Quer saber quem está liderando a corrida pela Prefeitura de Campos, cujo primeiro turno da eleição será daqui a 12 dias? Haverá segundo turno ou não? Quem são os favoritos?
A Folha publica nesta quarta (21), com exclusividade, os resultados mais recentes da acirrada sucessão da prefeita Rosinha Garotinho (PR), na pesquisa do instituto Gerp, com 33 anos de tradição, registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob número RJ-08015/2016.
Reservado a municípios com mais de 200 mil eleitores, de acordo com a última pesquisa do instituto Pro4, mesmo se existisse, o segundo turno seria desnecessário em São João da Barra, onde a ex-prefeita Carla Machado (PP) seria reeleita em turno único, com 79,9% dos votos válidos. Entretanto, quando comparada com a consulta do mesmo instituto feita em julho, a pesquisa mais recente, realizada entre os dias 16 e 18 de setembro, junto a 1.090 eleitores dos seis distritos sanjoanenses, revelou uma queda de Carla e a reação do prefeito Neco (PMDB).
Na pesquisa estimulada, a ex-prefeita caiu de 71,1% para os atuais 65,7% das intenções de voto, enquanto Neco subiu de 12,4% para 17,2%. Dentro da margem de erro de três pontos percentuais para mais ou menos, os eleitores que declararam votar em branco e nulo oscilaram pouco (os 3,1% de julho subiram para 4,6%), assim como os indecisos que não souberam, ou quiseram responder: de 13,4% para 12,5%.
Mas se registrou queda de 5,4 pontos percentuais na consulta estimulada das intenções de voto, curiosamente Carla cresceu quase o dobro na pesquisa espontânea: dos 50,2% em julho, para os 60,9% de setembro. Por sua vez, Neco cresceu ainda mais, de 9,9% para 16,6%. Se aqueles que se manifestaram pelo voto branco ou nulo pouco oscilaram, dos 2,3% de julho, aos atuais 3,4%, a espontânea registrou um declínio acentuado no número de eleitores que não souberam ou quiseram responder em quem votarão: de 37,1% para 19,1%.
(Infográfico de Eliabe de Souza, o Cássio Jr.)
Registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com o número 09108/2016, a pesquisa foi encomendada pelo próprio Pro4 Pesquisa e Mídia Ltda, que tem sofrido questionamentos e ataques nas redes sociais, por parte dos militantes da candidatura Neco. Ainda assim, segundo os números do instituto, o prefeito teve uma significativa diminuição em sua rejeição. Se, em julho, o número de sanjoanenses que não votaria de jeito nenhum em Neco bateu a espantosa marca de 73,2%, o índice negativo baixou em setembro para os atuais 58,9%. Ainda torna sua reeleição difícil, a apenas 12 dias do pleito, mas é uma queda considerável de 14,32 pontos percentuais.
Já a rejeição de Carla subiu pouco, dentro da margem de erro. Se, em julho, 11,50% dos sanjoanenses não votariam de jeito nenhum na ex-prefeita, em setembro o índice não foi além dos atuais 13,1%.
Diferente do que comumente se pensa, a poesia não está no papel, nem na tela do computador ou do celular. A poesia está no olhar, por isso pode estar em todo lugar. Por isso, há poetas que escrevem e outros que não escrevem. Assim como também há quem olha e olha de novo e há quem não tenha tempo para olhar.
Vivemos o fenômeno do flash, da selfie, o tão citado culto à imagem — instantânea e rapidamente obsoleta, a imagem sem precedentes ou consequências. Sofremos da falência do que se pretende eterno (palavra que foi ressignificada tendendo à cafonice) e experienciamos, todos os dias (dias? que dias? minutos!), o fortuito.
Onde fica a poesia no meio desse trânsito? Pois não paramos! Transitamos. E poesia exige mergulho, exige disposição para a imersão. Não damos conta de poesia com braçadas na superfície, movimentos repetitivos, mecânicos ou automáticos. E, nesse sentido, a arte existe para desautomatizar. Por isso é ela que nos devolve a humanidade. Por isso ela, talvez, nos devolva a saúde que perdemos no cotidiano apressado cheio de pragmatismo.
Não por acaso, o site poeme-se vende poemas em pílulas. Não por acaso, autores como Ella Berthoud & Susan Elderkin “receitam” literatura contra melancolia, depressão e excesso de peso. Não por acaso, cada vez mais neurologistas e psiquiatras receitam yoga contra os mesmos males: para desautomatizar, estabilizar a respiração, os batimentos cardíacos e nos livrar de certas ansiedades e medos.
O poeta Manoel de Barros, que neste ano de 2016 faria um século de vida, declarou que usa “entulho” e “desutensílios” para a “confecção” de seus poemas. Afinal, o mundo já está cheio de coisas úteis. Sob este ponto de vista, a poesia seria — hoje — realmente inútil; e por isso desprezada por muitos.
Mas é esta “inutilidade”, ironicamente, que a faz tão necessária e que garante a ela, frente à modernidade que nos atravessa, todo o sentido e importância. Nunca fomos tão carentes de “desutensílios”. Nunca fomos tão carentes de poesia. Por um mundo mais subjetivo!
A POESIA É INVIÁVEL
Poesia é paulada do alívio
é balada terrível sem pegação
poesia NÃO É SURUBA
NÃO É CARETICE
NEM É FIDELIDADE
poesia é madura liberdade
cara-metade da inadequação.
A poesia não cala. Não simula. Ela é.
É toda prosa, embora não carinhosa.
Incomoda, incomoda, incomoda…
Às vezes fico na dúvida se o que pensei a vida inteira
— poesia é o sustenta, e tenta, sedenta, não-ser —
Pelo andar da carruagem no debate de ontem, (aqui) no Instituto Federal Fluminense (IFF) de São João da Barra, entre os dois candidatos a prefeito do município, o atual Neco (PMDB) a ex Carla Machado (PP), tudo indica que o primeiro acertou na decisão recente de subir o tom para responder às investidas da sua antecessora. Se não contribuiu à discussão de ideias e propostas administrativas, pareceu ao menos ter equilibrado o jogo político, que vinha sendo vencido nos três anos anteriores pela combatividade de Carla.
Tarde demais?
Mas se veio com a campanha, a partir da orientação de uma competente equipe de marketing vinda de fora, a reação de Neco talvez tenha acontecido tarde demais. Na pesquisa do instituto Pro4 feita em setembro e divulgada (aqui) na página seguinte, sobretudo quando comparada à consulta realizada em julho pelo mesmo instituto, é incontestável que o atual prefeito reagiu, crescendo nas intenções de voto e diminuindo uma espantosa rejeição. Mas nada que pareça ter vindo a tempo de mudar os rumos do pleito de daqui a apenas 12 dias.
Ibope e urnas
Segundo a consulta estimulada do Pro4 com 1.090 eleitores dos seis distritos de SJB, com margem de erro de três pontos percentuais para mais ou menos, se 2 de outubro fosse hoje, Carla seria eleita prefeita, com 79,2% dos votos válidos. E tentar desqualificar o instituto Pro4, no nível ao que militantes de Neco têm descido nas redes sociais, reproduzindo o que de pior o rio Paraíba leva de Campos ao município vizinho, tende a se tornar ainda mais irrelevante (e constrangedor) quando considerada não só a proximidade das urnas, como o fato de que o Ibope pode divulgar uma pesquisa (aqui) da disputa sanjoanense no próximo sábado, dia 24.
Quissamã
Embora não com a mesma vantagem, ouvindo menos gente (600 entrevistados) e, portanto, com uma margem de erro maior (quatro pontos percentuais para mais ou menos), o instituto Pro4 também apontou (aqui) uma vitória na eleição majoritária de Quissamã de outro ex-prefeito: Armando Carneiro (PSB). Liderando tanto a pesquisa estimulada (45,2%), quanto a espontânea (37,7%), ele enfrenta, no entanto, um adversário eleitoralmente mais consistente do que Neco tem se mostrado em SJB: a ex-vereadora Fátima Pacheco (PTN).
Diferente de SJB?
Com 36,3% das intenções de voto na consulta estimulada (8,9 pontos percentuais abaixo do ex-prefeito) e 30,3% na espontânea (7,4 pontos atrás), Fátima ostenta uma rejeição menor. Ela ficou com 9,5% no índice negativo, contra 12,2% de Armando, ambos abaixo dos impressionantes 48% do atual prefeito Nilton Furinga (PSDB). Apesar da proximidade da adversária, o representante da tradicional família Carneiro a bateria no pleito, segundo o Pro4, por 51,4% contra 41,4% dos votos válidos. Diferente de SJB, ainda dá para apostar contra.
Em branco ou nulo
Enquanto o eleitor se aproxima da sua decisão na urna, quem optou por não tomar decisão nenhuma foi o juízo da 76ª Zona Eleitoral (ZE). Após receber do Ministério Público Eleitoral (MPE), desde a última quarta (14), o pedido de antecipação de tutela numa Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije) pela utilização eleitoral evidenciada (aqui) do Cheque Cidadão pelos Garotinho, desmembrada (aqui) no sábado (17) em ações individualizadas contra 34 candidatos governistas a vereador, cuja celeridade na decisão foi formalmente cobrada (aqui) pelo PMDB no domingo (18), o magistrado fez (aqui) a opção do eleitor que vota em branco ou nulo: delegou sua decisão a outro.
De presente
Só cinco dias depois do que poderia ter feito desde o início, o titular da 76ª ZE de Campos pediu seu afastamento do caso, solicitando ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) outro juiz só para julgar o que já foi condenado pela Justiça Eleitoral de Campos desde 2004. Naquela oportunidade, sem nenhuma omissão, o Cheque Cidadão foi suspenso após ser usado pelo mesmo grupo político, para a prática do mesmo ilícito, em outro pleito municipal goitacá. Se nos últimos 12 anos, os Garotinho adquiriram expertise na troca de dinheiro público por voto, ontem também ganharam mais tempo para continuar a fazê-lo.
Pesquisa no forno
Como a festa da democracia, essa antiga invenção grega de antes de Cristo, é o momento em que o simples cidadão mais se aproxima de quem também deveria ter como função decidir pelo melhor à coletividade, mediante a observância às leis e à própria consciência individual, mais uma pesquisa sobre a acirrada disputa da sucessão da prefeita Rosinha Garotinho (PR) é esperada para amanhã (21). Para se manter informado, basta ao leitor continuar acompanhando a Folha da Manhã.
Quer saber quem está liderando a disputa pelas prefeituras de São João da Barra e Quissamã? Então leia, amanhã (19), a edição impressa da Folha, com todos os dados das pesquisas Pro4 nos dois municípios.
Em São João, foram 1090 entrevistados, entre os dias 16 e 18 de setembro. Já em Quissamã, a consulta foi feita com 600 eleitores, no dia 14.
Sugestão para escutar enquanto lê: Balé A Morte do Cisne, música Camille Saint-Saëns, Coreografia M. Fokine e bailarina Luiza Del Rio.
Quando Eugênio deu o primeiro grito nesse mundo o céu estava imundo de poeira, fumaça e pedaços de sonhos destruídos. Num quarto da Beneficência Portuguesa uma lágrima escorria de sua mãe ao ver a face do filho pela primeira vez, o chão frio e cinza era palco dos passos calmos do médico enquanto dava tapinhas em seu corpo para circular o sangue recém-nascido.
Quando Eugênio abriu os olhos tinha 5 anos, estava deitado num banco do Jardim São Benedito e media a abertura das pálpebras com a luz do sol rente ao seu rosto. Tinha dentro de si as bilhões de estrelas do céu, que saíam do seu peito para preencher a noite. Os seus lábios desenhavam os sorrisos de quem vê em tudo a novidade, sentia o cheiro doce das árvores, o calor do sol na pele, as cores vivas das folhas caindo com o balanço do vento, tudo como se fosse a primeira vez, cada dia de vida era o mundo se mostrando, se iluminando em cantos e sabores. Fechou os olhos para sentir o pulmão se encher com o ar puro da árvore que em silêncio lhe sombreava o rosto.
Quando Eugênio abriu os olhos tinha 25 anos, estava sentado numa carteira do IFF procurando novidade nas mesmas palavras ditas pela professora a sua frente, nas mesmas escritas na louça que tantas vezes apagara as mesmas letras, há 4 anos respondendo as mesmas perguntas feitas a todos da sua turma como se fossem uma só pessoa, desanimando da vida como desanima alguém que não é livre para escolher o próprio destino, perdendo o sabor da vida a cada estalar de dedos para lhe aprisionar a atenção. Odiava cada dia que chegava à sala de aula e as vozes de seus professores lhes causavam náuseas, batia a caneta firme na madeira da carteira como se expurgasse seus anseios e se lamentava que deveria ter feito tudo diferente quando ainda não houvera feito 20 anos, devia ter estudado para outro curso, agora, depois de tantos anos sem fazer vestibular e quase se formando não podia mudar, tinha que continuar. Queria ter criado a coragem de realizar o seu sonho, ter largado tudo e viajado o mundo tocando violão na esquina, lavando prato na cantina e sorrindo porque a vida importaria mais que essa conta ridícula na sua escrivaninha. Fechou os olhos para respirar fundo e se acalmar, em sua cabeça era só um momento a que tinha de passar…
Quando Eugênio abriu os olhos tinha 50 anos, levantava-se toda segunda-feira esperando a sexta-feira, escovava os dentes para sujá-los mais tarde com comida fast-food num canto da solidão, perdendo de si a própria razão de ser. Gostava de quando chegava o fim do dia, não fazia o que queria, mas não tinha de se torturar em trabalhado de vida finda. Havia seguido os conselhos dos falecidos pais e família, escolheu um trabalho sem sentido para fazer depois o que valia, mas já não tinha ânimo para fazer do tempo passado um presente, gastava maior parte do tempo desperdiçando a vida em desejo de gente morta e reclamando que deveria ter mudado quando era tempo, quando ainda tinha 25 anos. Sentado no sofá com um hambúrguer como jantar e uma amiga mosca a sussurrar com as asas frenéticas perto dos seus ouvidos, Eugênio fecha os olhos para a noite passar levando consigo os pensamentos combalidos…
Quando Eugênio abriu os olhos tinha 70 anos, estava aposentado de uma vida inteira indesejada, sentado na sua cadeira de balanço balançava os pensamentos e lembrava os dias em que colocara em sua cabeça: era só um momento a que tinha de passar… Queria ter mudado tudo aos 50 anos, mas os momentos passaram e com eles a vida também passou, ele amou, mas não se entregou, sofreu, mas não chorou. Nas aulas da faculdade que ele torcia para acabar, nos dias no trabalho que ele torcia para passar, mal imaginava: torcia para a vida acabar.
Quando Eugênio fechou os olhos para imaginar a vida que deixara passar estava no mesmo lugar quando a vida houvera começado, deitado no banco do Jardim São Benedito, medindo a abertura das pálpebras com a luz do sol. Via crianças brincando em torno da Academia Campista de Letras, e imaginava se uma delas conseguiria ser livre, dona do própria destino, acima das imposições sociais e ter a liberdade de ser diferente, quem sabe, até mesmo feliz. Eugênio tentava manter os olhos abertos, mas o corpo secular cansa com coisas tão mansas…
Quando Eugênio fechou os olhos tinha 90 anos, estava na sua varanda, com sua mão em trança, a cadeira que balança seu corpo também balança seus pensamentos, no mesmo lugar de onde enxergou o primeiro dia de vida aos 70 anos. E pensava nas coisas que podia ter vivido quando se-tenta, mas deixou se levar pelas reclamações do corpo, mais uma vez a vida passou e ele nada pode fazer para tornar o passado presente, o tempo é algo mesmo complicado. Eugênio tentava manter os olhos abertos enquanto o vento gostoso lhe acaricia o rosto, olhava as crianças lá embaixo e imaginava se uma delas seria sábia o suficiente para respeitar a vida e não afastá-la resmungando como uma criança mimada… Um raio de sol começa a surgir pelas rugas em sua orelha, deslizando pelo seu rosto até chegar aos olhos lacrimejantes. Eugênio lembrou do começo da vida enquanto media a abertura das pálpebras com a luz do sol.
Quando Eugênio fechou os olhos eles não mais se abriram, não havia mais brilho, e num piscar de olhos a vida havia partido. Ainda estava um sol quente quando o sepultamento no cemitério Campo da Paz terminou, a terra quente banhada em lágrimas escondia o corpo de Eugênio embaixo dos pés dos familiares e amigos. O vento levava o mesmo cheiro doce das árvores quando todos foram embora, ainda havia sol e um corpo frio, como tantos outros que passaram a vida tentando fazer sentido. Quando o vento parou, da mesma forma que a árvore – Eugênio – silenciou.
Ontem, num programa da mesma TV Record que divulgou (aqui) a pesquisa do instituto Paraná sem (aqui) a rejeição dos seis candidatos a prefeito de Campos, a atual ocupante do cargo, Rosinha Garotinho (PR), pareceu antecipar (aqui) o que, em tese, deveria caber ao juízo da 76ª Zona Eleitoral (ZE) do município: “A Justiça não será usada para tentar acabar com um programa que existe há oito anos em meu governo”. O programa é o Cheque Cidadão, cuja suspensão durante o período eleitoral foi pedido (aqui) em tutela antecipada numa Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije) do último dia 14, assinada por seis dos sete promotores eleitorais de Campos.
Como se usou
Após quatro operações da fiscalização do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), nos dias 28 (aqui) e 29 (aqui) de agosto, e 2 (aqui) e 6 (aqui) de setembro, os representantes do Ministério Público Eleitoral (MPE) de Campos formaram a convicção de que os Garotinho têm utilizado abertamente a máquina pública do município, não só para eleger o sucessor de Rosinha na Prefeitura, mas dezenas de candidatos governistas a vereador. Segundo a nota gerada (aqui) pela assessoria do MPE, no Rio, o esquema rosáceo “é tão abrangente que foram encontrados registros de sua existência na maioria dos bairros de Campos”.
Eis a questão
Nos bastidores jurídicos, se comenta que o juízo da 76ª ZE estaria pressionado entre atender ao pedido dos promotores e suspender temporariamente um programa social que fortes evidências apontam ter sido convertido em cocho de curral eleitoral, ou não fazê-lo. Neste caso, na paráfrase do que ontem Rosinha disse na Record, a pressão residiria em permitir que a Justiça também seja usada por quem parece não ter o menor constrangimento em utilizar eleitoralmente um programa de governo.
Jurispridência
Fosse o caso de ganhar tempo, o juízo da 76ª ZE solicitaria do MPE que cada um dos responsáveis pelo esquema na Prefeitura, além das dezenas de candidatos beneficiados pelo loteamento do Cheque Cidadão, fosse alvo de uma Aije individualizada por parte dos seis promotores que assinaram a original, cuja tutela de urgência foi pedida há três dias, mas ainda aguarda decisão. Para quem hoje não entende a demora, talvez fosse o caso de lembrar dos ataques à juíza Denise Appolinária, quando ela decidiu suspender o mesmo programa, usado pelo mesmo grupo para a prática do mesmo ilícito, durante a eleição municipal de 2004.
E se todos soubessem?
Seja pela decisão judicial da 76ª ZE ou do próprio TRE, na Aije original ou em suas derivantes individualizadas — caso sejam necessárias à passagem do tempo, nestes 15 dias que nos separam das urnas de 2 de outubro —, dois outros fatos merecem destaque. O primeiro é que, se os candidatos governistas a vereador beneficiados pelo loteamento eleitoral do Cheque Cidadão não passassem de 40, como se sentiriam os outros 260 do total de mais de 300 que descobrissem estar concorrendo ao mesmo cargo, pela bandeira do mesmo governo Rosinha, mas sem contar com o mesmo tipo, digamos, de “ajuda”?
Cheque Cidadão = mandato?
O outro fato merece ainda mais destaque. Como os promotores eleitorais de Campos pediram na Aije “a declaração de inelegibilidade dos investigados e a cassação do registro e/ou diplomação dos envolvidos”, em caso de condenação, parte dos cerca de 17 vereadores governistas cuja eleição é projetada em 2 de outubro, poderia acabar substituída por caras bem diferentes (e menos aquinhoadas) nas coligações. Quem for eleito pelo esquema do Cheque Cidadão não tem mais a garantia de assumir ou concluir o mandato.
Sob pretexto de beneficiar a população carente, o uso do Cheque Cidadão pode ser usado a toque de caixa pelo governo Rosinha Garotinho (PR) não só para tentar eleger seu sucessor na Prefeitura, como também dezenas de candidatos governistas a vereador? Desde a última quarta-feira (14), quando seis dos sete promotores eleitorais do município assinaram uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije), pedindo com tutela de urgência a suspensão da distribuição do Cheque Cidadão em Campos durante o período eleitoral, se aguarda que o juízo da 76ª Zona Eleitoral (ZE) da comarca goitacá decida a questão.
Abuso de poder econômico e político
O Ministério Público Eleitoral (MPE) de Campos cobra a apuração “de possível abuso de poder político e econômico decorrente de um grande esquema organizado pelos atuais gestores públicos de Campos dos Goytacazes, incluindo a prefeita Rosinha Garotinho, para a obtenção de votos em favor de candidatos por eles apoiado”. A convicção se deu a partir de farto material apreendido em quatro operações da fiscalização do Tribunal Regional Eleitoral (TRE).
As apreensões
Em 28 de agosto (aqui), num galpão da av. Alberto Lamego com adesivos da campanha de Dr. Chicão; em 29 de agosto (aqui), na casa do vereador Ozéias (PSDB), que chegou a ser preso em flagrante por suspeita de compra de voto; e em 6 de setembro (aqui), na casa do vereador Albertinho (PMB); a fiscalização apreendeu material que comprovaria o ilícito eleitoral. Mas foi, sobretudo, na operação (aqui) do MPE e do TRE na secretaria municipal de Desenvolvimento Social e em três Centros de Referência de Assistência Social (Cras), em 2 de setembro, que o esquema rosáceo se descortinou por inteiro aos seis promotores eleitorais de Campos.
O esquema
Segundo nota emitida ontem (aqui) pela assessoria do MPE, no Rio de Janeiro, em Campos “o esquema consiste na irregular inclusão de inúmeros beneficiários ao Cheque Cidadão sem que estivessem preenchidos os requisitos mínimos exigidos, ou seja, sem o perfil de vulnerabilidade social devidamente constatado. Tal fato causa enorme desfalque aos cofres públicos municipais e acarreta sérios prejuízos à população que, possuindo cadastro regular, passa a não ter segurança quanto à correta execução do programa”.
Na maioria dos bairros
Ainda segundo a nota do MPE, o esquema eleitoral montado pelos Garotinho “é tão abrangente que foram encontrados registros de sua existência na maioria dos bairros de Campos, convertidos em redutos eleitorais de determinados candidatos a vereador, fato narrado de forma detalhada na ação assinada por seis promotores eleitorais. Por tais razões, o MPE requer ainda a punição dos gestores responsáveis pelo uso indevido da máquina pública e, em consequência disso, a suspensão do benefício até o fim das eleições, o que estancaria a sangria das verbas públicas, mal utilizadas em período eleitoral, que podem chegar a R$ 3,5 milhões por mês”.
Reincidência
Para se ter uma idéia da dimensão atual do esquema, na eleição municipal de 2004, houve a apreensão de pouco mais de 200 Cheques Cidadãos em Campos, que teriam sido distribuídos com fins eleitorais pelo governo estadual Rosinha Garotinho, gerando então a suspensão temporária do programa. Já entre o período pré-eleitoral e eleitoral de 2016, os números apontam à distribuição de mais de 17 mil Cheques Cidadão em Campos pelo mesmo grupo político. E os promotores encontraram agora fortes indícios de loteamento de parte considerável do benefício entre os candidatos a vereador governistas.
RPAs também na mira
Enquanto se espera que o juízo da 76ª ZE decida a tutela de urgência pedida na Aije do Cheque Cidadão, outra variante de utilização eleitoral ilícita da máquina pública de Campos está na mira da fiscalização. Ontem, a partir de um mandado deferido pelo juízo da 75ª ZE do município, foi realizada (aqui) a pedido do MPE a busca e apreensão em órgãos da Prefeitura de Campos. Nela, o alvo foram os Recibos de Pagamento Autônomo (RPAs), que teriam sido assinados pelo então subsecretário de Governo Thiago Godoy (PR) e trocados por votos pelo vereador Jorge Magal (PSD). Há suspeita até de falsificação de documentos para burlar o prazo legal de contratação.
Ruínas de Atafona, 06/08/14 (Foto: Aluysio Abreu Barbosa)
“Ah, se essas promessas se cumprissem”, pensou Heitor, enquanto, caminhando pelas ruas, encontrou um anúncio de milagres amorosos para o qual olhavam algumas mulheres desconcertadas. Retornos em até sete dias. Descobertas sobre amantes com relatos de trabalhos bem sucedidos.
E se lembrou de Vanda. Bonita. Charmosa para andar. Tinha um passo meio saltitante, como se comemorasse algo. Ele queria fazer parte daquela festa desde a primeira vez em que a viu. Os cabelos vermelhos escorriam pelas costas e se movimentavam de diferentes maneiras a cada passo dado por ela. Às vezes, iam da direita para a esquerda, lentamente. Em outros momentos, batiam contra a coluna, como se estivessem agredindo-a. Mas de modo delicado.
Vanda era tão contraditória quanto seus cabelos.
— Posso me sentar? Estou dançando há algumas horas. Meus pés estão doendo tanto que não resisti a essa cadeira convidativa — pediu, calorosamente, a ele. Aceitou, claro. Era oportuno o momento.
Conversaram por intermináveis minutos. Os caminhos dos garçons tinham paradas obrigatórias nas mesas dos dois. Eles enchiam os copos, já cansados dos gestos repetitivos e dos pedidos incessantes.
“Não, não temos mais esta cerveja”.
“A vodka acabou mais cedo, como falei com a senhora. Sim, falei. Mais de três vezes, senhora. Não, não tenho como providenciar.”
— Lugar mal servido, não acha? — e ele concordou. Na situação em que estava, discordância seria sinônimo de briga. E era tudo que Heitor não desejava naquele momento.
Seguiram a noite em um diálogo que beirava a incompreensão. A mulher contava os casos de sua vida, misturando-os a histórias de pessoas conhecidas dela. Ele não estava conseguindo acompanhar a sucessão dos fatos, mas ria quando era necessário e fazia expressões de total comunhão. Vanda parava o discurso, ocasionalmente, para esperar as reações do interlocutor. O homem manteve uma boa atuação até o final do encontro.
Desejou, em certos momentos, permanecer ao lado dela por todos os dias de sua vida, embora soubesse que sua paz se transformaria em um eterno turbilhão de palavras soltas, euforias e chateações. Era fácil deduzir, apesar de terem ficado juntos por pouco mais de quatro horas. Deixou-a em casa. Trocaram telefones e abraços como se fossem parentes ou amigos que se reencontraram, por acaso, depois de anos. Vanda era um mistério. Ele ainda não sabia se ela era a professora ou a coordenadora da escola em que disse trabalhar.
No dia seguinte, uma mensagem:
“Oi, Heitor. Não sei muito bem como foi a noite de ontem, mas torço para que tenha terminado bem. Alguns flashes passam por minha cabeça. Lembro que você me ofereceu uma carona. Obrigada pela gentileza e por ter acompanhado minha prosa torta sem questionar ou reclamar de tédio.”
Ela sabia exatamente como era seu comportamento quando misturava o álcool ao diálogo. Heitor se surpreendeu. Respondeu, educadamente, que o encontro foi ótimo e gostaria de repeti-lo para definir, em sua cabeça, se ela tinha estudado matemática ou letras.
O segundo dia de conversa desdobrou-se em três, quatro, sete, dez e um namoro. Tal como previra, Vanda era o furacão. Dormiam e acordavam em constantes tensões. Descobriu que era professora de geografia. Nas madrugadas, os gritos eram ouvidos por vizinhos. Ele pedia discrição, mas ela não se continha. Geralmente, um passeio pelo elevador, durante a manhã, representava minutos de constrangimento reforçados por adolescentes debochados ou idosos irritados.
Quando voltava para casa, encontrava-a instalada na cama. Aprendera a não se surpreender com as alterações de humor. Ora, estava alegre, contando os casos do dia, da família e os sonhos que construíra, sozinha, para ambos. Ora, discutia ideias para mudar completamente a sua vida. Ele se sentava, na beira da cama, e a ouvia silenciosamente. Sabia os momentos de pausa nos quais deveria interferir e os tons que precisariam ser usados. Vanda tinha prazer, que acreditava ser oculto, de transferir suas criações para a realidade.
Em uma manhã de folga, a mulher acordou mais cedo. Esperou Heitor despertar do sono pesado e ficou encarando-o por longos minutos. No começo, ele interpretou como carinho o gesto da namorada. Mas a forma de olhá-lo não era a mais simpática. A sonolência o deixava com os pensamentos vagarosos. Demorou a compreender. Sentou-se para tentar descobrir o que a afligia. O movimento dos lábios foi interrompido por uma enxurrada de reclamações.
“Falta amor, falta carinho, falta conversa. Você não tem tempo para mim. Eu não aguento mais ter que esperar para receber de volta aquilo que dou. Não, você não pode falar nada. Você pode ficar quieto e ouvir. Eu sei disso. Não precisa jogar na minha cara que você dormiu tarde porque ficou me escutando. Meus assuntos nunca te interessam, não é? Eu cansei do pouco que você tem para me dar.”
Ela, em discussões, usava poucas vezes o pronome “eu”. Mas abusava da segunda pessoa do discurso. Juntou os pertences e, assim como veio, foi. Ele lamentou por uns dias. Por outros, sentiu uma saudade lancinante. Depois, sonhou com ela. Acordava sentindo o cheiro. Buscou, por meses, um sinal. Mas ela havia ido.
Quando se esqueceu de Vanda, recebeu uma mensagem. “Continuo a te ver por todos os lados. Sei que corri de você, mas sempre te encontro onde não quero. Preciso me livrar.”
Ele não respondeu. Imaginou que era mais uma de suas maluquices fora de hora e na contramão. No dia seguinte, outro recado. “Não faça comigo o que fiz com você. Se te procurei, é porque preciso que me ajude. Não estou gostando do seu sumiço.”
Novamente, Heitor preferiu o silêncio. Rapidamente, Vanda avisou. “Você não muda, não é? Egoísta. Saiba que nada de bom te espera. Cuidado por onde anda.” E, outra vez, sumiu.
A caminho do trabalho, depois de tempos passados do último contato virtual, Heitor observava homens e mulheres que passavam a seu lado. Sem perceber, foi agarrado em uma das mãos por uma cigana. Saia e blusa coloridas em uma mistura atípica.
“Vejo o seu futuro. No seu futuro, uma mulher. Mas essa mulher te traz sofrimentos. E os sofrimentos são causados por uma forma de magia…”
O tédio das palavras consumindo o tempo do ouvinte.
“… Magia poderosa, menino. Magia do amor. Nunca vi nada tão forte. Mas, com uma ajuda, posso te ensinar a reverter.”
“Olha, senhora, pode ser que você esteja certa. Mas, como bom alvo, prefiro esperar que as coisas se manifestem sozinhas.” E deixou a cigana. A poucos metros, passou por Vanda, dominada por um olhar furioso. Parecia um sinal. Sentiu arrepios. Direcionava a ele as piores expressões. Podia ouvir os pensamentos dela, a voz ecoando críticas ao seu mau comportamento. À falta de carinho. A nenhuma parceria. Ao descaso. A tantas coisas que ele nem seria capaz de se lembrar.
Foi o último encontro dos dois. Soube, tempos depois, que a outro homem se destinavam as pragas de Vanda. Com ele, viveu nova paixão intensa, eterna e calorosa, com juras de amor transformadas em arrepios e ameaças transcendentais nunca materializadas. Conjuradas em um mesmo solitário quadro.
Que a “onda” Rafael Diniz (PPS) tem gerado muitas reações, não é novidade. O crescimento do jovem candidato da oposição pode ser visto tanto nas últimas pesquisas, como dos institutos Pro4 (aqui) e Paraná (aqui), quanto percebido no extremo de determinadas atitudes rosáceas, como pedir login e senha dos perfis de Facebook dos quase cinco mil comissionados e RPAs da Prefeitura. Como o jornalista Alexandre Bastos revelou (aqui) em seu blog, o objetivo seria viralizar virtualmente a reprodução das transmissões ao vivo da campanha governista.
No mundo real
Do mundo virtual ao real, os reflexos de um certo nervosismo também começam a ser percebidos nos encontros com os seis candidatos a prefeitos promovidos por entidades. Até agora, foram três: o Fórum de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente de Campos, na Apoe, no dia 6; a reunião com carnavalescos, anteontem (13), na sede do Ururau da Lapa; e a sabatina dos candidatos com os estudantes e professores do Colégio ProUni, ontem (14).
Ausência
Dos três, o candidato Caio Vianna (PDT) só compareceu ao primeiro. E nele chegou atrasado e saiu antes das considerações finais. Como o sonho de se eleger prefeito de Campos parece mais distante com as últimas pesquisas, o pedetista poderia ter que se contentar com um alvo mais modesto. Segundo (aqui) o jornalista Saulo Pessanha, um objetivo secundário seria ficar à frente de Geraldo Pudim (PMDB), cuja candidatura a prefeito tem apoio do ex-prefeito Arnaldo Vianna (PMDB), que não poupou seu próprio filho de críticas públicas.
Na Apoe
A despeito da presença errática de Caio nos três encontros, em dois deles quem revelou destempero foi o líder da corrida nas pesquisas. Se ninguém tem dúvida de que Dr. Chicão (PR) era a melhor opção do garotismo à sucessão da prefeita Rosinha, justamente por sua simpatia pessoal e perfil afável de médico pediatra, estas características não pareceram estar presentes no evitável questionamento a um garoto de 12 anos que, no encontro da Apoe, fez sua pergunta ao governista elencando problemas no bairro da Tapera, onde mora. “Então você não mora na Tapera”, respondeu Chicão ao menino, a quem deixou visivelmente constrangido.
No ProUni
Já ontem, no encontro promovido pelo Colégio ProUni, Chicão voltou a se envolver em estresses desnecessários. Primeiro, ele quis responder a uma pergunta sobre educação de pé, mesmo após ser lembrado pelo moderador do acordo pelo qual todos os candidatos falariam sentados. Depois, numa pergunta sorteada sobre o mesmo tema, que seria dirigida ao candidato Nildo Cardoso (DEM), o governista questionou aquilo que nela julgou serem críticas injustas à maneira como a administração Rosinha tratou o magistério do município.
Contraindicado
Em suas duas manifestações, Chicão acabou tendo que se submeter a decisões finais desfavoráveis. Todavia, mais do que o insucesso prático das contestações, elas revelaram um perfil avesso àquele com o qual o candidato conquistou a confiança de crianças e seus pais, ao longo dos anos, na construção de uma admirável carreira na pediatria. E, após ingressar na política, nada indica que uma mudança vá gerar bom diagnóstico.
Bola rolada
Além de não surtir o efeito desejado, as polêmicas do candidato governista acabam rolando a bola para alguns dos seus principais adversários. Na Apoe, em suas considerações finais, Rafael afirmou que o menino questionado por Chicão falara algo mais importante do que todos os candidatos a governar Campos. Na deixa do compositor Gonzaguinha (1945/91), Diniz disse preferir ficar “com a pureza da resposta das crianças” e caminhou de encontro ao garoto, que se abraçou a ele e chorou emocionado.
Conta própria
Um assessor de Rafael, que acompanhava a cena, também chorou, enquanto lamentava: “Se fosse no debate da Globo, a eleição acabava aqui”. Por conta própria, o eleitor terá a chance de tirar suas conclusões nos debates dos próximos dias 25, 27 e 29, respectivamente pela Rede Record, Fórum Interinstitucional de Dirigentes de Ensino Superior de Campos (Fidesc) e InterTV — o tal “da Globo”. Já o do Fidesc, na Uenf, terá transmissão ao vivo na Plena TV, Rádio Continental e Folha Online, em seu perfil no Facebook e sua conta no YouTube.
Que a “onda” Rafael Diniz (PPS) está se formando no melhor momento possível para o jovem candidato a prefeito da oposição, só pode duvidar quem não nada conhece nada de marés ou eleição. De fato, após um início atrás de Caio Vianna (PDT) e de Dr. Chicão (PR) nas pesquisas de junho e agosto, Rafael ultrapassou o primeiro e já está na cola do segundo, empatado tecnicamente com o governista na liderança à sucessão da prefeita Rosinha Garotinho (PR), segundo as últimas pesquisas dos institutos Pro4 (aqui) e Paraná (aqui).
Rafael sobe, Caio desce
Todavia, se Rafael pareceu patinar nas intenções de voto entre as pesquisas Pro4 de junho (11,3%) e agosto (13,2%), seu generoso crescimento recente (pulou para 24,2% em setembro) é uma tendência que parece tão certa quanto a decadência de Caio. Sangrado pelas críticas públicas do próprio pai, o ex-prefeito Arnaldo Vianna (PMDB), seu único filho caiu nas intenções de voto de 15,2% (junho) para 13,7% (agosto) e, agora, para 11,6%.
Caminhadas das Rosas e da Pelinca
Já sobre o crescimento substancial de Rafael, quem dúvida tivesse, bastaria conferir sua caminhada pela Pelinca no último sábado (10). Não só pelo mesmo número de pessoas, cerca de mil, como por um entusiasmo comum que, se não envelheceu, parece ter trocado de lado nos últimos 27 anos, fez quem já tem mais de 40 relembrar da hoje histórica “Caminhada das Rosas”, no Mercado Municipal, 10 dias antes do pleito municipal de 1989, que a partir dali acabaria vencido por outro jovem: Anthony Garotinho.
Crescimento de Chicão
Bem verdade que, se a candidatura de Rafael cresceu nas intenções de voto de junho para cá, sobretudo no salto de dois dígitos entre agosto e setembro, Dr. Chicão (PR) também o fez, de maneira ainda mais consistente. Nos números do Pro4, o candidato governista passou de 8,4% (junho) para 17,6% (agosto), até atingir os atuais 29,8%. A liderança de Chicão em empate técnico com Rafael foi também endossada pelo instituto Paraná, contratado pela Rede Record, que repetiu a mesma indefinição estatística numa simulação de segundo turno entre os dois.
Possibilidades
Pelo Pro4, os 29,8% de intenções de voto de Chicão equivalem a 40% dos votos válidos. Já os 31,9% que lhe foram dados pelo Paraná, correspondem a 38,1% dos votos válidos. Essa proximidade entres os números das duas pesquisas revela um quadro bastante difícil para que a candidatura governista cumpra o ambicioso objetivo traçado por seu principal cabo eleitoral, Garotinho: vencer em turno único. Mas não é missão impossível — como não seria, em contrapartida, se Rafael ultrapassasse Chicão ainda no primeiro turno.
Prioridade I
Correndo contra o tempo, o governo da prefeita Rosinha tem investido em obras e, para isso, tem retirado recursos previstos para outras pastas. A maior parte da Saúde, como mostra (aqui) reportagem na página 3 desta edição. Enquanto as obras estão “a todo vapor”, os campistas que necessitam da Saúde continuam sofrendo. Na edição de ontem, a Folha mostrou o caso de um homem, que passou por cirurgia do coração há uma semana, e domingo foi atendido (aqui) no corredor do Hospital Geral de Guarus (HGG).
Prioridade II
Já no maior hospital da região, o Ferreira Machado, funcionários denunciam que a Emergência foi fechada e estaria recebendo apenas casos de emergência vermelha. Além de superlotada, a unidade estaria, também, sem os materiais necessários. No mesmo HFM, um vídeo que circula na internet (aqui) mostra um paciente, em estado grave e ligado, inclusive, a um respirador, sendo transportado (aqui) pela escada. O elevador, mais uma vez, estava quebrado. Diante deste quadro, retirar verba da Saúde para Obras mostra o que parece ser prioridade no governo.
De volta à ativa na lida blogueira, bom fazê-lo com aquilo que Campos tem de melhor: sua cultura. Tanto mais para falar de quando essa brilha nos grandes centros.
Dramaturgo, poeta e professor, o campista Adriano Moura tem sua peça “Relatos de Professores” encenada no Rio de Janeiro desde a última quinta-feira, dia 8, no teatro Glauce Rocha (Av. Rio Branco, nº 179, Centro).
Com direção de José Sisneiros, velho conhecido de Campos, a peça segue em cartaz até o dia 2 de outubro, sempre às 19h, de quinta a sábado, e a partir das 18h, no domingo. No elenco, estão: Deo Garcez, Mirian Panzer, Eduardo Piovesan, Christina Markes e Carlos Salles.
O nome original da peça é “Conselho de Classe”, texto de 2005, apresentado em Campos naquele mesmo ano e em 2006. O novo nome foi adotado por opção de Sisneiro, já que uma peça homônima, escrita depois, já estava em cartaz no Rio.
Abaixo, a sinopse da peça que os cariocas têm assistido, pelas palavras do seu autor:
Elenco da peça de Campos encenada em palco carioca (Foto: divulgação)
— Quatro professores recolhidos em um manicômio são investigados por um psiquiatra para saber se seus delitos foram por causa da “loucura’’ ou se eles sabiam exatamente o que estavam fazendo e quais seriam suas consequências. O desenrolar da peça aborda temáticas que colocam o público para pensar: afinal, onde fica a linha tênue entre a loucura e a normalidade? O que leva seres humanos, aparentemente sem nenhum “problema mental’’ a surtar? As pressões do dia a dia, a miséria, o abandono, a falta de amor, os outros, a profissão? “Relatos de Professores” é um texto pertinente para o momento de caos educacional em que vivemos. Esta peça não é sobre professores “à beira de um ataque de nervos”, mas sobre pessoas num mundo em colapso, a cada dia mais esquizofrênico e psicótico. É sobre muitos de nossos fantasmas, pois quem nunca viveu a realidade de uma sala de aula, seja como professor ou aluno? Sempre me sinto honrado quando alguém leva um texto meu aos palcos. Estou ansioso para assistir à montagem, pois é a primeira vez que tenho um texto montado por um elenco que não conheço.