Saulo Pessanha — Solte a cachorrinha

 

 

Nos anos 50, o telefone tilintou e Mário Manhães de Andrade, então gerente de A Notícia, atendeu. Era um comerciante sírio, contando uma “tragédia” em casa.

Sumira uma cadelinha e os filhos estavam inconsoláveis. Mário disse que não recebia anúncios pelo telefone. Mas o sujeito o venceu no cansaço. Os sinais da cadelinha foram passados e o preço, de três cruzeiros, por vez, combinado. O comerciante mandou colocar sete vezes, ao preço final de vinte cruzeiros.

O anúncio saiu um dia só e o telefone novamente tilintou. Por coincidência, o próprio Mário Manhães atendeu. O homem estava eufórico e desmanchou-se em elogios ao jornal, dizendo que logo apareceu uma pessoa com um exemplar de A Notícia e a cadelinha.

Em meio aos elogios, o sírio disse que mandaria pagar os três cruzeiros.

— Calma aí! Não são três cruzeiros. São vinte.

— Mas o anúncio só saiu uma vez!

— Mas o combinado foi para sair sete vezes!

Discute daqui, discute dali, até que Mário deu a solução:

— Se o senhor não está satisfeito, solte a cachorrinha e deixe o anúncio sair mais seis vezes.

Do outro lado do fio, o homem ficou em silêncio por uns 15 segundos. Depois explodiu uma gargalhada, vencido. E mandou pagar os 20 cruzeiros.

 

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