafael também lidera com menor índice negativo entre os seis candidatos: apenas 3,9%. À sua frente ficaram Matoso (4,2%), Nildo (5,1%), Caio (5,3%), Pudim (21,4%) e Chicão, com a maior rejeição: 34,3%.

Com base na liderança nas intenções de voto e numa rejeição impressionantemente baixa, sobretudo numa eleição tão polarizada, Rafael venceria o segundo turno, bem além da margem de erro, nas duas simulações feitas com seu nome na pesquisa. Sobre Chicão, o candidato do PPS venceria por 46,3% contra 33,6%. Já contra Caio, a diferença seria ainda maior: 47,2% a 24,3%. Num segundo turno improvável, mas matematicamente ainda possível entre Chicão e Caio, o jovem pedetista venceria, mas dento da margem de erro: 34% a 32,4%.

Ainda que outras pesquisas sobre a sucessão da prefeita Rosinha Garotinho (PR) possam ser divulgadas nestes sete dias que separam o eleitor das urnas do próximo domingo, essa última consulta Pro4 será a única fruto de uma série de três meses de medições, encomendada pela Folha e iniciada em junho (aqui, feita entre 8 e 10 daquele mês), sendo repetida em agosto (aqui, dia 6) e no início de setembro (aqui, dias 2 e 3). Mas todas as anteriores foram feitas com a base menor de 620 entrevistas e com consequente margem de erro maior: 3,9% para mais ou menos. E em nenhum delas Rafael liderou, indicando seu crescimento nesta reta final da eleição.

Além do Pro4, quem usou metodologia diferente para também indicar recentemente a ascensão do candidato do PPS, foi a pesquisa recente do instituto Gerp, com mais de 33 anos de tradição no mercado. Divulgada (aqui) com exclusividade pela Folha, a consulta registrou a alternância de Chicão e Rafael na liderança das intenções de voto das consultas estimulada e espontânea, também dentro da margem de erro de 4,47 pontos daquela consulta, feita entre 16 a 18 de novembro, com 500 eleitores. Apesar disso, o Gerp já apontava a vantagem de Rafael sobre Chicão no segundo turno, ainda que em empate técnico: 36% a 32%.

Menos de 10 dias depois e ouvindo o triplo de eleitores do Gerp, o Pro4 registrou o crescimento da vantagem de Rafael tanto nas consultas estimulada e espontânea, quanto nas projeções de segundo turno. Por outro lado, na comparação entre os dois institutos, diminuiu significativamente o número de indecisos. Na espontânea, os 52% do Gerp caíram quase pela metade: 26,9% no Pro4. Já na estimulada, os 24% do primeiro instituto se reduziram no segundo para menos da metade: apenas 11,6% de indecisos. E a possível migração destes votos aos candidatos também é diretamente influenciada pelo índice de rejeição de cada um.

 

(Página 5 da edição de hoje (25) da Folha)
Página 5 da edição de hoje (25) da Folha

 

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Fabio Bottrel — Alma em Greve

 

Sugestão para escutar enquanto lê: Camille Saint-Saëns–Aquarium

 

 

 

 

Orelha corta Van Gogh
Orelha corta Van Gogh

 

 

Artesão da própria existência me ergui sobre pensamentos, voei, sozinho ao encontro da imortalidade. Quando pousei, olhei, havia alguns bancos e uma consciência vazia, desperta da embriaguez da poesia por um din-don no alto falante alertando a chegada de mais um ônibus no Shopping Estrada. Prestes a me levantar, minha hora de zarpar, senti minhas pernas adormecerem, aos poucos a dormência se transformou em rigidez, sinto o meu corpo ereto como um tronco de madeira e uma voz me vem à cabeça.

– Não vai!

Tentava mexer a perna, mas a voz continuava:

– Não!

Tremia tentando dar o próximo passo, estava estático como uma estátua e já apitava no relógio a hora do ônibus sair.

– Deixe-me ir, maldita! – Gritou outra voz em minha cabeça.

– Não, não e não!

– Maldita!

– Pode me chamar do que quiser, chega de ficar só te favorecendo, que relação dispendiosa é essa?! Nós somos uma dupla, não é só você que tem de usufruir nossas benesses.

– Se essa geringonça ambulante perder o ônibus a única benesse que teremos é farofa com vento no jantar.

– Estou cansada das suas censuras!

Enquanto assistia à discussão na minha cabeça meu corpo continuava parado, algumas pessoas que passavam por mim me reparavam feito uma estátua, tremendo todo tão forte que chegava a gemer tentando me mexer, mas era como se estivesse fincado no chão.

– O que vocês estão fazendo dentro da minha cabeça?! Parem já com essa bagunça! – Pensei, como as falas também eram pensamentos, talvez me comunicasse dessa maneira.

– Nós moramos aqui, ué. – Disse a voz mais firme.

– Eu sou a casa. – Respondeu a outra voz um pouquinho mais grossa e lenta, como uma criança babona.

– Você é uma casa dentro de mim?

– Não… eu sou uma casa que você está dentro.

– Não entendi…

– Eu sou seu corpo, burro!

– E por que você não se mexe então?! Estamos parados feito patetas no meio dessa rodoviária.

– Por que essa desocupada da Alma resolveu fazer greve agora!

– Alma? – Perguntei.

– Sou eu. – Disse a voz mais firme.

– Você também mora dentro do meu corpo?

– Sim, no estômago.

– Não tinha lugar melhor?

– Aqui é quentinho…

– Eu preciso pegar esse ônibus que vai sair agora senão eu perco meu emprego, será que tem como você e o corpo se entenderem para eu continuar minha vida em paz?

– Não, to de greve.

– Aí, num falei? Quem mandou ter uma alma doida assim, foi fazer música, teatro, pintura na infância… olha o que deu, fica aí dando chilique agora. Freud explicou, o problema tá todo nessas maluquices que você fez na infância. – Disse o corpo, mas pelo teor da conversa que se seguiu minha Alma já havia decidido, daquele dia em diante não passaria, não deixaria o Corpo pegar aquele ônibus mais uma vez e estraçalhá-la de vez em rotinas, rotinas, rotinas para se alimentar com um monte de porcarias, deitar a bunda em penas de gansos, coitados dos bichinhos!

Minh’alma resolvera se rebelar contra meu corpo, não aceitaria mais essas tarefas só para alimentá-lo, decidiu que agora também queria se alimentar. Voltaria para as artes plásticas, pintaria a vida com um céu mais claro, a visão aberta ao mundo e as cores, me fiz vida nessa pequena parte do meu ser desintoxicada de toda a poesia. O Corpo desesperou-se, imaginou os sacrifícios que teria de fazer, não poderia mais comer todas as suas guloseimas, acabariam os chocolates, as roupas quentinhas, seus perfumes cheirosos, o café da manhã com geleia Française, tudo isso seria renegado em prol da Alma com esse negócio de arte, não podia compactuar com uma coisa dessas e senti de longe o seu desespero como se fizesse um reboliço dentro da minha mente.

– Maldita! Deixe-me pegar esse ônibus!

– Não! Eu quero ser feliz! Chega desse terno e gravata!

– E você lá sabe o que é ser feliz?!

– Eu vou ser o próximo Van Gogh!

– Van Gogh morreu pobre cortando orelha, energúmena!

– Eu não sinto fome e nem dor, Corpo, essa parte é sua.

– E você quer que eu morra com fome e sem orelhas, Alma?

Dentro de mim a discussão continuava enquanto eu via meu ônibus partir, desesperei-me para correr, era a reunião mais importante do trabalho, perdê-la sem uma justificativa à altura seria meu fim.

– Ei, rapaz, ei… – Chamei um dos transeuntes que passava ao lado.

– Me ajude, não consigo me mexer e meu ônibus é aquele que está saindo…

– O que o senhor tem? – Perguntou o rapaz incrédulo ao me ver numa posição incomum, estático, mexendo apenas os olhos e tremendo a mandíbula.

– Minha alma se revoltou contra o meu corpo e eu no meio dessa confusão não consigo pegar meu ônibus.

– Oi?

– Minha alma está em greve.

Creio que o rapaz me achou um louco, talvez perdido de algum hospício que houvera ido parar na rodoviária à procura de algum sentido para a fantasia mental. Percebi que não adiantaria pedir ajuda, talvez até piorasse a situação, não havia nada que poderia fazer enquanto minha alma não se acertasse com o meu corpo.

– Que cena ridícula Gerônimo, pare com isso, daqui a pouco vão achar que você está louco. – Disse a Alma percebendo que eu ainda tentava pedir ajuda com o olhar.

– Você vai estragar a minha vida dessa maneira. Deixe-me pegar esse ônibus. – Supliquei.

– Estou tentando te salvar dessa vida de merda que o corpo te chantageou a ter. Nós só temos uma vida, Gerônimo, é preciso assumi-la.

– Eu chantageei? Você é que não sabe viver em sociedade, eu o ajudei a adaptar nesse mundo, vai dizer que você não gosta dessas mordomias todas que conquistamos, Gerônimo?

– Ai, Corpo! Você é tão estúpido, tão materialista, tinha que ser fruto dessa gente primitiva! Nenhum materialista chega lúcido ao fim da vida, nenhuma consciência pode se apoiar naquilo que se esvai como maquiagem, tudo o que importa está em mim, é uma pena que você consiga enganá-lo até o fim.

– Vocês sempre viveram assim, dentro de mim? – Perguntei curioso e assustado com essa cena.

– O que é que vive? – Pergunta a Alma.

– O que tem corpo? – Perguntei sem saber a resposta certa.

– Tá vendo, você ainda está morto, não começou a viver, muita gente só vive alguns dias antes da morte, quando o Corpo já não consegue te cegar a própria sorte. A morte é um mergulho na inconsciência, onde o ser se perde d’onde você ainda não se encontrou.

Gerônimo, não há vida quando não há mais oportunidade de aprendizado, para onde quer que vá, não entre na escuridão desse ônibus, não deixe o Corpo me censurar mais tempo que o restante.

Para onde quer que vá, não deixe de olhar por mim, no fim, é só isso que importa.

 

***

 

Ouvi um grande baque de mala pesada ao meu lado despertando meus pensamentos, percebi que havia caído no sono e um leve fio de baba molhava minha bochecha, meu corpo se movimentava com alguma lerdeza pela sonolência e não havia mais sinal de voz na minha cabeça. O ônibus acabara de chegar, mas decidi por não tomar, levantei e me pus a caminhar, dentro do meu bolso e sobre o coração uma caderneta com um poema mexicano amassado de Amado Nervo caminhava junto a mim.

 

Perto do meu ocaso, eu te bendigo, ó Vida,

porque nunca me deste esperança falida

nem trabalhos injustos, nem pena imerecida.

 

Porque vejo no fim de meu rude caminho

que fui eu o arquiteto de meu próprio destino;

que se os méis ou o fel eu extraí das cousas

foi que nelas pus mel ou biles amargosas:

quando plantei roseiras, não colhi senão rosas.

 

Às minhas louçanias vai suceder o inverno;

mas tu não me disseste que maio fosse eterno!

Julguei sem fim as longas noites de minhas penas;

mas não me prometeste noites boas apenas,

e, afinal, tive algumas santamente serenas…

 

Amei e fui amado, o sol beijou-me a face.

Vida, nada me deves! Vida, estamos em paz!

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Neste domingo, última pesquisa Pro4 para prefeito de Campos

Pro4 logo

 

Quer saber quem está na frente dos índices de intenção de votos nas consultas estimulada e espontânea, mais as projeções de segundo turno cada vez mais provável da eleição a prefeito de Campos? Então leia amanhã, na Folha da Manhã, a divulgação da pesquisa Pro4 ainda quente do forno, feita hoje (24) e ontem (23) com 1.500 eleitores das sete Zonas Eleitorais do município.

A pesquisa fecha uma série de consultas feitas pelo mesmo instituto, todas encomendadas pela Folha, antes realizadas em junho (dias 8 a 10), agosto (dia 6) e no começo de setembro (dias 2 e 3).

 

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Da “Telhado de Vidro” à “Vale Voto”, quem governa leva Campos à m(…)

Ponto final

 

 

M(…) anunciada

Há pouco menos de um mês, em 30 de agosto, esta coluna alertou (aqui) que o casal Rosinha e Anthony Garotinho (PR), a exemplo dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff (PT), estava ignorando na Prefeitura de Campos o mesmo conselho do compositor Chico Buarque que os dois petistas pareceram não ouvir durante seus 13 anos de governo federal, até serem dele defenestrados:  “Vai dar m(…)!”.

 

M(…) maior que estava por vir

A analogia entre os casais-referência do garotismo e do lulopetismo foi concluída com uma advertência, após Rosinha afirmar (aqui), num vídeo viralizado nas redes sociais, que o município governado por ela há quase oito anos está no buraco: “Se Campos está no buraco, o que não dá para fazer diferente é eximir de responsabilidade seu casal de governantes na m(…) buarqueana na qual enfiaram a terra dos sambistas Wilson Batista (1913/68) e Geraldo Gamboa (1930/2016). E quem acha que a reversão desse quadro é possível com a prática que foi alvo de duas operações da Justiça Eleitoral (…) talvez valha a pena observar o rigor da lei com Lula e Dilma para saber que m(…) muito maior ainda pode estar por vir”.

 

M(…) vindo

Aparentemente, a advertência continuou sendo ignorada pelos Garotinho. Não por outro motivo, às duas operações do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) em 28 (aqui) e 29 (aqui) de agosto, num galpão da av. Alberto Lamego com adesivos da campanha de Dr. Chicão e na casa do vereador Ozéias (PSDB), preso por suspeita de compra de voto, somaram-se outras duas: em 2 de setembro (aqui), na secretaria municipal de Desenvolvimento Social e três Centros de Referência de Assistência Social (Cras); e em 6 de setembro (aqui), na casa do vereador Albertinho (PMB).

 

M(…) muito maior

Fruto dessas operações, acabou vindo a tal m(…) muito maior antecipada nesta coluna. Ontem pela manhã, na operação “Vale Voto”, a Polícia Federal (PF) prendeu (aqui) a secretária municipal de Desenvolvimento Humano, Ana Alice Alvarenga; e a coordenadora do Cheque Cidadão, Gisele Koch Soares; além de mais oito pessoas que fariam parte daquilo que o Ministério Público Eleitoral (MPE) chamou (aqui) de “escandaloso esquema”. Denunciados (aqui) numa Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije) do MPE, foram descobertos 18 mil novos cadastros do Cheque Cidadão só de junho a setembro. Para se ter uma ideia, antes só existiam 12 mil cadastrados.

 

Origem da m(…)

Devido à sua total ausência de critérios, a distribuição dos 18 mil novos Cheques Cidadão para atender interesses meramente eleitorais, gerou reclamações das próprias assistentes sociais da Prefeitura. Esta origem das investigações nos servidores municipais, revelada apenas ontem pela PF, joga por terra a tentativa canhestra de se responsabilizar a oposição pela suspensão, em decisão judicial da quinta (22), desses 18 mil Cheques Cidadão que seriam trocados por voto na eleição de daqui a exatos oito dias — aquela que os Garotinho tentam a todo custo vencer no primeiro turno, pelo temor de perdê-la no segundo.

 

Lembrança de m(…)

Determinada (aqui) pelo juízo da 99ª Zona Eleitoral (ZE) de Campos, a suspensão dos 18 mil novos Cheques Cidadão se deu a pedido de seis dos sete promotores eleitorais do município, não de nenhuma das cinco coligações de oposição que concorrem à sucessão de Rosinha contra o governista Dr. Chicão (PR). Este, sem dúvida, o maior prejudicado pela exposição nacional da operação de ontem da PF. De fato, a “Vale Voto” trouxe à lembrança do campista a “Telhado de Vidro”, de 2008, que deu fim ainda em vida ao governo Alexandre Mocaiber.

 

Publicado hoje (24) na Folha da Manhã

 

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Guilherme Carvalhal — O último amor de Antônio

 

Carvalhal 22-09-13

 

 

É provável que a maioria das pessoas teve e se lembre do seu primeiro amor. Grosso modo, é algo da adolescência, quando o processo de descoberta do próprio corpo e dos próprios sentimentos começa e daí se irradia a alguém. Talvez seja o mais puro amor possível, desprovido de mágoas passadas que impeçam sua fluidez natural. Há até casos em que o primeiro amor durou até a morte, feito louvável.

Algo a que cabe pouca atenção é o lado oposto, o último amor da vida. Por que? Possivelmente porque ao longo da maturidade a pessoa opte por uma paixão permanente e não o troque, ou então porque o tempo tende a resfriar a capacidade de alguém de auferir tal sentimento. É quase um tabu pensar que alguém de 70 anos possa se apaixonar. Esse último amor é algo insosso, então não o poetizam.

Antônio destoou dessa regra. Teve e aproveitou suas muitas paixões. Namoradas de adolescência que levava para passear na sorveteria, as moças mais soltas em seus vinte e poucos anos, o casamento desfeito após 12 anos de duração e dois filhos, o segundo casamento findo quando se aproximavam os 60 anos. A aposentadoria gerou certo comodismo e preferiu a solidão a concretizar um novo relacionamento.

Aos 72 anos, saiu da sua casa ao fim da tarde, quando costumeiramente contemplava o pôr do sol e respirava ar puro. A hora dos muitos maratonistas correndo, de jovens passeando com cachorros. E ele ali, sentado, de pernas cruzadas, sem fazer nada.

Ela pediu licença e sentou ao seu lado. Comentou sobre como na sua infância quase ninguém frequentava esse local e do choque por atualmente se deparar com tanta gente ali, envolvidas em aulas de ioga ou jogando basquete na quadra. Ele concordou. Frequentava a praça desde criança, integrava um grupo que jogava futebol ali pelo espaço sobrando. Hoje em dia seria impossível disputar espaço com o excesso de transeuntes.

Das lembranças saudosistas, comentaram a respeito de si mesmos. Ele costumava permanecer apenas uma hora ali, e nesse dia deixou o tempo correr, até anoitecer. Dando a hora de retornarem, combinaram de se verem no dia seguinte.

Desse primeiro encontro seguiram diversos outros. Ela chamava Sofia e trabalhou a vida inteira no Tribunal de Contas. Agora aposentada, dedicava-se a ensinar matemática às crianças autistas, um serviço social nascido do tratamento de seu neto. E ela contou sobre o neto, sobre o filho sobre viagens e criaram uma intimidade aprazível, que gerava o desejo de se reverem a cada dia.

Repetiram o rito por meses, em uma relação envergonhada. Assim como o rapaz de 13 anos vai ter receio em falar com a colega de sala, ele vexava perante a vontade de convida-lá para jantar em sua casa. Poderiam considerar um descaramento da sua parte, colocar uma senhora de sua idade sozinha dentro de uma casa. Postergou o pedido até que resolveu dar um tiro no escuro e cogitou se, caso ele a convidasse para jantar, se ela aceitaria.

Sofia justificou-se, tolhida pela preocupação com filhos e netos. O que pensariam ao saber que ela, viúva, andava na companhia de outro homem? E assim o convite foi guardado dentro da gaveta até a semana seguinte, quando ela disse que aceitaria jantar com ele. Ao que tudo indicava, ela refletiu e decidiu se aventurar.

Antônio relembrou a sensação de ter uma mulher dentro de casa, mesmo que em circunstâncias diferentes. Quando começou a trabalhar e alugou seu primeiro apartamento, interessava-se em embebedar mocinhas metidas a moderna e levá-las para a cama. Agora, não sabia como prosseguir. Não bebia mais devido ao coração, então não comprou vinho para acompanhar a macarronada. Acompanharam com suco e desfrutaram o momento com boa música. Ele não recordava a última vez em que se sentiu tão feliz.

Ao final, enquanto ela saía para entrar no táxi que a esperava, ele pegou em sua mão. Entreolharam-se cúmplices, ponderando silenciosamente um beija/não beija, enquanto suas testas colaram e suas mãos se apertaram. Desistiram e se soltaram. Ele a assistiu fechar a porta do carro, sorriso aberto ao rosto, ansioso pelo próximo entardecer quando a encontraria novamente.

 

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Gerp: Maioria dos campistas aprova o governo Rosinha Garotinho

Info Gerp Rosinha 22-09-16

 

 

Publicada (aqui) ontem, com exclusividade pela Folha, a pesquisa do instituto Gerp, feita entre os dias 16 e 18 de setembro, com 500 eleitores, não registrou apenas a aparente igualdade entre as candidaturas de Dr. Chicão (PR) e Rafael Diniz (PPS), que se alternaram na liderança das consultas estimulada e espontânea por apenas um ponto de vantagem. O Gerp também avaliou o governo Rosinha Garotinho (PR), que de maneira geral foi aprovado por uma maioria de 52% dos campistas, enquanto 40% desaprovaram e 8% não souberam ou quiseram responder.

Medida em sua avaliação mais clássica, o governo Rosinha foi considerado ótimo por 7% dos campistas, bom para 31%, regular para 29%, ruim para 12% e péssimo para 18%. Se a aprovação do governo é considerada fundamental à candidatura de Chicão, não é possível fazer uma análise da evolução do índice a partir da única pesquisa realizada do Gerp.

Na comparação com a série de pesquisas do instituto Pro4, que adotou metodologia diferente para medir a avaliação da gestão rosácea, esta vinha melhorando sua imagem. Se em junho deste ano, a aprovação ao governo era de apenas 33,9%, evoluiu a 36,9% em agosto e para 42,1%, no mesmo mês de setembro que o Gerp encontrou 52%, diferença significativa de 10 pontos percentuais a favor dos atuais ocupantes da Prefeitura.

A mesma diferença pró-Rosinha, na comparação entre a série Pro4 e a única pesquisa do Gerp, se repete por conseguinte da desaprovação. Pelo primeiro instituto, em junho, eram 62,4% os que desaprovavam o governo de Campos, percentual que caiu para 52,1%, em agosto, e 50,2%, em setembro — mesmo mês que o Gerp mediu a desaprovação em 40%.

 

Página 3 da edição de hoje (22) da Folha
Página 3 da edição de hoje (22) da Folha

 

Publicado hoje (22) na Folha da Manhã

 

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Pro4: Pedro Cherene abre boa vantagem para ser reeleito em São Francisco

Info Pro4 SFI 22-09-16

 

 

Por Aluysio Abreu Barbosa

 

Reservado aos municípios com mais de 200 mil eleitores, o instituto do segundo turno inexiste no pleito que definirá o prefeito de São Francisco de Itabapoana. Mas, se existisse, ele talvez fosse desnecessário, com o atual prefeito Pedro Cherene (PMDB) conquistando a reeleição com 56,4% dos votos válidos do município. Foi o que apontou a pesquisa do instituto Pro4 feita no dia 15 de setembro, com base em 426 entrevistas, registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob número 09868/2016.

Com margem de erro de 4,7 pontos percentuais para mais ou menos e um intervalo de confiança de 95%, a pesquisa apontou a liderança isolada de Cherene tanto nas consultas estimulada, quanto na espontânea. Diante à apresentação do disco com os nomes dos três candidatos, Cherene teve a preferência de 50,%5 dos eleitores, seguido por Francimara (PSB), com 32,6%; e de Marcelo Garcia (PSDB), com 6,3%. Descontados os 4,2% de branco e nulo e os 6,3% que não souberam ou quiseram responder, Cherene bateria os 56,4 % dos votos válidos; Francimara teria 36,5% e Marcelo, 7,1%.

Com números diferentes, a mesma ordem se repetiu na espontânea: Cherene repetiu a liderança isolada, com 46,7%; acompanhado de Francimara, que teve 27,7%; e de Marcelo, com 5,4%. Nesta consulta, 17,1% não souberam ou quiseram responder, enquanto 3,1% disseram que irão optar pelo voto branco ou nulo.

A pesquisa também mediu o índice negativo da rejeição dos candidatos. Quando perguntados em qual dos candidatos o eleitor não votaria de jeito nenhum, os três adversários ficaram em empate técnico: Cherene com 23,7%; Francimara, com 20,4%; e Marcelo, com 18,1%.

 

 

Página 5 da edição de hoje (22) da Folha
Página 5 da edição de hoje (22) da Folha

 

Publicado hoje (22) na Folha da Manhã

 

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“Escandaloso esquema” será julgado por juiz da “Machadada”

Ponto final

 

 

Antes tarde

Ontem, exatamente uma semana depois que seis dos sete promotores eleitorais de Campos propuseram uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije), com pedido de tutela de urgência, em face do uso do Cheque Cidadão na troca por votos na candidatura de Dr. Chicão (PR) a prefeito e de 34 candidaturas governistas a vereador, o caso finalmente voltou a caminhar para ser julgado. Após se darem por impedidos os juízes da 76ª e 98ª Zonas Eleitorais (ZEs), respectivamente Heitor Campinho e Elizabeth Longobardi, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) designou que o juiz Eron Simas, da 99ª ZE, assuma o caso.

 

“Escandaloso esquema”

Classificado de “escandaloso esquema” pelo Ministério Público Eleitoral (MPE), o caso foi substanciado em farto material apreendido pela fiscalização do TRE. Em 28 de agosto (aqui), num galpão da av. Alberto Lamego com adesivos da campanha de Dr. Chicão; em 29 de agosto (aqui), na casa do vereador Ozéias (PSDB), que chegou a ser preso em flagrante por suspeita de compra de voto; em 2 de setembro, na secretaria municipal de Desenvolvimento Social e em três Centros de Referência de Assistência Social (Cras); e em 6 de setembro (aqui), na casa do vereador Albertinho (PMB).

 

R$ 200/mês por voto

Nas palavras da assessoria do MPE, o que foi encontrado nas quatro operações evidenciou o “abuso de poder político e econômico decorrente de um grande esquema organizado pelos atuais gestores públicos de Campos dos Goytacazes, incluindo a prefeita Rosinha Garotinho, para a obtenção de votos em favor de candidatos por eles apoiados. Em troca, por meio de cabos/apoiadores eleitorais a eles ligados, são oferecidas inscrições fraudulentas no programa social Cheque Cidadão, cujo crédito mensal é de R$ 200 por beneficiário”.

 

Joio do trigo

A tutela de urgência não foi pedida pelo MPE não para todo o programa Cheque Cidadão, só à suspensão seletiva dos 18 mil cadastrados na troca por voto iniciada a partir do mês de março. Para se ter uma idéia do crescimento exponencial do benefício, a partir da sua desvirtuação pelos Garotinho à condição de cocho de curral eleitoral, antes de março eram apenas 12 mil os que recebiam o Cheque Cidadão. Para estes, inscritos anteriormente por sua demanda social, não a de votos do governo, o benefício continuaria a ser pago normalmente.

 

Histórico do juiz

Para quem não se lembra do juiz Eron Simas, foi ele quem desenterrou, em abril de 2016, o julgamento da “Machadada”, que vinha parado dede 2013. Nesse caso, a então prefeita de São João da Barra Carla Machado teria cometido abuso de poder econômico na cooptação de candidatos a vereador em benefício da candidatura vitoriosa de Neco a prefeito. Réus no mesmo julgamento, hoje Carla e Neco disputam entre eles a Prefeitura.

 

Pesquisas

E por falar em São João da Barra, os números da pesquisa Pro4 continuam a gerar polêmica entre os militantes de Carla e Neco. O prefeito usou seu perfil nas redes sociais para acusar que ocorreram fraudes nas sondagens. Até os institutos de pesquisa emitiram posicionamento, como mostra matéria na página 6 desta edição. Fato é que a Pro4 apontou, como a Folha divulgou na terça-feira, um cenário eleitoral praticamente definido no município da margem direita da foz do Paraíba, com ampla vantagem para Carla Machado.

 

Parece irreversível

Na margem esquerda do velho Paraíba, o jogo eleitoral também parece sacramentado. O Pro4 aponta o prefeito Pedrinho Cherene (PMDB) com ampla vantagem sobre os seus concorrentes, como pode ser conferido em mais detalhes na matéria da página seguinte. As pesquisas do Pro4 na região reveladas pela Folha nesta semana, aliás, só deixou em dúvida o resultado eleitoral em Quissamã. Armando Carneiro (PSB) aparece em vantagem, mas Fátima Pacheco (PTN) ainda com chance de alcançá-lo. Nos municípios da foz do Paraíba, porém, o resultado parece irreversível a 10 dias da decisão nas urnas.

 

Com a colaboração do jornalista Arnaldo Neto

 

Publicado hoje (22) na Folha da Manhã

 

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Designado novo juiz para julgar denúncia do Cheque Cidadão

TRE Cheque Cidadão

 

 

Foi designado hoje, pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE), o novo juiz para responder pela 76ª Zona Eleitoral (ZE) no julgamento da Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije) proposta por seis dos sete promotores eleitorais de Campos, contra a prefeita Rosinha e 34 candidatos governistas a vereador (conheça-os aqui), pela utilização eleitoral do Cheque Cidadão. Caberá ao juiz Eron Simas julgar aquilo que o Ministério Público Eleitoral (MPE) chamou (aqui) de “escandaloso esquema”. O magistrado está respondendo pela 99ª ZE, cobrindo licença médica da colega Maria Daniela Binato.

 

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Ponto Final — O que vai definir o resultado final entre Chicão e Rafael

Ponto final

 

 

“Pesos” da máquina

Quem há de negar em qualquer eleição, em qualquer parte, a importância do “peso da máquina”? Custa crer que em outro lugar do mundo esse “peso” possa prevalecer tanto tempo à margem da lei, com um benefício trocado por voto e suspenso, em 2004, para continuar sendo usado pelo mesmo grupo político, na prática do mesmo ilícito eleitoral, uma dúzia de anos depois. É o caso do Cheque Cidadão que o Ministério Público Eleitoral (MPE) denunciou (aqui) continuar sendo usado pelos Garotinho, num “escandaloso esquema” para eleger os 34 candidatos a vereador governistas (aqui) cujas caras estampam a capa desta edição.

 

Nem tão fácil assim

Mas se essa máquina é usada de forma tão acintosa, diante da passividade de uma Justiça Eleitoral que em uma semana ainda não julgou o que o MPE evidenciou como ilícito ao pedir decisão com tutela de urgência, como duvidar da capacidade desse poder em ser usado como bem entender para continuar a ser poder? De fato, diante deste quadro reincidente de abuso de poder político e econômico dissociado de consequências, chega a espantar que parte considerável do eleitorado teime em sinalizar que as coisas podem não ser tão fáceis assim.

 

Tudo igual

Instituto com 33 anos de tradição no mercado, o Gerp fez uma pesquisa entre os dias 16 e 18 de setembro, com base em 500 entrevistas. E, pelo menos na disputa da Prefeitura de Campos, o quadro que enxergou (aqui) foi de aparente igualdade na polarização entre duas candidaturas: a do governista Dr. Chicão (PR) e do oposicionista Rafael Diniz (PPS).

 

Ordens dos fatores

Em maiores detalhes, a Folha traz os números da pesquisa Gerp tanto na manchete da capa, quanto na matéria principal da página anterior desta edição. Em suma, com uma margem de erro de 4,47 pontos percentuais para mais ou menos, Chicão lidera por um ponto à frente de Rafael na consulta estimulada das intenções de voto (28% a 27%). E a vantagem mínima se reverte entre os dois candidatos na espontânea: Rafael à frente de Chicão por 42% a 41%.

 

Certeza?

Considerados esses números, o segundo turno entre Chicão e Rafael seria uma certeza. Tanto quanto o Gerp ou qualquer outro instituto de pesquisa possa aferir. E, pelo menos até agora, nenhuma outra consulta recente trouxe a público nenhuma projeção diferente. Como pequena é a diferença, dentro da margem de erro do Gerp, que apontou o placar final de 36% contra 32% a favor do jovem candidato da oposição, nas urnas hipotéticas do turno final de 30 de outubro.

 

Indecisão

Ocorre que, se fossem destinados a um candidato, segundo o Gerp, os votos dos 52% de indecisos na consulta estimulada elegeriam qualquer um em turno único, como ainda ambiciona fazer com Chicão seu maior cabo eleitoral, Anthony Garotinho (PR). E mesmo diante do disco com o nome dos seis candidatos, nada menos que 24% do eleitorado campista não souberam ou quiseram fazer uma opção, enquanto outros 7% disseram não escolher nenhum dos postulantes à sucessão da prefeita Rosinha Garotinho (PR).

 

O possível e o provável

Diante de tamanha indecisão do eleitor, nestes 11 dias que nos separam das urnas inaugurais de 2 de outubro, qualquer prognóstico, de quiromancista a estatístico, está sujeito a ir parar com sua vaca no mesmo brejo no qual se afogou melancolicamente aquela da Lapa, no primeiro turno da última eleição a governador. Assim, ainda é tão possível que Chicão liquide a fatura no primeiro turno, quanto Rafael neste superá-lo. Muito embora, o mais provável seja mesmo um segundo turno entre ambos, com o governista parcialmente à frente.

 

Respostas cruzadas

Para quem entende um pouco de eleição — e, em Campos, ninguém entende mais do que Garotinho — a definição de quem assumirá a partir de 2017 uma Prefeitura falida, depende da resposta a três outras perguntas. A primeira: atrelado à imagem em recuperação do governo do qual foi vice-prefeito por oito anos, qual é o teto de Dr. Chicão? A segunda: qual é o teto de Rafael Diniz? E a derradeira: essa maioria espontânea de eleitores ainda indecisos quer mudar ou continuar o que aí está?

 

Debate na InterTV

Afiliada da Globo, a InterTV Planície, que tem participação do Grupo Folha,  realiza no próximo dia 29, debate entre os candidatos a prefeito de Campos. O evento, tradicional, será após Velho Chico. Uma reunião segunda-feira com assessores dos candidatos definiu os detalhes. A mediadora será a jornalista Beth Lucchesi.

 

Com a colaboração da jornalista Suzy Monteiro

 

Publicado hoje (21) na Folha da Manhã

 

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Gerp: tudo igual entre Chicão e Rafael leva eleição ao 2º turno

(Infográfico de Eiabe de Souza, o Cássio Jr.)
(Infográfico de Eiabe de Souza, o Cássio Jr.)

 

 

Por Aluysio Abreu Barbosa

 

Se o segundo turno pela sucessão da prefeita Rosinha Garotinho (PR) parece se confirmar a cada divugação de uma nova pesquisa, a grande dúvida a 11 dias das urnas de 2 de outubro parece ser quem hoje lidera a corrida: Dr. Chicão (PR) ou Rafael Diniz (PPS)? Esta é pergunta deixada no ar pela consulta mais recente, feita pelo instituto Gerp, que entrevistou 500 eleitores campistas entre os dias 16 e 18 de setembro. Com margem de erro de 4,47 pontos percentuais, quem ficou liderou na pesquisa estimulada foi Chicão, com 28% das intenções de voto, seguido bem de perto por Rafael, que bateu 27%. Na simulação do segundo turno, o empate técnico entre os dois permanece, mas com a abertura de uma vantagem maior para o jovem oposicionista, que faria 36% contra os 32% do vice-prefeito de Rosinha.

Embora menor, a ligeira vantagem de Rafael sobre Chicão foi também registrada na consulta espontânea do Gerp, na qual o primeiro liderou com 42% contra 41%. E, embora normalmente desprezadas diante de tão poucos dias do pleito, as intenções de voto declaradas espontaneamente revelam outro dado impressionante, de consequências imprevisíveis: 52% declararam ainda não saber em quem vão votar.

 

(Infográfico de Eliebe de Souza, o Cássio Jr.)
(Infográfico de Eliebe de Souza, o Cássio Jr.)

 

Mesmo diante do disco com os nomes dos seis candidatos, os eleitores que não responderam ou não souberam fazer uma opção somaram 24%, terceiro maior índice da pesquisa estimulada, atrás apenas, mas dentro da margem de erro, das intenções de voto em Chicão (28%) e Rafael (27%). Diante de tanta indecisão do campista, a pouco mais de uma semana das urnas, um outro dado da pesquisa pode favorecer o candidato da oposição, tanto no primeiro, quanto no eventual segundo turno: apenas 8% dos entrevistados afirmaram não ter nenhuma possibilidade de votar nele. Diante do nome de Chicão, a medição no índice negativo foi bem maior: 22% de rejeição.

Depois de chegar a liderar as pesquisas de intenções de voto até agosto, Caio Vianna se distanciou dos líderes na polarização entre Rafael e Chicão. Na estimulada, ele ficou em terceiro lugar, com 14%; seguido de Nildo Cardoso (DEM), com 6%; e Geraldo Pudim (PMDB) e Rogério Matoso (PPL), ambos com 5%. A ordem foi quase a mesma na espontânea, na qual Caio marcou 12%; Nildo e Pudim, 2% cada; e Rogério, 1%.

Como apenas Caio apareceu não tão descolado dos dois líderes, mesmo separado deles bem além da margem de erro, só sua rejeição foi também medida na metodologia do Gerp: diante do seu nome, 14% disseram não ter nenhuma possibilidade de votar nele. O instituto também simulou o desempenho do pedetista no segundo turno, mas só contra Rafael, que também venceria, mas por margem muito maior do que sobre Chicão: 39% contra 22%.

 

Página 3 da edição de hoje (21) da Folha
Página 3 da edição de hoje (21) da Folha

 

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