Chico de Aguiar — De volta ao começo

 

 

 

Direita, volver? Não, direita, retroceder! É assim que eu entendo essa volta ao passado de atraso, vivido em nosso país, a partir de algumas medidas adotadas por esse presidente da República —  que o compositor Aldir Blanc apelidou de temeroso — e seu congresso de deputados e senadores canastrões. Está ficando bastante claro, para todos entenderem, o propósito do golpe que derrubou Dilma Rousseff. São essas ações — esse conjunto de ações — a melhor justificativa para a denúncia de golpe

Foi golpe, sim. Golpe na instituição denominada eleição livre e democrática. Eu sei, muitos não gostaram do resultado das urnas. Às favas, porque os votos dos eleitores têm que ser respeitados. Ou não vivemos mais a tão propalada democracia? Responda quem for capaz. Penso que a ideia do golpe é parar o crescimento do país que, há cerca de seis anos, era tido como potência em desenvolvimento ao lado de Rússia, Índia, China e África do Sul, países que formam o quinteto intitulado Brics.

Mas, sem perder a ternura, jamais, voltemos ao assunto retrocesso. Sim, é esse o nome que se dá às medidas em pauta desde que Michel Temer assumiu o poder sem legitimidade. Claro que não são todos, mas a maior parte dos deputados e senadores está de prontidão para votar contra os interesses do povo. A impressão que fica é de que o capital internacional é o verdadeiro comandante do país. Se não houver uma firme tomada de posição das forças progressistas, ele nos leva de volta à Casa Grande e ao regime feudal. Lembro-me de 1961, quando Jânio Quadros culpou as forças ocultas pela sua renúncia. Sem certeza de nada, imagino a pressão do grande capital nas decisões dos governantes.

A pauta de Temer e seus comparsas é travar direitos trabalhistas e avanços sociais conquistados através de décadas. A destruição de programas sociais como Ciência sem Fronteiras e Minha Casa Minha Vida; a aprovação pelo Congresso Nacional, da PEC 55, que congela gastos sociais por 20 anos; a reforma do ensino médio, feita sem que a sociedade fosse ouvida; a alteração nos procedimentos para a demarcação das terras indígenas e a entrega do comando da Funai a um ruralista — por analogia, é como entregar o comando de loja de louças a macaco —; a reforma trabalhista, que acaba com a proteção ao trabalhador; a reforma da Previdência, recebida com muita insatisfação pelos trabalhadores brasileiros; o enfraquecimento dos bancos públicos com fechamento de várias agências do Banco do Brasil e da CEF e a consequente demissão de milhares de funcionários; devem ser considerados como estratégia para obstar o progresso do Brasil.

Relacionados acima estão apenas alguns itens que demonstram o retrocesso proporcionado por medidas impopulares do atual governo. Mas o pior dessa história é perceber que o presidente usa o nosso dinheiro para se livrar dos diversos processos que contra ele move a própria Procuradoria da República. Assim como Temer, vários ministros de seu estafe também estão envolvidos em processos, seja por corrupção ou assuntos semelhantes. Se esses personagens que comandam o país serão condenados, só o tempo dirá. Mas a nação interessada, que é a maioria da população, aguarda o desfecho com ansiedade.

 

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Este post tem 3 comentários

  1. JOSÉ LUIS VIANNA DA CRUZ

    Excelente análise. De pleno acordo

  2. JOSÉ LUIS VIANNA DA CRUZ

    Muito bom! É isso aí!

  3. Guiomar Valdez

    Olá, é a Direita, vou ver!Análise importante ao desnudar as ações explícitas da direita transnacional em nosso país!

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