Romário, Paes, Indio, Garotinho, Tarcísio, Ciro, Bolsonaro e morte em Atafona

 

 

 

Debate a governador

Com menos candidatos a governador do Rio do que no debate da Band, dia 16, algumas coisas foram diferentes e outras se repetiram no debate promovido na manhã de ontem (28), pelos jornais O Globo e Extra, além da revista Época. Transmitido pelas redes sociais, só foram convidados os cinco candidatos mais bem colocados na última pesquisa Ibope: Romário Faria (Pode), Eduardo Paes (DEM), Anthony Garotinho (PRP), Tarcísio Motta (Psol) e Indio da Costa (PSD). Romário não foi. Mas, a julgar por seu péssimo desempenho na Band, sua ausência ontem poderia ser definida por aquilo que o ex-craque já falou de Pelé: “calado, é um poeta”.

 

Paes, alvo preferencial

Época de eleição é como de Copa do Mundo. Quem entente pouco ou nada do assunto se julga no direito de emitir opinião, confundindo torcida com argumento, e argumento com fato. Diuturnamente, estão aí as redes sociais para dirimir qualquer dúvida do nível rasteiro desse debate. No que foi promovido pelas Organizações Globo, não erra quem disser que serviu menos para discutir propostas ao Estado do Rio, do que para ataques entre os candidatos. Alvo preferencial por conta da sua ligação com o ex-governador Sérgio Cabral (MDB), Paes voltou a ser o alvo preferencial. Mas ontem, diferente da Band, ele se empenhou nos contra-ataques.

 

Indio e Garotinho

Para quem tem capacidade de interpretação, algumas coisas se revelaram além do óbvio. Indio tentou se desligar da imagem de “escada” para Garotinho bater em Paes, que ficou no debate da Band. E perguntou ao campista como ele poderia voltar a ser governador e dirigir o sistema penitenciário do Estado, tendo sido dele “hóspede” duas vezes no ano passado. E o político da Lapa sutilmente ameaçou revelar o grau da sua real intimidade com Indio, ao dizer que foi este quem ligou para lhe dizer que não poderia não poderia ser impedido de concorrer pela Lei da Ficha Limpa. Seu relator como deputado federal, Indio ouviu e se encolheu.

 

Preocupação com Tarcísio

Conhecido pela expressão facial de satisfação consigo mesmo após encerrar cada intervenção, Garotinho também revelou sua preocupação com o crescimento de Tarcísio. Para quem sabe ler nas entrelinhas, isso ficou claro quando o candidato do PRP disse em sua última fala: “uns não tem nenhuma experiência (…) falam muito, fazem piadinha, são engraçadinhos (…) mas não têm conteúdo (…) o importante nessa eleição é você não cair no risco de votar em candidato despreparado”. Referiu-se ao candidato do Psol, o melhor nos dois debates. O motivo? Ainda distantes, Garotinho e Tarcísio são, respectivamente, o 3º e o 4º nas pesquisas.

 

Ciro e Bolsonaro no JN

Já foram duas as entrevistas da semana com os presidenciáveis no Jornal Nacional. Na segunda (27), com receio de confirmar seu destempero, Ciro Gomes (PDT) aceitou ser parcialmente contido pelo estilo assertivo de William Bonner. Já Jair Bolsonaro (PSL) não mostrou medo e foi para cima. Teve uma boa resposta da jornalista Renata Vasconcelos, que se impôs na questão da diferença salarial entre gêneros. Só que a insistência da pauta no politicamente correto favorece a Bolsonaro. Na experiência de muitos anos, ele se tornou bom nisso. Mas é só. Impressiona como a grande mídia brasileira parece incapaz de aprender com seus erros.

 

Morte e repercussão

O assassinato em Atafona do jovem Layron da Silva Costa, de 24 anos, durante ação policial na noite domingo (26), gera revolta e protestos. No sepultamento, ontem (28), amigos da vítima cobravam por Justiça. Layron pilotava uma moto quando foi baleado na cabeça. O caso foi registrado por policiais como auto de resistência. Grande parte da imprensa de Campos e SJB — a Folha é uma das poucas exceções — chegou a chamar a vítima de bandido, apostando em informações desencontradas e sem a checagem dos fatos, ato primordial no exercício do jornalismo. A família comprovou que o jovem não tinha antecedentes criminais.

 

Versão contestada

Amigos e familiares do Layron demonstraram revolta com a imprensa, o que se justifica devido à forma como o caso foi abordado. Na primeira versão, que está na narrativa policial, a vítima estava dando carona a um suposto chefe do tráfico e houve troca de tiros. Mas existe outra versão, ainda não oficializada, de que sequer o carona teria envolvimento com o tráfico. Seriam dois jovens que saíam de um churrasco no Balneário de Atafona e teriam sido perseguidos e abordados a tiros. A Corregedoria da Polícia Militar já atua no caso. A sociedade precisa de uma resposta imediata sobre as circunstâncias e a motivação dessa morte.

 

Com o jornalista Arnaldo Neto

 

Publicado hoje (29) na Folha da Manhã

 

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