Quem vota em Chicão não rejeita Rafael. Quem ecoa Linda Mara?

Única série de pesquisas
Ainda que outras pesquisas possam ser divulgadas nestes sete dias que separam o eleitor das urnas de 2 de outubro, nenhuma será fruto de uma medição constante feita desde junho, como as quatro feitas pelos instituto Pro4, todas registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), encomendadas e divulgadas integralmente pela Folha da Manhã. A última delas, ainda quente do forno, você, leitor, pode conhecer (aqui) em detalhes na manchete de capa e na página seguinte desta edição.
Novidade: Rafael líder
Se as três consultas Pro4 anteriores — feitas (aqui) nos dias 8, 9 e 10 de junho, (aqui) no dia 6 de agosto e (aqui) nos dias 2 e 3 de setembro — tiveram como base 620 eleitores das sete Zonas Eleitorais (ZEs) de Campos, a última avançou sobre um universo de 1.500 entrevistas. E, ao diminuir sua margem de erro para 3,3 pontos percentuais, a pesquisa feita ainda ontem (24) e anteontem (23) foi a primeira do instituto a colocar Rafael Diniz (PPS) na dianteira das intenções de voto à sucessão da Prefeita Rosinha Garotinho (PR).
Na margem e além dela
Em empate técnico com o governista Dr. Chicão (PR), Rafael liderou tanto a consulta estimulada (37,7% contra 33,1%), quanto a espontânea (29,9% a 27,7%). Mas essa liderança do candidato do PPS saltou bem além da margem de erro na projeção do segundo turno: 46,3% contra 33,6 — o que significa 12,7 pontos percentuais de vantagem nas urnas cada vez iminentes de 30 de outubro.
Crescimentos desiguais
Comparadas as duas pesquisas estimuladas do Pro 4 feitas neste mês de setembro, Rafael saltou de 24,2% para 37,7% (13,57 pontos percentuais) numa diferença de apenas 20 dias, período no qual Chicão cresceu mais timidamente: de 29,8% para 33,1% (3,3 pontos, mais de 10 pontos a menos). Se é inegável que Rafael vem atropelando nesta reta final, isso pode ser explicado por outro índice, considerado ainda mais importante no segundo turno: a rejeição.
O normal e o estranho
Com um nível de ataques irracional, sobretudo por parte de governistas encurralados pela possibilidade da perda do poder e das prisões (aqui) de integrantes do governo Rosinha pela Polícia Federal (PF), a polarização da eleição é normal. Estranho, quase inédito, é que, ainda assim, Chicão possa ter 33,1% de intenções de voto, enquanto Rafael ostenta só 3,9% de rejeição. O normal seria a paridade cruzada dos índices, observada entre os 37,7% de intenções de voto em Rafael e os 34,3% de rejeição de Chicão. Quem vota em Rafael, não vota em Chicão. Mas quem declara vota neste, não diz ser incapaz de fazê-lo em seu principal adversário.
O terceiro
Terceiro colocado nas intenções de voto da pesquisa Pro4 mais recente, que chegou a liderar em junho, Caio Vianna (PDT) também integrou as projeções de segundo turno, na qual perderia de muito para Rafael (24,2% a 47,2%), e ganharia em empate técnico de Chicão (34% a 32,4%). Mas, sangrado publicamente pelas críticas do pai Arnaldo Vianna (PMDB), que preferiu apoiar o candidato Geraldo Pudim (PMDB), o filho único do ex-prefeito parece não estar reagido bem ao derretimento de uma candidatura que há três meses parecia ter chance de vitória.
É o caso?
Ontem, na InterTV Planície, Caio disse (aqui): “Nós vamos nas comunidades apresentar que o candidato dos ricos está cometendo um ato de interromper o Cheque Cidadão e o alimento daqueles que mais necessitam”. Para além da hipocrisia de alguém privilegiado sócio-economicamente desde que nasceu, se o candidato não sabe que partiu do Ministério Público Eleitoral (MPE) a iniciativa de suspender, em decisão da Justiça, o benefício do governo Rosinha só àqueles inscritos por razão eleitoral, precisa aprender a ler melhor uma ação judicial, ou seu noticiário na mídia. A não ser, claro, que o caso seja apenas ecoar (aqui) Linda Mara.
Publicado hoje (25) na Folha da Manhã















